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UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Fox* em Qui Maio 31, 2012 9:36 am

Hahahaha, eu lembro-me desta carta! Adorei a forma como a Agnes tratou do assunto e conseguiu irritar a irmã! A guerra entre as duas é impagável e adoro cada coisa que fazem para se irritar (se bem que a Gwen vá mais longe ao matar tudo e todos!)
Sei que as coisas não são o que parecem nesta fic e por isso ainda acredito que a irmã mais nova vai ter um papel fundamental na salvação do Reino! Não propositado mas, ainda assim...
Oh, eu vou gostar tanto de ver os desenvolvimentos... :D

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 04, 2012 1:06 am

Ohhh Gwenn... gosto dela, mas não da mesma maneira que gosto da Agnes. A Agnes tem um fogo diferente. A Gwenn é só terrível :p continuo a sentir pena do pobre Silas que nunca terá realmente aquilo que quer... mas continuo a adorar, pois claro! Por isso que venha mais, sim? Tipo, muito mais! Até onde estava que eu estou a morrer de curiosidade!!! Beijoka

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Andy Girl em Seg Jun 04, 2012 1:29 am

Olá!
Isto esta WoW,
Tipo, a personalidade de cada uma delas é mesmo complexa e gostei dissoXD A Agnes tem o seu feitio, mas nem parece ser má, luta é por aquilo que quer voltar a ter e bem como aquilo que conhecia antes de o Rei ter morrido e desmorrido!
Este prisioneiro... Hum, será mais alguém sobrenatural? Bem, fiico a aguardar pela resposta!
Beijinhos
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Seg Jun 04, 2012 1:34 am

Hellur!!!!

Pandy eu vou postar o mais fast possivel, porque eu tmb estou em pulgas para vos mostrar o que ai vem e para ver-vos a lidar com all the feelings and emotions. A quantidade de gente que morre...oh yeah!!!

Andy sê bem-vinda a este cantinho! :D Antes de mais muito obrigada! :D A Agnes não é má, mas o facto de ser tão rigida e ter um muro á volta de si não permite que as pessoas se aproximem. Ela não é pérfida, mas é muito fria. Já a Gwenn...ó qual cobra venenosa, qual quê. Eu adoro a Gwenn!

Obrigada as duas!!

Beijnhooosss
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Qua Jun 06, 2012 11:41 pm

Novo capitulo!Vamos conhcer o Sábio!!!


V – SÁBIO


O Castelo de Sunnderland era grande. Ficava mesmo no topo de uma montanha e daí podia ver-se toda a extensão do reino, se um se concentrasse bem poderia até identificar a Casa de Ferro lá ao longe.
Era composto por quatro torres de vigia, cada uma vigiando um dos pontos cardeais, para além de ser robusto, tinha também por debaixo masmorras onde ficavam os prisioneiros de guerra.
Gwenn raramente ia ás masmorras, mas naquele momento era necessário. Precisava de boas novas.
Mandou todos os guardas embora e deixou-se ficar de frente a única cela ocupada. Varreu com o ar a mão direita e as tochas que se encontravam por perto, acenderam-se magicamente iluminando o redor.
Conseguiu identificar na cela á sua frente, uma figura de negro encolhida a um canto.
― Saí do escuro, velho. Desejo falar-te.
A figura ergueu a cabeça mostrando um homem de pele cálida, olhos cinzentos encovados, numa cara ossuda e magra. O seu cabelo longo que caía até a cintura e era negro como a escuridão a sua volta. Ergueu-se mostrando-se alto e altivo. Era jovem, não aparentava ter mais do que quarenta anos, no entanto, todos sabiam que os Feiticeiros nunca tinham a idade que aparentavam.
Avançou até as grades de ferro e ali ficou nas suas vestes, apesar de manchadas e fétidas, negras.
― Não sou velho, sou Sábio.
― Cento e cinquenta invernos trazes nas tuas costas, isso faz de ti um velho.
― Se quereis falar-me, fá-lo com respeito.
― Tento, Sábio. ― Disse Gwenn. ― Se mandar um dos meus guardas rapar o teu cabelo, lá se vão os teus poderes.
O Sábio pertencia a um grupo já quase extinto, que conservava toda a sua força e magia no seu cabelo. Quanto mais longo era o cabelo, mais poderoso era o Feiticeiro. Se fosse cortado, não só o Feiticeiro perderia todas as suas forças, como o seu corpo regressaria ao estado correspondente a sua idade. Com o cabelo comprido e forte, envelheciam mais devagar e o poder aumentava com o passar das décadas. Sem cabelo, ia-se a juventude, o corpo tornava-se decrépito e os poderes evaporavam-se.
― Não o ireis fazer. Precisais de mim e do meu dom. Sem cabelo, não há dom.
― Não me testes.
O Sábio fez uma breve vénia. Passou os seus longos braços pelas barras de ferro.
― A que devo a vossa ilustre presença, Vossa Senhoria?
Vossa Graça!
― Não sois Rainha.
― Ainda! ― Sibilou. ― Quero saber, Sábio, já que tens o dom, que terras conquistou meu pai? O quão grande está o dominio de Sunnderland?
O Sábio, agachou-se e deixou a sua mão magra pairar por cima da terra. Não foram precisas palavras mágicas, os Feiticeiros não eram assim. Simplesmente, tinham o dom.
Na terra vermelha que sustentava as masmorras, desenhou-se o mapa do Mundo Médio, com Sunnderland mesmo no centro. A Norte as terras Brancas, as de Gelo, e a Fortaleza ocupavam grande parte.
― Vosso pai, conquistou o reinado de Aghael, conhecido também como a terra Branca, sob o reinado do Rei Brahum. O Rei morreu na batalha, assim como todo o seu exército, a cidade real de Hahur foi pilhada e agora o regente é o filho mais velho, que jurou fidelidade ao nosso Rei e assim agora tem o titulo de Senhor da Terra de Aghael.
“As terras de Gelo, ou Khail, não entraram na batalha. Renderam-se imediatamente e devido a falta de homens e de armas. O Rei Del é agora Senhor de Gelo e jurou fidelidade.
“Onde o Rei travou a sua última e mais sangrenta batalha, foi na Fortaleza. O Rei Yorik morreu na batalha e como não tinha filhos, o seu reino ficou encarregue a um dos intendentes do nosso Rei. Deu-lhe outro nome, agora chama-se Harrenland e o seu regente é Basil, o Senhor das Armas. Também jurou fidelidade eterna a Sunnderland.
― E o que significa isso?
― Significa que caso necessário, o reino de Aghael, Khail e a Fortaleza, enviarão os seus exércitos.
Gwenn mostrou o maior dos sorrisos.
― O nosso dominio cresce. Cinco dos nove reinos do Mundo Médio juraram-nos fidelidade. Controlámos meio mundo. ― Olhou para o mapa que se desenrolava no chão. ― Nas terras do Norte, o Rei encontrou outras Nações?
O Sábio ergueu os olhos cinzentos para a Soberana. Sabia perfeitamente de que Nações falava Gwenn, afinal ele não era o único da sua espécie e sabia perfeitamente que havia muito pior em terras nunca exploradas.
― Sim. ― O Sábio mexeu os dedos e no espaço que separava os reinos, nasceram vários nomes de várias nações livres. Gwenn aproximou-se e baixou-se lendo cada um dos nomes. ― Varreu as nações com fogo e metal.
Gwenn olhou brevemente para o Sábio e logo a seguir, voltou-se para o mapa.
― Como está o nosso Rei?
― Perguntas pelo Rei ou perguntas pelo Deus que ocupa o seu corpo? ― Gwenn não respondeu. O Sábio varreu novamente o ar com a mão fazendo com que o mapa desaparecesse e a terra vermelha forma-se uma imagem do Rei.
― De boa saúde. Perdeu grande parte dos seus homens, porém continua com vigor. ― Sábio olhou para Gwenn. ― Matá-lo não será fácil.
― Ninguém falou em mata-lo, Sábio.
― Claro... ― Disse sorrindo sombriamente. ― A vossa preocupação é genuína.
Gwenn ergueu-se novamente.
― E a Pandorika? ― O Sábio ficou tenso, ergueu-se ficando da mais alto do que a Soberana. ― Tem-na consigo?
― Para que quereis a Pandorika, Senhora?
― Vossa Graça! ― Exclamou Gwenn. ― E o que quero com a Pandorika nada contribui para a tua existência. O Rei tem-na ou não debaixo do seu braço?
― Seria mais ao peito. Porém...
― Porém?
― De nada vale provocardes uma embuscada para rouba-la a vossa pai, enquanto se encontra a caminho. A Pandorika presentiria e os vossos homens acabariam mortos.
Gwenn abanou a cabeça.
― A Pandorika é uma história.
― Então, que fazeis aqui? ― Perguntou o Sábio com um sorriso. ― Por favor, foi toda esta conversa apenas um disfarce para uma visita? ― Gwenn virou as costas ao Sábio, sem sequer se dar ao trabalho de responder. ― A Pandorika é demais para vossa Graça. ― Gwenn parou de andar perante a provocação. ― A Pandorika é um organismo vivo, comer-vos-á viva se assim for. Como julgas que vosso pai, Rei Igor- ou o Deus Bristol - tem andado a vencer batalhas atrás de batalhas? ― Gwenn olhou para o Sábio que parecia sorrir. ― A Pandorika come almas, devora esperança e vossa Graça, nunca aguentará com o seu poder.
― Bem sabes que não sou humana. Não totalmente.
― Ah! Isso pode ser uma vantagem... ― Disse o Sábio. ― Ou não. Lembra-te, Senhora, és apenas metade do que vosso pai é. Metade. ― Ouviu-se o som de botas e Silas apareceu por detrás de Gwenn, altivo e protector, como o seu cargo exigia. ― Oh, o cão veio sem ser chamado.
― Modera a tua linguagem...Bruxo.
O Sábio agarrou as grades repentinamente e fê-lo com tal força, que as chamas das torchas quase se apagaram. Aquele brilho voltara aparecer-lhe nos olhos.
― Desafio-te a repetir esse nome, aqui.
Silas aproximou-se da cela, com um sorriso.
― Bruxo.
O Sábio estendeu a mão, mas falhou o pescoço de Silas por poucos milimetros e abriu um sorriso.
― Poderia matar-te...
― Não matarás, por detrás de barras de ferro.
― A Pandorika encarregar-se-á disso. ― Disse friamente.
― Tu criaste a Pandorika! ― Exclamou Gwenn, uns passos atrás ― Como podes ter medo de algo que tu criaste, Velho?
O Sábio olhou para Gwenn e voltou a agarrar-se ás barras.
― Por saber exactamente aquilo que criei, eu tenho medo. ― Sorriu para a Soberana. ― Se fosses esperta sairias do seu caminho, ao invés de te enterrares nele.
Gwenn berrou pelo guarda e assim que ele chegou, olhou-o com atenção.
― Penso que o Velho está gordo demais. Deixa-o sem comer, talvez assim modere o seu jeito. ― Girou sobre si mesma fazendo o seu vestido rodar atrás de si e partiu por onde veio, sem ligar aos avisos do Sábio. ― Voltou ao corrupio do castelo e por pouco não embatia numa criada que trazia lençóis novos. ― Olha por onde andas, criatura!
Empurrou e a criada caiu de rabo no chão. Passou por cima da jovem e continuou a andar. Na sua mente, apenas ouvia uma palavra: Pandorika.
Não passava de uma lenda, no entanto, todas as lendas têm uma fonte de verdade.
Contara-lhe a sua ama, dias antes de fazer dezoito Invernos.
“Qual é a história da Pandorika?”
A Ama encarou-a com surpresa. A lenda de Pandorika era uma daquelas histórias que jovens Princesas não ouviam.
“Princesa, essa história não é para os seus ouvidos...”
“Sabes ou não?”
A Ama engoliu em seco.
“Sei.”
Gwenn largou o tecido que, aborrecidamente, estava a tecer e ajeitou-se na sua poltrona.
“Conta-me.”
"Princesa, não falamos da Pandorika..."
"Porquê?"
A Ama engoliu em seco.
"Porque é apenas uma história."
"Se é apenas uma história podes conta-la. Ordeno-te. Conta-a!"
A Ama pousou também o tecido e respirou fundo. Lá fora chovia e o tempo estava fechado, tal e qual o temperamento da Princesa.
“Conta a lenda, que a Pandorika foi criada a muito, muito tempo, por um velho Sábio...”
“Um bruxo?”
“Erm...Eles não gostam do termo bruxo. É depreciativo. Corretamente, são Feiticeiros, mas são mais comumente chamados de Sábios. “Gwenn revirou os olhos e a Ama continuou. “A Pandorika foi criada para um Rei, que tinha sede de conquista e queria alargar todo o seu domínio. Cansado dos métodos convencionais de conquista e com quase todo o domínio humano na sua palma, o Rei virou a sua atenção para as terras não-domadas. “
“As Nações livres?”
“Essas mesmo.”
Gwenn ajeitou-se na poltrona sentindo a primeira pontada de excitação.
“Ninguém sabe o que há nas Nações livres.“
“O Rei pensava o mesmo, mas mesmo assim, terreno é terreno.” Disse a Ama. “Por não saber o que iria encontrar nas Nações livres, o Rei pediu ajuda ao Sábio, queria algo que o ajudasse a dominar e conquistar todas as terras não-domadas. O Sábio mergulhou nos confins da terra durante todo o Inverno e quando regressou, trazia nas suas mãos calejadas, a Pandorika.” Gwenn aproximara-se mais da Ama e esta, aproveitando o entusiasmo da Princesa, continuou a contar. “Com a Pandorika o Rei conquistou Nação atrás de Nação. O seu terreno aumentou e o seu dominio tornara-se forte dia, após dia.
“No entanto, a Pandorika não dá nada, sem receber, por isso por cada território que o Rei conquistava, meia centena dos cavaleiros seus pereciam misteriosamente. E, num campo de batalha, meia centena fazem a diferença...Sempre em desvantagem, mas nunca perdiam. O reino continuava a crescer, sempre forte, sempre dominante.”
“O que é a Pandorika? Exactamente.”
“Ninguém sabe. Uns dizem que é um demónio. Outros dizem que é apenas um estado de espirito. Muitos dizem que nem sequer existe. Ninguém sabe ao certo.“
“Então, resumindo, quem tem a Pandorika, tem o Mundo Médio?”
A Ama olhou para a sua Princesa.
“O Rei provou essa teoria.”
Gwenn olhou a Ama de soslaio, ergueu-se com as mãos na cintura e os olhos verdes cintilantes.
“Essa lenda, é sobre o meu pai?”
A Ama olhou para Gwenn.
“Sim.”
“Esse Sábio ainda está vivo?”
“É um Sábio, é dificil morrerem.”
Gwenn abriu o maior dos sorrisos. Sentou-se pesadamente na sua poltrona, olhou para a Ama e estalou os dedos.
“Vai-te!”
“Mas, Princesa...”
“Vai-te e fá-lo agora!”
A Ama levantou-se silenciosamente e saiu. Assim que o fez a sua mente movia-se depressa. Quem tem a Pandorika, tem o Mundo Médio.


V – PARTIDA

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Fox* em Qui Jun 07, 2012 3:49 pm

Cala-te, adoro esta personagem! Sei que aqui não demonstras muito, mas adorei o que nos deixaste (e ainda deixas) preparado!
Quanto ao capítulo em si, gostei muito da forma como esboçaste e criaste o nível de inteligência e poder deles, através do cabelo! Acho que torna a tua história ainda mais única e divertida!
Gosto também dos teus diálogos, são bastante fluídos e consegues passar muita informação através deles, é sempre bastante positivo ler algo assim!
Estou super curiosa (Se é que era possível!) para conhecer a Pandorika! :D

Beijinhos Dee!

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por PandoraTheVampire em Qui Jun 07, 2012 11:54 pm

A lenda da Pandorika... o que isto ainda vai dar! E o sábio é awesome!! My Gawd isto ainda tem que andar muito. Estou a desesperar! xD

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por jéssicafloresfreitas em Dom Jun 10, 2012 1:03 am

Gosto demais dessa história! eu acompanhava no fanfic de Portugal, mas não tinha me cadastrado, agora não consigo acessar mais, Parabéns Dee sua Fic é assim uma das melhores que eu já li. Parabéns!
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Dom Jun 10, 2012 12:32 pm

LOOL Eu tmb já ando on fire, Pandora. Tenho tanto para vos mostrar e tenho que ir desde inicio...LOOL Bora que desesperamos as duas! :D

Olá Jéssica, obrigada pelo teu comentário. Espero que continues a seguir e principalmente a comentar, porque gosto imenso de saber o que vocês acham desta história! Volta sempre!

Beijinhos.....

BTW: Novo capitulo, sai já hoje. ^^
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Andy Girl em Dom Jun 10, 2012 6:35 pm

Olá!
Este Sábio é espertinho é! Mas ele deve ter tido um objectivo quando a deu ao Rei!
A Gwen meio Deus? Então ela também tem alguns poderes ocultos não?
O que é que ela vai fazer ao pai, quero saber disso e muito bem! Essa pessoa demoníaca!
Desculpa nunca dizer anda de mais mas nunca sei o que comentarXD
Beijinhos!

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Qua Jun 13, 2012 12:26 am

Como prometido! Aqui fica o novo capitulo destas duas irmãs. Para quem já leu, pedia que lessem a parte em que o Capitão aparece já que eu acrescentei informação e também a parte final do Nathaniel e da Jordana- espero que gostem! Para quem nunca leu, aqui fica um pouco da história como a Senhora e o Capitão se conheceram.

Obrigada!
Beijnhoooos!!! :D


V – PARTIDA


No seu quarto, Agnes arrumava os seus vestidos e pertences dentro do quarto baú de madeira. Estranhamente gostava de arrumar as suas coisas, era um processo que a acalmava bastante e tendo em conta o lugar para aonde iria, precisaria de toda a paciência do mundo.
Tirou uns segundos para contemplar o sol que aparecera por detrás das nuvens e incidia sobre as casas de Sunnderland, a meio da tarde. Uma coisa tinha que admitir não era a sua casa, mas Sunnderland era um optimo substituto. O seu amor por esta terra crescera de dia para dia e apesar de sonhar acordada com Kidrahul as raizes que criara neste pequeno cantinho no Norte era impossivel de abandonar.
― Minha Senhora? ― Jordana entrou pelo quarto. ― Os baús estão junto á porta, desejais que leve mais alguma coisa?
― Não, eu levo este. ― Disse Agnes colocando o último vestido e fechando o baú, trancando-o logo a seguir. ― Já arrumaste as tuas roupas?
― Ermm... ― Jordana enrolou a própria língua e Agnes olhou-a confusa. ― Eu vou também?
Agnes colocou-se de pé no seu novo vestido creme, de mangas largas e renda á volta do decote cheio.
― Claro que vais! ― Exclamou. ― Com quem iria eu falar? Quem ouviria os nomes feios que chamarei nas costas da minha irmã?
― Os criados do castelo?
― Eu não confio neles. ― Disse fortemente. ― Não confio nem numa pedra daquele castelo. Tudo respira, tem olhos e ouvidos apurados. ― Agnes aproximou-se da sua Dama e mostrou um sorriso caridoso. ― Quero que venhas.
Jordana sorriu com a maior das vontades.
― Sim, Senhora. ― Agnes sorriu e depois voltou a sua atenção para o pesado baú que necessitava ficar de pé. Antes sequer de tocar na mala, tomou atenção ao som de cascos a subirem a encosta perto de sua casa. Jordana ouvira também e movera-se para a janela, esticando o pescoço e acenando aos criados que abrissem a porta do pátio, para que entrassem os cavalos. ― Senhora...
― Sim?
― A Legião chegou.
Gwenn sentiu um soco no estomago. Sim, mandara chama-los, mas uma coisa era chamar e outra era os soldados da Legião virem ao seu encontro. O seu problema não era com todos, somente com o Capitão. Logo com o Capitão.
Inspirou fundo e olhou para Jordana.
― Traz o Capitão até aqui.
― Ao quarto? ― Perguntou Jordana surpresa. Agnes ergueu uma sobrancelha em tom reprovador. ― Sim...Sim, para já, Senhora.
Jordana saiu e Agnes voltou-se para o tocador, pegando imediatamente numa escova, penteando o cabelo o mais que pode. Ajeitou a gargantilha vermelha que tinha em redor do pescoço, assim como a simples tiara que trazia na cabeça. Colocou o cabelo todo para trás, para que caísse pelas costas abaixo como uma cascata vermelha e apertou um pouco as bochechas. E, que não se pense que tentava seduzir, mas sim impressionar e provar uma teoria. Ainda sentia um arrepio na espinha quando o via.
Não se recordava de como as coisas tinham começado entre os dois, apenas se recordava de que o sol brilhava e que estava calor. O Capitão tinha sido nomeado como chefe da Legião e a irmandade organizara dois dias de Jogos, para que pudessem abraçar novos membros que estivessem interessados em proteger a cidade. As justas eram um capeonato cruel, cheio de sangue, ossos partidos e animais feridos, porém Agnes adorava fazer parte dos Jogos. Não participava, aqui em Sunnderland as mulheres não participavam por isso ficava na bancada central na sua cadeira e com Jordana ao seu lado. Como madrinha cabia-lhe a função de abençoar os cavaleiros, um gesto simples, um singelo inclinar de cabeça ou um sorriso discreto. Tudo isto, antes do Capitão chegar.
Quando o Capitão entrou na arena tudo mudara. Agnes nunca tinha visto o Capitão antes mas o que se ouvia era verdade.
“Aquele é o novo Capitão?” Perguntou Agnes a Jordana mesmo ao seu lado.
“Sim, Senhora. Marcus é o seu nome. Diz-se ser corajoso, forte e um lider nato.” Dissera Jordana com um mel na voz. Marcus aproximara-se no seu corcel castanho, a sua armadura a reluzir contra o sol quente, fez aquilo que nenhum outro fizera; Aproximara-se com seu cavalo, retirara o seu elmo e olhou mesmo nos olhos de Agnes. Algo que nenhum dos outros alguma vez ousara.
“Cara Senhora, venho pedir-vos vossa benção.” Inclinou ligeiramente a cabeça e Agnes levantou-se da sua cadeira – o que lançou murmurios por todo o lado – aproximou-se da pequena varanda e estendeu o seu lenço perfumado.
“Capitão.” Marcus levantou a cabeça e ao ver o lenço de Agnes sorriu ligeiramente. Avançou com o cavalo para mais perto e estendeu a mão para o lenço. “Abençoo-vos. Que os Deuses abram caminho para a vitória” Largou o lenço e o Capitão apanhou-o agilmente. A multidão bateu palmas, a Senhora fez uma vénia e o Capitão respondeu igualmente. Virou depois o seu cavalo para a direita e seguiu para a sua posição.
“Gosto dele.” Disse Agnes. O Capitão olhou para a Senhora enquanto beijava o lenço e colocava-o na parte de dentro da armadura. Agnes sentiu um formigueiro. Ninguém nunca olhara assim para ela. Todos a temiam “Gosto muito dele.”
“Permita-me a recomendação, Senhora. “ Disse Jordana sorridente “Talvez um convite ao Capitão para cear em sua Casa como congratulação pelo seu novo cargo seja de bom tom. “ Jordana olhou para Agnes e as duas sorriram.
“Envia o convite. Esta noite o Capitão janta comigo.”
― Senhora? ― Quando olhou para a porta Agnes viu o Jordana. ― O Capitão.
― Sim. ― Disse ― Ele que entre.
Jordana retirou-se, dando a Agnes mais uns segundos para se compor. Quando a porta se abriu novamente entrou Capitão Marcus. Longos cabelos negros, olhos cinzentos capazes de ler a alma de qualquer um, pele morena dos dias passados ao sol a treinar e barba negra, ainda controlável. Trazia a sua armadura branca polida com o falcão ao peito e por debaixo do braço o seu elmo da mesma cor com espigões em cima da cabeça. O manto também branco arrastava-se uns centímetros pelo chão.
A Legião existia a séculos, era uma organização merecedora de todo o respeito e devoção. Criada pelo primeiro Rei de Sunnderland, Rei Gil, o Falcão, a Legião tinha como objetivo proteger o seu vasto reino, com casas espalhadas pelo território. Muitos eram os que se candidatavam á Legião, mas de uma centena de homens não mais de dez chegavam a ser legionários. Os treinos eram arduos, severos e havia lendas de que alguns morriam nas provas de competição. Na legião entravam homens e saiam deuses de guerra.
Os que entravam para a Legião vestiam a armadura e respectivas roupas de cor branca, exerciam o voto de fidelidade á coroa, ao Rei e ao reino e eram celibatos. Tinham que ser fortes, corajosos, conhecedores da arte da guerra e saber manejar todo o tipo de armas. Tinham sempre o cabelo rapado, apenas quando atingissem um cargo importante podiam deixa-lo crescer até onde quisessem.
O Capitão tinha os cabelos pelos ombros em ondas negras e húmidas da viagem. Parecia-se muito com um selvagem domado. Querido nas palavras e nos seus atos, mas quando necessário soltava o animal que estava no seu peito ou não viesse ele de uma pequena aldeia longe de Sunnderland onde os antigos costumes ainda reinavam. Agnes controlou um arrepio na espinha ao recordar o corpo firme que estava debaixo da armadura.
Quando Agnes se levantou, o Capitão fez a mais profunda das vénias e a Senhora retribuiu.
― Haveis convocado a Legião?
― Sim. ― Disse Agnes. ― Há um intruso nas minhas terras.
― Na vossa terra, Senhora?
Marcus aproximou-se. Voz grossa, corpo que sabia encaixar uma armadura, mão esquerda sob a espada alojada no seu cinto. Assim era Marcus, o mais novo de todos os Capitães que a Legião já tivera. Era forte, destemido, corajoso, sem medo de usar a espada e muitos diziam que no campo de batalha era a reencarnação de Bristol, o Deus da guerra. Agnes sabia que não era assim, Bristol usava a coroa e Marcus ao seu lado, era apenas uma formiga com um canivete brilhante.
― Ainda hoje o vi.
― Tinha homens em patrulha e nada viram, Senhora.
Eu vi-o, Capitão. ― Disse Agnes firmemente. ― Estava perto do rio Kye. Tinha cabelos compridos negros, não era muito mais alto que o Capitão, vestia uma pele de logo branco...não deve andar longe...
― Mandarei os meus homens procurarem.
― Obrigada.
Os dois caíram num silêncio incómodo. Marcus avançou um passo e inspirou fundo, quando falou a sua voz não era mais do que um sussurro.
― Ouvi dizer que vais para o castelo.
― Sim.
― E, contavas dizer-me quando?
― Eu não tinha que te dizer nada. ― Disse Agnes friamente. ― Para que diabos precisavas de saber?
Marcus avançou até estar a poucos centímetros de Agnes.
― Agnes, não me excluas...
― Marcus! ― Agnes recuou até estar a uma distância segura. ― Quando é que vais perceber que acabou? Foi bom, mas acabou.
― Ainda me posso preocupar, não?
― Não, não podes.
Marcus baixou a cabeça tristemente. Agnes devia ter previsto isto no momento em que vira o Capitão e convidara-o para cear, para um copo de vinho ácido e mais tarde para a sua cama. O homem era bonito, era bom com a espada e bom a desempenhar as suas tarefas como homem, mas o seu coração mole por debaixo de toda aquela armadura era o que estragava.
― Os meus sentimentos...
― São um empecilho.
― Que sejam, mas não têm fim, Agnes! Eu preocupo-me...
Estedeu a mão para tocar na sua face, mas Agnes desviou a cara.
― Entende...acabou.
― Não esperes que te esqueça só porque pedes. ― A voz saiu-lhe tremida. E, se Agnes fosse uma mulher normal ouvira o partir do coração do Capitão, mas Agnes não era. ― Eu sou teimoso.
― Gostas de sofrer, Marcus.
Tu fazes-me sofrer! ― O romance entre a Princesa eo Capitão acabou mas só ela ficou imune. Ela acabou, ele não. Ela nunca o amou, ele amava-a demais. ― Não passei de um brinquedo nas tuas mãos!
Agnes explicara que não que tivera nunca verdadeiros interesses pelo Capitão, que apenas o quis usar. O homem era bonito, fora interessante, fora estimulante mas não era mais. Agnes repetia, repetia e repetia vezes e vezes sem conta ignorando-o, não respondendo as suas cartas e recusando as suas visitas, mas o Capitão era igualmente teimoso.
― Sim, foste. ― Disse fria e grossa. ― Eu sou humana e tenho necessidades, felizmente, estavas lá tu próximo para satisfazê-las. Fizemos o que tínhamos a fazer e acabou. Eu não sou como a minha irmã que se enrola com o seu Protetor á vista de todos e nem sequer o nega. Alguém tem que restaurar a moral á coroa.
― Chamas moral, deitares-te comigo e depois deixares-me?
― Pela Deusa da sabedoria e inteligência, que dás cabo de mim! ― Disse Agnes cansada. ― Acabou, Marcus. Acabou! Foi bom, és fantástico, mas acabou.
― Não sou digno do teu amor?
― Eu não sei o que é o amor. ― Disse Agnes. ― Como posso sentir algo que não sei como é?
― Nunca te deste ao trabalho.
― Sim, nunca me dei. ― Disse Agnes. ― A meu ver, as emoções toldam o conhecimento e a razão. São apenas um empecilho! Para quê perder tempo com emoções, com amor, com carinho? Isso torna-nos fracos!
― Como é que sabes? ― Perguntou Marcus quase desesperado. ― Nunca te deste ao trabalho, Agnes. Nunca.
Agnes inspirou fundo procurando paciência. Marcus olhou pela janela com um olhar triste. Maltido Capitão e os seus sentimentos.
Agnes respirou fundo voltando a ser a Princesa que era.
― Capitão, podeis tratar do intruso?
Marcus encarou-a com olhos tristes.
― Sim.
Agnes cerrou os dentes.
― Sim, o quê?
Marcus fez uma breve vênia, olhou-a tristemente e saiu do quarto batendo com a porta.
Agnes caiu na cadeira, sentindo-se subitamente exausta.
Argh! Homens!

Depois da saída tempestuosa do Capitão, Agnes tinha a cabeça a ferver ainda. Se soubesse, nunca na vida se tinha enrolado com o Capitão. Oh! Subitamente, a sua cabeça começara a pesar.
Olhou para o seu quarto completamente despido. Sabem lá os deuses até quando iria ficar naquela prisão de pedra, a que chamavam castelo. Tinha-se habituado a distância, ao silêncio, á calmaria e agora temia voltar ao mesmo inferno de sempre.
Ouviu lá fora novamente o bater de cascos no solo, como a Legião já a muito tinha partido, só podia ser a Guarda Jade. O cerco apertava-se.
Levantou-se da sua cadeira e olhou-se ao espelho. Envergava agora um vestido de tom claro de mangas largas, com um cinto á volta da cintura, em volta do pescoço trazia uma gargantilha de pedras escuras. Entrançou o cabelo e em cima da cabeça colocou a tiara, por cima dos ombros trazia um manto de pele verdadeira.
Daqui a pouco estaria de volta a casa. Nem pensar que ia voltar sem um presente…
Imediatamente, um sorriso abriu-se.
Bateram levemente á porta e a cabeça de Jordana passou a entrada.
― A Guarda...
― Chegou. Eu ouvi. ― Disse Agnes. ― Chama-me o rapaz.
― Qual rapaz, Senhora?
― O do cesto.
Jordana desapareceu por minutos e depois de gastar mais uns segundos ajustando a roupa do rapaz antes de entrar na presença da Princesa, empurrou-o para dentro do quarto.
O rapaz caiu com o joelho no chão e olhos baixos.
― Minha Senhora. ― Disse com sentimento.
― Levanta-te, vá. ― O jovem loiro colocou-se de pé num salto. ― O porco?
― Que porco, Senhora?
― O porco! ― Exclamou Agnes. ― A minha irmã, mandou-me um cesto e eu disse para dares tudo ao porco!
― Sim, sim... ― Disse o rapaz com nervosismo. ― Morreu, Senhora. ― Jordana olhou espantada para a sua senhora e Agnes sorriu convencida. ― Caiu para o lado, duro que nem uma tábua de madeira. É uma pena, era um óptimo porco e daria...
― Sim, os meus sentimentos á família. ― Ironizou Agnes. ― Quero que me faças uma coisa e Jordana vou precisar de ti para dares o toque final. ― Agnes abriu o maior dos sorrisos para os dois. ― Vou dar um presente á minha irmã.
Agnes saiu do seu quarto, seguida por Jordana e pelo jovem servente que vinha arrastando o último baú. A porta de entrada, estava Sir Francis, com o elmo brilhante com uma risca verde, debaixo do braço. Quando viu Agnes e Jordana, fez uma vénia sentida.
Sir Francis tinha cabelo da mesma cor que uma cenoura, pequenos olhos castanhos, cara quadrada e nariz fino. Não exatamente, o protótipo de beleza, mas não era totalmente feio.
― Senhora Agnes. ― Disse sorridente. Olhou de cima a baixo para Jordana, que corou ligeiramente. ― Dama Jordana.
― Sir Francis. ― Saudou Agnes. ― Pedi a vossos homens que carreguem os baús, partiremos em seguida.
― Muito bem. Trouxe-vos transporte, uma cabine puxada pelos melhores cavalos...
― Jordana, pode seguir na cabine se quiser, eu irei no meu Veludo. ― Disse prontamente. Voltou-se para o jovem criado. ― Mandai selar o meu cavalo e trata do resto.
O jovem fez uma vénia e afastou-se a passo rápido.
Sir Francis, chamou os homens com um gesto e rapidamente, seis deles vieram e seguraram nos baús levando-os.
Jordana e Agnes viram-se sozinhas e a Princesa, viu-se tomada por um leve sentido de nostalgia.
― Minha Senhora... ― Voltou-se para Jordana, ― Tenho permissão para falar livremente? ― Agnes estranhou, porém consentiu. Jordana olhou em volta e avançou até estar próxima de Agnes, para que só ela a pudesse ouvir. ― Tens algum plano? ― Agnes estranhou, mas antes de poder sequer reclamar a impertinência da sua Dama de companhia, Jordana interpelou-a. ― Não podes voltar ao castelo, sem um plano.
― Como é que te atreves...?
― Tu és uma Senhora de Ferro! Passas a vida a falar sobre como Kidrahul é magnifica, como vens da terra de reis e como és tu a verdadeira herdeira dos dois reinos, no entanto, vais voltar para lá sem qualquer plano!
― Jordana, estás a passar dos limites!
― Eu estou a puxar por ti! Tu é que devias estar naquela cadeira, tu é que és a herdeira! ― Exclamou Jordana. ― Deixa-me ajudar-te.
― O quê?
― Alguma vez ouviste falar da Pandorika?
A cara de Agnes espelhou o espanto que vinha com a pergunta. Toda a gente sabia da história de Pandorika, e só o nome dava-lhe arrepios.
― Claro que conheço.
― E Brainnstorm?
― O quê?!
― E se eu te dissesse que consigo obtê-la. ― Disse Jordana. ― A Pandorika, digo.
― Pelos sete infernos, criança!
Ouviram-se passos á entrada, no momento em que Sir Francis regressava.
― Devemos partir, a Soberana deseja ver-vos antes do banquete. ― Disse numa voz suave.
― A Senhora partirá em seguida. ― Respondeu Jordana, uma vez que Agnes não tinha qualquer reação. Sir Francis retirou-se, deixando as duas sozinhas. Jordana, viu que Agnes ainda nem sequer piscara. ― Vais ter o que mereces.
― Do que falas?
― Não posso dizer.
― Como assim “não posso dizer”?
― Não posso. Não estás preparada e precisamos que Gwenn acredite que não vais tentar nada. ― Disse Jordana. ― A tua ignorância, será o teu disfarce! ― Jordana recuou uns passos e fez uma vénia. ― Vosso cavalo espera-vos, Senhora.
Agnes olhava para Jordana, parecia completamente diferente do que fora a uns segundos. Jordana apontou para o pátio e Agnes andou lentamente, alguns passos depois, voltou-se para Jordana e a Dama repetiu o gesto, incentivando-a a avançar.
Saiu para o pátio, subiu para cima do seu cavalo, rodeada por homens da Guarda Real.
Agnes olhou para baixo e viu que Jordana ainda não tinha subido no cavalo.
― Não vens?
― Ainda não. ― Disse Jordana. ― Irei mais tarde, minha Senhora. Levarei o presente para vossa irmã.
― Jordana...
― Não vos preocupeis. ― Disse sorridente. ― Irei em seguida.
Sir Francis puxou das rédeas e os cavalos partiram a passo rápido, Agnes demorou a dar a ordem a Veludo, mas eventualmente partiu atrás dos homens.
Jordana ficou no pátio durante uns segundos, vendo enquanto os cavalos se afastavam a passo de corrida. Sabia que Agnes estava confusa e talvez, assim que se reencontrassem no castelo, a sua Senhora a mandasse açoitar pelo seu atrevimento...por outro lado, sabia que tinha despertado o lado curioso e lutador da sua Senhora.
Adorava Agnes, aliás venerava-a e achava que realmente, não havia melhor rainha do que aquela que saira no seu cavalo. A bruxa da irmã, tinha que sair.
Pssst... ― Jordana olhou em volta, ― Pssst! ― Encontrou quem procurava uns metros á frente. Uns metros a frente, atrás de uma árvore um jovem de cabelo negro acenava. ― Psssst! Jordana!
Jordana levantou o vestido e correu até a árvore, certificando-se que não eram vistos.
― Não queres ser menos vistoso? Sabes que a Legião está a tua procura, certo? Sabes o que fazem aos intrusos? Matam-nos! ― Exclamou Jordana.
― Acalma-te...
― Acalmar-me? Se descobrem que nos conhecemos, matam-me a mim também!
― Ninguém te vai matar. Garanto-te.
― Se eu vou nas tuas garantias, ai mesmo é que morro.
― Ainda vives para ver mais um pôr-do-sol. Sorri e da-te por feliz!
Jordana tentou não esbofetear o sorriso da cara de Nathaniel.
― Porque raio te foste mostrar a Agnes? Estás louco?
― Pareceu-me divertido!
― Divertido?
― Deveras! ― Disse o jovem sorridente. ― E parece que tive sucesso, eu sou digno da Legião! O Capitão e os seus homens andam a farejar atrás de cada árvore atrás da minha pessoa. É ou não é motivo de orgulho?
Jordana bateu no ombro do jovem e este encolheu-se.
― Nathaniel! ― Exclamou. ― Isto não é uma brincadeira. Não se brinca com a Senhora de Ferro. Escapou-se da tua mente que ela consegue manejar espadas?
― E eu também! Não tenho medo da tua Senhora. ― Disse Nathaniel sorridente. ― Disseste o que te pedi?
― Sim, disse. Agora, diz-me tu...Achas mesmo que consegues encontrar a Pandorika?
― Não acho, irmã. ― Nathaniel abriu o maior dos sorrisos. ― Eu já encontrei.
― Como? Onde procuraste?
― Não procurei. ― Disse com um sorriso ainda maior. ― A Pandorika viaja para casa, neste exato momento. Com o Senhor, nosso Rei.



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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por PandoraTheVampire em Qua Jun 13, 2012 10:58 pm

Gosto muito da nossa senhora de ferro e do capitão. Mas também gosto dela e de outro que não posso falar porque não quero spoilar nada, se bem que não aconteceu nada para spoilar sem ser a química super awesome que eles têm juntos e vou calar-me...

Gostei, claro!

xD

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Fox* em Qui Jun 14, 2012 3:17 pm

Ah, gostei de saber um pouco mais sobre a relação destes dois... Não sei bem se hei de ter pena do Marcus, se rir da tristeza dele quando Agnes não consegue sentir nada por ele! Situação triste mas estranhamente divertida!
Oh Nathaniel... Como eu sentia a tua falta :D!
Move on, Dee!

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Sex Jun 15, 2012 4:23 pm

Hello!!!

Pandora, já sei que levas a bandeira pelo futuro par! :D Em breve. Muito em breve! :D

Fox o Marcus sofre tanto, coitado. Ele gosta mesma dela. E a sô dona de ferro, nem olha para ele. Poor boy!!!

Voltei sempre, meus amores!!! Beijinhos! :D
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Andy Girl em Ter Jun 19, 2012 3:03 am

Olá!
Senti uma enorme pena pelo Marcus! Recusar um amor, por vezes pode significar criar um inimigo e a Gwen pode aproveitar-se disso! Quero ver mais sobre estas duas irmãs.
Agora a Jordana e o seu irmão Nathaniel é que eu não esperava!
O que é que eles andam para aqui a tramar? Eu quero ver onde é que isto vai parar e qual das duas irmãs vai ter a Pandorika primeiroXD
Beijinhos!
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Qui Jun 21, 2012 12:35 am

Suuuup, guys!!! Novo capitulo - mais ou menos. As irmãs reencontram-se *quew dramatic music* e vamos lá ver como é o primeiro encontro.

btw: Para quem já leu, eu acrescentei umas partes novas, lá mais para o meio. So read on!
Espero que gostem! Beijinhoooos!



VI - QUERIDA IRMÃ


Gwenn perdia-se no frio da sua enorme banheira de cobre. Nas suas costas uma criada, que tremia de frio, limpava a sua pele com uma esponja suave, enquanto outra passava água pelo corpo da Soberana limpando o sabão. A água gelara entretanto e estava tão fria como o vento lá fora, mas era assim que a bela princesa gostava dos seus banhos, quanto mais gelados melhor. Gostava da sensação que vinha depois, quando o sangue começava a voar pelo corpo aquecendo cada parte dos seus membros e vinha aquela sensação de conforto. Gostava de sentir a pele enrugada, o coração a bater forte e as mãos geladas como a neve. Gostava do frio ou não fosse ela filha do Inverno.
Olhava com atenção para o vestido que tinha em cima da cama, era verde – afinal essa era a sua cor favorita – de mangas largas, ombros cheios e um cinto num tom mais escuro para se colocar á cintura. A coroa estava logo ao lado, assim como todas as suas joias que combinariam com o vestido. Fizera questão de tirar o seu melhor vestido para mostrar á sua irmã, como era superior.
O seu olhar deslizou para a janela á sua esquerda, que mostrava o pôr-do-sol de Sunnderland. No inverno o sol punha-se mais cedo e a escuridão ficava por mais horas do que no verão. Gostava dessa ideia, do sol a afastar-se mais cedo, por imposição da noite que queria ver livre todas as suas criaturas. Era bonito. Sombrio e bonito.
Levantou-se da sua banheira de cobre e foi rapidamente envolvida num manto. Num movimento já ritualista, Gwenn viu o seu corpo enxugado suavemente e depois untado com uma fragância do oriente, que deixava a sua pele húmida e cheirosa. Vestiu a longa camisa de linho contra o seu corpo nú e sentou-se enquanto lhe penteavam os longos cabelos negros com uma escova dourada.
Olhava para a sua figura ao espelho, os olhos verdes brilhavam, o cabelo negro caia pelas suas costas abaixo e lentamente o sangue voltava a correr pelas suas veias, devolvendo o calor ao seu corpo. Gostava de se ver ao espelho, achava-se jovem e bonita. Tinha apenas vinte e um invernos e achava-se na flor na idade.
Um som distraiu-a. O som que já esperava a muito tempo.
― Oiço cavalos. ― Disse suavemente. As criadas trocaram olhares e uma delas foi á janela do quarto, colocar o longo pescoço de fora.
― Nada vejo, Soberana. ― Gwenn, por ser metade do que era, tinha excelente audição. Conseguia ouvir o que quisesse se assim estivesse disposta. Neste momento era o som de cavalos que vinham a passo rápido pela encosta acima e não tardaria a serem vistos. Um desses cavalos era mais robusto do que os outros, os seus trotes pesavam mais na terra, porém isso não fazia dele o mais lento ou o mais gordo. Era o mais forte e o mais poderoso. Um garanhão. Não um qualquer, um garanhão das terras de Ferro. ― Ah sim! Vem lá a Guarda, Soberana. E vossa irmã também. ― Ah! Claro, era Veludo o cavalo negro e robusto de sua irmã. Agnes aproximava-se.
Afastou as mãos da criada do seu cabelo.
― Tragam-me o vestido.
Vestiu-se rapidamente e o vestido ficara muito melhor contra a pele da Soberana, do que caído em cima da cama. Assim valia pelas joias, um anel em cada dedo, estando a enorme pedra do Reino no dedo anelar e um fio pendente do seu pescoço, que se perdia no seu decote. Apanhou o cabelo, num toucado bem elaborado no qual prendeu um brocado em forma de falcão cravado a esmeraldas e no topo da cabeça colocou a coroa.
Abriram-se as portas e Gwenn saiu do quarto, deixando todos os que a rodeavam de joelho no chão e mão ao peito. Não respondeu a nenhuma das saudações e encaminhou-se para o salão. As mãos entrelaçadas a frente, nariz empinado, costas direitas e passos certeiros.
As criadas seguiam-na como sombras silenciosas e moviam-se depressa de olhos no chão e mãos cruzadas ao colo.
O cheiro a comida pairava pelo ar e até Gwenn não podia evitar o roncar do seu estomago. Encontrou Silas parado junto á porta do salão, fez a saudação e colocou-se atrás da Soberana, porém á frente das criadas.
― Ela já chegou?
― Sim. ― Respondeu Silas. ― Tirou uns segundos para se refrescar. Entretanto, ouvi noticias perturbadoras de Sir Borrowman.
― Que diz ele?
― Diz que a Princesa Agnes o atacou. ― Gwenn olhou Silas de soslaio. Este abria um sorriso de gozo. ― Parece que a Dama de companhia deu-lhe um soco, partindo-lhe o nariz e a Senhora de Ferro...
Gwenn voltou-se bruscamente.
― No meu castelo ela todos a chamarão de Princesa Agnes, ela não é a Senhora de coisa nenhuma! ― Olhou em volta, para as criadas que continuavam de olhos no chão. Estalou os dedos captando a sua atenção. ― Quem for apanhado a chamar Agnes de Senhora de Ferro será decapitado. ― Olhou para Silas. ― Sereis vós, Protector, a dar o exemplo? ― Silas fez uma breve vénia sentida. ― Informai Sir Borrowan, que desejo vê-lo mais tarde. Que tipo de cavaleiro é este que se deixa atacar por duas mulheres?
Gwenn inspirou fundo, estalou os dedos e uma das criadas, a mesma que fora a janela, empurrou as portas. Assim que estas se abriram, veio um bafo quente do salão e o cheiro a comida intensificou-se.
O salão de festas estava cheio, ninguém que se considerava membro da corte ousava sequer faltar aos banquetes. As mesas estavam dispostas em U e mesmo no centro estava uma cadeira alta e adornada de acordo com o estatuto da Soberana.
A ordem de lugares era bastante simples, ia desde dos menos importantes até a Soberana em si. Os Sacerdotes ficavam nas pontas, por serem homens de religião, comiam pouco e ficavam a maior parte do tempo em silêncio. Logo a seguir, vinham os mais altos cargos no exército real, os mais altos cargos na Legião, cavaleiros, lordes e as suas senhoras, por fim viria o Ministro. Como não há ninguém nesse cargo, Silas ocupa o lugar direito ao lado de Gwenn. Ao lado esquerdo restavam duas cadeiras, uma para a Agnes e outra para a sua protegida, Jordana.
Gwenn foi recebida com vénias, saudações e gritos em seu nome, porém não deu mais do que um ou dois sorrisos. Nas mesas as jarras de vinho eram substituidas a cada par de minutos e os cestos de pão e azeitonas estavam já vazios. As entradas tinham acabado, ainda mal Gwenn se tinha sentado.
Quando finalmente chegou a sua cadeira, Gwenn sentou-se e bebeu um corpo de vinho doce feito em Sunnderland.
― Fizeste o que te pedi? ― Perguntou a Silas sorrateiramente.
― Sim, Soberana.
Gwenn bebeu mais um pouco e acenou a um dos serventes que ali ia.
― Chamai a minha irmã. Está na hora de matar saudades.
O servente saiu a correr e Gwenn deixou-se ficar sentada no seu lugar. O seu coração batia lenta, mas fortemente contra o peito como que contando os segundos até a sua irmã passar pela porta. Teria envelhecido? Engordado? Ficado careca? Já não via Agnes a cinco anos, o que teria acontecido entretanto?
As portas abriram-se e Gwenn segurou o copo com força.
― Princesa Agnes Lorrell, filha do Rei Igor Lorell da Casa de Sunnderland e Annaya Bromm da Casa de Kidrahul. Senhora de Kidrahul, terra das Senhoras de Ferro. ― O anunciador afastou-se e Gwenn viu a sua irmã.
A maldita vinha num vestido quase da cor da sua pele, salientando aquele cabelo ruivo como sangue e os olhos azuis como o céu. O vestido caia pelo seu corpo abaixo como se parte de si fosse e as mangas eram tão longas que quase chegavam á aba do vestido. Na cabeça brilhava a teara de pedras vermelhas que lhe fora dado no seu décimo oitavo verão.
O silêncio abateu-se no salão, era como ver uma desgraça prestes a acontecer. Todos sentiam a tensão na troca de olhares das irmãs.
Agnes avançou exactamente dez passos e parou.
Não fez vénia.
Gwenn apertou o copo na mão.
― Irmã. ― Disse Agnes com um leve sorriso.
― Irmã. ― Respondeu Gwenn.
Silas olhou para as duas e por momentos, não sabia decidir qual delas era mais bonita. Apesar de Agnes já estar nos seus trinta e poucos, aparentava a beleza e formosura de uma jovem ainda nas suas primeiras primaveras. Gwenn era bela e bem constituida, porém por vezes tinha o feitio de uma velha amargurada.
― Senhora Agnes... ― Disse um velho Sacerdote de barbas. ― Que os deuses sejam louvados, haveis retornado.
Os Sacerdotes, oito ao todo, divididos nas duas pontas do arranjo de mesas, levantaram-se e fizeram uma vénia profunda a Agnes. Não era o mesmo tipo de saudação que faziam a Gwenn, os Sacerdotes dobraram o tronco todo para a frente, da mesma maneira de saudavam os seus deuses favoritos.
Agnes sorriu sentidamente. Ah! Como Gwenn aprendera a odiar aquele sorriso. E para piorar repetiu a vénia com a mesma graciosidade.
― Folgo em saber que a minha ausência foi sentida. ― Disse numa voz suave. Os Sacerdotes ergueram-se e o mesmo que falara. Um deles, Dribble era o seu nome, abriu um sorriso caridoso.
― Deveras, minha filha. Deveras.
Silas também se levantou, sob o olhar de Gwenn.
― Bem vinda, Senhora. ― Levantou o copo e sorriu.
Agnes observou quem a saudava da ponta dos cabelos até aos pés. Perdeu alguns segundos na enorme espada que se prendia a sua cintura.
― Sois o Protector, não é?
― Sim, Senhora. Sou Silas. ― Fez uma breve vénia. ― O Protector.
― A anos que não havia um Protector no reino. ― Agnes olhou para a Soberana com um brilho nos olhos. ― Pergunto-me do que terá a minha irmã medo.
― Não é medo. ― Disse Gwenn sentada. ― Apenas protecção.
― Porquê? ― Perguntou Agnes. ― Vossos pesadelos são assim tão reais?
Gwenn levantou-se abruptamente, captando a atenção de todos.
― Por favor, irmã. Sentai-vos e comei, mesmo aqui...ao meu lado. ― Agnes olhou com desconfiança para o lugar ao lado, porém para lá se deslocou e logo se sentou. Lentamente o salão foi-se enchendo com os burburinhos e sussurros. ― Onde está vossa acompanhante? Erm...O seu nome?
― Jordana. ― Disse Agnes.
Gwenn sabia o nome da morena deslavada, afinal ainda a vira crescer sob paredes daquele castelo. Numa das suas várias demandas, o Rei trouxera consigo a morena de nome estranho. Jordana era dois invernos mais jovem que Gwenn e tal como a sua Senhora, era filha do verão. Como Jordana fora dar com o Rei e o porquê da sua presença no castelo, nunca foram explicadas, mas também nunca ninguém se atreveu a perguntar.
Da jovem apenas se sabia uma coisa, tinhas os traços dos Gaieh, fundadores da Casa de Brainnstorm, com quem Sunnderland travara guerras sem fim. No fim foram aniquilados, mas os rumores persistiam e as suspeitas também.
A Casa de Brainnstorm não era uma casa real, não tinham qualquer ligação á corte nem a coroas ou a reinos, eram simplesmente pessoas. Uma organização, cujo fim principal era derrubar o Rei de Sunnderland, seja ele qual fosse. Eram párias, marginais, criminosos, mentirosos. A Casa de Brainnstorm era composta por todos aqueles que eram contra a coroa, o Rei e as regras impostas. Não havia número, não havia como identificar, eram apenas uma sombra.
Uns diziam que os Gaieh foram erradicados completamente ás mãos do Rei Ithor, pai do Rei Igor outros dizem que ainda existem e estão escondidos nas sombras, planeando um novo ataque.
Os verdadeiros inimigos de Sunnderland, assim eram chamados. E o pior pesadelo de qualquer Rei de Sunnderland, era que a Casa de Brainnstorm se erguesse novamente.
― Sim...Jordana. Onde está ela?
― Ela virá em seguida.
― Porquê em seguida?
Agnes bebeu um pouco e fez os possiveis para não vomitar. Vinho doce. Argh!
― A casa ficará uma confusão sem mim, Jordana ficou para trás para deixar ordens expressas aos criados. ― Disse friamente.
Gwenn sentiu logo a picada da suspeita. Jordana era praticamente a sombra de Agnes e subitamente, deixara-se ficar para trás? Porquê?
― Estou a morrer de fome! ― Exclamou Silas ao seu lado. Gwenn trespassou-o com o olhar, mas mesmo assim o Protector sorriu. ― Trazei a comida! ― Como que por magia travessas com porco fumegante, acompanhado de batatas pequenas e cebolas, vieram para a mesa. ― Música! ― Os músicos que estavam a um canto, praticamente invisiveis, sacaram dos intrumentos e começaram a tocar uma melodia agradável.
Todos tinham prato, menos Agnes. Um dos serventes, veio colocar uma travessa á frente da Senhora, porém Gwenn impediu.
― Não, não... ― Disse prontamente. ― Para a minha irmã, é o outro prato.
― Que outro prato? ― Perguntou Agnes. Gwenn sorria, por detrás do copo de vinho. ― Há que dar as boas vindas como deve ser, não é?
Outro servente apareceu e colocou á frente de Agnes, uma travessa com um coelho cozinhado, num molho castanho acompanhado de batatas e coves-flor.
Agnes empalideceu ligeiramente e sentiu o estomago revolver-se.
O sorriso de Gwenn aumentou para o dobro. Ainda se lembrava, como se fosse ontem.
Agnes tinha um coelho chamado Billie e como adorava o seu coelho! Era totalmente branco, com pequenos olhos cinzentos e um nariz irrequieto. Agnes andava com ele para todo o lado e gostava de dizer que era o seu amuleto. Um dia, depois de uma das milhentas brigas entre as irmãs, Gwenn organizara um banquete para se desculpar á irmã. O prato principal era peru com legumes variados, porém o prato de Agnes fora completamente diferente: coelho num molho castanho acompanhado de batatas e couve-flor.
“O que é isto?” Perguntou Agnes em horror, olhando para o seu prato.
“É o Billie.“ Disse Gwenn sorridente. “Sempre achei que ficava melhor num prato, do que no cesto onde o deixavas.”
“Porquê que me fazes isto?”
“Porque não? Vais comer ou vais deixar um belo pedaço de carne ir para o lixo?”
Lembrou-se que Agnes empurrou o prato para longe.
“Tirem-me isto da frente!”
O criado aproximou-se para retirar o prato, mas Gwenn segurou-o pelo braço.
“A minha irmã comerá esta deliciosa comida ou passará fome.”
Agnes olhou para a irmã e sentiu os estomago apertar-se. Gwenn tinha fogo naqueles olhos verdes e pelos Deuses, como era malévola. Era um estranho gesto de puro terror.
Gwenn recordava-se do olhar que Agnes lhe mandou e foi uma vitória. Bem viu naqueles olhos azuis o choque. Era uma batalha perdida! Mesmo assim, engolindo a sensação de nausea, Agnes comeu o coelho.
Quando já tinha acabado, Gwenn olhou para a irmã e mostrou o ar mais fingido.
“Como sois capaz de comer o vosso melhor amigo?”
“Vais pagar por isto.”
“Ficarei á espera”
Agora, anos depois, travava-se a mesma batalha. Na primeira vez, Agnes saíra disparada e de olhos lavados em lágrimas depois de comer, enquanto a irmã se ria como uma louca. A mensagem era simples: Naquele castelo Agnes nunca poderia saber o que iria estar no seu prato e as armas de Gwenn eram muitas mais do que antes. Aquele coelho era a primeira flecha no campo de batalha.
No entanto, para surpresa da Soberana, Agnes abriu um sorriso, levou a mão ao prato e arrancou uma perna do coelho, levando-a a boca. Mastigou, mastigou, mastigou, engoliu e fez uma careta.
― Não está tão bom como o Billie, mas come-se. ― Disse sorridente. ― Quereis um pouco? ― Gwenn voltou-se o seu prato e comeu silenciosamente. Tudo caiu em silêncio, até Agnes atirar o seu copo para o chão. ― Que nojo! Que é isto que eu bebo?
― Vinho doce, Senhora. ― Disse um criado. ― É de Sunnderland.
― É horrivel! ― Disse Gwenn. ― Trazei-me um jarro de Vinho Ácido e já!
― Não! ― Ordenou Gwenn e o criado parou. Olhou para a sua irmã. ― Estais em meu castelo, não tendes autoridade para dar ordens.
Agnes sorriu.
― Este castelo não é vosso, irmã.
― Eu tenho a coroa. Eu sou Soberana.
― Ser Soberana, não faz de vós Rainha! ― Disse Agnes. Neste momento o salão inteiro estava enterrado no silêncio. ― Eu sou a filha mais velha, como tal tenho autoridade, sim. ― Olhou para o criado. ― Vinho Ácido, já.
― NÃO! ― Gritou Gwenn. ― OU bebes o que tens no copo ou não bebes.
Agnes olhou para a irmã com um sorriso, levou a mão dentro do decote e tirou uma moeda de prata. Estendeu a mão ao criado.
― Vinho Ácido. Corre! ― O criado saiu antes de haver qualquer ordem contrária. Gwenn deitava fumo pelas orelhas perante o ultraje da irmã.
― Agnes caminhas em gelo muito, muito fino.
― Não temo o gelo, minha irmã. ― Agnes pegou numa couve-flor com os dedos e levou a boca. ― Sou filha do verão.
Gwenn pegou no seu copo.
Novamente, a música recomeçara a tocar e a conversa fluía novamente. As irmãs mantinham silêncio, mas ambas gritavam por dentro injúrias uma a outra.
As portas abriram-se deixando passar Jordana que vinha acompanhada por dois criados. Jordana chegou-se a frente, vinha com um vestido roxo e um manto com um capuz que fizera questão de baixar, mostrando o cabelo entrançado. Assim que se aproximou fez uma vénia cordial, mas nada sincera.
― Jordana Gaieh, dos Gaieh de Brainstorm...― Disse Gwenn observando-a com atenção. ― Ou como são vulgarmente conhecidos, os Traidores da Coroa.
― Considero-me de Sunnderland, Senhora, de coração e...
Vossa Graça! ― Exigiu Gwenn. ― Tomai em atenção como falas comigo, detestaria que a minha irmã se visse privada da tua companhia.
― Perdão, Vossa Graça. ― Pediu Jordana com voz doce e uma breve vénia.
Agnes estalou de aborrecimento.
― Ela não é Rainha! A minha mãe era Rainha e ela sim merecia esse titulo!
― Ela era minha mãe também!
― Nunca a conheceste, Gwenn! ― Cuspiu Agnes. Voltou-se para Jordana com o copo de vinho entre os dedos. ― Chama-a como quiseres, Jordana. Até pelo nome.
― Não se atreveria. ― Ameaçou Gwenn. ― Nunca mais o mundo ouviria a sua voz, se assim o fizesse.
Agnes pousou o copo em cima da mesa. Parecia que tinham regressado no tempo e a tempestade regressara ao castelo.
― Não podes ameaça-la!
― Posso e fi-lo. Posso não ser Rainha, mas sou Soberana. Estás no meu castelo e ameaço quem quero, quando quero e porque quero! ― Disse Gwenn com uma voz que nem uma lâmina. Olhou para Jordana que continuava parada, na mesma posição. ― Podereis considerar-vos de Sunnderland, mas no vosso sangue corre a linhagem de uma Casa extinta cujo objetivo era derrubar a coroa.
― Isso foi á vidas atrás. ― Corrigiu Agnes. ― Essa Casa deixou de existir no tempo do nosso avô.
― Não se pode discutir com o sangue, cara irmã. ― Disse Gwenn. Olhou para Jordana com desconfiança. ― Nunca confiei em vós, Jordana. Nunca gostei de vós. E sabem lá os deuses, porque diabos o meu pai, o Rei, deixou que vossa pessoa andasse a vaguear por estes corredores. ― Chegou-se a frente, com os olhos verdes cintilantes como jóias. ― Irei estar de olho em vós.
Jordana engoliu em seco e fez uma pequena vénia.
― Fico feliz por retornar, já tinha saudades do castelo.
― E mesmo assim, nunca mais o haveis visitado desde de vossa partida com minha irmã.
― Chega! ― Exigiu Agnes. Olhou para Gwenn e aproximou-se dela falando baixo. ― Podes infernizar-me o quanto quiseres, mas a ela não.
― O teu inferno ainda agora começou. ― Respondeu Gwenn em tom baixo.
As duas encararam-se com tal fúria que podia erradicar todo o reino, mas logo Agnes afastou-se levantando-se e foi ao encontro de Jordana.
A Senhora parou ao lado dos dois criados, que vinham ambos segurando um tabuleiro, parcialmente escondido por um pano escuro. Pigarreou e quando falou, fê-lo em alto e bom som, para um salão em murmúrios.
― Estou verdadeiramente grata por regressar a casa e como tal, trago para minha irmã um presente. Com certeza, reconhecereis irmã, uma vez que foi presente vosso.
Agnes tirou o pano e os presentes soltaram murmúrios de espanto. No tabuleiro vinha uma cabeça de porco, com a pele cheia de pústulas e buracos. Em redor da cabeça, como que num arranjo angelical, estavam todos os bens que Gwenn enviara no cesto nessa mesma manhã.
Gwenn sentiu a raiva a borbulhar, no entanto apenas sorriu.
― Obrigada, irmã. ― Olhou para o porco e era impossível não sentir os pelos do seu corpo eriçados com o horror. ― Não me esquecerei de retribuir.


VII – TORMENTA
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por PandoraTheVampire em Sex Jun 22, 2012 2:55 pm

Omg o coelho... eu lembro-me disso! Damn Gwenn! Julga-se muito esperta mas a Agnes não deixa que lhe passem a perna tão facilmente! Ahah. Adorei este primeiro confronto de Titãs! Espero que venham muito mais por aí porque estas senhoras fortes fascinam-me!!

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Fox* em Sex Jun 22, 2012 8:04 pm

Adorei este banquete, adorei-o da primeira vez que li e adorei-o agora! O coelho, a troca de palavras, o porco, o ódio, o rancor... Que reencontros familiares tão interessantes!
E a Gwen, apesar de cruel, não é burra! Brainnstorm, ela sempre soube que nunca se elimina uma casa assim...
Dee, keep up, love :D

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Seg Jul 02, 2012 12:25 am

Hello!!! It's been a while, girls!!
Bom, deixo-vos novo capitulo, estamos a aproximar-nos da parte onde estavamos *.* Va, aqui fica o momento em que todos se apaixonaram pelo Nathaniel.

Beijoooo


VII – TORMENTA



Agnes chegou ao seu quarto, depois do banquete e sentou-se na cama pesadamente. Tinha o estomago ás reviravoltas, sentia a boca seca e era apenas uma questão de tempo até vomitar todo o seu jantar. Fora um golpe baixo. Baixíssimo. Nem sequer sonhava em mostrar a parte fraca á sua irmã, pela segunda vez fizera algo que nunca esperara fazer.
Sentia-se mal disposta, tinha suores frios e não conseguia apagar a imagem de Billie no seu prato. Um golpe baixíssimo.
Porém, no segundo seguinte respirou fundo, não podia vomitar! Sentia enorme vontade de despejar aquele coelho que estava no seu estomago, para aquele balde de metal junto a lareira, mas se vomitasse tinha que chamar um dos criados para vir buscar o balde e esse criado provavelmente confessaria a Gwenn, que a sua irmã tinha vomitado. Não! Não podia. Quase conseguia visualizar o sorriso de vitória, se Gwenn soubesse. Não!
Respirou fundo e esforçou-se para afastar aquele sabor estranho da sua boca.
Estava de novo ao seu antigo quarto e reparou que tinha sido recentemente limpo. O chão de madeira tinha um brilho especial, como se tivesse sido esfregado com óleo de carvalho nessa manhã. As cortinas eram novas, assim como o conjunto de cama. Olhou para o seu quarto, tirando um ou outro detalhe, continuava com a mesma disposição. Tinha quase a certeza que durante os cinco anos, nem uma vez o quarto fora limpo. Estava no seu castelo, de volta ao seu quarto e no entanto, Agnes não se sentia totalmente segura.
Levantou-se da cama e aproximou-se da lareira, inspeccionando-a com atenção. Percorreu a mão pela parede, sem saber o que procurava. Talvez uma fissura, uma porta, um buraco, qualquer coisa que desse razão ao facto de se sentir insegura naquele momento. Estaria a ser observada? Estariam criados do lado de fora da porta a ouvir os seus passos? Os guardas seriam recompensados se contassem tudo o que viam e ouviam? Sentia-se um cordeiro na terra de lobos.
Bateram á porta e Agnes deu ordem de entrada, após recompor-se para parecer o mais a vontade possível.
Duas criadas, ambas morenas de olhos escuros, entraram fazendo uma vénia. A mais velha chegou-se a frente.
― Vossa Dama ordenou que vos preparássemos um banho quente. ― Disse sem qualquer sentimento.
Agnes olhou para ambas e imediatamente sentiu a desconfiança.
― Claro. ― As duas afastaram-se, dando passagem a mais serventes cada uma com um balde cheio de água fumegante e todas se encaminharam para a banheira de cobre que estava ao fundo do quarto, a um canto. Uma a uma despejaram os baldes de água a ferver para dentro da banheira e retiraram-se. As duas que tinham entrado primeiro, continuaram junto á porta. Uma delas prontificou-se a acender a lareira para manter o calor do quarto e trancou as janelas. A que estava a porta, avançou para Agnes, mas esta recuou prontamente. ― Eu consigo tomar banho sozinha.
― Senhora, a vossa Dama de companhia disse...
― Não me interessa o que ela disse. Tomarei banho sozinha.
As duas serventes sairam rapida e silenciosamente fechando a porta atrás de si. O que iriam elas dizer aos restantes criados? Que Agnes era fria? Distante? Provavelmente tinha vergonha do seu corpo? Talvez preferisse que a Dama lhe desse banho? Que boatos, saíriam daquelas bocas lá para fora?
Agnes despiu-se sozinha. Tirou a teara, as jóias e o vestido agilmente, colocando-os em cima de uma cadeira. Lá porque era uma Princesa, não significava que não soubesse fazer certas tarefas sozinha. Em Kidrahul as Damas de companhia, não eram assim tão comuns perante as mulheres da corte, aliás nem se chamavam Damas de companhia, mas sim Damas de Luta, pois era com elas que as Senhoras lutavam e aprendiam. Agnes adorava Jordana, mas muitas das tarefas normais de uma Dama, Jordana não as fazia.
Livrou-se da camisa de linho e meteu-se dentro da água fumegante. Adorava o calor, a água tão quente que deixava a pele vermelha. Sibilou quando sentiu o primeiro impacto da água ardente, mas depois deixou-se ir para dentro da banheira.
Tomou o seu banho calma e pacientemente, até a água ficar tépida. Enxugou-se para logo a seguir untar-se com uma loção, para deixar a pele mais suave e perfumada. Vestiu a sua camisa de linho, logo a seguir um manto de pele de lobo preto e sentou-se penteando o seu longo cabelo ruivo.
Estava concentrada no escovar do seu cabelo molhado, quando ouviu um sussurro nas suas costas. Voltou-se rapidamente, mas não encontrou ninguém. Olhou com atenção para o quarto, mas para além da mobilia tipica, não viu mais ninguém.
Estaria a ficar louca?
Voltou-se para o espelho, retomando o longo escovar dos seus cabelos, quando ouviu novamente.
Pssssiuuu...
Voltou-se novamente, com o coração a bater fortemente. Agarrava a escova com força, não era uma lâmina, mas se batesse nos sitios certos poderia matar um homem.
Psssiuu!
Alguém a chamava, mas o quarto estava vazio.
Pssiu!
Agnes conseguiu distinguir o chamamento, que afinal vinha lá de fora e não de dentro do quarto. Estranhou o facto da janela estar fechada e no entanto conseguir ouvir alguém tão bem. Levantou-se da cadeira e abriu a janela para a noite fria de Sunnderland.
Psiiu!
Olhou para baixo e mesmo ali, por debaixo da sua janela estava ele.
O Intruso que tinha visto perto da sua casa. Olhava-a com um sorriso nos olhos e um capuz na cabeça. Fez um aceno cómico a Agnes e esta, tomada por um impulso, saiu a correr do quarto. Se ninguém o apanhava, Agnes iria apanha-lo agora mesmo! Maldito Capitão! Maldita Legião! Malditos que não conseguiam apanhar um rapaz!
Desceu as escadas sempre a correr, passando pelos guardas Jade, que a olhavam com espanto.
― Senhora?
― Há um intruso a rondar o castelo! ― Exclamou enquanto corria. Não tardou até ouvir mais passos atrás de si. Chegaram aos portões do castelo e quando se voltou, Agnes viu um sem número de homens atrás de si, não pode deixar de sorrir orgulhosa. ― Dividi-vos, o intruso não andará longe. Guarda! ― Apontou para um dos homens. ― Dai-me essa lâmina. ― O homem olhou-a com estranheza e Agnes estalou os dedos. ― AGORA! ― O Guarda entregou a sua pequena adaga. ― Ide-vos!
― Mas... ― Perguntou o mesmo homem.
― Mas o quê?!
― Não precisais de proteção, Senhora?
Agnes girou a adaga com uma habilidade invejável. Agnes não tinha medo de lâminas ou cortes, o seu corpo era um mapa de antigas feridas dos treinos.
― Ou será que, sois vós que precisas de protecção? ― Os olhos do Guarda abriram-se em espanto, assim como alguns homens. ― Terei que repetir...?
Como que despertados de ums sonhos, os homens seguiram para cada lado com as capas verdes esvoaçando atrás de si e espadas em punho.
Entre a muralha do castelo e as casas de Sunnderland havia uma enorme distância, algo que não se via da sua Casa. O castelo ficava numa colina e em volta havia um pequeno bosque e só depois se estava em Sunnderland.
Agnes olhou em volta, não se via mais nada a colina envolta pela escuridão e o contorno das árvores.
Seguiu em frente, rodeado o castelo com os olhos atentos e ouvidos apurados.
Psiiuuu. ― Voltou-se ao ouvir aquele chamamento que se tornava já irritante. Viu-o novamente, já vinha sem capuz e trazia o cabelo entrançado, com algumas madeixas á frente dos olhos. ― É a mim que procuras?
O Intruso piscou-lhe o olho e desatou a correr na direcção contrária.
― GUARDAS A MIM!
Berrou, ao mesmo tempo que seguia o Intruso a correr. O Intruso entrou no bosque negro pela noite e Agnes fez o mesmo, sem se importar com o facto de estar descalça e ainda de camisa de noite. Embrenhou-se no bosque, correndo rapidamente e desviando-se agilmente dos ramos e troncos de árvores. Conseguia vê-lo uns metros á sua frente e o sacana corria rápido. E ria-se! Ria-se enquanto corria.
― EU ESTOU A FUGIR! AHAHA! ― Berrou saltando por cima de um tronco partido, mas o Intruso não parou. Enquanto corria soltava gritos de contentação e ria-se ainda mais, sabendo que Agnes estava mesmo no seu encalço. O Intruso continuava a correr e Agnes também. ― CORREI, SENHORA!
Saltou novamente por cima de um tronco e Agnes fez o mesmo, quase caindo. Estava farta de correr, juntou todas as forças que tinha e largou a ordem.
― PARAI JÁ!
Então o Intruso estacou a corrida e voltou-se para Agnes. A Senhora parou a uns metros e apontou-lhe a lâmina da adaga. O Intruso levantou as mãos acima da cabeça.
― Oh! Isso é uma lâmina?
― Sim.
― Senhora, ireis matar-me?
― Provavelmente.
― E se eu fugir?
― Dizem que tenho boa pontaria. Quereis ser meu alvo ambulante? ― Perguntou. O Intruso sorriu, com uma fileira de dentes brancos e covinhas nas bochechas. ― Quem sois?
O sorriso desmanchou-se.
― Para quê que queres saber?
― Tem atenção ao teu tom, não falas com uma qualquer!
― Oh eu sei disso. ― O intruso baixou os braços e criou um novo sorriso. ― Eu sei exactamente quem tu és.
Agnes avançou com a adaga em punho.
― Levantai as mãos!
― Eu não avançaria mais, se fosse a ti. ― Preveniu o intruso. Agnes avançou mesmo assim. ― A sério...
― SILÊNCIO! ― Ordenou. ― Quem és tu e porquê que me segues? ― Avançou novamente. ― Vieste a mando da minha irmã? Ou talvez...
Agnes deu mais um passo em falso, sem ver onde metia o pé e afundou-se até a cintura numa poça de lama.
O Intruso á sua frente, atirou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada sentida, enquanto Agnes tentava livrar-se da poça. Porém quanto mais se tentava soltar, mais se afundava.
― Não te mexas! ― Exclamou o intruso. ― Daqui a nada estarás enterrada pelo pescoço. ― Aproximou-se da poça e agachou-se a frente de Agnes. Num gesto rápido a Senhora varreu o ar com a adaga, mas o intruso segurou-a pelo pulso. Tirou-lhe a adaga da mão e guardou-a na sua bota direita. ― Eu não sou teu inimigo.
Os seus olhos cinzentos brilhavam intensamente, mesmo com a pobre luz das estrelas.
― Tira-me daqui!
― Não. ― Disse firmemente. Ao longe ouviam-se os gritos dos guardas jade á procura de Agnes. ― Bom, penso que esta seja a minha deixa. ― O intruso olhou para Agnes, sem nunca deixar de sorrir e limpou-lhe da cara uma gota de lama. ― Da próxima vez, ouve o que eu te digo e não estarás ai.
Levantou-se e saiu a correr novamente, perdendo-se por entre as árvores. Soltando um “yu-huuu” enquanto desaparecia.
Agnes começava a sentir a dormência nas pernas e os guardas aproximavam-se. A lama era viscosa, peganhenta e fria, agora chegava-lhe até aos seios! A última coisa que queria era ser vista dentro de uma poça de lama e ser motivo de chacota pelo castelo.
Agilmente, pegou numa raiz de uma árvore e usou-a para se içar da funda poça. Tinha a camisa de linho totalmente pegada as suas pernas, sentia-se fria e suja. Maldição. Arrastou-se pelo chão, mas estava de tal modo peganhenta que trazia folhas e ramos consigo.
Conseguiu erguer-se antes que os guardas chegassem. Porém, antes que pudessem dizer seja o que for, Agnes apontou pela direcção que o intruso tinha tomado.
― Ele foi por ali.
Imediatamente os homens correram embrenhando-se pelo bosque. Não fizeram quaisquer perguntas, mas sabia que tinham admirado o seu corpo por debaixo do linho sujo.
Agnes levantou a camisa de linho até aos joelhos e voltou sozinha, suja e peganhenta até ao castelo. A sua sorte foi que não encontrou ninguém pelo caminho, para lhe fazer perguntas ou apontar o óbvio.
Quem seria aquele intruso de olhos cinzentos? Porquê que a seguia? E porque raio não seria ele o inimigo?
Entrou no castelo caido no silêncio e tentou andar até seu quarto o mais rapido que pode, não queria ser vista por ninguém. Poderiam até falar amanhã, mas se for apenas a palavra dos Guardas ninguém prestará atenção, não passará de um rumor. Ninguém ouve os Guardas, são um mundo completamente á parte.
Ia a caminho do seu quarto, quando escorregou na lama que tinha nos pés e caiu ao chão. O ar esfumou-se completamente dos seus pulmões e por momentos viu estrelas. As lágrimas vieram-lhe os olhos, quando recuperou o ar e sentiu a dor nos quadris. Sentou-se, levanto os joelhos ao peito e recuperando a normalidade da sua respiração.
Foi aí que reparou que não estava sozinha, levantou os olhos dos joelhos e reparou na figura a sua frente. Era um homem vestido de negro. cabelos compridos que caiam pelas costas abaixo da mesma cor e uns olhos intrigantes
O seu estranho brilho nos olhos, era de tal modo intenso que deixou Agnes presa onde estava. O homem aproximou-se da Senhora, com as vestes negras arrastando pelo chão, agachou-se e tocou na sua cara, com uma mão tão quente que quase queimou Agnes.
― Minha querida. ― Disse numa voz suave. ― Prepara-te, esta não será a última queda que darás. Tempos negros aproximam-se. A guerra está próxima e nós lutaremos lado a lado para impedir mais derramamento de sangue.
― Quem...?
Afagou gentilmente a cara de Agnes, que o admirava sem saber exactamente o porquê. O homem observou o estado de Agnes e sorriu carinhosamente
― Peço desculpas pelo que o tolo do Nathaniel te fez passar, poderás vingar-te brevemente.
― Eu não estou...O que é que...?
― Não me viste esta noite. Se alguém te perguntar, dirás que não viste nada e que vieste imediatamente para o vosso quarto. Não te lembrarás da minha cara, do meu toque ou das palavras que te disse. Esta conversa nunca existiu. ― O homem deixou-lhe um beijo sentido na testa e quando falou, fê-lo num tom baixo. ― Eu sou Syd, o Sábio, o criador da Pandorika e o mais alto da Nação de Gysmoth, terra dos Feiticeiros. Apenas te lembrarás de quem sou, quando nos encontrármos novamente. Muito em breve.

Agnes piscou os olhos repetidamente, como que se tivesse algo na vista. Olhou para o corredor vazio, somente decorado com estatuas de membros da família e tochas nas paredes. Curvou-se quando se lembrou da queda que tinha dado, levantou a camisa de noite e viu coxa com uma enorme mancha roxa.
― Por Jasmine! ― Queixou-se. Deu dois passos e mordeu o lábio lutando contra a dor. Quando encontrasse aquele Intruso iria flagela-lo! Iria cortar a pele dos seus ossos! Argh!
Sentia-se cansada, inquieta, dorida e humilhada! Coberta de lama desde do dedo dos pés, até ao pescoço! Que ninguém a visse, pelos amor aos Deuses!
Quem era aquele intruso e porque raio gostava ele de brincar ás escondidas? Argh! Detestava jogos, todas as jogadas tinham que estar em frente dos seus olhos!
― Senhora, que vos aconteceu? ― Encontrou Jordana naquele mesmo corredor com uma vela na mão. ― Estais toda...
― Eu caí numa poça!
― Numa poça, Senhora? ― Agnes empurrou a porta do quarto e entrou seguida de Jordana. ― Como?
― O intruso apareceu e eu segui-o.
― Como assim?
― Saí daqui a correr e seguiu-o! ― Exclamou Agnes. ― Embrenhamo-nos pelo bosque e eu caí dentro de uma poça, para deleite do sacana! Argh! Juro que se o apanho ou arranco-lhe aquele sorriso dente a dente.
Jordana apressou-se a ajudar a sua Senhora a tirar o roupão, felizmente ainda havia água no quarto para limpar o corpo de Agnes.
― Esse trabalho é da Legião...
― Não me digas o que fazer, Jordana! ― Agnes tirou o roupão de linho e enfiou-se na banheira, enquanto Jordana passava o pano molhado pelo corpo. ― E o que fazes tu a vaguear pelos corredores?
― Eu ouvi o barulho dos Guardas debaixo da minha janela, Senhora. ― Disse prontamente. ― Vim ver se precisaveis de ajuda, Senhora. Eu sei que não preciseis de ajuda, mas eu preocupo-me com vosso bem-estar, Senhora. E, para além do mais, eu não conseguia...
Jordana continuava o seu discurso de admiração, enquanto Agnes a observava atentamente. Tinha os cabelos negros soltos, os olhos castanhos pareciam mais escuros devido a fraca luz e a pele morena parecia ter dois tons diferentes, conforme o jogo das sombras. Gwenn não se tinha enganado, de facto, Jordana tinha as feições típicas dos fundados da Casa de Brainnstorm. Os restantes membros poderiam nem sequer ser de familia, mas os fundadores tinham características especificas.
― Posso confiar em ti? ― Perguntou abruptamente, cortando o discurso de Jordana abruptamente.
A jovem olhou-a com confusão.
― Claro que podeis, Senhora.
― Não. ― Disse Agnes, aproximou-se de Jordana e falou num tom baixo. ― Posso confiar em ti?
Jordana baixou o tom de voz, sabendo exactamente o que queria a Senhora dizer.
― Claro que podes, sabes que sim.
― Então, conta-me.
― Eu não posso. Ainda não.
― Porquê?
― Porque não estás preparada! ― Disse num fio de voz. ― Coisas deste tipo levam tempo e levam precisão, não podemos levantar suspeitas. Terás de esperar.
― Pelo quê?
― Não posso dizer. ― Jordana largou o pano e levantou-se do chão. Agnes num gesto rápido agarrou um roupão de peles, enrolou-se nele e cortou passagem a Jordana.
― Porque diabos falaste comigo daquela maneira se não me podes contar?
― Porque precisavas saber que tens apoio. Há quem torça pela tua causa.
― Qual causa? O que me escondes?
― Porquê estas perguntas? ― Perguntou Jordana confusa. ― Foi por causa do que Gwenn disse? Agora é que repaste nas minhas feições de traidora?
― Sabes muito bem que não é isso. Tu disseste-me coisas antes de eu vir para aqui, falaste na Pan...
Jordana colocou os dedos sobre os lábios de Agnes.
― Não podemos falar sobre isso. Não aqui. Tu mesma disseste que as paredes têm ouvidos e ouvem bastante bem. ― Jordana tirou os dedos dos lábios da sua Senhora. ― O melhor será manter as coisas como estão. Tratar-te-ei como sempre e tu farás o mesmo comigo... ― Jordana ajeitou as suas roupas. ― Não te preocupes, é para um bem maior e quando chegar a altura poderás perguntar o que bem quiseres, que irei responder-te com todo o gosto. ― Jordana respirou fundo. ― Não sou traidora, apenas quero dar-te o que mereces, porque tu mereces.
Jordana fez uma breve vénia e virou as costas á sua Senhora. Porém, Agnes não desistiu.
― O Intruso tem algo a ver com isto?
Jordana parou, girou sobre si mesma e abriu um sorriso.
― Minha Senhora, penso que a melhor das soluções é dormir. ― Fez nova vénia. ― Boa noite.
Saiu do quarto e fechou a porta calmamente.
Agnes ainda ficou de pé mais uns minutos e quando caiu na cama, envolta pela escuridão. Desviou os olhos para a enorme janela que mostrava Sunnderland envolta na noite, iluminada pela fraca luz das estrelas e suspirou. Estava de volta a casa e agora, mais do que nunca, não podia confiar em ninguém. Nem mesmo em Jordana.

Jordana voltou para o seu quarto, fechou a porta rapidamente, passou por cima da cama e foi até a janela. Assobiou agilmente, num som distinto e único.
Por entre as árvores ali perto veio a resposta e o jovem Nathaniel apareceu novamente.
“Eu sei o que fizeste. Tinhas mesmo que empurra-la para dentro de uma poça?”
Nathaniel em baixo sorriu, mas os seus lábios não se moveram.
“Eu não a empurrei, ela é que não me ouviu! Eu disse-lhe para não avançar...”
“Tudo bem!” Jordana olhou em volta, mas não viu nenhum guarda. “Ele está a salvo?”
Pergunta—lhe tu!”
Nathaniel voltou-se para trás, desapareceu por segundos e quando voltou vinha acompanhado por Syd. Jordana soltou um suspiro de alivio ao ver o Sábio solto novamente.
“Estou bem. Obrigado aos dois.” A sua voz suava na cabeça de Jordana, como se Syd estivesse a falar mesmo ao seu lado. “Jordana, mantêm-na a salvo e na ignorância por quanto tempo for possível. Ela ainda não está preparada.”
“Sim, Syd. “ Respondeu Jordana. “Tenho de voltar. Vemo-nos em três dias.”
“Talvez menos.” Ouviu a voz de seu irmão na sua cabeça. “O exército move-se depressa, talvez chegue mais cedo do que isso.”
“Estaremos aqui, caso isso acontecer.“
Ouviu-se a voz de Syd forte e segura. “A Casa de Brainnstom, não vai a lado algum muito pelo contrário. Ergue-se mais forte do que antes.”



VIII – O NOSSO SENHOR, REI BRISTOL
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Fox* em Qua Jul 04, 2012 2:31 pm

Acho mesmo engraçado estas diferenças entre as irmãs (talvez porque eu tenho uma e também somos como o sol e a lua), uma adora banhos gelados e não vive sem criados e protetores; a outra toma banho no meio do Inferno como quem não quer a coisa e a sua Dama de Companhia não lhe faz nada (daí que seja mesmo companhia)!
Oh, Nathaniel... Que rica coisa me saíste tu, não foi? Não podias ser mais tolo, mesmo que quisesses xD! Tolo mas com muita artimanha e sagacidade, adoro a forma como "engana" (não sei se esta é a melhor forma de dizer mas ok) a Agnes para a manter em segurança!
Adorava vê-los juntos (já comecei os ships!)

Beijinhos Dee e continua com isto!

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por PandoraTheVampire em Qui Jul 05, 2012 2:30 pm

Muahaha eu lembro-me disto. Adorei a personalidade brincalhona do Nathaniel! E como ele consegue pôr os nervos da senhora de ferro em franja!! Foi aqui que comecei a achar a química entre eles muito boa! :p Ai! Venha daí mais que eu quero ler coisas novas!!

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por miaDamphyr em Ter Ago 07, 2012 5:11 pm

Ohhh há quanto tempo, e continuo a adorar o Nathaniel e a senhora de ferro. São os meus preferidos, okey, minto! Também gosto da arquinimiga da Agnes, ihihihih. Espero que atualizes logo Dee. BEijos
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por DeeSousa em Sab Set 22, 2012 1:09 am

*A wild Dee appears*. Hiii, guys!!!
It's been a while! Bem, eu vou continuar com a história, tive que reler tudo e relembrar onde fiquei e ganhar inspiração, em breve terão novos episodios tanto nesta fic como na outra. Vou tentar mais activa no forum, uma vez que estou a estagiar tudo fica um pouco mais complicado em termos de tempo, mas vou tentar!!!
Quando ás fics que nunca mais comentei, vou fazer os possiveis para comentar. Se não conseguir, mil perdões!

Ora aqui vai, com algumas teias e pó, mas vai!


VIII – O NOSSO SENHOR, REI BRISTOL


Rei Bristol estava sentado na sua cadeira, com um ar aborrecido. Rodava o cabo da sua espada cuja lâmina estava cravada na madeira sob seus pés, enquanto os seus súbditos discutiam. Estava dentro da sua tenda real, enquanto a noite lá fora continuava fria e não havia braseiro que aquecesse a sala.
Já estava naquela viagem de conquista à mais de cinco anos, tinha os reinos do Norte todos na palma da sua mão. Ouviam-se palavras soltas de que o medo á sua pessoa e ao seu exército chegara até as terras a Este, ou como eram chamadas, as Terras da Fartura. “O Este alimenta o mundo” já assim diz o ditado, e é puramente verdade. Do Este vêm as melhores frutas, os melhores vegetais, as terras mais férteis, as frutas mais doces e era por isso, que o Rei Igor (Bristol) queria o pé naquele território. Se conseguisse o domínio das Terras da Fartura quer sejam as do reino de Bart, dominado pelo gordo Rei Allar, ou de Tain, pertencente ao Rei Leil ou o reino Rien do Rei Hael, Sunnderland teria recursos sem fim. Estes três reinos eram o centro da riqueza do Este, sem contar com as pequenas Casas, que se encontravam espalhadas por todo o terreno.
“O Este alimenta o mundo” Alimentará com certeza.
Se não tivesse que voltar para casa, embarcaria para Sul, onde dizem que o calor é tal que as roupas voam do corpo, a água é cristalina e as mulheres e homens são tão belos que nos apaixonamos ao primeiro olhar. “A paixão vais encontrar, se ao Sul fores parar” diz um outro ditado e o Rei tinha curiosidade. Diziam que no sul, as mulheres e os homens, tinham a pele escura. Alguns em tons de café, outros de caramelo, outos de chocolate e havia uns que tinham a pele tão escura como a noite. Os homens eram robustos e bem dotados, as mulheres bonitas e meigas. Queria deitar mãos ao reino de Kailil, sob o domínio do Rei Unthor, ao reino de Calilie nas mãos do Rei Komba ou o reino de Whyli sob a coroa do Rei Wesp, se tivesse um, teria todos – uma vez que os três reis são irmãos.
O único que lhe faltava era o Oeste e ai, o seu único objectivo era Kidrahul. Essa era a jóia e queria tê-la antes que qualquer um. Um reino tão grande que se perdia de vista, era o centro do Oeste e mais nenhum se comparava em termos de história ou de poderio. Sabia que a aquela terra tinha riquezas para além do imaginário, que por debaixo do castelo, corria a lenda de que as Senhoras de Ferro, guardavam ouro e pedras. Tinha que tê-las!
Fechou os olhos...os planos foram adiados, tinha que voltar para casa. Tinha que voltar para aquele castelo e ver aquelas duas que diziam ser suas filhas. Uma que era a sua imagem cuspida e a outra que não o podia a ver a frente.
Com a primeira, tinha que ter o dobro, até o triplo do cuidado, se era igual a si, talvez fosse capaz de fazer o mesmo ou até pior. Aquela rapariga era falsa, uma víbora com uma coroa. Maldita hora em que lhe dera a honra de Soberana.
A segunda, era a cara da Rainha morta e não tinha medo. Admirava isso na pobre, não havia nela qualquer ponta de medo, e como era corajosa! Mesmo assim, sabia que também tinha que ter cuidado com ela, se chegasse até a encostar uma lâmina ao seu pescoço, cortá-lo-ia sem pestanejar.
Não que quisesse voltar, pois ficaria a vaguear, pilhar e a matar quem se metesse no caminho e a adicionar mais uma pedra a sua coroa. Porém, a Pandorika exigia o seu regresso a casa. Maldição!
Abriu os olhos e viu que, à sua frente, um total de seis homens discutiam sobre sabe-se lá o quê exactamente. Até o próprio Rei já perdera a noção do tópico de discussão. Trazia uma túnica de lã escura de mangas compridas, com um cinto de couro e calças do mesmo tecido. Na sua cabeça restava a coroa que cravejada de pedras preciosas, que representavam cada reino sob o seu domino.
Para todos ele era Igor, Rei Igor, porém só Bristol sabia a sua verdadeira identidade. Ninguém suspeitava que aquele que ali se sentava, era sim um Deus que, caso mostrasse a sua verdadeira forma, acabaria com todos os presentes.
No entanto, o seu corpo dava sinais de fraqueza. Dias antes, enquanto se banhava, soltou-se um bom comprimento de pele do seu braço direito deixando em carne viva. Semanas antes caíram-lhe dois dentes e algumas unhas dos pés. Muito antes o cabelo já começara a cair, por isso rapara-o completamente, agora a coroa assentava no escalpe brilhante, que contrastava com a barba farta negra e com os olhos verdes que nem esmeraldas.
― Isto é uma loucura! ― Gritou Finn, aquele que se considerava o seu braço direito. ― Não podemos seguir esse caminho!
― Porque diabos não? ― Perguntou um outro, chamado Nigel de barbas compridas e cabelo cortado a rente. ― É mais rápido! Se vossa senhoria gosta de estar na estrada coberto de poeira e lama, isso é lá convosco. Eu desejo voltar para casa e ver os meus!
― Vossa senhoria irá, quando o Rei assim ordenar! ― Berrou Finn, levantando-se da cadeira que lhe pertencia. O Rei soltou um suspiro aborrecido. ― A não ser que sejais cobarde o suficiente, para abandonar o vosso Rei.
Nigel levantou-se da cadeira.
― Retirai imediatamente vossas palavras, senhor, se tendes amor por vossa língua. ― Disse Nigel com mão na espada.
Os restantes também se levantaram, preparando-se para a eventualidade de um duelo.
― CHEGA! ― Berrou o Rei. ― Quereis brigar, ide lá para fora, para a lama como porcos pois não o farão na minha presença! ― Os dois cavaleiros encararam-se com os olhos em fúria e voltaram a sentar-se. O Rei suspirou novamente e agarrou o cabo da sua espada cravejada a pedras preciosas e lâmina brilhante. ― Dizei-me, Sir Finn, porque não podemos ir pelo caminho mais curto?
Finn levantou-se. Não deveria ter mais do que quarenta e poucos invernos, o seu cabelo grisalho mostrava-se por entre o escuro, que combinava com o castanho dos seus olhos. Vestia a armadura com o falcão desenhado ao peito, um manto escuro caia-lhe pelas costas abaixo e a espada, que lhe chegava até ao joelho, restava no seu cinto.
― Devidos aos feridos, Vossa Graça.
― Feridos?
― Sim, Vossa Graça. Temos muitos homens feridos e em mau estado.
― E isso impede-nos de seguir o caminho mais curto?
― Sendo o caminho mais curto, implica que nos movamos depressa e não haverá tantas paragens para os feridos poderem…
― Queima-os! ― Ordenou rispidamente.
Os olhos dos seus cavaleiros abriram-se, ficando do dobro do tamanho.
― Senhor? ― Perguntou Nigel, que ainda à segundos estava ávido de ir para casa. ― Quereis que…
― Que os queimem. Que os matem! Aos feridos! ― Exclamou o Rei sem a mínima piedade. ― Se é esse o nosso único obstáculo entre chegar depressa e passar mais dois dias na lama, que os matem de uma vez.
Finn aproximou-se cautelosamente.
― Meu Senhor, isso é uma ofensa aos Deuses. Estes homens, não estão mortos…
― Quereis saber o que digo aos Deuses? ― O Rei fungou profundamente, voltou a cara para o lado e cuspiu grosseiramente. Olhou para Finn que o observava surpreso. ― Quero-os mortos.
― Meu Senhor…
― Sir Finn, haveis escutado o nosso senhor, Rei Igor. ― Disse uma voz forte entre os homens. O seu nome era Daniel, um antigo pertencente a Legião, dono de olhos cinzentos, cabelo raso negro e barba por fazer. Era o mais novo dos cavaleiros e muitos diziam ser já o preferido do Rei, porém falhara nas amizades e era mais visto como um pária do que um bom soldado. ― Fazei como é dito.
― Quem pensais que sois para falar assim comigo, criança? ― Perguntou Finn ofendido.
Daniel não se mexera da sua cadeira, apenas rodava uma faca na mão e olhara-o com desafio.
― Chamai-me criança, novamente.
― Não podemos queimar homens vivos! ― Exclamou Finn. ― Isso é…
― Loucura? ― Interrompeu o Rei com voz grave. ― Após todos estes anos, ousais chamar-me louco, Sir?
Finn gaguejou por segundos, até encontrar resposta.
― Nunca, Vossa Graça. Nunca. Apenas acho que…
― Que o quê, Sir?
― Creio que Finn não deseja voltar a casa. ― Disse Daniel com um sorriso. Finn olhou-o com raiva.
― Eu desejo voltar…
― Então, queimai os infelizes. ― Continuo Daniel. ― Muitos estão mancos, sem pernas, braços e outros nem podem ver. Alguns até duvido que ainda respirem. ― Daniel levantou-se, avançando até perto de Finn. O velho e o novo, no mesmo tempo e espaço. ― Sugiro, Vossa Graça, que se salvem os que ainda conseguem caminhar a passo normal e não ser um estorvo, os outros que sejam entregues ao fogo.
O Rei sorriu levemente perante a iniciativa do jovem soldado.
― Sois louco! ― Gritou Finn. ― São homens, estão vivos.
― São uma perda de tempo! ― Refutou Daniel. Olhou para o Rei. ― A mim de nada serve ir para casa, a minha família morreu e não posso regressar á Legião, o campo de batalha é o único sítio que conheço. Se vamos regressar a Sunnderland, que o façamos depressa para que possamos voltar com o dobro do passo á conquista do resto seu crescente domino.
― Do que sabeis vós, criança? ― Aliciou Finn. Daniel olhou-o de soslaio. ― Ainda não viste o verdadeiro horror da batalha…
― Perguntai a vossos homens, quantos deles já eu salvei com a minha espada, no calor da batalha.
― A questão não é salvar…
― Nós sobrevivemos, estamos vivos e inteiros, eles não. O horror da batalha é sofrer, nós estaremos a fazer aos feridos, um belo de um favor, Sir.
― Não sabeis nada. Não passeis de uma criança.
Daniel agiu rapidamente, apontando a sua pequena faca ao pescoço de Finn. Os homens em redor aprontaram-se rapidamente, mas o Rei continuou sentado.
― A lâmina da minha espada, está tão manchada de sangue como a vossa. ― Aproximou a lâmina com mais força, raspando a barba do velho cavaleiro. ― E tenho todo o gosto em mancha-la novamente.
― Baixai vossa faca, Daniel. ― Ordenou o Rei. Daniel baixou a faca e recuou alguns passos, sem nunca largar de vista o mais velho Finn. O Rei levantou-se cadeira mostrando toda a sua altura e força. Desceu do estrado de madeira, com a espada segura firmemente e quando se aproximou, deixou a lâmina descansar em cima do ombro de Finn. ― Quero os feridos mortos, os corpos queimados e estar na estrada ao raiar do dia. Se fantasmas de remorsos assombram vossa mente, queimai com eles.
― Que diremos ás famílias, Vossa Graça?
O Rei encolheu os ombros.
― De certeza, arranjareis uma boa desculpa.
Finn engoliu a ofensa, acabando por fazer uma vénia solene.
― Vossa Graça. ― Retirou-se a passo apressado.
O Rei voltou-se para os restantes.
― Partiremos ao raiar do dia. ― Os homens fizeram vénia sentida e saíram um a um. ― Daniel, ficai. ― Ordenou o Rei. O mais jovem deixou-se ficar no mesmo lugar, colocando as mãos atrás das costas, numa posição típica dos Legionários. ― Sois jovem, Daniel.
― Vinte e cinco primaveras, Vossa Graça.
― Filho da primavera. ― Disse com um sorriso. ― Porque haveis deixado a Legião?
― Fui expulso, Vossa Graça. ― Disse com voz firme. ― Desrespeitei o meu Capitão. Desafiei-o e perdi.
O Rei sorriu.
― Tendes coragem. O Capitão Marcus é corajoso e forte.
― Deveras, Vossa Graça.
Bristol afastou-se observando o jovem com atenção. Era alto, forte, tinha uma pose segura e sabia manejar bem a sua espada. Não era Sir ou Cavaleiro ou Lorde, no entanto, encontrava-se ali no meio deles e acabara de fazer frente a um.
― Quantas mulheres até agora?
Daniel corou ligeiramente.
― Mais do que suficientes, Vossa Graça. Sei agradar uma mulher.
― Qual foi a última?
O jovem pigarreou.
― Não gosto de tomar uma mulher por força, Vossa Graça. Gosto de agrada-la e tirar prazer também.
O Rei abriu um sorriso enorme. Era normal os homens, ao invadirem os reinos e dizimarem cada vila por onde passassem, violarem uma ou outra ou todas as raparigas que passassem a frente.
― Como sabeis, tenho duas filhas, Agnes e Gwenn. A primeira é um caso perdido e sinto que nem a conheço, há rumores que encontra prazer no meio das pernas de uma mulher do que num homem dotado. Sinceramente, nem gasto o meu tempo a pensar. Já a segunda, a minha Gwenn, essa é o futuro de Sunnderland…Quero que a tomeis como esposa.
Daniel ficou surpreso e tossiu.
― Eu, Vossa Graça?
― Não, o cedro que está plantado lá fora, Daniel. Claro que sois vós!
― Estou…Estou veramente grato, porém, permita-me que pergunte o porquê, Vossa Graça?
O Rei caminhou de volta á sua cadeira, cravando a lâmina da sua espada no estrado de madeira. Ali ficou a enorme arma a tremer de um lado para o outro, fazendo com que Daniel engolisse em seco.
― Correm rumores, de que a minha filha, Gwenn ocupa a sua cama com o Protector. Posso não estar presente, mas continuo a ser pai e vós sois inteligente, leal, corajoso e lutais bem. Para além do mais, Gwenn precisa ser domada…Preciso de alguém de confiança que tome o trono e pensar que deixo uma mulher usar a minha coroa.― O Rei sentou-se e olhou-o com atenção. ― Aceitais?
Daniel sabia perfeitamente, que aquilo não era propriamente uma pergunta. Ou dizia sim, ou diziam sim.
Fez uma vénia sentida.
― Não há palavras que descrevam o quão honrado me sinto, Vossa Graça.
O Rei encostou-se sorridente.
― Muito bem. Podeis retirar-vos, certificai-vos de que o maldito do Finn executa a tarefa. ― Daniel fez uma nova vénia. ― E chamai-me Mortimer. ― Daniel parou olhando o seu Rei com confusão. ― Terei que repetir?
O jovem saiu da tenda rapidamente, deixando o Rei sozinho com os braseiros em chama e as velas.
Distraidamente, passou os dedos pela Pandorika que lhe queimava o peito. Caminhou para o espelho e abriu os botões da longa túnica mostrando o peito bem formado e cheio de pelo negro. Por cima do coração, cravada na sua pele a Pandorika restava. A pedra vermelha queimara a pele em volta e sobressaia como que se um novo membro fosse. Dali vinha o seu poder…A Pandorika cravada do seu peito, dando-lhe vida e sugando-a ao mesmo tempo.
A tenda abriu-se e o velho Mortimer, apareceu envergando uma longa túnica de lã verde-escura, com os cabelos negros caindo pelos ombros abaixo. Capturara este Sábio, numa das suas viagens e este mostrara-se inteligente o suficiente, para se ajoelhar e jurar fidelidade ao Rei. Vinha agrilhoado, sujo, magro e parecia débil, mas o Rei sabia perfeitamente que os Sábios jejuavam durante semanas e alimentavam-se pouco, por isso sabia que este conseguia aguentar mais do que qualquer prisioneiro nas mesmas condições.
― Aproximai-vos. ― Ordenou o Rei. Mortimer parou a poucos metros, com os olhos tão negros como o seu cabelo e um longo nariz. ― O meu corpo está a cair aos pedaços, Bruxo. Ontem caiu-me a pele do meu braço, à dias os dentes e antes que o meu cabelo caísse enquanto dormia, rapei-o.
― É normal, afinal não sois humano, meu Rei, mas o corpo é. O vosso poder como Deus, lentamente destrói o vosso recipiente. ― Disse Mortimer, num tom baixo e suave, quase inaudível. ― Vosso corpo humano, apodrece.
― O que quer isso dizer? ― Perguntou o Rei num tom grave.
― Mortalidade, meu Rei.
O Rei avançou até ao Bruxo que mantinha os olhos no chão.
― Mortalidade?
― Significa que podeis morrer, meu Rei.
― Eu sei o que isso significa! ― Exclamou aborrecido. O Rei iniciou uma marcha lenta em redor do homem. ― Eu não posso morrer! Eu sou um Deus! Eu sou Bristol!
― Porém, um receptáculo humano é necessário. Vossa verdadeira forma é insuportável para reles humanos. ― O Sábio olhou-me com um brilho nos olhos típico de quem sabe muito mais do que mostra. ― Estais em terra á muito tempo, com o mesmo corpo, Meu Rei. Seria apenas uma questão de tempo.
O Rei agarrou o Sábio pelos braços.
― Reverte-a! ― Apertou-lhe o pescoço com força. ― Reverte esta maldição!
O Sabio afastou-se com agilidade e manteve a mesma postura.
― É irreversível. A Pandorika sugou-vos tanto a vossa força como Deus, como o recipiente em que vos encontreis.
Abriu um estranho sorriso. Bristol encarou-o com confusão e espanto.
― Qual é a piada?! QUAL É A PIADA?!
― Ireis morrer, Vossa Graça. ― Finalizou o Sábio. ― Ireis morrer, mais cedo do que imaginais. ― Falava num tom suave. ― O vosso sangue irá matar-vos.
― O meu sangue?!
― A Casa de Brainnstorm ergue-se. ― Disse. ― São mais do que antes, mais poderosos e levarão vosso reino para o fogo, tal como os feridos cuja imolação ordenastes hoje.
― Isso é um mito.
― E se eu disser, que cruzastes espada com vários deles? E se eu disser que se infiltraram no vosso exército, no vosso acampamento, no vosso castelo, em Sunnderland…― O Sábio sorria agora como um louco. ― Nunca se deve deixar sobreviventes, meu Rei. Nunca se sabe a quem se podem juntar e mais tarde podem voltar para matar.
― GUARDAS!
― Vosso sangue apodrece, ó Deus negro. Apodrece!
Uma enchente de guardas entrou pela tenda adentro. ´
― LEVEM-NO! ― Agarraram o velho Mortimer pelos braços, ao mesmo tempo que o Sábio soltava a maior das gargalhadas.
― NÃO ADIANTA CORTARES MEU PESCOÇO, MEU REI IREIS MORRER NA MESMA! A MORTE ACOMPANHA-TE! A MORTE ESPERA-TE! A MORTE AMA-TE! ― Mortimer fincou os pés no chão travando os guardas e olhando para o Rei. A temperatura dentro da tenda baixou, as velas tremelicaram e uma brisa gelada fez os cabelos eriçarem-se. ― Vosso sangue nasceu podre. A morte virá com um doce sabor, deixar-te-á preso mas depois dois irá levar-te de vez. O Deus da guerra morrerá, mas a guerra não. ― O Sábio apontou-lhe o dedo. ― O teu sangue cravar-te-á uma faca nas costas. O teu sangue.
― Levem-no…
― O vosso tempo voa…
― EU DISSE PARA O LEVAREM! ― Os guardas puxaram Mortimer que lá se deixou levar, mas que continuava a berrar por todo o campo.
― A MORTE AGUARDA-VOS COM UM SORRISO, VOSSA GRAÇA! ― Berrou enquanto era arrastado. ― A MORTE!
― E TRAGAM-ME A SUA CABEÇA!
Ordenou o Rei quando ficou sozinho. A temperatura da sala voltou ao normal, assim como a iluminação mas, não podia deixar de sentir uma pequena ponta de pânico. Sentou-se na sua cadeira e agarrou a sua espada, agora mais do que nunca tinha que se proteger.

IX – MAU GÉNIO
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por Fox* em Sab Set 22, 2012 6:53 pm

Hehehe, eu ainda me lembro disto! :D
Do regresso do Rei e do aparecimento do Daniel! Aquele momento em que o primeiro manda arder todos os feridos foi fantástico (I know, creepy!) pela malvadez sem escrúpulos que puseste na personagem!
Estou curiosa, Dee! E o pior é que vou ter de esperar para ler mais! :D

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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

Mensagem por miaDamphyr em Sab Set 22, 2012 9:16 pm

Hmm eu também me lembro de tudo isto, tinha mesmo muitas saudades Dee, vê-la se não somes. (Olha só quem fala). Mas adoro a tua história, e faz me falta um estilo "épico" por seguir. Hum. Este rei é um louco, bem ao estilo que gosto. Ihihihih. Beijos
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Re: UM CONTO SOBRE DUAS IRMÃS(+18)

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