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Building Fences [+18]

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Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Qua Set 12, 2012 11:55 am

Heyo!

Esta Fiction é para MAIORES de 18.

Antes de mais, peço desculpa por ter desaparecido de rota assim do nada... mas já precisava de respirar fundo e evitar letras e frases a todo o custo.
Estou a escrever outra fanfiction, mas apesar de achar o rapaz um total cutie, que durante anos se escondeu atrás de actores como David Boreanaz, Brad Pitt, Tom Cruise e Colin Farrell, não vou dizer, para já, o nome dele.
Por falar nisso, há um filme dele agora que vai sair em DVD, não é grande coisa, mas sempre dá para sonhar um pouquinho...

Anyhow, sei que tenho a mania de não actualizar as fanfictions que coloco por aqui, por isso não prometo que vá actualizar muitas vezes esta, embora vá tentar mundos e fundos, se, claro, vocês quiserem ler...


Bem, aqui vai.
Espero que gostem!

Building Fences


“I’m so sorry to disturb you sir, but it appears to be morning. Very inconvenient, I agree. I believe it is the rotation of the earth that is to blame, Sir.”
O meu despertador tocava. Quem é que se aborrece de ouvir um toque tao engraçado… Antes das 9 da manhã, toda a gente odeia ouvir um toque tão engraçado, principalmente quando tem de acordar às 6:45 todos os dias da semana, excepto sábados e domingos.
A rotina já estava praticamente a ser instalada, hora mais hora e acabava por entranhá-la na espinha medula e restantes órgãos corporais cujos nomes desconheço.
Ao contrário da semana anterior, estava frio em Woodside. Frio? Frio é favor! Estava um congelador lá fora pelo que a janela de cima aberta ditava. Estava frio lá fora e um horror de inferno dentro do quarto.
O sol tinha-se escondido.
Oh yeah! London is back!
Percorri, com os dedos de unhas mal cortadas, ou por outra, bem roídas, a ponta da toalha e enrolei-a no braço, enquanto ao mesmo tempo segurava uns calções pretos e uma blusa de renda branca na outra mão. Só quando cheguei à casa de banho é que percebi o quanto ridícula estava a ser ao pensar que estava temperatura suficiente para vestir uns calções mais pequenos que a minha mais pequena mini-saia.
Água a escaldar, 6:50 da manhã, e uma música qualquer no telemóvel que parecia querer assassinar os meus ouvidos, tornou-se na mais bela das combinações para uma manhã espectacularmente bem começada.
Com mais duas ou três dicas o meu dia tornar-se-ia no meu diário espalmado no canto de uma página de um blogue qualquer de muito mau gosto, como aqueles que o Tumblr permite criar.
Prestes a ficar sozinha em casa e pronta para ir despachar os miúdos para a escola.
Escola, escola… tenho saudades desses tempos, tempos esses em que levantava o cu da cama às 7 para ir para uma sala fechada, entreter-me durante 6 horas numa reunião constante de idiotas de 1.60+cm.
— Can I watch Ben10? — pouca explicação preciso de dar.
— Yes, James
O puto lá acendeu a televisão e lá se decidiu a tomar o pequeno-almoço.
Se aprendesse as outras coisas tão rápido quanto aprendeu a mexer naquele botão da televisão, de certo que teria mais amigos que lhe ligassem alguma.
Todos sabemos que hoje, e desde sempre, o mais forte é o que vence na selva. E, milhares de anos depois da civilização ter sido ‘descoberta’, tal como o fogo, a estupidez, o sarcasmo e o iPhone, toda a gente sabe, ou pelo menos, toda a gente que tenha mais que dois neurónios sabe que, miúdos que se sentam no chão a olhar para a mosca verde na parede vermelha, não são os mais apetecíveis com quem brincar.
Mesmo com a regra do mais forte, há quem se resigne em creditor que ela existe.
— William hurry up! — chamei o mais pequeno.
— Mary?! — Jane chamou-me.
— Yes?!
Olhei-a de soslaio. Sempre que me chamava Mary, fazia-o apenas para pedir ajuda.
— Denise needs help around the house tomorrow, while we go play tennis with the kids.
— Baby-siting like?
— No, not really. She needs you to be there while the contractor starts remodeling the house… Can you take care of the house while the man goes there?
Olhei para os olhos da minha patroa, Jane, enquanto a minha cara ficava cada vez mais aborrecida. Tinha acabado de ficar com a expressão seca, era o meu dia de folga, quando é que ela depois se lembraria de me dar o dia extra?!
Apeteceu-me perguntar o que é que eu ganhava em ficar em casa da amiga dela, já que ia perder o dia de folga, e parece que ela adivinhou o que eu lhe queria perguntar.
— Of course, she’s going to pay… She’ll give you 50 pounds for the whole day, food included, and it’s only for you to keep an eye on the men. You know… sometimes it’s dangerous to leave strangers alone in the house, even though she knows him for some years now.
‘Dangerous…’
É perigoso para a casa, mas não é perigoso para mim? Mas o que é que ‘perigoso’ significava na cabeça daquelas duas?
Arrepiei-me toda quando pensei no facto de ter de ficar fechada em casa, sabe-se lá por quantas horas, com um homem feio, velho, todo suado, com um fato de macaco nojento, deslavado e malcheiroso, com más-maneiras e com unhas sujas e mal cortadas, e com o cabelo oleoso, pior que o do Snape do Harry Potter.
Assustei-me! Que nojo!
Ia ser violada, raptada, assassinada no meio de Londres, num sítio que não era suposto! Possivelmente o meu corpo não seria encontrado, nem os cães polícia me iriam encontrar… 50 libras não pagavam a minha morte…
*Mariana stop watching Crime & Investigation!*
Olhei para Jane e comecei a gaguejar, não fosse a quantidade enorme de medo de vir a sofrer um ataque vindo de um desconhecido, que provavelmente teria um registo criminal muito bem preenchido.
— Jane, I think… I’m… ehh, I already have told my sister that…
— I’ll pay you plus 20 pounds for the day…
— But I…
— She really needs it, the children are looking forward to play tennis tomorrow.
‘Eu levo-os ao ténis!’
— Please, I’ll give you the extra 20 pounds, she’ll pay you 50 and I’ll give you a extra day-off.
Silêncio estúpido…
— Ok… I’ll do it.
Dinheiro! O que hoje em dia não se faz por dinheiro…
Jane sorriu e deixou para trás a sala de estar, calçou as sabrinas brilhantes e saiu de cena.
What the hell?!
Não tive tempo de me sentar no sofá para pensar no assunto, tinha de me despachar e levar os miúdos à escola. Com sorte era atropelada pelo caminho e safava-me de vez de ter de ir a casa de Denise servir de house-sitter.
Quando Jane fechou a porta, virei os olhos para a sala os brinquedos, que era bem maior que o meu quarto, e vi se os meninos, que estavam a ver The Regular Show, no Cartoon Network. Estavam bem, não estavam em perigo, e já tinham comido, o que para mim era uma grande emoção. Só ainda não tinha percebido porque é que eles comiam leite com chocolate separado dos cereais… sempre tinha comido cereais com leite, não cereais e leite… coisa estranha, Inglaterra!
Subi as escadas, e bem perto do espelho, puxei o cabelo ruivo para trás e ateei-o com um elástico preto e apertado. Aquela casa de banho quase conseguia ser maior que o meu próprio quarto, que embora fosse bastante confortável, tinha um colchão duro como tudo, e era pequeníssimo.
Com ainda tempo de sobra, visto que os meninos já estavam vestidos, acabei por me ir sentar em cima do colchão duríssimo da minha pequena cama. Sozinha naquele espaço mínimo acabei por me entreter a pensar em coisas que não devia. Não era certo, aliás, não estava certo, ter de ir tomar conta da casa de Denise, só porque a madame queria ir jogar ténis com os miúdos… que fosse jogar noutro dia. Sabia lá eu se o homem que lá ia não era um louco desmazelado qualquer, que me ia tentar fazer mal, ou algo parecido. Jane tinha dito que Denise o conhecia, mas o Crime & Investigation dá várias séries sobre pessoas que matam outras, e que se conhecem há imenso tempo… e eu estava em Londres, em Inglaterra tudo o acontece… E deus quisesse que não me acontecesse a mim…
As minhas pernas iam tremendo, enquanto os pêlos dos meus braços se iam levantando… receio ou não, tinha de me despachar, ir finalmente lavar os dentes aos miúdos e levá-los à escola. Amanhã seria um novo dia, e aquele dia ainda mal tinha começado para minha grande tristeza.


Última edição por CatariinaG' em Dom Set 23, 2012 12:44 pm, editado 3 vez(es)

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por PandoraTheVampire em Qua Set 12, 2012 1:56 pm

Lol mas que bela imaginação que a Mariana tem! Pensa logo em assassínio O_O Não sei se 70 pounds pagariam isso... mas eu tenho um dedo que adivinha (rotfl) e sei que algo se vai passar enquanto ela estiver a tomar conta da casa... MUAHAHAH! Algo que ela nem espera! MUAHAHAHA! ME GUSTA CHICA!

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por miaDamphyr em Qua Set 12, 2012 8:58 pm

Ohh adorei a mistela que cá fizeste, ficou tão bem, Cata. Até porque dia a dia tenho mania de misturar o português com o Inglês, e ler assim foi soberbo, gostei mesmo, a menção de estar em londres e os diálogos serem em Inglês, foi uma boa sacada. Sério. E estou super curiosa em saber o que vai acontecer, um assassino não seria uma má ideia, ou então um possível futuro amor? Pode não ser um velho, sujo, desmazelado, hum? O macacão podes deixar tar. Ihihihi. Bisous minha Cata.
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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Marfire em Qua Set 12, 2012 11:06 pm

Ok, aqui estou eu pronto a comentar. Vamos lá então começar isto!
Primeiro ponto (e neste caso vou ter de discordar mia) não gostei da mistura entre Português e Inglês. Acho que devias apostar numa só língua, porque se reparares nos livros traduzidos de Inglês para a nossa língua, tudo é traduzido. Não que tenhas de seguir essa regra obrigatoriamente mas é a minha visão sobre o caso.
Outro ponto: nesta passagem "Ao contrário da anterior semana..." não sei se estavas a tentar enfeitar a frase ou não mas acho que não resulta. Penso que devias ter apostado no comum "Ao contrário da semana anterior...". Outra coisa, escreve-se "roídas" em vez de "ruídas".
Lembra-te que faço isto numa de entre-ajuda. E estou curioso para ver o que mais vem aí! Continua! :)
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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Fox* em Qui Set 13, 2012 12:56 am

Soooo... Começamos em grande, ah? A rapariga imagina logo monstros e assassinos e ogres de pés grandes e malcheirosos. Quem sabe se não é um assassino de quem ela gosta muuuuito? :D
Gostei de como expressaste os pontos de vista da personagem sobre a realidade que a rodeia (putos, mimados, house-sitting e etc) e estou curiosa sobre o que se poderá passar com esta personagem opinativa :)

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Qui Set 13, 2012 7:56 am

Obrigado a todos :)
Obrigado Marfire pelo Feedback*
1º sim, tenho noção que duas línguas escritas no mesmo livro fazem confusão, mas prefiro assim... Tenho mais dificuldade em imaginar se tiver de traduzir até os diálogos, e, sinceramente, ainda não consigo compor bem um texto/livro escrito inteiramente em inglês. Mas entendo o que dizes na perfeição, e obrigado! :) (e é engraçado falares isso, visto que uma menina aqui do fórum também já me tinha falado do mesmo assunto...) Estou a pensar traduzi-lo para inglês, mas vai levar o seu tempo, e, por agora, prefiro que assim esteja, embora, e sublinho outra vez, obrigado pelo conselho.
2º Já corrigi as palavras e a frase... vistas as coisas, devia começar a ler 50 x depois o que escrevo, nem sempre sai tão bem como quando se imagina.
Mas thanks a billion pelo feedback! :)

*
Fox e Mia: Thanks so much! Vou tentar actualizar mais vezes... e tenho a avisar que isto não é Jared Leto fiction... é outro! Sou uma mulher de muitos homens (isto até soa mal!)
*
Thanks a quem deu feedback :)
xoxo

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Qui Set 13, 2012 10:28 am

Cap II

Desci as escadas assustada com a quantidade de caixas que estavam amontoadas no chão. Havia caixas por todo o lado.
Denise, a amiga de Jane, estava claramente em mudanças. O que um divórcio provoca…
As tarefas do dia estavam divididas em apenas uma palavra: MUITAS! Fazer de conta que era a ama daquela casa, afastar as caixas do piso de cima e mudá-las para dentro da despensa, arrumar a tralha que tinha sido formada na casa de banho, limpar a base de chuveiro, não que estivesse suja, arrumar os champôs e todas as restantes tretas necessárias para evitar o mau cheiro e o cabelo oleoso, fazer a cama de lavado, arrumar a loiça da máquina.
— Mary, please make sure you don’t leave the house… — pediu Denise enquanto vestia os miúdos.
— I won’t, don’t worry — disse.
‘Mesmo que ele seja um homem horrendo que me queira violar ou raptar ou matar, ou qualquer coisa parecida e que termine em «ar».‘
Dei uma volta com o olhar. Não conhecia a casa, nem ela me conhecia a mim.
A mansão de Denise era tão ou maior que a casa onde eu estava a viver com Jane, Tomas, William e James. Sim, a meu ver era uma mansão, talvez fosse por isso que eu estava tão aterrorizada por ter de ali ficar sozinha. Uma casa grande, no meio de Londres, com um desconhecido a martelar as paredes: Sai um filme de terror para a mesa 3!
Estava tão feliz por ali estar, que o estomago parecia querer respirar por ele próprio, não fossem os solavancos que ia dando conforme eu ia dando um ou outro passo. — Fingir sorrisos devia ser uma boa característica para colocar no meu currículo.
— Ok, we are almost ready…
‘Finalmente!’
— Mary, you can watch tv and… — o telemóvel começou a tocar. — Oh shoot, my iPhone… gotta go!
Devia ser Jane.
Ouvi os passos dela até à porta. Quase os podia contar.
O homem chegava por volta das 9… o que eu dava para que ele nunca chegasse.
Cada vez me sentia com o coração mais apertado, parecia que o agarrava nas mãos, enquanto o apertava com toda a força, tal força insuspeitavelmente apertada. Quase me sentia incapacitada de fazer as coisas, sentia-me mal. Sentia-me tudo menos segura, ainda para mais dentro de uma casa que eu própria desconhecia. Embora com 21 anos, e com juízo para entender que as coisas não são bem como estão nos filmes, nunca gostei de estar sozinha, ainda para mais, num país estrangeiro, numa casa estranha e num lugar que eu muito mal conhecia.
Sentei-me no sofá, impaciente.
As páginas do livro 50 Shades of Grey iam-se encarquilhando ao toque dos meus dedos.
A minha irmã lá me tinha conseguido pôr a ler um livro que toda a gente, que conheço, diz ser completamente desajustado da realidade, tendo criticas que arrepelam as adolescentes que tenham um pouco de miolos de sobra. E a verdade é que o livro era tão nojento como a cara de uma colega minha da universidade. As cenas de sexo eram completamente descabidas, embora houvesse coisas que, de facto, me fazia ficar com os calores, cenas dessas não incluíam espancamento, cuspos e tampões.
Sexo nos livros é engraçado de se ler, mas não quando se trata de espancamento e quase violação.
Pus o livro de lado e acendi a televisão. O canal que ligou não era o mais apropriado, mas nem dei atenção ao crime que descreviam, afinal de contas, o homem já estava a tocar à campainha há cerca de 30 segundos.
Levantei-me do sofá branco e respirei fundo, o quanto eu odiava aquela sensação de perigo. Era pior que ter a certeza que me ia encontrar com o meu ex-namorado.
Ao respirar parecia que me ia sair qualquer coisa da boca!
— You are a little bit…
*Oh deus!*
‘Mas o que é isto?!’ — indaguei.
Olhei em estado de choque.
— Hi… hmm… sorry! But… What ehh… I have to… Hmm… Who are you? — indaguei.
— You were waiting for me, I believe. Denise told me that some au pair was going to be here to receive me…
— Ooh! It’s… it’s… you are the… oh! Ok.
— Why?! Were you expecting someone older, uglier and mysterious?
Tentei esconder a questão de que estava mesmo à espera de alguém bem mais… como meter isto em palavras que não prejudique a saúde ocular de quem não o viu… HORROROSO!
— No! I was…
— Do I have to check if the door works before I get in the house, or can I… — fez sinal para a sala.
— Oh sorry… Come in… I’m ehh…
Enquanto ele olhava à volta da casa, eu estava especada a olhar para o homem que ali se encontrava plantado no meio do hall de entrada.
— You look nervous… — comentou com um sorriso expressivo.
— I… No, I… Hmm… You know the house, I believe… Denise told me that you two met long ago, so I don’t really need to stay around.
— Where will you be? — indagou.
Olhei para ele em estado de choque, completamente especada.
— I… I will… Hmm, I guess I will be in the living room.
— Oh, ok… What name should I call if I need your help? — perguntou.
‘Pedir ajuda em quê? Só se for para tirar a camisola…’
— Nope, you won’t need my help. Therefor you don’t need my name.
— Hmm… Ok, then! — comentou. — I guess you don’t want to know my name either…
— See what you did there? You guessed it right away! — pisquei o olho e saí de ao pé dele.
Arrepio na espinha.
Ai que homem!
Afinal… compensava receber 70 libras e um dia extra…
O homem deu uma gargalhada e subiu as escadas. Não pude deixar de olhar para o rabo dele. As calças, umas Levis, ficavam-lhe apertadas no rabo, espectacularmente bem apertadas…
— Credo! Estou a enlouquecer! — gritei.
— What? — parou de andar e olhou para trás.
— Oh, nada… I mean, sorry… nothing, it’s no… I have to go…
— Ok…
— Yeah, I have to go and watch TV… and… there is a lot of… TV to watch in the… TV room…
— Ahm? Let me guess, you just found out what TV means? — inquiriu enquanto olhava para baixo.
Dei um pouco de sarcasmo à coisa, mas acabei por nem sequer responder.
Que piada interessante…
Dei a volta e fui-me sentar no sofá da sala.
O homem/rapaz ainda lá ficara nas escadas, enquanto estava sentada no sofá enorme da sala conseguia vê-lo pelo canto do olho, parecia estar a olhar para todo o lado, menos para mim.
Pus o som da televisão mais alto.
Estava a dar Crime in Suburbia.
A mãe tinha morto a filha com veneno para formigas.
A mãe… Desta vez tinha sido a mãe, da outra vez tinha sido um pai que tinha morto o filho porque o tinha encontrado a foder a amante dele. Tudo isto acontecera na bela região de Londres. E enquanto uns matavam os filhos, eu tinha um estranho em casa com um rabo poderosamente interessante.
Um homem magro, com 1 e 70 e qualquer coisa, com cabelo castanho curto, e com uns olhos verdes espectacularmente… verdes! Nunca tinha visto um estranho tão giro, não que deixasse entrar estranhos na minha casa em Portugal. Aquele mais parecia o Tiago, numa versão bem mais velha… e bem mais engraçada. O homem devia ter perto dos seus 30 e muitos anos, se não tinha, devia estar lá perto, e tinha pronúncia americana, o que não fazia muito sentido para quem estava em Londres a trabalhar nas obras…
Na minha cabeça nada faz sentido, nem mesmo eu.
Olhei para as paredes que me cercavam, pareciam mover-se a cada passo que ele dava lá em cima. Pensei fechar a porta da enorme sala, de paredes brancas, mas até de me levantar eu tinha medo, mesmo quando sabia que pequenos bichos-carpinteiros pareciam se ter enfiado no meu rabo, nas mãos, nas pernas, na cabeça, no cérebro, na… em todo o lado! Tinha bichos-carpinteiros, imensos bichos-carpinteiros em todo o lado, principalmente em sítios onde não devia haver qualquer tipo de bichos, muito menos daqueles que nos fazem querer levantar do sofá, subir as escadas e despir o estranho que lá estava em cima.
Olhei novamente para a televisão… mas nem o Crime in Suburbia me conseguia segurar ao sofá. Já tinham passados 10 minutos, e os bichos continuavam de trás para a frente, de frente para trás, e o formigueiro acentuava-se cada vez mais no sítio onde não devia haver formigueiro – o meu rabo!
Lá me convenci a ficar sentada nem que fosse por mais 10 ou 20 minutos. Tinha de aguentar, o homem estava lá em cima a trabalhar, e eu não queria propriamente fazer figura de parva… Oh wait! Eu estava exactamente a fazer figura de parva!
A minha eventual relação com a televisão acabou por acabar rápido de mais. Foi uma espécie de break-up triste e bastante dolorosa, visto que quase atirei o comando contra ela quando me apercebi que os bichos-carpinteiros nojentos não me queriam largar o rabo.
Conseguia ouvir o barulho dos passos que iam surgindo lá em cima. Por cada passo, mais um solavanco de desespero no meu coração, o estranho giro estava-me a fazer ficar com a adrenalina a andar a 300, num corpo onde a tolerância de velocidade é de apenas 150. Mais 5 minutos sentada e acabava por ter um ataque de loucura crónica, não que um Xanax não resolvesse.
Levantei-me, tinha de ser! Se era para enlouquecer que enlouquecesse depois de chegar ao 2º piso.
Com os passos pequenos entranhados nos meus pés, caminhei baixinho, sem fazer barulho, pelas escadas de alcatifa creme acastanhado. Aquelas escadas faziam uma espécie de curva, por volta do quarto e do sexto degrau. A parede escondia a parte de lá da curva, parecia mesmo uma parede no meio de um nada completamente desnecessário.
Cimo das escadas e quase entrei em depressão.
Andei ainda com mais cuidado…
O desconhecido estava no quarto de Jane e de Tomas.
Encostei-me à parede junto da porta e olhei para dentro. Estava ajoelhado no chão com o rabo para o ar. Os braços estavam completamente livres de roupa e tinham ar de terem sido tonificados no ginásio, ou tonificados em casa com flexões desnecessárias em cima da cama, ou…
O meu coração saltou de emoção, uma espécie de síndrome de Estocolmo parecia ter surgido, só me tinha esquecido de uma pequna parte – eu não tinha sido raptada, e o estranho era tudo menos um estranho para a dona da casa que já o conhecia há dois anos.
Um estranho em casa com bom estilo, considerando que trabalhava nas obras, que não tinha cara de ser pobre, ou provavelmente teria roubado as calças Levis e a camisola azul da Lacoste… Bem, vistas as coisas podia ter roubado, ou ter adquirido de forma honesta, a não ser que tenha enriquecido a arranjar casas, ou algo parecido, em Londres o arranjo de casas é caro, e ele…
— Your parents didn’t tell you that peeking isn’t pretty?
Dei um salto tremendo quando o ouvi falar.
— How the hell did you… — indaguei ao olhar em volta.
— I’m used to it… people do it everytime… — comentou enquanto apalpava o rodapé branco do quarto.
— You are a little bit cocky, aren’t you?
— Not more than you are! — comentou entre linhas.
— You don’t even know me… — queixei-me. — You don’t even know my name! You don’t know me. How can you tell I’m cocky?
— Right spot! — disse.
Finalmente olhou para mim. Os olhos verdes dele mostravam-se melhor que lá em baixo quando eu lhe tinha aberto a porta.
A idiotice de adolescente parecia não ter desaparecido com o avançar dos anos, e a cada momento que ele me mostrava os olhos dele, eu tentava respirar fundo para não o imaginar a tirar a camisola e a mostrar-me a barriga de cerveja que não tinha.
Puxei o meu cabelo para trás e olhei-o de novo.
— Right spot?! — indaguei.
— Yes… You just said I was cocky… but you don’t even know me either…
Choque, momento de pausa…
— Ooh! — percebi. — I see what you did there — comentei. — Am not giving my name, though…
— I’m not asking you that…
— I was only checking if you were… if you…
— You’re telling me that you came to see if I was working?
— No… yes! I… — olhei à volta. — I have to go downstairs, I need to… Hmm, I have to… dinner… I need to make… I have to get the… dinner ready… yes, dinner!
Com tanto gesticular de dedos, braços, pernas, tenho a certeza de que o estranho estava a ficar completamente tonto.
— Did you wanted to check if I was working, or were you just checking me out? — indagou indo ter comigo à porta.
Senti o sabor do perfume dele.
‘Que tipo de construtor civil usa Armani?’
Vi-o caminhar até mim, até bem junto da porta. Todos os meus sentidos se ligaram, parecia que tinha ficado preparada para sentir tudo, conseguia ouvir os passos dele, o meu coração a bater cada vez mais rápido, conseguia sentir o odor do perfume dele, o cheiro dele, mesmo aquele sem perfume. Os olhos dele estavam intactos, pareciam não tremer, e só olhavam numa única direcção, olhavam para mim, aqueles olhos verdes espectaculares olhavam unicamente para mim.
Senti um arrepio quando encostou o corpo dele junto da porta e me olhou bem fundo nos meus olhos.
— I was just… — comecei. — Oh man, I’m older than this, I can’t stay here like, err… I… — gestos e mais gestos, o homem ia ficar completamente tonto.
Virei as costas e virei na esquina para descer as escadas.
— I’m Jeremy, by the way… Jeremy Renner.
— I didn’t ask for your name!
— But now you know!
— Whatever!

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Sex Set 14, 2012 8:41 am

Venho só aqui actualizar uma pequena situação e colocar a foto do rapaz/homem.

1º Não é uma Fiction de Universo Paralelo - o homem é mesmo 'homem das obras', tem mesmo um negócio com o melhor amigo dele.

2º Esta Fiction é para MAIORES de 18.
Só dei por isso enquanto estava a escrever. Peço desculpa!

3º O homem:
[que aqui parece mais um colega do liceu, por parecer mais novo que todos os outros... deve ter o mesmo problema que eu, toda a gente diz que ele é mais novo do que é... --']



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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por PandoraTheVampire em Sex Set 14, 2012 2:05 pm

Muahaha amei a reacção dela, como já te tinha dito. Parecia uma miudinha sem saber o que dizer. E hey! Isto está diferente do que já me tinhas mostrado! Traitor!! xD Bem, já que tenho mais para ler, aqui vou eu! :p Beijokaaaa

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por miaDamphyr em Sex Set 14, 2012 9:01 pm

Well, Marfire na verdade não tens com o que discordar de mim não é? Afinal cada um gosta do que lhe convém. E é claro que os livros em português se encontram todos traduzidos, só um pão para não perceber isso, eu disse que gostei da mistura da Cata, e continuo a gostar porque é diferente.
Quanto ao segundo capítulo Ohhh yeahh, só estou aqui a imaginar o rabo do homem, ui. Eu já sabia que só poderia ser um gato a aparecer por ai, ihihihiih. E a forma como ela fica toda atrapalhada quando está ali pertinho dele, tal como eu, consegui mesmo ver a cena. Pobre moça, ui, Jeremy Renner.
Me gusta Cata.
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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Seg Set 17, 2012 8:22 am

Cap III

Martelada com martelada…
Som de ferramentas e Beatles à mistura.
Tudo parecia estar a ser muito calmo, tirando o facto de que nada estava calmo!
Era perto das 3 da tarde e o homem ainda estava ocupado a destruir o que outrora tinha sido um quarto enorme.
Ainda não tinha percebido bem o que Denise queria fazer ao quarto. Possivelmente queria esticá-lo ainda mais e, aos meus olhos, aquele quarto precisava de tudo menos de ser esticado, que grande já era, o quarto era enorme!
E ele martelava e martelava e martelava…
Engraçado, com tanto martelar admirei-me de o chão não ter caído.
Nem sequer consegui ignorar o barulho, mesmo com os auscultadores nos ouvidos. Aquele barulho irritante era desesperante, estava-me a fazer mal à consciência, há pouca consciência que eu ainda tinha.
Esfreguei os olhos de sono e desespero.
Estava a ficar irritada. Afinal não compensava mesmo nada receber 70 libras… 70 libras era pouquíssimo para quem tinha de ouvir o barulho enervante de martelos e de berbequins e de ferramentas que podiam ser actualizadas para umas que evitassem ao máximo qualquer tipo de barulho. Tudo bem, o homem era um prazer de se ver, mas não havia compensação, eu nem capacidade tinha para me manter sentada na sala, os bichos-carpinteiros nem sequer me deixavam ficar quieta quando ouvia o rapaz descer para ir à casa de banho. E aquele homem era tudo menos rapaz…
Cada vez que ouvia os passos dele a descerem as escadas, a minha cara ficava espectacularmente corada e eu ficava de tal forma nervosa de o ver, que tinha de me segurar no sofá para não correr o risco de, ao me levantar, cair com um ataque cardíaco.
— I think I’m going to take a bath before I get home— ouvi-o.
— Ahm?! — indaguei enquanto me levantava, finalmente, do sofá.
Que raio de homem era aquele que queria tomar banho em casa de uma cliente?
— Yes… don’t worry. Denise won’t mind.
— You’re a builder, not her best friend…
Jeremy olhou para mim e riu-se.
— You don’t really know who I am, do you?
— Yeah, I do… — cocei a cabeça. — You’re a builder, an American builder. I think… you… err… You are friends with Denise…
— Yes, we can say that I’m an American builder who’s friends with Denise…
— How come you can take a baths in a client’s house? You… Oh damn, just forget it. I don’t know where the towels are, though.
— I do!
— Who are you?! — indaguei baixinho.
— Google me!
Virei-me de novo para ele e fiquei arrepiada com aquilo que tinha acabado de ouvir.
Não sei se me senti mais mal por ter dito o que disse insuficientemente baixo, de maneira a que ele não ouvisse, ou por tê-lo ouvido dar aquela resposta.
— Why would I want to Google ypu? Are you a known rapist?
— No, dear… — esperou que eu dissesse o meu nome.
— You don’t really need to know my name — comentei com a mão na porta e os dois olhos nele.
— Ok, fine! — resignou-se. — No, I’m not a rapist, and you should be careful. A girl like you…
— Like me?! — indaguei. — What do you mean by that?
— You are too young to mess with a guy like me.
— How old do you think I am? — inquiri.
Não me apercebi de e para onde é que aquela conversa/discussão nos estava a levar.
Estava a ser demasiado esquisito estar a falar tanto, só porque o tinha ouvido dizer que sabia onde estavam as toalhas.
Com toalha ou sem ela, agora ia querer terminar a conversa, nem que fosse com dois pares de estalos. Mas quem é que raio é que ele pensava que era? Que idade é que aquele idiota achava que eu tinha?
— Probably no more than 16.
‘O que é que tu disseste?!’ indaguei para comigo.
Mas quê?! Íamos agora discutir a idade que eu tinha?
Onde uma conversa sobre toalhas podia chegar…
E o idiota a dizer que eu tinha 16 anos.
— Big mistake! — disse largando a porta e fugindo de perto dele.
— What? — indagou. — Am not right?
Ignorei e fui para a cozinha.
Jeremy veio atrás de mim.
— You’re not 16?
— No, honey. And I’m busy here.
— No, you’re not…
— Yes, I am!
— How old are you? — indagou.
— You’ll never know — pisquei o olho.
— 18… ok, maybe you’re 18, but no more than that.
Respirei fundo para não ter um ataque de assassínio não-premeditado.
A sério que fico irritada quando me dizem que sou mais nova do que pareço.
É terrível ter a idade que tenho, que não é muita, e dizerem que pareço cerca de 3 a 5 anos mais nova. Odeio! É isso e dizerem que sou demasiado adulta para a minha idade.
Uma pessoa cresce, não?
Quando era pequena era mimada e chorava por tudo, agora, que tenho mais idade, não posso estar, propriamente, à espera que o choro resolva o problema por si só… Embora que às vezes ajude deitar três ou quatro lágrimas.
Claro que tenho vestígios de criança mimada. Não gosto que me critiquem, e aí está: não gosto, odeio que digam que sou mais nova do que realmente sou, mesmo que quando for mais velha, fique feliz por dizerem que sou mais nova… mas tenho a certeza que os idiotas que dizem que sou mais nova, ainda não olharam bem para a minha cara…
Não! Esses preferem olhar para o facto de ser pequena e baixinha, e parece que têm a sabedoria na ponta da língua. Tal como aquele que estava à minha frente.
Quase podia dizer que ele tinha idade para ser meu pai, devia ter uma idade bem perto à do Jared Leto, talvez um pouco mais velho… Os seus 30 e tal, 40 e tal… não mais que isso. O Jared tinha 40, ele possivelmente tinha 40 também, ou menos…. Whatever!
O homem estava-me a enervar tanto, e ao mesmo tempo, em sinal de desespero que mais parecia que nunca tinha tido um homem que chegasse para mim, parecia que ficava cada vez mais babada com o olhar dele, e não era só o olhar dele, a tatuagem dele e os músculos e o rabo e a barriga e…
— I hope Denise gets home — comentei.
— Why? Are you that afraid?
— No, I… Dud, look… I don’t really want to be rude, but… I’m not used to see some… I’m not used to…
— C’mon… I’m stinky, need to have a bath… hurry up!
— I’m… err… I…
Ouvi a porta de entrada abrir-se, e o aviso do alarme despertou.
Finalmente, Denise estava em casa.
Afastei-me do homem e quase corri para perto da porta.
— Thank you so much, Catarina — disse ela.
— It’s ok… — comentei enquanto esperava que me desse o dinheiro que tinha prometido.
A porta fechou-se e a rapariga puxou a carteira de dentro da mala.
Quase posso dizer que os meus olhos brilharam de emoção. Mais 50 libras na carteira e um dia de folga que se adivinharia no futuro, e claro, mais as 20 libras que Jane me ia dar quando chegasse a casa.
— Was it too hard to deal with Jeremy? — inquiriu com uma gargalhada pelo meio.
— No, not really… — ri-me. — He’s a nice worker…
Denise olhou para mim como se estivesse a olhar directamente para o sol.
— Yeah, and that’s not only… — comentou.
— Right!
— Denise?! — ouvi a voz dele… voz de macho. Qual Jared Leto qual quê?! Aquela voz é que fazia as raparigas arrepiarem-se todas. Eu pelo menos arrepiava-me.
E, mais uma vez, lá estava eu a sonhar alto.
O homem, na volta, era casado e com trezentos filhos, e a viver numa barraca… o que era estranho, porque se vivesse numa barraca não teria dinheiro para comprar Armani, calças verdadeiras da Levis, as quais usa para as obras, e camisolas Lacoste…
Tentei descer, mas sentir que ele estava atrás de mim não foi fácil.
Sacudi a cabeça, dei um abanão espiritual e mental e virei a cara.
— I think you are good to go, honey — Denise disse enquanto olhava para os braços de Jeremy.
‘Não vai sair coisa boa daqui… ai não vai, não!’
Quase me prometi a aparecer lá em casa de novo, só para puder mandar vir com o homem outra vez, mas tinha noção de que não o voltaria a ver. Um homem das obras não se costuma dar com famílias que vivem em Wimbledon, e se se dá, é porque para além de trabalhar nas obras, também desentope canos!
— See you later, honey.
— See you, Denise!
Saí da casa com os dentes a tremer.
Coisa boa não ia acontecer!
E eu, de repente, comecei a querer que nada de bom acontecesse.
O sorriso daquele homem tinha ficado colado na minha mente. O olhar dele, aqueles olhos verdes que me faziam lembrar o Tiago, tinham-me ficado presos bem lá no meio do meu córtex. E bem perto da minha libido tinha ficado marcado aquele corpo que mal tinha conseguido ver, mas só os braços tinham-me feito ficar a sonhar.

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Set 17, 2012 3:12 pm

Não vai sair coisa boa não! Disso tenho eu a certeza! Muahahaha. Que venha mais que eu já sei o que se vai passar :p

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Fox* em Sex Set 21, 2012 8:59 pm

Oh... Acho que ela se acabou de arrepender de sair daquela casa!
Nunca pensei que um homem das obras pudesse dar a volta a tão obstinada rapariga, mas foi bom ver as mudanças que lhe passaram pela cabeça! Ou pelo corpo, take your pick! :D
Agora, será que eles se vão ver outra vez? Melhor, será que ela vai aguentar não "googlar" o rapaz? Oh, eu ficava mesmo curiosa, mas ela é temperamental o suficiente para levar a sua avante!
Nem que seja contrariada :D

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por miaDamphyr em Sab Set 22, 2012 9:33 pm

O que a Denise ficou lá a fazer com o homem-gato-com um rabo sexy? Ahhh, para quem esperava encontrar um velho sujo, acho que agora a Mariana é que ia violar o tipo. Muahahahah. Gosto! Principalmente da forma como ela fica quando está perto dele. Ótimo! ;) Mais Cata.
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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Ter Set 25, 2012 7:50 pm

Capítulo IV

As discussões tinham começado a ficar cada vez mais intensas no Facebook.
Todos os dias havia discussão com o meu ex-namorado. Não havia um dia que Alexandre me deixasse respirar sem antes me querer tira o folego por completo.
Há cerca de três meses que não dava um beijo, que não sentia o toque de um homem, e deus me livrasse de voltar a sentir mais que um doce abraço, ou um toque mais apropriado na pele, ter sofrido de violência doméstica sem nunca me ter casado, tinha ficado marcado para o resto da vida, e talvez fosse disso que eu estava a fugir quando decidi ir para Inglaterra viver.
A história é bem curta, ele bateu-me, eu aguentei. Bateu-me outra vez, eu aguentei mais uma vez, à terceira foi apenas uma de muitas mais, mas aí já eu não tinha capacidade para aguentar, não fosse ele exactamente da mesma idade que eu, e quase sem testosterona. Só não lhe parti o nariz porque não gosto de ver sangue, só o caos que se tornaria de ter de lavar o chão ensanguentado que ficaria da luta… Não! Apenas lhe dei um pontapé no meio do pequeníssimo Zezito e por ali me fiquei.

*
Acordei com as lágrimas nos olhos.
Mas que raio de vida era aquela. Tinha de sair desesperadamente dali e…
Olhei para o lado e vi o meu quarto em Londres. Um quarto pequeno com as paredes brancas e com o chão alcatifado, da mesma cor que a alcatifa das escadas. Um quarto com um roupeiro branco e com pouco tralha, e bastante confortável
Não estava mais naquele corredor horrível que um dia tinha sido marcado com o horror completo de levar pancada de um homem que não queria nada a não ser espancar-me. Não estava lá, mas parecia que estava, sentia-o odor dele no meu nariz…
Rapidamente abanei a cabeça, não podia pensar mais naquilo, ficaria louca se continuasse a pensar naquilo, ainda para mais, tinha mais com que me preocupar, sobretudo porque hoje era dia de ir jogar ténis com os pais dos pequenos, e a Denise ia também.
Graças a deus, ou graças a Jane, não era dia de trabalho, era um dia de folga que ia aproveitar para ir jogar ténis e para conhecer Wimbledon, talvez encontrasse um rapaz engraçado que me pudesse mostrar os campos.
Levantei-me da cama com noção plena de que não me estava a sentir muito bem. Mas coisas do passado no passado têm de ficar, e mais tempo menos tempo, eu tinha de acabar por esquecer, reprimir sentimentos já não importava, visto que a vingança já estava feita, mas tinha de parar de pensar no assunto. A vida continuava, e a minha não ia parar assim tão de repente!
Desci depois de tomar banho.
— Good morning, honey. Did you sleep well? — perguntou com simpatia.
Acenei, escondendo os olhos brilhantes que eram visíveis.
— So, I didn’t ask you the other day… Was it all ok while you were in Denise’s house?
— Yes, everything was fine.
— Did you get to know Jeremy?
— Yes.
Credo! Mas ele era assim tão falado?
Por momentos lembrei-me da teoria da limpeza dos canos. E acho que estava bem certa nessa questão. Ninguém fala do homem das obras à amiga, a não ser que o homem seja mesmo bom trabalhador, ou se porte mesmo muito bem a fazer coisas que não o seu próprio trabalho. Dar uma de dona de casa desesperada não era bem o que eu tinha pensado ser quando tinha ido trabalhar para Londres.
— He’s cute, isn’t he? — indagou com as bochechas coradas.
‘Tu também?!’ indaguei para comigo.
Oh meu deus! O homem estava a dar-nos a volta à cabeça.
— Yes… Yes, I think so…
— You know… I’m married but I’m not blind.
Dei uma gargalhada que fez Jane rir-se também.
— He’s coming to play tennis with us too… — comentou.
Graças a deus que não tinha começado a tomar o pequeno-almoço. Não ia ser bonito cuspir o sumo de laranja, ou o leite de chocolate, e não seria nada agradável, muito menos saudável, engasgar-me com um bocado de sandes ou torrada.
— He is?
‘Porquê?!’
— Yes… Denise invited him.
— Ok…
— Maybe he can give you some tennis lessons…
Sim, porque agora o que eu precisava era que um homem daqueles me ensinasse a jogar ténis. E que raio de homem era aquele? A sério, eu devia estar com a cabeça a 900 km/hora. Das duas uma, ou o rapaz era conhecido pela zona, o que não era de admirar, ou eu estava completamente desactualizada. Eu não sabia que havia um novo protocolo na construção de casas… Na volta devia haver no contrato uma cláusula qualquer que diria: «ao assinar este contrato está obrigada a convidar o construtor para ir jogar ténis consigo.»
Lições de ténis de um homem que me tinha chamado convencida e que tinha dito que eu tinha 16 anos.
Sim! Eu é que lhe ia dar uma lição de bom gosto…
Subi as escadas com um sorriso na cara.
— Ai Mariana, o que é que tu vais fazer?! — falei para mim própria.
Quase posso garantir que o meu olhar diria tudo. Se o homem ia jogar ténis, de certeza absoluta que não ia com a roupa das obras, o que para mim já era bastante delicioso de imaginar… ver aquele homem outra vez, com aquela tatuagem no braço, com aqueles olhos espectacularmente bonitos e com aquele sex-appeal todo…
Vesti umas calças brancas e um top cor-de-salmão. Os meus All-Stars brancos e pretos, penteei o cabelo, passei um bocado de gel na franja, atei-o atrás, meti um colar vintage e off to go! Estava pronta para ir ver o bonitão da zona.
Esfreguei os olhos quando me sentei em cima da cama. Percebi o quanto idiota estava a ser. Parecia que tinha conhecido um extraterrestre. Lembrei-me do perfume dele, não o Armani, mas sim o cheiro dele, que apesar de tudo não cheirava a suor ou coisas nojentas como algo parecido. Lembrei-me da conversa idiota que tínhamos tido, e lembrei-me do quanto amalucada tinha ficado quando tinha saído de casa de Denise.
— Mary!
— I’m ready!
— Ok, let’s go then! Tomas it’s here!
Olhei em volta e vi se faltava alguma coisa… telemóvel, iPod, carteira… estava tudo! Apenas decidi deixar o juízo a dormir em cima da almofada. O pobre coitado também precisava de descansar um bocado.
*
A viagem de carro foi tão secante…
Ouvir os meninos falarem era engraçado, mas começava a cansar um pouco, não fossem as coisas que eles diziam completamente descabidas. Para evitar adormecer com as conversas que ia ouvindo, ia olhando para o lado de fora do BMW preto. As árvores iam passando por nós numa velocidade quase extrema, e a visibilidade dos campos era completamente brilhante. Campos verdes, com imenso espaço para respirar um ar que, há muito, deixara de ser puro.
Os meus olhos quase se emperravam com a sensação de sono e de desconforto, e lá voltavam as pobres das borboletas. Pareciam se ter enfiado no meu estômago enquanto tomava o pequeno-almoço.
Mas porque raio estava eu tão nervosa?
10 minutos de viagem e pronto! Estávamos na área de ténis de Wimbledon.
Saí do carro e de novo com bichos-carpinteiros no rabo. Precisava de fazer uma exterminação por ali, já estava a ficar farta com os consequentes bichos enervantes, não tinha piada nenhuma, parecia que não havia mais nada que desejar ver aquele homem.
‘Credo! Mariana ganha um pouco de juízo nessa cabeça!’ pedi.
— Hello!
Alguém me falou, e mais uma vez os eus sentidos ligaram-se todos, como se uma loua eu fosse. Era a voz dele, a voz de homem meio rouca, meio forte…
Senti um arrepio na espinha quando percebi que o homem se tinha chegado perto de nós. Senti os olhos dele na minha nuca.
E mais um arrepio na espinha.
Tentei respirar fundo, estava junto de duas crianças e não queria dar uma de miúda necessitada, não que tivesse vergonha de dizer que já tinha saudades de ser tocada, mas não queria pensar nisso enquanto estivesse ao pé daqueles quatro meninos e dos pais deles.
Senti a minha cara corar desrespeitosamente e quase pude afirmar que o meu coração ia cair da caixa torácica quando senti o toque dele nas minhas costas.
— Hi! — disse dando-me um beijo na bochecha.
Já que estava completamente fora de controlo, mais valia fingir que me conseguia aguentar em pé. De tudo, estava era com medo que os pais dos meninos percebessem que dentro de mim estava um vulcão que parecia querer rebentar cada vez que punha os olhos em cima daquele desconhecido.
— How… How are you? — perguntei.
Ele sorriu e acenou.
— I’m great. You?
— I’m ok…
— Hi! — Denise cumprimentou-me.
Parecia que o tinha feito de propósito, parecia que nos tinha interrompido de propósito, como se quisesse afirmar que o homem das obras era dela e de mais ninguém.
— Ready to see the adults playing?
— Yes, sure… — comentei.
Sim, porque de adulta não tenho nada… traço traço, aspa!
— I want to play too — Marcus, um dos filhos de Denise comentou.
— I know honey. You will, don’t worry! — piscou-lhe o olho, ao mesmo tempo que segurava na mão de Jeremy.
Quase dei um salto para trás quando a vi tocar na mão dele.
Olhei chocada para os dois que agora se insurgiam à minha frente, que agora se encontravam bem de costas para mim. Como é que… Ok, a minha teoria estava certa!
E, enquanto andava de mão dada com Denise, o homem olhou para trás e piscou o olho.
Fiquei mais vermelha que um tomate maduro.
Senti o meu coração sofrer com o rasto de adrenalina que agora ia aparecendo nas minhas veias. Senti o meu corpo tremer de emoção e de desgaste por quase não aguentar.
Que homem perfeito! Tinha uma t-shirt branca, da Lacoste, outra… e tinha uns calções pretos que permitiam ver os músculos tonificados da perna. E aqueles braços, aquelas mãos, aquela cara, aquele queixo, aqueles olhos, aquele cheiro… O perfume era outro, mas eu quase jurava que não era o perfume que me estava a fazer ficar viciada nele, mas sim o cheiro dele…
Memo: internamento num hospício.
Esperei que se afastassem um pouco mais com os miúdos, por não estar a conseguir resistir ao que estava a ver naquele preciso momento.
Não acreditava que aquele homem podia ser tão giro, e ao mesmo tempo tão… A sério que não conseguia pôr o meu dedo no assunto.
Fosse o que fosse, a fúria de o querer estava a tornar-se demasiado inaceitável. Só conhecia o homem há um par de horas.
Já tinha sentido aquilo tudo, já conhecia aquele sentimento, aquela emoção, aquele querer estranho, mas nunca de uma forma tão rápida, e não de uma maneira tão crua.
Não era velha, tinha apenas 21 anos, mas tinha noção de que já não tinha idade para me entusiasmar com alguém que muito mal conhecia, muito menos tinha idade para não conseguir reprimir os desejos que sentia. Ainda para mais estando ao pé de crianças que o conheciam…
Tinha noção concreta de que não era paixão o que eu sentia, de maneira alguma.
Tinha falado uma ou duas vezes com ele, e a verdade é que sou mulher acima de tudo, e tenho a minha vontade e os meus desejos, e naquele instante o desejo era aquele – puder tocar-lhe!
‘Vais-te meter em problemas!’ comentei para mim mesma.
Mordi os lábios!
Parecia uma el puta com aqueles pensamentos malucos e descuidados.
Que não estivesse por ali ninguém que conseguisse ouvir pensamentos, porque se não, estava completamente lixada!
Cheguei perto do campo de ténis, depois de me ter apressado a vestir.
Denise estava farta de lançar a bola a Jane que por sua vez parecia estar mais preocupada a olhar para o rabo do marido.
Marcus, Eleonor, William e Linny entretinham-se a jogar um com o outro, enquanto eu esperava que o caos que se tinha tornado o meu corpo, passasse de vez e que me deixasse de chatear. Não ia aguentar estar ali se não parasse de pensar em coisas em que não devia pensar.
Por mais jogos que eu fosse jogar, a verdade é que o descontrolo parecia estar-se a mostrar e eu não queria dar cabo do meu trabalho como au pair. Fantasias eram para ficar na cabeça e não mais que isso… ok, entre a cabeça e a cama!
Fui à casa de banho lavar a cara e pensar em coisas como o Halloween, em jogos de poker, o iPod cheio de músicas… pensar em tudo o que não envolvesse homens à mistura, principalmente homens que tinham músculos em tudo o que era sitio…
Olhei-me ao espelho, quase sem acreditar no que via.
Mais velha, com mais sardas, com a pele mais velha, com os nós dos dedos mais brancos e com mais calos nas mãos e…
Mas o que raio estava eu ali a fazer?
Saí da casa de banho e fui a correr para o campo como uma miúda pequena. A vontade que eu tinha de ser mais pequena, mais nova…
E lá estava ele por ali, a jogar…
— So… are you busy with the kids? — perguntou enquanto se punha atrás de mim e dava um swing com a raquete.
— No, they’re over there… — apontei.
— You don’t want to see them practicing?
— No, not really — mandei a bola para o outro lado. — They’re playing over there with Jane and Tomas, and until someone throws a ball directly to Linny’s head, I’m not really in the mood to look at them.
— What are you doing here then?
— Trying to play, I guess.
Jeremy olhou de lado e deu uma gargalhada.
— Are you sure you don’t want to have lessons before trying to play with me?
— I would have some if you were my teacher.
Estranho silêncio, mais da parte dele do que da minha. Tinha acabado de dar uma de Edward Cullen, por E.L Linny. Um pouco mais sincera, um pouco mais educada, mas da mesma forma bem explícita. Nem eu acreditava no que tinha acabado de dizer.
Oh well! Tinha saído…
Ups!
— We know each other for about…
— Don’t look at me… — queixei-me. — I’m just being honest — disse ao mesmo tempo que lançava a bola de novo. — And, by the way, I don’t count the days of how long I know you.
E, com um silêncio próspero, ele olhou para mim.
Cada vez que os olhos verdes dele olhavam para os meus, sentia o meu corpo ficar cada vez mais trémulo, mal sentia as pernas. Ou estava desesperada, ou pura e simplesmente estava a ficar maluca… ou talvez fossem as duas coisas a acontecer ao mesmo tempo… estava louca, maluca e desesperada!
— You are a girl… a…
— You are a man… Perfect fit!
— I’m 41...
— I’m 21.
— You are what?! — indagou.
— 21!
— Really? You don’t…
Mais uma daquelas e despejava-lhe a raiva em cima.
— I could be your father — comentou.
— You're not...
— I'm older...
— I’m not looking for a teenager.
— I don't want to have babies.
— I’m not interested to be a mother.
— You're young... — he said.
— You're hot!
‘What the fuck!’
— I don't want to get married.
— I don’t intend to be your wife…
— I… — ‘ganhei!’ — You can't take a no for an answer, can you? — indagou.
— No… Well, I can but you haven’t said no, yet.
Miséria de conversa!
Por momentos, mergulhei num pensamento qualquer de adolescente predestinada a sonhar. Não que ele fosse o protótipo do rapaz da porta do lado, não era, nada que se parecesse. Além do mais, já tinha deixado de ser rapaz há muito tempo. E era bem melhor que o homem que podia ser meu vizinho.
Por cada segundo que passava, era mais um pêlo do meu braço que se levantava, tudo porque a minha mania de ler romances eróticos se parecia querer cruzar com a minha necessidade de viver uma paixão idiota.
— I’m…
Ajeitei o cabelo com o nervoso e com o calor que se estavam a fazer mostrar.
Ainda tivemos tempo para nos olharmos, com o ar mais estranho e, como se o ar tivesse ficado completamente rarefeito, a conversa parecia ter chegado ao fim, mesmo antes de ter começado.
A olhos vistos, eu estava a ser tão imatura quanto podia. Não o conhecia de lado nenhum e já quase me propunha a dormir com ele… E, às vezes, a paixão tinha destas coisas, mas a verdade é que paixão não existia. Não o conhecia de lado nenhum. Tanto quanto sabia, ele podia ser um homem qualquer procurado pela justiça, ou alguém que tinha o registo criminal bem limpo, que não fazia mal nem a uma mosca, e que nem sequer queria nada com ninguém, ou pelo menos comigo, afinal ele namorava com Denise, e eu tinha menos 20 anos que ele.
Os dois olhámo-nos e decidimos que a conversa devia acabar por ali. A minha compreensão tinha atingido o ponto de raciocínio, e antes que fosse demasiado tarde para recuar, acabei por terminar as palavras e acabar com a conversa.
Denise olhava para Jeremy como eu olhava para ele, talvez de uma maneira mais cheia, mais preenchida e com mais brilho nos olhos. Duas semanas depois, começava a perceber que ela estava intensamente apaixonada por ele, o que, sinceramente, não era totalmente correspondido, pelo menos aos meus olhos. Talvez não estivesse a ver bem, talvez o facto de andar ‘louca’ me estivesse a impedir de ver bem!
De uma forma muito estranha, parecia que tanto eu como ela partilhávamos o mesmo Deus. Embora, eu não tivesse nada com ele, e ele fosse tudo menos Deus.
E parecia que finalmente me estava a mostrar.
Parecia que sentia o ciúme e a inveja escorrer-me nas veias, sempre tinha sido assim… E parecia que não tinha mudado… Todos os pensamentos me pregavam a bela partida, o facto era que, quisesse ou não, aquele homem tinha-me agarrado logo no primeiro dia, e por mais indecente que tudo aquilo fosse, eu sentia-me bem com ele, estranhamente bem, o que me provocava pensamentos impróprios e ciúme, e um pouco de inveja quando via Denise olhar para ele.
Sentia-me bem com Denise éramos amigas, conhecidas se bem dito.
Já tínhamos estado juntas durante um dia… ou mais, dávamo-nos bastante bem, mais que o possível e o necessário, o que fazia com que todos os meus pensamentos se tornassem num drama complexo e horrendo. Não era justo para ela, eu, uma miúda de não mais de 21 anos, pensar sobre o namorado dela, daquela forma. Mas o meu instinto era forte, e ele, cada vez que me olhava, agarrava-me com os olhos verdes que, de certa maneira, pareciam perseguir-me, tanto durante o dia como durante a noite.
Mas os ciúmes são poderosos, embora vagos, e quando desci à terra, vinda de lá de cima de um céu que não me pertencia, acabei por querer-lhe desviar a atenção, e quando dei por mim tinha acabado de atirar uma bola de ténis que calhara bem perto da cabeça da mulher. Ainda lhe pedi desculpa, bem ciente do que tinha acabado de fazer, mas ela agarrou numa toalha, na garrafa de água e desapareceu juntamente com o outro casal.
Não estava em estado de choque com o que tinha acontecido, tinha era entrado em conflito com a minha cabeça.
Olhei à volta.
O campo verde estava completamente vazio, sem ninguém. Como se de um nada se tratasse, como se toda a gente pura e simplesmente tivesse desaparecido, quando abri de novo os olhos, apenas vi Jeremy perto de mim.
Estava sentado no chão de relva a beber água.
Bolas! Até a beber água aquele homem tinha estilo…
— So, what’s up with you and Denise? — indaguei sentando-me ao lado dele, enquanto olhava em volta e não via ninguém.
Ele olhou para o lado e encontrou os meus olhos bem lá no cimo.
— Nothing… I guess.
— But you sleep with her… — comentei.
Ele riu-se e corou um bocado.
— Do you like her?
Numa tentativa desesperada virou a cabeça e bebeu mais um pouco de água.
— Why do you care?
— I – I don’t know…
— Are you interested in me? — perguntou sem hesitar.
Abanei a cabeça.
— Are you interested in her?
— No, lord no!
— Then why do you ask?
— ‘Cause, err… I ... ‘Cause you…
O silêncio depois daquele gaguejo foi tão grande e potente, que parecia senti-lo picar na minha pele.
— Do you know who I am? — indagou, enquanto esticava as pernas.
A conversa tinha mudado de tema.
— Ahm?! Are we playing 100 questions now? If we are, I’m first… I asked you something first…
— You did, and I answered with another question. Do you know who I am? — repetiu.
— Yes! In fact I do… You’re a builder. Who builds houses in South London…?
— I’m more than that… — corrigiu.
— Of course… You’re a man, 20 years older than me…
Silêncio.
— Are you a father? — perguntei.
— Hell no! — riu-se. — No, not for me… not now!
— Why not? — indaguei. — You’re getting…
— It’s my turn… — comentou docemente. — Are you a student?
— No, not anymore. Graduated from Unversity!
Fiz uma pausa para pensar na pergunta que lhe ia fazer.
— Are you married?
— No. And I’m not divorced… Are you interested in dating me?
— I… no!
— Then, why did you ask about me and Denise?
— For the same reason of why are you asking if I know who you are. I just want to know… The same way you want to know if I know you…
— Girl, that’s confusing!
— I know… You’re too! — ri-me.
Jeremy olhou para mim com os olhos bem verdes.
— Do you know me?
— Man, stop asking that! I know you’re friends… sex-budies — corrigi, — with Denise, that’s all!
O olhar daquela vez foi tão profundo, que parecia querer ler-me a alma e tudo aquilo que se passava dentro da minha mente e dentro do órgão gelatinoso dentro o meu crânio. Parecia querer consumir, com a força de um olhar, toda a informação, infiltrando-se dentro do meu cérebro a partir dos meus pequenos olhos.
— What the hell are you doing? — perguntei olhando bem fundo nos olhos dele, mas não percebendo o que ele estava a fazer.
Já me tinha habituado a olhar nos olhos das pessoas, boa lição, boa aprendizagem! Não baixo a cabeça a ninguém… Quer dizer, baixo a cabeça quando me estão a dar na cabeça… e quando estou de costas para a pessoa…
— Nothing… — comentou dando mais um gole de água e continuado a olhar para os meus olhos.
— You know that I win that game…
— What game?
— Glancing until someone closes their eyes…
— Really? — riu-se.
— Yes… So, stop looking at me… and answer me. Do you like Denise?
— Why shouldn’t I?
— Doesn’t look like you do…
— Why do you say that?
— Are you kidding?! Just answer the fucking question…
— Only if you answer mine… Do you like me?
— How can I like someone I don’t know?
— Are you sure?
— Sure of what?
— Sure that you don’t know me?
— Well, I know what Denise and Jane told me.
— What did they say?
— Nothing… — comentei.
— You know that I’m a builder for fun?!
— How can you make houses for fun?! My dad is a builder and I’ve never heard him say that he loves doing that job…
— Does he do anything else than building?
— No… do you?!
— Yes… — comentou.
— Really? You didn’t find a hobby better than that?
— We have to go now, Mariana — Jane chamou-me depois de ter atirado a raquete para o chão em sinal de cansaço.
E o jogo falhado de ténis tinha acabado, o que significava que o meu tempo com o velho sensual tinha igualmente terminado. Olhei para Jeremy que continuava a esticar as pernas e a fazer agachamentos que nem um viciado em musculação.
Levantei-me, ajeitei os calções, guardei a raquete e arrumei a minha mochila nas costas.
Lá ao fundo, Jane e Tomas deram um beijo de orgulho e olharam para as meninas. Por momentos senti agonia de ver duas pessoas casadas há cerca de 10 anos…
— Como é que eles aguentam? — indaguei em alto e bom som.
— Ahm? — indagou Jeremy ainda sentado.
— Forget about it — respondi.
Tinha sido boa a conversa, mas não estava a chegar a lado nenhum.
Levantei-me, enquanto o homem de chapéu castanho-creme olhava para os campos verdes que se estendiam à nossa frente.
— Bye! — disse exasperada.
— Already? — indagou sem qualquer interesse.
— Yes, time to go home.
— Ok, I’ll stay…
— I couldn’t even guess — disse de soslaio.
O ‘olhos-verdes excitantes’, virou a cara e deu uma gargalhada.
— Nice talking to you…
Ajeitei novamente a mala nas costas, endireitei as costas tortas e disse adeus a Jeremy.
— Mary… —chamou-me.
— Yes?! — virei-me.
— Are you really 21?
— Yes! — respondi.
Sem ouvir resposta de volta, falei.
— Is that it?
— Yes… for now! — disse.
Franzi as sobrancelhas sem perceber o que é que ele queria dizer com aquilo, mas não dei importância. Apesar da conversa da treta, estava a gostar da companhia, e achava engraçado a forma como ele fugi às perguntas, tal como eu, apenas mais velho e do sexo oposto.
Ainda não era tarde, faltavam cerca de 20 minutos para as 2 da tarde.
Nem percebi bem porque tínhamos de ir embora tão cedo.
Jane e Tomas estavam num clima tão romântico, que nem sequer me dei ao trabalhar de lhes ir chatear a cabeça, embora quisesse saber se tinha mesmo de ir com eles.
Fui atrás de Jane para a casa de banho, quando ela decidiu despegar-se do marido, mas quando olhei novamente para a frente, bem depois de me ter despedido do meu companheiro de jogo, já estava por ali sozinha. Acenei de volta à patroa e deixei-a desaparecer para junto do bar acompanhada do marido, dos pequenos e da Denise, que mais parecia querer implantar um GPS nas calças do namorado.
Estava cansada, mais por causa de ter passado a semana toda com os miúdos do que pelo jogo, porque na verdade, joguei tanto como jogava nas aulas de educação física.
Era sábado, e só tinha estado ali duas horas e qualquer coisa, nem sequer tinha tido tempo de ver as pernas tonificadas do estranho funcionarem.
Afastei o cabelo para trás e tirei a camisola, depois de pousar a minha mala num dos cacifos sem cadeado do balneário.
Não tinha suado muito, mas sentia necessidade de tomar um banho.
Um longo banho, daqueles que, quando sentimos a água correr nas costas, nos faz sentir livres e frescas. Precisava de apagar o vulcão infeliz e curioso que se ia fazendo mostrar cada vez que uma das minhas idiotas fantasias tinham provocava.
Despi o resto da roupa, liguei a torneira do chuveiro e fechei a porta que separava as cabines.


Última edição por CatariinaG' em Qui Set 27, 2012 6:27 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Fox* em Qui Set 27, 2012 6:17 pm

Hey, hey, hey, nem te atrevas a parar aqui! Agora eu fico sem saber se ela vai tomar duche sozinha ou não! That's so not fair!
Achei bastante piada aos diálogos rápidos deles! Sempre com a resposta pronta mas com um duplo significado divertido em cada linha! E é óbvio que a sedução aumentou! E a curiosidade também!
Gostei da história da Mariana, de ter sido uma vítima mas ter sobrevivido e invertido a sua sorte! Foi preciso muita força!

More! I demand! :D

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Qua Out 10, 2012 8:16 pm

Capítulo V

Deixei a água escorrer, enquanto fechava os meus olhos com força.
As imagens passavam-me na mente, como se nunca tivesse imaginado nada como aquilo.
Quando meti a cabeça para trás, senti a água correr de tal forma na cara que quase parecia sentir a pele ficar queimada. Sabia tão bem lavar o corpo, lavar o espirito, fingir que aquele era o único prazer a que não estava privada.
Sabia tão bem sentir a água cair nas minhas costas, enquanto ouvia música e imaginava estar sozinha com ele. Parecia que, finalmente, todas as minhas fantasias tinham lugar…
Parecia que tudo era possível, que não precisava de muito mais que aquilo, apenas de mim e de água que levasse com ela todos os meus pequenos pedaços de inferno divinal.
Os olhos fechados, a água a correr, o espirito quente, a sensação de calor, o toque irresistível de um homem que me queria fazer despertar todos os sentidos, a água que corria, o cheiro que de Jeremy surgia, a vontade de o ter, o toque da mão dele…
— Oh! — abri os olhos em estado de choque e com o coração na boca. — What the fuck are you doing here? — indaguei tapando o peito.
Tapou-me a boca com um beijo e encostou o corpo vestido ao meu corpo nu.
Senti a minha cara escaldar e esfriar ao mesmo tempo…
Uma coisa era fantasiar, outra coisa era tê-lo literalmente à minha frente, a ver-me nua, a tocar-me…
— Get the hell of…
— Shh! — pôs o dedo à frente dos meus lábios e beijou-me o pescoço.
— What the…
— You told me you wanted me…
— But I…
— Shh… No one should know I’m here…
— I… You don’t…
— Shh…
Deu-me um beijo no pescoço, um daqueles que desejamos guardar como recordação, que nos faz ficar arrepiada, que nos faz tremer a espinha dorsal.
Um beijo e outro, guardado num intimo de uma paixão que não existia, apenas um luxo de prazer que ele e eu queríamos sentir.
Quase lhe pedi que me desse um beliscão para ter a certeza absoluta que aquilo estava a ser real.
Senti todos os beijos dele, todos os maiores, todos aqueles mais pequenos, todos os que se escondiam por entre a água, todos os que se insurgiam, ao mesmo tempo em que ele afastava as minhas mãos do meu peito, e as punha junto do rabo dele vestido, enquanto ele punha as dele junto da minha barriga e cada vez mais para baixo.
Gemi por querer mais, por querer que ele me mostrasse o que estava debaixo de toda aquela roupa. Queria senti-lo todo, queria as mãos dele, os braços, os beijos, os olhos, queria o cheiro dele, queria tê-lo num instante contínuo, queria que ele me mordesse, que ele me tocasse, que me fizesse desejar não parar de senti-lo junto da água.
E ele continuou a beijar-me o pescoço, a cara, e finalmente deu-me um beijo longo nos lábios enquanto me fazia sentir única. Arrepiei-me com o sentimento de medo misturado com a excitação de não estar a imaginar, de realmente estar a ser beijada por ele.
E o momento foi tao contínuo, e tão irreal, e tão excitante que, em tantos minutos de silêncio, mal nos apercebemos que Gillian tinha entrado em casa.
A madame tinha-me pedido para tomar conta dos miúdos enquanto ela ia a Itália durante o fim-de-semana. E eu começava a perguntar-me, eu era au pair dos filhos de Jane, ou au pair dos filhos dela?
Era Domingo.
Ouvi a porta do corredor abrir enquanto eu começava a tirar a t-shirt de Jeremy.
— Shit! She’s here! — comentei enquanto me afastava de um beijo.
Mas mesmo assim ele não parou de me beijar e de me tocar entre as pernas.
— Oh, please… oh… — gesticulei. — Shit… Jeremy, please… I…
— I want to touch you…
— Don’t… I…
— Mary! — ouvi a voz dela perto da casa de banho.
— Shit! — comentei.
Empurrei Jeremy para fora da base de chuveiro e mandei um berro.
Vi-o quase cair junto da banheira, ao lado do lavatório enorme.
— I’m in the shower — respondi a Gillian.
— Have you seen Jeremy? — indagou.
Senti o medo entranhado na minha espinha, enquanto apertava a perna direita contra a esquerda, quase a rezar para que parasse de ficar excitada. O homem olhou para mim, depois de ganhar equilíbrio, deu três ou quatros passos e chegou os lábios dele aos meus.
— She’s here, man! Stop… — pedi baixo. — No, Gillian. I haven’t seen him! — continuei.
Olhei em estado de choque para ele.
Se Gillian descobrisse que eu tinha tido um encontro maluco com o namorado dela, dentro da base de chuveiro, na casa dela, era mais que provável que fosse despedida, tanto por ela como por Jane.
Se fosse mãe, não queria que os meus filhos tivessem uma au pair que fantasia parte da sua vida com um homem que não conhecia nem há cerca de duas semanas.
Enrolei a toalha junto do corpo e olhei para o homem que se encontrava completamente molhado.
— Take this! — comentei dando-lhe uma toalha. — Don’t make any noise. And, please, turn off your cell-phone, she will probably call you.
— You look so…
— Stop! You’re 41, for Christ sake! Have some piece of mind!
Ele riu-se e tirou a t-shirt molhada.
Olhei para a tatuagem preta que empenhava no braço. Já era velha, há muito que não era preenchida. Já estava velha, mas ficava-lhe bem na mesma, e até ali, era a única que eu conseguia ver no corpo dele.
— Family crest…
— Didn’t ask — respondi enquanto me vestia. — She’s going to kill me if she finds out that I… that I… that you… that we…
— That I almost made you cum?
Engoli em seco e fiz cara de indignada.
As minhas sobrancelhas levantaram-se.
— Don’t… God, gross! Don’t say that word. That’s disgusting… That err… — sussurrei.
— Oh, c’mon. Don’t tell me you are…
— No, of course not! And shh… I need to go downstairs. Stay here! I’ll… I’ll make sure she doesn’t come here.
— Mary… — Gillian novamente. — Jeremy forgot his tools here. I called him but he didn’t answer, I’m going to his house. Be right back!
Jeremy olhou para mim.
Conseguia ver a vontade que ele tinha de soltar um escrupuloso sorriso junto de uma gargalhada absolutamente inapropriada para o momento.
Os olhos verdes dele mostravam o quanto tímido ele costumava ser, e o quanto safado ele se tinha tornado naquela tarde.
Tinha um olhar malandro, safado e um tanto ou quanto malicioso, algo que junto me ficar cada vez mais aflita. Era o oposto dele próprio. Ele era tímido, já o tinha percebido, não falava com muito mais gente, a não ser comigo, com Gillian e com o pessoal que ele já conhecia. E no entanto, naquele instante, tinha mudado imenso, tinha ficado assim, safado, com os olhos quase escuros de completo desejo.
Ouvi os pés descalços de Gillian subirem e descerem as escadas, como em busca de qualquer coisa que ela tivesse deixado perdida na casa. Esfreguei a mão na cabeça a pensar no que estava a acontecer. Estava fechada na casa de banho com um homem que mal conhecia, mas que me provocava um desejo interior dentro de mim.
Olhei-o de cima a baixo, enquanto mordia o lábio, ao mesmo tempo que abanava a cabeça e pensava que aquilo era completamente errado, que não o podia fazer, que ele era mais velho, e que acima de tudo eu tinha de respeitar o meu corpo, e principalmente a casa de quem me tinha contratado para cuidar da casa e da família.
Durante aqueles segundos, mantive-me quieta junto da porta, quase esfregando-me contra a parede, enquanto Jeremy ia olhando para mim e para as minhas pernas.
Via-o completamente encharcado, como se tivesse chegado de um banho de chuva. O aquecimento estava ligado, mas conseguia vê-lo tremer.
Ouvi a porta de casa bater, e só então consegui respirar fundo de alívio. Mas nem eu nem Gillian, muito menos Jeremy, nos apercebemos que, o disfarce de esconder o facto de ele ainda estar em casa, não tinha sido completamente ganho, e quando dei por mim, já Gillian tinha entrado novamente em casa.
— Mary!
— Yes…
— Jeremy’s motorbike is parked on the garage…
Olhei aterrorizada para o homem que, devagar, parecia querer atacar-me novamente.
Encolheu os braços, como se não se lembrasse de nada que nos salvasse daquela triste e idiota situação, e sentou-se em cima do lavatório, enquanto olhava lá para fora, como se quisesse dizer que a culpa era toda minha e que eu é que me tinha de tirar daquela triste situação.
— What should I… — comecei baixinho.
Encolheu novamente os ombros e olhou para o chão.
— I… He said that he was going home… I don’t know… — tentei responder.
— Did he left too long ago? — indagou.
— I got to go downstars… — sussurrei com a raiva entranhada nos dedos, na boca, na língua, nas mãos… em tudo o que era órgão e que mexia. — Please, stay here! — pedi enquanto enrolava a toalha na cabeça. — Be right downstars, Gillian! — berrei.
Abri a porta da casa de banho e tranquei-a o mais rápido que consegui.
Tinha os nervos à flor da pele.
Se fosse despedida tinha de voltar para Portugal, e isso, sem dúvida, que estava completamente fora dos meus planos de adolescente tornada adulta.
Respirei fundo, muito fundo, o melhor e mais rápido que pude, antes de descer as escadas para ir para o piso inferior.
Queria tudo neste mundo, menos ser apanhada a comer o namorado da amiga da minha patroa.
Pelo canto das escadas, consegui ver Gillian encostada na cómoda do hall de entrada, a mexer no iPhone. Conseguia ver o desespero espalmado na cara dela, enquanto digitava qualquer coisa no telemóvel. A respiração dela era curta mas forte, parecia que se via o ar expirado. Podia-se ver, ao longe, que estava nervosa e chateada e desesperada, completamente desesperada.
E também eu estava, mas não pela mesma razão, embora pelo mesmo porquê.
Senti as minhas pernas tremerem a cada degrau que descia.
A minha respiração tornava-se cada vez mais pesada, e eu já imaginava cenários furiosos e momentos de escândalo, quando e se ela acabasse por descobrir que eu tinha tido um encontro sexual com Jeremy, o construtor.
— He said he was leaving — menti.
— I’m worried, Mariane…
‘O meu nome é Mariana! Com A!’
Ignorei.
— He doesn’t do this… he always drives his motorcycle. And if it’s still here…
— He may have found a friend or someone and met them for coffee…
— Really? — e mais uma vez, olhava para mim como se estivesse a olhar directamente para o sol. — He’s not from here! He lives in Los Angeles the whole year, it’s not like he has that many friends in London.
‘E isso faz com que o pobre coitado não tenha amigos em Inglaterra?!’ indaguei para com os meus botões.
— He may have friends in here… maybe neighbors, since he lives in the up there in the Village.
Wimbledon Village é a parte mais rica daquela região em Londres. A maior parte das lojas mais caras, estão espalhadas por aquela zona, entre Wimbledon Village e Fulham Brodway. Um pouco mais à frente das lojas, existem grandes empreendimentos modernos, e outros mais clássicos, onde se encontram a maior parte das casas mais ricas da região de Londres, onde a maior parte da classe média alta, e da classe alta, moram.
Não conhecia Jeremy de lado nenhum, mas já conseguia perceber que o ‘pobre coitado’ era tudo menos um ‘pobre coitado’. Afinal, o ‘pobre coitado’ vivia em Los Angeles o ano todo, mas tinha uma propriedade privada em Wimbledon Village, o que fazia dele não um ‘pobre coitado’, mas um homem com posses, bastantes posses. Possivelmente a empresa de construção onde ele trabalhava, pertencia-lhe, ou tinha herdado a casa de alguém da família.
O desespero de Gillian continuava na cara, mas as mãos delas já não digitavam loucamente como antes, depois de ter dado a hipótese de que, hipoteticamente, o namorado estivesse com amigos ou vizinhos, e não fechado na casa de banho onde eu tinha acabado de ter a surpresa do dia.
— Hmm… maybe… — respondeu. — But, I think it’s better for me to check. Since Marcus and Eleonor aren’t here yet… Can you keep an eye on the house, again, please? — indagou.
— Yes, sure… Go and look for him… And call me when you have any news.
Se não fosse a minha voz irritante, o meu nervoso miudinho, a minha mania perfeccionista, a falta de jeito e a mania de que não consigo fazer nada de jeito, talvez ser actriz tivesse sido uma óptima carreira para mim, visto que sempre consegui pregar boas mentiras, embora acabassem por nunca durarem muito.
A porta fechou-se à minha frente e eu esperei até ver a sombra dela desaparecer no meio da rua, dentro do carro.
Ouvi o motor do carro ser ligado e, num abrir e fechar de olhos, o carro saiu da entrada da casa, e desapareceu no meio da rua, no meio daquelas casas todas, naquela estrada comprida.
Ganhei coragem, respirei fundo, tirei a camisola e fui a correr o mais rápido que conseguia lá para cima.
Se ele queria jogar, que jogasse o jogo com as minhas regras.
Abri a porta da casa de banho com um estrondo enorme e deixei cair o sutiã preto.
Jeremy, que continuava sentado no lavatório preto da casa de banho, olhou para mim e coçou a cabeça encharcada.
— Undress! — pedi.
— What?!
— Get your clothes off.
— Wh… Why… What…
— Now! Just take your clothes off! — gritei.
— Is she gone?!
— I don’t care! — disse enquanto agarrava nele nos braços musculados dele e o puxava do lavatório e o empurrava para o meio do corredor.
Senti o meu coração bater como nunca.
— What are you doing? — indagou.
— Shut the up and just get naked.
Os olhos dele abriram-se ainda mais e eu própria fiquei chocada com o que me estava a acontecer.
Senti o calor do corpo dele quando lhe toquei nos braços e percorri a tatuagem dele com os meus dedos. As calças pretas que ele tinha vestido estavam completamente encharcadas, com água a escorrer, e o corpo dele parecia estar a 40 graus centígrados, de cada vez que lhe agarrava nos braços.
Vi os olhos verdes abrirem-se.
— Take that shit off — implorei enquanto tirava as minhas calças.
Senti-me molhada e quente, estava a escaldar, tanto eu como ele.
— Mary, what the…
Com quanta força tinha, atirei-o para cima da cama.
Não me consegui controlar.
Agora que sabia que a namoradinha dele, de quem ele não gostava, se tinha ido embora, queria aproveitar e tê-lo enquanto era tempo, nem que fosse durante dois segundos. Já me tinha dado prazer durante pouco mais de 10 minutos, mas não me tinha nem metade do que eu queria.
E eu queria tudo, precisava que ele me desse tudo.
Senti a respiração dele junto do meu pescoço, quando finalmente selei a completa loucura com uma mordida no pescoço dele, enquanto ele me tentava tirar as cuecas.
Agarrei nas mãos dele e encostei-as ao colchão, bem ao lado do meu corpo.
— What? — indagou.
— It’s my turn now! — comentei.
Beijei-lhe o pescoço doce e senti o cheiro obsessivo que ele tinha, o cheiro que eu tinha apreendido logo da primeira vez. Era doce e suave e possessivo. Sentia as mãos dele subirem-me a coluna, e arranharem-me a pele tatuada que tinha nas costas, junto da dorsal.
A língua dele deambulava juntamente com a minha, ao mesmo tempo que saboreávamos o sabor doce de cada um. As minhas mãos tocavam-lhe n corpo, enquanto o sentia cada vez mais duro e mais apertado junto do fecho. Estava a ficar molhada com a água que restava nas calças, por estar em cima dele, a mover-me por de cima de umas calças que tinham acabado de tomar banho comigo.
Senti o murmurar o meu nome, enquanto movia a minha anca de cima para baixo, e lhe dava beijos no peito, e lhe mordia o braço e lhe lambia o pescoço.
Puxou-me para um beijo nos lábios, quando eu começava a descer para lhe tirar as calças, mas acabei por lhe seguir o rasto dos lábios desenhados e doces.
Já tomado o controlo, não consegui retomá-lo e senti-o mover-se para cima de mim com uma pressão enorme, enquanto me atirava para debaixo dele, ao mesmo tempo que as minhas costas batiam levemente no colchão e eu soltava um murmúrio de prazer e medo, sem entender o que ele queria fazer. Os olhos verdes dele olharam para mim e sorriram vagamente, ao mesmo tempo que ele se começava a rir, esticou o braço direito e finalmente arrancou-me as cuecas e atirou-as para o fundo da cama de Gillian.
— I always win — comentou mordendo-me a orelha e agarrando-me nos braços como se quisesse evitar que eu saísse de debaixo dele.
Não consegui responder, mal conseguia respirar.
A minha anca perdera equilíbrio, quando ele me puxara, e com o peso dele contrastando com o meu, tinha acabado por ir parar debaixo dele, dando-lhe completo controlo, tanto quanto aquele que anteriormente, Jeremy, tinha desejado.
E eu ficava cada vez mais excitada, ao mesmo tempo que ficava mais nervosa e com medo, e completamente obcecada com o cheiro dele.
E quando me começou a beijar o queixo e a morder o pescoço, os meus sentidos apuraram-se e as minhas pernas automaticamente abriam-se, enquanto as mãos dele iam descendo e tocando-me.
Ouvi o arfar dele durante os segundos escassos, enquanto os meus lábios não se encontravam com os dele.
Senti a respiração, o ar, o cheiro, o toque de Jeremy em tudo o que era pele, lábios.
A barba mal aparada, a língua, os dentes, o toque, os beijos e as mordidas tiravam-me o domínio sobre o meu próprio corpo, enquanto as mãos dele me tocavam e me deixavam cada vez mais disposta a viver aquela loucura insânia.
E, enquanto eu dizia o nome dele, ele encostava os dedos em mim e fazia-me chamá-lo cada vez mais alto, e mais rápido e com mais vontade.
Um braço agarrava-me uma mão, e o outro deixava-me livre para sentir o toque dele em tudo o que era desejo e prazer.
— You’re so hot…
Não respondi, não consegui. Já me custava berrar o nome dele, só para evitar que ele parasse de me tocar.
— You’re so wet… I just…
— Please! — pedi, enquanto olhava para ele.
— What? —indagou.
— Take your… take you… please…
— What? — continuou enquanto me tocava e lambia os dedos.
— Just… Please… Oh, hell! Ooh!
Gemia de prazer, enquanto desejava que ele me desse muito mais que dois ou três dedos, que um ou dois toques. Queria-o dentro de mim, cada vez mais, cada vez mais rápido, cada vez com mais necessidade.
Queria sentir o toque dele dentro de mim, queria tê-lo por completo dentro de mim, ao mesmo tempo que não me deixava quase falar. Sempre que queria dizer mais que o nome dele, ele fazia tudo para que eu me calasse e gritasse de prazer, e bradasse o nome dele e sentisse que somente eu e ele é que tínhamos direito àqueles escassos minutos.
— What? — perguntou baixinho junto dos meus ouvidos, levando os dedos dele à minha boca.
— Please, take… Just…
— Please… — esperou.
— Just take your fucking cloths off! — berrei ao conseguir assumir novamente o controlo.
Saltei para cima dele, sem que e se tivesse oposto a isso e sentei-me no meio das pernas dele, enquanto sentia o toque duro que surgia de dentro das calças dele.
Ele sorriu e mordeu os lábios grossos enquanto olhava para mim.
— Do it yourself! — comentou.
— What?! — murmurei enquanto lhe mordia novamente pescoço.
— You know! What you want to do… — olhou. — Do it! Get me naked!

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Fox* em Qui Out 11, 2012 6:42 pm

E nenhum deles é capaz de resistir muito tempo à tensão... E ainda bem, também não sei se seria capaz de o fazer!
E a cena da patroa, à procura do homem que a empregada tem na casa de banho, foi fantástica!
Pergunto-me quanto tempo irá durar este romance antes que algum drama consiga arruiná-lo... :)

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por PandoraTheVampire em Sex Out 12, 2012 2:42 pm

Muahaha, sei que já tinha lido, mas é sempre bom relembrar. Ainda para mais quando estes dois não conseguem resistir um ao outro xD Fantástico, como sempre. Já sei o resto mas ainda assim quero ler! Posta mais mulher, okay? xD

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Sab Out 13, 2012 11:12 am

Capítulo VI

Encostei as costas no encosto branco de madeira da cama.
Pensamentos percorriam-me a cabeça, depois de tudo ter acontecido.
Se pensasse muito no assunto dava em louca, se me tentasse esquecer da tarde que tinha acontecido, não ficaria boa da cabeça, aliás, eu nunca tinha sido boa da cabeça, e com aquele homem a percorrer-me a mente, não ia ficar nada bem, nada bem mesmo.
Um calor estranho percorreu-me por entre as costas, bem junto da espinha.
Esfreguei os olhos com sono, enquanto ouvia Jane e Tomas falarem.
Estava deitada na cama, não conseguia pregar olho. A tarde tinha sido exaustiva, mas não conseguia dormir, não conseguia para de pensar no corpo de Jeremy, no toque, no perfume… não conseguia para de pensar nele, sobretudo não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido em casa de Gillian.
Para bem dos meus pecados, e porque se calhar, até fomos rápido de mais a resolver o assunto que ficara pendente desde o dia em que nos tínhamos conhecido, Gillian não nos apanhou a fazer nada. Imaginei, por momentos, a cara dela se descobrisse que eu tinha acabado de ser comida pelo namorado/brinquedo dela. E não gostei da imagem… não gostei mesmo! E talvez fosse por isso que não conseguia dormir, não por causa do homem, mas por causa da mulher. Não era correcto o que eu tinha feito, não quando o tinha feito em casa dela, não quando o tinha feito com o namorado dela.
Senti um pequeno sentimento de nojo percorrer-me por dentro do estômago, como se de uma larva rastejante se tratasse, uma espécie de centopeia com 100 perninhas enervantes e rastejantes e nojentas, a percorrer-me o interior completo do estômago e a fazer-me sentir o que eu não queria sentir: nojo de Jeremy.
E a certa altura já não sabia se sentia nojo de Jeremy ou nojo de mim…
A tarde tinha sido boa, espectacular. Nada que nunca tivesse vivido antes, nada que não quisesse viver mais tarde, novamente com a mesma pessoa. Mas agora, deitada na cama, percebia o quão errado tudo aquilo tinha sido, e da forma como tinha acontecido e com quem tinha acontecido.
O homem era ele, a puta era eu…
Gillian era a melhor amiga de Jane, e eu gostava de Gillian. Ela tratava-me bem, era uma mulher espectacular. Tinha os seus defeitos, quem não os tem?! Mas era espectacular ninguém podia renegar o assunto, ninguém podia dizer o contrário. Era a mais pura das verdades, Gillian era simpática e era bem-educada e tratava-me bem, e eu, de uma maneira nada poética, tinha fodido o namorado dela.
Senti de novo a larva percorrer o meu estômago, ao mesmo tempo que me lembrava dos olhos verdes que me tinham atraiçoado com paixão e luxúria…
Lembrei-me da cara dele, dos olhos brilhantes, do cheiro estimulante, do toque expectante, de tudo o que de bom ele me tinha dado naquela tarde.
Puxei a cabeça para trás e dei um gole em seco e olhei para o armário branco que restava à minha frente. Não havia muito em que pensar, era mais imaginar os cenários mais possíveis.
Num trambolhão imenso de pensamentos constantes e completamente irremediáveis, passou-me tudo pela cabeça: a) Falar com Gillian – nunca! Não tinha de falar com ela. Ele tinha, eu não! b) Falar com Jeremy… – sobre o quê, exactamente?! c) Acabar com ele… – acabar o quê?! Das três opções nenhuma era válida, a única que podia tomar era a que não estava presente na lista… tinha de deixar estar o que estava. As coisas estavam feitas, agora que viesse o diabo e escolhesse, e se bem conheço o diabo, ia haver merda!
Percorri o telemóvel com as mãos, como se esperasse alguma mensagem ou alguma chamada. Um email e um Twitter, nada de mais, apenas coisas que interessam a adolescentes que não querem acreditar que já são adultas!
Abri o menu das mensagens, e escrevinhei algo em inglês decente, mas não tive coragem de enviar a mensagem… e parecia que tudo voltava ao que um dia tinha sido. E parecia que tudo se tinha transformado num Déjà-vu, parecia já ter vivido aquilo com alguém, aquela história parecia ser a do Tiago, mas não era, e o homem era tudo menos igual ao Tiago, embora a diferença de idade entre os dois não fosse muito grande.
Esfreguei os olhos mais uma vez, num completo desespero de tentar entender porque é que não conseguia tirar da cabeça a reacção nula e inexistente de Gillian. Se ela não sabia porque é que eu estava a fazer tanto alarido inapropriado na cabeça?
Peguei novamente no telemóvel e escrevinhei novamente qualquer coisa, mas a coragem de enviar mensagem a Jeremy era nula, e a verdade é que cada vez que olhava para a frente, para a parede creme do quarto, me lembrava do jeito como ele me tinha empurrado contra a parede e me tinha dado um forte beijo nos lábios enquanto me agarrava as pernas e as fechava à volta das dele.
Não sabia o que fazer… fazia um puzzle complexo na cabeça, quando nem sequer peças de puzzle existiam para descobrir. Era tudo um monstro na minha cabeça, uma memória, apenas isso, uma memória que não resistia a isso, a uma memória, uma coisa que tinha acontecido no momento e que nunca mais se ia repetir.
Odeio aqueles puzzles, mas sou eu que os construo, talvez por falta de auto-estima ou por ser muito parva, e por não ter mais nada da vida para fazer, do que pensar em coisas que me levam abaixo…
Nem quando ouvi William berrar o nome de Jane consegui despertar. Não conseguia acordar daquele sonho que mais parecia um jogo com duas facas, as duas apontadas para mim.
Mas a tarde tinha sido tão boa, tão prazerosa, talvez prazerosa de mais…
Mas eu estava ali. E enquanto ele, possivelmente, fodia Gillian, eu estava ali, deitada na minha cama em Wimbledon a pensar no que tinha vivido com ele, no sonho que tinha sido estar com ele, e no que poderia ser se eu pudesse voltar a repetir momento a momento.
Tentei demover tudo da cabeça, mas não conseguia, a imagem dele nu estava estampada na minha cara, e o suave beijo dos lábios dele tinha ficado preso no meu cérebro, quase como o cheiro dele que parecia ter ficado prisioneiro no meu próprio nariz. E sabia tão bem, sabia tão bem ter tudo aquilo, enquanto me arrepiava, ao mesmo tempo que pedia ao inferno para voltar a ter aquele céu.
Olhei para a barra preta de tarefas do me HP desktop, para ver as horas que eram… 23 e nem uma mensagem no telemóvel. Estava tão visto que tinha sido usada, tal da mesma forma que ele tinha sido. Senti novamente um ódio gasto na espinha, já conhecia o sentimento, já não havia forma, sequer, de lhe dar grande importância. E talvez uma noite de sono me limpasse as ideias, me clareasse a mente, me limpasse o nariz e me fizesse esquecer o que tinha vivido naquela tarde.
Tinha de esquecer… por todos!
O momento tinha sido bom, mas tinha de esquecer! Jeremy não era meu, nunca seria… e eu não o conhecia… apenas conhecia o corpo dele, nada mais que isso, tanto quanto sabia o homem podia ser bem um traficante de droga ou um assassino em série…
E a imagem de Gillian surgia-me novamente.
Não era justo para ela… Tinha-a traído.
— Que se foda! — gritei comigo. — Preocupa-te com os teus botões, que ela há-de se preocupar com os dela.
Escorreguei para debaixo dos lençóis e encolhi-me, enquanto desligava o computador, e me deitava, finalmente, com o corpo bem encostado ao colchão da cama, com a cabeça a carregar na almofada.
Senti o meu corpo cair no ânimo de um sono há muito querido, mas há pouco surgido.
Estava com sono, mas os olhos continuavam abertos… e se bem me conhecia, assim iam ficar durante muito tempo, muito tempo mesmo!
E não conseguia pregar olho. As minhas mãos mexiam nervosamente no telemóvel. Não tinha sido combinado falar, nada tinha sido prometido, tinha sido uma tarde, quase noite, e mais nada que isso, como sempre, mais nada que uma loucura sem promessas que me levassem a acreditar que podia ser mais que aquilo, mais que uma tarde.
Olhei para o tecto, o sofrimento de não conseguir adormecer, era tal, que não conseguia sequer imaginar-me a dormir fosse onde fosse.
Suspirei, estava a entrar em parafuso, não dormia e não queria deixar dormir. Queria mandar-lhe mensagem, mas o perigo já era conhecido, já conhecia aquela fase de desespero, a minha mania paranóica de perguntar o que é que aquilo tinha significado, a minha mania de perguntar se íamos voltar a repetir. E tive de parar… Tinha de parar de pensar no assunto, porque a loucura estava em mim, afinal, Jeremy tinha 41 anos, 20 anos a mais que eu… Ninguém com aquela idade se preocuparia com uma miúda que não sabia o que ia fazer amanhã, muito menos sabia o que ia fazer daqui a 20 anos, quando possivelmente, ele já estaria podre de velho, e eu estaria na pura da juventude, a curtir os 40 e a trabalhar como jornalista, ou como guionista ou roteirista de algum filme ou de alguma série…
I wish!

*
Preto.
Precipício.
Preto.
Estava escuro. Demasiado escuro, nem o brilho dos olhos se via, nem um toque se sentia, nem as horas passavam, nem as lágrimas caiam, nem o perfume se cheirava.
Estava frio, estava frio. Sentia-se o gelo gelar a pele já fria, a pele branca, fria e exasperada de um corpo que outrora fora vivo.
Os olhos castanhos misturavam-se numa ilusão de precipício enorme, espantosamente grande e fundo, como se fosse um poço.
Era um poço.
Um poço cheio de ervas, água, musgo.
Verde e preto…
Mas preto, consistentemente preto e negro, negro.
Não era preto, era negro, negro como a virtude de um mal qualquer que não se vive, apenas se imagina. Um negro horrível, como se saído de um filme de terror horrendo e indie. Um negro tão grande tão profundo que nem preto era. Era mais que isso, mais que preto, mais que negro, mais que profundo, mais que horrendo, mais que estranho, e mais que horrível.
Transtornada andei por entre as paredes.
Não sentia as mãos, apenas a parede fria e calosa que me rodeava o corpo e que me cercava a mente. A parede fria, gelada e negra, uma parede que outrora tinha sido branca e pálida. E que já não era branca, era negra, negra como a negritude de um olhar que um dia tinha sido o dele.
Era enorme, a estrada… Era grande, escura e negra e não era lisa. Cheia de buracos, desgraças, desvirtudes. E sentia o negro, quase sentia o negro na minha pele, a entranhar-se da parede para as minhas mãos, para os meus braços, para o meu peito, para o meu pescoço, para a minha cabeça.
E um olhar de olhos castanho-avelã. Não os via, apenas os sentia olhar para mim enquanto as lágrimas corriam fora de uns olhos que já não tinham mais porque existir.
E o frio gélido gelava-me a pele enquanto apalpava a parede branca e pálida daquele horrível corredor, quando mais andava, mais buracos encontrava, mais lágrimas chorava, mais medo sentia, mais termia, mais temia, mais queria fugir. E fugir… fugir para onde?!
E olhava para trás, olhava como se tivesse medo do que ia encontrar à frente, mas tinha de continuar, continuar a correr, continuar e não parar, não parar até ver uma luz… mas que luz?! Não havia luz, só havia negro, negro, escuro, horrível escuridão que me fazia sentir o medo na pele, o medo na espinha.
E um grito…
E outro!
Vindos de um perfeito nada, de um nada constante!
Estava sozinha, mas sentia-me acompanhada pelo horrível sentimento de estar a ser perseguida… Perseguida por ele, talvez, perseguida pelo fantasma dele, perseguida por mim, pelos meus próprios fantasmas!
E senti!
Senti a minha lágrima cair no chão, como as mãos num tambor, como uma pedra caída no chão, como um corpo do céu caído na terra.
E tremi.
Levantei as minhas mãos, e o negro desapareceu. Olhei-as cuidadosamente. Senti-as molhadas e peganhentas, demasiadamente pegajosas.
E o negro, o negro, a negritude desapareceu, desapareceu para dar lugar a um vermelho. A um vermelho encarnado límpido e sujo, sujo e nojento. Nojento e com cheiro a ferro.
E caí em desespero!
Caí e senti o chão vibrar.
Estava em cima dele.
Em cima do corpo dele…
— Mataste-me!
*


Abri os olhos.
Estava aterrorizada.
Abri a luz do quarto e vi-me novamente no quarto em Wimbledon. Olhei para as mãos com a rapidez num instinto de um olhar e arrepiei-me… Não tinha nada!
Mas continuei a chorar. Chorava como tudo como se quisesse explodir tudo o que tinha ali dentro, como se quisesse que tudo aquilo desaparecesse.
O sangue, o negro, a escuridão…
Era um sonho!
Um pesadelo.
E gaguejei, gaguejei e gaguejei novamente.
Tremi e murmurei o nome dele, enquanto me sentava na cama e encolhia as minhas pernas, bem para perto do meu pescoço, e pousava a cabeça nos joelhos, enquanto enrolava os braços na cabeça.
Olhei para baixo, para o colchão molhado de lágrimas e de suor, numa procura desesperada, numa tentativa incrédula de encontrar algo que me ajudasse a esquecer o que tinha acabado de acontecer.
Não tive coragem para olhar para mais nada.
Sentia-me tão perdida, numa ilha de desespero, talvez.
Tentei respirar, parar de chorar, mas não conseguia.
Sentia as mãos dele percorrerem-me a cara, percorrerem-me a pele enquanto me batia com força, ao mesmo tempo que na verdade, não sentia nada!
Era passado! Passado relembrado num momento de pesadelo, num sonho horrendo e escuro, escuro como todos os meses que tinha passado com ele. E lembrei-me das palavras dele, do quanto ele me tinha feito sofrer, e de todos os momentos que ele me tinha morto por dentro, e me tinha espancado por fora, e me tinha feito acreditar que eu era a única merda existente no mundo.
E lembrei as palavras da minha irmã, mas não conseguia parar de chorar, nem com a protecção dela no meu pensamento, ele me deixava em paz! Nem nos meus sonhos ele me deixava respirar!
Murmurei o nome dele, como se quisesse saber se ele ali estava, e desviei-me. Desviei-me do fundo da cama e levantei-me, e num inócuo segundo espreitei por debaixo da cama… não queria acreditar! Estava à procura de Alexandre debaixo da cama, como se o meu medo ali estivesse, como se ele tivesse saído do meu pesadelo, como se ele fosse a nova versão de um Freddy Krueger qualquer, como se me quisesse aterrorizar… Como se ele na verdade não tivesse morrido no pesadelo.
E atirei-me para cima da cama num nervoso profundo. Não conseguia acreditar que tinha feito aquilo, não acreditava que tinha-me deitado no chão para verificar se ele ali estava.
Estava apavorada! Apavorada e cheia de medo. Parecia que os meus medos de criança me perseguiam enquanto adulta. E esfreguei os olhos, cheia de medo e a engolir uma voz seca que já não era a minha. E quase bati com a cabeça na parede!
Estava desesperada. As lágrimas corriam-me pela cara, e eram salgadas, tão salgadas como o mar da praia, mas insonsas como a verdade mais horrenda! E sabiam mal, sabiam tão mal. E eu lembrava-me… lembrava-me de cada estalo, de cada verdade que ele tinha cuspido, de cada insulto, de cada palavrão que me tinha dirigido. Lembrava-me do dia em que me tinha chamado ‘puta’ porque não queria que ele fosse a casa dos meus pais.
E sentei-me no chão a olhar as paredes, enquanto me encolhia novamente e chorava tudo o que tinha cá para fora, e não acreditava! Não acreditava que nem em Wimbledon ele me deixava em paz! Nem ali, nem ali ele me deixava em paz! Nem ali ele me queria deixar em paz.
Lancei uma prece para o ar, pedi que alguém me ouvisse chorar e me fosse dar um abraço, mas senti-me tão suja e tão má, e tão mal… que me calei e fiquei a chorar em silêncio, enquanto sentia cada palavra dele na pele, como se me estivesse a cortar o musculo e a chegar aos ossos e me quisesse partir o espirito e a vontade de viver, que começava a deixar de ser muita.
Finalmente, lá consegui olhar para o telemóvel para ver as horas.
Quatro da manhã…
Não ia pregar olho, não enquanto não o tirasse da minha cabeça, não enquanto não provasse a mim própria que aquilo que ele me tinha feio no passado, embora não esquecido, tinha de ser valorizado como uma experiência, uma péssima e horrível experiência.
Nunca esquecido, e jamais perdoado!
Nem a bíblia me ajudaria a perdoar o ano e meio que tinha sofrido com ele.
Sentia ódio.
Pela primeira vez na minha vida, sentia ódio a correr-me na espinha, na pele. Saboreava-o com a língua, e quase o conseguia mastigar com os dentes. E odiava-o tanto! E prometia nunca mais me deixar enganar por ninguém. Como e com quem… Com mais ninguém, e não acreditava se ia conseguir estar com mais alguém.
Ódio… o sentimento mais injusto, impropério e desnecessário, mas o mais vivo e conhecido de todos, e eu conhecia-o ali, enquanto sentia as mãos dele novamente a correrem-me o corpo, enquanto os beijos dele me atacavam como facas com dois gumes, como uma bomba prestes a explodir, como um míssil pronto a embater.
Quatro da manhã. Duas horas para acordar e começar o dia de trabalho. E sentia-me sem nada. Sem vontade, sem interesse, sem gosto, sem jeito.
As mãos dele ainda ali estavam, embora invisíveis, e a 2500 quilómetros de distância, ainda ali estavam, e parecia querer-me agarrar com força e atirar-me ao chão, tal como antes tinha acontecido.
Atirar-me ao chão, bater-me com os pés, torcer-me o braço.
E as palavras dele…
Magoavam cada vez mais, embora já silenciosas e em segredo!
E o mais ridículo era ter vivido tudo aquilo durante 1 ano e meio, sem contar a ninguém, culpando-me por tudo. Culpando-me e atirando todas as culpas para cima de mim, como se fosse eu que tivesse culpa de estar a ser espancada. E tinha 21 anos, e tinha 20, e tinha começado com 19.
Não era justo!
Era uma pessoa! Uma mulher.
Acima de tudo um ser humano que merecia ser protegida, que nem o meu pai me conseguiu proteger. E ouvi-lo dizer, ouvir o meu próprio pai dizer que não devia namorar com Alexandre porque ele fumava erva…
E a estupidez, o ridículo e a seriedade imensa da situação.
O quanto ridículo era ele não querer que eu namorasse com Alexandre, porque ele fumava erva… E não se importar que ele me batesse! Fumar erva era pior que me bater… que ser espancada e que ser maltratada e violentada com palavras e com actos que a certo dia eu me começara a debater e a defender.
Desejei que tudo à minha volta parasse de andar.
A cabeça doía-me.
Malditas lágrimas que não paravam de cair.
Encostei a cabeça à parede e esperei que a porta se abrisse e que entrasse Jane ou a minha irmã, ou a minha mãe. Por momentos, desejei que a minha mãe entrasse ali. Ou o meu melhor amigo, precisava do meu melhor amigo, precisava do Nuno, precisava que ele me confortasse os pensamentos, e as ideias, e que me desse um abraço e que me dissesse que estava tudo bem, e que tudo se ia resolver, e que Alexandre ia desaparecer dos meus sonhos. Precisava que ele me dissesse que não estava sozinha. E aí percebi!
Eu estava sozinha!
3 Semanas em Londres e estava completamente sozinha.
Sozinha num país que outrora tinha sido um fascínio, uma obsessão. Uma cidade desconhecida, apesar de ser a mais conhecida por mim. Uma região, uma vida, uma hora e um segundo, tudo mudado, tudo estranho, tudo tão desconfortável.
Estava ali, sentada no chão alcatifado e castanho, sozinha e sem ninguém. Estava numa casa cheia de pessoas, cheia de sonhos, cheia de desejos, cheia de dinheiro, cheia de vontade e de vida, mas vazia, completamente vazia. Não tinha ninguém! Estava sozinha, sem nada, com tudo, sem ninguém!
Sozinha em Londres!
Sozinha numa casa que não era minha, sozinha numa vida que só a mim pertencia.
Os meus desejos saiam ao lado, eram existentes mas ninguém os ouvia.
Ninguém entrou no quarto, ninguém me confortou com um sorriso, ninguém me deu um beijo na bochecha e ninguém me apertou e me afagou a cabeça. Ninguém ali estava. O quarto estava vazio, apenas comigo…
E continuava sentada no chão, enquanto sonhava acordada e revivia tudo o que se tinha passado há muito tempo.
Quando as lágrimas pararam de correr, depois de secarem por completo, meti os auscultadores nos ouvidos e liguei o iPod Shuffle, e meti a única música que me ia acalmar, uma música qualquer, apenas música!
A música que me ia acalmar.
E fechei os olhos…
Respirei fundo e fechei os olhos.
Precisava deles fechados…
E, finalmente adormeci.
A mente estava branca…
E duas horas mais tarde!
Acordada outra vez.
O despertador irritante tocava.
— Tenho de mudar esta merda – murmurei para comigo.
Estava frio. Tinha os pés gelados, e não estava nada habituada a ter os pés gelados.
— Merda! — comentei quando percebi que estava deitada no chão.
Sentia a cara molhada, como se tivesse tomado banho numa possa de chuva.
Tinha dormido no chão alcatifado.
Coisa bonita! De certeza absoluta que tinha a cara toda marcada.
Bem dito, bem feito.
Fui directa à casa de banho ver a nova moda de chão alcatifado carimbado na cara.
Tinha a parte direita da cara repleta de buraquinhos mínimos, criados pela alcatifa castanha do chão do quarto.
Esfreguei a cara com precisão, mas as marcas não saiam.
Molhei a cara, esfreguei-a novamente… Chegando à conclusão que nem com maquilhagem aquela coisa ia sair. Marcas de duas horas, depois de estar deitada na alcatifa, iam demorar bastante tempo a sair.
Já estavam todos levantados… Pelo menos os mais velhos, Jane e Tomas.
Lavei a cara. Tinha os olhos brilhantes e a cara dorida, como se tivesse levado um estalo. Os olhos ardiam-me demasiado e sentia ardor na garganta. Não estava doente, mas por momentos, desejei estar, trocava aquela noite horrível por uma noite de espirros e de tosse e de nariz entupido.
Penteei o cabelo e passei lápis nos olhos, e um pouco de base na cara, nada demais, mas faria tudo para evitar que se visse os buracos idiotas que se tinham formado na minha face direita.
Olhei-me ao espelho, primeiro. Via-me cheia de marcas vermelhas nos olhos. Tinha chorado a noite toda, tinha adormecido a chorar, e sentia o ardor de cada lágrima que tinha sido consumida e expelida pelo meu corpo.
Acabei de me maquilhar, tudo para evitar ser vista com cara de choro, vesti-me muito rapidamente, fiz a cama e desci.
Finalmente sexta-feira!
Quase podia cantar a música do Boss AC.
Nada planeado, nada no telemóvel, nenhum lembrete…
Ia ser uma noite super divertida… Deus quisesse que não me pedissem para fazer baby-sitting. Adorava os miúdos, mas estava sem vontade de trabalhar.
Tinha passado uma noite terrível, tinha chorado, tinha gaguejado o nome de Alexandre umas cinquenta vez, tinha pensado em acabar uma coisa que nem sequer tinha começado, queria contar uma coisa a Gillian, que não havia razão nem se não para o fazer.
Supostamente devia estar contente e feliz, era sexta-feira, podia ir sair com a minha sobrinha mais velha, mas não queria ir a lado nenhum. O máximo que queria fazer era ficar em casa, na cama, a esquecer tudo o que tinha sonhado na noite anterior. Queria comer pipocas e chocolate, e ver filmes, talvez um filme de acção, talvez adormecer a ver Twilight, ou a morrer de riso com um Scary Movie ou com o Vampire Sucks, qualquer coisa que não me fizesse chorar baba e ranho. Talvez visse SWAT, o meu filme favorito, ou fizesse download do filme Alexander, The Great… qualquer um com o Colin Farrell me animaria o coração.
— Good morning! — disse Jane.
Antes de entrar na cozinha tinha dado um suspiro enorme… não estava mesmo capaz de sorrir!
— Hello! — comentei entrando de rompante na cozinha.
— Did you sleep well?
Olhei para ela. Não lhe queria mentir, mas não me queria encher de lamechices…
Acabei por dizer que sim, acenei e fui preparar o pequeno-almoço dos pequenos.
Leite gordo, quente, não muito quente e, de maneira alguma, nada frio.
Passei a mão pela cara. Sentia o nervoso como se estivesse exposto para toda a gente ver.
— Are you ok? — indagou.
— Yes… — disse. — I am…
— You don’t look ok…
— I’m getting a little bit sick.
Servi o pequeno-almoço e subi as escadas, pronta para mais um dia destrambelhado, de trabalho, gritinhos de fã a ver Colin Farrell colado no ecrã e a escrever coisas sem nexo.
Na escola, toda a gente andava de frente para trás e de trás para a frente com os uniformes vestidos. Estava imenso frio… e, por momentos, deixei de conseguir acreditar que ia ter de aguentar 1 ano de temperaturas inferiores a 10 graus centígrados todas as manhãs, tardes, e noites em que a temperatura desceria até aos graus negativos.

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Fox* em Seg Out 15, 2012 9:51 pm

Eu gostei da introspeção que fizeste à personagem neste capítulo. As dúvidas dela quanto ao que acabara de acontecer (e o que deveria fazer quanto a isso), o seu próprio passado de violência e depressão e as sensações que ela ia vivendo foram muito bem passadas aqui! Dei por mim com medo, triste e revoltada juntamente com ela e é ótimo quando o escritor consegue isso!
Estou à espera de mais! Quero ver o que se vai passar com o Jeremy e se o Alexandre volta para a massacrar... :)

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Out 15, 2012 11:33 pm

Como já te tinha dito, acho que está óptimo este capítulo. Conseguiste fazer-nos sentir o que ela estava a sentir e isso é sempre óptimo ;)

quero maisssssss

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por CatariinaG' em Dom Out 21, 2012 3:52 pm

Capítulo VII

Sentei-me na sala, depois de tirar a loiça da máquina e de levar os miúdos à escola. Cinco semanas em Londres e estava doente! Doía-me a cabeça e estava farta de tossir os germes todos para fora.
Estava constipada, e tinha de o esconder de Jane.
Estava escrito no contrato, que se adoecesse, e se ficasse assim durante muito tempo, só recebia metade do ordenado.
Meti o lenço à frente da boca, estava farta de tossir, e os germes pareciam estar a germinar cada velhos mais filhos e filhos e mais bactérias e bactérias pelo chão fora, enquanto o meu nariz se tornava numa grande bola, e a minha garganta parecia ficar cada vez mais inflamada.
O tempo de Londres não se comparava ao de Portugal, nem de perto nem de longe. E as saudades de casa não me estavam a ajudar a ficar melhor, estava cada vez mais triste, cada vez mais posta para o lado, cada vez mais interessada em ganhar dinheiro, cada vez mais separada da família. Há duas semanas que não me encontrava com a minha irmã. As filhas dela tiravam-lhe o tempo todo, e o marido tinha ciúmes por tudo e por nada, e eu estava mais interessada em ficar fechada em casa que ir gastar dinheiro a visitar sítios que eu mesma já conhecia.
Cocei a cabeça.
Estava com tantas dores, que tive mesmo vontade de tirar o dia e adormecer e só acordar quando todos aqueles bichinhos bacterianos desaparecessem. E tossi mais uma vez, e outra, e outra. Se continuasse assim tinha mesmo de tirar o dia. Senti a minha sinusite a dar sinal, mais uma daquelas e telefonava a Jane a avisar que me ia trancar no quarto a dormir, e tentar acordar só depois do Zyrtec fazer efeito.
Para meu grande azar, a tosse não parou, e ao mesmo tempo tocou o meu telemóvel.
— Hi, Jane.
— Hi, sweety.
Pausa para tossir e quase vomitar o que tinha acabado de comer.
— Sorry.
— Oh! Do you want to take the day off? — perguntou.
— No… Not now… — pausa para tossir horrendamente. — Sorry.
— Are you sure you don’t want to take the day off, Mary.
— No, I… — mais um ataque de tosse. — So, what did you want to tell me? — inquiri.
— Jeremy is going to check the shower at Gillian’s house. Can you stay around the house?
E, infelizmente, a tosse não parou!
Boa… Jeremy! Era tudo o que eu precisava naquele instante. Além de estar doente, ia ter o pássaro caucasiano, de asas transparentes a andar pela casa, com a mania que era bom… Era exactamente o momento indicado, aquele… o momento indicado para ter ali o homem que tinha dormido comigo e que nem sequer me tinha mandado mensagem de volta…
Franzi as minhas sobrancelhas, não fosse a raiva total de não ter ouvido falar dele durante uma semana. Sim, porque o homem tinha decidido ir a Los Angeles.
Não sei que raio de homem das obras era aquele, que ia para Londres e depois ia para Los Angeles, e depois de volta para Londres e sabia-se lá onde é que raio estava ele outra vez. E só tinha sabido pela Gillian.
Espectáculo!
— He got back yesterday? — indaguei com os nervos bem à flor da pele.
— Yes, he did. Mary… So, you don’t you mind to go to Gillian’s house?
— No. It’s ok… I’ll be right there…
— Thanks… You don’t need to come out of the room. Just check if he needs help.
Fechada no quarto?!
A sério que ela achava mesmo que eu ia ficar fechada no quarto?
— Ok… — respondi. — Not a problem!
Desliguei o telemóvel e pu-lo de lado. Com dificuldade lá me consegui levantar para ir para casa de Gillian, embora a vontade fosse pouca.
Não me estava a apetecer ver o idiota, muito menos ir a casa de Gillian. Não com aquelas dores horríveis, não depois de ele não me ter dito nada, não depois de ter percebido que tinha sido mais uma nas mãos dele… sim, porque calculo que ele tivesse muitas! Começando pela Gillian e acabando sabe-se lá em quem!
A sério que me apeteceu atirar o telefone à parede. Mas pobre coitado Galaxy W, não tinha culpa da minha estupidez. E já devia estar à espera, afinal ele namorava com Gillian. Eu tinha sido um brinquedo, apenas mais um brinquedo. Ele tinha-a traído comigo, eu apenas tinha sido o buraco dele, mais um… quantos mais tinha ele… E, de certa maneira, eu também me tinha divertido naquela tarde… mas já estava a ficar farta de ser o boneco dos homens!
Já tinha sido um saco de boxe, já tinha sido a melhor amiga, já tinha sido o alvo de relaxamento masculino e, agora, estava a ser o alvo de uma traição, mais um daqueles e tornava-me numa serial killer! Pior que Jack The Ripper! Em vez de matar mulheres, mataria homens, esfolava-os vivos e punha-os à venda como carne embalada!
Quando cheguei a casa de Gillian, apanhei a chave de debaixo de uma falsa pedra preta, e entrei em casa, que estava completamente vazia.
Mal conseguia abrir os olhos e sentia-me cada vez pior, e a tosse parecia não desaparecer de maneira alguma.
Talvez fosse melhor ligar a televisão, pôr o som bem baixinho, meter um bom filme no DVD e assistir até ele se ir embora, ou até adormecer, e esquecer os meus planos sádicos de matar homens.
Estava completamente desesperada com as dores de garganta que se começavam a mostrar. Eram dores demasiadas intensas, e já não conseguia aguentar. Fui até à sala dos brinquedos e deitei-me no sofá, com esperança de conseguir adormecer e esquecer, durante uns segundos, as dores que tinha, e a tosse que se fazia sentir, e a vontade de bater no homem… Mas a campainha da porta tocou e eu tive de me levantar.
— Be right there! — disse com a voz bem rouca.
Levantei-me do sofá num sacrifício enorme e fui directa à entrada.
Meti o lenço à volta da boca e abri as duas portas.
— Hey! — falei dando um aceno.
Estava chateada, mas já conhecia a rotina.
— What’s with the scarf? — indagou quando lhe virei a cara, ao mesmo tempo que ele estava preparado para me dar um beijo.
Fiz sinal para ele entrar.
— Flu!
— I have a great remedy for it…
— Oh my god! — tentei gritar, sem qualquer resultado. — Can you just stop with that? I’m…
— I’m talking about tea, missy. You know, that liquid we drink when we get sick… or you can also drink alcohol. Is there any whisky around this house?
— Tea it is — disse ao fechar a porta.
Olhei para ele, pelo menos durante os escassos segundos que consegui manter os meus olhos abertos e levei-o até à cozinha.
Aquelas paredes estavam impecáveis, tanto as paredes como as bancadas de mármore pretas. Marlene tinha feito um bom trabalho, que pena que não fazia o mesmo com o meu quarto lá em cima. Tudo aquilo já precisava de ser aspirado, assim como o pó que já precisava de ser limpo, talvez a minha constipação tenha surgido das bactérias nojentas e contaminadas que lá começavam a ser criadas.
Cheguei perto do lavatório e tirei uma garrafa de água Evian de dentro do armário de baixo. Tentei respirar fundo, mas a alergia, a constipação e a possível vinda de o meu grande amigo, apresentado aos 14 anos, estavam a fazer tudo para que não conseguisse respirar. Podia sentir um tumulto simultâneo dentro de mim, como se houvesse uma guerra que me queria impedir de respirar, algo que me proibia sequer de poder estar em pé.
Senti a respiração de Jeremy perto do meu pescoço, e vi a mão dele colocar-se em cima da minha, enquanto se encostava bem junto às minhas costas, bem encostado junto ao meu rabo.
— Let me do that, Mary — disse dando um beijo no meu ombro.
— Thanks… — sorri com as bochechas coradas. — I think I have a fever.
— Go lay down in the living room. I’ll make you some tea… Any preference?
Abanei a cabeça.
Estava a ficar desesperada, mais um momento em pé e desmaiava. Conseguia sentir o sangue subir-me à cabeça, como se o tumulto não tivesse hora para parar, como se, de repente, respirar fosse um prazer e uma coisa que só acontecia de dois em dois milhões de anos.
— Mary… — chamou. — Do you like chamomile?
— Yes, sure. — respondi. — I’m sorry — gesticulei. — I’m going to sit down, I…
E mais um ataque de tosse.
— Go. Don’t worry with that.
Virei a cara e ainda olhei para ele. Estava com roupa diferente, tinha outro tipo de calças, outro tipo de camisola. Estava diferente! Não tinha a mala de ferramentas, apenas uma mochila bem pequena, mais pequena que aquela que eu tinha levado para o treino de ténis. O cabelo ainda estava molhado, e a tatuagem espreitava pela t-shirt que se tinha mostrado quando ele tinha tirado a camisola, bem antes de começar a fazer o chá.
Meti o meu lenço à frente da boca, e fui para a sala dos brinquedos, e tossi mais uma vez. Maldito dia para estar doente. Sentia-me incomodada, bastante incomodada. O meu lugar era a arrumar a cozinha, que, com muito sofrimento, já estava arrumada e limpa, e o lugar dele era, supostamente, arranjar o chuveiro, mas estávamos trocados, eu estava na sala e ele ia-me preparando um chá, porque a minha mania de não secar o cabelo e ir para a rua com ele encharcado ainda não tinha passado, nem mesmo com a minha idade.
Olhei para as paredes pintadas de creme, enquanto ouvia Jeremy pousar uma chávena em cima da bancada.
As imagens do que tínhamos feito há dias atrás atacavam-me por completo, surgiam que nem flashbacks de filmes, a preto e branco, constantes e arrepiantes flashbacks. Pensava no toque dele, não conseguia parar de pensar no toque dele, nas mãos quentes, nos dedos molhados, na minha reacção, no quanto assustada e excitada tinha ficado quando ele se tinha apresentado no chuveiro.
Senti os pêlos do meu braço levantarem-se devagar com as imagens a passar na cabeça. Cada vez que pensava no toque dele, e no cheiro agradável que do corpo dele surgia, e os beijos que ele me tinha dado, e aquilo que eu tinha visto naquela tarde…
Vi-o entrar na sala com a caneca na mão e acordei do sonho acordado.
Dei um gole do chá e respirei fundo, como se me quisesse controlar.
— Better? — indagou olhando para mim.
— Não… — disse encostando-me na ponta do sofá. — I mean no…
— I understand what ‘nao!’ means…
Olhei para ele quando piscou o olho. Dei-lhe uma palmada no braço e gargalhei que nem uma miúda do secundário.
— Dirty minded! — comentei.
— I read a lot of…
— Dictionaries?!
Jeremy olhou para mim e riu-se também.
— Yes, dictionaries… Translated dictionaries.
Houve um silêncio esperto, algo que me provocou mais sono, mais tosse e ainda mais vontade de adormecer.
— You don’t seem okay, Mary.
— I know… I’m… I’m not feeling well — tentei sorrir.
— Rest a bit…
— Hmm… I can’t, I need to stay around…
E silêncio.
Tudo vaporizado no momento. Ninguém falou, apenas se ouvia o barulho da televisão. Disney Channel ligado, não sei porquê, mesmo com 21 anos adorava ver desenhos animados, e séries como Good Luck Charlie, Phineas and Ferb, e outros desenhos animados que não envolvessem luta, e apenas tivessem comédia e piadas infantis pelo meio, talvez fosse a minha forma de matar saudades de ser pequena e de não ter responsabilidade.
Estava a dar anúncios.
Baixei o volume e deixei-me encostar no firme encosto branco do sofá.
— Rest… I’ll call you when she returns.
— No, Jer. I need to pick them up… and I need to stay awake…
— Hmm… you need to stay awake? — repetiu franzindo as sobrancelhas.
Respirei, ou por outra, tentei respirar enquanto olhava pelo canto do meu olho.
Impressionante, tanto tempo sem me falar, e agora tinha-o abraçado a mim, como se dali tivesse saído mais alguma coisa que uma tarde.
A casa estava quente, mas eu sentia-me fria, gelada, um cubo de gelo, e o quente do corpo dele parecia dar-me o calor que precisava para ficar bem. Como se nada obstasse, senti um beijo dele na minha testa, enquanto a mão direita dele me corria as costas e me aquecia o corpo.
Senti as minhas pernas tremerem, sem perceber bem o que se estava a passar.
A televisão continuava acesa, e o chá repousava na minha mão direita.
Virei a minha cara como se lhe quisesse provar que tinha desistido de tentar resistir à inquietação. Jeremy baixou o lenço que me aquecia o pescoço e o queixo, e deu-me um beijo longo nos lábios, depois de me olhar bem fundo nos olhos e, com cuidado, percorreu com os lábios as minhas bochechas, o meu pescoço, ao mesmo tempo que desenrolava e atirava para o chão o lenço que me aquecia.
O chá tremia, tal como as minhas pernas, enquanto a mão esquerda dele afastava o meu cabelo do pescoço, e a mão direita me continuava a afagar as costas.
Pousei a minha cara nos ombros dele, afagando-me e beijei-lhe o pescoço, sentindo a mão dele entrar por entre a minha camisola e tocar-me na barriga. Senti o coração palpitar, quase podia jurar que ele o conseguia ouvir. E puxou-me para fora, para uns vagos centímetros longe dele, por uns vagos segundos, e olhou-me novamente no fundo dos olhos enquanto me tirava a camisola. E quando terminou, empurrou-me para mais um beijo carinhoso nos lábios, enquanto, mais uma vez, as nossas línguas se encontravam e dançavam em sintonia na boca um do outro, como se nada daquilo fosse estranho.
— Not even when I’m sick… — sussurrei não me querendo afastar dos lábios dele.
— Not even when you’re sick! — comentou enquanto se afastava da minha boca e me acarinhava os braços. — You should be kissed every day, just like this…— disse ao passar a mão dele pela minha cara.
Sorri com inocência, embora essa já quase escasseasse.
— Let’s go upstairs…
Levantei-me com ele a puxar-me a mão.
Mal conseguia abrir os olhos, mal conseguia ver o caminho. O meu coração palpitava, e a minha boca sussurrava o nome de Jeremy, ao mesmo tempo que eu me encontrava cada vez mais desejosa que ele continuasse aquilo que tinha começado. Parecia que a dor de garganta se tinha evaporado, e nada mais parecia interessar, apenas me interessava o toque dele.
A escuridão parecia assimilar-se nos meus olhos, quando meti os pés no primeiro degrau, enquanto ele me puxava a mão, e me ajudava a subir as escadas. Estava escuro, aos meus olhos, toda aquela casa estava bem escura, embora estivesse claridade suficiente para conseguir ver 50 palmos à frente da minha mão.
Ouvi a porta do meu quarto fechar-se e depois senti o meu corpo cair na cama, ao mesmo tempo que sentia o corpo dele cair sobre o meu. Sentindo os corpos no colchão, afastou o cabelo dos meus olhos e levantou a cabeça, como se quisesse medir o que vinha no meu olhar, como se quisesse ler o que eu estava a pensar. E beijou-me os lábios, o queixo, o pescoço, o peito e a minha barriga, enquanto puxava as alças do meu sutiã para baixo, e o tirava.
Empurrei mais um suspiro e olhei para a prateleiras da frente. O boneco de Dana, a filha de Denise, estava sentado na prateleira e parecia olhar para nós como Chuckie, aquele boneco que acorda e que mata toda a gente nos filmes de terror. Levantei o olhar, e de repente, como se a estragar a vontade e o clima, comecei a tossir.
Encolhi-me na cama, como se tivesse ficado sem vontade.
— Don’t… — pediu.
Fez alguma pressão junto dos meus braços e virou-me de novo para ele, de costas para o colchão, enquanto me dava um beijo na barriga e subia para me beijar os lábios.
— You’re so going to get a cold…
— It’s for a good reason! — comentou encontrando de novo a minha língua.
— If I had the strength I would punish you, you know… — comentei com a voz rouca.
Os olhos dele olhavam para a minha cara, enquanto as mãos dele me acariciavam o peito.
— How come? Why would you punish me?!
— ‘Cause you deserve it! — ri-me, ou pelo menos tinha feito um barulho que tinha sido parecido com uma gargalhada pequena.
Jeremy deu-me mais um beijo, e partiu de novo para o meu corpo.
E devagar, enquanto as mãos dele me descobriam todos os cantos, a boca e os lábios dele mergulhavam no intuito de me beijar e de me descobrir outros sítios que a mão não tinha sido capaz, enquanto eu fechava os olhos e murmurava baixinho o nome dele. Era como se tudo tivesse tornado mágico, como se de um minuto para outro, tudo o que tinha sido considerado decidido, tivesse sido cancelado, como se tudo o que tinha voado das minhas mãos tivesse voltado.
Num passar de minutos, as mãos dele chegaram à minha anca, e senti o botão das minhas calças desapertar, ao mesmo tempo que o tecido delas se alargava e se afastava da minha cintura.
E mais uma respiração e mais ar.
Precisava de ar.
Uma mão afastou as calças, e a outra empurrou, devagar, as minhas cuecas, ao mesmo tempo que um beijo surgiu na minha barriga e escorregou por entre a minha cintura. E soltei outro murmúrio quando as calças escorregaram pelas minhas pernas, e a língua dele se encontrou bem junto do meu centro. E arrepiei-me, como se algo tivesse descarregado electricidade na minha espinha, como se tivesse largado um choque eléctrico. Soltei o nome dele num murmúrio e, apesar de jurar que estava a falar baixo, quase podia acreditar que aquelas quatro paredes não eram as únicas que conseguiam ouvir os meus murmúrios doidos.
E quando levantei a cabeça para ver a face dele, vi um sorriso ténue na sua face. Não ia parar, aquele sorriso mostrava que ele não ia parar, mostrava que aquilo era apenas o início da sua demanda. E que demanda era aquela, nem eu queria que ele parasse.
— Jer…
Não respondeu, deixando-me cada vez mais crédula de que ele não ia parar enquanto não me tivesse por completo.
— I’m…
— Don’t you dare coming without me inside of you… — disse.
Mordi o lábio, encorajada por aquilo que ele tinha acabado de dizer.
— You taste so damn good!
Continuei com os olhos fechados, como se a procurar o paraíso do qual ele me obrigava a fugir.
Um e dois espasmos, não conseguia aguentar mais. Senti a minha cara ficar cada vez mais vermelha, e senti o calor de uma erupção que parecia cada vez mais visível. Enterrei as minhas unhas nos braços dele enquanto ele me lambia e chupava.
Não ia conseguir aguentar. Queria-o dentro de mim, mas a língua dele deliciava-me cada espaço.
Jeremy olhou para mim. Finalmente levantou-se e tirou as calças.
Respirei fundo.
Mentira! Não conseguia respirar, muito menos respirar fundo.
Mordi o lábio quando o vi nu, da mesma forma que ele mordeu o dele. Estava tão ou mais excitado que da primeira vez que tínhamos estado juntos.
— What? — indaguei. — Don’t I get to suck you too?
— No time! — falou ao abrir-me as pernas.
— I…
Interrompida, tal como todas as minhas zonas erógenas no meu pequeno e moreno corpo. Afaguei a minha cabeça no pescoço dele, enquanto lhe dava suaves mordidas na pele dele, ao mesmo tempo que senti o meu corpo vibrar quando ele entrou.
Suspirámos os dois o nome de cada um, tudo em sintonia, como se de uma música ensaiada previamente. Quase lhe rasguei a pele das costas com o cravar das minhas unhas.
Estava pronta!
E ao mesmo tempo que soltei um murmúrio forte, e o nome dele, e deixei o meu corpo mergulhar num êxtase interno e completo, ele deu-me o maior dos abraços e mordeu-me gentilmente o pescoço, afastando-se apenas para me dar um beijo nos lábios.
Ambos quebrámos o silêncio enquanto respirávamos, abraçados um ao outro, enquanto a minha cara se encostava no peito dele.
Senti os olhos dele seguirem-me quando afastei a cara por um segundo, procurando ar.
E quando recuperei, olhei-o. De maneira alguma queria que ele pensasse que estava farta de estar ali, até pelo contrário, começava a querer puder ter mais tempo com ele.
— If I get the flu, it was for a fucking good reason!
Encolhi-me junto dos braços dele e acabei por adormecer.
Um sonho tão explícito que aquele não existia.


Última edição por CatariinaG' em Seg Out 22, 2012 8:22 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por Fox* em Seg Out 22, 2012 6:48 pm

Há coisas que nem a doença mais forte ou contagiosa pode afastar... E o desejo está sem dúvida a encabeçar a longa lista!
Melhor que isto só entrar alguém enquanto eles dormem... Aí sim, a festa estaria pronta :D!

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Re: Building Fences [+18]

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Out 22, 2012 8:08 pm

— Flu!
— I have a great remedy for it…

Ihihihihih OnEvilLaugh Perv!

ZOMG eu a pensar que já tinha lido este cap todo quando chego ao final e BAM! Sexy part! *sexy music starts* uhhhhhhhhhhhhhh Isso foi bem sexy Cat! Não me mostraste a melhor parte, está visto! xD

Gostei e muito! Mas achei piada à Fox. Era bem giro se os apanhassem assim! :x ou não :x MAIS!

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Re: Building Fences [+18]

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