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Hoje Ninguém Vai Estragar Meu Dia (+18) - Christopher França

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Hoje Ninguém Vai Estragar Meu Dia (+18) - Christopher França

Mensagem por Christopher França em Ter Jul 31, 2012 5:26 pm

Hoje ninguém vai estragar meu dia








Índice
1. Prefácio
2. Capítulo 1 – Um dia de cão.










Prefácio

Olá, meu nome verdadeiro não posso contar, nem usarei os nomes das pessoas que envolvem minha história, mas usarei nomes fictícios para retratar toda essa minha aventura que você está preste a ler. Se você chegou a comprar este livro, foi porque eu consegui realizar o meu sonho de ser um grande escritor, e para mim isso é muito importante. Bom, vamos parar de baboseira, não é? Meu nome é Charles, tenho 21 anos e sou um escritor mal sucedido, trabalho de Segunda-feira a Sexta-feira em uma loja de conveniências. Moro sozinho em um apartamento perto da praia, tenho carro próprio e levo uma vida, digamos que... Conturbada, sim, esta é a palavra correta para tal descrição! Pratico o surf como esporte, escrevo por amor, cozinho pra sobreviver e sou o cara certo para dar as mulheres o prazer que elas querem receber.

Não posso contar para vocês toda a minha história de vida, mas selecionei umas das mais recentes que aconteceu comigo neste ano de 2011. Provavelmente essa data esteja um pouco velha quando este livro estiver em suas mãos, mas não foi pela data que você veio buscá-lo, não é mesmo? Tem algo muito mais interessante nele para ter sido procurado por você. Neste livro, eu decidi fazer algo diferente de todos os outros que já li, afinal, tem que ter um diferencial, não é mesmo? Não vou escrevê-lo com uma linguagem cheia de nós pelas costas, pelo contrário, será uma linguagem simples e direta. Quero que agrade a todos que o buscarem.

Tudo começou numa Sexta-feira a noite quando eu estava indo para uma festa em uma das melhores boates aqui na minha cidade. Até aí tudo bem, mas a festa estava parecendo à páscoa, só tinha ovo (homens). Caí fora e fui procurar o que fazer pela cidade. Recordo-me de ter ligado para a Joana, procurei saber o que ela tinha de bom para animar a minha noite. Ela acabou me convidando para uma festa na casa de uma amiga, do outro lado da cidade. Fui até lá e bebi muito, muito mesmo. Lembro-me de estar conversando com uma menina, acho que o nome dela era Patrícia.

- Oi. E aí, tudo bom?
- Comigo sim e com você?
- Também. Como é seu nome, bonitinha?
- Patrícia e o seu?
- Charles. E aí, quer uma bebida?
- Claro. Quero leitinho, mas tem que ser na boquinha.

E isso foi tudo que me recordo daquela noite, depois disso...

Capítulo 1: Um dia de cão.

Essa festa tinha me matado. Eu estava fedendo a álcool, a sexo, com uma puta dor de cabeça e não me recordava de quase nada que havia acontecido na noite passada. O que diabos ainda estava fazendo lá? E essa gente toda? Achei melhor cair fora de lá antes que alguém acordasse. Onde será que deixei as chaves do carro? Que merda, isso sempre acontece comigo!

Sai catando minhas roupas pelo chão e vestindo-as com muita pressa, sem fazer barulho para não acordar ninguém. Procurei a chave do meu carro em toda a parte, de baixo das almofadas, nos bolsos da minha roupa, em cima das mesas, por toda a parte, mas nada de sucesso em encontrá-la. Já estava quase desistindo, aí decidi tomar um copo d’água.

– Por que será que chave de carro não tem alarme, hein? Nessas horas seria muito útil. Que merda!

Fui pegar a água, quando abri a porta da geladeira, me deparei com as benditas chaves. Pelo menos, não estavam dentro da jarra de suco que nem daquela vez na casa da Pâmela. Vou dar o fora daqui, saí em direção à porta da sala me desviando dos corpos das pessoas bêbadas, parecia quase um jogo de “não pise no preto ou branco” que brincamos quando criança. Enfim consegui... Nenhum arranhão no carro? Ótimo! Pelo menos isso, não é? Liguei o carro e caí na estrada em direção à minha casa, mas pelo horário, iria pegar um engarrafamento daqueles bem longos. Liguei o som e coloquei pra tocar Charlie Brown Jr (minha banda favorita). “Hoje ninguém vai estragar meu dia, mas que preguiça boa, me deixa aqui à toa...” – Céu Azul. Essa música me faz lembrar uns dos melhores dias da minha vida e a mulher que eu mais amei, vou ligar pra ela...

- Bom dia, amor da minha vida. Como está você? Está ouvindo nossa música?
- Charles, já te disse para parar de me ligar... Para de ser tão criança, não vai ser uma música que vai nos juntar novamente. Estou muito feliz com o Maikon, e ele já está brigando comigo por causa disso.
- Qual é, Michelli? Admita que ele não faz gostoso como eu fazia...
- Idiota. Vou desligar! Vá curar sua ressaca e pare de me ligar! Será que vou ter que mudar de número?
- Claro que não meu amor, sabe no que estou pensando? Em começar algo novo, algo que envolva eu e você. – Disse ele rindo.
- Passar bem, Charles. – Disse ela desligando o celular.

Lembro-me de ir dirigindo até em casa ao som de Charlie Brown Jr. Quando estava estacionando o carro, me deparei com uma mulher loira e bonita em frente a minha casa. Ela me parecia familiar. Não medi esforços para ir até aquela coisinha linda saber do que se tratava. Será que meu dia iria começar com o pé direito? Uma rapidinha de manhã? Assim papai não aguenta.

- Olá, minha princesa. O que esse pobre súdito pode fazer pela vossa majestade?
- Seu cachorro, canalha, vagabundo... – Ela completou furiosa.
- Acho que deve estar havendo algum engano, amor. Você deve ter errado o número da casa ou alguma coisa assim.
- Pois eu não acho. Muito pelo contrário! Achei o cachorro certo, em seu lar... E para animá-lo, tenho uma ótima notícia. Você não era estéril, garanhão? Pois é, estou grávida.
- Grr... ávida? Impossível. Não usamos camisinha?
- Não. Você me disse que era estéril, idiota!
- E você acreditou? Pelo amor de Deus, quem acredita nisso hoje em dia? Bom, mas o que você quer? O dinheiro do aborto?
- Aborto? Você é louco? Claro que não, vou ter esse filho. Só vim lhe avisar que você vai ser pai.
- E quem me garante que esse filho é meu? – Disse ele pegando um de seus cigarros e ascendendo.
- Eu estou dizendo! E você acredita se quiser... – Disse ela se retirando.
Essa menina só pode ser uma louca, vem na minha porta de manhã cedo para me informar que vou ser pai e sai andando sem nem conversar nada direito.
– Ei, como é seu nome? Como vou achar você? – Gritou ele.
- Isabella. Se você quiser, você vai me achar, Charles!

Eu merecia uma notícia daquelas de manhã cedo? Qual era a de Deus? Peguei e fui checar a caixa de correio, meu relógio novo já deveria ter chegado por encomenda. Pelo menos uma coisa boa iria acontecer hoje, não é? E aquele filho poderia nem ser meu, podia estar me preocupando em vão! Abri a portinha da caixa e vi a minha encomenda do relógio, junto a ela, uma multa que levei por excesso de velocidade.

– Não é possível! Primeiro eu vou ser pai e agora tenho uma multa de mil e duzentos reais para pagar. – Gritei aos berros.

Fui tomar café da manhã pra ver se algo de pior podia acontecer, pensei em tomar em casa, mas achei melhor ir à lanchonete da esquina. Tinha um suco de laranja que eu adorava. Andei até a metade do caminho, mas me lembrei de que era Sábado e a Maria devia estar por lá – Maria era a funcionária da lanchonete que eu comi e larguei – Achei melhor voltar para tomar café da manhã em casa mesmo. No meio do caminho, o telefone tocou e eu atendi para ver quem era, estava como ligação restrita.

- Alô.
- Charles, seu viadinho chupador de genitálias.
- Diga ai, irmão!
- Advinha o que o papai aqui conseguiu?
- Não sei. Se tiver álcool e sexo. Estou dentro!
- Isso e mais um pouco, gostosão. Dois ingressos para o Honolulu Fest.
- Onde você conseguiu isso?
- Sabe como é, né? Meu nome é John Brocador! – Disse ele rindo.
- Esse é o meu garoto. Vamos arregaçar tudo hoje, vai ser tudo nosso!
- Até mais tarde. Passe lá em casa.
- Ok, desligando...

Era meu amigo João me convidando para o Honolulu Fest (nome fictício da festa). Essa festa era a melhor coisa que alguém poderia fazer em um Sábado à noite, além de custar muito caro, só tinha as mulheres mais bonitas da região (algo tipo as Panicats). Dá pra imaginar? Eu, o gostosão das mulheres naquela boate? Não ia dar o que prestasse! E, diga-se de passagem, que João não era um cara muito afortunado quando o assunto se tratava de beleza.

Entrei em casa e vi que estava uma bagunça, a diarista não deveria ter vindo ontem. Fui até a cozinha, mas sabendo que não iria achar grandes variedades por lá. Fiz um pouco de café para curar minha ressaca e omeletes com queijo e presunto. Agora sim eu estava pronto para mais um grande dia, mas ainda tinha que me ajeitar para a festa à noite.

Agora que as coisas estavam começando a dar certo, eu precisava de um passatempo para o meu grande dia. Bolei um baseado para curtir a vibe ouvindo um pouco de Jack Johson, nada melhor, não é mesmo? Peguei minha caixinha velha do óculos (local onde eu guardava a parada), comecei a triturar com a mão, misturei com um pouco de cigarro e bolei uma baseado em uma folha de seda dupla. Sentei em minha poltrona e fiquei assistindo um pouco de pornô. Quando eu já não estava mais aguentando, decidi ligar para alguma das meninas em busca de um pouco de sexo, mas qual delas? Além do mais, tenho que estar bem arrumado para a festa hoje à noite. Acho que vou ligar para Andresa, como aquela putinha toda, e ela ainda faz minhas unhas, ajeita minhas sobrancelhas e dá um jeito em meu cabelo. Vou ligar pra ver o que ela está fazendo.

- E aí, meu amor? Tá fazendo o quê?
- Nada... To em casa, e você, garanhão?
- Pensando em te pegar pelos cabelos e te mostrar umas brincadeiras novas.
- Você não perde tempo, hein?
- Pois é... A vida é curta demais, e temos que estar 24h na ativa, não é mesmo? – Disse com um tom safado - Daqui a pouco chego ai!
- Venha me comer todinha, quero ser toda sua hoje. – Disse ela desligando.

Antes de ir a casa dela, eu tinha que dar uma passada na farmácia. Meu estoque de camisinhas já havia se esgotado e não queria ser pai de supostos dois filhos. – Pensei rindo. Assim eu fiz, peguei a chave do carro e me direcionei até a farmácia. Meu carro estava um pouco sujo, pensei em passar no posto pra lavar também, mas tinha que ser jogo rápido porque a Andresa estava me esperando. Assim eu fiz, fui ao posto lavar o carro e depois na farmácia comprar as camisinhas. A balconista ficou me olhando com uma cara de assustada, eu tinha pegado 10 pacotes daqueles que vem com oito camisinhas. Gosto de comprar pra deixar por um bom tempo... Afinal, Charles está sempre pela noite adentro e precisa se proteger dos perigos que o rodeia.
Quando estava no meio do caminho indo para a casa da Andresa, o meu telefone tocou. Era ela, aí eu atendi.

- Diga princesa. Estou a caminho...
- Você está demorando, desse jeito vou ter que começar sozinha, hein? – Disse ela rindo com um tom safadinho que me deixou louco de tesão.
- O que é isso, menina? Você está treinada, viu? Meu coração é fraco, fique brincando pesado comigo não.
- Já estou de quatro te esperando pra ser comidinha por trás.
- Desse jeito vou ter que ver o quanto meu carro aguenta correr. To indo voando até aí. Vou te acabar, safada!
- Te esperando. Beijinhos. – Disse ela desligando com uma voz de menina danada.

Depois daquela conversa com a Andresa, no telefone, me senti motivado ao extremo em ir logo para a casa dela, afinal, qual homem não sentiria? Às vezes tenho a sensação de que existem muitas coisas melhores que sexo, mas aí eu paro para pensar direito e não consigo pensar em nenhuma delas. Certa vez, uma garota me disse que sabia algo melhor que sexo. Sem conseguir pensar em nada, perguntei-a o que poderia ser. Ela me respondeu: amor. E eu respondi de volta: - Espero um dia ter o prazer de sentir esse negócio que é melhor que sexo.
Não estou dizendo que nunca amei, mas digo que todas as pessoas que eu amei, me decepcionaram de certa forma. Abandonaram-me como fazem com uma goma de mascar, tiram tudo de melhor que ela tem e depois a jogam fora. Guardo um pouco de rancor sobre isso, abandono deveria ser crime, mas como não é, abandono todas e vou vivendo um dia de cada vez.

Enfim cheguei à casa de Andresa, agora era a hora do rush. Eu e ela dentro de quatro paredes, sem dó nem piedade, vou acabar com aquela putinha. Vou fazê-la implorar por mais e mais. Quero que ela saiba que quem manda aqui é eu, quero fazê-la escrava do meu sexo, subordinada do meu prazer. Liguei no interfone, ela morava no apartamento de nº 307. Lembro que ela atendeu com uma voz suave que me deixou com o dobro de excitação.

- Advinha quem é? – Perguntei bem safado.
- Não faço a menor ideia, será que é o cachorrão que vai me por de quatro? – Respondeu ela abrindo a porta.

Quando ela falou isso, eu não aguentei. Fui entrando com tudo, parecendo um furacão prestes a destruir uma cidade inteira. Peguei-a com força pelo cabelo e fui beijando todo o seu corpinho, passei a língua da nuca até à sua florzinha. Joguei-a na cama e a fiz gozar uma vez com sexo oral, eu lambia de baixo para cima deixando-a louca de prazer. Quando ela gozou, coloquei-a de quatro e botei todo lá no fundo como ela me ordenava aos gritos de prazer. Ela gozou junto comigo. Depois ela me jogou na cama e cavalgou até me deixar quase sem forças, quando ela gozou, ela caiu por cima de mim de tão acabada que estava. Fui tomar um banho enquanto ela fazia algo para comermos. Quando saí do banho, ela estava me esperando com uma salada de frutas daquela que eu adoro. Comi tudo, deitei-me no sofá e ela começou a fazer minhas unhas, depois ela ajeitou minha sobrancelha e por último ela deu uma hidratação no meu cabelo. Quando ela acabou de fazer tudo, eu vesti minhas roupas e caí na estrada, estava mais que pronto para a melhor noite da minha vida. Eu e as mulheres mais lindas, tudo que eu tenho direito para beber e muito sexo.

- E aí, John! Tudo certo pra hoje à noite?
- Claro, irmão! E aí, por onde você anda?
- Acabei de sair da casa de Andresa. Aquela putinha me fez gozar duas vezes, acredita? Cada dia que passa ela está mais danadinha.
- Acredito em você. Só quero saber quando você vai jogar ela pra mim.
- Relaxe, você sabe que comigo não tem essa...
- Irmão! Vou ter que desligar, tenho um problema sério para resolver aqui. Abraço e até mais tarde. Te amo, seu puto!
- Tranquilo, desse jeito vou acabar me apaixonando por você, Joãozinho. – Disse rindo. Até mais! – Falei desligando.

Quando você mora sozinho, um dos maiores problemas que você vai encarar é a solidão. Ela é complicada, sempre vem quando você está na pior, mas não tenha medo, assim como um resfriado, ela vai embora. Me sinto muito só depois da Michelli, ela era o amor da minha vida e digo isso com total convicção! Sabe quando você ama alguém a ponto de querer sempre fazer tudo por/pra ela?

Eu era assim com a Michelli! Infelizmente, eu estraguei tudo da pior forma possível, mas hoje eu quero, do fundo do meu coração, que ela seja a mulher mais feliz de todo o mundo.
Agora que já estou quase pronto, vou passar na lavanderia para pegar minhas roupas, já devem estar lavadas... Hoje eu quero ir muito bonito para essa festa, quero ser o centro das atenções de todos os olhos, tanto femininos quanto masculinos. É pedir muito? Acho que não! Vou colocar minha roupa mais cara, uma blusa da Calvin Klein, uma bermuda Armany... Vou parar aquela festa. Assim eu fiz... Passei na lavanderia, peguei minhas roupas e esperei a hora chegar.

- E aí, John!
- E aí, irmão. Já está pronto para o melhor dia de sua vida?
- Claro que sim! Vou pra sua casa agora?
- Acho que é melhor você vir para a gente ir mais cedo. Assim pegamos lugar para estacionar.
- Tudo bem então! Estou saindo daqui.
- To te esperando. Vê se não demora.

Saí em direção à casa do João, fui o mais rápido que pude para podermos chegar à festa cedo. Sabe quando você tem um bom pressentimento sobre o que está prestes a acontecer? Pois bem, eu estava com esse pressentimento. Enfim cheguei à casa do João, logo gritei:

- Vamos embora, porra!
- To indo. Vou fechar as janelas e to descendo.
- Ok! Estou esperando.

João desceu, entrou no carro e fomos em direção à melhor noite de nossas vidas. Quando chegamos lá, estacionei o carro e o guardinha me cobrou dez reais para olhar o carro. Eu não me importei muito... O meu convite era gratuito, não é mesmo? Entrei na festa e vi as mulheres mais lindas que meus olhos já tiveram a chance de ver, algo fora do comum. Eu nem conseguia acreditar naquilo, algo fora do sério. Eu ia me dar muito bem naquela noite, ia pegar todas que eu pudesse e ia sair com uma para ter uma noite perfeita no motel.

“Um dia de cão”. Até aí tudo bem, mas agora você vai entender, de uma vez por todas, porque eu dei esse nome a este capítulo.

Depois de ir me familiarizando com o local, fui pegar bebidas. Nós estávamos no camarote VIP com tudo grátis. Comecei com uma dose de uísque, gelo e energético... Bebi do melhor que aquela festa tinha a oferecer. Fui chegando até uma mulher morena, muito bonita que estava sendo o centro das atenções naquela festa.

- E aí, posso saber seu nome?
- Pra quê? Tá precisando de opções para colocar o nome de sua filha?
- Não entendi.
- Sua filha com a Isabella.
- Como você sabe disso? Até aqui? – Disse ele espantado.
- Fica pra próxima, gatinho. – Disse ela saindo em direção ao bar.

Não era possível que eu tinha deixado de pegar aquela gata por causa de uma criança que nem sei mesmo se é minha filha. E como ela podia saber disso? Bom, não podia desanimar na primeira tentativa. Ela só era mais uma dentre centenas de mulheres naquela noite. Fui pegar mais outra bebida, mas aquilo não me saía da mente. Quando já estava no quinto copo, senti minha cabeça ficar meio tonta e fiquei meio enjoado. Uma sensação estranha, nunca havia sentido aquilo, mas não dei muita importância... Afinal, eu estava na melhor festa, com as mulheres mais bonitas. Voltei para o meio da festa e fui até o João para ver qual era a boa.

- E aí, irmão. Já pegou quantas?
- Ainda estou no zero a zero, mas a noite acabou de começar. Sinto que vou me dar bem.
- Claro. Você é o gostosão dessa noite!
- Assim vou acabar indo para a cama com você, Charles. – Disse ele rindo – Cadê aquela gata que você estava conversando?
- Rapaz, é uma longa história. Depois conto para você.
- Charles, vou pegar mais bebida. Quer alguma coisa?
- Quero. Pega uma dose de Vodka com gelo pra mim?
- Claro. Você quem manda, garanhão!

João saiu em direção ao bar e me deixou no meio da festa dançando. Parei para pensar melhor e vi que eu não estava aproveitando nem 10% do que aquela festinha tinha para oferecer. Comecei a dançar e fui chegando nas meninas. Depois de uma hora de festa, eu já havia beijado duas, e o João ainda estava no zero a zero. Decidi chegar em duas amigas com ele para ver o que acontecia. Lembro que elas não eram amigas, eram irmãs gêmeas. Peguei uma, e ele a outra.

- Charles, você não deveria estar dando apoio a Isabella agora?
- Você novamente? O que você quer, hein garota?
- Eu? Nada. Você quem está querendo demais. Não acha?
- Me deixa curtir a festa em paz, me esquece.
- É assim que você faz com todas? Pobre garotinho.
- Você nem sabe quem eu sou... Não me julgue! E eu nem sei se aquele filho é mesmo meu. Alguém pode provar?
- Você quem sabe, Charles. Você acha que quando ele estiver maior e souber que você disse isso, ele vai se sentir bem?
- Vou ao bar, não encha mais meu saco, por favor.
- Tudo bem. Você quem sabe da sua vida...
- Ficarei muito grato.

Direcionei-me ao bar com a cabeça fervendo. Aquilo já estava me deixando louco de raiva. As perguntas que me vinham à mente eram sempre as mesmas: Será que vou ser pai? O que devo fazer?

- Que inferno, sai da minha mente, porra! – Gritei bem alto fazendo com que as pessoas que estavam ao me redor olhassem-me com cara de espanto.

Tomei uma dose, tomei outra e mais outra. Já estava ficando tonto e continuei bebendo sem parar. Meu objetivo era beber até esquecer daquilo para poder ir curtir a festa, mas nem tudo saiu como planejado. Fui bebendo, mais e mais... Minha cabeça começou a pesar, meu corpo começou a não responder e tudo começou a ficar em câmera lenta. Lembro que vi algumas pessoas correndo em minha direção para me socorrer, elas batiam em meu rosto e gritavam, mas eu não sentia dor, muito menos conseguia ouvi-las direito. Minha visão começou a escurecer e foi aí que eu me lembro de ter perdido a consciência.
Uma criança que nem nasceu ainda, e que nem tenho certeza se é minha ou não, acabou com o meu dia e quase acabou com a minha vida.
Acordei meio assustado, estava em um quarto branco. Pensei ter morrido e comecei a chamar por Deus.

- Deus, cadê você? – Exclamei meio confuso. – Não vai me responder? – Foi quando vi uma mulher entrar no quarto e avisar que eu tinha recuperado a consciência.

Percebi que não estava morto, mas sim em um hospital, começaram a anotar algumas coisas no caderno. E o médico me fez algumas perguntas.

- E aí, Sr. Charles. Como você está se sentindo?
- Um pouco tonto, mas bem. Há quanto tempo estou aqui?
- Pouco mais de duas horas. A tontura é normal, logo passará. As enfermeiras vão trazer alguma coisa para você comer. Você ficará um pouco em observação e depois poderá ir para casa.
- Em quanto tempo será isso, doutor?
- Nada que deva ser preocupante. Mais umas duas horas e terá alta. Bom, vou indo.
- Obrigado, doutor.

Ele saiu do quarto, logo vieram às enfermeiras. Trouxeram-me um pouco de sopa, o que não estava nada gostosa, sem sal, sem gosto, sem nada. Comi porque estava como fome, mas nada satisfeito com aquela situação. Depois elas foram embora e fiquei um pouco com aquilo ainda martelando em minha cabeça, até que a porta se abriu e uma enfermeira entrou.

- Senhor, Charles. Você tem visita.
- Quem é?
- O senhor João está aqui. Mando entrar?
- Ah, obrigado. Pode sim, por favor.
- Tudo bem.

João entrou com uma cara de preocupado e foi logo querendo explicações sinceras da minha parte.

- O que está acontecendo, Charles? Você me deu um susto essa noite. Acho melhor você ir abrindo logo o jogo.
- É uma longa história, João.
- Pois é, mas eu tenho todo o tempo do mundo para ouvi-la.
- Então tudo bem.
- Vamos logo, conte. – Disse ele com pressa.
- Calma, sem pressa.
- Vamos logo, Charles. Não estou pra gracinhas. – Disse ele já enrijecendo a voz.
- Tudo bem então. Tudo começou essa manhã quando cheguei da festa que fui ontem à noite na casa da amiga da Joana.
- Quem é Joana?
- Aquela menina que te apresentei no meu aniversário.
- Ah, tudo bem.
- Sim, continuando... Quando cheguei em casa, vi uma mulher loira em frente a minha porta e fui perguntar o que ela queria. Ela veio com um papo de que eu havia transado com ela sem camisinha e que ela estava grávida de mim.
- Você vai ser pai? – Falou ele bastante preocupado.
- Pois é, fiquei tão espantado quanto você está agora.
- Sim, e aí?
- Perguntei o nome dela. Ela me falou Patrícia, aí eu perguntei aonde eu iria achá-la e ela respondeu: - Se você quiser me achar, você vai.
- Que louca.
- Pois é! Eu pensei a mesma coisa, mas não dei muita importância porque nem sei ainda se o filho é realmente meu.
- Se você for realmente virar pai, sua vida acabou, amigo.
- É nisso que andei pensando o dia todo. Malmente consigo me sustentar, como vou sustentar uma criança?
- É melhor você arrumar um emprego melhor, sei lá... Tem que dar um jeito.
- Não sei, Johnes. Pela primeira vez na vida, fiquei realmente preocupado com algo.
- É de se entender tamanha preocupação, mas o que isso tudo tem haver com a festa?
- Bom, lembra-se daquela morena muito linda que estava no meio da boate?
- Lembro. O que tem ela?
- Quando eu fui chegando nela e perguntei seu nome, ela me respondeu algo que me deixou muito intrigado.
- O quê? – Perguntou ele meio espantado.
- Ela falou: - Por que você quer saber? Está procurando um nome para sua filha?
- Nossa! E como ela sabia?
- Boa pergunta. Também não sei...
- Estranho.
- Depois disso, ela ficou falando um monte sobre meu filho crescer e me odiar porque estou rejeitando-o, isso me deixou sufocado e eu fui bebendo cada vez mais até que vim parar aqui.
- É complicado, Charles. Você precisa achar essa tal de Patrícia para ver se esse filho é mesmo seu. Vocês precisam conversar.

O médico entrou no quarto e veio andando em nossa direção. Ele parecia meio preocupado.

- Pronto, Sr. Charles. Você já está liberado e pronto pra outra, mas dessa vez sem exagerar nas bebidas, hein?
- Obrigado, doutor.
- De nada, disponha.
- E aí, irmãozinho. Vamos pra casa? – Perguntou João com uma cara meio que feliz.
- Acho que sim, né? Posso dormir na sua casa essa noite?
- Pode, mas vou cobrar.
- Pare de ser mercenário. A vida não gira em torno disso...
- E gira em torno de quê? Comas alcoólicos? – Disse ele rindo.
- Só se for de dona Neuza.
- Começou a brincadeira sem graça...
- Vou vestir as roupas. – Disse me direcionando ao banheiro para pegar as do hospital e trocar pelas minhas roupas.

Eu e João fomos até a recepção, pegamos meus documentos e nos direcionamos até o carro. Quando chegamos ao carro, tinha um menino pedindo esmolas.

- Tio, descola um trocado?
- Tá me achando com cara de quê? Banco? – Respondeu João.
Fiquei com pena e disse: - Toma aqui dois reais pra você comer alguma coisa.
- Você é louco? – Respondeu João.
- Por quê? – Retruquei.
- Essa grana é pra gastar toda com drogas, Charles.
- Não é não, tio. To com fome. – Interrompeu o menino com um olhar aflito.
- Deixa lá, João. Pelo menos, fiz minha parte. Cabe a ele saber em que deve e quer gastar. Estou com minha consciência limpa.
- O dinheiro é seu e é você quem sabe. – Disse João meio desacreditado.

Entramos no carro e seguimos em direção à casa do João. E assim terminou o primeiro capítulo. Que dia, hein?


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Capítulo dois.

Mensagem por Christopher França em Ter Jul 31, 2012 5:27 pm

O capítulo dois está sendo escrito, não há previsão para postagem. Desculpa aos que gostaram e gostariam de acompanhar brevemente.
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