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A Violinista - Amor, Solidão e Outros Sentimentos

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A Violinista - Amor, Solidão e Outros Sentimentos

Mensagem por Eli Green em Dom Nov 04, 2012 1:27 am

Olá minha gente, recordam-se de mim? :D Sou eu, a Eli, aquele de tipo de pessoa que surge uma vez em cada três séculos para comentar o que aqui se posta. Eu sei, sou uma vergonha... Pensava que ter cinco disciplinas no 12º ano dar-me-ia muito menos trabalho, no entanto, enganei-me redondamente, estou coberta de coisas em power point para fazer. Ao fim de melhorar a minha vida, meti-me no NaNoWriMo, pela primeira vez, e ando toda entusiasmada em escrever a minha história, de tal modo que, antes de dia dez chego, com certeza, às 50 mil palavras.
Este texto que aqui trago é o prólogo para a minha historinha. O título deveria ser apenas A Violinista, porque é este o nome do que ando a redigir, contudo, trata-se de algo encontrado no fundo do baú e que foi editado, corrigido e ainda não integrado na história, porque quero contar somente com aquilo que escrevi a partir da primeira meia noite de novembro.
O texto vê-se escrito consoante o novo A.O. e acho que este é o único aviso.
Se gostarem, ou não, deixem-me a vossa opinião, é sempre bom lê-las.

Love, Eli Green


*


Somente de noite é que ambos saíam de casa, sob a luz da lua e das estrelas e sob aquele luto negro diário que os abraçava e aconchegava com as suas nuvens e, por vezes, com lágrimas.
Ele caminhava com o tronco atirado para a frente, sempre em direção a um café. E ela…. Ah, ela! Ela caminhava por plantas rasteiras e flores que disparavam para o ar perfumes de causar inveja a qualquer um. Ele sentava-se e pedia o de sempre, ela ajoelhava-se em algum jardim e cheirava as flores, sem coragem de levar uma consigo. Ambos olhavam para a lua, ela entre as folhas das copas das árvores e ele, pelos vidros das janelas do café.
Sabendo ou não, estavam ligados um ao outro…
As nuvens passearam com o tempo, desapareceram e reapareceram, sem se queixarem do vento quente que as arrastava.
Ela olhou para o céu e sorriu para si mesma dizendo, com a sua voz calma e quase rouca: “Está tarde.” Levantou-se num gesto leve e, livre de si mesma, caminhou pelas encostas abaixo sem tirar os olhos dos seus caminhos. Enquanto passeava, deixava-se hipnotizar pelo mundo noturno que ninguém conhecia, pela simples cegueira. Elevando os seus olhos para longe da estrada, franziu a testa. No seu caminho, que tinha o hábito de ser desértico e silencioso, passos ecoavam, juntamente com um assobio agudo e melodioso. Ela parou de andar, levou as mãos ao peito e fechou-as em forma de concha. Os passos, por sua vez, eram cada vez mais audíveis e visíveis. Num gesto nervoso, ela baixou o seu olhar, deixando assim cair de todo a franja que antes estava presa por um gancho agora perdido.
Os passos cessaram, ela respirou fundo duas vezes e ergueu o semblante de um modo precipitado. Parecia alarmada, preocupa e, ao mesmo tempo, consumida por uma imagem que não conhecia.
A noite escondia-lhes o rosto, contudo, isso não impediu que ela lhe procurasse a face.
Um novo assobio soltou-se no ar, um novo som de passos ecoou no espaço e um sorriso triste nasceu no rosto da rapariga.
Ele passou-lhe ao lado, rasgando os lábios, com as mãos nos bolsos e o tronco atirado para a frente. Ela suspirou num silêncio que desconhecia, olhou para o lado, para não olhar para trás e voltou a inclinar a face em direção ao chão.
“Toma.”
Abriu os olhos e estremeceu por causa do susto.
“Para mim?” - perguntou, sem saber do que se tratava a oferta.
A vista tremia-lhe nervosa.
“Sim”, respondeu ele com um tom calmo.
Ela voltou-se na direção da voz. Olhou para a rosa que ele lhe oferecia e tomou-a nas suas mãos, caminhou em direção ao jovem e beijou-lhe a testa. Afastou-se, tomando o cuidado de não tirar os seus olhos dos do seu cavaleiro.
Um novo sorriso nasceu daquela noite, desta vez, dele.
“Obrigado.”
“Não tens de quê.”
Silêncio.
“Adeus” – a voz dele soou como um tiro perto do coração. Rápida, dolorosa e fatal.
Num desejo louco de pedir que ele ficasse, os seus lábios selaram-se, traindo-a como nunca antes tinham traído.
O assobio que antes era melodioso, tornou-se triste e indesejável, obrigando o vento a soprar mais forte para que aquele som não fosse tão audível.
Ela olhou para a rosa e apertou-a junto ao peito e, sem saber porquê e quando, deu por si, a correr e a chamar pelo rapaz que lhe tinha aparecido naquela noite.Ele voltou-se com uma estranheza, parou de caminhar, porém cambaleou para trás quando sentiu um peso sobre o seu tronco. As suas mãos moveram-se para agarrá-la e abraçaram-na num movimento inconsciente e quase que propositado. Os seus lábios tocaram-se com uma solidão tão grande que não se compreenderam, mas que, de certo ponto, desejaram ficar juntos.
Aquele beijo irradiou a noite e confundiu-se com o sol e, entrementes, nas suas mentes pouco sãs da realidade, uma caixa de música tocava baixinho e um céu azulado nascia. Os pássaros levantaram voo, as nuvens dissiparam numa rajada única de vento, as vozes dos homens voltaram ao seu lugar, o som da realidade despertou-lhes de modo tenebroso e árido.
Os seus olhares trocaram-se num só segundo, ela encostou a sua cabeça ao peito dele e deixou-se ficar em silêncio para que tudo se perdesse no som de máquinas selvagens, em pessoas sem maneiras, nos ruídos ensurdecedores, no fumo negro que lhes manchava o rosto, mas, sobretudo, para que nada se perdesse num mero olhar.
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Re: A Violinista - Amor, Solidão e Outros Sentimentos

Mensagem por IceQueen em Dom Nov 04, 2012 5:08 pm

Achei tão bonito, Eli, gostei bastante ^^ E também gostei muito da tua maneira de escrever. É cativante, e, apesar de a cena não se desenrolar demasiado depressa, tal como eu gosto, não se torna nada monótona ou enfadonha... :)
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Re: A Violinista - Amor, Solidão e Outros Sentimentos

Mensagem por Fox* em Qua Nov 07, 2012 4:34 pm

Olá Eli! É bom ver um texto novo por aqui!
Acho que é a primeira vez que leio e comento alguma coisa tua, portanto começo pela mensagem da praxe: tens uma escrita suave e leve, lê-se muito bem, fluída e sem erros o que torna a história ainda mais cativante.
Depois começaste com um romance. Admito que sou uma pessoa mais sangrenta, mas gostei do teu início calmo mas sem paragens desnecessárias. Conseguiste dar uma imagem muito bonita ao leitor sem o cansar com demasiados detalhes (eu ainda estou para descobrir como faço isso xD), e o romance entre estes dois desconhecidos (vou assumir que assim o são, se bem percebi) não foi forçado ou antinatural!
Um prólogo muito bonito :)

Boa sorte no teu NaNo!

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Re: A Violinista - Amor, Solidão e Outros Sentimentos

Mensagem por Eli Green em Dom Nov 11, 2012 11:42 pm

Queen.
Obrigada, linda.
Parece que todas as voltas que dei ao texto valeram a pena. xD

Fox, o romance também não é o que mais me atrai. Adoro policiais e mortes, isso sim dá-me vontade de ler e escrever. No entanto, armei-me em louca e meti-me nisto, quero ver o que é que sai daqui.
Btw, acho que leste o meu outro texto, o Sem Título(+18).
Obrigada por dares a tua opinião e por me desejares boa sorte.

Beijos, Eli
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Re: A Violinista - Amor, Solidão e Outros Sentimentos

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