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Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

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Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

Mensagem por Moggo em Sex Nov 23, 2012 8:35 pm

Ora viva. Isto é mais ou menos crossposted do meu blog, com apenas alguns retoques aqui e além. Supondo que nenhum de vocês lhe tocou, fica o aviso: eu uso palavrões p'ra caralho. E tenho tendência a usar muitas palavras onde podia usar poucas, e a expressar-me de forma colorida. E, acima de tudo...

SPOILERS!


Não estou a brincar. O que se segue é basicamente um recontar de todo o filme. Considerem-se prevenidos.

Portanto. Temos aqui a segunda metade da adaptação em duas partes do livro no qual nada acontece. E para meu completo choque, Breaking Dawn Parte II é mais ou menos…decente. Mais ou menos decente para algo baseado em algo escrito por Stephenie Meyer, entenda-se. A escala que deve ser usada para avaliar tais filmes é ligeiramente diferente da convencional. A passo que filmes normais se julgam pela cinematografia, história, inovação e qualidade da representação, o nosso típico filme da Saga Crepúsculo deve ser avaliado de acordo com apenas dois critérios: o grau de sucesso com o qual os plot holes presentes nos livros foram tapados, e a quantidade de vezes que acontece algo que nos faz esquecer - ainda que por breves instantes - que Kristen Stewart interpreta a protagonista com a qual se pressupõe que devemos simpatizar, apesar do meu candeeiro de secretária ter mais expressividade do que ela tem como actriz.

Pensei longamente num comentário inspirado com o qual iniciar isto, mas suspeito que é preferível começar por constatar o óbvio: a sequência inicial é uma bosta. É óbvio que tentaram fazer qualquer coisa *artística*, e que tiraram imensa inspiração da capa do livro no que toca ao esquema de cores, mas ela é imensamente comprida, e passados dois minutos de paisagens e vermelho e branco e placentas a congelar, a única coisa que apetece fazer é gritar “Já sabemos que o inverno está a chegar, porra!”

Longos, longos minutos mais tarde, passámos para Bella, a quem ninguém avisou que vampiragem vem com visão zoom incluída. Ela começa a fixar-se em diferentes pontos do quarto (é de mim ou as lentes de contacto receberam um sério update?) até finalmente se deter na cara de Edward. Os seus olhos deslocam-se para baixo quase instantaneamente. Bom saber que a rapariga não perdeu noção de quais as suas prioridades são e de onde elas residem.

Edward está a estender-lhe a mão, o que a incentiva a examinar a sua própria e a exibir o seu cachucho de aliança no processo. Uh, produção? Podem parar de mostrar a coisa? Ela não vai nunca deixar de ser um atentado à vista, por muito que a esfreguem nas nossas ventas.

Os dois acariciam os ombros um do outro. Bella começa a snortar-lhe a mão. Parece que a chachada do “You are like a drug to me” é contagiosa. Medo. (E o Edward precisa de ir fazer as sobrancelhas.) Mas ela entusiasma-se, e abraça-o com demasiada força. Edward faz uma cara tipo “Guhhhh!”. Uma vez que ler outras pessoas não é o forte da rapariga, esta continua a agarrar-se a ele como uma lapa excessivamente amorosa e a esmagar-lhe a espinha no processo. Finalmente, ele lá consegue dizer que ei, agora ela é mais forte do que ele, portanto calminha, plz? Bella faz uma expressão que, se estreitarmos os olhos e fizermos o pino, pode ser lida como atrevida. Depois ela dá-lhe um…empurrão? Chapadão? Apalpão? Ela diz que o ama imediatamente de seguida, por isso deduzo que seja a última.

Os dois começam a comer-se, até que de repente lhe dá um vaipe e ela se recorda de que Renesmee existe. Mamã do Ano Bella Swan não é. Mas esta fica excitada e pede para a ver, o que é inacreditável. Podia ter jurado que a Kirsten era incapaz de se mostrar excitada, mesmo que pelo mais breve dos instantes. Edward recusa, porque primeiro é preciso saciar-lhe a sede de vampira bebé. Apropriadamente, ela começa a sentir a garganta a arder e faz sons ofegantes. Nada disso estava a acontecer enquanto ela e o Ed se comiam e snifavam, mas pronto.

Edward leva-a a fazer um test-drive que tem várias similaridades com uma tripe de ácidos e culmina numa tentativa de matar a mamã do Bambi. Outra vez, sim. E desta vez a mamã está a ser barulhenta. É suposto veados serem barulhentos? Porque tenho a certeza de que os veados no parque florestal da minha ilha eram mais silenciosos do que isto, e o bicho continua a fazer “werp, werp” mesmo após sairmos da vamp!vision. Bella rosna. Omg, Kirsten Stewart a rosnar! É quase tão hilariante como Kirsten Stewart a gritar, como poderão verificar mais para a frente. Mas já lá vamos.

Enquanto ela se prepara para tirar um bocado daquilo e horrorizar a porrada de miúdas de catorze anos que se estavam a rir à porta do cinema quando ia a entrar, a câmara passa para esta montanha altíssima, na qual está pendurado um alpinista. O olfacto super-mega-hiper-desenvolvido da gaja detecta a presença dele. Esta desata a correr, dá uma de Samara pela montanha acima e detém-se poucos metros abaixo do pobre coitado. Edward tenta acalmá-la e recordá-la de que humanos são entidades preciosas. Porque como todos sabemos, Bella Swan é um perfeito exemplo de alguém que considera que uma existência humana é válida e digna e importante. Bella murmura que tem de sair dali ASAP…e atira-se de um penhasco. Outra vez.

Meus deus. Isso que acabei de ver pode possivelmente-hipoteticamente-talvez ser…continuidade? O primeiro call-back subtil na história deste franchise? Aprende com as pessoas que produzem os teus filmes, Meyer! Elas são sábias. (Embora seja bastante evidente que andaram a fazer maratonas de The Ring. É pena que a qualidade do vídeo que me está a servir de guia seja horrorosa demais para fazer screencaps, ou poderia mostrar-vos o que quero dizer.)

Bella regressa e come um leão da montanha (?), salvando a mãe do Bambi no processo e assegurando a permanência da espécie na lista de animais em vias de extinção. Edward começa a falar sobre o quão espantosa ela é, não por ter salvado a mamã do Bambi, mas porque muito poucos dos vampiros adultos se seriam capazes de controlar assim na presença de sangue humano. Sim, Eddie, nós já sabemos que ela é uma Mary Sue, não há necessidade de estar a salientar o facto. Os dois decidem que já é tempo de regressar.

Assim que se aproximam da casa Cullen, Jacob sai dela, comenta que Bella parece muito normal - vamos concordar em discordar nesse ponto aí - e declara que é mais seguro para a bebé se ela o cheirar primeiro para ele poder ver como reage. Isto, para os distraídos, é das coisas mais estúpidas alguma vez enfiadas em filme. Juro. As pessoas não se calam sobre o facto de os vampiros brilharem, mas são este tipo de cenas que me tiram do sério. Porque para aqueles que não estiveram suficientemente familiarizados com o canon disto, lobos cheiram mal para vampiros, e vice-versa. Aquilo que atrai vampiros para humanos é o odor do seu sangue, e não, não me perguntem como isso funciona porque sei lá eu.

Agora expliquem-me: como é que o facto de Bella resistir ao chamamento do sangue do Jacob prova que é seguro ela aproximar-se de Renesmee? Ele é repelente para ela! Seria como, sei lá, chegares-te junto a uma pessoa e dizer-lhe “Olha lá, queres comer esta empada de cocó fora de prazo? Não? Oh bem. Então suponho que também não há hipótese de quereres comer este delicioso muffin de chocolate!”. É idiota, sem sentido, e não serve um objectivo que não estabelecer que yá, os lobos enjoam, e que Jacob inexplicavelmente se importa com o que acontece com Renesmee. O que poderia ter sido feito de imensas maneiras não totalmente inanas, mas pronto, avançando.

Jacob diz que Bella e Edward realmente ficam bem juntos, suponho que para dar a machadada final nos corações das jacobinas que escaparam à extinção em massa causada pela publicação do último livro. Ela é levada a ver Renesmee, que é engraçadinha até onde bebés vão, mas como não gosto das coisas e me sinto feliz por não me recordar de alguma vez ter sido uma, só considero digno de nota o facto de a Nikki Reed ter um excelente desempenho nesta cena. Ela representa Rosalie-obcecada- por-se-reproduzir bastante bem. Deviam dar à mulher mais coisas para fazer, em vez de ficar parada a ser bonita, como é o seu único papel durante o resto do filme.

Oh, e a pirralha tem um dom: mostrar os seus pensamentos-barra-memórias às outras pessoas por meio de contacto físico. O que ela exemplifica pousando a mão na bochecha de Bella e dando-lhe a ver a primeira recordação que tem dela. O que envolve vários flashes do interior de úteros e imagens estilizadas de zombie!Bella. Bella sorri, e Esme sorri, e Edward sorri, e serei mesmo a única pessoa que considera esta merda arrepiante como tudo? Novidades, seus projectos de Einstein! A miudinha recorda-se do seu nascimento. O que é perturbador e uma provável fonte de problemas psicológicos por si só, mas caso não estejam lembrados, esse nascimento envolveu Edward a fazer om nom nom placenta. Significando que ela vai precisar de um exército de psicólogos maior que o de Suri Cruise, se quiser ter alguma esperança de chegar à adolescência sem pegar de cabeça.

Bella está menos preocupada com a possibilidade da psique da sua filha estar arruinada do que com o modo como esta transmitiu pensamentos para começo de conversa. Erm, da mesma maneira que tens um marido que os lê? Francamente, isto não é um problema de astrofísica. Mas como esta gente adora constatar o que uma amiba seria capaz de deduzir numa fracção de segundo, Edward declara que Renesmee é dotada. Jacob aproveita para intervir e dizer que Bella já segurou no seu precioso por tempo demais. Edward manda-o sossegar a passarinha porque esta se está a sair lindamente. Agora, normalmente, eu não seria a favor de deixar crianças nas mãos de vampiros sedentos de sangue. Mas estando a escolha entre isso e, er, Jacob, para mais um Jacob que está de novo a fazer aquela cara de gente que não desejaria encontrar num beco escuro…tenho de dizer que estou com o Eddie nesta.

Bella, compreensivelmente - a sério, é chocante, mas os actos dela até agora não têm sido assim tão criadores de bombas lógicas como de costume - pergunta-lhe se está com hemorróidas. Rosalie começa com os sorrisinhos. Emmett declara que oh, isto vai ser booooommmmm! (Sei que nestes livros é suposto ver-se Alice-e-Jasper como OTP secundário, mas estes dois parecem estar muito mais em sintonia e divertir-se muito mais na companhia um do outro que qualquer casal, quer nos livros quer nos filmes.) Bella começa a ficar ameaçadora. Jacob, intimidado por esse raro rasgo de expressividade facial, dá um passo atrás e começa a tentar explicar-lhe que é uma coisa de lobos, e que não significa o que ela pensa que significa. Uh, huh. Diz o vigário que acaba de ser encontrado com os bolsos cheios de chupa-chupas.

Bella também não fica convencida. Num surto de inédita pro-actividade, ela agarra-o pelo cachaço, atira-o para a rua e desata aos berros com ele. Yep. Leram bem. Bella Swan desata aos berros com alguém e larga - literalmente - um dos homens da sua vida. Juro pelo doce menino Jesus e pelos unicórnios e as amêndoas que é como se estivesse a ver um diferente filme.

Enquanto a sua esposa faz uma cena - sinceramente, Kirsten, fazia-te bem deixar os cigarros. Sei que podem ter sido a tua única maneira de sobreviver como protagonista disto e manter intacta uma parcela de sanidade, mas eles foderam a tua voz e nem se incomodaram em usar lubrificante - Edward está no balcão, mijado a rir e a beber cada segundo da acção. Leah e Seth resolvem intervir antes que a recém-feita-badass Bella parta o seu alfa em bocadinhos do tamanho de tic tacs. Porque pedofilia e pederastia são santas para a tribo deles, e não, isto não tem uma carrada de implicações insalubres, não tem não senhor. É pedido a Edward que controle a sua gaja, porra. Edward está tipo “LOL, não!” e “Ela é espantosa, não é?”. Awwwww. Ele sente orgulho no facto de ela ser menos um papo-seco molhado do que era! Stefan Salvatore podia aprender meia dúzia de coisas com ele.

Jacob continua a tentar explicar. Como é habitual nestas situações, ele apenas se enterra mais. Tipo, um dos seus argumentos é que a Nessie o queria ali. (Digam-me de vossa justiça: isso não soa muito como “Mas senhor polícia, ela estava mesmo a pedi-las”?) Porém, capslock!Bella ainda é Bella Swan, apesar de estes acessos de raiva hilariantes estarem a contribuir para fazer dela uma personagem mais palatável, e o detalhe em que ela se fixa é que “TU DESTE À MINHA FILHA UMA ALCUNHA INSPIRADA NO MONSTRO DE LOCH NESS?!”.

Er. Tipo. Gaja. Tu viste a reacção do rapaz quando anunciaste a boca-cheia com que tencionavas baptizar a pitchena, não viste? Além disso, qualquer outra espécie de diminutivo dar-te-ia Renée ou Esme, e como uma é tua mãe e a outra vive na mesma casa que tu, ia ficar confuso. Claro, teríamos sempre Ren e Smee, mas entre esses e o que ficou, não vejo uma diferença tão astronómica. (Embora esteja a olhar para Smee e a não o achar tão mau assim. Até soa fofo, se usarmos pronúncia de Gollum para ler o S.) Ter a tua prole a receber alcunhas embaraçosas é o preço a pagar por tentar ser *original* no que toca a nomes. Portanto, cala o bico e engole.

Seth salta para cima de Bella. Esta atira-o contra uma árvore. Fogo, é como se ela tivesse estado a guardar todos os momentos de gets shit done para a sua vida pós-vampiração. Ele começa a ganir como, bem, como um canino espancado, o que a faz arrepender-se de imediato. Uhm. Nope, nope, nope, nope, nope, nope, nope. O danado acaba de te tentar arrancar a cabeça, Bella querida. Esta não é uma situação em que um pedido de desculpas se justifica, especialmente porque não estavas a fazer mais do que proteger a tua filha, o que deve ser a primeira iniciativa não inteiramente egoísta ou Edwardcêntrica que tomas desde que te mudaste para Forks. ESPECIALMENTE porque amassar o puto um bocadinho a faz mais predisposta a engolir as tangas de…

Sabem que mais? Eu não estou para me incomodar e sou nova demais para ter um AVC causado por ódio. Daqui em diante, Jacob passa a ser uma não-pessoa. A sua existência será ignorada doravante e até ao fim da recap, amén.

É noite. Os Cullen sans Bella, Renesmee e Edward regressam de onde puta que pariu estiveram. A primeira coisa que Alice faz mal entra em casa é desejar a Bella um feliz aniversário. Esta protesta que deixou de envelhecer há três dias, porque como todos sabemos, passar a barreira dos dezoito significa que somos horrivelmente velhas e indesejáveis e deveríamos começar a poupar para um ou dois facelifts. *escarra* * escarra* * escarra* *cospe*

Alice leva os pombinhos através do bosque, até à casa que a família construiu para eles. Porque não têm pachorra para os ouvir fazer sexo o tempo todo, o que julgo ser uma sensata decisão. Bella declara que a casa é maravilhosa. (Ainda nem viste o que há lá dentro, sua monga.) Edward faz-lhe uma visita guiada, começando pelo quarto de Smee (vamos apenas começar a chamar-lhe isso, porque não tenho pachorra para estar a teclar o nome de todas as vezes que é necessário). Que é branco. Assim como o casamento deles. E toda a gente nos livros excepto brasileiros, porque vampirismo é uma forma avançada de vitiligo, natch.

Há um armário gigante, também. E depois há o quarto. Que tem uma cama. Bella faz-se de inocente (quero acreditar que é isso o que ela está a fazer, porque caso contrário…gaja, quão burra és tu?!) e quer saber porque há ali uma cama se vampiros não dormem. Edward resolve mostrar-lhe. Contudo, estes filmes devem ser apropriados para as atrás mencionadas miúdas de catorze anos, razão pela qual a única coisa que nos é mostrada a nós é uma série de planos das fronhas ofegantes do par.

Pelo menos eles parecem estar a divertir-se. Isso é…bom, certo?

Pós-coito, os dois deitam-se e conversam. Bella pergunta-lhe como é que alguma vez irão parar de fornicar como coelhinhos duracell, não tendo eles necessidade de comer ou dormir ou qualquer tipo de responsabilidade. Como, sei lá, um bebé. Porra, Bella, não consegues ser uma personagem não moralmente repelente por mais do que três minutos de cada vez? NÃO É ASSIM TÃO DIFÍCIL, SABES?!

Edward confidencia que quando Rosalie e Emmett deram um nó, eles levaram uma década a parar. Wow. Isso é…algo. E reforça a minha ideia de que esses dois são o casal mais saudável que temos por estas bandas. Ainda que Emmett esteja a sorrir o tempo todo e isso seja algo arrepiante. Talvez ainda esteja a perder o hábito de compensar as trombas que a sua esposa costumava ter antes da cena do yay, bebé, bebé, bebé?

Por falar…bem, não tanto em arrepiante como em deprimente, o telefone toca nesse momento. E é Charlie. Que, é-nos dito, tem ligado duas vezes por dia para saber como a sua filha está. Como ao contrário do que é o caso nos livros, a Bella-versão-filme teve momentos pai e filha suficientes para fazer comprar que ela se importa pelo menos um bocadinho com o homem, a sua perturbação quando é afirmado que será preciso dizer-lhe que ela morreu parece quase real.

Jacob - okay, eu devia ter adiado o assunto do não-pessoa para depois desta cena, pois trata-se de uma em que é impossível cortá-lo - fica horrorizado ao descobrir que os Cullen terão de partir quando Charlie for informado do que se passou. Também eu, pá. Então gastaram um balúrdio numa cabana de conto de fadas e agora deixam tudo ao abandono? Porque raio fizeram uma burrice dessas, se a necessidade de debandar em breve não é propriamente uma novidade para quem quer que seja?

Oh, bem. Suponho que eles têm dinheiro de sobra para esbanjar em coisas assim.

Uma vez que Jakey não quer ser separado da sua *ESCARRO* querida, ele resolve pegar na mota e dirigir-se à casa Swan. Charlie está no quintal a rachar lenha. Sabem, há algo para ser dito acerca da tendência desta gente para se aproximarem do homem quando ele está a brandir armas ou objectos cortantes. Jakey consegue a custo cuspir que uh, ahem, ahum, Bellaestávivaerecomenda-se. Charlie fica imensamente satisfeito com essa notícia. Uma satisfação que rapidamente se converte em wtf quando o gajo começa a tirar a camisa à frente dele. (Não sei o porquê de tanta surpresa. Eu estava praticamente a contar os minutos até o trono nu do tipo ser exibido. Quer dizer, no ponto em que nos encontramos, já se trata quase de um quarto protagonista.) Depois ele começa a tirar os sapatos. E as calças. E eu quero gifs com a cara que Charlie faz em resposta, especialmente porque enquanto se despe, Jacob não pára de tagarelar, com uma expressão de total seriedade, que sabe que pode parecer muito estranho mas que coisas mais estranhas já aconteceram.

Contas feitas, julgo que o homem até fica aliviado quando o rapaz se transforma num lobo gigante.

Tendo isso tratado, Jacob regressa à casa Cullen para contar o que fez. Bella passa-se dos carretos, e com bom motivo: se Charlie sabe, ele corre perigo de acabar como lanche de Volturi. Edward está mais apreensivo com “a dor física pela qual irás fazer a Bella passar”. Fosgasse, Ed. Se tivesses dito “E consideraste a possibilidade de ela não resistir a fazer nom nom nom Charlie?”, a ideia transmitida seria a mesma e não terias soado tanto como um cu que julga que aquilo que Bella sente é a única variável de relevo nesta equação. Eu sei que a amas e que todo o franchise sofre de um problema de “O universo revolve em redor de Bella Swan!”, mas matar-te-ia teres um bocadinho de perspectiva?

Uma vez que a visita de Charlie é inevitável, Bella é treinada em Age Como Um Humano 101. Bem, boa sorte com isso. Ela nem sequer conseguia ser um ser humano credível quando era humana. As lições básicas incluem pestanejar pelo menos três vezes por minuto (oh, acredito que com isso ela não terá qualquer problema), mover-se devagar e não parecer tão rígid…hahahahahahahahahahaha ajudem-me, acho que estou a sufocar.

Escusado será dizer, as coisas correm bem com Charlie. No sentido em que Bella não o come. (Ugh, isso ia ser cinquenta tipos diferentes de estranho.) No sentido em que ele não sai de lá perturbado e de coração partido, correm um pouco menos. Porque Bella é evasiva sobre a sua condição, e tudo indica que transformar-se em vampiro a tornou capaz de não arrastar pessoas atrás apenas porque não tem os ovários necessários para passar sem elas. Charlie está todo “Certo, okay, se tu o dizes”, e ao contrário do que acontece no livro, ele não passa a impressão de que se está nas tintas. Em vez disso, fica-se com a ideia de que apenas está a ir com a corrente por estar desesperado para não ter a filha a desaparecer outra vez. E a cena wtf em que ele se senta a ver basebol com Emmett logo de seguida e quer lá saber de tudo o que acaba de descobrir é cortada na totalidade. OBRIGADA!

Mal ele se enfia no carro e parte, somos brindados com mais outra sessão de “Vamos todos discutir o quão espectacular a Bella é, porque não é como se tivéssemos outra função na história!” É chato e irritante, mas tão comum e previsível que neste ponto das coisas me afecta pouco. E Bella faz braço de ferro com Emmett e ganha, porque pela lógica deformada deste universo, novos vampiros são mais fortes que os velhotes. Mas ei, pelo menos ela diverte-se. E ela está a sorrir, (!!!) provando que a Kirsten até nem é feia quando larga a expressão emo. E depois ela vai enfiar-se no sol e…brilho? Erm. Brilho? Brilho, brilho, brilho, bisssh, bishhh, bishh? Não? Quer dizer, ela resplandece um pouco, mas não mais do que uma pessoa normal faria se exposta ao sol. Parece que finalmente se deram conta de que essas coisas são domínio de animes e clubes nocturnos. DÊEM-ME UM ALELUIA!

Bella conta-nos em voice over que agora sua vida é perfeita, tirando o pequeno detalhe de Smee ter o que aparenta ser progeria, e que por conseguinte não sabe quanto tempo terá com ela. Tão triste, snif, snif. As duas brincam na neve. Enquanto Smee anda a capturar flocos de neve, Bella fala com um vácuo insignificante sobre como espera descobrir respostas sobre a condição da filha no Brasil.

Se fosse ela, estaria mais preocupada com o facto de a pitchena estar a desafiar a gravidade. Porque posso comprar que vampiros sejam capazes de se lançar no ar, se têm força suficiente para balançar o facto de que os seus corpos feitos de mármore devem pesar imenso. Mas o que ela está a fazer não é saltar. Eu revi a cena, e ela não dá qualquer espécie de impulso, nem com os pés nem com os braços, antes de se lançar. Até o Super-Homem precisa de fazer isso, e voar é um dos poderes dele! Para não referir que a miúda ascende não como alguém que está a saltar para cima, mas como se estivesse a ser abduzida por um ovni. Estes filmes renderam milhões de milhões. Efeitos especiais minimamente decentes não é pedir demais, é?

Por desgraça, Irina está em cima de um penedo ali perto e vê Smee mandar as leis newtonianas às abébias. Ela foge, e Bella corre atrás dela, mas a mulher salta de um penhasco para dentro do mar antes de esta a poder alcançar. (Pena. O casaco que ela tinha vestido era giro.) Depois ela debanda para Volterra e avisa Aro de que os Cullen cometeram um crime.

Para aqueles que estiverem a ler isto sem qualquer ideia do que aconteceu nos filmes ou livros anteriores e não percebem que raça de crime foi cometido, não se preocupem. Carlisle e Edward infodumpam tudo já de seguida, para vossa satisfação e conveniência.

Na casa Cullen, Edward está a ensinar Smee a tocar piano quando Alice tem uma visão. Como Bella está como o resto de nós e não entende o que se passa, recebemos uma longa explicação intercalada com flashbacks sobre como crianças imortais (aka, crianças humanas transformadas em vampiros) são perigosas e proibidas e perigosas. Dentro do flashback, vemos os Volturi a executar a mãe de Irina e irmãs, que transformou este pirralho loiro. E, urm, Jane, querida? Isso de limitares-te a atirar o puto para dentro da fogueira…não vai funcionar, sabes? Porque canon diz que aquilo que faz com que vampiros ardam se DESMEMBRADOS e queimados é o veneno que os enche e que se liberta quando eles são, sabes, coiso. Desmembrados. (Novamente: não me perguntem como isso funciona.) Esse rapazinho não tem qualquer tipo de ferimento, ergo, não está a libertar veneno inflamável. Querendo dizer que eles devem ter cortado a parte em que este salta da fogueira com o cabelo a arder e lhe tenta arrancar o nariz à dentada.

(...sabem o quanto me perturba que eu saiba mais acerca do canon destes livros que as pessoas que fazem filmes baseados neles?)

Bella protesta que Smee não é nada como essas crianças. Em vez de agirem como pessoas minimamente inteligentes e pegarem num telefone para explicar a situação, ou de meterem Bella e Smee num avião para Itália e deixar os Volturi conferir pessoalmente que a miúda cresce, eles decidem que irão reunir testemunhas que os possam confrontar com a verdade quando estes vierem a Forks. Jasper e Alice ouvem isso e decidem que estão fora, muito obrigado. E é aqui que temos algo que o filme faz bem: em vez de pegarem no telefone e depois se sentarem nos rabos à espera de que as testemunhas comecem a chegar, o clã Cullen pega em si e vai à volta do mundo reuni-las.

(Vamos todos fingir que não sabemos que apenas o fizeram para poderem esticar isto até à marca da hora e meia.)

Os primeiros a ser visitados e convencidos são os Denali. De início eles reagem mal, mas Eddie e Bella acabam por convencê-los a deixar que Smee lhes toque e transmita as suas memórias, já que é assim que ela comunica. (Apenas porque nenhum de vocês inúteis se deu ao trabalho de lhe ensinar a falar, fogo. Para o piano tiveram tempo, não tiveram?) E isto nunca me ocorreu antes, mas o poder dessa miúda? É aterrador. Porque existe uma nada desprezível possibilidade de algures no futuro, Bella e Edward a deixarem sozinha para irem foder pelos cantos. (E admitam: vocês sabem que eles irão fazer algo do género.) Imaginem que ela explora a Internet sem supervisão. Imaginem que ela por acaso tropeça, sei lá, em The Human Centipede ou pior. Agora ponderem o facto de que lhe basta tocar numa pessoa para meter esse tipo de imagens na sua cabeça, e pensem que com o tipo de vida que ela irá viver, é provável que saia uma criança muito instável e traumatizada.

Ruminem essas coisas por um bocadinho. Eu espero.

Do Alasca, os Cullen viajam até ao Egipto, onde encontram Amon e Aang. Er. Amun e Benjamin. Aang. Olhem, o nome dele é Benjamin mas Aang é quem ele é, portanto, Aang. Aang decide que quer acompanhá-los, apesar de Amon, perdão, Amun, ser um rezinga e estar totalmente contra essa ideia. Uma vez lá, é declarado que ele consegue controlar os quatro elementos, para benefício daqueles a quem o seu truquezinho introdutório tiver levado a pensar que ele é apenas um waterbender. Bella, fiel a si própria, vê isso e reclama do facto de só ter ficado com super auto-controlo, pobre de mim.

*respira fundo* *explode* Olha lá, minha cabra desmamada: a maioria dos vampiros não ganha a ponta dum corno quando se transforma, por isso, sente-te grata pelo pouco que tens. Além disso, o poder do qual te estás a queixar já salvou a vida de duas pessoas, incluindo a do teu próprio pai, o que te poupa o embaraço de precisar de fingir que te sentes imensamente culpada por teres cedido ao chamamento da natureza. Porque não é como se não tivesses já deixado claro que estás pouco a lixar-te para gente que é “só” humana. Vai enforcar-te num poste, que ao menos ficas calada.

Pronto. Agora estou irritada. Não pensei que isso fosse acontecer, mas aí têm.

Outras pessoas começam a passar a palavra e a chegar, mas isso não significa que se desistiu de ir atrás de mais. Rosalie e Emmett vão buscar Garrett, que vou aqui e de imediato proclamar a melhor coisa do filme inteiro, e nada me irá fazer mudar de opinião. O que é engraçado, porque do Garrett do livro só tenho umas recordações vagas de ele se ter tornado vegetariano porque se apaixonou por Kate, a Denali que dá choques. O que fizeram aqui foi expandir a quase inexistente personalidade que o tipo tinha nos livros e torná-lo…bem. Vamos colocá-lo deste modo: ele é o único vampiro na história deste franchise que de facto parece, tipo, um vampiro. E age como um vampiro. (Eu gostaria de poder dizer isso também dos Volturi, mas vamos ser francos: eles são demasiado camp e católicos para contar.) No seu todo, ele parece ter sido transplantado para aqui de um filme de vampiros a sério. Oh, e ele tem piada. Vocês sabem de como eu gosto de personagens com piada. (E eu não acredito como posso ter perdido isto na primeira e segunda visualização e apenas chegado a sabê-lo porque o IMDB mo disse, mas...Lee Pace. Está explicado o porquê de ter imediatamente engraçado com o tipo. #lovespushingdaisieslikeajunkielovescrack)

Rosalie e Emmett deparam-se com o sujeito quando ele está a tentar comer um inglês. Sim, literalmente comer. Apercebi-me de que tenho tendência a abusar no que toca a usar a palavra como metáfora, pelo que, para fins de clarificação, estamos agora a falar do tipo de comer que envolve dentes e mastigação.

A coisa mais importante que devem decorar sobre o Garrett é esta: ele realmente, realmente não gosta dos ingleses. (Er. O Carlisle não é inglês? Só para confirmar.) E ele está disposto a ouvir o que eles têm para dizer, mas precisa de acabar de jantar primeiro. O que faz Emmett esboçar um sorrisinho. O que quase faz veias explodir na minha testa.

Toda a gente está de volta a Forks, e a casa Cullen encontra-se apinhada. O vácuo ao lado de Bella comenta que há uma data de olhinhos vermelhos na sala. (Olhos vermelhos = om nom nom humanos) Bella responde que as testemunhas prometeram não ir caçar na área. O vácuo afirma que elas ainda terão de caçar em algum lado. E tem razão. Na verdade, está coberto dela. Mas Bella e o resto da sua nova família estão-se nas tintas para isso, claro. *COSPE*

Carlisle e Esme trazem um tal de Alistair, que é anti-social. Uma boa característica para se ter, sendo ele inglês e estando a viver na mesma casa que Brit Killin’ Garrett. Provando-se a mais inteligente personagem que até agora apareceu - com a possível excepção de Charlie - ele vai de imediato enfiar-se no sótão e evitar toda a gente. Bella e Edward encolhem os ombros e retornam àquilo que estavam a fazer. Nomeadamente, testar os poderes dos recém-chegados. No processo, é descoberto que Bella foi duplamente abençoada. Quem não estava a prever este desenvolvimento que levante a mão e de seguida se esgane com ela, pois o património genético humano já contém treta suficiente sem que metam essa estirpe de burrice à mistura.

Kate, que é uma mulher sem meias medidas, decide electrocutar Bella para ver se ela é um escudo. Bella fica inexpressiva. Eu sei. Kristen Stewart a ser inexpressiva. Chocante. Garrett oferece-se para ser electrocutado também, porque…porque ele é desafinado dos pirolitos, provavelmente. A voltagem rende-o de joelhos e pelos vistos frita-lhe a mioleira, pois o que de seguida lhe sai da boca é “Tu és uma mulher espantosa!”. Er…okay? Cada um com os seus fetiches, suponho. Este é estranho, mas eu não julgo.

Entretanto, algures no mato, o vácuo pederasta anda a passear na companhia de uma data de putos. Vocês não sabem o que eu daria para não precisar de estar a teclar isto, mas aí têm. Acontece que a presença de mais vampiros na área tem activado o gene lobisomem dos índios Quileute e, OLHEM, É TWILIGHT, PORRA! Não me peçam para explicar como é que essas palavras fazem sentido na companhia umas das outras e na ordem em que se encontram. O que interessa é que mais vampiros equivale a mais lobisomens, e alguns dos novos lobos não parecem ter mais de dez anos. Portanto, MEDO!

Os lobitos detectam a presença de vampiros. Como estes estão vestidos com montanhas de cabedal preto, eles tiram a - neste universo muito lógica - conclusão de que se tratam de vampiros maus. Os dois - Stefan e Vladimir - saltam pelas árvores que nem macacos drogados, até pararem junto de Carlisle & Co. para anunciar que se querem juntar à festa. Não porque estão muito interessados na sobrevivência da família, ou algo igualmente lamechas. Eles apenas pretendem dar cabo dos Volturi, e colam-se ao nosso intrépido grupo apesar das garantias de Carlisle de que não, nope, ninguém ali quer guerrear. (Vocês vão rir quando vos contar a razão de detestarem os Volturi, a sério que vão.)

Anoitece. Eleazar (Carlisle-versão-Denali) expõe que nunca o notou antes (sabe deus como), mas os Volturi têm este esquema de arranjar desculpas para destruir clãs e coleccionar os vampiros com poderes que estes contêm. Aro teria dado um excelente treinador de Pokemons. Stefan e Vladimir aproveitam para puxar a brasa à sua sardinha e sugerir que ei, porque não destrui-los, destrui-los, destrui-los? Alguns dos presentes objectam que não vieram para lutar, que lhes foi dito em termos nada incertos que não seria necessário que lutassem e que estão fora, thxbye. E então Edward pega em si e faz um discurso inspirador, e subitamente, toda a gente está okay com arriscar a sua vida numa batalhe que têm poucas probabilidades de ganhar. Como Stefan e Vladimir comentam, ena, não foi preciso muito para os fazer mudar de opinião.

Passámos para os Volturi, para que a Bella-em-voice-over nos possa relembrar/informar de quais os poderes deles são, e do porquê de os devermos temer. Eles estão a perseguir este tipo asiático, e é-nos aqui revelado pela primeira vez qual a aparência do poder de Alec. E, uhm. A presença do tal Toshiro deve ser uma espécie de gag, porque, essas coisas estilo tentáculos de fumo? Seriam algo que eu estaria mais à espera de encontrar num porno japonês. E eles são pretos. Nada contra a cor, mas…poderíamos ter uma única coisa associada a esta gente que não seja claramente do mal e tão cliché que dói? Quer dizer, para um grupo que é suposto ser visto como a polícia do mundo vampiro, eles fazem um muito mau trabalho em disfarçar quais os seus verdadeiros objectivos são, não?

Então. Os tentáculos de fumo enfiam-se dentro da boca e outros orifícios de Toshiro - como eu disse: porno japonês - e este cai e contorce-se contra uma parede. Alec está todo “Yay, MOAR!”. Aro está todo “Calminha, tigre. Ai credo, olhó meu pulso partido!” Eles questionam Toshiro sobre Carlisle e as suas intenções de se juntar a Carlisle. Este jura que disse que testemunharia pelos Cullen, mas não estava a pretender fazê-lo de facto, não realmente. Aro toca-lhe, descobre que o homem lhe está a dar tanga e ordena que o desmembrem. E aguentem aí a debandada de hipopótamos, porque acho que me está aqui a falhar qualquer coisa.

Não sinto dificuldade em acreditar que os Volturi tenham descoberto que os Cullen andam a reunir testemunhas, até porque se as novidades chegaram à Amazónia, não é um esforço de imaginação tão grande assim que elas tenham chegado a Itália. E o filme faz outra coisa bem: ele é evasivo quanto ao tempo decorrido entre o dia em que Alice teve a sua visão e o dia da chegada dos Volturi a Forks. No livro, estávamos a falar em termos de um mês. O que é ridículo, a não ser que tenham viajado em triciclos. Aqui não sabemos quanto tempo se passa, e recebemos indicações do que eles andam a tramar enquanto não chegam. O que é tudo muito bom.

Mas eles continuam a mover-se demasiado devagar para o meu gosto. Estamos a falar de um clã que tem um histórico de fazer o que faz. No mínimo, deviam ter à mão um X número de testemunhas frequentes que possam chamar depressa de cada vez que surge uma situação destas, em vez de precisarem de fazer como os Cullen e irem à volta do mundo para as encontrar e arrastar consigo, o que lhes pouparia carradas de tempo e a necessidade de andarem a livrar-se das potenciais testemunhas de Carlisle. Eles podiam já estar em Forks! Era uma questão de pegar no telefone e ligar a meia dúzia dos seus lacaios rotativos. Quer dizer, a secretária deles precisa de servir para algo, certo?

Oh, esperem, esqueçam. Eles comeram-na. E telefones não existem neste universo.

Tendo então confirmado que os Volturi são o governo vampiro mais incompetente de todo o sempre, regressámos a Bella. Que está ocupada a praticar com o seu escudo anti-poderes-de-vampiro (Kate pondera usar Smee como *incentivo* para ela aprender mais rápido, o que me leva a crer que pode ter mais coisas em comum com o Garrett do que aparenta) e a ser - choque, impossível! - uma mãe não excessivamente horrorosa. Quer dizer, pelo menos ela está a passar tempo com a sua filha, que até agora tem sido mais ou menos o equivalente a um pedaço de mobília. (Um muito bizarro pedaço de mobília. Aqueles efeitos especiais que meteram em cima da actriz para a envelhecer...uck.) E quando demónios é que a pita aprendeu a falar? Foi-nos mostrado que ela aprendeu a falar? Porque a Bella não parece muito surpreendida por o estar a fazer - embora, garantidamente, seja difícil dizer com ela - mas não me recordo de lhe ter ouvido a voz até agora.

Smee pergunta se o ti Jasper e a ti Alice bazaram porque vão todos morrer. Pessoal, quando os vossos filhos começarem a colocar-vos questões desse género…ponderem rever a forma como os estão a educar, é tudo o que tenho a dizer. Bella responde que não, não, eles foram embora porque o enredo disse para irem, e que não irá permitir que magoem o seu precioso. Mas a cena perturba-a, ou pelo menos é isso o que penso ser a justificação para ela parecer ainda menos entusiasmada que o normal quando Edward lhe vem oferecer truca-truca.

Tal é a sua angústia que ela lê e relê a carta de “Mim ir embora, buhbye!” que Alice lhe deixou vezes e vezes sem conta. Por fim, a rapariga tem um raro clarão de lucidez e dá-se conta de que a carta foi rabiscada nas costas de uma página d'O Mercador de Veneza. Que é suposto ser a inspiração para Breaking Dawn, e eu certamente consigo sentir que o é. Em particular porque preferia arrancar uma libra de carne do coração a ser forçada a relê-lo. Bella corre até à estante, abre o volume e depara-se com a morada de um tipo chamado J. Jenks. Certa de que Alice tem de ter tido um plano, ela larga Smee em casa de Charlie e marca um encontro com o tipo.

(Nope, não sei como o Charlie consegue ignorar o facto de que a bebé que viu na sua última visita parece agora ter dez anos. A Sue deve andar a sugar-lhe a capacidade de observação pela vagina. É algo que tende acontecer muito por estas bandas.)

J. Jenks acaba por ser o fornecedor de documentos falsos dos Cullen. Ele entrega-lhe dois passaportes - um para Smee, outro para…vocês sabem. Bella convence-se de que isso significa que nem ela nem Edward irão sobreviver à batalha que ai vem, desata a empurrar maços de notas dentro de uma mochila e escreve uma carta comovente à filha que vai perder. Uh, quando é que a fedelha aprendeu a ler? E *vómito* para o facto de ela afirmar que Jacob irá tomar conta da miúda. Sim, aposto que irá. Ele será tão cuidadoso como qualquer outro proprietário de um pacote cria-a-tua-própria-noiva.

Alistar apanha Bella a fazer os preparativos e tira a única conclusão lógica: que estão fodidos, e que é preferível desandar enquanto ainda vai a tempo. Obrigada, Sra. Meyer, por nos dares pelo menos uma personagem que se pode dizer ter o juízo todo.

Último dia antes da batalha! Bella e Edward almoçam em casa de Charlie e oferecem-lhe uma viagem para cu de Judas, de modo a livrarem-se dele por todo o dia seguinte. Atencioso. O resto do grupo senta-se em redor de uma fogueira para conversar e a partilhar histórias de vida. Garrett declara que não há uma batalha em que não tenha estado, o que dá um pouco de perspectiva sobre o porquê de ele ter decidido ficar. Afinal é porque ele só quer mesmo prrada. E eu que até agora andava simplesmente a considerá-lo estúpido.

Stefan e Vladimir falam da queda do império romeno. Eles costumavam ser senhores de todos os vampiros, até terem decidido ficar quietos durante muito tempo e não notar que estavam a petrificar.

Erm.

Eu esperaria que algo como estarem a transformar-se na porra de uma rocha fosse a modos que fácil de constatar! E como no mundo é que eles conseguiram ficar quietos por tanto tempo assim? É que nem é como se a televisão já tivesse sido inventada na altura.

Seja como for. Eles petrificaram, e então vieram os Volturi e pegaram-lhes fogo ao castelo, o que os fez acordar. Agora, querem vingar-se deles por isso. E por lhes terem roubado o poder. E, uh…isso é das coisas mais estúpidas que já ouvi. Primeiro, porque se queimar os castelos deles os fez acordar, foi um favor que lhes fizeram. Porque se foi preciso fogo para despetrificarem, então sozinhos não se iam conseguir fazê-lo de certeza. Segundo, se eles andavam petrificados e a não fazer grande coisa com as suas terras, súbditos e poder, então não é como se os Volturi lhes tivessem tirado algo.

O que significa que esta história toda é cerca de 50% tão patética como o enredo principal.

Edward e Carlisle estão escondidos nas sombras, a falar. Edward diz sentir-se culpado por ter pedido aos seus amigos para morrer porque ele se apaixonou por uma humana. O que…Edward. Por favor, por tudo o quando é sagrado, espeta um alfinete na testa para ver se essa tua cabeça desincha. Os tipos vieram para testemunhar, algo que acarreta zero risco. Eles ficaram para lutar porque aquele teu discurso, entre floreados e nhénhénhés, tocou num ponto crucial: isto não é apenas sobre ti e Bella. Eventualmente, os Volturi irão tentar adquirir vários dos presentes ou amigos/companheiros/família dos mesmos. Eles não se podiam estar mais a cagar para o confronto até os teres lembrado da existência dessa hipótese.

(No entanto, aprecio que ele tenha agradecido a Carlisle pela vida extraordinária que este lhe deu. Já era tempo de o seu emo ser definitivamente expugnado e de créditos serem dados ao bom doutor.)

Dia da batalha, yay! Cullen e aliados alinham-se num dos extremos de um pasto coberto de neve. É muito tenso. Garrett murmura que os casacas vermelhas estão a chegar, os casacas vermelhas estão a chegar. Urm, cor errada, meu amigo. Excepto talvez se as coisas forem viradas ao contrário, porque parece-me que há vermelho por baixo. Mas isso faz-me pensar. Metade do lado dos Volturi é composto por testemunhas, certo? Nesse caso, porque têm eles mantos também? Sei que é um detalhe estranho no qual me fixar mas, honestamente, porquê? E como? Assaltaram um mosteiro no caminho para Forks? Aro andou a distribuí-los antes de saírem de Volterra por não querer ser visto na companhia de gente mal vestida? (Sabem…tendo em conta o modo como o Michael Sheen o caracteriza, essa última possibilidade é assustadoramente credível. Talvez seja por isso que o gajo está tão desesperado por adquirir a Alice. Qual capacidade de ver o futuro, qual quê. Ele quer é ter alguém que vá às compras com ele e lhe pinte as unhas.)

A música de fundo pesadona e faux-épica que até ali estava a tocar interrompe-se de forma abrupta quando os dois lados se vêem um ao outro. Carlisle declara que Smee não é uma criança imortal, e eles que olhem para as bochechas dela e vejam que estão coradas de sangue. Caius berra que é um artifício. Aro está interessado em recolher “todas as facetas da verdade”. Uma vez que a pitchena está pendurada no braço de Bella e que Bella é imune à sua leitura de pensamentos, Eddie é a segunda melhor opção da qual a extrair. Este afasta-se do seu grupo, tem a sua mente lida (vou reclamar disso mais tarde devido a uma certa implicação que a acção tem, fiquem desde já a saber) e faz uma careta. Aro faz cara de O e pede a Bella e Smee que se aproximem. Elas fazem-no, mas levam Jacob e Emmett consigo. Aro perde um momento a elogiar Bella, pois ser um vilão não o liberta das suas obrigações de personagem criada por Stephenie Meyer. Depois ele fixa-se em Smee e…uh…ele…

…oh deus.

Ele cacareja na direcção dela. E é precisamente tão WTF como soa, sim. Estamos a falar de níveis de constrangedor/ridículo/saído-do-nada/dafuq que quase batem *awkward voldemort hug*, e como qualquer pessoa que tenha presenciado esse horror será capaz de atestar, isso é dizer MUITO. Dude sounds like a fangirl.

Smee fica tipo Oo* por alguns instantes. Como qualquer pessoa normal ficaria. De seguida ela avança, diz “Olá, Aro!” e toca-lhe na bochecha. (Gaja, não faças isso, sabes lá onde essa porcaria esteve!) Pressinto que estes dois se dariam bem. Nenhum deles parece reconhecer o conceito de espaço pessoal, e tais. Embora, considerando que a relação toda de Bella e Edward até ao ponto em que se casam consistiu em toques de cara…isto seja como que um tudo ou nada perturbador.

Bella decide que o seu rebento já confraternizou o suficiente e puxa-a para trás. Aro decide que quer ter uma palavrinha com Irina, que admite o seu erro mas acaba decapitada na mesma. Temos outro fail no que toca a efeitos especiais: a cabeça dela faz “pop” quando é arrancada e sai mais ou menos como uma cabeça de Barbie. Está certo que não podiam tornar a cena demasiado gráfica porque há pré-adolescentes a ver, mas como está, isto é simplesmente…triste.

Tanya e Kate passam-se e tentam atacar, mas o resto do grupo segura-as. Jane atira um crucio na direcção de Edward, mas Bella bloqueia-o. Aro observa tudo isso, declara-o óptimo, e resolve que é a ocasião perfeita para efectuar um monólogo sobre como hey, nós humanos temos andado a tornar-nos BAMFs nos últimos anos e agora somos um perigo para a espécie deles. Significando que manter a existência do mundo vampiro secreta é mais vital do que nunca. Caius sorri como uma cabrinha…e Alice aparece.

Oh, e Jasper está com ela. Mas Jasper é praticamente inconsequente. Eles aproximam-se do grupo Volturi + Testemunhas Vestidas a Rigor e são prontamente detidos. Jasper leva um chapadão, porque ele tem o tipo de cara ao qual apetece fazer isso. Alice passa, anuncia que tem provas de que Smee não irá colocar em perigo o secretismo da comunidade vampira, e deixa que Aro lhe toque para conferir. Quando este acaba, ela arregala muito os olhos, declara que mesmo tendo visto ele não irá mudar de ideias, manda Bella livrar-se de Smee e Jacob - no qual a miúda está montada, e eu NUNCA irei não achar isto aterrador - e dá a puta de um pontapé na cabeça de Aro e atira-o metros para cima no ar. Yep. Isso acaba de acontecer.

Aro aterra de pé e manda-os apanhá-la. Carlisle intervém, os dois atiram-se para cima e encontram-se em pleno salto (levantem o braço se estavam como eu, e tinham “I Believe I Can Fly” a tocar na vossa cabeça enquanto assistiam esta parte) e depois eles aterram e Carlisle está sem cabeça. E vai tudo pelo cano abaixo. Ou, posto por outras palavras, eu recebo aquilo pelo qual estava a implorar desde que saiu a primeira parte. Porque, pessoal? Esta foi a primeira vez, desde que adquiri um pouco de perspectiva e sentido crítico - e saí da depressão em que estava metida na altura em que me apaixonei por estes livros - que senti, realmente senti, que este franchise me estava a dar uma razão para o irracional investimento que tenho nele. E não estou a afirmar isto apenas porque queria porrada e ela me foi dada.

Uma das minhas principais reclamações sobre Crepúsculo em geral e o final de Breaking Dawn em particular é que ninguém perde nada que importe. Toda a gente sobrevive e vive feliz para sempre, e isso seria excelente se estivéssemos a falar de um conto de fadas…ou de personagens que realmente merecem um final feliz. Tomo como exemplo o final de Harry Potter: muita gente reclama imenso do quão açucarado o epílogo é, mas ele nunca me incomodou. Porquê? Porque toda a gente esfolou o coiro para conseguir que ele fosse o que é. O mesmo se aplica a LoTR, se - e essa foi sempre a minha interpretação - considerarmos Samwise Gamgee o protagonista. O tipo casa com a rapariga dos seus sonhos e tem um rancho de filhos. Mas ele consegue isso depois de ter andado para dentro de Mordor e essencialmente arrastado Frodo até o caralho do vulcão. O seu final teria sido muito menos merecido se tivesse simplesmente subido para cima de uma águia e largado o anel lá dentro. Mais: se ASoIaF acabar com toda a gente aos abraços e a comer bolo, eu não irei dar um pio, e suspeito que não há necessidade de explicar porquê.

Portanto, está tudo bem para mim que personagens tenham o seu felizes para sempre. Mas se elas o querem, é bom que trabalhem para ele e sacrifiquem qualquer coisa para o conseguir. Agora digam-me. Que sacrifício é que Isabella Marie Swan fez, ou que iniciativas tomou ela, que me devam convencer de que ela merece aquilo que recebe no final de Breaking Dawn-o-livro? (E perder a sua humanidade não conta, visto que ela nunca gostou de ser humana para começar.) Vamos lá, vão pensando. Eu vou continuando enquanto vocês ruminam essa interessante questão.

Então Carlisle é decapitado. A batalha começa. Bella está no meio da confusão, a usar o seu escudo e a, para variar, não ser uma pamonha inútil. Jane tenta usar o seu taser mental em Jasper, mas ela protege-o…até Alec a derrubar e lhe quebrar a concentração. Jasper acaba decapitado, Alice dá um berro de ferir ouvidos, e Emmett…decapita Alec com o pé? (Eu não sei como isso funciona, também. Mas ei, pontos pela originalidade?) Jane faz qualquer coisa que pode ou não ser uma expressão dorida. Alice atira-se ao ar e liberta-se dos seus captores. Porque ela não fez isso antes - ou como o fez para começo de conversa - é um mistério, mas como estas pessoas estão a ter a oportunidade de ser épicas por aquilo que deduzo ser a primeira vez nas suas vidas, não irei protestar demasiado.

Jane usa o seu taser num dos lobos, que gane e se deita de costas. Porque não podes ser considerada completamente má e desprovida de alma até ao momento em que torturas um cachorro. Um lobo esbranquiçado solta um uivo e…espera, aquilo é a Leah? Querendo dizer que o bicho que acaba de morrer é o Seth? E depois Aang entra em Avatar State e abre o chão, e esse mesmo lobo que pode talvez ser a Leah - puta que pariu para estes efeitos especiais de má qualidade, nem dá para identificar quem é quem devidamente - salva Esme de cair para dentro da racha no gelo que o poder dele cria, mas cai ele próprio e é frito pela lava.



LAVA?!
...
...
estesfilhosdaputasciencefailfailfailnãotãopertodasuperfícieputaquepariuestagente



Okay.

Edward também quase cai, mas dá uma de vampiro voador e salta para cima do tipo que o atirou, no processo arrancando-lhe a cabeça como se estoura uma rolha de garrafa de champanhe. A sério, o som é parecido e tudo. Entretanto, Alice está numa cruzada pela vingança. Bella bloqueia o poder de Jane, e a mulher começa a derrubar vampiro após vampiro no caminho para ela. Jane vê isso, faz uma careta e larga a correr. Facto interessante: quando questionada sobre a ausência quase total de personagens femininas fortes nos seus livros, a Sra. Meyer deu a Jane como exemplo de uma. Tsk.

Alice não se fica por aí. Ela salta para a frente de Jane - não, não perguntem, eu não quero saber - e agarra-a pela garganta. De seguida, arrasta-a até à frente de Sam-em-forma-de-lobo e…(chompcabeçanom)...okay. Não se metam com esta gaja quando ela está de mau humor, vão por mim.

Kate e Garrett dão conta de Caius, com quem acabam de maneira…criativa. Stefan e Vladimir atiram-se para cima de Marcus, que se limita a ficar parado e a sussurrar “Finalmente!” enquanto é desfeito. Porque ele perdeu a esposa, que era a irmã de Aro mas que este matou e culpou outro clã e olhem, é uma história muito complicada e vastamente mais interessante que a totalidade destes cinco filmes, mas que nunca foi mencionada em nenhum deles. Portanto, esta cena também não devia estar aqui. Aro decide finalmente mexer-se, ataca Bella…e esta e Edward dão-lhe uma tareia de todos os tamanhos, e Edward atira Bella contra a cabeça dele, e dá-lhe um pontapé que lhe arranca a dita enquanto Bella está quase sentada em cima dela e a tentar desatarraxá-la, e finalmente conseguem acabar com ele e deitá-lo para o lume, e...

…e tudo não passou de uma visão.

Não há suficiente capslock no mundo para descrever como eu me sinto em relação a isto. Porque, o que referi acima acerca de Bella nunca fazer a ponta dum corno ou sacrificar seja o que for para se poder dizer que merece a felicidade que recebe? Esta batalha remediou tudo isso. Ela deu cabo de Aro a meias com Edward. Ela teve um papel em ajudar a sua melhor amiga a vingar a morte do marido. Ela vai ter de contar à sua futura madrasta que ambos os seus filhos morreram porque a quiseram ajudar. Ela vai ter de lidar com o colapso da sua nova família agora que a sua figura de proa está ausente, e com o caos no mundo dos vampiros agora que os seus governantes foram eliminados. Há todo um mundo de possibilidades para desenvolvimento de carácter e situações que poderiam dar razoáveis potenciais sequelas, como a Summit andou a ameaçar que faria.

Mas é tudo uma visão. E o verdadeiro final é o final do livro. Que, para resumir isto de forma extremamente resumidinha, porque sabe Cthulhu que não tenho paciência para rever a coisa ao pormenor, regressámos ao antes-da-batalha-que-nunca-foi, excepto no futuro que Alice viu. Aro fica meio abalado com toda essa coisa. Suficientemente abalado para Alice lhe mostrar as tais provas que arranjou, que consistem neste tipo chamado Nahuel. Que também é um produto de whohoo interspecies e faz um trabalho razoável em mostrar que não é indiscreto ou homicida ou um perigo para o secretismo do mundo vampiro. Aro, que ainda deve ter a visão da sua cabeça a arder bem presente nos seus pensamentos, murmura que uhuh, okay. Caius está tipo "MAS NÓS VIEMOS PARA LUTAR EU QUERO PANCADA!" (ÁMEN, mano!), e Aro fica tipo "STFU CAIUS NINGUÉM QUER SABER DO QUE CARALHO TU PENSAS!", e Marcus está tipo "Meh". Caius ainda faz uma tentativa de usar os lobos como prova de que os Cullen são criminosos, e Aro está todo "PORRA JÁ TE CALAVAS SE QUERES TER A CABEÇA RACHADA EM DUAS NÃO NOS ENVOLVAS!", mas nada sai daí e eles ficam sem justificação para causar a destruição que querem. E viram-se e dão de frosques.

E eu tenho mesmo de perguntar: e o Charlie?

Vamos voltar atrás um bocadinho: os Volturi têm regras sobre contar o segredo a humanos, e Charlie pode nunca ter ouvido a palavra V, mas sabe sobre os lobisomens e sabe que a filha anda muito estranha desde que supostamente adoeceu, e sabe que tem uma neta muito desenvolvida para a idade. E Aro sabe que Charlie sabe tudo isso, pois ele leu a mente de Edward. Se é de uma desculpa para arrasar com essa gente toda que precisam, porque não essa? E na verdade, nem é necessário esticar a corda tanto assim. Os Quileute. Ignorando mesmo o facto de que 50% deles é um lobo, isso deixa-nos com um grande número de humanos que estão dentro do segredo. Sue, Billy, Emily...só para referir aqueles que recebem nomes. Claro que esse é um assunto um tudo ou nada pantanoso, mas esta gente não está a tentar fazer justiça, e como razão para apontar o dedo e dizer "Eles devem morrer", serve perfeitamente. Até porque para os Cullen se trata da segunda infracção no espaço de um ano.

...e é neste momento que me apercebo de que estou a tentar aplicar lógica terrestre a Crepúsculo, de todas as coisas, e decido que é preferível avançar e embrulhar isto.

Tendo os Volturi partido, todos festejam. Ou todos excepto Stefan e Vladimir, que queriam ver porrada quase tanto como eu e estão meio desapontados com a coisa toda, e as irmãs Denali, porque Irina ainda foi decapitada. Despedidas são feitas, Edward admite que aprova pedofilia, Jacob pergunta-lhe se isso significa que ele lhe pode passar a chamar pai - graças a deus a resposta é "Nope!" - e Alice tem uma visão de Jake e Smee - novamente graças a deus, a versão adulta dela - a ser românticos e a olhar para um pôr-do-sol. Ou nascer do sol, sendo o nome desta coisa Breaking Dawn, e tudo o mais. (Esta foi a cena que, durante a minha primeira visualização, me arrancou do estado catatónico para o qual a revelação de que se tratava de uma visão me atirou. Pena não ter tido uma câmara comigo, para vos poder deixar observar a cara que fiz.) Encerrámos a procissão de horrores com Bella e Edward a enrolar-se no seu prado favorito (eles têm um prado favorito!) e Bella a baixar o seu escudo mental para que ele lhe possa ler os pensamentos pela primeira vez desde sempre. Excelente. Agora existe a possibilidade - ainda que remota - de ele entender a pessoa chata e choramingona que ela é, e a largar como uma batata quente o mais cedo possível.

Mas não assim tão cedo. Até porque ele parece estar prestes a conseguir algum, quando subitamente, nos aparece pela frente a última frase do livro com "forever" em destaque. Vómito. Vómito. Vómito. Mas bem, suponho que para a audiência que isto tem, essa parte pode ter sido brilhante e inteligente e romântica, em vez de melosa como um caralho acabado de ser usado. Quanto a mim, dêem-me um momento para esvaziar o balde e tentar fazer um apanhado global mais ou menos discreto de tudo o que disse acima.

Breaking Dawn Parte II é, apesar das suas falhas, que são legião, um melhor filme que a sua primeira parte. Entre outras coisas, não precisei de colocar a velocidade do vídeo em +0,5 para conseguir suportar e processar metade dele quando fui a escrever isto. A primeira parte tinha um GRAVE problema de pacing. Esta tem apenas um grave problema de pacing. Também não somos torturados com as vozes dos lobos GCI - aqui, apenas nos forçam a olhar para eles. O que também é doloroso, mas não o suficiente para causar espasmos. E há muito Michael Sheen - Aro é o vilão mais idiota de todo o sempre, mas por alguma razão, não consigo evitar sorrir quando ele aparece. Penso que pode ter algo a ver com o facto de se poder ver que por detrás de cada gesto e coisa que lhe sai da boca, Sheen está a pensar "Ora bem, deixa-me ver como é que torno este tipo AINDA mais gay...". Depois há aquele riso. Deus, aquele riso.

E por muito que o final me tenha deixado fula por não ter sido real, a revelação final é mais ou menos tolerável se pensarmos nela em termos do director a mostrar o dedo médio aos fãs e a ir "ESTÃO A VER O QUE CONSEGUIMOS FAZER COM ISTO QUANDO NÃO É A STEPHENIE AO VOLANTE? Mas hahahahaha, trolololol, nós ainda queremos o vosso dinheiro, portanto tomem lá o vosso balde de canas-de-açúcar.". E eu respeito que tenham tido os tomates para fazer isso, embora preferisse mil vezes que os tivessem aumentado um pouco e ou feito daquilo o final definitivo - A sério! Nós já temos o livro! Nós sobrevivemos! - ou escalado as coisas e morto toda a gente. Prometo que se tivessem feito Jacob Black morrer de maneira horrível e atirado com a Bella de nariz para dentro da lava, não teria dado um pio ao descobrir que se tratava de um fake-out. (Bem, teria reclamado um pouco, mas não tanto. Especialmente porque se tornaria imediatamente óbvio que não era real.)

Não vou tocar nos inúmeros problemas que este filme tem que lhe pertencem a ele e não são transplantados do livro em que se baseia. (Honestamente, qual foi a cena com a Renesmee? Ela parecia ESTRANHA metade do tempo.) Os efeitos especiais são a merdanheira do costume. A qualidade da representação...eeeeeeeeessshhh. Mas salvam-se os cenários, que são bonitinhos excepto no caso da floresta GCI. Se há algo que estes filmes têm que se recomenda, é os cenários. E embora este aqui peque por não ter cesarianas feitas a dente ou Bella-versão-zombie, ou montagens pré-sexo, há suficiente WTF a acontecer nele para que se justifique que não-fãs retirem disto pelo menos algum divertimento. Fãs normais irão, suspeito, gostar dele de qualquer das maneiras. Porque, bem, isto é Twilight. E suspeito que dizer isso é dizer o suficiente.

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Re: Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

Mensagem por Special K em Sab Nov 24, 2012 1:32 am

Omg, eu tive coragem de ler a primeira décima da tua crítica e só tenho isto a dizer: avé!

*palmas, palmas, palmas, palmas*

Ah, e acho que ainda deixaste muito por criticar, seriously, as 300 linhas que esta crítica tem não bastam.

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Re: Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

Mensagem por Fox* em Dom Nov 25, 2012 12:14 pm

Moggo, nunca li "Twilight" mas vi a 1ª parte de "Amanhecer" e só me conseguia rir com esta tua crítica da 2ª. Achei ainda mais divertido porque sempre disseste que leste os livros mas (como também já li a crítica à 1ª parte no teu blog) tens um bom espírito crítico (não apenas "o filme é bom, stfu" como vejo por aí) quanto aos filmes em si.
Só tenho pena que a luta entre eles tenha sido "mentira"/visão do futuro! Também gostava de os ver a superar tudo pelo que, tecnicamente, passaram (ou não)!
Tens de postar mais para estes lados :D

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Re: Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

Mensagem por Moggo em Dom Nov 25, 2012 1:17 pm

K, gosto que tenhas gostado. (Posso nesse caso assumir que não gostas lá muito de Twilight? xD) E tens razão, provavelmente não disse aqui tudo o que poderia ter dito, mas fiz uma crítica idêntica para a primeira parte quando ela saiu, e não queria estar a repetir-me. Até porque muitos dos defeitos deste são idênticos àqueles que apontei na primeira parte.

Fox! (Não sei o que o teu nick tem que me faz querer enfiar-lhe um ponto de exclamação atrás.) Yep. Eu li os livros. Eu já fui uma twihard honesta e obcecada. Actualmente, vejo Twilight um pouco como um amigo de longa data com quem - por alguma razão inexplicável - ainda me dou e que ainda aprecio, apesar de ele passar a vida a não me devolver coisas emprestadas, roubar comida do meu frigorífico e dizer mal de mim pelas costas. Não sei se o facto de que tenho algum afecto pela saga consegue transparecer no meio desse rant, mas detestaria passar a impressão de que odeio tudo isto. Porque são maus livros e maus filmes - isso é um facto - mas gosto deles na mesma. Todos temos direito aos nossos guilty pleasures.

(Eu preguei um berro dentro do cinema quando se descobre que a luta foi a fingir. Felizmente, eram todos holandeses e nenhum percebeu o que "CARALHO!" quer dizer.)

Postar mais disto...uhm. Eu já planeava fazê-lo há algum tempo, mas por outro lado, não quero fazer disto um mirror do meu blog. Portanto, podemos acordar que publicarei aqui quando tiver qualquer coisa que considere realmente *especial*? :lol:

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Re: Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

Mensagem por Fox* em Dom Nov 25, 2012 2:30 pm

Hahahah, podes por exclamações e interrogações à vontade (apesar de também não perceber porquê xD). E deu para perceber que gostaste dos livros e ainda gostas (o meu problema com eles não é o brilho dos vampiros, até gosto de inovações, é a imagem da Bella sempre "parada" - isto usando os filmes como ideia, mas acho que não mudou muito), portanto não vou julgar os teus pleasures! Muito... xD

Mas gostava de ter estado lá para ouvir o teu descontentamento com a falsa luta!

Oh, mas eu gosto das tuas 4500 linhas de escrita! Podias por mais aqui, críticas são bem vindas :), mesmo que de filmes como este!

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Re: Crítica: Breaking Dawn Parte II (+18)

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