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Quando a Guilhotina Não Basta

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Quando a Guilhotina Não Basta

Mensagem por hipoporpets em Sex Nov 02, 2012 11:15 pm

QUANDO A GUILHOTINA NÃO BASTA

Com a passagem para o século XXI, o estudo intelectual se defronta com novos desdobramentos modernos das famosas antigas linhas de longa duração (BRAUDEL, 1992). Abrem-se novas possibilidades, oriundas tanto de uma interpretação do real mais centrada na lógica dialética quanto ao pulular de novos fenômenos resultantes da atual hegemonia do meio técnico-científico-informacional (SANTOS, 1982). Com efeito, a presente dissertação pretende analisar um desses fenômenos, que diz respeito ao eventual, mas não raro, fracasso individual no processo de guilhotinar os malcheirosos blocos fecais. Tentaremos abarcar a dinâmica desse movimento, elucidando pontos centrais à problemática, bem como sugerindo novas vias de valorização a esse processo.

Apesar da importância do tema, não se encontra bibliografia significativa sobre ele. É possível localizar alguma produção acadêmica sobre “O temido efeito chubluft” (RÉIA, Nadia 2007). Contudo, tal trabalho certamente não dá conta da totalidade da questão, principalmente no que se refere ao dependurar dos asquerosos merdalhões.

A origem do problema remonta à transição do feudalismo ao capitalismo na Europa. Foge de nossa intenção tanger a polêmica sobre quando exatamente isso ocorreu. O que importa aqui é a mudança de mentalidade engendrada no período renascentista, com o resgate da lógica clássica e desenvolvimento da razão científica em detrimento da estagnação teocêntrica dominante até então. É aí que se constroem os primeiros lavatórios modernos, com o advento dos primeiros vasos sanitários e alguns de seus acessórios, tal como o bidet (o termo francês tem origem no latin, sendo bi referente às duas nádegas e det ao jato expelido quando da perfuração dos poços de petróleo da época).

Uma vez criado o locus, e somando-se a isso à fantástica expansão da civilização ocidental pelo globo (HUNTIGTON, 1996) têm-se efetivadas todas as condições para a reprodução do fenômeno de aguilhotinamento em escala global.

Sigamos, enfim, para a análise do fato em si e sua natureza. O que chamo aqui de aguilhotinamento nada mais é do que um neologismo para denominar um processo que atinge a todos, que extrapola qualquer luta de classes ou divisão social. Ele ocorre no momento exatamente em seqüencia ao ato biológico individual do defecar. Isto, pois a ideologia dominante no senso comum de que o bloco fecal produzido é uma unidade coesa e se emancipa completamente de seu criador cai por água a baixo quando deparada com a dialeticidade do real.

É fato indiscutível que a ação de “cortar o rabo do macaco” consiste no desprender de significativa massa merdal do ânus do indivíduo. No entanto, tal concepção simplista baseada na idéia do “novo empurrando o velho” ou da “marmota saindo de sua toca para nadar” prescinde do fato de que um bloco merdalhão desatar-se de seu dono não quer dizer que o conjunto fecal como um todo tenha sido libertado, podendo uma minoria residual ainda manter seu elo com a matriz e tornar-se pouca em tamanho, mas muita em transtorno.

Essa porção residual do fétido agrupamento bostal que se recusa a desprender-se do ânus encontra referências em apenas uma cultura conhecida por nossa historiografia. Há relatos sobre uma extinta aldeia banta na região do atual Senegal por parte de uma missão portuguesa enviada para desbravar os afluentes do rio Niger no século XVI. Segundo carta enviada ao regente português pelo traficante de escravos Francisco Félix de Souza, essa aldeia “... parece adorar e até phazer sacrifficios em nome do que denominam de “espíritto do vigésimo primeiro dedo”. Este dedo aparece transittoriamentte na vergonha traseira do pajé, que parece domar suas fezzes de forma a deixar parte dela ainda presa a seu corpo, formando uma espécie de “rabicó” e dançando frenetticamentte...”. (BARROS, Isadora 2002)

Apesar da evidente importância da questão ela parece ter sido ignorada pelo olhar das lentes da academia até este momento, ficando lacunas no que se refere à construção do conhecimento científico sobre o tema. Acreditamos, pois, que uma ressalva há de ser feita com relação à diferença entre o aguilhotinamento e a famigerada badalhoca. No limite, o aguilhotinamento é definido por uma porção fecal que, apesar de esforços por parte dos esfíncteres anais para romper o elo e libertar o bloco, permanece dependurada, formando o chamado “efeito do pêndulo” ou do “sino da igreja de trás”. Em suma o conjunto merdalhão permanece atado ao reto, apesar de esforços de seu dono para “cortar o charuto”. Esse fenômeno em muito se difere da afamada badalhoca, constituída por um ou mais merdo-flocos que se enroscam nas capilaridades anais e de lá não mais saem, passando a fazer parte do ecossistema retal (obviamente que sua vida útil é restringida ao próximo banho, quando o indivíduo é obrigado a realizar o procedimento de busca e desenroscar dos mesmos).

Enfim, o fenômeno de aguilhotinamento está presente no cotidiano de todos nós, em escala global e irrestrita. É necessária, pois, maior atenção da comunidade científica internacional e realização de estudos mais incisivos sobre o tema. Por exemplo, o desenvolvimento de alternativas eficazes, como o aprimoramento da já conhecida técnica do “chacoalhar anal”, na qual o indivíduo produtor do repulsivo almirante barroso efetua movimentos de rebolar para quebrar seu elo (por tal processo ser efetuado com o indesejado alpinista em suspensão, sua queda para fora da área de pouso é um risco que devemos buscar minimizar).

Dessa forma a urgente valorização dessa questão passa por uma análise minuciosa da questão, a fim de orientar a práxis sobre o intermitente, mas inexaurível, visitante barrão.

BIBLIOGRAFIA

BARROS, Isadora. A expeidição de francisco féliz de souza. Curitiba: Cuoco edições, 2002.

BRAUDEL, Fernand. História e ciências sociais: a longa duração. In: escritos sobre história. 2 ed. São Paulo: Perspectiva, 1992, PP. 41-78

HUNTIGTON, Samuel P. O choque de civilizações e a recomposição da ordem mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

RÉIA, Nadia. O temido efeito chubluft. In: Bobagenzinhas sobre nossos blocos. São Paulo: Cia Parcimônia, 2007.

SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982.
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