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Crónicas Sangrentas

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por anokas_03 em Dom Maio 20, 2012 9:14 am

Oh meu deus...
ADOREI!
Acho que o William ganhou uma fan :P
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por CatariinaG' em Dom Maio 20, 2012 9:17 am

eu amo iso, pah!!

*
Oh gaja, posso imaginar o William com outra cara? xD
Nao que esta seja desagradável, mas prontos xD

Adorei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(ja chega?!)

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por miaDamphyr em Dom Maio 20, 2012 9:22 am

Cá estou eu, aproveito para reler tudo denovo, lool. Já sabes o que penso sobre tudo isto minha Pandy, só para te dizer que não vou a lado algum sim? Beijos.
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Dom Maio 20, 2012 11:58 am

Bem... Bem, Bem! Tenho de começar a chatear-me já?!
Quem se está a fazer ao William?! Olha que eu não divido! Mania das pessoas de gostarem das mesmas personagens (não estou admirada visto estarem todas muito bem criadas e descritas, mas não gosto disto!)
Atirem-se ao Stefano (little spoiler!) que este tem dona xD!
Continua Pandora, eu trato destas ladras... :lol:

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Dom Maio 20, 2012 1:41 pm

Que maravilha!!
O William é um fofo!!
Continua rápido (;
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Dom Maio 20, 2012 3:42 pm

Anokas, ahaha eu sabia que o Will ia ganhar fãs num ápice! Mas acredita que há muitas por onde escolher. Sabes, eu tenho um pequeno problema crónico chamado: 'criação-de-várias-personagens-num-frenesim-maluco-e-inexplicável' e depois acontece estas coisas de ter imensas personagens xD Fico contente por teres gostado dele e por teres comentado :p beijinhos!

Cata, se começas a imaginar o Jared em todas as minhas personagens vais ter um harém de Jared Leto's à tua volta! É isso que queres??? Okay... retiro o que disse xD Obrigada doida e beijinhos!

Mia yey!! Que bom que estás por aqui! Sim, eu sei que amas o meu Liannus, mas eu dou-to. Não, eu empresto-to! xD Pode ser? xD Obrigada pelo comentário!!

Fox estás tramada. Estão a roubar-te o homem! E tu que o conheces melhor e há tanto tempo! LOLOL xD Olha ela a lançar spoilers de personagens futuras! xD O Stefano também vai arrecadar corações, cheira-me xD obrigada por continuares a seguir-me Fox! ^^

Nitaa e ainda não viste nada! Vais conhecer mais do William que garanto que vais gostar :p obrigada por comentares! Beijinho!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Dom Maio 20, 2012 3:59 pm

PandoraTheVampire escreveu:Nitaa e ainda não viste nada! Vais conhecer mais do William que garanto que vais gostar :p obrigada por comentares! Beijinho!
Já estou a ver que sim... Pela quantidade de fãs xD
Fico à espera (;
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Dom Maio 20, 2012 6:44 pm

Mais um capítulo da Pandora e a introdução de uma nova personagem que será importante. Espero que gostem!

Não se esqueçam de espreitar o Compêndio para estarem a par das personagens e lugares que vão surgindo.







5. PANDORA - ARINDALE (TEMPLO DAS SEVÍCIAS)

"Afasta-te de mim. Já te disse que não te quero ver mais." A sua voz era firme e decidida, mas as suas pernas começavam a tremer, ainda que levemente. O seu olhar podia ser gélido, mas brilhava e as lágrimas por derramar picavam-lhe os olhos.

"Sai. Desaparece. Foste uma desilusão."

Mas ele não saiu. Em vez disso deu duas passadas na sua direcção e estendeu as mãos em sinal de paz. As suas grandes mãos. Fortes e calejadas, como deviam ser as mãos de um soldado. Na sua face brincava um meio sorriso. "Que querias que fizesse, meu amor, te deixasse para morrer?"

Ela virou-lhe as costas, rejeitando a sua oferta de paz. "Claro que sim! Acho que preferia a morte a esta vida sem sentido." Enrugou o nariz. "Uma vida sem fim, uma vida que não é vida, uma vida amaldiçoada e pejada de escuridão! Sim, Marcus, sim! Devias ter-me deixado para morrer!"

Pandora sentiu os seus braços frios envolver a sua cintura e os seus lábios húmidos beijarem-lhe o pescoço. "Claro... e depois matava-me a seguir, certo?" Não a deixou responder. Ao invés disso virou-a e olhou-a bem nos olhos carmim. Uns olhos que brilhavam de um vermelho tão vivo que pareciam dois lagos de sangue.

"Nunca. Pandora nunca conseguiria viver sem ti. E não me iria render a uma morte fácil sem saber ao certo o que poderíamos ser juntos." Plantou-lhe um leve beijo nos lábios, mas Pandora não correspondeu.

"Eu sei o que somos. Criaturas abomináveis e horripilantes que os pais utilizam para assustar criancinhas e para as obrigar a comer. Seres intragáveis cujo único propósito neste mundo é matança e carnificina."

Afastou-se dele e deitou-se na cama enquanto enrolava os braços à volta dos joelhos. "Porquê...? Porque é que me tornaste na única coisa que eu mais abominava? Porquê, Marcus...?"

Ele nada disse. Deitou-se ao lado dela e envolveu-a de novo nos seus braços. Sentiu humidade no peito e soube que ela estava a chorar. "Porque te amo demais Pandora."

Ela não devia sentir calor. Era uma Vampira. Ela era fria como uma estátua, gelada como a neve. Se o seu coração não batia então não havia como mantê-la quente. Então porque é que neste momento se sentia a arder?

"E eu odeio-te, Marcus."

-*-

A noite estava fresca, o Outono estava mesmo no fim e as rajadas de ar surgiam de rompante e geladas. Mas há muito tempo que Pandora não sabia o que era sentir frio. Já houvera sentido calor depois de se tornar vampira, mas o frio nunca mais lhe provocara um único arrepio.

Suspirou e abanou a cabeça para afastar memórias que teimavam assolar-lhe o pensamento. Era curioso como desde que voltara a Arindale não parava de pensar no Marcus. Sonhava com ele, pensava nele e revivia as suas memórias com ele.

Já não o via há cinco séculos, porque é que estava a pensar nele agora?

Abanou novamente a cabeça e preparou-se para subir a centena de degraus que encarava. A Escadaria Lancinante era o conjunto de degraus que antecedia a entrada para o Templo das Sevícias.

Não se podia dizer que a sua raça tivesse alguma religião ou temesse algum Deus. Se os vampiros eram a raça mais evoluída do mundo, porque razão haveriam eles de adorar alguém que fosse superior a eles?

A razão da existência de Templos era simples, estavam lá para necessidades básicas e os vampiros usufruíam deles não para prestar homenagem ou adoração, mas sim quando sentiam necessidade de se libertarem de algo que os perturbava.

Eram cinco templos e tinham cinco Numes associados a cada um deles. Os Numes poderiam ser descritos como divindades, mas os vampiros não lhes prestavam homenagem como se eles fossem seres superiores, mas mostravam-lhes o devido respeito e seguiam os seus conselhos.

Sevícias, o templo para onde Pandora se dirigia, era o templo da dor física e o seu Nume era Jabez. Os outros templos eram: Templo das Agonias, Templo da Alacridade, Templo da Humanidade e Templo da Promanação. Cada um servia o seu propósito, cada um tinha o seu Nume para orientar toda a raça.

Pandora deu uma última passada e subiu o último degrau. Respirou fundo, mais por hábito do que por necessidade, e avançou pelo pequeno pátio em direcção à entrada do templo.

Descalçou-se na entrada e cumprimentou o vampiro servente que a recebeu com vénias. Toda a gente sabia quem era Pandora. Liannus fizera com que assim fosse. Tinha sido a sua maneira macabra de mostrar possessão. Mas Pandora não se importara. Desde que a deixassem em paz.

Explicou a sua necessidade ao vampiro servente e ele rapidamente a encaminhou para a sala adjacente à entrada. Mesmo no meio da sala estava uma fonte de sangue com uma estátua enorme no meio. Pandora aproximou-se, ajoelhou-se e pousou a mão no pé da estátua.

"Jabez, guia-me na escuridão e mostra-me a luz, ainda que tremeluzente e quase extinta." Jabez tinha uma grande barba até aos pés. A sua estátua sangrava da boca inchada, pescoço, que estava rasgado, mão que estava decepada, e barriga que jazia aberta. Era de pedra, mas os pormenores eram bem reais, desde a jugular exposta, às entranhas que pendiam da abertura da barriga. "Eleva-me da poça de desespero e ajuda-me a encontrar o caminho."

Deixou-se estar de cabeça pendida e mão pousada no pé a murmurar preces enquanto o vampiro servente corria para chamar o regente do templo para que Pandora pudesse falar com ele.

Pandora pretendia esperar, mas algo lhe chamou a atenção e ela levantou-se enquanto olhava em volta. Não precisou de a ver para saber quem lhe fazia companhia.

"Camilla... não precisas ficar nas sombras. Vem, junta-te a mim e procura orientação."

Camilla, uma vampira que ainda podia ser considerada jovem pois tinha apenas quinhentos anos, aproximou-se com passadas elegantes e o ar altivo que lhe era tão característico. "Oh, mas eu não vim pedir orientação, cara Pandora." Os seus sapatos faziam barulho no ladrilho trabalhado que rodeava o salão principal do templo. Camilla não os tinha tirado à entrada.

"Ah não? Então?"

Camilla riu maliciosamente. O seu cabelo comprido esvoaçava à sua volta e os seus olhos rasgados acentuavam o seu sorriso. "Liannus procura-te. E eu sabia que estarias aqui. Sempre aqui, Pandora."

Pandora sorriu calmamente e sentou-se à beira da fonte. Juntou as mãos em forma de concha e bebeu um pouco do sangue que escorria da estátua. A fase final para obter a benção e a orientação de Jabez.

Camilla esperava a sua resposta, mas como não veio, ela continuou o seu discurso. "Gostava de saber porque precisas de tanta orientação. Não sei o que mais queres da vida. És a favorita do Liannus! Podes ter o que quiseres!"

Pandora notou que os punhos de Camilla se fecharam e a altivez e elegância que a rodeavam como uma aura dimunuíram e deram lugar à inveja e ao ciúme. Os olhos roxos de Camilla enfrentavam-na e Pandora só podia sorrir.

"Quem me dera poder trocar tudo isso contigo Camilla. Tudo para poder viver a tua vida fútil sem saber o que é a dor ou a perda. Preocupar-me apenas com a imagem e se Liannus olha para mim ou não sem ligar ao que me rodeia ou ao passado que me destruiu." Levantou-se quando viu que o regente se aproximava a passos largos.

Camilla parecia capaz de lhe rasgar a garganta só com o olhar. "Tu és nova, Camilla. E és imaculada. Foste criada em paz e viveste em paz. Vive a tua vida e deixa as mágoas dos outros para quem delas entende."

Lançou-lhe um olhar de aviso e não pôde deixar de reparar que o seu tom de voz se tinha tornado ameaçador, mesmo que não fosse esse o seu desejo. Camilla permanecia no mesmo lugar, de boca pendida e pernas presas no chão.

"Diz a Liannus que terá de esperar. Não pretendo voltar tão cedo." Virou as costas e seguiu o regente para uma outra sala adjacente àquela. Camilla desaparecera, tão silenciosa como aparecera.

Talvez não devesse ter sido tão dura com ela.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Dom Maio 20, 2012 8:17 pm

Ainda bem que continua! É que eu quero mais!!
Tens uma riqueza de escrita mesmo cativante e apelativa. Cada palavra aproxima o leitor cada vez mais do ecrã.
FAN-TÁS-TI-CO!!
Aguardo o próximo.
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Dom Maio 20, 2012 10:10 pm

Nitaa continuas a deixar-me super contente com os teus comentários ;) muito obrigada pelos elogios e por continuares a gostar! :D beijinho!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Dom Maio 20, 2012 10:40 pm

PandoraTheVampire escreveu:Nitaa continuas a deixar-me super contente com os teus comentários ;) muito obrigada pelos elogios e por continuares a gostar! :D beijinho!
Enquanto isto estiver a ser espectacular (que vai ser sempre), eu vou deixar um comentário de incentivo para continuares (;
(Talvez quando me dignar a postar a minha fic da treta, faças o mesmo e assim sei que consegui retribuir o prazer que me tens dado quando leio os teus trabalhos)
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Snoopy em Seg Maio 21, 2012 8:47 am

Sem eu dar por nada postas 30º capitulos! :x
Tirando isso, estou a gostar tens que continuar! :P

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por CatariinaG' em Seg Maio 21, 2012 8:53 am

amei amei amei,
já não me lembrava disto, pá!

Amei mesmo muito...

Consegue-se amar mais do que já se ama? :O

Anyway
ameiiii

Camilla riu maliciosamente. O seu cabelo comprido esvoaçava à sua volta e os seus olhos rasgados acentuavam o seu sorriso. "Liannus procura-te. E eu sabia que estarias aqui. Sempre aqui, Pandora."

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Maio 21, 2012 11:58 am

Nitaa, claro que comentarei quando postares ;)

Snoopy, poissssssss! Sabes que ainda tenho muitos capítulos para postar, por isso tenho posto um por dia xD Fico contente por estares a gostar!! :D obrigada pelo comentário.

Cata, pelo teu entusiasmo acho que sim! xD Fico contente por teres gostado, mesmo sendo já a segunda vês que lês :p obrigada!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Seg Maio 21, 2012 4:39 pm

Oh God, isto ainda vai tão atrás (eu tenho-me queixado disto a todas as escritoras!)
Continuo na minha: adoro a Pandora! Tão calma, serena e senhora de si! Eu invejo-a (como é óbvio, aquela calma foi ganha com os milhares de anos de vida que ela tem, mas ainda assim...) nalgumas situações, mas todas as peripécias que ela vai viver deixam-me a pensar...
Continuo com o meu William... ;)

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Maio 21, 2012 5:11 pm

Fox és tu e eu... mas sempre nos dá a oportunidade de reler histórias que adoramos :p é pena é aquele bichinho chamado curiosidade estar sempre a coçar atrás da orelha, ahaha :p

Gawd também gostava de ter a calma que a Pandora tem... mas isso é complicado. Acho que não vou atingir os 2000 anos de idade... :/ lolol xD Beijokaaaaaaa

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Maio 21, 2012 8:17 pm

Está na altura de conhecer a Camilla e as suas obsessões nada saudáveis. Espero que gostem!







6. CAMILLA - ARINDALE (MANSÃO LIANNUS)

Camilla entrou pela porta principal da mansão com os olhos a brilharem de raiva. Deixou que a porta batesse com força e desceu os degraus com passos pesados. Com cada passo a sua boca abria-se e soltava uma maldição contra Pandora.

"Mas quem é que ela julga que é?"

Avançou furiosa pelo corredor estreito e pelo rol de portas fechadas ignorando os chamamentos do mordomo principal da mansão de Liannus.

"Trata-me como uma miudinha mimada e ainda ignora o Liannus?" Bufou de irritação e andou mais uns metros. O seu cabelo esvoaçava à sua volta e o pequeno apanhado que tinha elaborado com tanta perfeição antes de sair de casa estava completamente desfeito.

Parou em frente a uma porta e tentou ajeita-lo com as mãos que tremiam que nem varas verdes. Por mais que tentasse não conseguia com que a trança que unia as duas pontas da sua franja atrás da cabeça permanecesse intacta e perfeita.

Pensou em chamar Lavinia, sua aia, para a ajudar, tal como tinha feito no início da noite, mas não tinha tempo para tais frugalidades de momento. Bufou de irritação e parou de tentar arranjar o cabelo. Soltou-o completamente e alisou-o com os dedos, ajeitou o decote do vestido negro e alisou a saia comprida. Endireitou as costas e bateu ao de leve na grande porta de mogno que a encarava.

"Entra, Camilla."

Ouviu a voz penetrante de Liannus responder-lhe e sentiu os seus joelhos ceder. "Calma, Camilla... calma." Murmurou para si própria enquanto rodava a maçaneta. Liannus estava sentado na sua Chaise-Longue clássica de veludo carmim e beberricava de um copo dourado, certamente acabado de encher com sangue fresco.

"Mestre Liannus." O suspiro de Camilla era de adoração e a sua vénia prolongou-se mais alguns segundos que o necessário.

Liannus sorriu um meio sorriso e abanou o copo levemente para que o sangue não coagulasse. "Minha querida Camilla." Falava baixo, mas cada sílaba atingia Camilla como o beijo do amante mais fervoroso. "Aproxima-te."

Camilla deu um passo nervoso, sorriu envergonhadamente, e depois tomou coragem para andar os três passos que lhe faltavam para chegar até Liannus. Ajoelhou-se à sua frente e olhou-o embasbacada.

Não sabia apontar ao certo o momento exacto em que se tinha apaixonado por Liannus. Não sabia se teria sido antes ou depois de estar morta. Apenas sabia que não podia passar um dia sem um vislumbre dos penetrantes olhos azuis de Liannus. Não conseguia dormir sem ter ouvido as suas palavras. Não conseguia viver sem Liannus.

Ele sorriu e passou-lhe a mão pelos cabelos. "Minha querida Camilla. O que te trás até mim?" Camilla sentiu-se envergonhada com o seu toque e não conseguiu parar de sorrir. Fitou o chão e humedeceu os lábios levemente.

"Mestre Liannus... Pensei... Pensei que pudesse estar com sede..." A sua afirmação era casta, mas as suas intenções eram tudo menos puras. Queria que ele a tomasse com toda a força e a sugasse até ao tutano. Queria que ele se alimentasse de si e a deixasse meio morta e a arder de desejo. Queria ser dele, completamente.

Liannus pousou o copo na pequena mesa que repousava ao lado do sofá e inclinou-se na direcção de Camilla. As suas faces quase que se tocavam e, se Liannus quisesse respirar, Camilla conseguiria sentir o cheiro do sangue que Liannus acabara de ingerir.

"Parece-me uma boa oferta, Camilla. Mas tenho assuntos urgentes para tratar." Sorriu e levantou-se enquanto desapertava a camisa branca. "Onde está a Pandora?"

Camilla estremeceu. Os seus lábios tremeram e as suas mãos fecharam-se sobre o seu vestido, enrugando-o levemente. Sentiu-se humilhada pela recusa de Liannus, mas o medo que agora a assolava conseguia sobrepor-se à humilhação e vergonha.

Liannus não gostava que lhe desobedecessem e tendia a soltar a sua fúria no que quer que estivesse mais próximo. E neste caso era ela. Pandora tinha-lhe desobedecido, mas ela não estava ali para lidar com as consequências.

Camilla sabia que o assunto que Liannus tinha para tratar era com Pandora e, como ela disse que iria demorar, Camilla supunha que ela pretendia tomar o caminho das Correntes de Punição. As Correntes de Punição eram aros de ferro com picos afiados que eram envoltos no pescoço, braços, pernas, peito e barriga do vampiro. De seguida eram apertadas até que o vampiro sangrasse. Quando a dor física deixava de ser lancinante, o vampiro atingia a orientação que necessitava e era solto. Depois era alimentado e deveria descansar algum tempo no Templo para que recuperasse. Por isso o processo demoraria algum tempo.

"Ela..." Parou para estabilizar a voz que lhe saiu tremida e uma oitava acima do normal. "Ela está no Templo das Sevícias. Quando lá cheguei tinha acabado as preces, por isso deve estar detida nas Correntes de Punição."

Mordeu o lábio levemente e fechou os olhos. "Disse que iria demorar e que o... que o Mestre Liannus teria de esperar."

Quase nem terminou a frase pois Liannus agarrou-a pelos cabelos e arremessou-a contra a parede mais próxima. Camilla gritou e abafou um gemido de dor quando a sua cabeça partiu um pouco da parede.

"Mestre Liannus, por favor!"

Liannus rosnou e voltou a agarrá-la, desta vez pelos braços enquanto a apertava com força. "Por favor!" Camilla suplicava, mas Liannus não a queria ouvir. Empurrou-a contra o chão e pontapeou-a em direcção ao sofá, que se virou.

Camilla tossiu e sentiu o sabor a sangue. Sentia os olhos a arder com lágrimas que pediam permissão para serem derramadas. Mas nem para isso havia tempo pois Liannus aproximou-se rapidamente com um ar selvático, inclinou-lhe o pescoço com brutidão e mordeu-a.

Camilla gemeu, não soube se de prazer ou dor ou ambos misturados. Sentia-se fraca. Liannus sugava o seu sangue com avidez. Sabia que demoraria algum tempo a recuperar depois disto. Liannus sempre tivera muita sede...

"Sim, Mestre Liannus..." Camilla sorria enquanto se sentia desfalecer. Ela é que devia ser a escolhida de Liannus. Ele criara-a a ela e não à Pandora. Ela era dele por direito, e o seu sangue chamava-o. Sim. Ela era dele e a Pandora era apenas uma pedra a ser removida do seu caminho.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Seg Maio 21, 2012 8:48 pm

Macabro! Muito macabro!
Mas cativante! Muito Cativante
Continua por favor!
É que estou a ver que esta cabrita vai armar o cão xD
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por CatariinaG' em Seg Maio 21, 2012 8:56 pm

Quase nem terminou a frase pois Liannus agarrou-a pelos cabelos e arremessou-a contra a parede mais próxima. Camilla gritou e abafou um gemido de dor quando a sua cabeça partiu um pouco da parede.

"Mestre Liannus, por favor!"

Liannus rosnou e voltou a agarrá-la, desta vez pelos braços enquanto a apertava com força. "Por favor!" Camilla suplicava, mas Liannus não a queria ouvir. Empurrou-a contra o chão e pontapeou-a em direcção ao sofá, que se virou.

Camilla tossiu e sentiu o sabor a sangue. Sentia os olhos a arder com lágrimas que pediam permissão para serem derramadas. Mas nem para isso havia tempo pois Liannus aproximou-se rapidamente com um ar selvático, inclinou-lhe o pescoço com brutidão e mordeu-a.

Camilla gemeu, não soube se de prazer ou dor ou ambos misturados. Sentia-se fraca. Liannus sugava o seu sangue com avidez. Sabia que demoraria algum tempo a recuperar depois disto. Liannus sempre tivera muita sede...

"Sim, Mestre Liannus..." Camilla sorria enquanto se sentia desfalecer. Ela é que devia ser a escolhida de Liannus. Ele criara-a a ela e não à Pandora. Ela era dele por direito, e o seu sangue chamava-o. Sim. Ela era dele e a Pandora era apenas uma pedra a ser removida do seu caminho.
A sério, isto fez-me querer ter um Liannus [mas com olhos verdes ou azuis, e cabelo castanho ou loiro, que canta numa banda, ou que é arquitecto] na minha cama, ou no chão...

Bolas que fiquei com o sangue a borbulhar!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Seg Maio 21, 2012 10:03 pm

Ok, és das poucas pessoas que conhece esta música, por isso adorei este capítulo ainda mais!
E as tendências sado-masoquistas e levemente (só levemente!) obsessivas da Camilla ainda ajudaram mais! Continuo sem saber o que esperar desta personagem que, tão depressa me parece perigosamente sagaz como, no outro momento, se assemelha a um carneiro mal morto... Creepy!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Maio 21, 2012 10:36 pm

Nitaa fico contente por teres achado isso. Era mesmo essa a minha intenção! Mais uma vez, obrigada por continuares a acompanhar-me! :D

Cata lol. As possibilidades são infinitas! Na cama, no chão, na mesa, no sofá, no meio do quintal... xD obrigada pelo comentário e ainda bem que te provoquei essas reacções ahahaha xD a minha escrita sempre serve para alguma coisa xD

Fox me gusta Kanon! Sei que sou suspeita porque gosto muito de tudo o que tenha a ver com o Japão, mas a Kanon fascina-me xD ehehe, pois eu em te vou dizer o que tens de esperar dela, porque ela vai ser importantíssima. Ouve bem as minhas palavras :p mas ainda falta alguns capítulos para isso, por isso terás de esperar cara Fox :p Obrigada pelo comentário!! ^^

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Ter Maio 22, 2012 8:51 pm

Fiquem a conhecer mais um pouco da história da nossa Pandora através dos olhos de Marcus! ;)




7. MARCUS - MASMORRA

"Não posso estar mais contigo, Marcus..." A sua voz era triste e arrastada. Estava sentada no jardim e fitava a lua. "Temos de nos manter afastados."

Ele estava encostado a um pilar atrás dela. Tinha os braços cruzados e uma perna dobrada de forma a apoiar-se no pilar. Sorriu levemente. "Sabes quantas vezes já disseste isso?"

Ela virou-se no banco de pedra e olhou-o nos olhos verdes. "Sei. Mas desta vez é a sério. Não posso mesmo estar mais contigo."

A face de Marius endureceu e ele endireitou-se enquanto se desencostava do pilar. "O que é que se passa, Pandora? Estás assim por causa daquele tal de Liannus que conheceste? É isso?"

Pandora suspirou, mais por hábito do que por necessidade, e teve de soltar um sorriso tolo perante o ciúme de Marcus. "Não, tonto. Não é por causa do Liannus. É por mim."

Ele aproximou-se dela e ajoelhou-se à sua frente. Pegou-lhe nas mãos e fitou-a bem nos olhos. Os seus olhos vermelhos estavam brilhantes, indicando lágrimas por derramar. "Mas nós pertencemos juntos Pandora..." Não queria que a sua voz soasse suplicante. Não queria mesmo parecer desesperado. Pelo sorriso triste com que Pandora o presenteou, temeu ter parecido os dois de uma vez só.

"Tens razão. E por isso é que temos de nos separar." Desprendeu uma mão e passou-a nos cabelos castanhos e rebeldes do seu amante. "Sabes que abomino o que sou. Sabes que te culparei por isso para sempre."

Ela ia continuar, mas ele interrompeu. "Eu sei disso. E já me conformei. Sei que não me perdoarás por ter feito aquilo que fiz, mas é um preço que estou disposto a pagar para estar contigo pois se não o tivesse feito, eu é que nunca me perdoaria a mim mesmo."

Pandora sorriu tristemente e deixou uma lágrima vermelha escorrer solitária pela sua face. "Marcus, não posso estar ao pé de ti. Sabes que só me alimento quando estou muito fraca, sabes que tento sempre saciar-me com sangue de animais, mesmo sabendo perfeitamente que não é a mesma coisa. Sabes que só bebo sangue por necessidade..."

Marcus anuiu. Já estavam juntos há uma centena de anos, sabia perfeitamente que Pandora só se alimentava quando estava prestes a desfalecer de fome. E com o passar dos anos mais forte ela se tornava e, consequentemente, menos tinha de se alimentar.

"Quando estou contigo sinto uma fome insaciável. Quando estás perto de mim sinto-me animalesca e só tenho vontade de te cravar as presas na garganta e alimentar-me do teu sangue doce. Quando estou contigo é quando me sinto mais vampira. E eu não quero isso."

Tanto para Pandora como para Marcus, o sangue de ambos era como um néctar doce. Era algo que lhes saciava tanto o apetite como o desejo. Poder beber o sangue do vampiro criador tinha sabor a céu, e o mesmo se passava com Marcus, beber o sangue do vampiro criado era o melhor que havia.

Marcus não sabia se isso só acontecia com eles ou se era o mesmo com o resto dos vampiros. Para falar a verdade, não tinham socializado muito desde que se tinham tornado nos seres que eram agora.

Marcus levantou-se de rompante, furioso e desesperado. Começou a andar de um lado para o outro à frente do banco de pedra onde Pandora o fitava. Passava uma mão pelo cabelo enquanto a outra se abria e fechava nervosamente.

"Mas tu és vampira, Pandora! Quer queiras, quer não! Quer te arrependas, quer não! És vampira. Aprende a viver com isso." A sua voz estava alterada. Esganiçada e algo afectada. Para além do mais achava que estava a ser muito duro com ela. Mas não a queria perder.

De qualquer maneira ela não levou a mal. Limpou a lágrima e forçou um sorriso. "Marcus... eu tenho de me afastar de ti... senão dou em louca..." Levantou-se e parou-o enquanto pousava uma mão branca e fina no seu peito descoberto, branco e imaculado como a mais bela das porcelanas. "Não te preocupes. É temporário. Assim que eu encontrar o culpado da minha mágoa e vingar os meus irmãos eu volto para ti..."

Marcus apertou-a contra si e abraçou-a. "Oh, minha querida Pandora... falas como se eu não te conhecesse tão bem..." Beijou-lhe o cabelo ruivo e, sem querer, soltou uma lágrima que se perdeu no vermelho dos seus cabelos. "Sei que quando te vingares vais acabar com a tua vida Pandora... não o tentes esconder..."


-*-

Marcus olhou pela janela tapada tentando visualizar a lua, que deveria estar cheia. As suas costas ainda latejavam, mas a sua mão estava quase curada. Suspirou, inconscientemente. As memórias de um tempo distante afectavam-no de uma maneira que nunca pensou ser possível. Tanto tempo que Pandora vagueou à procura do vampiro que massacrou a sua família, tantos séculos, e agora aqui estava ele, passados alguns milénios, com a resposta às suas preces .

Ele sabia quem tinha assassinado os seus irmãos. Ele sabia perfeitamente quem era o causador de toda a mágoa que lhe fora infligida.

"Sei que quando te vingares vais acabar com a tua vida Pandora... não o tentes esconder..."

Já o sabia há algum tempo, mas nunca tivera coragem para o revelar com medo do que ela pudesse fazer a seguir. E agora, certo da morte que o iria enfrentar daqui a algum tempo, como poderia ele revelar-lhe a verdade?

Estava encarcerado. Não podia, de maneira nenhuma fazer passar a mensagem por Liannus. Como o faria...?

Ponderou por algumas horas, mas não conseguiu chegar a qualquer conclusão concreta. Achou que seria melhor escrever mais um pouco. Talvez quando terminasse o compêndio Liannus não o matasse. Talvez conseguisse fugir. Talvez conseguisse derrotar Liannus...

Odiava a palavra talvez.

Por isso sentou-se, pegou na pena e molhou-a no tinteiro de tinta preta que destapou com a mão direita. Inspirou profundamente para tomar coragem e debruçou-se sobre a secretária improvisada.

-*-

Naquela altura eu ainda era um miúdo. Bem, já tinha idade suficiente para ser homem, pai, dono de terras e senhor de si mesmo. Mas era ainda um miúdo no coração. Passava o dia a treinar com a espada ou em alguma missão importante. Quando terminava, nem que estivesse perdidamente cansado, era para o palácio de Pandora que eu me dirigia.

Todos os dias durante um mês.

Trocávamos carícias, palavras carinhosas e juras de amor eterno. Beijávamo-nos. Oh, se nos beijávamos. Às vezes penso que passávamos mais tempo a trocar beijos e carícias do que planos para o nosso futuro.

Mas, na verdade, nunca tivemos um grande futuro planeado para nós. Ela era uma princesa, eu era um reles soldado. Um espião, ainda para mais. Como poderia eu, um pobretanas sem terra, ambicionar casar com a filha donzela de Morden, rei de Eupharnium?

Por isso contentava-me com momentos roubados no tempo.

Até ao dia em que o rei Morden nos descobriu juntos e me mandou exilar enquanto declarava que Pandora tinha de se casar até o ano findar.

Lembro-me como se fosse hoje. Felizmente, ou infelizmente, nós os vampiros somos abençoados com uma boa memória. Estávamos no jardim que dava para o quarto de Pandora. Eu tinha saltado o muro enquanto ela distraia o guarda e tinha-me escondido até ela aparecer. Linda como só ela sabia ser.

Os seus cabelos ruivos estavam presos por uma elaborada trança que lhe caia livre pelas costas magras. Havia belas acácias-amarelas a adornarem o seu cabelo. O seu vestido era de um branco tão puro quanto ela e nele os seus olhos verdes brilhavam como duas esmeraldas.

"Marcus!"

Quase gritou quando me viu. O seu sorriso estava tão aberto que me contagiou imediatamente.

"Minha Pandora."

Abraçamo-nos e beijámo-nos até ficarmos com falta de ar. Depois sentámo-nos no banco de jardim a conversar e a admirar as flores. Como eram bons esses tempos. Tudo nos parecia belo, até o mais fútil. Nada era importante a não ser nós.

Como éramos ingénuos...

Lembro-me da Pandora me contar o significado das acácias-amarelas que trazia no cabelo. "Amor secreto, como nós."

Lembro-me das eternas juras de amor que trocamos e lembro-me do grito assustado da aia de Pandora quando Morden abriu a porta de rompante e nos apanhou no jardim.

Nunca me senti tão covarde como naquela altura. Morden era um homem alto na flor da idade. Tinha gerado os seus filhos novo, por isso ainda tinha muita agilidade. Lembro-me do seu olhar de raiva em direcção de Pandora.

Lembro-me do desafio espelhado na face da Pandora e lembro-me de pensar que não poderia ser covarde. Não quando a minha amada pretendia fazer frente ao seu pai. Ao rei.

Ainda tentei falar, mas Morden esmurraçou-me e eu não me mexi. Não soltei um ai mas cambaleei, tonto. Lembro-me de ter dado graças aos Deuses o facto de Morden não ter a sua espada naquele dia.

Lembro-me de Morden a gritar pelos guardas, depois de me esmurrar e pontapear algumas vezes. Acho que ele falou qualquer coisa que incluia calabouços, sentença e morte, não me recordo ao certo pois estava prestes a perder a consciência. Mas lembro-me perfeitamente da minha pequena Pandora.

Ela colocou-se à minha frente de braços estendidos e olhar destemido enquanto batia o pé como uma criança. Ameaçava fugir de casa se me mandassem matar. Ameaçava matar-se também. Ameaçava criar um escândalo.

Sei que também houve lágrimas pois ouvia-a a fungar. Não sei dizer ao certo quanto tempo ela implorou ao seu pai pela minha salvação, mas conseguiu.

Morden acalmou um pouco da sua raiva e achou que um castigo seria melhor do que a morte. Exilou-me para o Norte, para longe dos seus domínios, para longe da sua filha. Não poderia mais pôr os pés no Sul com o risco de ser capturado e morto.

E nunca mais na vida poria a vista em cima da Pandora. Quanto a ela...

"Minha filha, Malachai, o rei dos pântanos de Atlagand chegara daqui a quinze dias. Quando ele vier, ser-lhe-ás prometida." Ignorou o choro de protesto de Pandora e os meus gritos de frustração. "Chega desta maluqueira! Não permito tais coisas no meu palácio! Fora com esse imbecil! Pandora estás confinada aos teus aposentos até Malachai chegar!"

E assim fomos separados. Sempre fomos dois amantes que nunca estiveram destinados a estar juntos.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Ter Maio 22, 2012 9:17 pm

Ohhh Que triste :´c
Um amor verdadeiro impossível de ser vivido!
Sempre fico sentimental quanto a isso.
Divinal como sempre.
A forma como escreveste este capitulo fez-me sentir como se tivesse a ler uma carta, a ler o que ele escrevia... Senti-me espectadora da história, como se tivesse visto tudo num ponto escondido.
Continua rápido por favor!
Preciso de ler mais palavras contagiantes (;
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Ter Maio 22, 2012 11:56 pm

Nitaa mais uma vez obrigada por comentares sempre :D Fico muito contente por teres gostado. Espero que o resto da história te continue a agradar! :D obrigada!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Qua Maio 23, 2012 1:41 pm

Eu não sou muito romântica, admito, mas até que não desgosto deste romance entre a vampira e o humano! Não sei bem o que hei de esperar deles, uma vez que são tão opostos, mas acho que se completam muito bem! A frieza dela contra a paixão ardente dele, o "desinteresse" (porque ela está levemente interessada) pela necessidade que ele tem dela...
E depois numa escrita super fluída e cativante!

Muito bom, Pandora, mas tu já sabias isto tudo!

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Re: Crónicas Sangrentas

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