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Crónicas Sangrentas

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por CatariinaG' em Qua Jun 13, 2012 10:50 pm

Tenho a dizer que não acho o raio da Camilla nada bonita nem elegante nem nada do que descreves, blaighhhhh.

mas isto:
Liannus agarrou-a pelo pescoço e içou-a contra a estante de livros. Sorriu e suspirou-lhe ao ouvido docemente: "Estás preparada, querida Camilla?"
fez me ficar com os hotssss! xD

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Qui Jun 14, 2012 11:31 pm

Spoiler:
Nitaa agora é que acertaste! Agora é que vai começar a "festa" lol. Ah ainda bem que já percebeste a Camilla. No que toca ao Liannus ela é mesmo tonta e não vê mais nada à frente! Mas será que vai mudar??? :p Obrigada

Soph olha que boa comparação, realmente... bem mas a Sansa já abriu os olhos, agora a Camilla ainda anda ceguinha, coitada... Muito obrigada pelo comentário!

Uhh Fox... who knows... :x na verdade, eu sei, mas não te vou contar nadica de nada! PandaEr Pois agora é que falaste bem! Dirá ele a verdade ou nada mais que mentiras??? Não percam o próximo episódio, porque nós também não!! Obrigada!

Cata lolol se calhar é por não gostares da moça! xD E ainda bem que ainda te consigo dar os hots com as minhas histórias lolol Obrigada!

Conheçam o Rei do Sul, Theodorus e os seus ideais. Espero que gostem! Não se esqueçam de visitar o Compêndio para não se esquecerem ou baralhem quanto a personagens e lugares. Aproveito para acrescentar que lá encontram fotos de todas as personagens importantes.




19. THEODORUS - EUPHARNIUM

"Meu Rei, conseguimos cercar Lordamore. Todos os soldados de Ireneus fugiram para dentro das muralhas." Jonah, o senhor de Sylvarnas, uma das cidades mais perto da muralha, levantou-se e declarou o seu fantástico feito com o maior dos orgulhos. "Temos três mil homens a cercar as muralhas e sabemos que Ireneus já pediu auxílio a Adolphus. Ainda não sabemos qual será a sua decisão, mas com certeza mobilizará alguns dos seus exércitos mais vastos. Será aí o seu ponto fraco. Teremos de atacar, meu Rei." O seu farfalhudo bigode louro saltava de excitação com cada palavra proferida e alguns perdigotos brancos colavam-se aos pêlos mal cortados.

O Rei Theodorus estava sentado ao lado da sua mãe, Isabella. O Rei ouvia atentamente o que os seus senhores de guerra lhe tinham a comunicar enquanto Isabella repousava a cabeça na palma da mão e ouvia a conversa com ar de aborrecimento.

Theodorus tinha perto de quarenta Primaveras e já tinha um filho com quase vinte Primaveras. Ninguém sabia ao certo que idade a Rainha Mãe Isabella tinha, mas tinha, com certeza, mais de cinquenta anos. O que não aparentava de todo.

Tinha a pele lisa e macia como uma garota de dezasseis anos. O seu cabelo ruivo caía-lhe lustrosamente pelas costas em suaves ondas e as suas curvas mantinham-se voluptuosas e apetitosas.

As aias da rainha diziam que ela bebia sangue quente de raparigas virgens e que se banhava numa mistura de sangue e leite materno das escravas negras vindas das ilhas. Havia quem cuspisse para o chão em sinal de desdém e dissesse que a velha rainha fazia magia negra para se manter jovem. Havia ainda quem teimasse que ela era vampira. Mas toda a gente já a vira durante o dia por isso essa hipótese não passava de tola superstição.

Theodorus suspirou e passou a mão pelo seu longo cabelo ruivo. Coçou a barba de dois dias e suspirou de novo enquanto continuava a ouvir o relato de Jonah.

"Os meus homens mantêm uma vigila constante aos portões e aos esgotos da cidade, meu Rei. Nada entrará ou sairá da cidade sem nós darmos conta."

"Nós...?" Uma voz doce mas afiada percorreu a sala arrepiando todos os outros homens que nela se encontravam. "Nós, dizeis vós? Pois meu caro comandante diga-me, onde está o 'nós' quando 'você' está aqui especado à minha frente a pregar idiotices?"

O senhor de Sylvarnas encolheu-se e engoliu em seco. Pousou a mão no punho da espada que se encontrava embainhada no seu cinto em sinal de nervosismo e olhou para Theodorus à espera de alguma resposta do seu rei.

Mas Theodorus parecia estar embrenhado num qualquer pensamento longe dali.

Isabella desencostou a cabeça da mão e suspirou fazendo com que o seu generoso peito subisse e descesse no seu decote revelador. Sacudiu o cabelo e sorriu um sorriso de lado em jeito de escárnio.

"Senhor Comandante abandonou o combate antes ou depois de ele começar?" Soltou uma risadinha e cruzou as mãos em frente à face. "Patético." Olhou para o seu filho. "Theodorus, o que estás a planear fazer agora? Temos claramente a vantagem, aqui o senhor cobardolas tratou disso."

O bigode de Jonah encarquilhou-se e arrepiou-se, parecendo ainda mais desengonçado do que o era naturalmente mas a sua boca não se atreveu a abrir. Isabella podia ser insolente, mas ainda era a Rainha. Por isso calou-se e voltou a sentar-se enquanto as suas bochechas inchavam e se tornavam escarlates.

Theodorus pigarreou e olhou para Jonah. "Meu caro Jonah, quantos morreram neste ataque?"

Jonah levantou-se e coçou o bigode. As suas bochechas ainda estavam vermelhas e um fino fio de suor escorria-lhe pelas têmporas. "Nossos, senhor? Cerca de uma centena. Apanhámo-los desprevenidos por isso não tivemos muitas casualidades."

Olhou de relance para Isabella como que à espera de alguma reacção, mas a rainha estava ocupada a olhar para as suas cutículas perfeitamente cuidadas.

"Não, Jonah... nossos não. Quantos soldados inimigos pereceram?" A voz de Theodorus era taciturna e os seus olhos estavam escurecidos por uma sombra de tristeza.

Jonah apoiou os dois punhos na mesa e encarou o seu rei com algum orgulho. "Quase mil, senhor. Quase dizimamos o exército de Ireneus. O resto escapou para dentro da muralha."

Theodorus fechou os olhos. "Então e os relatos sobre as aldeias vizinhas terem sido queimadas? Terá isso sido ordem minha, caro Jonah?"

Jonah engoliu em seco. Sentia os olhos de Isabella pregados em si e arrepiou-se. "Senhor, no calor da batalha, nós..." Calou-se quando Theodorus levantou a mão direita. Limpou a testa suada com as costas das mãos e voltou a sentar-se.

Theodorus levantou-se e olhou cada senhor que se encontrava sentado à sua mesa. "Caros senhores, vivemos tempos terríveis. As mortes são mais que muitas e morrem mais homens do que nascem. Se esta guerra continuar não restará reino pelo qual lutar." Suspirou enquanto os seus homens o olhavam com espanto.

Isabella endireitou-se na cadeira. A sua postura demonstrava que estava extremamente atenta ao que o seu filho tinha para dizer.

"Sinto no meu coração que é tempo de uma mudança. Esta guerra ignóbil e eterna dura há já demasiados anos. É tempo de lamber as feridas, é tempo de sarar o corpo e o espírito. A terra está ensopada em sangue e o ar fede a mortos. Basta!" O punho de Theodorus bateu com força na mesa como ênfase às suas palavras. "Basta de guerra. Basta de mortes. Que venha a paz."

Theodorus sentou-se e cruzou as mãos em frente à cara enquanto olhava todos os seus senhores de guerra e conselheiros, esperando que o primeiro falasse. O silêncio penetrou as frias paredes de pedra e o ar tornou-se pesado.

Ninguém ousava falar. Ninguém nunca pensara em paz. Eram todos filhos da guerra. Nenhum deles conhecera algo mais do que mortes e guerra e o som de metal contra metal. Falar de paz era algo inalcançável para os presentes.

O silêncio estendeu-se durante uns largos minutos, até que um forte chiar se fez ouvir quando Isabella arrastou a sua cadeira contra o chão. A rainha levantou-se, lançou um olhar penetrante ao seu filho e saiu da sala do conselho sem mais uma palavra.

Theo suspirou e fechou os olhos. Já esperava esta reacção da sua mãe. Ela sempre fora a favor da guerra. Nunca vira ninguém mais fervoroso na conquista do reino do Norte. Abriu de novo os olhos e encarou os olhos espantados dos restantes homens presentes naquela sala. Nenhum falara e nenhum iria falar. Por isso Theo levantou-se de novo.

"Não precisais ter medo da paz. Esperemos que seja uma coisa boa... já é tempo de prosperar." Fez uma pausa e esboçou um sorriso triste. "Sei que o Rei Adolphus nutre os mesmos sentimentos que eu, por isso tratarei de uma aliança o mais rápido possível. Animai-vos irmãos. Em breve viveremos tempos solarengos, tempos de paz!"

O sorriso de Theodorus alargou-se e o seu coração bateu asas. Finalmente paz. Conseguia sentir nos seus ossos que bons tempos se aproximavam.

Mesmo que nem toda a gente o desejasse tanto quanto ele.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Sex Jun 15, 2012 12:21 pm

Tenho a impressão que não lhe adiantar muito ansiar pela paz.
Com uma mãe daquelas, não me parece que isso vá adiante.
E ela ainda vai fazer das suas... Cheira-me que vai!
Mas bota para a frente que quero assistir à festa xD
Continua!
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Sex Jun 15, 2012 9:32 pm

Paz... Vai sonhando que isso faz bem ao ego! Mas não te enchas de esperanças, esses pombos não vão chegar longe! Mas verdade seja dita que gosto muito deste rei e da forma sábia como governa o seu reino...
Isabella, que bom ver-te! Como vais desde a última vez que nos encontrá-mos?
Estamos a aproximar-nos... Já sinto o cheiro a capítulo novo!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Snoopy em Sab Jun 16, 2012 12:16 pm

Já li tudo!
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Não vou comentar todos os capitulos que li porque iria fazer um testamento! Vou só dizer que estou a adorar.

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Soph em Sab Jun 16, 2012 3:36 pm

Sim sim! Está quase ^-^

Oh Pandora, estou ansiosa pelos novos.

O pobre Theo pensa mesmo que a paz está próxima... coitado.

Como sempre, uma escrita maravilhosa... :)


Agora nós, Pandora. Como te atreves a pôr o meu Tate como assinatura? Não sabes que ele já está reservado aqui para moi? Vergonhaaa!

Mas agora a sério, vez a serie? Gostas?
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 18, 2012 12:57 am

Spoiler:
Nitaa estiveste tipo bruxa nesse comentário a fazer premonições! Ehehe Como poderás ver por este capítulo, a Isabella não é mesmo flor que se cheire! Mas verás pelos teus próprios olhos. E boto mais sim senhora. Estamos quase a chegar aos capítulos novos! Quase! Obrigada!

Fox ahaha os pombos... xD já te estás a adiantar! Ui, ui! A Isabella está sempre fina... ou então não, certo? :p ah pois é! Estamos a chegar aos novos e eu sem novo capítulo escrito! Não me mates! Tenho andado concentrada nas outras histórias :x mas não vou negligenciar esta porque tive cá umas ideias... uiui! Obrigada por continuares a acompanhar tudo e mais alguma coisa que eu boto neste fórum, rotfl.

Snoopy wow! Tiraste uma tarde inteira para ler isto tudo, não? xD Fico muito contente por teres conseguido ler tudo e por estares a gostar! Obrigada!

Soph ah se está! E eu com umas ideias que nem te conto!! :x Opá estás com o meu Johnny depp eu tinha que arranjar outro! xD Gosto muito do Tate. É tão creepy e awesome ao mesmo tempo. Vi a série todinha e adorei! Só não gostei muito do final de certas coisas que aconteceram para o final. Tirando isso achei brutalíssima! E fiquei parva como o senhor do Glee conseguiu criar uma série assim completamente diferente! Obrigada por comentares!

Conheçam uma personagem não planeada que se revelou uma das minhas favoritas. Espero que gostem dela. É certamente... especial... :D Não se esqueçam de visitar o Compêndio para não se esquecerem ou baralhem quanto a personagens e lugares. Aproveito para acrescentar que lá encontram fotos de todas as personagens importantes.




20. ISABELLA - EUPHARNIUM

Isabella franziu o nariz e apertou os lábios finos com tanta força que eles se tornaram brancos. Os seus punhos balançavam ao lado do seu corpo enquanto as suas pernas tomavam passadas largas e decididas. Os seus finos sapatos tocavam no pavimento de pedra com força e o eco ressoava como um trovão no corredor mal iluminado de pedra.

"Francamente, paz! Onde já se viu isto..." O seu cabelo ruivo esvoaçava furiosamente e as suas bochechas estavam escarlates. Estava furiosa com a cobardia do seu filho. Soltou um grito de espanto quando tropeçou na borda do vestido e quase caiu de cara no chão de pedra.

"Raios!" Praguejou alto, pegou na frente do vestido e levantou-o enquanto amaldiçoava a maldita costureira que jurava que a moda da época eram vestidos compridos que teimavam em enrolar-se nos folhos e brocados dos sapatos. "Maldição!"

Retomou a sua passada apressada em direcção aos seus aposentos. A sua raiva era tanta que se sentia tremer. Quando um dos serventes foi contra uma das armaduras que adornava aquele corredor sombrio, Isabella soltou outro grito penetrante. Estava tão nervosa e agitada que qualquer coisa a alterava.

Depois de desgraçar os ouvidos do pobre servente e de o mandar embora dali antes que ela o mandasse cozer vivo, Isabella retomou o seu passo, tropeçando de novo no vestido.

"Por Amon, esta casa está amaldiçoada!"

"Avó não diga uma coisa dessas que se pode tornar verdade!" Um jovem alto e bem-parecido aproximou-se da Isabella enquanto juntava as mãos e se curvava levemente como benção às palavras amaldiçoadas que a sua avó tinha proferido.

A expressão de Isabella alterou-se completamente. As suas sobrancelhas deixaram de se franzir e os seus lábios voluptuosos retomaram as suas curvas brilhantes. Um sorriso largo tomou o lugar do esgar de fúria e o seu corpo derreteu em direcção a Stefano, o seu neto.

"Oh, querido Stefano, tens toda a razão." Depois juntou as mãos num gesto similar a Stefano e curvou-se enquanto apertava o peito com os braços para criar mais volume.

Stefano não pareceu ligar pois olhava com o canto do olho para a sala de onde tinha acabado de sair e puxava a pesada porta de madeira trabalhada atrás de si. Depois de verificar que a porta estava bem fechada voltou-se para Isabella e sorriu.

"Mas diga-me, avó, o que tanto a preocupa?"

Isabella torceu os lábios e tocou no ombro alto do seu neto. "Oh, Stefano, quantas vezes já te pedi para não me chamares avó? Faz-me parecer tão velha..." Depois gargalhou levemente enquanto colocava as costas da mão à frente da boca.

Stefano sorriu polidamente e Isabella continuou.

"É o teu pai." A sua voz perdeu todo o mel e a doçura derreteu-se da sua expressão. Cruzou os braços à frente do peito e soprou uma farripa de cabelo que lhe fez comichão no nariz. "O idiota do teu pai quer acabar com a guerra! Logo agora que estamos a ganhar."

Stefano franziu as sobrancelhas e apoiou a mão no copo da espada. "Acabar com a guerra?" As linhas do seu rosto firmaram-se numa expressão de puro espanto.

"Sim! Onde é que já se viu!" Isabella levantou os braços no ar exasperada. "É uma inconsciência! Quem é que clama por paz quando está prestes a vencer?"

Stefano humedeceu os lábios e esfregou o indicador e o polegar na barba rala que pensava em deixar crescer. "Poderá ser alguma estratégia?" Ponderava na hipótese do seu pai enganar o Rei do Norte ao engendrar uma falsa aliança para depois atacar sem ninguém esperar.

Isabella quase gargalhou. "Achas mesmo que o honradíssimo Rei Theodorus alguma vez enganaria alguém?" Desta vez gargalhou. "Se não tivesse carregado aquele pedaço de carne inútil durante nove meses no meu ventre duvidaria que ele fosse do meu sangue."

Suspirou exageradamente enquanto apertava o peito esquerdo com a sua mão. "Sabes querido Stefano, acho que é o nosso dever cuidar do futuro deste reino..." Stefano içou a sobrancelha e olhou-a algo desconfiado.

"Cabe-nos a nós impedir o teu pai de fazer alguma tolice da qual se virá arrepender." As palavras de Isabella penderam no ar à volta de Stefano. O mel que a elas se juntava fazia com que as palavras se entranhassem no seu cérebro e se colassem às paredes enquanto se reproduziam freneticamente.

"Tem toda a razão av-... Isabella..." Stefano levou novamente a mão ao queixo enquanto o coçava levemente. "E qual é o seu plano?"

Isabella sorriu e passou a sua língua ávida pelos dentes brancos e direitos. "Para começar meu querido," passou-lhe a mão pelo braço enquanto lhe lançava um olhar penetrante. "acho que devias vigiar atentamente a Torre dos Mensageiros. O teu pai planeia enviar um pombo a Adolphus."

Sorriu enquanto a sua mão roçava ao de leve na braguilha de Stefano. "Acho que me apetece passarinho frito com alho e especiarias para o jantar..."

Stefano sorriu de boca fechada e meio de lado enquanto as suas sobrancelhas se arqueavam de satisfação. "Acho que será uma belíssima refeição." Agarrou na mão de Isabella e beijou-a enquanto se virava e se preparava para sair. "Suponho que o resto do plano será posto em acção o mais brevemente possível?"

Isabella acariciou a sua própria face com a mão que o seu neto tinha acabado de beijar. "Oh, sim. Sem dúvida."

Stefano avançou os passos, parou e olhou para Isabella que o olhava fervorosamente. "Suponho também que esse plano terá os meus melhores interesses em vista?"

Isabella gargalhou. Se por um lado dava por sí a duvidar alguma vez ter dado à luz um inútil como Theo, por outro achava que Stefano era o seu retrato perfeito. "Claro que sim meu querido Stefano. Sempre os teus melhores interesses em vista..."

Isabella ficou a sorrir para a sombra de Stefano que se afastava lentamente e só deixou de sorrir quando os seus passos cessaram no fundo do corredor.

Depois sorriu novamente. Que importava as ideias idiotas do seu filho inútil quando tinha um neto capaz de tudo? Oh, e que neto!

Isabella riu de novo e olhou o seu reflexo num dos muitos espelhos pendurados nos imensos corredores do castelo. Parou, fechou os olhos e voltou a abri-los. "Oh não, por Amon, ainda é muito cedo!"

Arregalou os olhos enquanto olhava em volta a ver se alguém a estava a observar. Quando se sentiu segura prendeu a respiração e voltou a olhar-se ao espelho. "Não!" Guinchou. "Impossível! A lua cheia é só daqui a três dias!"

Viu um cabelo branco no topo da sua juba vermelha e rugiu ao arrancá-lo. A sua respiração acelerou e teve de colocar as duas mãos à frente da boca para tapar o guincho de horror que se soltou dos seus lábios finos.

Uma mecha inteira de cabelos tinha passado de ruivo a branco em segundos. Lágrimas ameaçavam jorrar dos seus olhos enquanto o seu cérebro trabalhava a mil à hora para decidir o que poderia fazer.

Os seus aposentos ficavam já no próximo corredor, mas havia uma mão cheia de serventes e, quem sabe senhores acabados de sair do conselho de guerra a cirandar pelos corredores.

Não podia ser vista.

"Não!!" Um novo guincho, ainda mais lancinante que os anteriores escapou-se-lhe dos lábios quando olhou para as suas mãos. A sua pele perfeita e lisa estava a tornar-se enrugada e manchada a olhos vistos. Olhou de novo para o espelho, meio a medo, e gemeu de angústia. A sua pele estava a enrugar e murchar enquanto os seus olhos e o seu cabelo perdiam a vivacidade. "Amon... porquê??"

Sentiu-se derrotada por momentos. Não era suposto estar a envelhecer. Ainda era muito cedo! Só precisaria efectuar o ritual na primeira semana de lua cheia. Ainda era muito cedo.

Mordeu o lábio enquanto pensava. O mais importante neste momento não era o porquê desta catástrofe estar a acontecer, mas sim o que fazer para evitar uma catástrofe ainda maior.

Isabella olhou em redor e vislumbrou umas pesadas cortinas verdes que tapavam umas grandes janelas cobertas de vitrais das mais belas cores. Anuiu e pendurou-se numa das cortinas fazendo toda a força possível para a rasgar. O que parecia ser impossível.

Pareceu-lhe ouvir a porta ao fundo do corredor e passos apressados. Olhou de relance para a sua mão e tremeu. A transformação estava completa. Estava velha. Idosa. Caquéctica. Múmia.

Não podia ser vista desta maneira.

Fechou os olhos e rezou fervorosamente. "Amon, por favor, por favor! Salva-me de ser descoberta e eu prometo com sangue que no Ritual Lunar te levo uma bela virgem." Depois espetou a unha comprida e afiada no pulso direito e, quando sentiu perfurar, deixou cair umas gotas no parapeito da janela.

Pedra. Terra. Pântanos.

Elementos frios. Elementos para conjurar o seu Deus.

Fogo. Luar.

Elementos quentes. Elementos para adorar o seu Deus.

As finas gotas de sangue que tocaram no parapeito fervilharam e foram absorvidas. Isabella quase chorou de alegria. "Obrigada Amon, obrigada! Não te falharei." As suas preces tinham sido atendidas.

Respirou fundo, pendurou-se de novo na cortina e puxou com força. Com um barulho estonteante que se assemelhou ao rasgar de um trovão num tremenda noite de tempestade, a cortina cedeu e caiu por cima de Isabella.

A velha Rainha enrolou-se na cortina e utilizou-a como um manto de forma a que lhe tapasse as feições e a pele que tinha à mostra nos ombros, peito e mãos.

Secretamente agradeceu à costureira que anteriormente tinha amaldiçoado pelo comprimento do vestido.

Assim que terminou de se enrolar sentiu uma presença perto de si. Agradeceu silenciosamente a Amon e fez uma nota mental para não se esquecer da sua promessa. Viu que era uma servente.

"Tu!" Raios! A sua voz estava mais fraca e tremida. Implorou a Amon por mais um pouco de ajuda. "Rapariga és surda?"

A servente parou e observou a figura enrolada que a encarava com autoridade. Quando se apercebeu que era a Rainha Isabella quem se encontrava por debaixo daquele manto, guinchou e ajoelhou-se.

"Diga minha Rainha!"

"Vai imediatamente procurar a Ilka e manda-a para os meus aposentos. Estarei à espera dela imediatamente, por isso corre catraia!"

A jovem servente guinchou de novo e saiu a correr deixando cair a roupa de cama que trazia nos braços. Isabella respirou fundo e andou devagar até ao fundo do corredor. Sentia-se fraca e cansada.

Maldita múmia em que se tinha tornado! Maldito cadáver a cair de podre! E que dores horríveis em todo o corpo. Como detestava suportar a transformação! Se um dia inteiro era terrível, como iria suportar três dias turtuosos até ao dia do ritual?

Teria ela de ficar de molho eternamente?

Inspirou profundamente enquanto reunia todas as suas forças para se arrastar até aos seus aposentos. Quando lá chegou já Ilka a esperava.

Ilka era a sua fiel servente. Só ela sabia tudo o que se passava naquele quarto. Tudo o que a velha Rainha era realmente. Aquele saco de ossos andante e deprimente. Mas Ilka não contaria a ninguém...

Não.

Ilka não tinha como contar.

Ilka não tinha língua.

Isabella escolhera Ilka para sua aia quando ela era ainda uma rapariguinha virgem de 16 anos. Depois, uma noite, apanhou-a a chupar o pau do seu neto Stefano.

Enraivecida, Isabella conferiu com as suas próprias mãos que Ilka ainda era virgem, pegou nela e arrastou-a pelos cabelos até ao Templo escondido de Amon. Depois deixou-a lá a noite toda para ser gozada e fornicada pelo seu Deus.

Passou a noite a gritar com a pequena putinha que era. Quando saiu, meio morta, Isabella cortou-lhe a língua com uma faca quente.

A partir daí Ilka passara a ser o seu cordeirinho manso. E era assim que Isabella gostava dela.

"Ilka, prepara a banheira. Vou buscar o sangue."

A aia, uma rapariga com pouco mais que vinte Primaveras, baixa, magra como um cadáver e branca como a neve olhou-a sem expressão e anuiu.

Isabella empurrou uma cortina e puxou uma alavanca abrindo uma passagem secreta para um quarto mais pequeno adjacente ao seu. Assim que abriu a porta ouviu gritos e choro. Fechou os olhos e suspirou enquanto tirava a cortina de cima dos seus ombros e agarrava num cálice.

"Pára de choramingar, sim? Não estás aqui há assim tanto tempo. A última rapariga ficou aqui oito anos... tu só estás aqui há um." Dentro do quarto secreto havia uma cama, uma pequena bacia com água, um balde para os dejectos e uma estante com livros, linhas e panos.

No chão, com o cabelo negro arrepanhado e enriçado estava uma jovem que não parava de gemer e chorar. "Por favor... por favor... quero os meus pais... quero sair daqui."

Isabella suspirou uma vez mais. "Por Amon, rapariga! Tens linhas, tens livros, tens uma janela para olhares a rua, que mais queres? Alimento-te e trato-te bem! Pára de choramingar!"

Mas a rapariga não parou de choramingar.

Nem mesmo quando Isabella lhe cortou o pulso, encheu o cálice de sangue, bebeu de um só trago e voltou a encher.

A rapariga não parou de choramingar, mas as dores de Isabella acalmaram.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Seg Jun 18, 2012 11:04 am

Oh, seja bem vinda, Isabella! Já cá faltavas!
Continuo super desconfiada sobre ela, mas tenho de lhe tirar o chapéu! Sem escrúpulos, sem medos e capaz de tudo para ter o que quer, desde "seduzir" (ela faz mais que seduzir mas vou deixar essa palavra!) o seu neto até torturar as aias, tenho aqui uma grande personagem!
E adorava que ela se encontrasse com a Pandora ou a Camilla! Não me perguntes porquê, mas gostava de ver esse encontro! Acho que seria uma luta de titãs extrema!

Mas, primeiro, quero saber quem ela é...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Seg Jun 18, 2012 1:05 pm

Bela personagem que aqui inseriste.
Pelo pouco que vi, parece a personificação das coisas negras!
Muito mistério em volta dela... Estou curiosa sobre ele.
É uma mulher com "tomates"!
Continua!
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Qua Jun 20, 2012 11:54 pm

Spoiler:
Ahah Fox olha que ideia! Hummm não te quero garantir nada, mas não sei se isso acontecerá... os meus personagens ainda têm muito caminho a percorrer, talvez se encontrem todos, quem sabe! :p Fico contente por gostares da Isabella. Ela não foi planeada, mas eu fiquei "caidinha" por ela OnAdmire2 está quaseeeeee! Falta cinco capítulos, depois é tudo novinho em folha! OnAdmire Obrigada por continuares por aqui!! Onkiss

Nitaa olha que bela descrição da Isabella! Ahah Onlol Fico contente por teres gostado dela! Adoro escrever os capítulos dela! Ehehe. Muito obrigada por continuares a comentar!! Ongoodjob




21. WILLIAM - LOCH CILWYRR

"Engasgou-se com sangue? Isso não pode ser bom..." Will estalou o pescoço e mastigou o lábio inferior enquanto andava impacientemente de um lado para o outro da cozinha.

Taissa remexia uma qualquer mistela verde aguada que fervia num caldeirão que pendia por cima do lume.

"Sim. Por isso é que ela estava a sufocar. Mas não deve acontecer de novo. Já a virei de lado por isso se sangrar não se voltará a engasgar." Juntou um molhe de ervas secas e enrugadas à mistela mexeu com uma colher de pau.

"Mas Taissa... ela está a cuspir sangue... isso não é mau?"

Will sentou-se e encarou as costas de Taissa que estava agora a moer o que parecia ser cérebro de cabra.

Esperou por uma resposta até o cérebro estar moído numa papa mole e esbranquiçada com veios de sangue aqui e ali. Taissa murmurou qualquer coisa para si enquanto acrescentava um punhado de sal ao cérebro e provava.

Depois de anuir em assentimento juntou os miolos ao caldeirão e olhou Will bem nos seus olhos verdes. "É mau. Aliás, é péssimo."

Will deixou a sua cabeça pender para a frente e enterrou as mãos no seu cabelo. Taissa continuou a falar. "Já fiz tudo o que podia por ela, Will. As suas feridas exteriores não são o pior, nem mesmo as internas pois para elas também já tomei as devidas precauções." Levantou-se e abriu uma prateleira de onde tirou o que parecia ser um morcego morto e seco. Começou a esfola-lo e a parti-lo em pequenos pedaços.

"Ela está em coma." BAM. Lá se foi a cabeça a rebolar para o meio do chão. "E as suas feridas psicológicas são o pior William." RIPPP. Taissa arrancou a pele das costas do morcego de uma só vez. "Se ela não conseguir domar a raiva e dor interior então as suas feridas psicológicas não sararão. Ela morrerá ou continuará em coma. Nem morta, nem viva. Num limbo terrível de dor e sofrimento e angústia." TCHHH. O lume chiou quando os pedaços de morcego atingiram o caldo que entornou para cima das brasas.

William olhava o fogo hipnotizado.

"Eu não posso fazer mais nada pela pequena senão tratar-lhe das feridas físicas e limpar-lhe os cortes. O resto tem de ser ela a fazer." Aproximou-se de William. "Só ela se pode curar aqui e aqui." Apontou-lhe para coração e para a cabeça. William anuiu sem qualquer palavra.

Taissa voltou a aproximar-se do caldeirão e mexeu de novo, três vezes para a direita e duas para a esquerda. Pegou numa taça e despejou uma concha cheia. "Toma. Bebe. Vai revitalizar as tuas forças." Pousou a taça em frente a Will que a olhou com algum asco.

"Bebe rapaz! Precisas de forças para voltar lá para fora e proteger esta aldeia com os teus companheiros."

William murmurou uma prece inaudível a Amadeus e tentou não respirar quando tomou o primeiro gole. Saboreou durante uns segundos e engoliu.

Hmm. Nada mau. Picante e com um travo a terra.

Encolheu os ombros e agarrou na colher para peniscar os pedaços de morcego. "Taissa, eu não vou voltar lá para fora hoje. Os rapazes dão conta do recado. Acho melhor ficar por aqui para-..."

A porta da casa de Taissa abriu-se de par em par e Timothy entrou afogueado e com o cabelo a pingar da chuva que começava a cair.

"Will!" Pausou para respirar e ganhar fôlego. "Will tens de vir depressa. Apanhámos dois sugadores! Um deles matou o velho Johnson..." Os olhos de Tim estavam raiados de sangue e as suas mãos tremiam. Tinha as vestes sujas e cobertas de manchas e salpicos de sangue.

Taissa abanou a cabeça e fechou os olhos em respeito ao velho Johnson enquanto William se levantava de rompante arrastando a cadeira no chão.

Tim continuou. "Matámos um perto do lago. Não conseguiu passar por nós. Mas o outro passou... não sei como!" Proferiu a última frase com raiva e veemência e estremeceu enquanto apertava a barriga.

"Estás ferido?" William aproximou-se do amigo.

"Está tudo bem, foi só de raspão. Depois trato disso. Agora vem Will! O outro está vivo. Pensei que talvez o quisesses interrogar."

William abriu os olhos com espanto. Sim. Sim queria interrogar o sugador bastardo que tinha conseguido passar pelos seus companheiros e tinha morto o seu velho amigo Johnson. Sim queria interrogá-lo e torturá-lo e fazê-lo sofrer tanto quanto Lidia estava a sofrer neste momento.

"Vamos."

Agarrou na sua espada que estava encostada à perna da mesa e saiu sob o olhar atento e preocupado de Taissa.

-*-

Caminhavam apressadamente com a chuva a bater-lhes na cara. Estava vento e a chuva caía com violência. Era uma chuva fria. O Inverno estava mesmo a bater à porta.

"Como é que este sugador passou por vocês, Tim?"

Tim coxeava um pouco enquanto se apressava para manter o mesmo ritmo de William. Tinham o vampiro fora dos limites da aldeia para segurança dos habitantes.

Tim suspirou e abanou a cabeça. "Nem sei, Will... tínhamos tudo controlado. Ele passou pelo lado Oeste onde Oscar e Ben estavam a patrulhar. Não sei como eles o deixaram passar. O Oscar tem uma audição tremenda e o Ben tem olhos de lince! Não consigo entender..."

William parou e Tim quase cambaleou quando viu que o seu companheiro não o seguia.

"Ben? O Ben deixou passar outro sugador por ele? O Ben?" As mãos de William cerraram-se em punhos e os seus lábios firmaram-se. "Dois em dois dias? O que é que ele está a pensar!?" William grunhiu enquanto esmurraçava uma árvore. "Raios!"

Tim levantou os braços e gaguejou. "Will, calma... não sabemos o que se passou. Somos menos hoje... não sei..."

"Pára de inventar desculpas, Tim! Isto é inadmissível! Vamos!" Gritou enquanto voltava ao seu passo apressado e rasgava um pedaço da sua camisa para enrolar ao punho direito que tinha ficado ensanguentado por conta da casca da árvore.

Caminharam mais uns metros e, por fim, chegaram até aos seus companheiros. Os seus companheiros estavam num círculo à volta do sugador. Uns virados para dentro e outros para fora, controlando tanto o sugador capturado como o resto do terreno. No centro, um vampiro moreno com cabelo comprido coberto de sangue e com cotos ensanguentados no lugar de mãos e pés sorria com a maior descontracção.

"Seu idiota, imbecil, ignóbil e irresponsável!" William gritava enquanto se aproximava de Ben com o punho no ar.

"Hey, hey!" Os seus companheiros agitaram-se para agarrar em William antes que ele conseguisse atingir Ben que o olhava atónito.

"William! Tem calma!" Oscar, a voz da razão tentava impor alguma calma ao seu amigo. Nunca nenhum deles tinha visto Will perder a compostura.

Melisizwe aproximou-se de William e fechou a sua mão por cima do punho de William. Will grunhiu e tentou soltar-se dos braços fortes de Oscar mas foi só quando acalmou que o grandalhão o largou.

"Tu!" William apontou para Ben novamente. Ben olhava-o intrigado. Estava a uma distância segura de qualquer soco inesperado. "Dois Ben! Dois em dois dias! Como é que conseguiste essa proeza?"

"A culpa não foi minha Will." Benjamin olhava-o fixamente mas calmo. "Nem dei conta dele ter passado. Quando demos por isso já o Johnson estava feito em pedaços."

William cuspiu para o chão e aproximou-se dois passos até Oscar se pôr à sua frente. William rosnou e deu a volta.

"Benjamin, não sei o que se passa nessa tua cabeça de vento, mas não consigo imaginar como é que tu deixaste passar dois sugadores em dois dias! Andas a dormir?"

Os lábios de Ben rasgaram-se num esgar furioso. "E achas que eu não penso nisso William? Achas que eu não me culpo pelo que aconteceu à Lidia e agora ao Johnson?" Apontou para William enquanto dava dois passos para a frente. "E já te disse que a culpa não foi minha! Não foi só por mim que ele passou!" Continuava a apontar para Will e a bater com fúria no seu próprio peito.

Oscar meteu-se novamente no meio temendo a aproximação dos seus companheiros.

"A culpa foi de alguém Ben!"

"O Oscar também lá estava e também não deu por nada!"

William abriu a boca para retorquir mas Tim interveio. "Acho que essa discussão não nos leva a lado nenhum. Devíamos interrogá-lo a ele, não uns aos outros..." Apontou para o sugador que os olhava com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar.

"Oh, por obséquio, continuem! Isto é divertidíssimo!" O vampiro sorriu abertamente. "Eu até batia palmas, mas," levantou os cotos ensanguentados, "aquele grandalhão ali resolveu cortá-las à machadada por isso fica para a próxima."

William mordeu o lábio e voltou a rosnar enquanto ponderava as suas opções. O vampiro estava a ganhar forças enquanto eles estavam a discutir e a atribuir culpas. Mas a vontade de infligir dor a Ben era tanta que quase superava a vontade de torturar o sugador.

Quase.

Respirou fundo para se acalmar e estalou o pescoço que estava tenso. "Tens razão." Os seus companheiros pareceram respirar de alívio. Apenas Ben grunhiu e pontapeou uma pedra enquanto enfiava as mãos nos bolsos.

William aproximou-se do vampiro sorridente e olhou-o durante um bom bocado. "Quem és tu?"

O vampiro sorriu. "Acho que isso não importa, valente William. Não me parece que me vás deixar vivo por muito mais tempo..."

William inspirou pelo nariz e andou à volta do vampiro. "De onde vens?"

"De onde todos os vampiros vêm. Arindale."

"Qual é o teu propósito?"

"Oh, nada de especial, pensei em alugar um quarto para passar o dia, ver as vistas, talvez pescar um peixe no vosso la-..." William pontapeou-o na boca antes de ele terminar a frase.

"Qual é o teu propósito?" Voltou a repetir com firmeza.

O vampiro sorriu. Depois gargalhou com vontade enquanto sangue jorrava da sua boca. Depois cuspiu e olhou William sem qualquer emoção no olhar. "Sangue, o que é que achas?"

"Quem te mandou?"

"Ninguém. Não sou nenhuma ovelha a mando do pastor. Vou para onde quero. Vou para onde há carne tenra e sangue quente."

"Porque escolheste Loch Cilwyrr?"

"Oh, é assim que se chama esta aldeia? Nome bonito." Sorriu. "Pensei que se chamasse matadouro mas-..." Desta vez William agarrou-lhe nas bochechas, tirou uma faca das botas e arrancou-lhe o olho.

O vampiro guinchou e riu ao mesmo tempo. Os companheiros de William entreolhavam-se. Na verdade nunca tinham interrogado nenhum vampiro pois todos os que tinham apanhado tinham morto imediatamente. Mas este vampiro parecia insano.

"Ah, por Jebez, essa doeu!" Gritou em êxtase e riu de novo.

"Porque escolheste Loch Cilwyrr?" William voltou a perguntar.

"Porque está pertinho de casa."

"Resposta errada." William aproximou-se do vampiro, rasgou-lhe a camisa que tinha vestida e espetou-lhe a faca na barriga enquanto a arrastava para fazer um golpe largou. Depois agarrou nos intestinos do vampiro com as mãos e puxou-os para fora de uma só vez.

O vampiro gargalhou e tossiu. "Julgas que isso dói assim tanto mortal? Os nossos órgãos já nem funcionam!" Gargalhou de novo.

"Vou perguntar de novo e desta vez diz-me a verdade. Loch Cilwyrr não está pertinho de Arindale. Está a quilómetros e há imensas aldeias lá perto. Porque é que vieste cá? Porque estão tantos sugadores a vir para aqui? RESPONDE!" William pontapeou o vampiro na ferida aberta.

O vampiro deixou a cabeça pender para a frente e ficou imóvel.

O silêncio imperou entre todos durante alguns segundos.

"Morreu?" Perguntou Donnal enquanto se baixava para tentar ver a cara do vampiro.

Cuco abriu a boca para responder, mas uma gargalhada gutural fez-se ouvir. O vampiro gargalhava baixinho. Depois o som aumento e ele inclinou a cabeça para trás gargalhando com vontade.

"Ai... mortais..." Riu de novo. "Nem sabes o que te espera valente William. Os ventos estão a mudar. Bem como as marés. O nosso tempo está a chegar e tu nem vais saber o que te atingiu!"

William apontou-lhe a faca ao outro olho. "O que queres dizer com isso?"

Ele aproximou o olho da faca e deixou o gume penetrar-lhe na córnea com um barulho arrepiante e molhado. Depois riu-se enquanto gritava. "Quero dizer que vem ai a guerra. E os vampiros vão entrar nela pelo que dizem. E vocês não passam de carne para canhão!" Riu-se novamente.

William rodou a faca mas não arrancou o olho. "Elabora, sugador!"

"Já disse tudo o que tinha a dizer. Mata-me de uma vez que estou farto desta brincadeira." Parou de rir por uma vez e ficou sério. "Ah, e já que me tiraste os olhos, talvez os devas colar na tua nuca. Há um traidor entre vós, tem cuidado para não te espetarem uma faca nas costas, valente William."

Depois empurrou a cabeça com violência para a frente e deixou a faca espetar-se no crânio ficando inconsciente.

William cortou-lhe a cabeça terminando o trabalho e depois fitou os seus companheiros um a um.

Seria verdade?

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por DeeSousa em Qui Jun 21, 2012 1:30 am

Dios mio!!!!!

Eu tiro os olhos e já avançaste mil e um capitulos!!!!

Okay, eu lembro-me disto! Adoooooro a cena de interrogação do vampiro. Tão maléfico e tão bom!
Fiquei sem saber quem foi o humano que deu com a lingua nos dentes *le curiosity*

Gosto. Gosto. Gosto. Como sempre gostei. Desculpa não ter seguido tudo! Prometo que vou tentar. Não me esqueci!!!!

Beijiooooo
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Soph em Sex Jun 22, 2012 12:07 pm

O meu comentário à Isabella desapareceu o.o

Mas tu sabes.. Eu acho-a uma mulher poderosa! Poderosa!! Sabe o que quer e faz qualquer coisa para atingir os seus objetivos! É decidida!
Me gusta!


O William... o William é o William. Eu gosto dele. Bom rapaz, corajoso, determinado... haaa :)

Pandora, estou ansiosa pro mais, rapariga! :D
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Sex Jun 22, 2012 1:13 pm

Esta é uma das razões que me fazem odiar de morte teres de postar tudo de novo... Quem é o traidor?!?!?!?!? Eu não quero desconfiar de ninguém mas, pelo contrário, sou obrigada a desconfiar de todos porque não há um único (bem, há um mas acho que seria fácil demais xD) que e encaixe no perfil!
Odeio-te, Pandy! Despacha isto para caíres nas minhas boas graças outra vez :D

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Sex Jun 22, 2012 5:15 pm

UOU Muito nos contas!!!
Um traidor?
Who is the son of the bitch???
Continua please!!! Temos de saber quem é!
Btw: amazing like always!
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Dom Jun 24, 2012 11:55 pm

Spoiler:
Dee opá tem de ser! Senão nunca mais chego aos novos e vocês matam-me! xD Mas está quase, quase!! Já cheira a novo! Eheheh. Pois, ainda ninguém sabe quem será o traidor... ainda falta um pouco para saberem. Mas coisas interessantes irão acontecer pelo caminho! Não vos vou deixar mal, ahaha. Obrigada!!

Soph Lol! Crazy fórum... :s Yes, yes. A Isabella ficou awesome e não era suposto sequer ser criada... mas ainda bem que a minha mente deturpada pensou nela! xD E o William é aquela coisa... xD Obrigada!

Ah Fox... so true... talvez por esta altura já soubesses quem é o traidor... mas sendo assim ainda terás de esperar, como estava a dizer à Dee, ainda há muito para acontecer até lá... muahahah! Zomg, queres com isso dizer que estou no lado mau das graças? Whyyyyyyyyyy? Eu ponho o Will a fazer festas a uma raposa! Pode ser? Recupero as tuas graças assim? lolol :p Obrigada!

Nitaa ah pois conto! Conto muito mas também conto pouco porque não sabes quem é! Ehehehe. Muito obrigada por continuares a ler!!

Conheçam um pouco da recente nomeada Rainha do Norte. Não se esqueçam de visitar o Compêndio para não se esquecerem ou baralhem quanto a personagens e lugares. Aproveito para acrescentar que lá encontram fotos de todas as personagens importantes.




22. ADOLPHUS - OSTLAND

"Os nossos homens estão quase a chegar a Lordamore, meu Rei. Os nossos batedores informam-nos que os homens de Theodorus estão relaxados. Não esperam qualquer ataque vindo do Sul."

O plano de ataque que os seus senhores da guerra tinham engendrado após horas de planeamento tinha sido esse. Infiltrar-se no Sul a partir de Pragaril com a ajuda de Osmund, pai da sua senhora Rainha e atacar o batalhão de Theodorus de onde ele menos espera.

Adolphus inspirou fundo enquanto olhava a sua cidade sob as muralhas. Arrepiou-se e apertou a sua capa contra o corpo. "Está a chegar o Inverno." Sorriu levemente. "As batalhas vão cessar durante o Inverno. A terra vai descansar mas a mente dos homens não. E quando voltarmos à guerra estaremos mais sedentos de sangue e de vitória."

Nicodemos brincou com a barba comprida e apoiou-se na sua bengala de madeira gasta. "Tendes toda a razão, meu senhor."

"Achas que algum dia teremos paz, Nico?" A sua voz trazia o leve arrasto de melancolia.

Nicodemos perdeu algum tempo a ponderar enquanto olhava o longe em direcção ao Sul. Pigarreou e fechou os olhos. "Talvez um dia." Abriu os olhos. "Talvez um dia o Inverno leve com ele todas as armas de guerra numa enchurrada bárbara. Talvez a Primavera amanheça e os homens se olhem como iguais, não como Nortenhos ou Sulistas e todas as barbáries sejam esquecidas numa qualquer festividade criada apenas para a ocasião..."

Adolphus sorriu com as palavras do seu sábio conselheiro.

"Mas até esse dia chegar, meu Rei, devemos precaver-nos da melhor maneira possível. Vós sabeis qual é essa maneira."

O sorriso de Adolphus desvaneceu-se como o calor do sol que se punha no horizonte. "Se sei, Nico, se sei. É apenas algo doloroso que pretendo adiar até ao último momento."

"Senhor meu Rei, desculpe a intrusão mas vinha chamar-vos para comer e ouvi a vossa conversa." Lysanna saiu das sombras e olhou o chão, envergonhada. O seu longo cabelo castanho estava entrançado num elaborada trança e fios de tecido dourado. Os seus olhos verdes brilhavam de vergonha e as suas mãos entrançavam-se uma na outra. "Trago-vos notícias de meu pai."

Nicodemos anuiu e preparou-se para deixar os seus soberanos sozinhos mas Lysanna levantou a face e olhou o velho conselheiro nos olhos. "Não Nicodemos, por favor ficai. Precisamos do vosso conselho."

Adolphus assentiu quando Nico olhou para ele num pedido de permissão silencioso.

"Meu Rei, Pragaril também está sob cerco do inimigo." Adolphus teve de se apoiar na muralha para deixar a notícia assentar. Nicodemos fechou os olhos e afagou a barba. "Talvez estivessem aborrecidos de estar à espera ou talvez quisessem forçar alguma acção da nossa parte, mas agora todos os nossos planos foram por água abaixo."

Lysanna falava como uma rainha devia falar. Composta apesar do medo latente que sentia sob a superfície. Cautelosa e medidora de todas as suas palavras e acções. Cuidada no seu discurso.

Adolphus respirou fundo e ponderou todas as suas opções. Atacar dois exércitos de frente não seria a escolha mais acertada e faltavam-lhe homens para isso. O seu plano de se infiltrar no Sul despercebido jamais funcionaria sem a ajuda de Osmund. E esconder-se no seu trono dourado estava fora de questão.

"Meu Rei..." A voz de Nicodemos estava tremida.

"Sim, Nico. Acho que chegou o momento. É altura." Adolphus sentiu-se envelhecer uma década assim que essas palavras saíram da sua boca. Um pacto com os vampiros. Nunca na sua vida pensara em pedir ajuda aos sugadores.

Achava que o seu povo já tinha sofrido o suficiente com a guerra e com os constantes ataques de sugadores. E para além do mais, sabia perfeitamente que eles pediam um preço demasiado elevado.

Mas não tinha escolha.

E talvez o novo líder dos vampiros fosse mais complacente do que Nicholas, o primeiro vampiro a fazer tal acordo.

"Como os contacto, Nico?"

"Um mensageiro, senhor meu marido." Lysanna respondeu enquanto erguia a face e olhava o seu marido nos olhos.

Adolphus sorriu um meio sorriso. "Um mensageiro?"

"Sim, claro." Lysanna abriu os seus lábios no mais perfeito sorriso que Adolphus alguma vez tinha presenciado.

"E eles não o matarão?" Nico falou.

"Claro. Mas entregará a mensagem antes e servirá perfeitamente como um presente de gratidão, bem como um incentivo para virem até à cidade."

Nicodemos fechou os olhos e abanou a cabeça tristemente perante a frieza da sua rainha. Adolphus, porém, olhou a sua jovem mulher com interesse.

Ninguém podia contrariar que Lysanna era a mais perfeita das rainhas. E agora Adolphus sabia que ela tinha a inteligência de uma rainha bem como a beleza e postura.

"Muito bem, mandaremos um mensageiro em direcção a Arindale com uma mensagem para Liannus, o líder dos vampiros."

Lysanna sorriu e o brilho da sua felicidade atingiu-lhe o olhar.

Sim, a inteligência de uma rainha.

Mas Adolphus teria de se cuidar para ela não se tornar mais inteligente do que ele.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Seg Jun 25, 2012 11:44 am

Tenho a sensação que está inteligência trás água no bico...
Ficou muito contente com este pacto com os vampiros...
Começo a desconfiar desta rainha...
Ora bem... E o que o Liannus pensa sobre este pacto? Vai ser curioso...
Manda mais!
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Seg Jun 25, 2012 7:40 pm

Ah, ainda não sei... Tenho algumas dúvidas mas não tenho certeza nenhuma por isso vou deixar vir! E podes começar a tentar cair nas minhas graças novamente... Vai ser difícil! ;)
Não é com capítulos destes, com mais uma personagem que nos irá dividir e com mais intrigas que o consegues, estou já a avisar! Quem é que quer saber de uma rainha que poderá ter mais trunfos na manga que jóias no armário? Eu não...

Beijinhos Pan :D

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Qui Jun 28, 2012 2:03 pm

Spoiler:
Nitaa ah pois, neste caso é bom o Rei estar desconfiado. Digo eu... :x quanto ao Liannus e o pacto, vamos lá ver o que acontecerá entretanto... a minha boca é um túmulo!! :p Obrigada por continuares a ler!

Fox omg mulher pára de ser difícil! xD O que queres que faça mais? Queres o Stefano? Aqui tens! Sei que gostas mais do Will, mas contenta-te por agora :p Posso dizer-te que já tenho mais capítulo e meio novo para postar depois. E que estamos quase nos novos. Não é uma má notícia, certo? xD Obrigada!!


Conheçam ou revejam o querido Stefano. Espero que gostem tanto dele quanto eu! :p Não se esqueçam de visitar o Compêndio para não se esquecerem ou baralhem quanto a personagens e lugares. Aproveito para acrescentar que lá encontram fotos de todas as personagens importantes.





23. STEFANO - EUPHARNIUM

Stefano entrou nos seus aposentos e descalçou-se enquanto despia a leve capa de linho que trazia pelos ombros. Suspirou, tirou o pequeno pente de osso com rebordo de ouro que trazia sempre num dos bolsos e puxou o seu escuro cabelo para trás. Molhou o pente numa pequena vasilha com água e voltou a pentear-se até todos os fios do seu cabelo estarem perfeitamente alinhados e colados à sua cabeça.

Fitou-se no espelho por alguns momentos e depois calçou as suas botas de montar e colocou uma pesada pele de lobo cinzento por cima dos ombros prendendo-a no peito com um broche de ouro. Penteou-se uma vez mais e voltou a sair porta fora.

"Oh, príncipe Stefano. Que bom vê-lo por aqui." Uma jovem elegante e alta com um peito generoso olhou-o e sorriu enquanto agarrava no vestido e fazia uma vénia. O seu cabelo castanho caia-lhe pelas costas. Uma cascata de caracóis perfeitamente redondos. Os seus dentes brancos brilhavam por detrás do seu sorriso prazenteiro.

"Senhora Magdalene." Stefano fez uma pequena vénia em cortesia.

Magdalene soltou um risinho abafado que pretendia provocar e estendeu-lhe a mão para ele a beijar. Stefano sorriu polidamente, agarrou na mão fina de Magdalene e depositou nela um longo beijo que provocou outra risada na dama.

"Oh, e onde vai o meu príncipe a esta hora? Cavalgar?" Disse enquanto olhava para as botas altas de Stefano. "Está um dia tão agradável! Acho que um passeio no bosque seria muito mais apropriado. Eu poderia acompanhá-lo." Soltou outro risinho enquanto passava os dedos na barba de Stefano. "Podíamos dar uma volta pelas árvores altas do bosque. Há tantos sítios onde nos podíamos esconder e... aproveitar as vistas."

Stefano esboçou um sorriso matreiro e colocou uma madeixa de cabelo de Magdalene por trás da orelha dela. "Gostaria imenso, Magdalene, mas infelizmente tenho um compromisso a cumprir."

Magdalene fez beicinho e bateu o pé. "Não é justo! Logo hoje que queria o meu príncipe só para mim."

Stefano sorriu sem que o sorriso lhe chegasse aos olhos. Um sorriso treinado. "Tenho pena. Talvez para a próxima." Aproximou-se de Magdalene e beijou-lhe a face, demasiado perto dos lábios. Depois fez-lhe uma vénia e retomou o seu caminho deixando a morena a abanar-se e a rir que nem uma tolinha.

"Lorenzo!" Chamou enquanto espreitava por uma das salas de jogos do castelo. Vários nobres e grandes senhores estavam espalhados pelo salão. Uns jogavam às cartas, outros xadrez, enquanto outros falavam com as senhoras que soltavam risadinhas elegantes e inocentes enquanto seduziam os senhores com um simples olhar.

Um nobre alto com uns olhos azuis brilhantes aproximou-se do príncipe Stefano enquanto lhe fazia uma pequena vénia. O seu cabelo louro liso que lhe dava pelo fundo das costas escorregou para a frente com o movimento do seu corpo. Lorenzo sorriu.

"Diga, meu príncipe?" Lambeu os lábios e colocou a mão por cima do cabo da pequena adaga que trazia ao cinto. Apertou-o e acariciou-o sugestivamente.

Tal gesto não passou despercebido a Stefano que pigarreou mas sem nunca perder a postura. "Lorenzo, vou cavalgar um pouco. Quereis acompanhar-me?"

O louro sorriu. "Pois com certeza, meu príncipe."

Ambos sairam do salão e caminharam ao longo do corredor com passadas pesadas e apressadas. Stefano parou de repente junto a uma pequena abertura na parede de pedra onde uma armadura de ferro velho e enferrujado jazia. Olhou para ambos os lados e, quando verificou que estavam sozinhos, puxou Lorenzo para junto de si e colou os seus lábios nos dele.

As suas línguas enroscaram-se numa luta molhada enquanto as mãos de Lorenzo despenteavam o cabelo perfeitamente alinhado de Stefano e o puxavam para um beijo mais penetrante.

As mãos de Stefano vagueavam pelo corpo do louro e apertavam-lhe as nádegas enquanto sentia a sua pulsação a acelerar. Queria-o. Já! Desejava empurrá-lo contra a parede e penetrá-lo com força e ardor.

Quanto estava prestes a fazer exactamente aquilo em que estava a pensar, ouviu passos ao fundo do corredor. Parou abruptamente e colocou a mão por cima da boca de Lorenzo para que ele não falasse. Encostou-se mais ao corpo do louro e pressionou-o contra a parede para que os seus vultos ficassem escondidos nas sombras.

Sentiu o desejo de Lorenzo contra a sua perna pois era um palmo mais alto que o louro. Sorriu mesquinhamente e enfiou a mão dentro das bragas, procurando o membro inchado. Olhou o louro nos olhos e fechou a mão enquanto acariciava e apertava, esperando os passos que ressoavam cada vez mais perto, passar.

Sentiu-o estremecer e viu-o fechar os olhos. Sentiu os dentes do louro cravarem-se nos seus dedos que lhe cobriam a boca e sentiu líquido quente jorrar para a sua mão. Sorriu quando os passos cessaram de se ouvir e tirou a mão de dentro das bragas do louro, lambendo-a sem nunca tirar os olhos da expressão de êxtase de Lorenzo.

Deu-lhe algum tempo para se recompor enquanto penteava os seus cabelos até à perfeição. Depois seguiram juntos até aos estábulos onde mandaram os moços de estrebaria selarem e prepararem os seus garanhões para uma cavalgada. Stefano agarrou em dois arcos e em duas aljavas carregadas de setas, montou e cavalgaram para um bosque a cerca de quilómetro e meio do castelo.

"Porque estamos aqui, Stefano? Qualquer sala privada do castelo é boa para um pouco de diversão. Não entendo porque temos de vir até ao bosque." Abanou-se quando sentiu um restolhar de folhas perto do seu cabelo. "No bosque há todo o tipo de bichos que me incomodam, não vejo..."

"Lorenzo, silêncio." Stefano olhou em volta. Estavam numa clareira de dimensão média rodeados de altos carvalhos. O vento assobiava à sua volta e o ar estava gélido. O Inverno aproximava a passos de gigante. Olhou para Norte, era aí que se situava a Torre dos Selos, a torre onde o Mestre Pombeiro e os seus assistentes cuidavam dos pássaros e enviavam missivas.

Stefano desmontou e amarrou as rédeas do cavalo a um carvalho perto de si. Lorenzo imitou-o enquanto olhava em volta e franzia o nariz. Resmungava algo que Stefano ignorava mas que devia ter a ver com a sua actual localização, já que Lorenzo odiava o ar livre e campos abertos.

"Agora observamos." Stefano deitou-se por cima de uma cama de relva e fitou a torre. Lorenzo olhou-o com o nariz franzido como se houvesse nas redondezas algo que cheirasse mal e colocou as mãos nas ancas.

"Observamos o quê? A Natureza?" Roncou. "Posso fazer isso das ameias ou da janela do quarto."

Stefano desviou o olhar por um momento. "Há uma mensagem que temos de interceptar. Um pombo que não deve chegar ao seu destino." Fez sinal com a cabeça para os arcos e as respectivas aljavas que repousavam junto aos cavalos.

"Tu és bom com o arco, Lorenzo. Sabes manejar as setas como ninguém." Sorriu-lhe. "Quero esse pombo morto assim que passar por nós."

Lorenzo suspirou enquanto tirava a capa e a estendia na relva ao lado de Stefano. Suspirou pesadamente enquanto se deixou cair com graciosidade. "Odeio o ar livre." Suspirou de novo. Depois sorriu e pousou a mão na coxa de Stefano.

"Acho que podíamos fazer algo para nos entretermos enquanto esse pombo não sai do pombal." Sorriu e lambeu os lábios. Stefano também sorriu quando sentiu a mão de Lorenzo subir.

"Acho que tens razão."

Depois puxou o louro para si e beijou-o enquanto se despiam mutuamente com avidez. Stefano parou o beijo, despiu as calças e ajudou o louro a tirar as suas. Depois virou-o de quatro e agarrou-lhe o cabelo enrolando-o no punho.

Inclinou-se e encostou os lábios ao ouvido de Lorenzo. "Depois disto vais passar a adorar o ar livre."

Empurrou o corpo para a frente ao mesmo tempo que puxava os cabelos do louro e o ouvia gemer de dor. Fechou os olhos por um instante enquanto sorria. Já tinha experimentado raparigas. Raparigas altas e baixas, magras e gordas, belas e feias e de todas as cores. Mas nenhuma lhe dava tanto prazer como um homem. Um homem na flor da idade com a pele macia músculos proeminentes.

Voltou a abrir os olhos e a sorrir, mas uma sombra no céu acordou-o para a realidade. Um pombo.

"Não! Maldição!" Levantou-se de rompante aos berros e com os braços no ar. "Os arcos! Lorenzo! Rápido!" Mas Lorenzo não recuperou tão rápido quanto o seu príncipe e quando ambos conseguiram enfiar a seta no arco, já o pombo estava fora do campo de visão.

"Maldição!" Esmurraçou o carvalho e mal sentiu o sangue quente a escorrer-lhe no punho. "Veste-te imediatamente." Gritou para Lorenzo enquanto procurava as suas próprias roupas e as vestia à pressa. "Não é a minha cabeça que vai rolar se eu não matar aquele pombo idiota!" Disse para Lorenzo que se apressou a apertar as bragas e a colocar a capa pelas costas.

Quando finalmente começaram a cavalgar já nem se via o pombo no céu, mas Stefano bateu com as botas nos flancos do cavalo e incitou. "Vamos! Vamos! Em frente!"

Tinha de apanhar aquele pombo. Não se podia dar ao luxo de enfrentar a ira da sua avó.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Nitaa em Qui Jun 28, 2012 7:26 pm

CHOQUE! Estou em choque!
Gay?? Ele é gay?? Por esta não esperava!
E a avó que parece querer saltar-lhe em cima...
Sempre a surpreender, Pandora!
Continua please!
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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Sex Jun 29, 2012 8:44 pm

Oh Stefano, Stefano, Stefano... Tu és uma das razões pelas quais eu virava gajo (a outra é o Matt Boomer).
Ai, entre a sedução da personagem que criaste, o garanhão que, afinal, não está tão interessado nas meninas, e a Caçada ao Pombo, não sei o que gostei mais deste capítulo... Mas gostei! Oh, se gostei!
Só tenho pena que seja gay... Queria-o para mim (ou então posso fantasiá-lo com o William... Oh, Mundo doce!) :D
Pronto... Voltaste às minhas graças!!!!

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Qui Jul 05, 2012 2:42 pm

Spoiler:
Nitaa ahahaha! Consegui atingir o meu objectivo! Queria mesmo chocar com o Stefano! Fico mesmo contente por ter conseguido surpreender-te!! OnAdmire Obrigada por continuares a ler e a gostar, claro! :p

Fox ROTFL! Fico contente por criar uma personagem fictícia que te dá vontade de virar gajo. Essa era uma das variadíssimas vantagens de virar gajo. A mim dá-me sempre vontade de virar gajo quando eu e a minha cunhada estamos a preparar um banquete (lol) para o jantar e o meu irmão e o meu namorado estão a beber cerveja e a ver tv... OnBadAt LOL Pobre William, nem imagina os imbróglios em que o queres meter! Numa relação dessas nem sei bem dizer quem "dominaria", se o Stefano ou o Will... o que achas?? xD YEY! Graças da Fox, estou de volta!! xD Bem, fica lá com este cap que os novos estão a aproximar-se!

Ora bem, aqui está outro capítulo, perdoem a demora! E bem, espero que gostem deste confronto! Sei que ainda está incompleto, mas não tardará a verem o resto. Já está escrito! :p Obrigada meninas! Ah, não se esqueçam de visitar o Compêndio para não se esquecerem ou baralhem quanto a personagens e lugares. Aproveito para acrescentar que lá encontram fotos de todas as personagens importantes.




24. LIANNUS - ARINDALE

"Liannus, o que raio faz o Marcus encarcerado na tua masmorra? Exijo respostas!"

Os olhos de Liannus esbugalharam-se de espanto quando se virou de repente para a porta. Pandora encarava-o com os olhos brilhantes de raiva e o peito a subir e a descer, sinal que estava nervosa.

Nem a tinha cheirado. Nem a tinha sentido e nem a tinha ouvido. Estaria tão embrenhado no castigo de Camilla que nem houvera reparado na chegada da sua amada?

"Pandora?" Liannus sorriu. Não se mostrou nem um pouco surpreendido. Mas estava perfeitamente inquieto. Sempre conseguira cheirar Pandora a metros de distância, por vezes até quilómetros se estivesse perfeitamente concentrado. Mas aqui estava ela bem em frente ao seu nariz e ele tinha sido apanhado de surpresa.

"Responde-me, Liannus!" Avançou um passo e os seus cabelos perfeitos balançaram e roçaram nos seus ombros nus.

Liannus suspirou e voltou-se para Camilla que os olhava aterrorizada sem saber o que fazer exactamente. "Camilla, trato de ti depois. Agora sai."

Camilla anuiu freneticamente e levantou-se do chão pronta a correr porta fora antes que Liannus mudasse de ideias e ela fosse incluída na confusão. Mas Pandora cravou os olhos nela.

"Não Camilla. Tu ficas. Quero testemunhas." Liannus não conseguiu evitar um sorriso. Pandora não queria testemunhas. Queria evitar que Liannus a controlasse. Pandora sabia perfeitamente que ele sempre fora um dos melhores da sua espécie a controlar as emoções e vontades das outras pessoas. Quanto mais fracas, mais fáceis de controlar.

Ele nunca usara tal truque barato em Pandora. Não porque nunca o tivesse tentado. Tentou-o vezes sem conta, principalmente para a afastar do desprezível Marcus, mas nunca resultou completamente.

Pandora era uma criatura forte e demasiado complexa para Liannus a conseguir ler e dobrá-la às suas vontades.

Mas ela não sabia que ele já tinha tentado e falhado pois ele prometera-lhe que nunca o houvera feito nem nunca o iria fazer

Camilla parou e olhou receosa para Liannus, mas como ele não refutou a afirmação de Pandora, Camilla permaneceu a um canto da biblioteca com os olhos esbugalhados alternando entre Liannus e Pandora. Admiração e medo. As suas mãos tremiam e entrelaçavam-se uma na outra enquanto os seus dentes mastigavam o lábio de baixo com nervosismo.

Liannus esboçou um esgar fraco que nunca lhe chegou aos olhos mas não conseguiu abafar um leve rosnar. "Claro, minha querida. Terás todas as respostas que necessitares." Esperou que Pandora não tivesse detectado a sua raiva latente.

"Podes começar." Pandora lançou-lhe um olhar penetrante e cruzou os braços.

Liannus pigarreou e sentou-se num cadeirão de um vermelho aveludado perfeitamente encaixado entre altas estantes recheadas de livros e pergaminhos velhos e decadentes. A luz fraca das cinco velas que adornavam o candelabro preto, alto e esguio, tremia e plantava sombras na biblioteca. O vampiro encostou-se e entrelaçou as mãos uma na outra enquanto cruzava a perna direita por cima da esquerda, perfeitamente à vontade.

Pandora deu um passo em frente e circundou Liannus até se sentar no cadeirão oposto ao seu. Sentou-se na ponta do cadeirão e descansou as mãos nos finos joelhos enquanto os apertava. O seu olhar nunca largou o olhar frio de Liannus.

"Espero uma óptima explicação, Liannus."

Camilla franziu o nariz perante a altivez de Pandora e a sua falta de respeito e esqueceu-se do medo que a assolara temporariamente. "Que direito tens tu a tratar o Mestre Liannus dessa maneira, Pandora? Chegas aqui a feder a sangue da nossa raça, sangue que não é do Mestre Liannus, ainda para mais!"

Quando o olhar fervente de Pandora e olhar recatado de Liannus a atingiram ao mesmo tempo, Camilla mordeu o lábio inferior e tapou a boca com ambas as mãos. Nunca fora rapariga para pensar primeiro e falar depois. E desta vez a sua impulsividade ia-lhe custar caro.

Pandora levantou-se de um pulo e Liannus abriu a boca para falar mas parou quando a afirmação de Camilla ressoou no seu cérebro. Então era por isso. Era por isso que ele não tinha dado conta da presença de Pandora nos seus aposentos. Ela fedia àquele imprestável que mantinha acorrentado na masmorra. Não havia como enganar.

Liannus soltou um grunhido gutural descontrolado e cerrou os punhos. "A Camilla tem razão, Pandora. Fedes àquele inútil! Queres contar-me porquê?" Depois inspirou profundamente, dilatando as suas narinas e levantou-se enquanto tentava acalmar o seu temperamento. Como odiava que o seu descontrolo fosse observado.

Pandora inclinou a cabeça com altivez e inspirou profundamente. Liannus notou que a sua vampira estava incomodada. Pandora estalou o pescoço, voltou a sentar-se e suspirou. "Camilla, por favor sai. Gostaria de falar a sós com Liannus."

Camilla levantou-se de novo pronta a sair como lhe tinha sido ordenado. Apesar de abominar obedecer a ordens de Pandora, sentia-se a mais naquela sala e a atmosfera estava a esmagá-la. Mas Liannus não permitiu que tomasse um único passo. Estendeu a mão e apertou-lhe o pequeno pulso. "Fica." Mais um apertão e um pequeno estalo. Camilla fechou os olhos e estremeceu de dor, mas não se mexeu nem mais um centímetro.

"Acho que aquilo que tens a dizer pode ser ouvido por quem é sangue do meu sangue." Camilla enrubesceu e sentiu as suas pernas desfalecer perante tal afirmação. Mas a vampira que Liannus pretendera abalar com a sua frase, nem sequer pestanejou. Pandora não parecia importar-se com a presença de Camilla perto do seu amante, vezes sem conta.

"Muito bem. Quando saí do Templo das Sevícias estava fraca e débil. Achei que uma ida ao bosque seria mais rápida e segura do que uma caminhada por entre as ruas estreitas e repletas de vampiros carregando as suas presas e troféus com gargantas cortadas e membros decepados. Sabes perfeitamente como me agonia o cheiro de sangue humano."

Liannus anuiu. Um gesto tão imperceptível que passou despercebido a Camilla que estava ocupada a lançar um olhar de desprezo a Pandora. Uma vampira tão nova e sedenta de sangue e aventura não conseguia entender a aversão ao sangue de que Pandora tanto se gabava. Mas Pandora entendeu o gesto e continuou.

"Ao sair das muralhas da cidade e fraca como estava, senti imediatamente o cheiro de Marcus."

Liannus cerrou as mãos num punho fechado e mordeu a língua para não barafustar. Sentiu o timbre de Pandora a suavizar-se e os seus olhos a brilhar um pouco mais. Ouviu a respiração dela acelerar porque ela se prendia a tais emoções frugais mesmo sendo vampira há tantos séculos. Ela ainda amava Marcus.

"Quando cheguei até ele, desfaleci. Ele salvou-me, a muito custo e por isso aqui estou. Deves-lhe a minha vida."

Liannus sorriu. Desta vez não foi um sorriso disfarçado ou um esgar meio falso. Foi um sorriso verdadeiro que lhe fez brilhar os olhos. Quão irónico era estar a dever a vida da sua obsessão ao seu maior inimigo? Oh... Marcus iria ficar inchado de satisfação e o seu ego inflaria tanto que lhe sairia pelos ouvidos!

O seu sorriso morreu devagar enquanto as consequências de tais acções lhe pesavam no pensamento. Não podia deixar Marcus na masmorra da cidade. Teria de o exilar... ou talvez assassinar. Que lhe importava o facto de ele ter salvo Pandora das garras afiadas da morte? Nunca fora um líder com honra de sobra. Pactos, honrarias, promessas... tudo palavras moles e ditos falsos. Feitos para serem quebrados e prescritos no segundo a seguir a serem proferidos.

Olhou para Pandora e franziu o nariz. Não conseguia camuflar o fedor de Marcus agora que tinha notado a sua presença. Mesmo sem respirar o seu odor parecia ter penetrado nas narinas e nos confins da memória de Liannus. Como iria perdoar Pandora esta falha gravíssima?

Pandora levantou-se lentamente e aproximou-se de Liannus ainda mais devagar. Passo a passo. Com cada passo o seu olhar carregava. Com cada passo a sua respiração acelerava.

Encostou o seu corpo ao dele e deixou o seu olhar penetrar o de Liannus.

O vampiro sorriu e sentiu o seu desejo borbulhar. Talvez houvesse maneira de esquecer o fedor que a cobria. Preparou-se para receber um beijo. Preparou-se para cravar as suas presas em várias partes do corpo de Pandora.

Quase podia sentir a atmosfera da biblioteca a estremecer e a vibrar de emoções fortes.

"Liannus..." Ele cravou os olhos nos dela esperando ver desejo e uma réstia de amor. "Tu sabes quem matou os meus irmãos."

Não era uma pergunta como tantas outras proferidas da mesma maneira em séculos anteriores. Iguais àquela. As mesmas palavras, mas uma entoação diferente. Não, não era uma pergunta.

Era uma afirmação.

Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Seg Jul 09, 2012 8:07 pm

Hahahahha, uma das outras vezes em que gostava de ser homem é, o ridículo que esta imagem tem, quando preciso de ajuda para abrir uma lata qualquer! Noutro dia estive uns de minutos, sem exageros, à procura de uma ferramenta para abrir a lata de tinta acrílica, porque sozinha não conseguia! Eu sou uma desgraça xD
Quanto à minha relação Will-Stef (vamos abreviar porque estou com preguiça nos dedos), ainda não me consegui decidir quem seria o "boss". O William tem aquela personalidade autoritária e de comando, mas não estou a ver o Stefano a aceitar as ordens de um "camponês" (sem ofensa) de livre vontade... Oh páh, agora estou super divertida a imaginar o cenário de uma discussão! xD

Mas continuo a gostar de Pandora e William! Adoro esta personalidade calma mas autoritária e bastante segura de si. Adoro ver como ela consegue dominar o Liannus, como consegue ser superior àquele rei apenas com palavras certas e actos vãos! Gostei imenso do capítulo porque ela começou a aperceber-se do que se passava mesmo à sua volta e deixou de acreditar em mentiras!

More, please! :D

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Soph em Sex Jul 13, 2012 7:59 pm

Epah, perdi um monte de actualizações. Não gosto disso!

Mas cá estou eu. :) Se bem me lembro, no antigo forum eu fiquei por aqui na leitura.
Logo, para mim agora é só novidades. muahaha

Uhh, ela colocou-o entre a espada ou a parede. Me gusta! Mulher poderosa. Mas também gosto do Liannus. Tenho a certeza que ele vai sair dessa situação elegantemente, como sempre. Mas o que irá inventar? Ou vai admitir algo? Ai....

Ansiosa por mais :D

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por PandoraTheVampire em Qua Jul 18, 2012 8:18 pm

Spoiler:
Fox lolol concordo contigo! Quando é para abrir latas e frascos mais teimosos, nada melhor que chamar o pai, o namorado ou o irmão... se bem que agora há aparelhos que ajudam a abrir essas coisas sem o inconveniente de ter de pedir a ajuda a um exemplar do sexo masculino e, assim, correr o risco de lhe inchar o ego até ao infinito e mais além xD LOL omg Fox, aposto que criaste uma mini fanfic na tua cabeça sobre o Will e o Stefano. Onembarassed Pagava para ser um neurónio teu nessa altura! lolol Ahum... Pandora e William hein?? Me no coment! O que iria a pobre Lidia dizer sobre isso? E o Marcus? Ai, ai! Bem, este ainda leste, se bem me recordo, mas os novos estão já ao virar da esquina! Obrigada!!

Soph ah pois perdeste! Mas voltaste para ler que é o que importa! :p Ui! É só novidades para ti? Gosto disso! :p Se bem que os completamente novos, nunca antes publicados, estão quase a aparecer!! (verdade seja dita, só tenho mais capítulo e meio adiantado... mas as ideias estão por aqui!!! A inspiração é que tirou férias mais cedo...) Quanto à reacção do Liannus, terás de esperar um pouquinho mais para veres como ele se desenrasca desta, ehehe :p Obrigada e beijinhos!!

Ora bem, mais um capítulo do William. Desculpem a ultra demora deste, mas estas semanas foram meio que atribuladas! :s espero que gostem! Não se esqueçam de visitar o Compêndio para não se esquecerem ou baralhem quanto a personagens e lugares. Aproveito para acrescentar que lá encontram fotos de todas as personagens importantes.




25. WILLIAM - LOCH CILWYRR

"William?" A voz suave da sua mãe acordou-o de um sonho inquieto. Um sonho tornado pesadelo. Primeiro estava no campo de treinos com Lidia, de mãos dadas e sorrisos largos, o mundo estava feliz. No segundo a seguir estava no centro de um círculo composto pelos seus companheiros. Estavam sorridentes, mas depois viravam-se de costas, todos ao mesmo tempo e perfeitamente sincronizados e, quando o faziam, Will via dois olhos cravados nas nucas dos seus companheiros e bocas feitas de golpes de faca, ainda com pedaços brancos de miolos a escorrerem pelos supostos lábios. Bocas ensanguentadas e presas num esgar sinistro que arrepiava cada centímetro de pele de William.

Ouvia os seus sussurros. Repetiam a palavra traidor até à exaustão e Will não conseguia distinguir amigo de inimigo. E foi neste preciso momento que a sua mãe o acordou.

"Mãe, que horas são?" Coçou os olhos e esfregou as mãos na cara para afastar o sono e o pesadelo.

"Quase meio-dia. Adormeceste estendido na mesa e eu não te quis acordar." Mirabel sorriu aquele sorriso que nunca lhe chegava aos olhos. Um sorriso que William presenciava cada vez mais pois significava que a sua mãe estava constantemente preocupada com a segurança dos seus filhos. "Mas agora é hora de almoço e tens de te alimentar se queres ficar a noite toda de pé!"

William anuiu e levantou-se enquanto esticava os braços e as pernas para os desentorpecer. "Onde está o pai e o Matt?"

"Foram pescar." Mirabel estendia uma toalha de linho usada e esfarrapada mas sem qualquer nódoa por cima da mesa de madeira escura. "O teu pai quer aproveitar os últimos dias do Outono. Não tarda o lago congela. Eles disseram que vinham almoçar, mas já sabes como é..."

William sorriu enquanto ajudava a sua mãe a colocar taças e colheres de barro por cima da mesa. "Se a pesca estiver boa eles ficam lá até anoitecer." Sorriu de novo e desta vez Mirabel sorriu com ele. Um sorriso verdadeiro.

Comeram em silêncio uma papa de grão moído ensopada em sopa de batata. Um almoço escasso mas que lhes encheu a barriga. Para além do mais, à noite o repasto seria com certeza, peixe fresco. A cabeça de William não parava de rodopiar com informação.

O Rei pretendia alistar os vampiros na sua guerra ridícula. Não era algo sem precedentes. Já tinha acontecido há alguns séculos e tinha gerado uma vitória para o Norte. Mas não tinha posto fim àquela guerra e tinha custado a vida a milhares de cidadãos. Ainda estavam a recuperar dessas mortes sem sentido.

Havia aldeias desertas e campos por arar. Cidades ao abandono e gado tornado selvagem por donos que morreram. A população estava a diminuir mas a guerra não tinha como abrandar. William não compreendia como é que os dois reinos continuavam nesta disputa sem sentido e não tomavam atenção ao que se passava à volta deles. Ou tinham conselheiros inúteis ou sabiam exactamente naquilo que se estavam a meter.

William acabou de comer e ajudou a sua mãe a levantar a louça suja mas depois saiu porta fora com a espada na mão e umas frutas na sacola. Passou por casa da Taissa a caminho do descampado onde costumava treinar com os seus companheiros.

Perguntou por Lidia, recebeu um abano de cabeça e uma frase monocórdica. "Está na mesma." Inspirou fundo e nem entrou para a ver. Que bem lhe faria? Tanto a ele como a ela.

Por isso deu meia volta, despediu-se de Taissa e foi treinar.

Por mais que tentasse distrair os seus pensamentos de política e de traições era impossível não pensar nas últimas palavras do vampiro torturado. Um traidor entre os seus companheiros. Como seria isso possível? Confiava em todos com a sua vida e julgava-os a todos como irmãos.

Sabia que todos amavam a pequena aldeia e cada um dos seus habitantes. Também sabia que nenhum deles tinha pretensões de riqueza ou poder ou fama. Eram pessoas simples com ambições simples: matar uns sugadores, casar, ter filhos...

Ser felizes.

Mais ou menos como ele costumava pensar. Mas agora não se conseguia distrair o suficiente para poder pensar em felicidade. A palavra traidor estava cravada no seu crânio. Quem poderia ser?

Melisizwe? Não, nunca. O seu amigo silencioso devia-lhe a vida e sempre se mostrara grato e amigável. O carácter bondoso de Melisizwe não se enquadrava com o carácter de um traidor. Afinal de contas não é qualquer traste que acolhe todo e qualquer animal da floresta e o trata como um ser humano. Não, Melisizwe estava, definitivamente fora da equação.

Donnal? O seu gordo companheiro era suficientemente zangado para encaixar no perfil. Mas, apesar do seu mau humor constante, Donnal era leal. E demasiado introvertido para pensar em algum plano traidor.

Timothy nunca encaixaria no perfil do mau da fita. O tímido Tim com as suas preces a Amadeus e os seus sorrisos fáceis. Não. Cuco? Ainda melhor alma que Tim, esse já estava encomendado para o eterno descanso ao lado do Grande Pai Amadeus. Também nunca seria um traidor. Aliás, Will tinha a certeza que Cuco preferiria morrer do que deixar passar algum sugador que pudesse magoar Lidia, como acabou por acontecer.

Oscar? Oscar sempre fora o seu melhor amigo. Quando eram miúdos tinham as suas diferenças e metiam-se constantemente em brigas para saberem quem era o mais forte. William sempre tivera mais cérebro, mas Oscar sempre fora forte. No fim, fosse quem fosse que ganhasse, abraçavam-se e riam do assunto enquanto mergulhavam no lago para se refrescarem. William confiava demasiado em Oscar para suspeitar dele.

O que lhe deixava apenas um companheiro. Benjamin. O mesmo que 'supostamente' deixou passar dois sugadores em duas noites consecutivas. O único companheiro por quem William não poria as mãos no fogo. Aquele seu sorriso fácil sempre lhe parecera demasiado ambíguo. Demasiado matreiro.

Mas seriam apenas os eventos dos últimos dias que tinham despertado estas dúvidas na mente de William? Podia jurar a pés juntos que antes confiava plenamente em Ben.

O seu pensamento foi interrompido por um toque no ombro que ele não estava à espera. William sobressaltou-se e apontou a espada à garganta do seu pequeno irmão que levantou as mãos inquieto.

"Desculpa Will! Estavas tão absorto nos teus pensamentos que nem me ouviste chamar."

William deixou cair a espada ao longo do seu corpo e soltou uma gargalhada nervosa. Por momentos pensou que estaria cara a cara com o verdadeiro traidor, não o seu irmãozinho.

"Cuidado Matt." Passou-lhe as mãos pelos cabelos louros, despenteando-o. "Podes ficar sem cabeça."

Matthew sorriu e agarrou na espada de madeira que trazia presa no cinto. "Pensei que pudesses ajudar-me com os meus treinos. Quero ajudar-vos o mais cedo possível, Will."

William ouviu a sinceridade na voz do seu irmão e decidiu aquiescer ao pedido do pequeno. "Muito bem, vamos lá ver se ainda te lembras como se maneja uma espada."

Enquanto o seu irmão sorria e Will lhe ensinava novos movimentos, não pôde deixar de conjurar um plano na sua cabeça, mesmo que fosse um plano arriscado e a modos que suicida. Talvez fosse essa a única maneira de tirar a pratos limpos quem era o traidor.

Se é que havia mesmo um entre eles.

-*-

"Isso é loucura, Will." Oscar suspirou e apoiou a cabeça nas mãos.

Melisizwe abanou a cabeça negativamente enquanto Cuco, Donnal e Tim se mantinham apreensivos.

"Sim, é loucura." Ben concordou. "Mas é a única maneira de termos a certeza do que se está a passar. De pôr tudo em pratos limpos. Eu concordo com o Will."

Oscar levantou-se da mesa e coçou a barba enquanto cirandava de um lado para o outro. "Pensaste bem nisto William? Sabes que isso significa deixar a tua família desprotegida, os teus pais, Matt... Lidia?"

William assentiu sem qualquer palavra.

"É loucura..." Continuou o grandalhão.

William levantou-se e agarrou Oscar pelos ombros. "Matt sabe tomar conta de si próprio e dos meus pais. Cuco, Donnal e Tim são mais que suficientes para manter a aldeia em segurança por algumas semanas. Aperta-se o cerco. Mais buscas, menos probabilidade de algo correr mal."

"Mas... Will... e tu? Sabes que o que queres fazer é perigoso! Deixa-me ir contigo." William sorriu.

"O Melisizwe vai comigo. Silencioso e mortal. Vou ficar bem." Apertou os ombros de Oscar. "Preciso de ti em Ostmund. Serás os meus olhos e ouvidos."

Oscar balbuciou qualquer coisa e voltou a sentar-se. Estava indignado e temeroso pelo seu amigo. William apoiou os punhos na mesa e olhou os seus companheiros com um sorriso e um brilho no olhar.

"Todos sabem o que fazer. Donnal, Cuco e Tim, o vosso trabalho é o mais importante. Cuidar da aldeia, cuidar da família." Os três anuíram conspicuamente. Will encarou Oscar e Ben. "Vocês vão até Ostland ver o que se passa no reino. Ouçam e vejam tudo. Quero saber os planos do rei nem que para isso tenham de dormir com a rainha." Olhou para Ben quando falou e ele sorriu de lado. "Contando que voltam para contar a história, os limites são infinitos."

Oscar resmungou um pouco mais no trabalho fácil que lhe era designado e voltou a implicar com William para o acompanhar na missão mais suicida que já tinha ouvido falar. William negou-lhe o pedido novamente e depois voltou a sua atenção para Melisizwe.

Pôs-lhe a mão no ombro e sorriu. "Mel, tu e eu vamos até Arindale."
Continua...

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Re: Crónicas Sangrentas

Mensagem por Fox* em Sex Jul 20, 2012 10:15 am

Hahahaha, concordo contigo! Prefiro sempre procurar esse aparelho do que ouvir o caraterístico "O que é que farias sem mim?" xD
Quanto à minha ideia... Então, vamos deixar as coisas correrem! Eu continuo a preferir Pandora-William (o que deixa espaço para o romântico do Marcus consolar a pobre da Lídia *if you know what I mean*) mas o Stefano... Acho que seria vingança muito boa à sua adorável Avó vê-lo com um Caçador e exterminador de vampiros determinado!
E não queiras ser um neurónio meu que isto anda aqui uma confusão entre ships e double ships! Odeio a tua fic xD

Ha ah (ou qualquer som semelhante a EUREKA!!!)! Mas claro que me lembro e li este capítulo, foi aqui que eu comecei a shipar Will e Pan! Oh, ele tomou a iniciativa e vai marchar até à capital! Já estou ansiosa, não só para ver como ele se irá portar mas também porque quero saber quem poderia ser o traidor! Tal como ele, não consigo imaginar ninguém a trair ninguém mas... Engraçado seria Will a desconfiar de todos os amigos e não ser um deles mas Taissa ou outro dos habitantes da aldeia...
Pronto, já estou a imaginar!
Hurry up, I need more :D

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