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Pena de Morte

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Pena de Morte

Mensagem por mrmadeirense em Sex Jun 15, 2012 10:38 pm




"Bom dia! São 7 horas no continente e na Madeira e 8 horas nos Açores..."

A antiga e luminosa Lisboa despertou triste. O nublado céu, fortemente carregado de nuvens atletas, impedia que qualquer mínimo raio de luz penetrasse na velha, e noutro tempo, colorida cidade. As nuvens carregadas de pequenos anjos negros, continuavam a passar, e a passar, a sua velocidade era estonteante.

Descalça e levemente vestida, está uma elegante senhora, esta direcciona-se para a cara avenida da liberdade. Entretanto, Lisboa começara a perder o sangue que lhe mantinha viva, o sangue transbordava de todos os esgotos e canos que surgiam das profundezas mais recônditas da cidade.

A misteriosa senhora segue o seu caminho, e pouco a pouco, quase sem darmo-nos conta, já desce a nobre avenida.

As melodiosas brisas dão lugar a corpulentos ventos. As árvores, que se vestiam de verdes e exuberantes limbos, dão lugar a cadavéricos ramos que expelem folhas decompostas e amargas que cruzam toda a avenida com um destino incerto.

A misteriosa e bela senhora sente como o sangue, que começa a inundar Lisboa, cobre-lhe os pés descalços.

A velocidade da sangria faz com que Lisboa rapidamente se torne um rio de sangue, os devolutos edifícios não resistem à tentação e deixam-se cair, já os novos, esses estão de luto. Estamos ante uma cidade cujo raio de Luz não passa duma desconhecida e desconcertante senhora que teima em descer a avenida.

Já a meio desta, o sangue cobre os joelhos da senhora, o rio transformou-se num mar indignado, toda a avenida deixou-se domar pelos negros anjos, a rua está engolida por ódios e defeitos, mentiras e insatisfações.

Pergunto-me se Lisboa está em contagem para autodestruição? Estará cansada de suportar a carga de tantos pecadores?

Os fortes ventos arrancam toda a sua roupa deixando visível uma escultura nua, e esta, impávida, decidiu não oferecer resistência. Com passos assustadoramente firmes, demonstra estar segura de si mesma, fiel às suas ideias, mas que pretende fazer com tudo isto?

Agora com o sangue a deixar apenas visível dos seus pelos púbicos para cima, maravilhamo-nos com as bonitas mamas que por momentos fazem-nos esquecer que o sangramento contínua. O seu rosto magro era pálido, e os seus grandes olhos verdes chamavam atenção numa cara carregada de matéria decomposta.

Já nos restauradores a desconcertante senhora jazia coberta de sangue até ao pescoço e como se por magia surge um verdugo que com a força dos anjos negros elevam-lhe e subtilmente colocam uma corda ao seu pescoço. Pareciam fazer-lhe um favor, sorriam, cantavam...

Estou com visão turva e lentamente deixo de ver. Agora vivo na escuridão total e sinto como uma lágrima despede-se do meu rosto e atinge a imensidão de pecados por baixo do meu corpo suspenso.

A senhora morrera!

Quais os seus pecados? Não sei.

A pacata Lisboa é engolida. apesar da morte da pecadora.
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