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Doce Chantagem

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Doce Chantagem

Mensagem por PrincessAngel em Qua Jun 17, 2015 9:01 pm

Resumo

O bilionário siciliano Mamoru Chiba está determinado a salvar seu casamento. Usagi Chiba não quer uma reconciliação, mas ele sabe ser bastante persuasivo... Agora, a questão é: quanto tempo levará até voltarem ao leito nupcial para recuperar o tempo perdido?


CAPÍTULO UM

Usagi não queria ouvir nada daquilo! E estava tão certa disso, que, se não estivesse em sua própria casa, se ergueria da mesa e sairia correndo. Mas, como isso não seria possível, só o que podia fazer era permanecer sentada com o olhar fixo na mãe e silenciosamente desejando que Ikuko estivesse bem longe dali.

— Não me olhe dessa maneira! — a mãe censurou com impaciência. — Pode até achar que eu não deveria me intrometer em seu casamento, mas, depois das intrigas e fofocas que ouvi, sou obrigada a lhe dizer alguma coisa.

— Será mesmo? — Usagi respondeu em tom frio. — Durante tantos anos ouvi comentários a respeito dos seus inúmeros amantes e não me lembro de alguma vez ter-lhe questionado a respeito.

Ikuko estreitou os ombros por baixo do tecido da jaqueta branca que usava. A cor clara a deixava ainda mais bonita e destacava os fantásticos olhos e cabelos escuros. Aos 51 anos, Ikuko Tsukino facilmente se passaria por uma mulher de trinta.

Nascida na Sicília e a caçula entre os cinco filhos Tsukino, Ikuko herdara a melhor parte da genética familiar em questão de beleza, juntamente com Lúcia, sua irmã gêmea.

Quando crianças, as pessoas se encantavam com o fato de as meninas possuírem olhos e cabelos escuros belíssimos e diferentes do restante da família. E, quando alcançaram a adolescência, a beleza estonteante das jovens enlouquecia os rapazes de tal forma que muitos não paravam de circular em frente ao portão da casa de Tsukino. E agora, em plena meia-idade, e após a triste partida da irmã gêmea, Ikuko ainda capturava a atenção dos homens como se fosse um ímã. E o fato de ter sido admirada por sua beleza durante toda a vida provocara em Ikuko uma atitude tão peculiar que Usagi às vezes interpretava como arrogância. Principalmente quando podia notar na expressão da mãe certa revolta por ter gerado uma filha que em nada se parecia com ela.

Usagi, além de alta, era loura. Calada e introvertida. Observava o mundo através de uma visão fria e realista do mesmo modo que o pai, que era inglês. Os mesmos olhos azuis e frios. E, quando os problemas se agigantavam, recolhia-se numa trincheira de gelo onde ninguém conseguia alcançá-la. Sob o ponto de vista siciliano de Ikuko, ela acreditava que a filha agia de maneira indiferente ao ardor das paixões porque não sabia como elas eram de fato.

— Seu pai me deixou viúva há mais de dez anos e por isso não tenho que me envergonhar pelo fato de ter tido alguns namorados depois que ele se foi. — Ikuko defendeu-se, ignorando completamente quantas vezes trocara de amantes naquele espaço de tempo. — No entanto, vocês mal terminaram o período da lua de mel e os comentários já estão fervilhando!

Fervilhando?, Usagi pensou. Se havia alguma coisa quente só poderiam ser as fofocas, porque, com relação ao seu casamento, ela poderia afirmar com segurança que estava mais frio do que nunca. Um desastre tão grande que poderia ser inserido em uma lista oficial de fracassos.

— Se está preocupada com o que estão dizendo por aí, então está falando com a pessoa errada — respondeu. — Mamoru é que deveria ser o alvo da sua crítica. Fale com ele.

Após despejar as palavras, Usagi ergueu-se. Não desejando ser indelicada e abandonar a sala, optou por fazer algo mais sensato: caminhou na direcção das portas duplas de vidro que separavam o terraço e estacou na frente delas, sem destrancá-las.

Houve um silêncio.

A indiferença que Usagi demonstrava com o que quer que fosse que o marido estivesse fazendo, deixou Ikuko sem palavras por alguns minutos.

— Está sendo boba, Usagi!

Com certeza, Usagi concordou interiormente e perdeu o olhar nas águas azuis do Mediterrâneo. Como gostaria de estar no pequeno veleiro que podia vislumbrar através do vidro. A embarcação parecia deslizar sobre a superfície mansa e cristalina domar.

— Digo isso porque não se trata apenas de fofoca — insistiu a mãe. — Eu vi os dois juntos, cara. E até uma cega poderia sentir que a química entre eles era...

— Fervilhante? — Usagi completou, considerando que aquela palavra agora condizia muito bem com a situação.

Ikuko suspirou fundo.

— Você deveria manter seu marido em uma rédea mais curta — a mãe continuou. — Mamoru é um homem sexy e bonito demais para ser deixado tão livre. As mulheres se atropelam para poder chegar perto dele e você sabe o que poderá acontecer. Quantas vezes você é vista ao lado dele? Em vez de se isolar nestas colinas, não seria mais prudente insistir em acompanhá-lo nas viagens e marcar sua presença? Se tivesse feito isso antes, ela não estaria pondo as garras em seu marido e eu não estaria aqui sentada, contando-lhe coisas que nenhuma mãe gostaria de precisar falar.

Usagi girou a cabeça para encarar a mãe e perguntou de maneira lacónica:

— Onde?

— Ha...? — Ikuko perdeu-se por uns instantes. Os cílios longos e escuros se abriram e fecharam por algumas vezes.

— Onde foi que você os viu? — Usagi refez a pergunta de maneira mais esclarecedora.

— Ah! Em Londres, é claro!

Londres... A cidade que Mamoru elegera para despender a maior parte do tempo. Usagi pensou com ironia ao se recordar de que a inglesa era ela e não ele. O marido era siciliano.

— Eu estava jantando com alguns amigos em um restaurante no centro de Londres, quando ouvi o toque de um celular que soava insistente no outro canto do salão. No instante em que girei a cabeça para descobrir de quem era... eu os vi! Fiquei chocada no momento em que Mamoru desligou o celular sem atender a ligação. Tive o pressentimento de que fosse você quem estivesse ligando e...

— Não era eu, mãe. — Usagi assegurou e tinha uma boa ideia de quem o tivesse chamado.

— Fico aliviada em saber disso. Não imagina como me senti ao imaginar que talvez você estivesse precisando dele naquele momento e ele...

Usagi a interrompeu:

— Eles a viram?

Apenas o sorriso irónico esboçado nos lábios de Ikuko era suficiente para descrever a situação.

— Querida... Eles estavam tão embevecidos sob a luz das velas que seriam incapazes de notar a presença de qualquer outra pessoa. — Ikuko concluiu com um suspiro desgostoso. Em seguida, acrescentou: — Eu até pensei em ir até a mesa deles, mas desisti. Seria embaraçoso demais ter que confrontar meu genro se desmanchando para minha sobrinha em pleno lugar público.

— Então permitiu que prosseguissem?

— Bem... Cheguei até a pensar que eu estivesse exagerando e tudo não passasse de uma amizade.

Amizade? Não. Não poderia tratar-se de amizade, pensou Usagi. Aquela mulher significava mais do que apenas sua prima.

— O pior... — Usagi hesitou — aconteceu mais tarde. Eu os vi entrando no prédio onde é o apartamento de vocês.

— Que azar o deles... — Usagi satirizou. — Ou, por acaso, você os seguiu?

A mãe a olhou com desafio.

— É verdade. Eu os segui. — Ikuko admitiu com o nariz empinado. — Não estava gostando do que via e resolvi manter os olhos abertos. Ela não deveria estar em Londres, pensei. Nova York sempre foi o local preferido dela e seria bem melhor para todos que permanecesse lá.

— Então decidiu segui-los e viu quando entraram no edifício?

Usagi expressou amargura nas linhas bonitas do rosto no momento em que respondeu:

— Eu pude observá-los através das portas de vidro e... Sabe o que vi, Usagi? Enquanto aguardavam o elevador, Mamoru tocava-lhe uma das faces, enquanto ela o encarava com o rosto erguido. Pareciam tão...

Oh, não!, Usagi exclamou em pensamento e afastou o rosto para o lado da sacada, tentando evitar que a mãe notasse o desgosto que sentia.

Um pesado silêncio se instalou, enquanto a mãe reflectia sobre o que acabara de contar para a filha e Usagi perdia o olhar no azul do mar. O pequeno veleiro agora estava mais distante e parecia seguir na direcção de um minúsculo ponto ao redor da estreita ilha de Ortigia, onde ficava a antiga cidade de Syracuse. Ela desviou a atenção para o lado oposto e observou o monte Ema. O vulcão que parecia mais activo nos últimos dias exibindo fantásticas imagens de seu furor, agora reduzia a neblina acinzentada a uma simples névoa de fumaça. Talvez o inverno que acabara de se iniciar, embora os dias em Dezembro ainda estivessem quentes, tivesse esfriado o ardor do Etna para se adequar às temperaturas mais amenas.

— Como ela está? — Usagi perguntou em tom frio.

— Bonita como sempre. Cada vez mais parecida com a mãe. — Ikuko revelou com um suspiro. Lúcia havia gerado uma linda filha de olhos e cabelos escuros. Quantas vezes ela não invejara a irmã gémea por ter conseguido isso? — O que você pretende fazer?

— O que pretendo fazer? — repetiu Usagi e, dessa vez, girou a cabeça para encarar a mãe. — Mamoru pagou um preço alto pela minha lealdade e terei que aceitar o que ele decidir. Já lhe avisei que está falando com a pessoa errada a respeito desse assunto.

— Oh, Usagi... — Os sinais de dor e frustração se aprofundaram na expressão de Ikuko enquanto assistia à filha retornar para o lugar que ocupava antes, junto da mesa. — Como você e Mamoru acabaram nessa situação?

— Dinheiro, querida. — Usagi ironizou, usando o tom mais sofisticado que aprendera no internato britânico. — Exactamente o que faltava para nós e que Mamoru tinha em excesso.

— Tolices! — Ikuko rechaçou. — Vocês se adoravam! Mamoru ficou louco por você desde o primeiro momento em que a viu. Até mesmo a maneira contida e comportada que seu pai insistiu em educá-la serviu para atraí-lo ainda mais.

Uma encenação, Usagi contemplou em pensamento. Tudo não passara de um plano para afastar a curiosidade de alguém que tencionasse descobrir a verdade. Mamoru estabelecera as regras de como o casamento deveria ser conduzido e Usagi seria obrigada a aceitá-las se quisesse consolidar o acordo. Ambos deveriam representar uma fachada de casamento feliz diante da sociedade e, em retorno, o nome da família Tsukino seria poupado de enfrentar uma desonrosa falência. O preço a pagar seria mais do que justo, principalmente sabendo o custo que Mamoru teria para manter o avô dela a salvo do escândalo. Por conta disso, Usagi não hesitou em concordar. Ela não tinha tanta certeza quanto aos motivos que levaram Mamoru a propor o acordo. Talvez fosse para inflar o tamanho do ego que ele possuía ou outros motivos sobre os quais ele nunca falara.

Enquanto Usagi divagava nos pensamentos, a mãe prosseguia no seu ponto de vista:

— Essa foi a principal razão pela qual ela foi embora — insistia Ikuko. — Assim que ela percebeu o que estava acontecendo entre vocês dois, não teve outra opção, a não ser a de ir embora e deixar o caminho livre.

Sim, Usagi concordou em pensamento. A prima realmente partira e deixara o caminho livre. Porém, havia murmúrios de que Mamoru estava a ponto de pedi-la em casamento quando Rei descobrira algo sobre ele que a impedira de aceitar. E, por isso, ela decidira partir e deixar para trás o amor que ele oferecia, bem como toda a riqueza. E o mais doloroso era saber que ela esmagara o precioso orgulho dele ao abandoná-lo.

— Vocês pareciam tão felizes! Mamoru a devorava com os olhos e parecia não se importar com quem estivesse olhando. — prosseguia Ikuko.

Usagi esboçou um sorriso amargo diante daquela observação. Amargo porque, de uma estranha maneira, a mãe estava certa. Mamoru realmente a devorava com os olhos. E não somente com os olhos, mas também com os lábios, com a língua, com... No entanto, tudo aquilo acontecera de verdade nos primeiros meses após o casamento. Eles haviam se determinado a encenar para os outros e o fizeram de maneira tão convincente que acabaram por acreditar na própria mentira. E o ingrediente especial que tornara aquilo possível tinha um nome: Sexo.

Ambos ficaram tão fascinados com a descoberta de uma atracção física entre eles que até se esqueceram do acordo. O despertar dos instintos primitivos os cegaram a ponto de nem se importarem em saber o que realmente sentiam um pelo outro. E, agora, a cegueira em que ela se encontrava desabara de uma só vez ao perceber um sentimento de desespero que começava a crescer dentro dela. Estivera cega o suficiente para acreditar que se tratava de amor.

Amor... Ela sentia vontade de rir só de pensar naquela palavra. No que dizia respeito a Mamoru, ele simplesmente se valera do jogo e aproveitara o que lhe era oferecido. Qualquer homem no seu lugar faria a mesma coisa. Concluiu. A menos que ela tivesse recusado. Porém, levada por um instinto inesperado e avassalador, Usagi se entregara aos apelos contidos nos olhos expressivos do marido e permitira que o relacionamento entre eles avançasse os limites do combinado e entrasse em um território perigoso. Até que as atitudes de Mamoru a forçaram a enxergar o grande engano que cometera. E, a partir dali, nada mais acontecera. Nada. O eco dos pensamentos atingia em cheio seu coração angustiado e vazio.

Ikuko pressentiu a amargura da filha e gentilmente estendeu um braço sobre a mesa para alcançar uma das mãos de Usagi e confortá-la com um afago.

— Eu sei que tem passado por maus bocados, querida. Deus sabe que todos nós sofremos com a sua perda. Acredite em mim...

Usagi espiou para as mãos que se tocavam sobre a toalha branca de linho e desejou que sua mãe apenas parasse de falar.

— Seu avô ainda se culpa pelo que aconteceu.

— A culpa não é dele e nem de ninguém — afirmou Usagi . — Você disse isso para ele?

— Claro que eu disse. Centenas de vezes. E quanto a você? Fez o mesmo com Mamoru?

Subitamente, Usagi desejou sair correndo, outra vez.

— O que é isso? Um interrogatório?

— Não se zangue, Usagi . Só estou preocupada com vocês — implorou, enquanto a filha livrava a mão que Ikuko segurava para poder se levantar. Ikuko se ergueu também e, usando um tom piedoso na voz, continuou: — Já faz seis meses que você perdeu o bebê e...

Seis meses, duas semanas e oito horas precisamente, pensou Usagi .

— Antes disso, você e Mamoru eram inseparáveis. O que aconteceu para você querer afastar todos da sua vida? Principalmente seu marido? — Diante do silêncio da filha, Ikuko decidiu prosseguir: — Eu entendo que você precise de tempo para se recuperar da perda, mas, depois de tudo o que lhe contei, não acha que é hora de superar a tragédia e salvar seu casamento?

Como resposta, Usagi girou nos calcanhares e saiu apressada da sala. Odiava tudo, todos e desprezava a si mesma. Não queria pensar sobre o bebê que perdera e nem em Mamoru. Sentia o corpo dolorido e o coração despedaçado. Enquanto cruzava o hall, captou de relance a própria imagem refletida no espelho grande que ornamentava uma das paredes, e ficou espantada com o que viu. A pele naturalmente clara agora estava pálida como um lençol. Os olhos estavam circulados por anéis escuros e os lábios contraídos a ponto de exibir apenas uma linha fina.

Não, não iria chorar outra vez!, exclamou furiosamente para si mesma.

— Não deve negligenciar seu marido dessa maneira, Usagi. — A mãe persistiu, falando em voz alta. — Ela o quer de volta e você precisa impedir isso!

— Não vou desmaiar se pronunciar o nome dela. — Usagi censurou em tom calmo.

Ikuko enfureceu o olhar.

— Às vezes, acho difícil acreditar que você é minha filha! Será que não herdou nem um pouco do meu sangue siciliano? Rei. Rei é o nome dela e sei que não vai desmaiar por isso. O que importa é que sua prima namorava seu marido muito antes de você entrar em cena. E, pelo que eu pude perceber, ela está querendo reconquistá-lo enquanto você fica aqui, como não se importasse que eles estão tornando público o envolvimento entre eles.

— E o que quer que eu faça? — Usagi esbravejou, girando o corpo e aproximando-se novamente da mãe. Os olhos azuis demonstraram o primeiro lampejo de emoção desde que a discussão se iniciou. — Será que devo entrar no primeiro avião para Londres e testemunhar com meus próprios olhos o que acabou de me contar? E depois? Diga-me, Mamma. Como acha que minha parte siciliana deverá reagir? Devo levar um punhal para cravar no peito deles e lavar a honra como faria um siciliano primitivo?

— Agora vai usar de uma fantasia só para me atingir? — Ikuko devolveu. — E, já que me perguntou, eu respondo que sim. Provocar uma cena será mais saudável do que se comportar como se não estivesse dando a mínima para o que está acontecendo.
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Re: Doce Chantagem

Mensagem por Haneul em Ter Ago 18, 2015 11:51 pm

Uouh ok. Deixa-me ver o que comentar... Gostei muito da forma como descreves-te e explicas-te os pensamentos da personagem principal, tornou tudo mais simples de perceber. Muito bem escrito e espero que continues e que isto não tenha terminado por aqui.

PS: dava em maluca com uma prima assim, ainda mais se estivesse nesta situação.
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