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70ª Edição dos Jogos Vorazes

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70ª Edição dos Jogos Vorazes

Mensagem por miaDamphyr em Qui Jan 24, 2013 12:37 pm

Aviso: Violência, Linguagem imprópria, Mutilação.
Género: Death Fic, Drama, Suspense, ação.
Rate: + 18
Sinopse: Tratado da traição: Em penalidade à rebelião, cada distrito deverá oferecer um menino e uma menina entre os 12 e os 18 anos para uma “Colheita” pública.
Esses tributos serão entregues á custódia do Capitol e então transferidos para um arena onde lutarão até a morte, até que apenas um vencedor sobreviva.
Daqui em diante, este acontecimento ficará conhecido como os Jogos Vorazes”
Disclaimer: Jogos vorazes não me pertencem mas sim a brilhante Suzanne Collins, qualquer semelhança não é mera coincidência. Não pretendo ganhar nada em troca a não ser um pouco de diversão e explorar a história de uma maneira diferente claro, O meu ponto de vista!
A maioria dos personagens me pertencem, outros são de Suzanne Collins.
Bem vindos ao Distrito 7- Lumber.
N/A- Para quem já leu o livro ou viu o filme sabe de que se trata e que estou a ser atrevida ao tentar reproduzir uma fanfic do género, mas li os três livros em menos de uma semana e fiquei curiosa em saber como seria a história num outro ponto de vista, e num outro distrito e então escolhi o sete, o da madeira.
Estou de volta e a inaugurar um tópico, uhhh.
Personagens conhecidos provavelmente serão: Johanna Mason, Presidente Snow, Seneca Crane, Caesar Flickerman. O resto foram inventados por mim.
Esta edição obviamente se passa antes de katniss ser um tributo.

Capitulo um- Distrito 7




Como Penalidade á rebelião ocorrida há mais de setenta anos, vidas inocentes e de crianças deveriam ser jogadas de forma brutal e sangrenta, para relembrar a todos do poder do Capitol. Era nisso que pensava enquanto caminhava em direção á minha casa na manhã da Colheita. Minha mãe tinha pedido para que eu ficasse em casa, mas era mais forte do que eu. Era a minha última Colheita, tinha escapado das outras cinco e em todas sempre me sentia assim, com medo e com o pensamento distante. E para me abstrair procurava seguir sempre o mesmo ritual, ir cortar lenha.

O distrito 7 era conhecido pela extração de madeira, possuíamos uma grande variedade de árvores e florestas densas e recheadas. Quase todos aqui eram lenhadores desde crianças, estava nas nossas veias e borbulhava em nossos corações. Sabiamos diferenciar os tipos de árvores e até de algumas plantas com apenas um olhar, conseguiamos escalar com rapidez e tirar seiva e água das árvores. Claro que uns eram melhor que os outros, isso acontece em todo lugar.

Andar pelo nosso distrito sem encontrar uma árvore é quase impossível, e o ar aqui é fresco. Enquanto todos adolescentes estavam nas suas casas a preparar-se para o grande momento, eu arrastava o machado deixando trilhos pela areia vermelha e tinha os olhos perdidos no céu azul. A fome roía o meu estômago, algo que deveria ser normal para uma família como a minha que fazia apenas uma refeição por dia. Deveríamos ser um dos mais pobres do distrito, mas mesmo assim a minha mãe não deixava que eu escrevesse o meu nome mais vezes para ganhar as tésseras, ela preferia passar a fome a ver um dos seus filhos na arena. O meu irmão mais velho Jared tinha conseguido escapar imune os seis anos que o seu nome fora a Colheita, este era o meu último e Rosen a caçula ainda tinha seis anos e não precisavamos de nos preocupar com isso tão já.

Os jogos eram vistos como um divertimento para os do Capitol, e era obrigatório que todos os assistissem. Já tinha visto alguns vencedores que passaram por aqui durante anos para o Tour de Vitória que faziam em todos os distritos, e não sabia como conseguiam continuar tão vivos e imponentes mesmo depois de terem matado os outros. As crianças do Capitol não participavam dos Jogos, outra injustiça, pois para além de viverem no luxo da metrópole e de não conhecerem a fome dos distritos, ainda tinham a sorte de não ver nem um dos seus morrer.

– Devra – Meu coração bateu quando escutei o meu nome, e virei-me de rompante. Eu conhecia àquela voz, mas não sabia que o seu dono me conhecia. Era Desmon Ice, o filho do prefeito. Confesso que fiquei admirada por vê-lo ali, e pestanejei vezes sem conta e limpei as mãos sujas no meu macacão igualmente sujo.

– Desmond – O meu tom era mais de admiração que outra coisa. Era difícil acreditar naquele jovem belo, alto com a pele branca e alva e um cabelo loiro bem penteado para trás. Tinha olhos claros e vestia uma bela roupa que certamente seria para a ida á praça, embora que com vinte anos já estivesse livre de ir para a arena. Muitos diziam que por ser o filho do prefeito ele e o irmão tinham algo como uma proteção do Capitol. – Algum problema?

– Eu.. – Engoliu em seco, e suas faces ficaram enrusbecidas. Seus olhos giraram por todos os lados e demoraram até encontrarem os meus. – Depois da Colheita, encontre-se comigo na entrada dos armazéns dos troncos de pinheiros. Tem algo que quero lhe dizer.

Desta vez eu é que fiquei enrusbecida, mas a sujidade que me cobria da cabeça aos pés ajudou a camuflar o meu estado. Acenei com a cabeça afirmativamente, pensei em lhe perguntar qual era o assunto ou se não podia adiantar, mas da minha boca sairam outras palavras:

– Até logo. – Esbocei um sorriso que deveria ser a única coisa branca no meu corpo. Vi que Desmond não conseguia segurar a respiração, e aquilo abriu portas para a minha imaginação. Ele sempre estivera duas classes á frente de mim, mas nos intervalos eu conseguia vê-lo. Sempre o achei bonito.

Corri para casa com o machado a pesar não mais que uma pluma e com o coração a querer saltar da boca. Toda a fome tinha desaparecido, e avistei a casa de madeira onde viviamos. Entrei ainda a ofegar e com o sorriso de orelha á orelha que foi cortado com o estalo que a minha mãe me deu.

– Onde estiveste? Pedi que não saisses hoje, me desobedeceste. – A senhora Calêndula conseguia ser desagradável, e as mãos pesadas de lenhadora doíam de verdade. Ela era baixa e magra, com os cabelos lisos e a pele envelhecida pela vida dura que levavamos.

Olhei para a mesa e vi meu pai, meu irmão e a pequena Rosen, todos olhavam para mim como se tivesse cometido o maior pecado capital. Estavam todos na mesa arrumada com pratos, copos com água e uma panela pequena de guisado de carneiro. Provavelmente a última perna que tinhamos na dispensa, mas era tradição na família que em todos os anos no dia da Colheita, a nossa única refeição fosse feita ao almoço e que fosse algo realmente bom.

– Perdão. – Esgueirei-me para sentar ao lado de Rosen, que era muito bonita, com os cabelos ondulados até ao centro das costas e grandes olhos castanhos. Usava um vestido azul que um dia fora meu e que lhe ficava grande.

– Estás toda porca. Vai te lavar. – Ordenou Jared aborrecido. A cicatriz que tinha na face, tinha sido originada por um machado que lhe fora arremessado sem querer contra a face.

– Vai, nós esperasmos-te. – Disse o meu pai, este que ainda dava mais dó. Os ossos a confundirem-se com pele, as mãos calejadas, manchas pretas debaixo dos olhos vivos. As roupas penduradas no seu corpo como se se tratasse de um cabide.

– Podem começar a comer. Eu não me demoro. – Garanti levantando-me sem graça, por mais pobre que fosse era anti higiénico sentar-me na mesa toda suja, mas o guisado da minha mãe era algo que sempre me dava água na boca e me embaciava os pensamentos.

A água também era escassa, por isso os banhos tinham de ser bem medidos. Usei um vestido que pertencera a minha mãe e que estava bem remendado para não me ficar tão largo, não saberia dizer em que época é que a minha mãe conseguira vesti-lo sem parecer um cabo de vassoura de vestido. Os meus cabelos tinham muitos caracóis e era difícil de os pentiar e lutar contra os seus nós, tanto que apenas puxei-os num rabo de cavalo e logo voltei para onde se encontrava a minha família parados diante da porta, sendo Jared o mais alto.

– Comes a tua volta, são quase duas da tarde. – disse a minha mãe Calêndula, que amorosamente deu a mão ao meu pai Don. Eles seguiram em frente, como se fossem nossa escolta e não resisti dar uma última olhada ao prato em cima da mesa, e sair de mãos dadas com Rosen. Jared marchava como um soldado, sempre duro e frio como se todos fossem culpados pela vida de miséria que levavamos.

Várias famílias enchiam as ruas, a nossa cidade tinham muitos adolescentes e era fácil de ver a cara de descontentamento da maioria. Muitos de nós passava todo ano só a pensar nas Colheitas, e essa vida de certo não era fácil. Mas naquele dia os meus pensamentos estavam longe, meu coração batia com força e não via a hora de tudo terminar para correr em direção as fábricas e saber o que Desmond Ice queria me dizer.

– Estás longe, Devra. – Rosen chamou-me para a realidade. E sorriu com os dois dentes em falta. – Teus olhos estão a brilhar.

– Guardas segredo? – perguntei baixo e ela confirmou com a cabeça. – Desmon Ice me chamou para sair. – Talvez fosse a falta de amigos, afinal a maioria das pessoas nos desprezava por sermos tão pobres e desmazelados, mas Rosen era minha pequena melhor amiga e confidente.

– Oh que maravilha, Devra. Achas que te quer pedir em casamento? Levas-me a viver contigo na casa do prefeito? – pediu com os olhos a brilharem, e eu sorri pela sua ingenuidade. Mas se isso algum dia acontecesse, eu a levaria com toda certeza e confirmei com a cabeça.

A praça estava abarrotada de gente como sempre, os adolescentes agrupados em fileiras, meninas de um lado e rapazes do outro, desde os mais novos até aos mais velhos que era o meu caso. Equipes televisivas corriam de um lado para o outro, várias telas espalhadas para uma melhor visão e um palco em frente onde se encontrava Johanna Mason a Mentora e a única vencedora pelo distrito 7, Gran Ice, o prefeito que muito pouco se parecia ao filho salve os cabelos loiros, e a exuberante Fera Logo com os seus cabelos verdes fluorescentes, cílios longos de quinze centímetros, lábios pintados de laranja fogo e sombras da mesma cor. Usava um vestido brilhante para o dia, uns sapatos sem saltos que se apoiavam na sola da frente e a mão que segurava o microfone tinha unhas longas que dobravam-se. Pacificadores estavam em todo lado com metralhadoras apontadas para a população.

Todos estavam quietos e apreensivos até que todos os relógios de Panem bateram duas horas da tarde.

O prefeito Don Ice levantou-se com o seu ar sombrio, a barriga grande que revelava a vida boa que tinha e então começou a contar a mesma história de todos os anos, a história de Panem: O país que outrora fora a América do Norte, esta que foi destruida por desastres naturais, o aquecimento global que levou a subida do nível do mar que cobriu grande parte das terras, criando guerras pelo pouco que tinha restado. E então surgiu Panem, que se reergueu das cinzas com um Capitol seguido por treze distritos e que trouxe paz entre a população. Mais tarde vieram os Dias Escuros e a rebelião que ousou desafiar as forças do Capitol, doze dos Distritos perderam na guerra e o Distrito número treze foi devastado. Como setença pelos actos rebeldes, o Tratado da Traição trouxe novas leis para garantir a paz e para mostrar o poder do Capitol, e como uma lembrança anual de que os Dias Escuros jamais voltarão, foram criados os Jogos Vorazes.

O Prefeito fala então de Johanna Mason, a única vencedora dos Jogos pelo nosso distrito e diz que espera que hajam mais vencedores para se orgulhar. Em seguida segue o espaço para Fera.

– Povo de Panem, sejam todos bem vindos! – A voz de Fera Logo era estridente e aguda, como todos os habitantes do Capitol. Os seus lábios geneticamente modificados pareciam duas larvas sobrepostas a dançar, cada vez que falava. – É com muito orgulho que represento o Distrito número 7.

Meus olhos por algum acaso estão fixos nas duas esferas de vidro com os papelinhos cheios de nomes, outros escreveram seus nomes mais de quarenta vezes para ganharem as tésseras e de alguma forma diminuir a fome de suas famílias. A voz de Fera soa alto, repete sobre a rebelião que houve e que originou a criação dos Jogos, fala dos outros distritos cujos participantes lutam entre si para estar na arena, de certo o 1, 2 e 4, onde estão os Profissionais. E por fim chega a hora em que Fera se aproxima para escolher o tributo feminino, coloca a mão na esfera, remexe e remexe como se quisesse brincar com as emoções e então tira um pequeno pedaço de papel. Sorri.

– Senhoras e Senhores, o tributo feminino deste ano para o distrito sete é: Devra Rolla.

E é naquele momento que o meu mundo cai.
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Re: 70ª Edição dos Jogos Vorazes

Mensagem por Fox* em Sab Jan 26, 2013 11:16 am

Bem, eu nunca li os livros dos Hunger Games mas sei do que se trata e todas as pequenas adaptações que retratem os outros tributos e as suas vidas são bem-vindas (até porque, no filme, achei que não foi dada a devida importância aos outros miúdos)!
Agora fico à espera da continuação! Como vão ser os treinos? Quem vai com ela? Ela vai sobreviver? Mas mais importante, o que é que o filho do Perfeito tem para lhe dizer? :D
Força nisto, Mia!

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Re: 70ª Edição dos Jogos Vorazes

Mensagem por miaDamphyr em Dom Jan 27, 2013 1:38 pm

Olá minha querida Fox, como sempre em todos os lados. Que bom! Olha, se quiseres posso te enviar os três livros por pdf para o teu mail, aposto que gostas mais deles do que do filme. Lool.

Bem, os jogos vorazes estão a virar uma febre nas fanfics, e eu não resisti. Visto que continuar com as outras histórias depois de ter perdido o pc não me está com nada, talvez me meter nisto seja muito melhor.

Obrigada por ler minha Fox.
Beijos
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Re: 70ª Edição dos Jogos Vorazes

Mensagem por miaDamphyr em Dom Jan 27, 2013 1:45 pm

2- O Trem

Vou morrer. Vou morrer. Vou morrer. É a única certeza que eu tenho, tudo a minha volta desaparece, as caras tornam-se disfocadas, ouço gritos e choros distantes que reconheço em algum momento como de Rosen e de minha mãe, não consigo ver direito e percebo que são os meus olhos que estão cheios de lágrimas que por alguma razão não caem. Todos os olhos estão em cima de mim, mas meu cérebro parece que não consegue arrancar para dar uma informação que seja. Espero acordar, ou ouvir Fera Logo dizer que se enganou, mas nada disso acontece e então sinto-me fraquejar. Meus olhos varrem todos até cairem em Desmond Ice que me olha horrorizado pelo que acaba de ouvir.
– E o tributo masculino que irá representar o Distrito 7 este ano é: Kail Frevo! – grita Fera entusiasmada, e ouvem-se alguns sons de aplausos. Eu ainda não cai em mim, mas sinto a ponta fria de um Pacificador que me toca nas costas para me indicar que eu já devia estar lá em cima no palco.
– Este ano o Distrito 7 terá um vencedor! – Ouço Kail dizer confiante, conheço-o da escola e por ser o lenhador mais rápido que temos no Distrito. As pessoas gritam empolgadas depois de ouvi-lo, e a certeza de uma morte iminente me vêm á cabeça. Meus olhos ainda estão cheios de lágrimas quando somos levados pelos Pacificadores até ao palco onde o prefeito se mostra satisfeito e ainda fala algumas coisas que não oiço, e então o hino de Panem começa a tocar. Todos sabem em decor o hino, mas da minha boca nada sai. Em seguida somos levados ao Edifício de Justiça que ficava mesmo em frente, passamos pela grande porta de madeira e somos separados imediatamente. Fecham-me numa sala pequena, e ainda estou num estado de choque que não me permite chorar, aguardo em silêncio ainda meio perdida a espera que alguém venha me salvar do meu destino infortúnio.
E então a porta abre-se e a minha família entra. A minha mãe chora sem consolo e lamenta não ter me deixado sequer comer o seu guisado que eu tanto adoro pela última vez. Rosen está toda vermelha, agarra-se a mim com força. Meu pai está aparentemente calmo, mas eu sei que por dentro vai desabar e Jared olha para mim atentamente.
– Perdoa-me Devra, se eu pudesse estar no teu lugar eu estaria. Perdoa-me. – É tudo o que me pede, mas a idade já não lhe permite se oferecer para ir em meu lugar. E então ele chora desesperado. Parece que todos tem a certeza de que vou morrer, menos meu pai.
– Eu te espero em casa, prometo que vou aquecer o guisado. – disse ele confiante. Olhava para mim atentamente como se deixasse claro que não voltar viva, não era uma opção. Sinto a força que emana dele e a confiança que me transmite.
Quando os Pacificadores vem dizer que o tempo terminou, eu chamo Rosen e lhe entrego uma pulceira de prata que eu tinha desde criança.
– Lembra da pessoa que te falei hoje? – pergunto num sussurro e ela confirma. – Entregue isto para ele. E tu podes ficar com todas as minhas coisas, está bem?
Ela desce do meu colo a apertar a pulceira como se tivesse o bem mais precioso e a missão mais perigosa do mundo. Respira fundo, limpa as lágrimas e então sorri.
– Eu não vou ficar com as tuas coisas, Devra. Porque tu vais voltar. – Ela afirma antes de sair e então mergulho na solidão. A despedida tinha sido muito rápida, nem consegui lhes dizer nada e poderia morrer sem que soubessem o quanto os amava.
Os Pacificadores voltaram para nos levar do Edifício de Justiça, e fomos para o trem. Seria a primeira vez que eu ia subir num, e talvez a última. Olhei para Kail de lado, não parecia temer muito pelo contrário, parecia um dos Profissionais. Ele era bem mais alto que muitos rapazes de dezoito anos, tinha braços fortes, pele dourada e um cabelo muito preto sujo e bagunçado. As roupas conseguiam ser ainda mais esfarrapadas que as minhas, mas a sua confiança exalava pelos poros.
Somos mostrados os nossos quartos que é maior que o que dividia com Rosen, e em seguida vamos para um vagão onde estava a nossa Equipe de preparação, nosso Estilista e a Mentora. Todos olham para nós. Johanna que tem grandes olhos castanhos e um cabelo espicaçado parece aborrecida, como a única vencedora do nosso Distrito ela tem o fardo de carregar todos os tributos para arena e nenhum até hoje regressou vivo. Tal ideia me arrepia, mas permaneço impávida. Fera também está ali e é ela que começa a falar.
– Eu e Ju cuidaremos de vocês. Da vossa equitação e da vossa beleza, que realmente precisa de muita magia. – Deitou um olhar negativo tanto para mim como para Kail que agora olha para ela com os olhos azuis celestes fervorosos e brilhantes. Ju Vagante é um homem magro, com os cabelos vermelhos da mesma cor que as sobrancelhas finas, um nariz estranhamente pequeno e tatuagens de estrelas na cara. Definitivamente o homem mais esquisito que eu já vi.
– Eu sou Amida Hurthurt, a vossa Estilista. – Ela tinha cabelos brancos curtos, e lábios pintados da mesma cor. Seu tom de pele era azeitonado, criando um contraste grande com os cabelos e as tatuagens nos braços que eram brancas.
– Já lhe disse para não vos colocar em árvores! Deve ser isso que dá mau augoro. – ironizou Johanna que tinha a mão apoiada no queixo sem nos dirigir um olhar decente.
– Vamos todos trabalhar para a vossa sobrevivência na arena e que para a vossa participação nestes jogos seja inesquecível. – Afirmou Amida num tom sério, e Fera e Ju se mostraram entusiasmados e começaram a trocar breves ideias sobre o que fariam.
Deixaram-nos que cada um fosse para o seu quarto, sabiam que ainda estavamos em choque e que precisavamos de espaço para aceitar a realidade. Sentei-me do lado da janela e fiquei a ver o que restava do meu Distrito desaparecer diante dos meus olhos, foi então que cai na realidade e comecei a chorar. Eu tinha a certeza de que ia morrer, e rezava para que fosse da forma mais indolor possível. Pensei na minha família, a minha mãe e Rosen que estava habituada a minha companhia. Depois lembrei-me de Desmond, o que ele queria falar comigo? O que me iria dizer? Se eu tivesse tido coragem de lhe fazer àquelas perguntas hoje no início da tarde, agora eu teria as respostas. Mas não seria esta viagem para a morte ainda mais dolorosa? Fui tomar um banho quando da paisagem só restavam árvores, e então adormeci de tanto cansaço.
Acordei com o som da porta a bater e Fera entrou no meu quarto.
– Hora de jantar querida. – anunciou com meio sorriso, e eu percebi logo que ela ia andar no meu pé durante todo tempo até entrarmos na arena. Levantei-me preguiçosa, tinha tido a esperança de acordar em casa mas finalmente a ficha tinha caido e eu tinha de aceitar a realidade. – Ainda não faço ideia do que fazer com o teu cabelo, nunca vi tantos caracóis juntos.
Eu sorri para ela que me correspondeu, afinal eu não era a única sem saber o que fazer com ele. Caminhamos até o outro vagão onde tinha sido servido o jantar. Kail estava sentado ao lado de Ju, seus olhos irriquietos observavam tudo a sua volta e eu percebi que o tributo do meu Distrito seria um dos meus maiores problemas. Amida e Johanna também estavam na mesa com ares cansados de quem passaram a maior parte do tempo numa conversa longa. Eu sentei-me do lado de Fera e observei a vasta refeição, lembrei-me que não tinha comido nada o dia inteiro e pensei na minha família sem mais nada para comer, desejei que Rosen ficasse com o meu prato de guisado.
Na mesa tinha sopa de peixe a fumegar, batatas assadas, perú cozinhado com mel e codornizes com sumo de limão e picante. De sobremesa tinha biscoitos de aveia e gelatina de várias cores.
– É melhor se alimentarem bem. Vão precisar de todas forças possíveis – disse Fera que olhava de mim para Kail, e os dois atacamos a mesa como os esfomeados que éramos, o que deixou os três do Capitol de boca aberta. Johanna riu as gargalhadas.
– Eles irão aprender os modos, Amida. Lembrem-se de como eu era. – anuiu com graça. – Depois preparem-se para ver a Colheita dos outros tributos.
Aquilo arrepia-me, não me agrada a ideia de ter de enfrentar as caras das pessoas que me vão perseguir até a morte. Não sei onde é que está a diversão de tudo aquilo, crianças levadas a uma arena e transformadas em monstros para poderem sobreviver. Comemos enquanto ouvimos a conversa deles sobre os planos que tem para nós, Kail está a comer a uma velocidade que faz Ju segurar-lhe os braços duas ou três vezes e então me lembro que conheço muito bem a família Frevo.
Kail era órfão de mãe, e o pai era um bêbado que vendia esculturas de madeira para sustentar o seu vício. Desde cedo ele fora trabalhar como lenhador dos armazéns para sustentar as três irmãs, tendo a mais velha morrido na sexagésima quinta edição dos Jogos. Agora só restavam duas que dependiam dele para viver, uma vez que o pai desaparecia durante dias e era Kail que saia a sua procura. Pensando bem conseguia entender porque ele tinha aquele ar tão amargo e porque estava tão decidido a ganhar.
– Se continuas a olhar assim para mim, perco o apetite com a tua cara feia. – rosnou Kail que arqueou uma sobrancelha grossa, e tinha a boca cheia de mel do perú. Eu senti uma pontada no coração, apesar de muita gente não se aproximar da minha familia eu não estava acostumada a pessoas hostis. Toda a compaixão que eu estava a sentir por ele desapareceu naquele momento, afinal eu também tinha uma família que precisava de mim.
– Estava aqui a pensar de que maneira vou te matar. – respondi sem medir, e estreitei os olhos fixando-o sem pestanejar. A mesa ficou em silêncio pela minha mudança súbita. Mas eu não podia pousar de coitadinha para sempre, não tinha maneira de fugir dos Jogos então o melhor seria Jogar.
O barulho do trem soou alto, ainda iamos a meio dia de viagem para o Capitol.
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Re: 70ª Edição dos Jogos Vorazes

Mensagem por Fox* em Seg Jan 28, 2013 4:33 pm

Bem, ela sofreu uma metamorfose violenta! No início era apenas uma rapariga assustada e em menos de meio dia, mudou para uma aprendiz de assassina. Mas quem a pode censurar quando a sua vida vai depender do quão bem aprende a matar?
Não me consigo imaginar numa situação assim, confesso! Acho que seria das primeiras a morrer...
Mia, apesar de ser errado, aceito de bom grado este contrabando de livros! Envia-me então para o mail os três, volumes, se não te importares :)

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Re: 70ª Edição dos Jogos Vorazes

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