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Cavaleiros dos Quatro Elementos

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Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Dom Maio 20, 2012 10:54 am

Sinopse: Os Reinos estão dividos por seus elementos e cada líder ocupa o seu lugar: Senhor do Ar, Senhor da Água, Senhor do Fogo e Senhor da Terra. Cada um domina o seu elemento, e são comandados pelo Rei dos Elementos, que domina os quatro.
No novo ano do Leão, os líderes decidiram abolir a escravatura do povo Nasjit, que são o mais próximo de um humano e não dominam nenhuma arte dos elementos. O Senhor da Àgua nega-se prontamente a aceitar a abolição, e inicia uma guerra contra os outros Reinos, com a ajuda dos demónios que se evadiram dos Muros de Leon.
Três cavaleiros vão cruzar as espadas contra essa luta. Numa altura em que não se pode confiar em nada e nem em ninguém. Será que o bem triunfará?

NEBLINA DE VERÃO...
LIVRO I- O GUERREIRO E A ESCRAVA


DOMINIC SCOTT
ASTLAGARD
, terra do gelo


Olhou para o volumoso peito descoberto que subia e descia ao ritmo da sossegada respiração da sua companheira. Afastou o lençol feito de pele de urso, e desceu da cama baixa feita de palha e algodão.
A lareira há muito que se tinha extinguido, apenas fragmentos de cinza espalhavam-se pelo chão, e misturavam-se com a pouca areia. Cobriu-se com o manto feito de pele de leopardo, não porque sentisse frio, mas porque o hábito assim exigia. Afastou o pano da tenda, e saiu.
― Está na hora! ― Elliot estava parado com os olhos claros e brilhantes de excitação. Já vestia a armadura e segurava o conjunto de arco e flechas.
― Onde está o Declan? ― perguntou, tinha os olhos estreitos, e sentiu a claridade da luz que inundou a tenda por trás dele.
― O Alfie está a despedir-se da horda de filhos, mas está igualmente pronto. ― Os olhos de Elliot acompanharam a silhueta que se formava em forma de sombra escura, por detrás da tenda.
― Estarei preparado em pouco tempo. ― Estava sempre sério, mas não deixou de ver o esforço que Elliot fez para tirar os olhos do corpo feminino que se movia em forma de sombra a refletir contra a luz.
Voltou a entrar, e viu Page nua a colocar a vela num canto. Juntou as roupas dele e aproximou-se. Era muito bonita, tinha os cabelos loiros entrançados, agora desarrumados. A pele branca como a neve que se estendia do lado de fora. Era magra, mas os seios grandes e firmes baloiçavam sensualmente.
― Não estou á favor dessa missão. ― Entregou-lhe as roupas, e viu o homem que se vestia na sua frente com rapidez, quase sem pausas. Ele calçou as botas, e embainhou a espada longa.
― Alguns dias apenas. ― Foi tudo o que disse com o seu ar sério, mas sem deixar de sentir o olhar fulminador daquela mulher que se aproximou com os lábios vermelhos e o beijou.
― Preparei isto para ti. ― Correu para procurar um embrulho com algumas provisões e em seguida sorriu. ― Prometes que voltas para mim Dominic?
― Sabes que eu sempre volto ― afirmou sem esconder a pressa que tinha para receber a viagem de braços abertos.
― Continuarás somente meu? ― A cara que ele fez não escondeu o incómodo que aquelas perguntas lhe causavam, mas a verdade é que Page nunca pedia de mais, embora bem o merecesse, e ainda mais pela posição que ocupava naquele Reino.
― O meu livro! ― Lembrou-se de súbito, e Page carregou o candeeiro a petróleo que estava em cima da mesa, acendeu e começou a procurar.
Ela era uma mulher que completava as características necessárias de um descendente de ar, pelo segundo e terceiro decano: acolhedoras, submissas o suficiente e bonitas. Diferente das do primeiro decano, cuja maioria tornavam-se mensageiras ou guerreiras, devido ao carácter mais do que independente.
― Quando voltares poderiamos... ir um pouco mais em frente, com esta a modos que, relação. O meu pai se mostraria muito satisfeito.
― Está bem ― respondeu sem entusiasmo algum, e em seguida arrependeu-se.
Estavam juntos ha doze luas, um longo período para o normal de um Reino. Mas a verdade, é que Page não o arrebatava de paixão.
Pelo menos não como Alfie que morria de amor pela sua amada mulher, ou como o jovem Elliot que se apaixonava cada dia por uma mulher diferente.
Dominic era um homem frio, embora estável. Não trocava de mulheres todos os dias, embora já as tivesse tido de todas as formas. Ou sequer sucumbia aos encantos alheios, para se apressar em unir em matrimônio. Mas no entanto reconhecia que Page era merecedora por seu esforço.
― Espero-te! ― A voz dela acordou-o de seus pensamentos.
Um assobio perpétuo veio de fora, e Dominic apressou-se em sair para o frio da neve que cobria todo Reino. O vento era intenso e gelado, levantava os flocos de neve em pequenos remoinhos.
― Diz-nos se preferes ficar em Astlagard aos beijos e abraços meu caro! ― Alfie era o mais velho entre os três. Tinha o cabelo escuro e longo, preso por uma fita, e olhos cor de chocolate. Os lábios estavam escondidos pelo tufo de barba escura.
Elliot por sua vez era o mais novo, mas o mais alto e corpulento dos três. Embora todos habitantes daquele Reino fossem bastante altos, o rapaz confundia-se com um pequeno gigante. Mas a sua cara redonda e infantil, dava juz aos seus vinte e quatro anos.
― Dominic prefere trepar, em vez de matar demónios e dragões ― anuiu Elliot, estava sentado no alto do cavalo castanho que não parava quieto.
― Não sei se te avisaram meu pequeno e grande Harvey, mas vamos para Galardiohn ― disse Dominic a subir para o cavalo. ― Não para Nárnia!
Alfie riu alto e com gosto, enquanto apertava as rédeas do seu cavalo.
O céu ainda estava escuro, embora o dia já tivesse chegado. A Águia do Reino cortou o céu num vôo perfurador, e passou por cima das centenas de tendas, a maioria escura e silenciosa. Ao fundo, onde o animal adentrou estava a figura estonteante do Palácio onde habitava o Senhor do Ar, e as suas oito filhas. Neste momento sete, porque a outra era Page.
― Não precisas de cobiçar, Dominic. Se te comportares bem, serás o futuro Senhor do Ar e do Reino. ― provocou-lhe Elliot mais uma vez, e saiu a correr com o seu cavalo, adiantando-se.
Alfie que sempre fora amigo e conselheiro de Dominic olhava para ele atentamente, sabia que o amigo não ambicionava tal facto.
Saíram á correr pela neve, e os cavalos acostumados era como se corressem por uma terra normal, menos fria e menos escorregadia. Viam o rapaz que lhes ia na frente empolgado. Era a primeira viagem de Elliot para fora de Astlagard, e a curiosiodade pairava nos seus olhos. Era certo que se aventurava tarde. Dominic entrara numa luta aos onze anos, e Alfie fora para a primeira guerra aos nove. A diferença é que nenhum deles provinha de uma família de fidalgos como Elliot. Seu pai era o terceiro conselheiro do Reino, o que lhe dera muitas regalias, tanto quanto estudar e aprender a lutar dentro dos terrenos do palácio. Sem nunca lhe ser permitido sair para as viagens para fora, ou ser obrigado a representar Astlagard em algum confronto.
― Quantos dias teremos de viagem meu caro? ― perguntou o pequeno gigante que recuou o seu cavalo decidido a acompanhar o ritmo dos outros.
― Mil milhas. ― Alfie era o mais paciente e compreendia a emoção que corria pelo corpo do jovem rapaz, embora não lhe tivesse sido dada a mesma oportunidade quando saíra para uma viagem pela primeira vez.
― Deverias segurar tamanha ansiedade, Harvey ― sugeriu Dominic com o seu ar sério e a sentir o ar frio que lhe batia na face esculturada.
― Meu nome é Elliot, não entendo porque me chamas de Harvey ou ao Alfie de Declan! ― exclamou a procura de alguma coisa para implicar com aquele guerreiro mal humorado.
― Tanto Harvey, como Declan vos pertencem. ― Aos poucos os habitantes do Reino começavam a sair de suas tendas, e começavam a preparar-se para um novo dia. Era como se combinassem sair das tendas ao mesmo tempo, promovendo assim um pequeno espetáculo matinal, e podiam-se ver tanto homens ou mulheres com estatura notável e olhares atentos a darem vida ao lugar coberto de neve.
― Na verdade, Harvey é algum nome de um tataravó meu. Por isso me chamaram de Elliot ― respondeu indignado com o queixo esticado para frente a acompanhar o peito. As jovens que perfilavam os baldes para ir buscar água, soltavam sorrisos e acenavam para o pequeno gigante imponente e orgulhoso em cima do cavalo.
Dominic olhou para Alfie que apenas se limitou a rir. Mas ele em si não achava nenhuma piada, para já, desde o início que não tinha concordado com a vinda do jovem rapaz com eles para a viagem á Galardiohn.
― Foi uma pena que o Beikl tenha partido para o Reino dos sonhos, era uma melhor companhia ― disse Dominic e avistou os gigantescos portões do Reino que se abriam de par-em-par.
― O Beikl vai regressar se Mercúrio quiser. No entanto temos que aceitar o que nos foi dado. ― Alfie era sempre sensato. ― Mas o teu maior problema não parece ser esse.
O guerreiro suspirou fundo como raramente o fazia e apertou as rédeas do seu cavalo negro e brilhante.
― Vou em diante com a Page. ― disse de uma só vez, como se antes preferisse deixar a sua cabeça debaixo de uma verdadeira guilhotina.
― Mais do que na hora, com as trinta e poucas primaveras que possuis.
― Primaveras é para as fêmeas Declan, tenho trinta e três invernos ― declarou irritado e bateu o cavalo com força. Este começou a correr com a força de um furacão, passou pelos portões e logo deixou o Reino de Astlagard.
Sentiu os outros dois que vinham a sua trás, mas não abrandou a sua velocidade, na verdade aumentou ainda mais, deixando as marcas das patas para trás. Por todos os lados só se viam montanhas de neve, e mantos brancos sem fim. Alguns pinheiros cobertos espalhavam-se pelos caminhos, por onde eles passavam a uma velocidade avassaladora.
Se Dominic queria intimidar Elliot, não parecia conseguir, pois o jovem rapaz acompanhava o ritmo da viagem com astúcia e a ajuda de sua curiosidade. O ar frio e a neve não impedia de continuarem a viagem sem pausas, como se o objectivo fosse apenas chegar ao longíquo destino.
― Dominic, pára!!! ― gritou Alfie.
Já era de noite, os caminhos estavam gelados e frios, mas não era isso que os fazia parar. O cavalo de Dominic que ia a frente relinchou, ergueu-se pelas patas frontais, mas o guerreiro segurou-o fortemente.
― Bem vindo á Nárnia meu caro. ― Elliot desembainhou a espada, mas seus olhos estavam esbugalhados com a visão a sua frente. Se ele era considerado gigante, o que era aquilo que se erguia diante deles?
Alfie prendeu a respiração, em todos anos de guerras e viagens, nunca tinha visto nada do género. Dominic por sua vez cerrou os dentes, estreitou os olhos e enfrentou a figura mesmo horripilante.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Fox* em Dom Maio 20, 2012 11:52 am

Hahahaha, a minha magia a resultar aqui! Hum, tenho de jogar no euromilhões, estou a ver que tenho futuro!
Ai Mia, estou ansiosa para que isto avance, mal posso esperar para conhecer todas as intrigas e personagens! Conta comigo aqui e, caso precises de ajuda, o mail está sempre aberto!
Beijinhos querida!

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por CatariinaG' em Dom Maio 20, 2012 11:53 am

Odeio ter de esperar por mais um capítulo.

Mim odeia-te!

____________________________
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Dom Maio 20, 2012 11:56 am

Ahahha Fox, vou te mandar os dois capítulos que já estavam do outro lado, pode ser? E que bom que continuas aí, intrigas e coisas é que não vão faltar por aqui. (Bruxelda). beijos e obrigada.

Ahhhha aí estás Cata, estes capítulos já estavam muito avançados, não demoram a vir. Beijos e obrigada. odeio-te de paixão.

Bisous.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por PandoraTheVampire em Dom Maio 20, 2012 3:47 pm

Já tinha gostado e continuo a gostar (surpresa!!) por isso podes continuar a postar que eu vou continuar a gostar xD

BEIJO!

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por ScorpioNoLuthien em Qua Maio 23, 2012 1:39 pm

Como não podia deixar de ser cá estou eu!
Tu sabes o quanto eu adoro o Dom... *drools all over*
Ai querida estou ansiosa pela continuação... Andas desaparecida! Eu achava que alguma coisa te tinha acontecido e tu aqui, escondidinha xD

Espero pelo próximo! É sempre bom reler as histórias que amamos ^^

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Andy Girl em Qui Maio 31, 2012 12:47 am

A história promete muito!
Eu quero mais!
Adoro a ideia dos Cavaleiros dos Elementos e quero ver o que tens ai pensado nessa cabeça para continuar a história!
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Ter Ago 07, 2012 4:55 pm

Heloo Pandy, Andy e Scorpio, cá estou eu novamente e obrigado por estarem aí, e espero que não se mudem pois pretendo atualizar isto brevemente, vou apenas cutucar a Fox e já volto. Bisous. E obrigad. :heart:
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Sab Ago 25, 2012 1:10 pm

BELINDA
GALARDIOHN, terra do mar



Se não são todos humanos? É claro que são.
Dantes os Senhores de cada elemento e seus respetivos habitantes eram conhecidos por feiticeiros mas, com o tempo, renegaram esse título porque não dominam a magia inteira em si. Dominam um poder de cada elemento, daí serem conhecidos por Senhores, Mestres, Guardiões, Reis, Líderes.
No Reino da Água, os habitantes são conhecidos por Galars. Estes conhecem o poder da Água mas executam-no num nível menor. Existem também os Guerreiros, e por fim os Nasjit, os escravos.
Não passam de meros humanos comuns, sem nenhuma aptidão a modos que, “mágica”. Cada Reino tem o seu próprio tipo de escravos. Os de tez mate e azeitonada, provenientes de países africanos, pertencem ao Reino da Água.
O Reino de Galardiohn situa-se a Oeste, nas planícies, e é banhado pelo Oceano Gótico. Estão nas terras baixas, contudo o frio não é intenso como nas regiões montanhosas rodeadas por picos de gelo, a Nordeste, onde fica para muitos o desconhecido Reino de Astlagard.
Dizem que os humanos não foram abençoados pelos Deuses do Zodíaco, nem pelos planetas, ou a natureza dos Elementos, e que por isso nasceram para servir.
― O que sonhaste? ― Margareth de Nazar estava deitada na grande cama coberta por panos leves como véus. Seus olhos estavam semiabertos, não escondiam as manchas negras, a sua pele mais do que pálida, e seus lábios estavam cinzas. Mas os lindos cabelos escuros estendiam-se na almofada feita de conjuntos de tecidos macios, provenientes do Reino de Ar.
― Se sou uma mera Nasjit, porquê tenho esses sonhos minha Senhora? ― A voz de Belinda não escondeu a tristeza que era ver aquela mulher, outrora forte, a definhar ali, sozinha, sem o amor de seu Senhor, ou de seus filhos.
― Talvez sejas especial, e eu quero que lutes sempre. ― Parou para ganhar fôlego antes de voltar a falar. ― Quando eu partir..
― Shiiiuuu. ― Belinda não deixou a Senhora terminar, e sentiu seus olhos arderem. ― Vi Guerra, mortes, demónios.. e um grande homem camuflado entre a neblina. Depois, o fim.
Margareth engoliu em seco.
― Ele aproxima-se! ― afirmou e apertou a mão da escrava.
― Ele?
― Belinda! Belinda! ― A voz irritada de Elizabeth Reece surgiu diante do cómodo, que era o maior do Palácio das Águas. A jovem adentrou e parou diante delas com um ar cruel e frio.
― Senhorita? ― A escrava baixou a cabeça perante a face amarrada da última filha de sua Senhora. Ela era pequena, como a maioria dos habitantes de Galardiohn, mas tinha a face branca com as maçãs altas rosadas e o cabelo escuro em anéis em volta da cabeça, e que lhe caiam ombros abaixo. Seu vestido era branco, com duas rachas laterais e rastejava pelo chão. Deitou-lhe um olhar de cima a baixo.
― O meu pai reclama a tua presença no Câncer. ― Uniu as mãos pequenas.
― Estou a cuidar da Senhora. ― Não lhe encarou o olhar.
Liza deitou um olhar para a bacia de barro, com a Água purificadora e que ajudava a amenizar as dores de sua mãe.
― Deixa que eu mesma faço. ― O sorriso que esboçou provocou um arrepio na escrava. Sempre que Liza cuidava da mãe, esta curiosamente piorava.
Belinda olhou para Margareth, que acenou com a cabeça, e ela retirou-se do cómodo, mas sentiu seu coração se apertar por deixar sua Senhora para trás, embora soubesse que não poderia fazer nada.
Passou apressada pelos corredores apertados do Palácio, cheio de quadros com sereias, e vários dos setenta e cinco reis do mar, onde estava em evidência o Rei Poseidon. Mas Belinda já não apreciava os conjuntos de belas imagens retratadas pelos corredores que se cruzavam e se distribuíam várias vezes com o intuito de confundir um estranho.
Ela trabalhava ali há dez anos, desde os seus doze, e conhecia o lugar de olhos fechados. Negou-se veemente a lembrar-se dos tempos antes de ser capturada, e levada para ali. Apertou os olhos, como se tentasse não misturar a dor com uma bonita imagem que tinha desde o seu nascimento até ao início de sua mocidade.
Desceu os degraus feitos de areia e caminhou em passos descalços e curtos até se aproximar de uma grande porta com o desenho de um caranguejo dourado.
― Espera Belinda! Irão anunciar-nos em breve. ― A voz de Anabel chegou aos ouvidos dela. Virando-se rapidamente, viu esta vir acompanhada de uma terceira escrava.
― O que vem a ser isto? ― As palavras perderam-se no ar.
Anabel era pequena, magra, e tinha as vestes brancas simples e um lenço a cobrir a face, assim como todas as escravas que trabalhavam no palácio. Só se viam os olhos castanhos a brilhar.
― Vamos receber homens. ― falou baixo, e apertou o ombro da jovem que estava ao seu lado. Parecia ser a mais nova das três.
― Tu? Tu também? ― Belinda não quis acreditar e sentiu um aperto no estômago. Afinal Anabel era a acompanhante de Liza.
― A Senhora Elizabeth foi quem nos escolheu. ― Chamava a filha de Margareth de Senhora, como se a primeira já não existisse.
― Pela Lua! Plutão! Neptuno! ― Belinda invocou todos planetas protetores dos Signos de Água, e cerrou as mãos até sentir as unhas cravarem-se-lhe na palma.
Anabel mostrou-se calma, como se aceitasse o seu destino infortúnio.
― Quem são esses?
― Não sei, apenas pediram que comparecesse aqui. ― Seu tom tornou-se frio, e era óbvio que não ia falar mais nada.
Belinda encostou-se à parede fria e fechou os olhos. Com Margareth deveras doente sabia que não mais gozaria de sua proteção. A Senhora não tinha mais forças para rebater.
A porta abriu-se de rompante e o Professor Hellis Jason saiu com a sua capa a rastejar.
― Isso é um absurdo! Nazar jamais permitiria algo igual! ― murmurou entre dentes e deixou as portas abertas. Os cabelos brancos estavam escassos, em contra partida a barba escondia o pescoço enrugado. Ignorou as mulheres ali paradas, e a sua capa varreu o chão até ele desaparecer.
― Esse velho não vai cooperar comigo como já previa ― disse a voz grossa e dura de Billy Reece. O Senhor da Água, e líder do Reino de Galardiohn. ― Mas não preciso desse insolente quando estás a aprender as artes dos Guardiões, de acordo Lewis?
― Sim meu pai. ― Aquela voz deixava Belinda com náuseas.
― Então, já sabe o que os mensageiros de Astlagard vêm trazer ao nosso Reino? ― Benjamin era o filho mais velho, herdeiro e futuro Senhor da Água.
― Claro. E como não estou de acordo, enviei um presente para os encontrar antes mesmo de deixarem as terras invernosas. ― Os risos agudos que assolaram a sala poderiam fazer o palácio estremecer.
― Equidna ― murmurou Benjamin, poderia se dizer ter esboçado um sorriso largo.
― E se eles morrerem? ― Lewis parecia com um tom preocupado.
― Não teremos culpa disso! ― afirmou Billy que bateu contra a mesa, e riu mais uma vez. ― No entanto, vamos arranjar tudo como se esperássemos pela chegada desses mensageiros.
Escutou-se um silêncio, e depois o som de botas a dirigirem-se até a porta.
Billy Reece não era um homem alto, mas em relação aos habitantes do seu Reino, era um pouco maior. Seus olhos pequenos e redondos olharam para as três mulheres que ali estavam. A sua cabeça era lisa, sem um único fio de cabelo, e a sua barba estava entrançada.
― Preparem-se, vão receber homens. ― Foi tudo o que disse e olhava diretamente para Anabel por esta saber no que consistia a preparação. A escrava estava acostumada a preparar as outras mulheres mas nunca imaginara que chegaria a sua vez.
― Sim Senhor. ― Anabel baixou a cabeça sem esconder o seu medo.
Todos tinham medo do Senhor da Água, o suposto rumor que ele tinha uma aliança com os demónios, assustava.
― Belinda! ― Lewis não escondeu o espanto. Era magro, com o cabelo curto e a barba proeminente. Seus olhos azuis escuros lembravam o mar Gótico. Vestia uma capa azul e dourada que era a cor real do Reino. E tinha uma espada curta embainhada apenas de enfeite, porque eram escassas as vezes que empunhava alguma.
O Senhor da Água passou por elas num rompante, seguido de seu filho mais velho. Este era possuidor de músculos avantajados, tinha cabelos longos e um ar duro de um verdadeiro Guerreiro.
Anabel também saiu apressada, e levou a outra escrava consigo, deixando ambos sozinhos em questão de segundos.
― Senhor. ― Belinda baixou a face, mas Lewis não permitiu que ela o fizesse e segurou-a pelo queixo coberto pelo lenço.
― Quem ordenou que adentres pelo leito de um desses visitantes? ― questionou com os olhos em fúria. ― Antes vem comigo, não permitirei que nenhum homem te toque antes de mim.
Lewis tinha tido a sorte ou o azar de entrar pelo quarto das escravas e encontrar todas descobertas. Nunca esqueceu a face de Belinda.
Escutaram-se palmas que ecoaram pelo corredor, e foram a tempo de ver Liza a caminhar na direção deles.
― Não é por acaso que estudas os Planetas, Astros e Signos meu querido irmão. ― Colocou as mãos na cintura. ― Eu é que ordenei. Belinda não mais irá trabalhar com nossa mãe. Vai servir da maneira que eu ordenar.
― Tu és a última, não tens como ordenar. Não sob as minhas ordens! ― gritou com fúria e ficou vermelho.
Contudo Liza riu.
― Quanto a isso questiona ao nosso pai. ― Olhou para a escrava. ― Adiante! Em breve os guerreiros chegam.. ou não.
Belinda não soube o que aquilo quereria dizer, mas saiu a correr sem olhar para trás. Sentiu-se triste por Margareth não estar mais a seus cuidados, e como já tinha previsto, aquilo culminaria na morte de sua Senhora.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Fox* em Dom Ago 26, 2012 10:11 pm

Ah, eu quero dizer tanta coisa sobre isto mas não posso... Grrrr! xD
Só posso adiantar que gosto muito da Belinda e da sua dedicação, não só à sua Senhora, como ao Reino que serve em si :).
More, please PandaMiau

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Ter Ago 28, 2012 5:14 pm

Sempre me pergunto se ser beta reader tem as suas vantagens. E ainda mais acompanhado de um dom de visão do futuro 3D ao p.c da Mia. Sério!!!

E por favor, segura-te que sabes demais. Devo trancar-te numas masmorras mazé..., uhmm boa ideia. Eu também adoro a Belinda, mas ela não é a minha preferida. Lool.

Beijos.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Anne Margareth em Sab Set 01, 2012 10:40 am

Olá Mia!
Tive a ler isto, andas desaparecida. Preocupo-me sinceramente contigo.
Adorei a tua Fanfic!
Beijinhos,
Graça.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Sab Set 01, 2012 3:51 pm

Olá meu bem. Na verdade estou de volta, tu é quem somes. Aliás, todos. Ando sempre a espreitar por cá e não está quase ninguém. Começo a odiar as vossas férias. LOoooool.
Tenho andado no msn, espero ver-te por lá. E fico feliz que tenhas gostado desta fic. Obrigada, espero que continues ai. Beijos
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Fox* em Seg Set 03, 2012 1:21 pm

Hahahahah, em momentos destes, tem sempre vantagens em ser Beta-Reader!
Enquanto todos os outros estão a morrer de curiosidade, eu estou a esfregar as mãos e a rir porque eu já sei o que se vai passar! Onevilsmile
Oh, eu não digo nada! Longe das tuas masmorras, eu gosto da minha liberdade, eu não digo nada! Liberdade! :D

Beijos, querida, já te devolvo o resto!

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Set 10, 2012 9:02 pm

Miaaaaaaaaaaa!

Tinhas este cap postado no outro? Não me lembro ao certo :x quero mais, sabes? MAIS! Não pode ser só a privilegiada da Fox que tem direito a saber o que se vai passar :p

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Qua Set 12, 2012 7:33 pm

Sim, Pandy. Pelo que parece já tinha este capítulo postado no outro, lool. E vem mais, muito mais. Quanto a isso não te preocupes. Lool. Já já sabes. Beijos e obrigada por estar aí.


PAGE CONNOR
ASTLAGARD, terra do gelo



Para chegar ao Palácio de Ar, tinha de se percorrer um longo grupo de escadas de gelo até alcançar a entrada principal e, mesmo com o frio, possuía as janelas enormes cobertas apenas por tecidos leves e brancos. Page passou pela sala conhecida por neverland, onde suas irmãs quadrigémeas brincavam alegremente. Estas tinham arrancado o último suspiro de sua mãe, e tinham-lhe deixado o fardo de ocupar tal lugar, uma vez que era a mais velha.
Beijou as quatro meninas iguais com um sorriso alegre e depois saiu a correr e subiu as escadas em forma de espiral até chegar onde estava o seu pai e suas duas irmãs que estudavam em cima de uma mesa redonda, com a supervisão dele.
― Page! ― O pai ergueu os olhos azuis claros e esboçou um sorriso. ― É bom ver-te.
― Pai. ― Ela segurou a mão enrugada e beijou o anel com um símbolo de Ar.
Apesar dos longos cabelos e barba branca, a estatura magra e aparentemente débil não escondia o olhar poderoso de George Connor, o Senhor de Ar.
― Consigo ler a alegria estampada na tua face. ― Deu um sinal para que sua querida filha se sentasse no seu colo.
― Dominic vai se unir a mim. ― Os olhos dela brilhavam de alegria.
― Uma bela notícia. ― Connor sabia que o seu povo comentava que a filha passava as noites na tenda do Guerreiro. ― Pelo menos dormirão com a bênção dos Planetas.
As gémeas pararam de escrever e soltaram risinhos agudos e tímidos. Eram adolescentes e ainda acreditavam em príncipes encantados.
― E de pensar que negaste a corte do herdeiro de Khalesbourgh. ― Phoebe revirou os olhos, e afastou um dos caracóis loiros que lhe cobria a face.
― E de pensar que estás a colocar Mercúrio mal localizado nesse mapa ― advertiu Connor, e Helga riu de sua gémea. ― Dominic Scott é um grande homem, adorado pelo povo. E fez-se notar diante de vários Reinos. Um partido digno de ser o vosso cunhado, e para esta casa cheia de mulheres, nada melhor que um homem justo, conhecedor e lutador.
― E esse homem não é o senhor meu pai? ― questionou Helga que pestanejou.
― Não estarei aqui para sempre ― lembrou-lhe mas sem tirar um sorriso nos lábios. ― E a tua irmã o ama. O que melhor do que unir-se por amor?
Phoebe fez cara feia e mordeu o lábio inferior.
― Ainda prefiro o herdeiro de Khalesbourgh, será que ele me irá querer? ― questionou e Page riu com o atrevimento de sua irmã de apenas quinze anos.
― Por agora, pensa apenas no conhecimento ― sugeriu Connor com paciência. Diferente do que se falava por ele ter tido apenas meninas, ele sentia-se grato por isso, e amava cada uma delas.
Escutou-se um barulho, e todos olharam para a porta. Jordan acabava de tropeçar nos tapetes feitos da pele de vários animais peludos. Arranjou os óculos de armação redonda e as gémeas riram com o jeito atrapalhado do homem.
― M-Me perdoe Senhor. ― Fez uma vénia mal feita e os óculos escorregaram de sua face. Jordan fez movimentos desengonçados até segura-los antes de chegarem ao chão.
As gémeas riram mais uma vez, e Page soltou um ligeiro sorriso que consistiu na vermelhidão das orelhas dele.
― A que devo a honra do Guardião a estas horas diante de mim? ― perguntou Connor com a sua voz calorosa e acolhedora.
― A-A Águia, Senhor ― disse, mas com o olhar para baixo, como se o proibissem de olhar para frente.
Depois do Senhor, o Guardião é o mais importante de um Reino. Também conhecido como Professor, detém o segredo do seu Elemento.
Page levantou-se num pulo e estreitou os olhos.
― Eskil? ― O seu tom era de admiração.
― S-Sim ― gaguejou Jordan que engoliu em seco.
― E o que ela trás? ― Pela primeira vez, o Senhor de Ar parecia hesitante.
Jordan olhou para as gémeas que o encaravam a espera de ver o que ele ia fazer de trapalhada para que pudessem rir novamente.
― Phoebe, Helga, saiam! ― ordenou com a mesma calma habitual.
― Mas pai, nós.. ― Foi Phoebe quem se atreveu a reclamar.
― Por favor. ― A autoridade na voz de Connor sentiu-se em cada uma das palavras e viu as filhas retirarem-se.
Mas Page permaneceu, como não existia um filho ela fazia o papel, e era a herdeira do Reino que seria comandado pelo seu futuro marido. Exatamente como tinha acontecido com Margareth de Nazar.
Os olhos azuis dirigiram-se para os cor de mel de Jordan que se mostravam assustados por detrás dos óculos. Page sempre se perguntava o que um desastrado fazia como um dos mais importantes de seu Reino.
― Os muros de Leon Senhor ― Engoliu em seco. ― Os demónios se evadiram.
Connor mexeu-se na sua cadeira estufada e quente, mas demorou a se pronunciar.
― Como? Só um dos Líderes é que pode abrir os muros com o poder de um dos Elementos. ― Seu tom parecia estar em dúvida.
― Billy Reece. ― afirmou com a respiração entrecortada. ― Vai haver guerra, ele aliou-se aos demónios e pelas notícias de Eskil, está a procura dos gigantes também.
― Dominic! ― Page virou-se para o pai. ― É uma emboscada!
O Senhor de Ar levantou-se. Era bastante alto, embora magro. Tinha o ar sério que o deixou mais velho.
― Pai, vou partir em apoio de Dominic, ele precisa ser alertado! ― Desesperou-se.
― Tu vais ficar aqui, a cuidar das tuas irmãs. Não sabemos quando se pode dar um ataque, os demónios que estavam por detrás dos muros são muito perigosos. ― Connor começou a andar em direção a porta. ― Eu vou escrever para Khalesbourgh e Ladallin. Em seguida parto para ter com o Rei.
― Mas, pai! ― Page estava vermelha.
― Sem mas! ― Virou-se com uma calma assustadora. ― Prefiro perder um possível futuro genro, do que perder uma filha! Tenho muito apreço por Dominic, e espero com muita fé que um Tufão o salve. Mas tu vais ficar aqui, Page.
O senhor de Ar saiu à pressa para fora da sala, deixando apenas o esvoaçar dos panos que cobriam o lugar onde deveriam estar portas.
Page prendeu a respiração e virou-se para Jordan que era magro, algo raro em Astlagard. Tinha altura, o cabelo castanho bem cortado, outra coisa que os homens das terras de gelo não faziam. E as suas roupas consistiam em conjuntos quentes de calças e casacos, sem a elegância de armaduras e mantos pesados.
― Espera-me nos estábulos ― Ordenou e começou a andar em direção a saída.
― E... p-porquê? ― Perguntou Jordan, que pestanejou e empurrou os óculos para perto dos olhos.
― Vamos atrás de Dominic. ― afirmou e saiu sem esperar para ouvir a resposta do Guardião. Só precisava dele porque ele conhecia os caminhos, e ela nunca tinha deixado Astlagard. Apesar da sua autoridade, nenhum outro Guerreiro ia contrariar as ordens de seu pai.
Subiu para o piso de cima, e percorreu até ao seu quarto onde encontrou a Ama que cuidara dela e das suas sete irmãs.
― Já preparei a vossa cama ― disse Kaeela, que era agora uma serviçal com direito a remuneração. Era de origem Árabe, e quando escravos, pertenciam ao Reino de Ar. Mas assim como os escravos dos outros dois Reinos, tinham ganhado a liberdade com o direito a partir de volta para as suas origens. Muitos tinham decidido a ficar, devido a generosidade e bondade do Senhor de Ar.
― Não vou dormir, Kaeela. ― Page olhou para a velha idosa que estava na sua frente, e deitou um olhar para o baú no canto perto da cama quente que continha bolsas de água quente por baixo.
― Vai partir? ― perguntou e olhou igualmente para o baú.
― Tenho que salvar o Dominic, preciso de alertá-lo. ― Andou decidida até ao baú e abriu: lá dentro tinha a sua armadura, seu elmo, e espada.
― No seu estado? ― Kaeela arregalou os olhos que já eram grandes, em reprovação.
― Do que me adianta o estado se não tiver um companheiro do lado? Por Mercúrio, não seria justo deixar respirar uma criança sem pai. ― Page começou a vestir apressadamente.
― Você sabe que criou tudo isto?
Num minuto a herdeira do Reino de Ar deu um salto e cobriu a boca daquela que tinha sido como uma mãe. Apertou-a com força e de olhos assustados.
― N-Não volte a repetir isso, n-nunca mais! ― ameaçou a tremer, e deixou-se cair com os cabelos loiros a cobrirem a face. Seu coração batia sem parar. E Kaeela olhou para o lado, viu Helga que espreitava e saiu a correr, mas não disse nada a futura Senhora que chorava desalmadamente.
Page levantou-se ainda a fungar e com o rosto vermelho. Terminou de vestir em silêncio, mas sem parar de tremer. Por sorte, ela tinha tido a educação de Guerreiro, e aprendera a lutar e a manusear espadas como um verdadeiro homem de guerra.
Kaeela aproximou-se ainda hesitante e entrançou os cabelos de sua menina com cuidado.
― Terás de ter cuidado, Page, lá fora as coisas não são como em Astlagard. ― Aconselhou, com a certeza que nada a faria mudar de ideias.
Saiu, decidida, desceu as escadas em forma de espiral com a mesma leveza do Ar, e saiu pelas portas traseiras do Palácio.
Respirou fundo quando viu Jordan a tremer de frio perto do vasto estábulo com mais de quinhentos cavalos, todos pertencentes ao Senhor de Ar.
― T-Tem mesmo a certeza que quer fazer isto? ― questionou sem esconder o medo que o assolava.
― Claro! E vais-me guiar pelas terras. ― Page tinha noção do mapa e das localizações. Mas sabia que, na prática, tudo era diferente. Procurou o seu cavalo branco, que ficava isolado dos outros por ser o mais agressivo, e sorriu para o jovem que cuidava dos cavalos ao ver que este já estava preparado. ― Arranja um cavalo para o senhor Jordan.
― O Professor? ― questionou o rapaz admirado, uma vez que era sabido que ele não deixava os livros por nada.
Não foi preciso resposta uma vez que Jordan pareceu ter se materializado ali por trás de Page, tinha um ar receoso e a ponta das orelhas vermelhas.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Fox* em Qui Set 13, 2012 12:18 am

Muahahahaha, seja bem vinda, senhora do Ar. Muitas coisas tem para nos mostrar e provar aqui... :D
Tal como te disse, gostei muito da química familiar que apresentaste aqui! Gosto de ver uma família que se apoia assim! Vai ser preciso muito apoio agora, estou a antever isso... xD
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Sex Set 14, 2012 9:22 pm

Seja mesmo bem vinda a nossa senhora de Ar, Muahahahahaha. Muita coisa tem para mostrar ah se tem! Mais não digo, até a próxima. Beijos
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Sex Out 05, 2012 8:48 pm

DOMINIC SCOTT,
Terra do gelo.



Se houvesse sol, o movimento dos braços fortes do guerreiro a segurar a espada e direciona-la ao que se erguia na sua frente, teria feito o brilho da longa espada refletir. Mas estava tudo escuro, inclusive a lua estava escondida. Era como se tudo conspirasse contra os três guerreiros.
A mão direita de Dominic segurava o cavalo com força, para o manter calmo e o cavaleiro abusava da ajuda dos pés, que batiam contra o animal para o reter ali. A mão esquerda tentou golpear a coisa gigante que lhes bloqueava o caminho, mas não teve sucesso.
― O que é isso? ― Elliot parecia ter vantagem naquele momento, devido à sua estatura, embora nada se comparasse ao monstro. Desceu do cavalo, e uniu a sua flecha no seu arco, movendo-a num movimento preciso, e com um olho fechado pronto para atacar.
― Equidna! ― Alfie lembrava-se muito bem da mãe de todos os monstros. Possuía o tronco de uma mulher e uma enorme, longa e grossa cauda de serpente. A mesma que se ergueu, num movimento previsível e atingiu Dominic e o seu cavalo com força. ― DOMINIC!!
Elliot atirou uma flecha seguida da outra em movimentos rápidos, mas as armas não pareciam surtir efeito para o monstro que veio a deslizar pela neve.
O cavalo que acabava de tombar, relinchou e fugiu sem hesitar. Dominic, por sua vez, tinha sido arremessado pelo Ar, mas a neve amortecera a sua queda.
― Equidna é a suposta Succubus, a primeira mulher de Adão, a mãe de todos os males ― alertou Alfie que desembainhou a sua espada, correu em direção ao aspeto grotesco que Equidna aparentava com a sua estrutura peculiar.
― Temos que lutar com armas! ― Dominic sacudiu a neve do cabelo, mas tinha dado a ordem. Levantou-se ainda com força e sem medo correu em direção à Equidna. ― Vamos formar o às de três!
Alfie atirou a corda para o Guerreiro a frente que a encaixou e saltou a tempo de enrolar Equidna continuou a correr e a esquivar dos golpes. A baba de saliva ácida caía contra a neve fria e deixava fios de fumo. Alfie correu na direção oposta a de Dominic, e cruzaram as cordas apertadas no monstro que urrava e tentava se soltar com os braços fortes.
Antes sequer de conseguir aumentar a segunda corda, Elliot, que vinha atrás, foi a tempo de ver seus dois companheiros levarem violentas chicotadas com a cauda da serpente, e viu-os rodopiar pelo ar. Mas não chegaram a cair para a neve fria que se estendia pelas montanhas. Foram enrolados e erguidos para o alto.
― Mercúrio nos abençoe! ― Elliot deixou o arco, tirou a sua espada e correu com o intuito de desferir um golpe no demónio assustador e grotesco. Feriu a sua parte humana, e escutou-se um arguido sinistro de dor. Em sua boca tinha a língua igual de uma serpente, e seus olhos vermelhos faiscavam no escuro.
Conseguiu desferir outro golpe, mas as mãos gigantes de Equidna seguraram-no com força e apertaram-no como se fosse um brinquedo nas mãos de uma criança satisfeita.
― Te-Temos de fazer algo. ― Dominic sentia a respiração e a força fugir-lhe cada vez que a cauda da serpente o espremia, mais e mais . Sentiu seu osso estalar.
― N-não temos como vencer demónios, Dominic. ― A voz de Alfie era baixa e triste, parecia derrotado, como se já tivesse aceite o destino infortúnio.
Elliot mexia-se e contorcia-se nas mãos daquele Demónio gigante que o apertava com uma força exagerada, como se estivesse a espera de ver seus miolos explodirem.
Naquele momento, tudo aconteceu: nuvens carregadas ocuparam os céus, o vento levantou a neve em volta deles, a terra estremeceu e o corpo de Equidna aqueceu.
Seu grito demoníaco ecoou pelas terras de gelo, e seu corpo enorme desfez-se numa explosão de sangue, e pedaços de carne putrefacta voaram pelo ar.
Dominic caiu mais uma vez, mas embateu-se contra um pinheiro com a sua testa. Alfie voou para bem perto dele, não parando de tossir, e Elliot caiu alguns metros mais a frente, a respirar fundo.
― O que aconteceu? ― perguntou Dominic, ofegante, com o cabelo molhado de aflição.
― Não lhe poderei responder, é desconhecido para mim. ― murmurou Alfie ainda com os braços fracos. Tentou se levantar, mas o seu corpo ainda doía.
― Vamos, não podemos esperar mais. ― Dominic levantou-se mesmo contra as dores, e engoliu em seco. Esticou a mão para o seu companheiro que procurava pelos seus pergaminhos.
― Estão molhados ― observou, meio dececionado. ― Mas a tinta ainda é legível.
Elliot veio a cambalear, e segurava um dos cavalos na mão. Ainda estava vermelho, mas a empolgação estava patente nos seus olhos.
― Foi..
― Temos que começar a andar, desta vez com mais cuidado ― cortou-lhe Dominic, sério. ― Pelo que sei Equidna foi enclausurada há anos luz por um Mestre. O que quer dizer que, se ela escapou, deve haver mais à solta. E tanto nós, como os Reinos próximos, correm perigo. Temos de chegar a Galardiohn e enviar uma mensagem a George Connor.
― De acordo. ― O cérebro avantajado de Alfie funcionava com rapidez. Não parava de pensar nem um segundo, e o facto de sua família correr perigo assombrava-o.

Terra do mar,
Galardiohn


Andaram durante vários dias, embora sem encontrar algum perigo que se podia comparar ao monstro que tinham destruído. Poucas vezes pernoitavam, obrigavam-se a prolongar o período percorrido sem se dar ao luxo de parar.
O frio, o medo e a fome povoava a cabeça dos três mensageiros, mas a dedicação e obrigação os mantinha firmes na escalada.
O Reino de Água era o último, e cabia aos mensageiros de Astlagard levar até eles a notícia enviada pelo Rei dos elementos.
Quando deixaram as terras geladas, entraram pelas florestas onde se encontravam os riachos que indicavam a proximidade das terras de mar.
Os muros erguiam-se abaixo das areias brancas que se estendiam por todos os lados.
Os cavalos não mantinham o mesmo ritmo da viagem, e eles estavam abatidos e cansados.
― Em nome de George Connor, pertencemos ao Reino de Astlagard, o Reino de Ar. Viemos trazer uma mensagem, o vosso Senhor aguarda-nos ― Alfie tinha os lábios secos, e uma aparência desgastada.
― Os mensageiros chegaram!! ― gritou um dos guardas, mal se via a sua face. O elmo azul estava pendurado na cabeça, e lenços na face. Trazia com ele na mão uma lança e, apesar de forte, era baixo.
Dominic ainda seguia a frente, com o brasão de uma Águia na sua armadura dourada. O que o indicava como um Guerreiro de primeira fonte. Do seu lado, Alfie descera do cavalo pronto para tirar o pergaminho, e Elliot denotava-se diante de todos de Galardiohn. Se era o mais alto de Astlagard, que dizer dos pequenos habitantes das terras do mar?
As cabanas eram redondas, algumas feitas de palha ou de areia. As ruas eram pequenas e cheia de pessoas a trabalhar sem parar. O mercado cheirava peixe e mariscos, causando náuseas nos novos visitantes, e as vozes soavam altas, tanto na língua comum como na local.
E havia uma confusão qualquer entre jovens que se organizavam em fileiras.
Foram conduzidos até ao palácio rodeado por um lago e passaram por uma pequena ponte até lá chegarem.
Billy Reece estava parado na entrada redonda, acompanhado dos seus dois filhos. Benjamim, com a mesma cara séria, e Lewis, com um ar de desgosto. Vestiam armaduras azuis com o brasão de um tubarão martelo.
― Sejam bem vindos a Galardiohn ― disse o Senhor da Água, e abriu os braços.
Os três mensageiros curvaram-se com leveza em sinal de respeito, e os Guerreiros que cercavam os perímetros do palácio fizeram o mesmo.
― Permitam-me recebe-los e questioná-los sobre a vossa viagem ― Benjamim deu caminho para os visitantes passarem e todos entraram no palácio.
Elliot teve que se curvar para passar pela porta, e sorriu ao sentir o ar, para ele quente, do Reino.
Alfie, por sua vez, apreciava os quadros, eram verdadeiras obras de arte espalhadas pelas paredes, enquanto Dominic prestava atenção ao caminho a que eram guiados, uma vez que passavam por vários corredores que se cruzavam entre si.
― Encontramos um demónio ― disse Dominic com o sobrolho unido.
Billy fingiu uma falsa admiração.
― Específico? ― questionou, e passou a mão pela sua careca.
― Equidna. ― Alfie pela primeira vez desviou o olhar dos quadros para Dominic, cuja voz soara estranha.
― É-nos deveras curioso saber como conseguiram se livrar de tal demónio ― disse Lewis, com um sorriso lateral para seu pai, que ficara admirado ao saber que os mensageiros aproximavam-se do Reino.
― Foi um tanto curioso, meus Senhores ― meteu-se Elliot, lá no alto. ― Uma mistura de efeitos de elementos aconteceu do nada.
Billy parou a meio do trajecto e olhou para os três como se acabassem de contar a maior das mentiras.
― Por aqui. ― Seus olhos apontaram para a Sala de Escorpião, onde recebiam os visitantes.
Os Guerreiros do Reino abriram as portas, e em seguida eles entraram. ― Acomodem-se.
Todos sentaram-se nos bancos redondos, e era normal ver alguns Lacraus passearem pelas paredes a vontade como se estivessem em casa. O que incomodou Elliot.
Detestava animais invertebrados!
― Bem, viemos por..
― Por favor! ― Billy cortou-lhes com um sorriso sinistro. ― Antes de tratarmos qualquer assunto, quero que desfrutem de nossa hospitalidade. Falaremos em seguida sobre a vossa vinda.
Elizabeth entrou com um longo vestido branco, e os cabelos muito bem arranjados. Exalava confiança e charme. Os homens levantaram-se.
― Perdoem-me, eu sou Elizabeth Reece, serei vossa anfitriã. A minha mãe não se encontra em condições para o fazer ― Ela estalou um dos dedos e, como magia, serviçais adentraram pelo salão com cestos e garrafões.
A mesa longa feita de cimento em breve encheu com comida saudável e vinhos.
Dominic observou os mariscos cozinhados na sua frente, e as escravas algumas vestidas de branco e outras coloridas, esconderam-se em cantos estratégicos do salão a espera de novas ordens. Elizabeth sentou-se e olhou para os três homens altos e diferentes de todos que havia visto. Eles sentaram-se de seguida.
― Desfrutem. Preparei os vossos aposentos com companhias agradáveis, e poderão ver pela manhã o concurso de nadadores. ― Sorriu educadamente, e apreciou os cabelos loiros de Dominic.
As princesas dos Reinos não abandonavam o Palácio em nenhuma instância a não ser em caso de perigo, por isso não conheciam nada do que revelava o mundo fora.
Elliot foi o primeiro a começar a comer com rapidez e bebeu dois copos de vinho seguidos. Os outros dois, depois de recearem, começaram a deliciar-se com a ceia.
― Não creio que precise de uma companheira noturna ― murmurou Alfie ao ouvido de seu amigo que sorriu.
― A tua mulher está distante, lembra-te disso. Só é pecado se a magoares de alguma forma ― retorquiu com um ar malandro estampado na face.
Alfie ponderou e olhou de esguelha para Elliot. Era mais do que certo que não ia desperdiçar nada do que lhe era oferecido.
― Sem contar que seria um absurdo não experimentar estas mulheres ― sussurrou Benjamim que escutara a conversa, deixando os dois mensageiros incomodados.
Billy não estava satisfeito, e sentiu que a refeição correra depressa demais.
― Belinda, trate do Guerreiro, está ferido ― ordenou Billy com fim de ganhar algum tempo para adiar o assunto que lhes trazia ao seu Reino.
A escrava assustou-se, e surgiu da penumbra hesitante. Viu seu Senhor apontar para Dominic que mostrou-se surpreso. Perguntava-se como ele poderia ter identificado sua ferida por baixo de sua armadura se nem seus amigos tinham se dado conta durante os dias em que seguiram de viagem.
― Ácido de Equidna, vai deixar uma marca incrível ― advertiu com os olhos fixos na armadura que tinha partes derretidas.
― Parece ter conhecimento do assunto. ― O tom de Dominic pareceu acusador.
― Fiz parte dos Guerreiros do Rei ― lembrou-lhe e seu ar tornou-se sombrio.
Escutou-se o sorriso de Elizabeth, e fez sinal para lhes servirem mais vinho.
― Poderei começar o tratado, Senhor? ― pediu Alfie.
― Espere que tratem do Guerreiro, e depois continuamos ― Evitou Billy ainda sério.
Dominic levantou-se com um ar sério.
― Podem começar sem mim. ― Olhou para a escrava pequena, toda coberta de vestes brancas salve os olhos cor de âmbar brilhantes.
― Por aqui ― indicou Belinda e saiu nos seus passos pequenos e rápidos. Conseguiu sentir o homem a segui-la, era deveras alto. Sua cabeça não chegava sequer ao seu ombro, e seus olhos sérios estavam marcados por honra e respeito.
Demorou até as vozes da sala de Escorpião deixarem de se ouvir, e desceram até a uma cave vazia.
― Pode sentar-se ― Ela puxou um banco e apressou-se entre os cestos dispostos pelo chão.
Dominic sentou-se e observou o lugar a sua volta. Era pequeno, com as paredes feitas de areia, e cheio de cestos, águas e baldes de barro. Uma pequena mesa estava do seu lado, onde apoiou seu cotovelo e observou Belinda recolher frascos, panos e potes apressadamente.
― Esta é a vossa sala de medicina? ― perguntou com a voz grossa e potente.
Ela acenou com a cabeça, seus olhos evitavam olha-lo nos olhos. Estava intimidada.
― Pode despir a vossa armadura ― Não era uma ordem, era um pedido assustado e Dominic sorriu em silêncio.
Tirou a armadura pesada do seu corpo, deixou-a de lado e viu as marcas vermelhas e bolhas a deitarem água. Belinda fez cara feia, mas aproximou-se.
Passou um pano molhado com água salgada para limpar as feridas, e sentiu o peito musculado dele retesar-se, mas em nenhum momento reclamou.
― Também estará a meu serviço esta noite? ― Sua pergunta tinha um tom pervertido, mas admirou-se com a reação de Belinda que entornou o pote.
― Perdão ― pediu afastando-se, voltou para esmagar algas numa panela de barro e misturou com sal, sem conseguir controlar as suas mãos que tremiam. Seu peito subia e descia com rapidez, e quando regressou encontrou o homem ainda inerte.
Ele estava sentado, e ela em pé conseguia ter a mesma altura. Passou a mistura na ferida, sem lhe encarar o olhar.
― Podemos regressar ― disse Belinda a guardar o que utilizara de volta aos cestos.
Dominic carregou a armadura com a mão, e seguiu atrás da escrava sem cobrir o peito. Desta vez ela andou ainda mais depressa até chegar a sala onde se escutavam vozes.
A mão forte de Billy contra a mesa provocou um estrondo e a oscilação de alguns copos de vinho. Todos na mesa se entreolharam.
― Se os outros Reinos abdicaram de seus escravos não quer dizer que eu tenha de seguir ― O punho estava fechado, e seus olhos estreitos.
― Não seria o mesmo que abdicar, Senhor. Mas sim deixá-los livres e retribuir com remuneração para os que quiserem ficar. A nova lei exige, e ninguém está isento ― Alfie Declan era calmo, e seus olhos claros pareciam impacientes pela primeira vez.
― Cada um cuida dos seus escravos como bem compreender, cada Reino deve seguir individual com suas próprias leis ― afirmou Benjamin com o pergaminho nas suas mãos.
― Se me permite ― Dominic tirou outro pedaço de papel de papiro de dentro das suas calças e concedeu ao herdeiro do Reino de Água. ― O Rei emitiu esse mandato, caso não seja cumprido o Senhor e toda sua corte deverá ser destituída.
Elizabeth deixou de prestar atenção aos músculos dele para olhar para o pai. Billy permaneceu tenso e passou os dedos entre a sua barba entrançada.
― Já se faz noite, a minha Senhora espera por minha companhia nos aposentos ― Margareth até esperava, mas ele não ia se dirigir para lá. ― Sugiro que descansem, e eu vou falar com o meu Guardião, o Professor Hellis Jason. Amanhã nos encontraremos novamente e trarei a resposta.
Na verdade Billy queria questionar como poderiam ter eles derrotado Equidna, se não passavam de meros Astlar’s. Precisava de saber sobre o que Elliot falara, acerca da presença dos quatro elementos na batalha.
― Concordo! ― Elliot não parecia disposto a nenhuma discussão, e não via a hora de se meter numa cama com uma das escravas.
Dominic e Alfie trocaram olhares mas não rebateram, já se fazia noite e esperar mais algumas horas não faria mal a ninguém.

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Fox* em Dom Out 07, 2012 7:54 pm

Oh, eu adoro estes cavaleiros! A sua amizade e fidelidade uns com os outros e a sua inteligência e capacidade de enfrentarem todos os monstros que lhes aparecem à frente sem desistirem é mesmo fantástica!
E cuidado, Terras do Mar... Eles vêm aí :D

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Out 08, 2012 8:23 pm

Bem Mia, desculpa mas consegues sempre surpreender-me. Adoro os nomes que criaste para esta fic. Os elementos, os demónios, tudo. Está fantástica e mal posso esperar por mais! Não tinha lido este último cap, por isso é tudo novo e eu quero ler! Já! xD

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por miaDamphyr em Qui Out 25, 2012 4:32 pm

Oh Fox, eu adoro-te a ti. Lool. Obrigada por continuares a ler, e não ir a lado algum. Beijos.

Pandy, a rainha dos nomes que eu gosto gosta dos nomes que há por aqui?? Muito obrigada. Se é tudo novo, melhor ainda. Só espero que continues a gostar. Beijos.

PAGE CONNOR
terra do gelo,


― Porquê tenho a sensação de que estivemos a andar à roda? ― perguntou. Sentada debaixo de um pinheiro, tentava aquecer suas grandes mãos na pequena fogueira feita por ela.
Jordan contorcia-se de frio, empurrou os óculos para junto dos olhos esbugalhados.
― É-É impressão vo-vossa, Milady ― respondeu com os dentes a ranger, o frio da noite era intenso.
A escuridão e o gelo penetrante eram as únicas companhias que tinham, salve os uivos noturnos dos lobos brancos que povoavam a região.
Mas Page não estava convencida. Andavam há dias sem sequer saírem das montanhas nevosas. Tinham suportado o frio e chuva, e as provisões estavam em vias de terminar.
― Não é possível que ainda não adentramos na floresta. Desconheço a verdadeira distância, mas não creio ser possível ― Uniu o sobrolho claro. ― Não me escondes nada?
Jordan ficou com as faces enrubescidas, e engoliu em seco.
― Não tinha porque o fazer ― disse, mas seus olhos estavam fixos no círculo que fazia com um pau na neve. ― Não somos Guerreiros para lhes seguir o ritmo de viagem.
Page podia nunca ter saído de seu Reino, mas não era burra. O Guardião estava a engana-la, conseguia sentir naqueles olhos medrosos.
― Vamos continuar viagem. ― Levantou-se e amarrou os fios do seu casaco peludo.
― Co-Como? ― Ergueu a face para a mulher parada diante de si. ― É noite, não penso que..
― Não estás aqui para pensar! ― retorquiu Page friamente. ― Preciso de encontrar Dominic. Eles correm perigo de vida em Galardiohn.
― Perdoe-me, mas penso que Guerreiros estão preparados para tudo.
Page começou a andar indignada, puxou o seu cavalo com pressa e sentia suas botas afundarem na neve densa. Escutou Jordan levantar desastrado, tropeçou contra a pequena fogueira improvisada e soltou um guincho de dor.
Arrependera-se de o ter trazido ao invés de um mapa. Sentiu Jordan segui-la em silêncio.
Seus pensamentos voavam para o seu amor que tanto desejava alcançar. Faziam dias embrenhados naquela jornada, com esperança de chegar perto que fosse deles. Como poderiam estar distantes se tinham partido com diferença de apenas um sol?
Sentia-se cansada, ainda mais no estado em que se encontrava.
― De-Deveríamos re-regressar Milady ― sugeriu Jordan, tentando aproximar-se dela sem sucesso.
Page parou, virou-se com força e apontou-lhe a espada num movimento rápido.
― É estranho como não tardaremos a chegar em Astlagard caso concorde, mas não me levas as terras de mar! ― Estreitou os olhos sem esconder a desconfiança. ― Devo ter te subestimado ao confundir-te como um mero bobo da corte.
Jordan sentiu dor ao escutar o que Page achava dele, e seus olhos escureceram. Engoliu em seco, e por alguns momentos pareceu não transmitir o medo que sempre o possuía.
― Oh, eles estão aqui não estão? ― perguntou sentindo-se mais traída ainda. Confiara nos seus atributos de beleza para tentar enganar o Professor Jordan, mas acabava de descobrir que ele era fiel apenas ao seu pai. Tropeçou em algo e caiu acompanhada de um grito.
― Mi-La-Lady! ― Jordan correu em sua ajuda, estendeu-lhe a mão pequena mas Page recusou-se irritada.
― É o mesmo corpo de serpente com o qual cruzámos dias antes! ― rosnou ainda mais furiosa levantando-se de rompante. ― Estás a ludibriar-me!
Mas Jordan permaneceu calado, seus olhos mel brilhavam no escuro e seu cabelo desalinhado voava levemente com o vento. Page sentiu medo, mas ergueu o peito.
― Baixa-te ― disse pela primeira vez sem gaguejar.
― O quê? ― questionou Page com a mão cerrada em volta da espada.
― BAIXA-TE! ― O grito ressoou pelas terras de gelo.
Jordan empurrou-a com força, fazendo-a ir de encontro ao chão mais uma vez. Vários Guerreiros surgiram das sombras, do alto dos pinheiros e arbustos como se fossem ninjas. Vestiam-se de preto, mas a armadura com o brasão de uma Águia identificava-os como pertencentes ao Reino de Astlagard.
Page arregalou os olhos para o céu escuro e viu um grande touro com asas de um Grifo.
― Fica quieta! ― ordenou Jordan arrancando-lhe a espada das mãos.
― É Haage, e pode mudar para a forma humana a qualquer instante se estiver seguido por um mágico. Se ele pedir, é o nosso fim ― explicou baixo, pronto para seguir o Grupo de Guerreiros em direção ao demónio que aterrava na neve e baixava as asas.
Mas no céu surgiu uma legião de trinta e três demónios, sob o comando de Haage. A herdeira de Astlagard sentiu medo pela primeira vez.
Sigam-me, eu torno todos os homens sábios ― A voz do demónio era assustadora, numa mistura do real e surreal. Parecia vinda das profundezas do inferno, e ao mesmo tempo confundia-se com uma harpa mal tocada. ― Transformo todos os metais em ouro, e água em vinho. ― O grito que deu foi atordoante, e algumas montanhas estremeceram.
― Vai para Astlagard, avisa o Reino que demónios estão aproximar-se. Fiquem de vigilância e leva a Senhora Page contigo ― ordenou Jordan ocupando o lugar no cavalo de um dos Guerreiros.
― E o Professor? Deveria voltar, em caso de ataque o Guardião deve estar presente para qualquer uso do poder dos três signos de ar ― afirmou o Guerreiro que era deveras alto e corpulento.
― Faz como lhe instruí! ― Concluiu Jordan, já não sentia frio. Pelo contrário, o calor apoderara-se de seu medo. Jamais poderia ter compactuado nos desejos de Page, mesmo que tivesse brincado com ela. Porque agora sua vida corria perigo, e Connor, Senhor de Ar, não o ia perdoar.
Ela viu Jordan dirigir-se a velocidade em direção ao demónio que derrubava tudo o que achava pela frente.
― Senhora, venha comigo ― pediu o Guerreiro levantando-a pelo braço com certa facilidade devido a sua força.
Page não teve tempo sequer de responder, apenas sentiu seus pés deixarem o manto de neve, foi içada e colocada no cavalo castanho. O Guerreiro subiu com pressa, segurou as rédeas e começou a cavalgar sem olhar para trás.
Os cabelos loiros voavam contra o vento, as patas do cavalo a correrem contra neve não abafavam os gritos de luta que ficavam para trás. Viam-se feixes de luz de cores verde refletirem pelo céu, escutava-se os movimentos dos furacões, invocados pelos Astlar’s. A terra estremecia, e a guerra acabara de começar.
― Pára! ― Ordenou Page. ― Pára! Preciso de vomitar.
O Guerreiro de Ar reduziu a velocidade, e conseguiu parar o cavalo apenas metros a frente.
― Perdoe-me Senhora, mas peço-lhe que seja rápida ― disse preocupado.
― Ajuda-me ― ordenou Page ainda em cima do cavalo.
O Guerreiro saltou para a neve, e esticou a grande mão pálida para a sua soberana. Page soltou um sorriso lateral antes de bater o Guerreiro na cabeça com o seu cantil de ferro. Ele cambaleou sem gritar, recuou o suficiente para ela segurar as rédeas do cavalo.
― Senhora! ― gritou a tirar a mão da cabeça, mas já ela comandava o cavalo com toda a força e saiu a correr sem olhar para trás. ― Senhora!
Page sentiu o Guerreiro vir a correr atrás de si mas sabia que, por mais veloz que ele fosse, ou tivesse sido treinado, não chegaria nunca a velocidade de um cavalo.
Deixou-o para trás, de volta onde se incidia a batalha entre Guerreiros Astlar’s e demónios a sobrevoarem o céu e aterrorizarem a terra.
A neve estava manchada de vermelho, Haage exercia força e liderava com sabedoria. Page tinha estudado sobre os demónios, e sabia que aquele era o Presidente do Inferno. Perguntava-se como teria ele escapado dos muros de Leon mas, ao lembrar-se de Dominic, e o porquê do seu desespero em chegar a Galardiohn, encontrou a sua resposta.
― Cuidado! ― gritou Jordan, defendendo-a com uma espada e dividiu um dos demónios ao meio. Fumo surgiu no lugar de sangue, e desfez-se pelo ar.
Page estava vermelha de susto, mas não tinha menção de desistir.
― Tens de regressar Page, não existem meios de chegar ao Reino de Água quando os demónios partem de lá! ― gritou com o cabelo banhado de sangue. ― O Dominic será guiado como Mercúrio, protegido por Saturno e encaminhado por Vênus. Mas não existe nada que possas fazer, a não ser encaminhares para a morte. ― falava com pressa, sem pausa e seus olhos estavam alterados pela adrenalina. ― Tens de proteger suas irmãs e o vosso Reino.
Pela primeira vez na vida, Page sentiu o peso do seu destino. Lágrimas caíram ao perceber que não podia fazer nada, e por muito que lhe custasse regressar era a sua obrigação. Porém, seu amor por Dominic parecia maior que tudo. Ela respirou fundo.
― Promete-me que enviarão Guerreiros para trazer Dominic até mim.
― Minha promessa será em nome dos três Signos de Ar. ― Colocou a mão no peito do lado do brasão da armadura que agora vestia.
Era estranho vê-lo sério, sem gaguejar e pronto para lutar. Sempre passara o espírito de distraído e atrapalhado.
― Tem algo que preciso revelar, cometi uma atrocidade e.. ― Uma mão trespassou a barriga de Page, sangue jorrou.
Jordan separou a cabeça do demónio do corpo num movimento perfeito e nervoso. Mas tinha sido tarde demais, Page tombou do cavalo e sangue escorreu pela neve branca. Sangue de um herdeiro. Sangue de uma mãe. Um crime se instalava, o caos chegara aos Reinos.
― Page! Page! ― Ela conseguia escutar a voz do Guardião, mas vinha de longe. Não sabia se o negro para onde mirava se provinha do céu ou de seus próprios olhos. A dor percorreu-lhe todo corpo. De repente, a batalha cessou!

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Fox* em Qui Out 25, 2012 6:33 pm

Ohhhhhhhhhhhhhhhhh! Mia, eu estou quase literalmente aos pulos pelo que puseste aqui! Este vai ser um passo tão grande na fic! Tipo, de gigante xD!
E há problemas, e ela foi atingida, e drama e segredos e... Oh God, too much! xD
Mais! Sabes que não vivo sem mais :D

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por PandoraTheVampire em Sex Out 26, 2012 2:29 pm

Oh não!! O filho dela morreu? E ela? ZOMG n podes deixar isto assim, tens noção? Não quando isto está tão interessante, ora essa!! aiiiiii

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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

Mensagem por Athena em Sex Out 26, 2012 3:18 pm

Esta história é imensamente densa!
E é um elogio.

Mitologia, Astrologia, Época Medieval e ainda Nárnia.
Meu Deus. Vou tentar entrar no espírito da história mas vai ser difícil assimilar tanta informação.
Estou a gostar até agora mas não percebo onde vais querer chegar com esta história. Algo me diz que a Belinda vai quebrar o sistema todo mas vou esperar para ver.
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Re: Cavaleiros dos Quatro Elementos

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