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Mensagem por Eli Green em Seg Maio 28, 2012 9:01 pm


Olá! Olá!
Antes de mais, devo avisar que este texto contém linguagem inapropriada e que, quem o leu, considerou-o perverso e arrepiante - no mau sentido, pelo que me pareceu. - Pois coloco-me, ou tento colocar-me, na mente de uma personagem pouco agradável. Mas enfim, foi uma experiência. Por isso... não sei... se o lerem, dêem a vossa opinião que aqui a Elissa agradece. Beijos.

O vento fustiga-me a cara marcada pelo tempo. Já vivi vários anos, casei-me duas vezes e namorei com várias crianças. No entanto, nada disto me deixou saciado, apenas mais curioso sobre o que o meu corpo poderia fazer e a minha mente poderia suportar. Já havia recorrido a prostitutas, porém, estas fingiam tanto a dor como o prazer, por outro lado, as adolescentes que comigo se encontravam, não fingiam a dor e deleitavam-se com os orgasmos e espasmos que lhes oferecia dia após dia. Todavia, era como um mostro, necessitava de mais para me sentir alimentado. Tinha de sair daquele lugar fechado em que tudo era consentido, tinha de chegar até esta noite.
Pela estrada que percorri, deixei de ser um romântico, tornei-me fã da violência, da falta de consentimento e da adrenalina. Comprei uma arma, uma navalha e inscrevi-me num ginásio. Tornei-me num homem diferente do que era. Agora, graças a estas minhas mudanças, sigo-a entre os prédios mais discretos, sem ter sentir medo algum dos meus passos. Algures, o meu corpo anseia por ela, por tê-la, coagida, sobre a minha erecção antecipada. Não lhe conheço o rosto, nem o nome, nem nada, simplesmente sei que é uma rapariga, que caminha a noite. Ela desconhece as minhas intenções, nem sabe que a observo, quando souber, sentirá medo, a adrenalina percorrer-lhe-á o corpo e começará a tremer. Aí, apressarei o passo, fá-la-ei sentir a minha respiração, deixarei a minha marca, mais uma vez, num corpo qualquer. Embora nojento, para alguns, é um prazer para mim. Quem não marca alvos, não sabe o que quer, vagueia consoante o vento, não corre riscos. Depois de feito, não soa mal, tanto que o faço outra vez. No entanto, isso não de mim um profanador. Juro, perante qualquer júri, que as minhas palavras são verdadeiras. Não sou um violador, não. A roupa dela é que era demasiado justa, ela é que me provocou, ela é que decidiu caminhar sozinha a noite, por trilhos perigosos. Ela é que bebeu e fumou, não eu. De modo algum sou culpado, apenas me entretenho e ela assim o permite, ou não. Que raio de homem seria eu se me afastasse? Um verdadeiro macho é aquele que tem sexo sempre que pode. Não é assim? Então é o que faço. Rodeio-a, prendo-a, beijo-a. Ela luta e magoa-se. Tola. No entanto, amo-a, naquele momento, desse mesmo modo. Meio enervado, tento acalmá-la e digo-lhe: “Quanto mais lutas, mais te magoas.” Mas ela não me ouve, nem quer saber, por isso, volto a falar: “Isto não te vai magoar, relaxa.” Não para quieta. Tenta gritar, mas tapo-lhe a boca, ninguém que se atreva a interromper-me ou pagam os dois. Um com a morte outro com o estupro e algo melhor que me vier à mente. Enquanto os meus lábios percorrem-na e deleito-me com as minhas investidas, solto-a com e, com a mão que não lhe cobria a face, tiro a navalha, aponto-a ao seu rosto e tudo para. Ela, de repente, congela e chora como quem perdeu a luta mais importante da sua vida. Não entendo o porquê, se estou prestes a dar-lhe um dos melhores momentos da sua vida. Sexo, puro e duro. O fetiche de muitas mulheres: alguém que as pegue de modo firme, e faça uma “tranza gostosa”, como diz os nossos amigos brasileiros.
Agarro-lhe uma lágrima com a língua e espalho-a pelo seu rosto. Salgada, fria, medrosa. Agrada-me, adoro quando deploram, mostram que são mulheres: sentimentais, fracas, fáceis de ter.
- Diz que me amas – peço-lhe com ternura –, porque eu amo-te – afirmo, mesmo sabendo que ela não acredita em mim. – Fala! – Ela treme e esperneia, balbucia e, finalmente, entre um espaço deixado pelos meus dedos, diz que me ama. Pede que não lhe faça mal e que a deixe ir. Gostava, mas não posso. Ainda vou no início da minha noite. Logo, ignoro aquele pedido e tomo aquele corpo com as minhas mãos, a minha boca e o nariz, que a cheira e guarda.
- Vá lá – arquejo –, confessa: querias que isto fosse a bruta. Confessa, é assim que gostas.
Estou perto, quase lá, ela recua, mas eu não, pelo contrário, avanço, mais rápido, com mais força, menos cuidado. Estou perto do auge, mais um sucesso, capaz de me deixar de rastos, mas que valerá a pena. Que vale a pena! Ah… Sorrio de satisfação, afasto-a de mim, empurrando-a ainda mais contra a parede. Depois do serviço, dispenso ser tocado durante muito tempo por putas. Aperto as calças. Ajeito a camisa e o casaco. Olho para o lado, para os livros que ela levava nas mãos, estão abertos, são as únicas testemunhas do que se passou naquele beco. Viro o rosto para o outro lado, puxo o catarro do fundo das narinas, desce-me salgado e verde pela garganta e escarro-o para a parede. Aí, ele não escorre, permanece quieto, como ela. Fito-a com interesse. Estará a espera que me vá embora? Ela que se mova, eu já terminei, apenas basta-me dizer-lhe adeus. Para isso, agacho-me ao seu lado, ela repele-me e pede que não lhe faça mais mal. E pergunto-lhe então:
- O que é que eu te fiz? Digas o que disseres, ninguém acreditará em ti. Nunca serei um violador, tu é que me apareceste no caminho, não me impediste nem enfrentaste quando tirei a navalha do bolso. Paraste. A culpa é tua, só tua. Por isso, se disseres o que se passou a alguém, mato-te. Encontro-te e termino o que aqui comecei.
Passeio as mãos numa das suas mechas escuras, despenteadas e acaricio-lhe a face com ternura, a minha ternura.
- Este é o nosso segredo.
O relógio dá horas, tenho de me pôr a caminho de outro lugar qualquer. Sem mais interesse algum e com o amor momentâneo a dissipar-se, caminho erguido, como antes. Entrementes, muito provavelmente a caminho de casa, paro e olho para o lado. Já caminho há bastante tempo e o sol ainda não nasceu, contudo, perto de mim, caminha mais alguém. Os meus lábios vêem-se outra vez secos, molho-os com a minha língua e caminho em direção à figura. Mais uma, o dia, para mim, já vai avançado. Depois desta, não há dúvidas, vou para casa.


Última edição por Eli Green em Sab Jun 02, 2012 7:29 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Fox* em Ter Maio 29, 2012 3:28 pm

Ok... Será muito estranho se disser que gostei? Não? Ok, gostei!
Gostei da paranóia que criaste, da forma como ele, consciente ou inconscientemente, afasta a culpa dizendo que elas querem, e que não obriga ninguém, que é apenas provocado.
Gostei ainda mais porque é raro ver o lado do violador. Centramo-nos mesmo na vítima, esquecendo que são duas pessoas naquele ato! Sério, acho que estiveste muito bem neste texto.
É perturbador, por isso estiveste melhor ainda!

Parabéns, Elissa :D

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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por CatariinaG' em Ter Maio 29, 2012 6:28 pm

Uahooooo!!!
Dud, apaixonei-me!

UAHOOOO!!!!!
A sério!!!
UAHOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Eli Green em Sab Jun 02, 2012 5:39 am

Após muito tempo sem passar por cá...

Fox Grazie! É ótimo saber que gostaste, pois quase nunca escrevo não-ficção.
Se é estranho teres gostado do texto? Acho que não. Não o digo por achar que estaja bem escrito, mas porque todos nós temos o nosso lado mais animal, violento e sádico. Admitamos ou não, é verdade.

Catariina G' Apaixonada? Really?? Não há erros a pontar nem nada?? Obrigada. *.*

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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Nitaa em Sab Jun 02, 2012 9:07 am

Quem lê isto fica K.O!!
Credo!! Tão macabro e tão fascinante!
Provavelmente será esquisito, mas achei fantástico.
Gostei!
Xoxo
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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Eli Green em Sab Jun 02, 2012 7:33 pm

Nitaa escreveu:
Quem lê isto fica K.O!!
Credo!! Tão macabro e tão fascinante!
Provavelmente será esquisito, mas achei fantástico.
Gostei!
Xoxo

Obrigada, Nitaa!
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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Andy Girl em Sab Jun 16, 2012 12:47 am

Olá!
Eu tenho a dizer que tanto quanto gostei a história irritou-me. Não no sentido da história mas sim pela realidade. Porque muitas das violações são desculpadas assim e isso irrita.
Gostei bastante do que li e fico há espera de mais histórias!
Beijinhos!
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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Eli Green em Qui Jun 21, 2012 2:21 am

Andy Girl escreveu:Olá!
Eu tenho a dizer que tanto quanto gostei a história irritou-me. Não no sentido da história mas sim pela realidade. Porque muitas das violações são desculpadas assim e isso irrita.
Gostei bastante do que li e fico há espera de mais histórias!
Beijinhos!

Olá Andy!
Comecei a escrever o texto depois de ver uma página online da revista Sábado, onde as mulheres escreviam em cartazes o que lhes foi dito enquanto eram violadas. Aí comecei a pensar sobre o assunto, a colocar questões e acabei por escrever o texto. Confesso que, no final, depois de o ler um par de vezes, odiei o que tinha a minha frente, pois era baseado em algo real, lido e exposto a toda a gente mas que, no entanto, ainda é ignorado por muitos.
Obrigado pela tua opinião, depois dos exames, prometo postar mais textos.

Beijos, Elissa.
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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Haneul em Qui Jun 21, 2012 8:40 pm

A única coisa que me passou pela cabeça quando acabei de ler foi: "UAU :shock: "
Está perfeito! Simplesmente adorei.
Mistura de sentimental [um sentimentalismo estranho] com o macabro.
Simplesmente fantástico.
Estás de parabéns!
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Re: Sem Título (+18)

Mensagem por Eli Green em Qua Jul 04, 2012 9:02 pm

Haneul escreveu:A única coisa que me passou pela cabeça quando acabei de ler foi: "UAU :shock: "
Está perfeito! Simplesmente adorei.
Mistura de sentimental [um sentimentalismo estranho] com o macabro.
Simplesmente fantástico.
Estás de parabéns!


Muito obrigada pelo comentário, Haneul, é bom saber que gostaste do texto.

Beijos.
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