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Sonhos Proibidos

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Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Sex Out 26, 2012 8:36 pm

Olá, pessoas, a falta de tempo em cá vir aliou-se a um certo receio de publicar aqui algumas coisas minhas, mas finalmente resolvi arriscar.
Ora bem, começo por dizer que não sei bem como classificar esta minha história, daí tê-la inserido nesta categoria. Como disse na minha apresentação, os livros do fantástico influenciam-me, mas isso não quer dizer que escreva as típicas histórias do fantástico em que há os bons e os maus e batalhas entre os dois. Não, isso dos bons e dos maus não faz o meu género (de escrita). A verdade é que em todas as minhas histórias crio o meu próprio universo; é sempre um mundo novo com aspectos mágicos e com enredos que nada têm a ver com os típicos do fantástico, a não ser em algumas partes de aventura (peço desculpa a quem andava com algumas expectativas).
Eu ultimamente ando virada para romances. Mas isto não é só um romance. É tipo drama/romance, mas também tem alguma aventura e, como não podia deixar de ser, magia. E daí veio a minha dificuldade em classificá-lo.
Antes de postar o prólogo (que eu sinceramente nem sei se vou manter) e uma parte do primeiro capítulo, quero apenas dizer que os nomes das personagens e dos lugares foram criados por mim, e, se quiserem saber como se pronuncia algum deles, estejam à vontade  :D
Peço ainda que não divulguem ou usem o meu trabalho sem a minha autorização.
E agora vou-me calar, espero que gostem (se bem que, com o que vou publicar, não vai ser fácil decidir se gostam ou não xD)


Prólogo

Sentada no interior do coche, a chocalhar devido ao pavimento empedrado das ruas, olhava através do vidro para as paisagens que se desenhavam no exterior, à medida que prosseguíamos. Ao mesmo tempo, sentia o olhar da amável mulher, sentada à minha frente, ainda pousado em mim.
Fez-me várias perguntas, às quais respondi maioritariamente com um gesto de cabeça, sempre a olhar lá para fora. Não a encarei durante todo o caminho, e o culpado disto era o terrível medo que ainda sentia, agora aliado ao medo de não saber para onde estava a ir e o que me aconteceria depois.
Passámos por algumas ruas como a primeira – estreitas, com casas altas e mergulhadas em sombra, e por onde as pessoas, outrora a caminhar ou a viver a sua vida, paravam e ficavam em silêncio a olhar para o coche, a grande maioria a curvar-se numa vénia, fazendo-me especular sobre a importância da figura feminina que tinha à minha frente. O vestido e o penteado majestosos e a grande coroa dourada comprovavam que aquela não era uma mulher vulgar, mas esta deixava-me intrigada quanto às suas intenções, não conseguindo decidir se se tratava de uma soberana afável ou de uma deusa malévola à qual todos eram forçados a obedecer sem contestar.
Para além das perguntas, a mulher falava sobre aquela cidade que me era desconhecida, mais para quebrar o silêncio constrangedor que se instalara entre nós do que para qualquer outro motivo. Como nem os pensamentos na minha cabeça eram capazes de abafar a sua voz, ouvi tudo o que me disse, mas continuava a observar o que se desenrolava lá fora e nunca teci qualquer comentário. Falar era o que menos me apetecia fazer naquele momento. Embora me tentasse tranquilizar com as suas palavras, o medo persistia, impedindo-me de abrir a boca para lhe responder, ou mesmo de olhar para ela pelo canto do olho.
Porém, quando, finalmente, comecei a identificar um sítio diferente através do vidro, foi como se a súbita mudança de ambiente alterasse também o meu estado de espírito. O medo começou a vacilar ao dar de caras com um cenário tão idílico, trazendo o meu lado mais sonhador e feminino à tona. O lugar onde o coche acabara de entrar era um grande e verde jardim banhado pela luz solar, rodeado por um muro alto e repleto de arbustos e de canteiros de flores, dispostos estrategicamente para formarem padrões quando vistos de cima. No final do carreiro que os cavalos percorriam, encontrava-se um enorme e elegante palácio de cor clara. Não era um castelo como os demais, pesado, sombrio, com um aspecto desconfortável e com um fosso a toda a volta. Dotado de uma beleza peculiarmente encantadora, parecia um bom lugar para se viver, para além de se enquadrar na perfeição com o jardim em redor. Fez-me lembrar mais uma mansão romântica do que propriamente um castelo de príncipes e princesas, mas não deixava de se assemelhar a uma imagem de um livro de contos de fadas.
Estava a achar estranho o facto de saber todos aqueles conceitos, quando, na verdade, não me lembrava de mais nada. Aliás, tudo era estranho: conseguia andar, ler, saber o que era cada coisa quando olhava para elas; só não tinha memórias. Não sabia onde tinha estado antes de ter ido parar àquela cidade, não sabia se tinha família, não sabia onde vivia, não sabia sequer onde estava. As minhas memórias, se é que tivesse tido algumas, tinham desaparecido, e só me tinham restado as capacidades.
- Como te chamas? – perguntou-me a mulher de repente, tirando-me dos meus devaneios.
Pela primeira vez durante aquela viagem, perdi o controlo sobre os meus movimentos, o que me fez desviar o olhar do vidro e rodar a cabeça para a encarar. Fitava-me com expectativa, com os lábios vermelhos curvados num sorriso bondoso, um sorriso que disfarçava aquilo que realmente ia no seu pensamento e que ela deixava transparecer através dos seus olhos. Parecia que suplicavam pela minha confiança, que diziam que tudo iria correr bem e que não havia razão para ter medo. E, aí, o pouco medo que teimara em não me abandonar escondeu-se num recanto longínquo da minha mente e lá permaneceu por mais tempo que eu poderia imaginar.
- Saphinne – a resposta saiu-me da boca para fora no instante seguinte, sem eu sequer ter pensado nela.
Sabia o meu nome – se aquele fosse, realmente, o meu verdadeiro nome –, e nada mais. Como se tivesse renascido, acordado para uma nova vida e para a oportunidade de começar de novo. Súbita e surpreendentemente, dei por mim ansiosa por experienciá-la e por saber o que teria para me oferecer.


I
(parte 1)

Rivvy penteava-me o cabelo, incansável e suavemente, fazendo-me relaxar depois de um dia tão longo. Os dias de bailes eram sempre cansativos, mas não me lembrava de nenhum tão cansativo como aquele, talvez porque era o baile mais importante que se organizara no palácio desde que lá começara a viver. Nunca dera tanto valor a um banho demorado como naquele dia. Fora o único momento durante o qual pude descansar, onde sentira todo o cansaço a evaporar-se lentamente do meu corpo. Contudo, logo depois, voltara a ficar enérgica por causa da ansiedade com um novo baile. Vestira, entusiasmada, o vestido azul-petróleo – cor que escolhera devido ao contraste que fazia com o meu cabelo – que fora desenhado especialmente para mim, um vestido típico de princesa, formado por um corpete com uma fileira de brilhantes na vertical, mesmo no seu centro, e por uma saia que se abria cada vez mais desde a cintura até aos pés. Finalmente, calçara os sapatos de salto mais confortáveis que tinha, antes de me sentar à frente do espelho para que Rivvy fizesse a sua magia. E, agora, tê-la ali a fazer os seus movimentos demorados com a escova no meu cabelo era o toque final perfeito nas minhas horinhas de descanso.
- Sempre adorei o teu cabelo – disse ela.
Sorri. Pude ver pelo espelho que Rivvy sorrira também, sempre sem parar de escovar os meus longos cabelos macios e avermelhados.
Eu e Rivvy éramos praticamente da mesma idade e conhecíamo-nos desde que eu fora viver para o palácio. Partilhávamos tudo, desde sempre. Não havia nenhuma razão para não nos tratarmos por tu quando estávamos as duas sozinhas. O facto de ela estar ali apenas para me servir de aia não constituía motivo para não o fazer. Para mim, Rivvy não era uma aia, uma pessoa aborrecida e sem opiniões próprias que faz tudo aquilo que lhe mandam, que tem sempre que fazer companhia à sua princesa, mesmo que não queira – e mesmo que a princesa não a queira ver nem pintada –; era algo mais. Muito mais. Era uma amiga, a única rapariga a quem podia chamar de amiga.
Não me importavam as hierarquias. Gostava de toda a gente do palácio e dava-me bem com todos. Nunca me importava de ajudar em alguma coisa, como organizar bailes. Não fazia parte das minhas tarefas, mas gostava daquele trabalho de equipa, daquele frenesim para deixar tudo perfeito e a tempo. Naquele dia, o trabalho tinha sido a dobrar, e, por isso, a satisfação de ter conseguido fazer todas as coisas previstas e de ter deixado tudo como se tinha imaginado era também duplicada.
Rivvy pediu-me para dar meia volta no banco. Já tinha apanhado todo o meu cabelo, à excepção de umas mechas mais curtas, numa trança atrás, adornada com pequenas florzinhas de várias cores. Contemplei o seu rosto de anjo por um segundo, até ela abrir a caixa dos chamados pozinhos mágicos. Eram pós brilhantes e de diferentes cores que se punham em várias zonas do rosto para embelezar uma mulher, especialmente nos dias de bailes. Fechei os olhos para que a minha amiga pudesse aplicar algum deles nas minhas pálpebras. Depois, ainda de olhos fechados, ouvi-a a abrir um pote cujo conteúdo era vermelho, brilhante e algo viscoso. Senti Rivvy passar delicadamente um pequeno pincel nos meus lábios com a mistura cor de sangue.
- Estás pronta – anunciou, passados apenas alguns segundos.
Rodei novamente no banco para me ver ao espelho. Tinha as pálpebras pintadas de um tom azul claro muito suave e os lábios humedecidos e com um leve brilho e cor.
- Está perfeito – confessei, virando-me de seguida para ela. – Agora é a tua vez!
- Não me parece – retorquiu. Típico: Rivvy parecia ter aversão àqueles produtos e a evidenciar a sua beleza.
- Também mereces, Rivvy – peguei na caixinha dos pós. – Também és uma rapariga. E pode ser que esta seja a noite em que te arranjamos um homem – pisquei-lhe o olho.
Rivvy riu-se. Ela nunca acreditava naquela possibilidade, mas eu não via porquê. Assim como também não percebia por que ninguém reparava nela. Rivvy era linda. Tinha a pele branca e perfeita, um cabelo loiro muito comprido, um corpo com as medidas certas e uns olhos azuis-acinzentados de cortar a respiração. E, quem a conhecia, sabia que a sua personalidade era igualmente maravilhosa. O seu grande defeito era ser demasiado tímida, principalmente com o sexo oposto. Tão tímida, que todos os dias se escondia nas suas roupas largas e amarrava o espantoso cabelo, coisas que não lhe favoreciam, fazendo-a parecer muito mais velha do que aquilo que era.
Depois de lhe pintar as pálpebras com uma fina camada de pozinhos cor-de-rosa – que, para além de condizer com o vestido de baile, era a cor que mais se adequava à sua maneira de ser –, arrumei a caixa, peguei-lhe nas mãos brancas e macias e falei como uma adolescente histérica.
- É hoje, Rivvy. É hoje que vamos encontrar o rapaz dos nossos sonhos!
Ela revirou os olhos, a rir-se.
- Não te esqueças de que já encontraste – recordou-me.
- Ele não me está destinado, por isso tenho que partir para outro – custou-me muito admiti-lo em voz alta, mas era verdade. Rapidamente, voltei a olhar Rivvy nos olhos e mudei o tom de voz. – Mas vai ser hoje! Olha para nós. Estamos o máximo!
- Sempre a mesma romântica e cheia de esperança, Saphinne – comentou Rivvy, com um sorriso.
Sorri-lhe de volta e acabei por me levantar, pronta para o baile e cheia de expectativas.
Apesar de estar em pulgas para o baile – como se nunca tivesse ido a um – e de ter falado como uma adolescente que só pensa em rapazes e em namoros, eu e Rivvy já não éramos propriamente adolescentes. Eu tinha dezoito anos, e Rivvy tinha quase vinte. Nunca tivéramos um namorado; aliás, nunca tínhamos sequer passado pela experiência do primeiro beijo, mas não nos ralávamos por ainda não o termos feito com a nossa idade. Em parte, a culpa era nossa. Ambas acreditávamos no verdadeiro amor, na existência de uma alma gémea para cada pessoa, com a qual ficaríamos e seríamos felizes até ao fim dos nossos dias. Mas tais crenças levaram-nos a ficar sempre à espera da nossa alma gémea, ao invés de a irmos procurar, de irmos atrás dela. E o facto de nunca termos ido à sua procura devia-se ao nosso receio. Nunca tínhamos saído do palácio sozinhas, nem mesmo nós duas juntas. Rivvy, porque era muito insegura. Eu, porque tinha medo de chegar a um lugar completamente novo e desconhecido e de desatar a chorar no meio da rua, perdida, tal como acontecera há oito anos atrás.
Por isso, uma das razões para adorar bailes era o facto de poder conhecer pessoas novas sem ter que abandonar o palácio e de poder conviver com aquelas que já conhecia. E, naquela noite, pessoas novas não iriam faltar. Era um baile importante, onde ia ser anunciado o casamento da minha irmã com o príncipe de Alador, o nosso reino vizinho, casamento este que teria como consequência a fusão dos dois reinos.
E que, lá no fundo, me deixava indignada.


Última edição por IceQueen em Qui Jul 04, 2013 2:40 pm, editado 3 vez(es)
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Sab Out 27, 2012 3:02 pm

Começaste bem, logo com o mistério desta personagem, que não sabe quem é ou o que faz! Gostei (achei super divertido porque escrevi algo desse género também :D)!
Seguidamente, gostei da amizade entre as duas personagens e da forma levemente infantil (não no mau sentido), levemente apaixonada como se portam uma com a outra! E achei engraçado o tratamento informal, que prova ainda mais a ligação que ambas partilham!
Hum, nunca saíram do palácio? Aí está algo a ponderar no próximo capítulo!
E fiquei curiosa... Será que o rapaz por quem está apaixonada vai casar com a sua irmã? Será?
Acho que fizeste uma boa entrada neste fórum. Tens uma escrita leve, sem erros e fácil de ler :)

PS: Não é uma crítica, mas uma sugestão: Como existem alguns textos com um nome parecido, "sem título", devias mudá-lo para conseguires que mais pessoas leiam! Não só para ser apelativo, mas também para não haver trocas ou confusões com as outras obras ;)

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Sab Out 27, 2012 5:27 pm

Oh, Fox, obrigada :D
Quanto à tua curiosidade, na próxima parte do capítulo já vais ficar esclarecida :P
O problema é que ainda não pensei num título; quer dizer, tenho um em mente, mas não sei se será o definitivo. Normalmente só penso no título quando a história já está terminada xP
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Seg Out 29, 2012 10:38 pm

I

(parte 2)

Ao chegarmos à porta principal do salão de baile, por onde apenas entravam membros de famílias reais, eu e Rivvy separámo-nos, não sem antes fazermos o nosso habitual ritual antes de cada baile – darmos as mãos e desejarmos boa sorte uma à outra. Assim que Rivvy desapareceu de vista, a porta abriu-se e eu entrei, enquanto anunciavam a minha chegada.
Como habitualmente, desci as escadas solenemente sem sequer olhar para o chão. Olhava antes para todo o lado, para o resultado da tarde de trabalho e para o máximo de rostos possíveis, a sorrir com confiança. Estava mais do que habituada a ter centenas de olhares postos em mim, e isso ensinara-me a encarar tudo com naturalidade e a ter muita confiança em mim mesma.
Ao fundo das escadas, entre algumas pessoas e a sorrir para mim mais do que qualquer outra, estava a minha mãe, sempre elegante com os seus complexos penteados, com a sua coroa de rainha e com os vestidos que mais davam nas vistas, não por serem ridículos, mas por serem maravilhosos, muito trabalhados e por aparentarem ser caros, mostrando a todos que tinha uma vida de luxo e de riqueza. Abriu os braços ao reparar que eu me dirigia a ela quando acabei de descer as escadas.
- Minha querida Saphinne… – disse ela, antes de me envolver num abraço maternal.
Embora fosse vista como uma rainha poderosa, a minha mãe raramente conseguia conter as emoções. No entanto, ninguém se ralava com isso. Éramos todos humanos, todos nós abraçávamos alguém em público, chorávamos em público, atirávamo-nos para o chão de tanto rir em público, e tudo isso acontecia, principalmente, em bailes reais. Por todo o mundo, mostrar as nossas emoções à frente de toda a gente já se tinha tornado numa coisa normal, e ninguém era considerado fraco ou outra coisa negativa qualquer por causa disso.
- A Rivvy fez um bom trabalho – elogiou a minha mãe assim que me largou e me contemplou uma vez mais.
- Como sempre – concordei, rodando a cabeça de seguida.
Vi Rivvy não muito longe de mim, entre algumas pessoas que desconhecia. Acenou-me de imediato, e eu levantei-lhe os polegares de ambas as mãos, a desejar-lhe ainda mais sorte na busca do rapaz ideal. Rivvy riu-se. Nunca levava aquilo a sério, mas tinha que o passar a fazer. Todos nós merecíamos amor, e Rivvy era espantosa demais para não o merecer.
A voz do criado ao lado da porta principal ecoou no salão, anunciando a chegada dos reis de Alador, juntamente com o seu filho, o príncipe Ventius, futuro marido da minha irmã. Virei logo a cabeça para as escadas, ansiosa para que Ven acabasse de as descer para me vir cumprimentar e falar comigo durante toda a noite. Porém, assim que o pensei, disse a mim mesma que não o devia ter pensado. Não podia continuar daquela maneira.
Assim que os três chegaram ao chão, caminharam em direcção a mim e à minha mãe. O rei e a rainha cumprimentaram-na, enquanto Ven me esboçou um grande sorriso e me deu um abraço apertado e caloroso que me fez levantar os pés do chão.
Adorava Ven. Conhecíamo-nos desde pequenos, desde o meu primeiro baile. E, desde essa altura, tornámo-nos quase inseparáveis. Ele era meigo, bom conselheiro e um óptimo ouvinte. Para além de que era também muito bem-parecido. Era uma espécie de Rivvy em versão masculina, o meu único amigo.
Mas havia mais.
Ven fazia-me sentir tão bem e adorava a sua companhia. Não me importava de passar dias inteiros com ele. Adorava os seus abraços nos nossos reencontros. Adorava falar com ele sobre tudo o que me ia na alma. Bem, quase tudo. Havia apenas uma pequena coisinha que ele não sabia sobre mim, e que Rivvy sabia.
Rivvy e Ven eram os meus únicos amigos no mundo, mas gostava deles de maneira diferente, e não por um deles ser rapaz e a outra ser rapariga. Sentia por Ven algo muito mais forte, e estranho ao mesmo tempo. Algo que nunca sentira por Rivvy. Uma atracção quase doentia. Queria estar perto dele a toda a hora, queria sempre que os seus abraços durassem mais tempo, queria que estivesse sempre na conversa comigo, queria sempre tocar-lhe e estar junto a ele. Gostaria de estar com ele para sempre. Muitas vezes, deitada na minha cama depois de acordar, dava por mim a imaginar dias perfeitos passados com Ven. Gostaria de olhar para ele todas as manhãs assim que acordasse, que tomássemos as refeições juntos, que passeássemos pela cidade de mão dada como os jovens casais do povo, que andássemos a cavalo, que viajássemos pelo mundo, que governássemos juntos como uma grande dupla, que eu me tornasse numa cantora famosa e que ele assistisse orgulhoso a todos os meus espectáculos, que terminássemos de forma escaldante todos os nossos dias.
Sim, Ven era o rapaz dos meus sonhos.
E sim, ele ia casar-se com a minha irmã.
Quando não estava com ele, ordenava a mim mesma para ser forte. Tinha que lhe conseguir resistir da próxima vez que o visse. Não podia estar com ele, ponto. Tinha que deixar de pensar tanto nele e de imaginar como seriam os nossos dias juntos. Por vezes, quando estava distraída com qualquer coisa, conseguia mesmo fazê-lo.
Porém, assim que o via e sabia que me cumprimentaria com os seus abraços, aqueles pensamentos desapareciam logo da minha cabeça.
Não era assim desde sempre. Começara há uns meses atrás, e intensificara-se quando eu soube do casamento. Nesse dia, ficara fechada no quarto com Rivvy, onde desabafei mais do que alguma vez na vida, dizendo que aquilo não era nada justo, que eu era muito melhor pessoa para Ven do que a minha irmã. Ficara tão irritada, e chegaram a vir-me lágrimas aos olhos, a mim, que era uma pessoa que não chorava com facilidade. E, aí, Rivvy disse-me que eu estava apaixonada.

PS: Acabei por dar um título, mas, como disse, não sei se será definitivo x)
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Qua Out 31, 2012 7:59 pm

Ah, bem me parecia que ela gostava de alguém que não poderia ter... Oh, essa é a pior das dores!
Mas gostei da forma apaixonada como ela o retratou! As ideias e fantasias futuras, as conversas e carinhos, os pensamentos sobre ele... É uma verdadeira adolescente apaixonada e isso torna tudo muito mais divertido!
Será que ela vai seguir em frente e ser capaz de amar mais alguém ou vai iniciar uma luta com a irmã?
Paixões são sempre fortes... :)!

PS: Mesmo não sendo definitivo, gostei do título!

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Sab Nov 03, 2012 8:53 pm

I
(parte 3)

- Senti tanto a tua falta – disse-me Ven, um segundo antes de me largar.
Dizia-mo sempre, e era óptimo ouvi-lo. Podia apostar que a minha irmã nunca ouviria aquela frase na vida, especialmente vinda de Ven. Ela não o merecia. Ven era demasiado bom para ela; não tinha nada a ver com os homens que ela acabava de conhecer e que, no minuto seguinte, levava para o quarto ou para um canto qualquer do palácio, para depois fingirem que nunca se tinham conhecido.
Depois de ter sido cumprimentada pelos pais de Ven, este pôs-se a meu lado e olhou em redor, contemplando a decoração. Ao longo de todo o salão, tinham sido postas finas cortinas cor-de-rosa, cada uma delas amarrada por uma coroa de flores. No tecto, estava um enorme lustre branco, cuja luz, apesar do seu tamanho e da quantidade de velas, não era muito intensa, e tal tinha sido feito de propósito. Tudo tinha sido pensado para que a luminosidade fosse suave, hipnotizante e intimista. A pista de dança estava coberta de folhas e pétalas de flores. Ao fundo, encostadas às janelas que se estendiam desde o tecto até ao chão, estavam pequenas mesas de vidro, todas elas com bolinhos e bebida, decoradas com velas e mais flores, em jarras compridas e esguias.
- Aposto que ajudaste a decorar outra vez – arriscou Ven.
- Já sabes que sim – disse eu.
- Ficou espantoso. Acho incrível que faças isso. E também que consigas conciliar tudo tão bem.
- Estás a falar de conciliar a decoração com os ensaios? Isso é canja – gabei-me, em tom de brincadeira.
- Estará assim tão bem ensaiado? – perguntou ele no mesmo tom.
- Ainda duvidas? – até já estava a sorrir.
- Claro que não – Ven deixara o tom de divertimento e falava com sinceridade. – Sabes que adoro ouvir-te. E que, como não podia deixar de ser, estou ansioso por te ouvir hoje.
- Sempre o meu fã número um – suspirei.
- Serei sempre – Ven falara em voz baixa e sedutora, sorrindo-me abertamente, o que só me deu vontade de pôr os braços à volta do seu pescoço e de o abraçar de novo.
- Vossa Majestade, Altezas Reais, senhoras e senhores – anunciou o criado ao lado da porta principal, abrindo-a –, a princesa Delbanie.
E, de repente, o salão ficou mudo e todos os olhares se fixaram na escadaria.
Delbanie começou a descê-las calmamente, sempre com o olhar fixo num ponto no horizonte e com o seu ar de altivez que a caracterizava tão bem. No entanto, os lábios pintados de vermelho vivo não conseguiram reprimir um sorriso e um ar de surpresa ao reparar na decoração do salão. O seu vestido branco até ao chão, sem alças e com um decote pronunciado, para evidenciar os seios volumosos, moldava-se ao seu corpo de sereia até à cintura, onde se abria em várias camadas de folhos. A transição entre o corpete e a saia estava marcada por uma faixa prateada muito fina e elegante, com pequenas flores. Um pozinho mágico prateado emoldurava-lhe os olhos azuis, e algumas mechas do seu cabelo castanho e perfeitamente encaracolado estavam apanhadas atrás. Na cabeça, estava a sua tiara prateada de princesa.
- A tua irmã é um espanto – comentou Ven. – É pena não ser assim no interior.
Na minha cabeça, concordei inteiramente com ele.
Tal como eu, Delbanie foi abraçada pela minha mãe quando acabou de descer as escadas, ainda com todos os olhares colados a ela. Depois, cumprimentou os reis de Alador e, de seguida, pôs-se diante de mim e de Ven. Claro que nenhum de nós estava à espera de um cumprimento simpático.
- Olá, Ventius – disse-lhe ela secamente, sem sequer se esforçar por esboçar o sorriso mais amarelo do mundo.
- Delbanie – respondeu ele no mesmo tom.
O olhar da minha irmã saltou logo para mim.
- Olá, Saphinne. Bom trabalho com a decoração – comentou, como se estivesse a falar com a criada que acabara de lhe limpar o quarto.
Logo a seguir, passou por mim e por Ven, sempre perseguida pelos olhares de todos os presentes. A minha mãe já estava à frente dela, a dirigir-se para a pista de dança que fazia lembrar um pequeno jardim no interior de uma sala.
- Devias ir – sussurrei para Ven.
Ven suspirou, sem qualquer paciência para dar início ao baile, coisa que teria que ser feita dançando pela primeira vez com a futura esposa.
- Deseja-me sorte – murmurou.
E lá seguiu atrás de Delbanie, apressando depois o passo para poder dar-lhe o braço e andar ao seu lado. Sabia que nenhum deles o queria, mas eram as regras. Nenhum deles tinha que – e não queria – ficar mal visto num baile tão importante, ainda para mais em sua honra. As aparências ainda contavam muito.
O que Ven não sabia era que, quando lhe disse para ir, não estava apenas a dizer-lhe para seguir as regras do baile e acompanhar a sua futura mulher à pista para iniciarem a primeira dança. Estava a expulsá-lo de vez da minha vida.
Ou, pelo menos, estava a tentar. Ven parecia nunca perceber as indirectas.
Nunca pensei ter a coragem de o dizer. Mas saíra-me numa altura tão propícia. Apesar disso, custara-me. E custara-me vê-lo a seguir a minha irmã a um passo mais rápido para lhe dar o braço. Senti-me mesmo como se o tivesse entregue a outra mulher. No fundo, sabia que era mesmo isto que tinha a fazer.
Pisquei os olhos várias vezes para conter as lágrimas. A minha mãe já estava no centro da pista com o futuro casal, e todos os convidados estavam dispostos em redor. Num palco baixo encostado à parede, numa das extremidades da pista de dança, a banda já estava pronta para começar. Quando a minha mãe começou a falar, soube que tive que me concentrar no que ia fazer a seguir. Comecei a dirigir-me para o palco, enquanto a sua voz ecoava no salão.
- Meus caros amigos – começou ela –, é uma honra recebê-los uma vez mais na minha casa, desta vez para anunciar um importante evento de Gryndisia. Um evento que, devo dizer, me enche de felicidade e de orgulho. Como já é sabido, já está mais do que na altura de a minha filha mais velha, a deslumbrante princesa Delbanie, ter o privilégio de se casar com um príncipe e de iniciar um reinado com a sabedoria que lhe foi ensinada. E, para isto, não há melhor candidato que o príncipe Ventius, que, para além de encantador, pertence a um reino que me é querido desde que me lembre.
As suas palavras foram como facadas. Continuou a falar, a repetir muitas vezes a palavra orgulho e a elogiar os membros de um casal que nem sequer se suportavam um ao outro e que estavam tudo menos felizes. Deixei de lhe prestar atenção; não queria ouvir mais nada. Pus-me no centro do palco, enquanto ocupava a mente com vozes a dizerem-me para me concentrar. Não podia pensar em Ven. Nem em Delbanie. Não naquele momento, ou estragaria tudo. Passar uma vergonha num palco não era algo que desejasse experimentar.
- Posto isto, vamos abrir o baile com a primeira dança do futuro casal real. Espero sinceramente que todos se divirtam. Boa noite a todos – desejou a minha mãe, abandonando a pista e deixando-a só para Delbanie e Ven.
Fechei os olhos quando ouvi as primeiras notas do violoncelo. A melhor forma de me concentrar verdadeiramente e não deitar tudo a perder seria se não olhasse para eles, a dançar lentamente e agarrados um ao outro ao som da balada. Logo depois, chegou a minha vez de brilhar. Libertei-me e senti-me voar, enquanto a minha voz de soprano enchia a sala.

Mais uma vez, obrigada pela opinião, Fox ^^
Eu sei que isto ainda está muito parado, mas os meus inícios de histórias são sempre assim... Ainda por cima fiz um primeiro capítulo tão grande, que é melhor não postar tudo de uma vez...não quero assustar ninguém com a quantidade de texto xD
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Sab Nov 03, 2012 11:33 pm

Então ela é cantora... Oh, isso é tão bonito! E conseguir abstrair-se dos problemas que tem através da música é fantástico!
Bem, que família tão unida! A irmã é, pelo que nos deste a ver, uma arrogante ingénua, o noivo, um apaixonado demasiado sério para conseguir fazer alguma coisa pelo seu destino, a mãe demasiado apaixonada pelas filhas para alterar alguma coisa ou ver os seus erros, e a irmã mais nova demasiado bom coração para lutar pelo que quer...
Pergunto-me qual deles vai ceder primeiro!
E não são os teus inícios que são parados, todos são! E acho que fizeste bem em separar o capítulo! Eu sou especialista em escrever demasiado e pode cansar os leitores! Assim é muito mais fácil de ler :D!

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Seg Nov 12, 2012 10:13 pm

:D
Aqui vai a próxima parte, penso que é um bocadinho maior do que as que tenho postado, mas esta tem mais diálogos e por isso deve ficar fácil de ler.
Deixo ainda uma musiquinha para acompanhar :p (e que eu acho que condiz bem com a primeira parte)



I
(parte 4)

Cantar num palco para várias pessoas era sempre uma sensação maravilhosa. Sentia-me sempre livre, como se fosse dona de um mundo só meu, como se voasse e fosse levada para um lugar novo. Todos adoravam ouvir-me, mas ninguém conseguia compreender o quão proveitoso era estar ali em cima a agradá-los. Parecia que, por uns minutos, conseguia fugir daquele lugar e esquecer tudo o que me atormentava.
As canções pareciam acabar sempre demasiado depressa. E, quando isso acontecia, eu era novamente atirada para a realidade. Mesmo com os olhos fechados, sabia que já estava de volta e que não me poderia transportar outra vez. Por isso, abria-os – não valia a pena adiar o inevitável –, para receber uma onda de aplausos. Naquela noite, não sabia se os aplausos eram dirigidos a mim ou ao novo casal real, mas não consegui deixar de sorrir. Como sempre, senti-me realizada. E, ao baixar um pouco o olhar, vi Delbanie e Ven já separados, o que foi mais um motivo para sorrir.
Não. Isto não podia continuar.
Os aplausos cessaram e deu-se início a uma nova canção, mais ritmada. Desta vez, não fechei os olhos. Deixei-os bem abertos enquanto cantava e me expressava, vendo vários pares a entrar na pista de dança, que rapidamente encheu. Vi-os dançar, alegres e livres. Vi Delbanie arranjar um novo par num piscar de olhos e a minha mãe a dançar alegremente com o rei de Alador. Vi Ven parado a olhar para mim com um sorriso estampado no rosto, tal como imaginara no nosso futuro. Até que foi abordado por uma rapariga aparentemente mais nova do que eu, e, juntos, partiram para uma dança.
Tinha sido a minha última actuação da noite. Apesar de não me importar absolutamente nada de passar toda a noite naquele palco a animar os presentes, a minha mãe quisera que eu aproveitasse o baile da melhor forma. Mal sabia ela que, para mim, a melhor forma de aproveitar um baile daqueles, em que o rapaz dos meus sonhos estava a ser prometido à minha irmã, a quem eu gostava de chamar pega do reino, era a entrar no meu mundo e a esquecer tudo aquilo. E, para isso, precisava de cantar.
Mas não pude fazer nada contra. Por mais que tivesse insistido com a professora de canto para ensaiarmos mais canções, só me tinha dado aquelas duas. Sigo as instruções da rainha Follyn à risca, dissera. Por isso, contra a minha vontade, desci do palco e entrei na pista da dança, um pouco perdida ao ver todos com os seus pares ou a trocar entre si.
Parei depois no meio da pista, à frente de um rapaz encantador que olhava para mim, com um sorriso e com o braço estendido, a pedir-me para dançar. Era Ven. Os segundos que demorei para tomar uma decisão foram os mais longos de sempre. A cabeça dizia-me para ser forte e para resistir. Havia mais rapazes no baile, com os quais não me era proibido estar, uma vez que nenhum deles se casaria com a minha irmã. No entanto, o coração dizia-me para me entregar e aproveitar o momento. Não era todos os dias que estava com Ven.
Assim, tal como me acontecia sempre que havia esta luta entre aquelas duas partes do meu corpo, ignorei o cérebro e quebrei a distância que me separava do meu príncipe. Não trocámos de par durante várias canções seguidas. Perdera a conta do número de canções ao som das quais dançámos, assim como perdera a noção do tempo. Até esquecera que Ven estava prometido à minha irmã. Enquanto dançávamos, alegres nas canções mais ritmadas e agarrados ternamente nas baladas, era como se fôssemos os únicos naquele salão, como se houvesse uma bolha de paz e felicidade a envolver-nos e a isolar-nos do resto do mundo.
Depois das danças, eu e Ven abandonámos a pista para irmos tomar alguma bebida. Enquanto isso, aproveitei uma pausa na nossa conversa para varrer o salão de baile com o olhar, na esperança de ver Rivvy feliz com algum rapaz, tão ou mais feliz do que eu e Ven. Porém, os meus olhos fixaram-se na minha irmã.
Delbanie estava junto a uma mesa de vidro afastada da minha, a falar com um rapaz. Não sabia quem ele era. Podia ser qualquer coisa, um príncipe, um nobre, um filho de um conde não muito importante de uma terriola qualquer; eu não me importava com isso, e ela também não. Desde que ele fosse bonito, aparentasse ter um bom corpo e fizesse conversa com ela, nada mais lhe interessava.
Delbanie segurava um copo ainda com algum vinho numa das mãos, enquanto o dedo indicador da outra encaracolava sedutoramente uma mecha do seu cabelo, já de si encaracolado. Pouco depois, bebeu o que lhe restava do vinho, pousou o copo na mesa e percorreu o salão de mão dada com o rapaz. Não consegui seguir-lhes o rasto por causa da multidão, mas consegui imaginar para onde iam – e o que iam fazer.
- Não perde tempo – comentou Ven, sobressaltando-me.
Virei-me para ele, que deu um trago no seu vinho. Não fazia ideia de que tivesse assistido à cena.
- E sentes-te bem com isso? – perguntei-lhe.
- A tua irmã pode fazer o que bem entender. Não tenho nada a ver com isso – respondeu, com um encolher de ombros.
- Vais casar com ela – lembrei-lhe.
- E depois?
- E depois não te importas que ela durma com todos e mais alguns? – insisti. Se bem que ela não chegava sequer a dormir, mas Ven conseguia perceber o que eu queria dizer.
- Quero lá saber! É só um casamento estúpido.
Ven acabou a bebida, pôs o copo na mesa e andou em direcção a uma porta que se confundia nas janelas do chão ao tecto. Era a porta que dava para o terraço, que, por sua vez, ia dar ao jardim. Ainda tinha vinho no copo, mas pousei-o para ir atrás dele. Não gostava nada que eu falasse sobre Delbanie ou sobre o casamento, mas tinha que o chamar à razão. Ven ainda não tinha compreendido o que tinha que arcar com aquele casamento.
Ele soube que o estava a seguir, e continuou:
- Sabes que os casamentos reais são feitos pelos motivos mais estúpidos. No caso deste, é a crise do teu reino.
- Crise? – repeti.
- Sim, não há dinheiro – respondeu, sarcástico, sem parar de andar. – Até foram os meus pais que pagaram este baile… Não sabias?
- Sabia o que era crise, sim – disse eu, fazendo-o rir-se por um segundo. – Mas não sabia disso. A minha mãe nunca me fala de questões políticas.
Passámos a porta para o terraço, ainda com ele a andar a passos largos e eu atrás, a tentar acompanhá-lo. Ven voltou a falar após um curto silêncio.
- Mas é por isso que tenho que casar com a Delbanie. O meu reino é aqui ao lado, e tem dinheiro. Por isso, juntando os dois num só… – explicou ele.
Eu sabia que tinha que haver um motivo político para haver um casamento real. Não eram baseados em aspectos mais importantes, como os casamentos do povo. Era apenas por dinheiro ou para criar descendentes. E isso não era nada justo. Para ninguém.
Não era justo para Ven nem para Delbanie, uma vez que mal se suportavam um ao outro e iam ter que governar juntos e ter filhos juntos. Ambos tinham diferentes maneiras de encarar a vida, e iam ter que se entender para poderem governar em condições. Era esta parte que Ven ainda não tinha posto na cabeça.
E não era justo para mim, porque não poderia estar com Ven da maneira que Delbanie estaria, que era a maneira que eu sempre imaginara.
- Sabes que não me importo nada com a tua irmã. Nem sequer gosto dela – prosseguiu, ainda a andar pelo terraço.
- Não te preocupa o que ela faz? Já imaginaste se ela engravidar de um tipo qualquer?
Ele encolheu os ombros novamente.
- Tu também não tens pais, e a rainha Follyn acolheu-te e amou-te como uma filha – argumentou.
- Pronto, está certo – consenti. – Mas não achas que seria um escândalo? Querias mesmo estar metido num…
- Saphinne, a Delbanie já é conhecida como pega – interrompeu-me Ven. – Além disso, não percebo o drama que fazem à volta disso. Um rei pode ter dezenas de amantes e de filhos ilegítimos. As pessoas comentam, mas não é nenhum escândalo. Por que raio é sempre pior quando é uma rainha a fazer isso?
- Pois, também não sei.
Continuámos a andar e descemos as escadas que davam para o jardim. A noite estava quente e agradável, sem uma única nuvem no céu estrelado.
- Se não te importas com a Delbanie, como vais aguentar viver com ela até que a morte vos separe? – inquiri.
Ven suspirou. Já devia estar farto daquela conversa, mas eu não ia descansar até lhe abrir os olhos.
- Vou ter a vida que quiser, assim como ela. Não precisamos de estar juntos e fechados num palácio, a fingir que somos um casal feliz.
- De qualquer maneira, vais ter que olhar para ela todos os dias. E deitar-te ao lado dela, na mesma cama em que ela, durante o dia, fez tudo o que se possa imaginar com não sei quantos homens.
- Podemos ter quartos separados. Aposto que ela ia concordar com isso.
Depois de uma curta pausa, acrescentou:
- E para quê olhar para ela todos os dias? Como te disse, vou ter a vida que quiser. Caso-me com ela para salvar o coiro do vosso reino e depois, sei lá, posso fugir e nunca mais a ver na vida.
- Ven, não é assim tão simples…
- É simplicíssimo, Saphinne. Só me vou casar com ela para acabar com essa crise. Uma vez resolvido este problema…
- Ven, não podes andar a fugir pelo mundo! Vais ser rei. Tens que governar, e vais ter que fazer isso com a Delbanie!
- Posso dar-me como morto e fugir pelo mundo enquanto a Delbanie governa sozinha.
- Sabes tão bem quanto eu que a Delbanie não vai conseguir governar sozinha!
- Há-de aprender. Ainda vai a tempo.
- Ven! Tu e Delbanie vão governar juntos. Mete isso na cabeça! – exclamei.
- Um rei pode governar sozinho! – contrapôs ele. – Pode ser ela a fugir, em vez de mim. Não me interessa.
- Pára com essa ideia de fugir!
- É o que nos vai apetecer fazer, assim que nos fecharem aos dois num palácio!
- Vocês vão ter que se entender! Governar é um trabalho de equipa. E, se vocês não conseguirem, não é só um pequeno reino que vai ficar em crise, vai ser um muito maior. E, aí, não vai haver salvação possível; já pensaste nisso? – questionei.
- Claro que vai: casamos um filho dela com um príncipe rico qualquer – foi a sugestão parva de Ven.
- Pois, e, até ao casamento, o povo morre à fome, não é?
- Saphinne, pára! – gritou.
O ambiente à nossa volta ficou mudo e fez com que, finalmente, parássemos de andar. Ven estava uns passos à minha frente, ainda de costas para mim. Devia estar mesmo irritado, para ter gritado daquela maneira. Não me atrevi a aproximar-me para lhe tocar num ombro, não fosse ele rejeitar-me, mandar-me embora e não voltar a falar comigo durante o resto do baile. Por isso, mantive-me no meu lugar à espera de alguma reacção. Mas não veio nada.


Última edição por IceQueen em Sab Nov 17, 2012 2:28 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Special K em Seg Nov 12, 2012 11:44 pm

Lamento imenso que só uma pessoa esteja a comentar isto porque a tua escrita é impecável, exímia!, e digna de muitos leitores. Embora tenha de comentar que me desagrada um pouco a meninice e ingenuidade da personagem que aparenta ser a pricipal ao acreditar no amor eterno e em almas gémeas, ainda assim, o enredo conseguiu cativar-me (e geralmente histórias com um carácter exclusivamente romântico que é o que tem sido, em grande parte, até ao momento, não me assistem nada).
Ainda, gosto do momento histórico em que a long-shot se passa. Talvez não seja correcto referir um período histórico dado que existe alguma anacronia em que nos elementos antigos como a monárquia, a organização em reinos, a alta sociedade réguia e burguesa encontramos algo de contemporâneo, e, por isso, não sei situar no tempo.
Quero ainda referir que o prólogo me deixou intrigada e expectante porque ainda que se possa situar num momento anterior a ser adoptada pelos reis, tenho a sensação contrária pois existem algumas coisas que sugerem que ela já tem uma idade avançada nesse ponto e que também que está familiarizada com a vivência num palácio. Espero estar com a sensação correcta porque antecipa uma reviravolta interessante na história.

Parabéns, bom trabalho.

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Ter Nov 13, 2012 10:57 pm

Ahah, a Saphinne consegue ser um bocadinho irritante com essas ideias, sim, mas a verdade é que eu, com o passar do tempo, também me fui tornando numa romântica como ela.
Quanto ao tempo...bem, a história passa-se num mundo criado por mim, daí não ser exactamente igual como foi na realidade, e, por isso, não ser possível situá-la numa época específica.
A sério, ficaste com essa sensação? Ai, estou a ver que passei a ideia errada, não quis transmitir isso... '^^
E obrigada, fiquei contente com o teu comentário :D
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Qua Nov 14, 2012 6:33 pm

Ela está mesmo preocupada em abrir os olhos a Ven, independentemente da cegueira dele ser voluntária! Mas acho interessante teres criado um príncipe tão despreocupado com o seu futuro e o futuro do reino onde, no futuro, vai viver! Acho que cria ainda mais empatia entre ele e a Saphinne, porque ela é a sua razão!
Só uma crítica construtiva, repetes muitas vezes o nome "Ven" no texto, podias substituir por pronomes com o mesmo efeito. Tornava a leitura menos repetitiva.
Espero que não leves a mal, é só uma opinião.

PS: Hey, Nightwish! :D

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Qua Nov 14, 2012 6:47 pm

Hmm, ok, vou rever esta parte (outra vez xD) e arranjar uns substitutos para o nome. Eu às vezes entusiasmo-me e nem reparo que estou sempre a repetir a mesma palavra xD Por isso é bom receber algumas opiniões :)

Ahah, adoro Nightwish :D
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Sab Nov 17, 2012 2:38 pm

Segui o conselho da Fox e fiz umas pequeninas alterações na parte anterior.
Bem, se não se importarem (e eu espero que não xD), vou começar a postar com mais frequência, uma vez que comecei esta história há muito tempo e já tenho muita coisa escrita.

I
(parte 5)

- Desculpa – murmurei.
Mesmo em voz baixa, foi como se a minha voz ecoasse no silêncio envolvente. Não soube o que dizer mais. Nem soube se devia ou não ter pedido desculpas. Só quisera tentar chamá-lo à razão; achava que não devia pedir desculpa por isso. Apenas me perguntava se Ven tinha finalmente acordado para a realidade, mas achei melhor não insistir mais no assunto, pelo menos não naquela noite.
- Não peças desculpa – disse ele, virando-se para mim. – Eu é que não devia ter gritado contigo.
E permanecemos no mesmo lugar, quietos, a olhar um para o outro, à espera de mais alguma palavra.
- Anda – Ven falou depois de uns longos segundos de silêncio.
Aproximei-me lentamente dele, com um receio estúpido de que ele voltasse a explodir, gritando para calar o ambiente em nosso redor. Ven nunca me tinha gritado, nunca se tinha irritado comigo daquela maneira. Mas meti depois na cabeça que ele não o voltaria a fazer, a não ser que eu voltasse a bater na mesma tecla. E estava decidido que não o faria.
Assim sendo, o meu Ven estava de volta, mas o clima não deixava de ser um pouco constrangedor. Andámos lado a lado em silêncio durante uns minutos, enquanto percorríamos o largo carreiro ladeado por duas sebes verdes.
No fim do carreiro, depois de uns canteiros com sebes baixinhas e muito aparadas e flores coloridas, que criavam um bonito padrão quando vistos de cima, ficava um pequeno chafariz, com uns bancos em redor. Já devia ter imaginado que íamos para lá sentar-nos um pouco. Fazíamo-lo imensas vezes, quando os bailes estavam a ser aborrecidos. Mas aquele não estava a ser aborrecido, de todo. Eu é que aborrecera Ven por causa da conversa do casamento. E, em vez de ele ter querido passar um tempo sozinho devido a isso, lá estava eu, a fazer-lhe companhia, como se também estivesse aborrecida. Como se ambos precisássemos de fugir do baile para ficarmos a sós, velhos amigos a pôr a conversa em dia.
Ven sentou-se num dos bancos sem uma palavra. Sentei-me a seu lado, mas não muito perto dele, embora fosse contra a minha vontade. Queria estar o mais perto possível dele; no entanto, achei por bem dar-lhe um pouco de espaço para se recompor. Ainda não estava completamente à vontade depois daquela espécie de discussão, apesar de já me ter mentalizado de que Ven não tinha sido apoderado por um espírito maléfico que o tivesse tornado numa pessoa com as características opostas às suas.
Já não estávamos em silêncio absoluto, mas acompanhados pelo som borbulhante da água do chafariz. Apenas isso. Ven continuava sem dizer nada, a olhar em frente, provavelmente para nada em especial. Absorto nos seus pensamentos. Perguntei-me se estaria a reflectir no que lhe dissera. Não lho iria dizer em voz alta. Nem sequer sabia o que lhe haveria de dizer para quebrar aquela tensão entre nós.
Depois de algum tempo, acabei por quebrar o silêncio, perguntando-lhe algo que me estava entalado na garganta.
- Estamos bem, não estamos?
Ven deixou, finalmente, de fitar o vazio. Rodou a cabeça e olhou-me nos olhos.
- Claro que sim – e os lábios curvaram-se num sorriso.
Devia ter desconfiado de que seria aquela a resposta que obteria. Senti-me parva por ter feito a pergunta. Ele era a pessoa mais leal que conhecia. Por muito tempo que não nos víssemos e por muito tempo que passássemos sem escrever nada um ao outro, a nossa amizade não mudava. O nosso comportamento nos nossos reencontros era sempre o mesmo. Sentia que poderia contar com ele sempre.
Se a distância não nos conseguia afastar e mudar a nossa relação, então não seria uma discussão estúpida a fazê-lo. Sorri-lhe de volta, aliviada.
- Porquê a pergunta? – quis saber ele.
- Ficaste tão chateado, que…esquece, não vamos voltar a falar disto hoje; pode ser? – sugeri-lhe.
- Não – discordou ele, para meu espanto. E falava a sério. Suspirou e fixou o olhar no chafariz. – Tens razão, Saphinne. Pensava que tudo isso do casamento seria demasiado fácil.
- Eu sei. Foi por isso que te quis chamar à razão.
- Bem, conseguiste.
- Mas, por causa disso, estás agora a comportar-te assim.
- Assim, como?
- Sei lá, fugiste do baile, explodiste de raiva e ficaste calado durante imenso tempo como se eu fosse uma estranha – expliquei.
- Estavas à espera de quê? – Ven virou-se para mim outra vez. – Detesto que me falem neste estúpido casamento…
- Porque não queres arcar com as suas consequências – acabei a frase por ele.
- Claro. Não quero estar com a Delbanie. Não vai dar certo, estou mesmo a ver.
- Vocês vão ter que fazer um esforço.
- Ela não vai fazer nada. Ela nem sequer se importa. Com nada! Como é que ela vai governar, como é que vai ser a rainha de um povo com o qual não se importa?
Houve uma pausa, na qual fiquei sem saber o que dizer. Felizmente, Ven acrescentou:
- E ninguém melhor do que eu para aturar tudo isto.
- Onde é que estão as tuas ideias de não teres que ver a Delbanie todos os dias? – lembrei-lhe.
- Foram-se. Estava a ser infantil – admitiu Ven. – Sabes, como as crianças que fogem às suas responsabilidades…a diferença é que me meteram nisto, não fui eu que escolhi. Disseram-me que me ia casar com ela. E eu não pude dizer nada.
- É por isso que detesto casamentos reais. Por que não podemos escolher com quem queremos ficar?
- Sabes, se pudéssemos escolher, baseando-nos em aspectos mais importantes do que uma crise económica idiota… – Ven aproximava-se cada vez mais de mim enquanto falava – escolhia-te a ti – revelou, surpreendendo-me.
Pisquei os olhos e abanei ligeiramente a cabeça, como se aquilo que ele me tivesse acabado de dizer não tivesse existido. Como se eu não conseguisse acreditar.
- Com base em que aspectos? – perguntei estupidamente. Sabia a resposta. Só queria que ele a dissesse, para me certificar de que não era um sonho.
Eu e Ven já estávamos colados um ao outro quando ele sussurrou com uma voz sedutora no meu ouvido.
- Amor.
E, com isto, rodou-me a cara suavemente e colou os seus lábios aos meus, sem sequer me dar tempo de reagir.
Foi um beijo terno e demorado, mas que me deixou congelada. Não consegui fazer mais do que fechar os olhos, pois estava a ser tudo tão estranho. Sempre quisera que tal acontecesse, mas sempre pensara que Ven só me via como a sua amiga de infância. E tê-lo feito depois de termos perdido tanto tempo a falar sobre Delbanie e o casamento… Seria aquele beijo só para Ven esquecer os seus problemas por um bocadinho? Será que ele tinha dito que escolheria para casar qualquer rapariga que estivesse ali com ele, independentemente de quem fosse, só porque essa rapariga não era Delbanie?
Pouco depois, tirei aqueles pensamentos da cabeça. As intenções de Ven não me interessavam. Claro que eu sonhava em ter com ele um romance digno de um conto de fadas, mas ele ia casar-se com a minha irmã. Sentia-me como uma espécie de traidora, apesar de eles ainda nem estarem casados e de nem sequer gostarem um pouquinho um do outro. Tirando essa parte, senti-me em baixo por aquele poder vir a ser o primeiro e único beijo que Ven me daria. Ele nem mo devia ter dado, embora eu o quisesse. Ele não sabia que, assim, estava a alimentar a minha esperança vã de um dia poder casar-me com ele e estar com ele para sempre, de ter com ele o futuro que eu imaginava.
Em suma, o beijo pusera-me mais triste do que feliz. Caíra na realidade finalmente, e a realidade era que não podíamos ficar juntos. Podíamos ficar juntos como amantes, mas isso não era nada. Queria a vida que Ven e Delbanie podiam ter. Porém, como não a podia ter, tinha que deixar de pensar em Ven como o rapaz dos meus sonhos.
Tinha que o dizer. Ele teria que se afastar de mim de uma vez por todas, embora isso me fosse custar muito. Sabia que a nossa relação não seria a mesma depois disso, mas não estava a ver outra opção.
Ven não se afastou de mim quando o beijo acabou, nem fez qualquer comentário. Nem sabia se ele tinha reparado que eu nunca tinha sido beijada por alguém. Fitou-me, com os seus olhos verdes e hipnotizantes a brilhar de felicidade. Os próprios olhos pareciam sorrir, mas tal não se comparava ao sorriso que tinha estampado no rosto, que fazia com que aquele rosto perfeito emanasse luz própria.
Não me lembrava de alguma vez o ter visto com um sorriso tão rasgado. Parecia tão feliz, como se quisesse ter feito aquilo já há muito tempo. Tive a esperança de que gostasse realmente de mim da mesma maneira que eu. Talvez estivesse feliz por isso, por saber que eu e ele nutríamos os mesmos sentimentos um pelo outro. Só queria atirar-me e beijá-lo durante o resto da noite, sem pensar em mais nada.
Mas lembrei-me da realidade em que vivíamos. Não queria nada ter que lhe dizer o que pensava, não agora que tinha visto a sua cara de felicidade. Não tinha coragem para a destruir.
E nem tive que dizer nada, pois Ven foi mais rápido.
- E se fôssemos até ao teu quarto? – murmurou.
As palavras apanharam-me de surpresa.
- Ao meu quarto? – repeti, ao que o meu coração respondeu começando a bater mais depressa.
Não queria ir. Não me queria armar em Delbanie. A situação começou a pôr-me nervosa. Mesmo muito nervosa. Porque, quer dizer, acabara de receber o meu primeiro beijo. Passar logo ao próximo acto não estava, de todo, nos meus planos. Se Ven e Delbanie convivessem, chegaria a pensar que ela lhe contagiara com o seu vício de levar qualquer um para o quarto.
E também me pôs confusa. Fiquei sem perceber o que Ven sentia por mim, ou aquilo que queria de mim.
Ele esboçou-me mais um sorriso, antes de se debruçar sobre mim e de começar a dar-me uns beijos lentos e suaves no pescoço, que fizeram com que o gelo desencadeado pelo primeiro beijo se começasse a derreter. Fui-me sentindo cada vez mais descontraída e com cada vez mais vontade de ficar ali toda a noite. Percorreu o meu pescoço, passou pela mandíbula e chegou ao meu ouvido.
- Adoro-te, Saphinne – segredou.
Foi como uma frase mágica. Fez com que eu sorrisse imediatamente, como se não tivesse qualquer controlo sobre os músculos da minha cara. Fez-me desejá-lo ainda mais. Se eu antes não tinha conseguido falar com ele acerca do que me estava a preocupar, então não era agora que o ia fazer.
Ven beijou-me novamente, puxando-me para mais perto de si e acabando por me pôr no seu colo. Desta vez, já completamente descongelada, pus os braços em redor do seu pescoço e passei os dedos de uma das mãos pelo seu cabelo cor de bronze. E assim ficámos durante vários minutos, sem nos conseguirmos largar.
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Sex Nov 30, 2012 8:14 pm

Ah, eles beijaram-se! Nem sei bem o que pensar dessa situação porque acho que conseguiste explicar muito bem tudo o que a personagem principal está a sentir e, consequentemente, o que nós sentimos com ela. A desconfiança, tristeza, dúvida e alegria também se juntam ao leitor e é ótimo quando isso acontece!
Gostei deste capítulo mas fiquei a pensar se este Ven é assim tão doce e amoroso como Saphinne o vê ou tem mais algum truque na manga... Afinal, ele muda de humor e ideias muitas vezes!

PS: Gostei muito da tua atitude nos comentários anteriores! São poucas as pessoas que aceitam críticas assim tão bem :)! E estás à vontade para publicar mais vezes, o fórum anda parado mais alguém vai ler de certeza! :D

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Sab Dez 01, 2012 2:19 pm

Bem, existem críticas e críticas x) Algumas sem nexo nenhum e outras que nos fazem pensar um bocado sobre aquilo que fizemos (como foi o caso da tua). Neste caso, achei que, realmente, tinhas razão, pois quando revi o texto reparei que repetia o nome muitas vezes.
Tenho notado o fórum um bocadinho parado, sim xD Deixo aqui o final do capítulo I.

I
(parte 6)

Não o queria largar nunca. Não o queria perder para Delbanie. Devia haver qualquer coisa que pudéssemos fazer para ficarmos juntos. Sem saber porquê, tive a sensação de que o nosso destino era mesmo esse.
Quando o beijo chegou ao fim, mantive as mãos atrás do pescoço de Ven. Encostei a minha testa à dele, respirei fundo e respondi ao que ele me dissera há pouco.
- Também te adoro, Ven – e vi-o sorrir logo a seguir, como um acto reflexo.
- Ora vejam só! A minha irmãzinha com o meu futuro marido…quem diria!
Ven suspirou. Lentamente, eu e ele afastámo-nos. Voltei a sentar-me no banco e rodei a cabeça com receio, não fosse Delbanie estar ali com meia dúzia de amiguinhas aos risinhos que tivessem assistido a tudo. Mas só lá estava ela.
- Já acabaste o servicinho? Foi bem rápido – comentou Ven, sem a mínima paciência para a aturar.
- Achas que estaria aqui se não o tivesse acabado? – respondeu Delbanie, aproximando-se. – Aquele tipo não valia nada.
- És mesmo horrível – atirei-lhe. Estava farta de a ver a tratar toda a gente como se fossem objectos, principalmente os homens que ela conhecia.
- E tu és mesmo pudica. Isso foi o quê, o teu primeiro beijo? – troçou.
“Segundo”, disse a minha cabeça. Mas não disse nada. Já estava mais do que habituada àquelas bocas, e, por mais estúpidas que fossem e por mais vontade que tivesse de responder, nunca descia ao nível dela.
- Desanda, Delbanie – mandou Ven.
Pelo contrário, Delbanie aproximou-se mais, a um passo lento e provocador, e sentou-se à beira do chafariz, de frente para nós.
- Acho que a minha irmãzinha é capaz de me dizer isso – disse ela, cruzando a perna.
Manteve-se lá sentada, sempre a fitar-nos com uma expressão de gozo e de provocação tal, que parecia ansiosa por se desmanchar a rir antes de mandar mais boquinhas parvas.
- Vai-te embora! – gritei.
- Para poderes comer o meu marido à vontade? Uau, Saphinne, estás a revelar-te!
Não aguentei mais. Sem sequer pensar, levantei-me e praticamente voei até ela. Apeteceu-me mesmo atirá-la para dentro do chafariz e, quem sabe, agarrar-lhe pelos cabelos e pôr-lhe a cabeça debaixo de água durante o tempo que quisesse. Teria chegado a fazer a primeira parte se Ven não me tivesse agarrado por trás de repente. Enquanto isso, Delbanie ria-se, trocista, da minha figura.
- Tem calma. Não vale a pena – disse-me ele. – Vamos embora.
- Oh, não vão! – Delbanie falou no seu característico tom de gozo, ao mesmo tempo que Ven me afastava dela. – Agora a sério – levantou-se e pôs-se à nossa frente, impedindo-nos de ir para outro lado –, preciso de falar contigo, Ventius.
Ele suspirou e largou-me.
- O que foi agora?
- Ouve, nenhum de nós está contente com este casamento, pois não? Acho que devíamos sugerir aos nossos paizinhos que tomassem outra decisão.
- Estás doida? – discordou Ven. – Sabes, por acaso, por que razão nós dois temos mesmo que casar?
- Por causa da crise – respondeu Delbanie, com um encolher de ombros.
- Exacto, vocês não têm dinheiro!
- Havemos de encontrar uma solução. Encontramos sempre.
- Que solução, Delbanie?
- Sei lá! Só com mais calma é que se pode pensar em alguma coisa.
- Sim, como se tu te importasses! Por ti, podiam todos morrer à fome!
- Que estupidez! Se morressem à fome, seria a rainha de quem? Isso não teria piada nenhuma.
- Acho que o que queres dizer é: se morressem à fome, com quem me ia enrolar?
- Cala-te. Eu importo-me.
- Vou fingir que acredito.
- Ouve, eu e a minha mãe vamos arranjar uma solução! – insistiu Delbanie. – E assim já não teremos que nos casar; pensava que ias ficar feliz com isso! Ou será que, bem lá no fundo, também gostavas de dar uma voltinha comigo?
Fiquei boquiaberta.
- Que cabra!
- Não te metas!
- Parem com isso – interveio Ven, virando-se de seguida para a minha irmã. – Sabes que eu faria qualquer coisa para não me casar contigo.
- Óptimo, agora já falamos a mesma linguagem.
- Mas, se não o fizer, o que vai ser do teu reino? Pensa nisso, Delbanie! – Ven falava com ela como se ela fosse uma criança que não compreendesse a gravidade da situação.
- Já te disse, havemos de fazer alguma coisa…
- Mas o quê?! – explodiu Ven. – Não há nada que vos salve desta crise, nada! Vais rezar arduamente durante todo o dia para que caia dinheiro do céu, é isso?
- Há uma solução – informei-lhes.
Foi o suficiente para que ambos olhassem para mim e me dessem atenção. Fitaram-me com expectativa. Também eu estava expectante. Não sabia como não me tinha lembrado daquilo antes. E, se aquilo resultasse, Ven já não precisaria de se casar com Delbanie. Poderíamos, finalmente, ficar juntos para sempre, e ter a vida perfeita.
- O tesouro de Glorth.
A esperança morreu nos olhos de Ven.
- Saphinne, esse tesouro…
- Foi sempre procurado pelas pessoas erradas! – terminei a frase, sabendo que não era aquilo que ele queria dizer. – O tesouro nunca foi encontrado porque está demasiado bem protegido…e o que é melhor para proteger algo tão valioso? Magia.
- Acreditas nessa treta? – Ven franziu o sobrolho.
- Em magia? Claro que sim! É a única explicação. Até agora, só foram pessoas vulgares à procura dele, e nunca encontraram nada. Por isso, acho que o problema está no grupo de pessoas que parte em busca do tesouro. Não podem ser pessoas normais. Tem que ser um grupo especial, com bruxos, curandeiros e alquimistas…pessoas que vêem coisas para além daquilo que está diante dos olhos – expliquei.
- Achas que ainda não foi reunido um grupo desses? – desconfiou Ven.
- Não sei. Nunca ouvi falar.
- Vá lá, é só um tesouro – interferiu Delbanie. – Qualquer agricultor idiota sabe abrir um buraco no chão e tirá-lo dali para fora.
- Não ouviste nada do que eu disse?
- Não gosto quando te armas em enciclopédia. Deixa-me tonta.
Suspirei, mas Ven falou para que eu não tivesse que repetir tudo.
- O tesouro não está num lugar qualquer. Está numa gruta, nas montanhas. É verdade que qualquer um pode lá chegar, mas saem sempre de lá de mãos a abanar. E isso pode significar duas coisas…ou o tesouro não existe…
- Tem que existir, Ven – interrompi-o.
- Ou a Saphinne tem razão – prosseguiu ele, como se não me tivesse ouvido –: ele ainda não foi procurado pelas pessoas certas.
- Pois, a Saphinne tem sempre razão – Delbanie revirou os olhos. – Típico.
- Arranja uma solução melhor, então – atirei. – Acho que devíamos, pelo menos, tentar.
- Então…sugeres que se organize um grupo “especial” para ir à procura do tesouro? – perguntou Ven.
- Claro. Falamos com os nossos pais sobre isso. Pode ser que concordem e que desistam da ideia do casamento.
- Pois é – concordou ele. – Foi uma óptima ideia. E chegaste a uma boa conclusão quanto aos exploradores. Algo me diz que pode resultar.
- A Saphinne é sempre a menina perfeita e brilhante! Argh, que nojo! Pára lá de te armar em rainha com essas ideias parvas para salvar o reino!
- Uma de nós tem que agir como tal, não achas?
- Tu irritas-me! – Delbanie foi-se aproximando de mim. – Tens sempre a mania de que és melhor do que eu, e que darias uma rainha melhor do que eu. Temos pena, mas não vais ser rainha tão cedo. Não devias sequer ser rainha, já que não passas de uma órfã. Serias uma zé-ninguém se a minha mãe não tivesse tão bom coração.
Já estava com a cara quase colada à minha, quando falou num tom de voz mais grave e provocador, só para eu ouvir.
- E é assim que vais ser. Não vais ser nada com essa perfeição toda. Nada.
Afastou-se logo de seguida, deu meia-volta e foi-se embora, deixando-me a mim e a Ven finalmente sós.
Assim que os passos de Delbanie deixaram de se ouvir, Ven aproximou-se de mim a sorrir, provavelmente pronto para mais uma sessão de beijos. Porém, dei uns passos na direcção oposta.
Delbanie conseguia pôr-me sempre fora do sério. Irritava-me tanto, tal como eu a ela. Sempre tão altiva e convencida de que era a melhor, só porque tinha uma excelente aparência. Mas não sabia fazer mais nada para além de engatar todos os homens que quisesse. A rainha Follyn podia não ser a minha mãe biológica, mas eu era mais parecida com ela do que Delbanie. Delbanie nem tinha coração. Tratava todos tão mal, principalmente os homens, que pareciam objectos para ela – escolhia, experimentava e deitava fora, quer prestassem, quer não. Não se interessava por nada. Não sabia tomar decisões sozinha nem pensar em nada que pudesse salvar o reino de uma situação qualquer. Daria uma péssima rainha.
E ainda tinha a lata de me dizer aquelas coisas.
As suas últimas palavras ainda ecoavam na minha cabeça. E tornavam-se cada vez mais altas, chegando a abafar o som envolvente do chafariz.
Delbanie deixara-me tão chateada por causa das suas boquinhas e das suas provocações, que o meu lado rebelde, há anos escondido, saltou cá para fora. Virei-me para Ven, que me mostrava um ar um pouco decepcionado por ter fugido dele sem dizer nada, e as frases de Delbanie deixaram subitamente de se ouvir na minha mente, quando lhe perguntei:
- Ainda queres ir para o meu quarto?

Fim do capítulo I

Já agora, algum comentário sobre todo o capítulo? O que estão a achar até agora?
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por CruciareMors em Sab Dez 01, 2012 11:47 pm

IceQueen, estou dividida em relação à tua história. Escreves bastante, e bem, mas acho que estás - apenas por enquanto, espero eu - a cair num lugar comum no que toca à caracterização. Tens uma galeria de personagens que são feitos para serem ou adoráveis e perfeitos, ou detestáveis, típica do conto de fadas e de histórias românticas e idealistas, e que pode levar a algum Mary-Sue-ismo se não tiveres cuidado. Mas como, por enquanto, isso não aconteceu, não te vou massacrar :)

Por outro lado, estás a conseguir construir uma história bastante dinâmica, e com um ritmo muito interessante. Os próprios personagens, apesar das características que apontei, são estranhamente cativantes e prendem a atenção do leitor. Estou muito, mas mesmo muito, curiosa para ver onde vais levar esta história. Parabéns pelo trabalho e muita inspiração para o resto da escrita!
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Qui Dez 06, 2012 10:21 pm

Bem, que hei-de dizer deste capítulo num todo?
Gostei que a ação se desenrolasse de forma natural, às vezes depressa, outras num tom mais calmo.
A Delbanie deixou-me surpresa. Não sei se a acho dúbia, porque age assim mas tem um motivo e uma razão para isso (e seria interessante ver isso) ou se simplesmente é fútil (porque nem má a consigo achar) e seria talvez desapontante se assim fosse. Não que a história seja má, mas eu gostava de ver algo mais que simplesmente uma pessoa fútil e mimada! :)
No entanto, a Saphinne e o seu plano deixaram-me curiosa. Magia, ah? Será que ela é mágica/bruxa/tem alguma espécie de poder? Foi curioso falar assim do tesouro, e do plano que tem para o resgatar, do nada, sem pensar muito sequer! E como é adoptada talvez tenha mais a revelar...
Oh, mas eu vou achar piada a esta fase rebelde que lhe deu! Será que é permanente ou ela vai fazer uma asneira?
Fico à espera deste teu mundo!

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Qui Abr 11, 2013 7:59 pm

Antes de mais, desculpem a ausência. Por estranho que pareça, nunca mais me lembrei de vir cá postar (shame on me xD)

CruciareMors, reconheço que a minha maior dificuldade seja a criação de personagens em termos de personalidade. Por favor avisa-me se as coisas começarem a dar para o torto xD E obrigada pela opinião =)

Fox: Ahah, a Saphinne é qualquer coisa, sim, mas terás que esperar para ver o quê xP

Aqui fica um cheirinho do segundo capítulo :P Sei que não é muito, mas, se postasse mais, não saberia em que parte cortar. Por isso, esperem por mais ;)


II

(parte 1)

Eu e Ven percorremos os corredores escuros e silenciosos do palácio, a correr e aos risinhos, como se tivéssemos voltado à infância e nos tivéssemos lembrado de uma brincadeira fantástica que nos entreteria durante o resto da noite. Senti-me despreocupada naquele percurso, sem pensar que poderia estar a fazer uma asneira. Não me interessava. Só queria Ven; só queria não pensar em Delbanie, no casamento ou noutra coisa qualquer. Queria fugir da realidade mais uma vez, nem que fosse só por uma hora.
Abri a porta do meu quarto quando lá chegámos, que ficava numa das torres mais altas, e o meu globo luminoso da mesa-de-cabeceira cumprimentou-me com a sua luz suave e pouco intensa, aquela que eu mais gostava quando subia para o quarto para ir dormir. Os globos luminosos estavam preparados para se acenderem assim que lho pedíssemos em pensamento, e iluminavam a divisão com a intensidade de luz que queríamos; bastava pensarmos nela. Ninguém sabia como funcionavam, mas eu sempre achara que eram mágicos. Bastava olhar para eles para ver isso: eram globos do tamanho da palma da mão e amarelinhos, que ficavam a flutuar quando estavam acesos.
Ven nunca tinha ido ao meu quarto; aliás, nunca ninguém tinha lá ido, à excepção da minha mãe, de Rivvy e das criadas que mo limpavam. Era um espaço demasiado meu para ser partilhado, um espaço que sempre achara ter outras intenções caso levasse outra pessoa lá para dentro – com o exemplo que tinha em casa, não podia pensar de outra maneira. No entanto, naquele momento, nem me ralei com isso. Era Ven, o meu melhor amigo e o rapaz que desejava secretamente, e estava quase certa de que estávamos em sintonia – que tínhamos as mesmas intenções.
O quarto era pequeno, comparado com o de Delbanie e com o da minha mãe – claro que era, uma vez que a minha mãe não esperava ter tido outra filha –, mas eu adorava-o. Era mais acolhedor do que os quartos delas e tinha tudo o que era necessário, até uma casa de banho privada; só não tinha um quarto de vestir. A grande cama com os pés que iam quase até ao tecto, repleta de almofadas de várias tonalidades de cor creme, tinha uma cortina fina e transparente sobre ela e a toda a volta, o que dava um ar ainda mais aconchegante enquanto dormia. Ocupava quase todo o quarto. À sua frente, colada a ela, estava um baú com algumas das minhas roupas, e, à frente deste, junto à parede, ficava o meu toucador. Na parede ao fundo do quarto, virada para a porta de entrada, havia a porta para a casa de banho, junto à qual estava um guarda-fatos com as minhas restantes roupas.
Assim que entrámos, fechei a porta e achei por bem trancá-la. Dei meia-volta, e Ven estava virado para mim, demasiado perto, como que a prender-me contra a porta. Logo depois, pegou-me na cara com as mãos e beijou-me apaixonadamente. Fechei os olhos e respondi-lhe ao beijo com a mesma intensidade, deixando-me levar. Ven queria-me tanto como eu o queria a ele. Adorei a sensação.
Ainda com os lábios colados aos meus, Ven pegou-me ao colo e deu uns passos para trás, até dar meia-volta e atirar-nos aos dois para a minha cama. Consegui descalçar os sapatos e fugir um pouquinho dele, apenas para me encostar à montanha de almofadas sobre a cama. Ele também se descalçou e, enquanto se aproximava, pus-lhe uma mão na nuca e puxei-o para mim. Beijou-me incansavelmente e tocou-me na pele, sem dar mostras de me querer largar tão cedo. Às tantas, tocou-me num dos pés, e a sua mão começou a subir pela minha perna e depois pela coxa, onde se fixou durante algum tempo. Nunca tinha sido tocada daquela maneira, mas só queria mais.
Foi então que Ven me agarrou pela cintura e nos rodou aos dois sobre a cama, trocando-nos as posições. Não tardou muito a desapertar-me o laço do vestido azul-petróleo e a abrir o fecho. Começou a tirar-mo, e eu não o impedi. Pelo contrário, ajudei-o e decidi seguir-lhe o exemplo, desabotoando-lhe os botões da camisa meia ofegante, louca de desejo.
Ficámos durante uns longos momentos aos beijos, enquanto nos tocávamos e nos prendíamos um contra o outro, a sentir a nossa pele contra a do outro. Não queria que aquilo acabasse, mas, ao mesmo tempo, subitamente, caí em mim. Pareceu-me que tinha sido arrancada do meu mundo de sonho e que a realidade me abanava para acordar, tal como me acontecia quando acabava de cantar.
Por isso, quando Ven se preparava para me desapertar o sutiã de renda preta, empurrei-o para o lado e sentei-me imediatamente.
- Não consigo fazer isto – disse eu, e o globo luminoso, obedecendo aos meus pensamentos, iluminou mais o quarto.
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Ter Abr 30, 2013 1:11 pm

O que mais gostei neste capítulo 8ou parte dele) foram os globos luminosos, quero um mágico assim para mim, que se altere segundo a minha vontade. Quanto às atitudes dos dois jovens, não posso dizer nada agora porque ainda estou perdida sobre o que ele quer ou não. Já deu para perceber que ela está rendida ao jovem e que nada os separa (pela mente da Saphinne) mas não sei o que achar dele...
Preciso de mais :D

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Qua Jul 03, 2013 12:04 pm

II
(parte 2)

Fui até à beira da cama, ainda sem conseguir respirar normalmente. À frente dela, lá estava o toucador, onde, há apenas algumas horas, eu e Rivvy nos tínhamos estado a arranjar para o baile. Olhei para o espelho. A trança já não estava perfeita, os lábios não tinham nada e a parte do cabelo que não estava apanhada na trança cobria-me os olhos.
- Estou uma lástima – comentei, inclinando a cabeça para que ficasse apoiada no pé da cama mais próximo.
- Estás linda – Ven surgiu de repente a meu lado e deu-me um beijo no pescoço.
Embora não me apetecesse mesmo nada, obedeci à consciência e obriguei-me a empurrá-lo lentamente para o lado, dizendo:
- Acho que nos estamos a precipitar.
- Pois, talvez. Compreendo que ainda não estejas pronta, mas não faz mal…
- Sinto-me mal. Como uma vadia – confessei.
- Quiseste vir para aqui por causa do que a Delbanie disse?
- Queria estar contigo, de qualquer forma.
- Não agiste nada como uma vadia – opinou Ven.
Fiquei calada, sem saber o que lhe responder. Porém, quando isso acontecia, Ven conseguia sempre, felizmente, acrescentar qualquer coisa.
- Esquece isso. Vamos ficar por aqui, sim? Prometo que não faço nada que não queiras.
- Não podemos continuar assim, Ven – disse eu.
- Por que não?
- Vais casar-te com a minha irmã.
- E depois? – ele quase se riu. – Podemos estar juntos de qualquer maneira.
- Não quero ser só uma amante – admiti.
- Não vais ser “uma”. Vais ser a minha. A minha princesa – Ven deu-me um leve beijo na face.
- Ven, pára com isso – afastei-o de mim outra vez. – Sê realista. E se eu tiver que casar com um nobre qualquer de uma terra que ninguém conhece e que fica a quilómetros de distância? E se nunca mais nos virmos?
- Não devias ser tão pessimista.
- Não consigo aceitar estes casamentos, Ven! Não me vou conseguir entregar a um homem que não conheça e que nem sequer se importe comigo! Caramba, eu não sou a Delbanie! – explodi, sentindo as lágrimas a virem-me aos olhos.
Ven abraçou-me, dizendo:
- Pronto, tem calma. Não penses nisso.
Pisquei os olhos para não desatar a chorar à frente dele. Pouco tempo depois, largámo-nos, e continuei a confessar-lhe o que me ia na alma, sem me importar minimamente com o facto de estar só de roupa interior e de ter um atraente rapaz de tronco nu ao meu lado, no meu quarto.
- Vai acontecer, mais tarde ou mais cedo. Quem me dera ser eu a casar contigo, e não a Delbanie.
- Isso não nos impede de estar juntos – repetiu ele.
- Mas não é a mesma coisa – contrapus.
- Não me importa. Não penses nisso. Vamos aproveitar enquanto estamos aqui, juntos, antes que me vá embora e só nos encontremos daqui a…sei lá quanto tempo.
- Não, Ven – impedi. – Não vou ficar aqui no quarto a meio de um baile, armada em Delbanie.
- Não te compares à Delbanie. És melhor do que ela. Em todos os aspectos.
- Mesmo em aspectos físicos? – perguntei, com o sobrolho franzido.
- Claro que sim – respondeu ele, sem hesitar. – Que pergunta… Tens o cabelo mais bonito – fez-me sorrir, convencida. – E…alguma vez te disse que adoro a cor dos teus olhos?
- São pretos – encolhi os ombros. – Qual é a graça?
- Miúdas de olhos claros com aquele ar angelical enjoam-me. Há imensas assim. Mas tu destacas-te sempre, e esse é um dos motivos por que gosto tanto de ti. Os teus olhos são perfeitos. Fazem-me lembrar…um poço – pisquei os olhos, confusa e sem achar aquela comparação nada romântica. Mas Ven prosseguiu – Dão-me vontade de olhar bem lá para dentro, com a esperança de ver o que há lá no fundo. Prendem-me.
- Pronto, está bem – consenti, revirando os meus, como é que ele dissera…”olhos perfeitos”. – Mas continuo sem ter o peito avantajado.
- Bem, pelo menos tens algum – e ri-me por um instante. – E aposto que a tua irmã não tem umas pernas como as tuas – lançou-me um sorriso maroto.
- Pára lá com isso! – pedi-lhe, já embaraçada.
- Então, que me dizes em ficar aqui mais um pouco? – insistiu.
- Não me parece certo. Foi feito um baile em tua honra; acho que o mínimo que devias fazer era ir lá para baixo, mesmo que mostres uma cara de quem não se está a divertir nada.
Desta vez, Ven não encontrou nada para dizer. Olhava para o chão sem se mexer, sem vontade nenhuma de sair dali, tal como eu. Mas essa era a coisa certa a fazer, e, por isso, e também para quebrar o silêncio, acrescentei:
- E eu também devia voltar. Tenho que me recompor.
- Então espero por ti – Ven voltou a olhar para mim.
- Ainda vou demorar. Devias ir andando. O baile é para ti, por isso deves estar presente.
Levantei-me da cama, enquanto lhe lembrava:
- E daqui a nada deve começar a entrega dos presentes de casamento…
Num ápice, Ven pôs-se à minha frente e deu-me um abraço apertado. Mais uma vez, a consciência disse-me para o empurrar, mas não resisti a desobedecer-lhe. Envolvi a cintura de Ven com os meus braços e encostei a cabeça ao seu peito, pudendo ouvir o som hipnotizante dos batimentos do seu coração. E assim permanecemos durante um bom bocado, como que congelados no tempo, a sentir a nossa pele contra a do outro outra vez e o cheiro e o calor um do outro, coisas que faziam com que eu o desejasse ainda mais, se tal era possível.
Queria ficar assim para sempre.
Mas sabia que não era possível. Não da maneira que queria.
Apesar disso, houve uma leve centelha de esperança, um pressentimento de que eu e Ven estávamos destinados a ficar juntos.

* * *

Mais uma vez, desculpem a ausência...vou tentar vir cá mais vezes, ainda para mais esta história já está terminada (yay! xD).
Já agora, alterei o título, pois não estava cem por cento satisfeita com o anterior. Que acham deste? (Sou péssima com títulos xD)
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Ter Jul 09, 2013 1:48 pm

Continuo de pé atrás com este rapaz, principalmente por não acreditar muito nas palavras "fofinhas" que ele diz e nas suas intenções. Talvez seja apenas muito desconfiada e ele seja um príncipe encantado e perfeito que realmente ama Saphinne, mas vou manter-me nesta posição por enquanto. Queria saber mais e ver mais desenvolvimentos para conseguir formar mesmo a minha opinião. Neste momento a Saphinne parece-me mais uma miúda assustada que a rapariga que Ven vê e gostava de ter hipótese de a imaginar como a lutadora que descreves :)

Espero mais

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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por IceQueen em Qua Jul 10, 2013 4:24 pm

:) Aqui vai mais um pouquinho.

II
(parte 3)

* * *

- Bom-dia – saudou-me a minha mãe da cabeça da mesa, assim que entrei na sala de refeições.
- Bom-dia, mãe – respondi-lhe com um sorriso, acercando-me dela para lhe dar um beijo na cara, o nosso habitual cumprimento. – Bom-dia, Delbanie.
- Bom-dia – disse ela, sem sequer olhar para mim.
Sentei-me no meu lugar e comecei a escolher o que iria comer. Estava cansada. O baile do dia anterior tinha-se prolongado, mas isso não era razão para nenhuma de nós dispensar o nosso pequeno-almoço à hora de sempre. Por isso, ali estava eu – ensonada, ainda enrolada no robe de seda e a pôr lentamente a comida no meu prato, sempre com Ven no meu pensamento.
- A tua irmã acabou de me surpreender.
As palavras da minha mãe acordaram-me. Não sabia se ela estava a falar para mim ou para Delbanie, mas olhei para ela de qualquer das formas. A minha mãe fitava-me enquanto dava um trago no seu sumo de laranja, sem desenvolver.
- A Delbanie? – acabei por perguntar.
- Sim – confirmou a minha mãe. – Teve uma boa ideia quanto ao tesouro de Glorth – e descreveu a tal ideia brilhante da minha irmã, a ideia que eu tinha tido na noite passada.
Abri a boca e olhei para Delbanie, mas esta continuava com os olhos postos na comida. Voltei a encarar a minha mãe.
- Essa ideia foi minha!
- Saphinne, poupa-me aos teus guinchinhos a esta hora – retorquiu Delbanie.
- Sabes bem que foi minha! – e virei-me para a minha mãe outra vez, cada vez mais irritada. – Achas mesmo que a Delbanie conseguia ter uma ideia destas?!
- E depois a convencida sou eu! – exclamou esta.
- Ela não tem ideias nenhumas – prossegui, e aí olhei para ela –, e vai ser uma rainha horrorosa por isso!
- Saphinne…
- Pára de ser tão invejosa! – Delbanie interrompeu a tentativa da minha mãe de me acalmar. – Eu mereço ser rainha; a minha mãe é uma rainha, enquanto a tua deve ser uma camponesa qualquer que não tem onde cair morta e viu que tu ias pelo mesmo caminho, por isso abandonou-te!
- Delbanie!
- Vês? É por atitudes destas que vais ser péssima. Desprezas tudo e todos! – disse eu.
- Sim, pois. Querias estar no meu lugar, e eu sei bem porquê. É por causa do Ventius, mãe! Sabias que ela está completamente caidinha pelo meu futuro marido?
- Isso é verdade, Saphinne? – quis saber a minha mãe.
O meu olhar saltou entre uma Delbanie divertida e provocadora e uma rainha que só fizera a pergunta por mera curiosidade, enquanto eu só desejava um buraco para me enfiar. Sem saber o que dizer, virei-me para Delbanie num esforço de encerrar o assunto.
- Cala-te! – mandei-lhe, num tom de voz que não saiu tão autoritário nem ameaçador como estava à espera.
Mesmo antes de ter falado, sabia que seria uma tentativa falhada. Delbanie não cumpria ordens de ninguém, especialmente vindas da irmã mais nova que tanto adorava – e num tom de voz tão estranho –, pelo que nem sequer me ouviu e continuou:
- Podes ficar com ele à vontade, querida. Só preciso dele para criar descendência. Depois, é todo teu.
- Pára de tratar os homens como coisas! Principalmente o Ven! Ele é demasiado bom para ser usado dessa maneira!
- Que drama, Saphinne! Acalma-te por um bocadinho, está bem? Tens que dar jus à tua reputação de menina adorável do reino.
- Estou farta de ser a menina adorável! – explodi, pondo-me de pé. E, pela primeira vez, questionei-me acerca do que seria melhor: ser a adorável e perfeita ou ser a pega e rebelde. – Por que é que existes? Por que é que és assim? Porquê, porquê, …?
- Vês? – Delbanie falou para a minha mãe. – Completamente caidinha.
- Saphinne, nem te estou a reconhecer! – admitiu a minha mãe. – Que se passa contigo? Sabes que podes falar…
- Não, não posso! – interrompi. – Nunca ninguém me ouve, porque todos pensam que está tudo bem comigo. E porquê? Porque sou a menina adorável! Sempre feliz!
Totalmente irritada por causa de tudo o que me estava a acontecer, arrastei a cadeira e dirigi-me para a saída da sala.
- Saphinne, onde é que vais? – perguntou a minha mãe, com um tom de voz mais severo. As refeições, para ela, eram como que sagradas; ninguém podia sair da mesa quando bem lhe apetecesse. Eu sabia que estava a ser mal-educada, mas não voltei atrás.
- Não tenho fome – disse eu, já à porta da sala e sem olhar para ela.
- Saphinne, volta aqui! Fala connosco! – a voz da minha mãe já estava longe.
Já estava fora da sala, mas não sabia para onde ir. Por momentos, apeteceu-me fugir daquele palácio, já sem qualquer receio de ir para a cidade sozinha. Apeteceu-me pegar em Ven e fugir com ele pelo mundo, esquecer toda a minha vida de falsa princesa e tudo o que me preocupava e ser verdadeiramente feliz com o meu príncipe.
Depois as lágrimas começaram a rolar pela minha cara abaixo, as lágrimas que se haviam acumulado durante meses. Sentei-me num degrau das primeiras escadas que encontrei, e chorei de raiva por tudo o que se estava a passar. Delbanie a roubar-me ideias, Delbanie a casar-se com o rapaz dos meus sonhos, Delbanie a vir a ser a pior rainha que aquele reino já vira, as coisas horríveis que Delbanie me dizia sobre mim e as minhas possíveis origens; ao fim e ao cabo, tudo girava à volta de Delbanie, e era por isso que pensava que, se ela não existisse, a minha vida seria muito mais fácil e eu poderia ser, finalmente, a menina adorável feliz.
Por outro lado, chorava por viver num lugar tão injusto, onde não se valorizava o amor, mas sim o facto de se criar sucessores do trono. Tinha tudo aquilo que uma jovem das mais pobres do povo podia desejar: uma casa gigantesca, um quarto só meu, sabia ler e escrever, tinha conhecimentos sobre as mais diversas áreas, um talento musical invejável, não tinha falta de comida, nem de roupa, nem de jóias, enfim, não me faltava nada. Só me faltava o amor de um namorado ou de um marido, e isso eu nunca poderia ter. Não enquanto o rapaz dos meus sonhos fosse o marido de outra.
Por isso, as jovens mais pobres podiam dar-se ao luxo de ter algo que eu não tinha, podiam ser felizes para sempre. E esta era a maior riqueza de todas.
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Re: Sonhos Proibidos

Mensagem por Fox* em Sex Jul 12, 2013 7:44 pm

Hum...
Eu sei que este foi o primeiro momento em que a protagonista apresentou um pouco de personalidade e tentou lutar pelos seus direitos e sonhos, mas continuo a vê-la como a adolescente rebelde e petulante sem grande razão para criar situações destas. Não sei porque, mas ainda não consigo fazê-la cair nas minhas graças porque a vejo um pouco com ar de vítima... Preciso de ler mais!
Mas pelo menos já se fez notar e sobressair, não é mau :)

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