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O Renascimento da Magia (só com subnome)

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O Renascimento da Magia (só com subnome)

Mensagem por FilipeJF em Seg Ago 20, 2012 12:32 am

Trago-lhes meu ultimo e atual trabalho: O Renascimento da Magia. (Só tem o subnome ainda D=)
Comecei a pouco tempo, mas ta aí.
Prólogo:
Spoiler:
Os cintilantes raios do sol nascente atravessavam as aberturas entre os galhos e folhas das árvores. A grama tomava uma coloração mais esverdeada e alegre, tornando a floresta um lugar aconchegante e belo. O orvalho pesava nas diversas plantas e folhas da floresta, brilhando ao ter contato com a luz.
Um homem encontrava-se encostado numa das árvores, relaxado pelo imenso conforto. Era um homem novo, com pouco mais de vinte anos, mas por sua aparência de cansaço, parecia mais velho do que era. Tinha cabelos escuros como à noite e olhos verdes como a grama. Trajava um manto amarronzado, cujo capuz cobria parte de seu rosto. Em seu cinto estavam duas adagas, extremamente afiadas. Aguardava pela pessoa que o chamou, para tratar-se de assuntos antigos. Depois de aguardar por mais tempo, até quando os raios do sol se tornassem mais fortes, começara a escutar barulhos de cascos de cavalos chocando-se contra o chão, na imensidão do silêncio que ocupava a floresta. Levantou-se do conforto das raízes e retirou as folhas que estavam agarradas em seu manto, tomando uma postura ereta. Três homens montados em lindos garanhões castanhos saíram do meio das árvores, parando um pouco a frente do viajante. Trajavam botas marrons de couro, calças marrons de lã, luvas negras de couro e, cinzentas e sujas cotas de malha. O viajante sorriu ao ver o rosto dos três velhos companheiros: Broadwin, Finn e Aagon. Talvez nunca tivessem sido tão próximos, mas estavam ali por uma causa maior.
- Olá Gregory, meu velho amigo – disse Broadwin, que estava no meio. – Trouxe o que lhe pedi?
De dentro de seu manto, Gregory retirou um livro lilás e extravagante, com detalhes dourados na borda da capa. No centro havia uma pirâmide amarelada, com uma mão a segurando por baixo. Broadwin, ao observar o livro, sorriu com satisfação. Desmontou de sua montaria e caminhou até Gregory, pegando o livro.
- Faz muito tempo desde quando roubamos este livro – comentou. – Lhe agradeço por isso, companheiro.
Quando se virou para voltar a sua montaria, Gregory o impediu:
- E quanto ao meu pagamento?
Broadwin fingiu não escutar a pergunta, e continuou em frente. Novamente Gregory perguntou:
- Broadwin Slade, onde está meu pagamento?
- Desculpe-me, companheiro. Nem sempre temos o que queremos – Broadwin respondeu, com um sorriso maléfico no rosto. Ele costumava ser frio com as pessoas, um aspecto que muitas vezes era fácil definir, apenas o observando: cabelos negros e oleosos de sujeira e olhos quase que completamente negros. Aagon e Finn o tratavam com muito respeito, e nunca salientavam em suas conversas. Tinham o direito de falar caso ele os permitisse ou caso tratasse de um assunto importante.
Gregory, pensativo após a reposta de seu antigo companheiro, observava-o tristemente, enquanto voltava com passos lentos para seu garanhão. Nunca pensara que, depois de todos aqueles anos, escutaria isso de um velho companheiro. Levou seu braço para o alto e moveu velozmente seus dedos, fazendo uma bola de fogo surgir na palma de sua mão, sem a queimar. Broadwin, ao ver aquela imagem assustadora, deixou o livro cair. Finn e Aagon, cobertos pelo medo, fugiram. Gregory não se importou: queria apenas Broadwin Slade.
- Eu nunca pensei que teria de fazer isso com você, Broadwin – disse ele, enquanto a bola de fogo em sua mão se tornava maior.
- Você não precisa – disse Broadwin, com a voz trêmula. Por mais que tentasse mudar o pensamento de Gregory, não conseguiria. A bola de fogo lhe acertou bem no rosto, e se alastrou por todo seu corpo. Seus gritos desesperados ecoaram por toda a floresta, anunciando o renascimento da magia. Neste dia Gregory se tornaria temido por todos que ouvissem sua história. Ele se tornaria um novo mago.

Capitulo 1 - Barton:
Spoiler:
A manhã chegara fria e enevoada, com o único som sendo o canto dos galos. Algumas das pessoas que já estavam acordadas saíam de suas casas para iniciarem suas tarefas diárias, mesmo que o frio as fizessem ter preguiça. William, filho de Barton, era preguiçoso, mesmo no calor. Porém, neste dia, acordara mais cedo que a maioria, por culpa de seu pai. Era um garoto pequeno, de apenas doze anos. Mas, mesmo ainda sendo criança, manejava um arco tão bem quanto alguns arqueiros.
Barton estava encostado na porta dos aposentos de William. Observava o filho se vestir, com um leve sorriso no rosto. Os olhos de William eram azuis como os do pai, e o mesmo se podia dizer do cabelo. Parecia com ele na infância. William, já vestido, olhou para o pai e perguntou:
- Por que me olha assim? Tenho algo errado?
- Hoje é o seu segundo dia de treino com arco montado em cavalo – respondeu. – Percebo como você aprende rápido, Will.
Barton tinha trinta e sete anos, porém sua aparência o levava a parecer mais velho. Seu rosto possuía algumas cicatrizes de batalhas passadas, o que fazia muitos temê-lo. Tinha cabelos negros misturados com alguns brancos, e uma barba mal feita com a mesma coloração. Seus olhos eram azuis claros, que eram muito admirados por algumas pessoas.
Saíram do castelo quando a maior parte da população já estava acordada. Leoryl, irmão de William, treinava técnicas de espada num dos bonecos de treino, que se encontrava no pátio do castelo, assim como outros itens de treinamento. Tinha quinze anos, porém era muito alto. Seus cabelos negros se levantavam após cada movimento, e seus olhos castanhos se viravam velozmente para o local onde iria acertar no boneco. Percebendo a presença dos dois, se virou para o irmão, guardando sua espada na bainha.
- Está pronto? – perguntou. – Hoje seremos mais rígidos.
- Podem ser rígidos o quanto quiserem, mas hoje atirarei flechas cavalgando! – respondeu Will, empolgado, enquanto levantava o arco para o alto. O pai sorriu ao ver o rosto dos dois, refletindo novamente. Leoryl já era um guerreiro, e em breve lutaria com verdadeiras ameaças, enquanto William revivia o aprendizado de Leoryl.
Foram até o velho estábulo, já com a madeira muito antiga. Pegaram os três garranos negros e atravessaram o muro da cidade. Lá fora, era um vasto e plano terreno, coberto por árvores. A região leste era muito conhecida por suas imensas florestas, com a maioria livre de grandes ameaças. Bricet, como a cidade era conhecida, recebia muitos viajantes por conta disso.
William os guiou até o local de costume, sem muitas árvores. Segurava as rédeas do cavalo com sua mão esquerda, e com a outra, o arco. Barton assoviou para chamar a atenção dos filhos, que se viraram imediatamente.
- Will, fixe sua cintura. Os quadris precisam estar para trás e as costas retas. Lembre-se de não pensar nas rédeas – explicou para o filho.
Will já estava cansado de escutar aquilo, porém sempre esquecia. Galopou mais a frente e retirou uma flecha da aljava, armando o arco. Mirou num tronco e atirou, errando por centímetros. Já se equilibrava perfeitamente com o cavalo em movimento, porém seus erros ainda eram grandes.
- Muito bom – disse Leoryl, para a felicidade de William. – Está apenas balançando muito o arco, por isso está errando. Segure com mais força.
O pai ficou satisfeito ao ouvir as palavras de Leoryl. Corrigira perfeitamente os erros do irmão, o que levava a crer que prestara muita atenção em seus movimentos. Will recebera as correções do irmão sem hesitar, e tentou novamente. Armou o arco e esqueceu as rédeas. Mirou em outra árvore e suspirou, segurando o arco com força. Atirou e acertou o lugar onde mirara, sem acreditar. Um largo sorriso surgiu em seu rosto, fazendo-o gargalhar de felicidade. Olhou para seu pai e Leoryl, gritando:
- Consegui! Acertei!
- A primeira vez é inesquecível – comentou seu irmão. – Parabéns, irmãozinho. Agora quero vê-lo acertar novamente.
Will continuara treinando, errando e acertando. Barton e Leoryl continuaram corrigindo os erros, fazendo-o melhorar cada vez mais. O sol da tarde já estava forte quando Barton começara a escutar cavalos se aproximando, provavelmente alguns dos seus. Finn e Aagon apareceram do meio das árvores, e aparentavam estar com fome e cansados. Finn segurava um livro roxo em sua mão, o qual chamou a atenção de Barton. Ordenou para que Leoryl continuasse treinando Will, para não prestarem atenção em sua conversa.
Os cavaleiros, ainda silenciosos, desmontaram e entregaram o livro para Barton, enquanto o olhavam folhear atentamente.
- O que é isso? – perguntou Barton, confuso. – Quem lhes deu isso? E onde está Broadwin?
- Broadwin está morto, senhor – Aagon tentou explicar, sem que Barton ficasse furioso. – Foi assassinado por um mago.
Barton franziu a testa, surpreso.
- Broadwin assassinado por um mago? Magia não existe faz tempos.
- Creio que não, meu senhor – salientou Finn, ainda trêmulo. – Vimos uma bola de fogo surgir em sua mão. Juro pelos Deuses.
- O que foram tratar com este homem?
Finn e Aagon trocaram olhares, disputando que iria continuar a falar. Por fim, Finn continuou:
- Fomos discutir sobre assuntos antigos, senhor. Queríamos o livro para estudos, porém Broadwin tentou roubá-lo. Por conta disso, acabou morto.
- Este livro foi roubado por vocês faz muito tempo, então. Qual era o nome deste homem? – perguntou Barton, querendo a informação que mais desejava.
- Gregory Lemon, senhor – respondeu Finn.
Aquele nome era uma lembrança antiga para Barton. Há tempos ele servira na guarda de Bricet, porém fugira em uma noite. Broadwin, na época, dizia que ele havia levado um de seus pertences. Ele se referia ao livro.
- Por que ele deixaria o livro? Não vejo motivos – perguntou Barton, ainda com a mente confusa. – Perguntarei à Lorde Tonoe se tem conhecimentos sobre essa língua.
- Não sabemos o motivo para deixar o livro, senhor – revelou Finn. – Deseja mais alguma coisa?
- Vão descansar. Vocês cavalgaram o dia todo, e não há como mentirem para mim – ordenou Barton, se virando para seus filhos. – Will e Leoryl, voltem para a cidade, agora.
Os filhos e os soldados assentiram com um gesto de cabeça. Barton fora na frente, os deixando para trás. Atravessou as densas florestas que cercavam Bricet num instante, encontrando-se com a estrada barrenta, que levava para a cidade. Cavalgou rapidamente até a taverna, onde desmontou de sua montaria. Pouco visitava aquele lugar, caso não fosse para tratar de assuntos de seu interesse. Era um local frugal: completamente de madeira, como toda sua mobília. O balcão encontrava-se encostado na parede, onde vários homens e guerreiros tomavam diversas bebidas. Lorde Tonoe estava sentado numa das mesas, com uma mulher sentada em seu colo. Ele tinha uma barba cinzenta e era careca, com uma cicatriz em sua cabeça. Seus olhos eram castanhos, assim como os de Leoryl.
- Poderia nos dar licença? – perguntou para a mulher, enquanto Barton se sentava.
- Claro, meu querido – ela respondeu, levantando-se.
Tonoe a observou até o momento em que se retirou da taverna, sorrindo. Olhou para Barton e disse:
- Linda, não é?
- Ainda procura prostitutas, Tonoe? Já está velho para isso – disse Barton, provocando-o.
- Para o amor não tem idade, senhor. Mas enfim, por que está aqui?
Barton colocou o livro sobre a mesa, enquanto observava Tonoe o inspecionar. O lorde o pegou e o folheou, sem entender a linguagem.
- Não entendo está linguagem, caso for para isso que me procura – revelou.
- Se descobrir, será muito bem recompensado – Barton tentou convencê-lo. – Terá também o tempo que for preciso.
Tonoe pensou por alguns segundos e respondeu:
- Tudo bem, senhor. Tentarei descobrir essa linguagem, apenas não prometo que conseguirei.
- Obrigado, Tonoe – Barton agradeceu.
O lorde, ainda curioso, perguntou:
- Do que se trata este livro, senhor?
- De magia – respondeu Barton, com o rosto sério.
Ao ouvir aquelas palavras, Tonoe suspirou fundo. “Então finalmente a magia despertou”, pensou ele. Séculos se passaram desde quando a magia fora extinta na Terra Central, permanecendo apenas nos locais inexplorados do fundo do Abismo Escuro.
- Espero que consiga descobrir está língua, Tonoe – Barton disse, enquanto quebrava o silêncio que provocara. Quando se levantou para partir, Tonoe o impediu:
- Eu já ia me esquecendo, senhor. Alguém lhe enviou uma carta pela manhã, porém não fiz questão de ler.
Ele pegou a carta que estava numa bolsa presa ao seu cinto, e a entregou para Barton. “Lorde Barton Tighfield, Protetor de Bricet e da Floresta Mágica, envio-lhe está carta com um pedido para que compareça em Vilanegra, nas redondezas do Abismo Escuro”, dizia. Logo abaixo, assinado em letras miúdas, estava escrito: “Moe Elder, Lorde de Vilanegra”.
- Moe Elder deseja minha presença em Vilanegra – disse para Tonoe –, avise Ross que virá comigo. Irei falar com minha família. E, quando eu voltar, espero que tenha aprendido algo com este livro.
Saiu às pressas da taverna, ignorando a despedida de Tonoe. Seu garrano negro o esperava, enquanto alimentava-se da grama que crescia ao redor das pedras. Montou-se nele e galopou até o castelo, sua moradia. Cumprimentou diversas pessoas no caminho, o que o atrasou. O exterior do castelo era simples - uma escada de madeira levava até a estrutura de pedra, ainda firme e forte mesmo após tantos anos. Saltou de sua montaria e subiu correndo os degraus, que se abaixavam por culpa de seu peso. A porta, também de madeira, fez um alto rangido ao ser aberta. Sua esposa, Freya, estava sentada na mesa, que cobria grande parte do salão. Sentada no trono que se encontrava do outro lado da mesa, estava sua filha, Katherine, que havia virado o trono para observar a lareira que havia por trás dele. Quatro estantes com diversos utensílios ficavam próximas as paredes, sendo que uma possuía elmos para enfeite. Em frente à porta, havia uma escadaria de pedra, que se encontrava com o tapete vermelho que levava até a mesa. Quatro pilares se estendiam pelo salão, com bandeiras presas a eles. Nelas havia o desenho de duas espadas cruzadas, o símbolo de Bricet.
Barton sentou-se na mesa, enquanto Freya lhe dava um copo de água. Enquanto ele bebia, ela o perguntou:
- Por que está tão quieto?
Após beber tudo em apenas um gole, Barton respondeu:
- Irei viajar para Vilanegra. Preciso que ajude Leoryl a comandar em minha ausência, querida.
Freya paralisou ao ouvir aquilo. Vilanegra era um lugar extremamente longe, e muitos dos guerreiros de lá não tinham simpatia com Barton, pela época que não enviou novos homens para ajudarem nos constantes desabamentos que aconteciam. Freya tinha a mesma idade de Barton, porém conseguia ser mais inteligente na maioria das vezes. Possuía olhos verdes, lindos como os dele. Seus cabelos castanhos desciam até seus ombros, porém não deixavam de ser bonitos. Katherine era semelhante a sua mãe: olhos verdes e cabelos castanhos. Apesar de parecidas, os cabelos da filha eram mais longos e seu rosto mostrava-se mais parecido com o de seu pai. Tinha a mesma idade de William, porém não gostava de batalhas. Ela, também triste com as palavras do pai, levantou-se do trono e protestou:
- Por que precisa fazer isso, pai, se pode recusar? Aquelas pessoas não gostam de você, sabe disso.
- As coisas mudaram minha querida – o pai respondeu, com calma –, sei que pode compreender, assim como seus irmãos irão.
Ela, sem responder, sentou-se novamente e observou as chamas da lareira, enquanto seus olhos esverdeados as refletiam. Estava extremamente preocupada com a segurança do pai e da cidade. Temia que algo não muito bom pudesse acontecer.
- Leve no mínimo três cavaleiros com você, Barton – pediu Freya, tentando retirar a preocupação que observava em sua filha apenas por seu comportamento. Barton, mesmo ouvindo as palavras de Freya, desejava viajar apenas com Ross, para mostrar confiança aos homens de Vilanegra. Sua família temia o pior, e não devia decepcioná-la. Depois de alguns segundos, suspirou fundo e disse:
- Levarei três homens conosco na viajem. Espero que proteja Bricet e nossa família, independente do que aconteça. Prometa-me que fará isso.
- Eu prometo – disse Freya, com suavidade. Leoryl e Will entraram na casa após alguns segundos, com seus rostos entristecidos. Isso mostrava claramente que escutaram a conversa, pelo outro lado da porta. Leoryl, sabendo que deveria tomar o lugar do pai em sua ausência, se aproximou dele e disse:
- Não se preocupe pai, cuidarei muito bem da cidade. Se precisarmos lutar, nós iremos.
- Sua coragem é muita, Leoryl – disse o pai, levantando-se. – Sei que protegerá Bricet a qualquer custo. Mas, agora, devo partir. Tonoe já deve ter avisado a Ross, e, como sempre, ele deve ter arrumado os cavalos. Que os Deuses lhes abençoe.
Antes que pudesse partir, Freya correu até ele e disse:
- Prometa-me que ficará bem.
- Prometo – Ele respondeu, beijando-a na testa. – Peço que orem por mim todas as noites, assim como farei por vocês. Permaneceremos unidos, mesmo distantes.
Seus filhos, tristes com a perigosa viajem do pai, correram até ele e o abraçaram. Barton despediu-se da família e retirou-se do castelo, percebendo o sumiço de seu cavalo. “Ross” murmurou para si mesmo, abrindo um leve sorriso no rosto. Caminhou até o estábulo, onde viu seu garrano ao lado de dois garanhões já ocupados. Ross estava em um, e, no outro, estava o escudeiro.
- Chame Finn e Aagon, agora – ordenou para o cavaleiro – eles virão conosco.
Sem responder, Ross galopou até a taverna, possivelmente o local onde estariam. Barton montou em seu cavalo e aguardou pelo retorno dos três cavaleiros, observando o jovem escudeiro: devia possuir por volta de dezesseis ou dezessete anos, e tinha cabelos castanhos, assim como seus olhos. Finn, Aagon e Ross finalmente apareceram, com sorrisos de satisfação no rosto.
- Não entendo a causa destes sorrisos – disse Barton. – Mas sei que em breve eles desaparecerão de seus rostos. Agora vamos, garotas.
Os homens gargalharam, enquanto seguiam Barton para fora da cidade.


Capitulo 2: Amalric
Spoiler:


- Sir Amalric, está pronto? – perguntou um dos guardas, logo ao entrar na cabana do cavaleiro.
Sir Amalric era o cavaleiro mais respeitado de Alestan, a cidade capital do Reino de Eldred. Nasceu entre os Alberic, uma família nobre, que fora a responsável pela expulsão dos bárbaros que tentaram invadir a capital. Desde este momento honroso, sua família tornou-se a mais importante da nobreza, e também a responsável pela guarda da cidade. Seu pai, Sir Ewan, era o general da guarda, e jurara fidelidade para os Goldwin, a família do rei. Lady Swale, sua mãe, nasceu numa família de pescadores, porém, com sorte, conheceu Ewan, por quem se apaixonou e casou.
Os Alberic desde o início viveram em Alestan, e uma vez já foram pobres. Graças ao sangue de guerreiro que corria na veia da família, eles conseguiram expulsar os bárbaros, e por isso se tornaram uma família nobre. O pai de Ewan, Reece Alberic, foi o responsável pela vitória contra A Invasão dos Bárbaros, por culpa de sua estratégia infalível. Infelizmente, teve uma espada cravada em seu peito durante a batalha, e lá sua vida chegara ao fim. Nesta época Ewan era apenas um garoto, de catorze anos, porém era o único filho de Reece, e por isso se tornara o general da guarda muito cedo. Conheceu sua esposa durante uma viajem que fez até a pequena aldeia em que ela vivia, para encontrar os saqueadores que roubaram o pobre povoado. Neste dia Ewan levou Swale para Alestan, e desde então eles se tornaram inseparáveis.
Amalric olhou para o guarda de relance.
- Apenas aguarde este lerdo garoto terminar – ele colocava seu elmo enfeitado com dois chifres, que se encaixava perfeitamente com a couraça. Era uma armadura completamente cinza, sem muitos detalhes, porém poderia ser melhor do que as de seus oponentes. Seus longos cabelos loiros não eram totalmente cobertos pelo elmo, e por isso sua metade era vista encostada sobre a couraça. Seus olhos azuis eram as únicas cores chamativas que podiam ser vistas ao observar seu elmo, apesar de que era difícil perceber. Após seu escudeiro terminar de aprontar sua couraça, ele disse ao guarda:
- Agora estou pronto.
Ele retirou-se da cabana com passos rápidos, o máximo que sua armadura pesada permitia, enquanto o guarda lhe guiava até seu cavalo. Sua montaria era um frísio bem cuidado, com a pelagem macia e gostosa para acariciar. Quando Amalric montou em seu cavalo, a platéia aplaudiu. Três bancadas de madeira se estendiam em volta do corrimão onde os cavaleiros praticavam o desporto, e ao norte dele, havia o palco onde o rei e sua família se encontrava. Neste palco, havia três grandes tronos. Rei Baldric encontrava-se sentado no trono do meio, e no esquerdo, estava seu filho, Príncipe Baldwin, e no direito, sua esposa, Rainha Lena. Dois guardas levaram o escudo e lança para Amalric, apressados, enquanto o cavaleiro ajeitava-se sobre seu frísio. O escudo possuía o símbolo de um cavaleiro montado sobre um cavalo, segurando uma lança apontada para cima, o qual representava Alestan. Amalric galopou até o corrimão, e parou no lado inverso a seu oponente. O outro cavaleiro estava, também, com uma armadura frugal – completamente cinza, porém possuía alguns detalhes dourados na couraça. O escudo, assim como o de Amalric, possuía o mesmo estandarte.
Os cavaleiros ajeitaram-se pela última vez sobre seus cavalos, e então a justa iniciou-se. Aquele momento sempre fazia o coração de Amalric acelerar, pois sabia que poderia ser seu último dia de vida. Não importava quantas vezes seguidas ele participasse de uma justa, essa preocupação sempre lhe enchia o pensamento. Quando ele começou a aproximar-se de seu oponente, ajeitou a lança numa posição para acertá-lo. Amalric desviou-se do ataque da outra lança graças ao escudo, porém o outro cavaleiro não teve a mesma sorte. A ponta mortal penetrou na viseira de seu elmo perfurando-lhe o olho, e Amalric pôde sentir que sua lança adentrou no crânio de seu oponente. Ele derrubou-o do cavalo, vencendo novamente mais uma justa. Continuou galopando ao lado do corrimão, seguindo até o norte, em direção ao palco do rei. Ao chegar, abaixou sua lança e cabeça. O rei, percebendo o sinal do cavaleiro juramentado, disse:
- Parabéns por mais uma vitória, Amalric. Já era de se esperar pela derrota do pobre cavaleiro, afinal, você é um Alberic! – ele terminava a frase com gargalhadas.
- Obrigado, Vossa Graça – Amalric agradeceu, levantando sua cabeça.
- Agora vá comemorar sua vitória! – Rei Baldric ordenou, com um largo sorriso no rosto. – Mais tarde lhe darei tarefas para cumprir, e você deverá estar descansado – ele fez um gesto com a mão, para que Amalric se retirasse.
O cavaleiro galopou até sua cabana, onde seu escudeiro lhe esperava. Ele desmontou-se do cavalo na entrada da pequena estalagem, e logo depois os guardas vieram pegar o frísio. Ellis, o escudeiro, era um simples adolescente: tinha cabelos negros que cobriam-lhe o rosto, e seus olhos eram castanhos, como os da maioria. Tinha dezenove anos, e ainda faltavam dois longos anos para tornar-se um cavaleiro.
Antes que Amalric ordenasse, o escudeiro já corria até ele para ajudá-lo a retirar a armadura. Ellis não passava de um mero escudeiro para Amalric, porém sabia que ele era a maior utilidade para preparar-se para uma justa. E, por isso, no fim de toda justa, o cavaleiro fazia questão de agradecê-lo.
- Obrigado, Ellis – ele o agradeceu novamente, quando retirou seu elmo. Mas como sempre, o escudeiro se manteve calado. “Talvez seja coisa de família”, Amalric pensava. O cavaleiro chegou à conclusão que Ellis não se tornaria um amigo, e apenas serviria como escudeiro.
Antes que pudesse pelo menos se sentar, um guarda entrou na cabana, com a respiração pesada por culpa do cansaço.
- Sir Amalric, Rei Baldric deseja sua presença no castelo.
-Depois aquele velho me manda descansar novamente, mas nem tempo para sentar eu tenho! – Amalric resmungou, enquanto se retirava da cabana.


Capitulo 3: Gillius
Spoiler:

A escuridão já tomava conta do reino.
A noite estava gélida, e as estrelas não apareciam no céu. O único som que podia ser escutado eram os passos dos homens que subiam a grande escadaria que levava até o Castelo Branco. “Tão no alto e aquele velho consegue subir esses degraus”, Gillius pensava. Os sons de seus passos e os do de seus homens era a única coisa que lhe fazia lembrar-se de que não era surdo. Já se sentia cansado, e deseja deitar-se sobre uma macia e confortável cama com vários cobertores sobre seu corpo.
- Espero que ele nos dê os homens – disse Uhtred, interrompendo o silêncio mortal dos ouvidos de seus companheiros. – Não quero subir tudo isso para receber um não.
Gillius olhou de relance para Uhtred, diminuindo a velocidade de seus passos.
- Ele disse-nos que dará os homens. Pensa que eu seria tolo de subir isso caso ele dissesse não?
- Não penso isso, senhor, de modo algum. Talvez ele deseje algo além de nosso alcance para dar-nos os guerreiros.
Gillius gargalhou.
- Você finge ser idiota, Uhtred? Ele não nos disse nada sobre troca na carta.
Siward escutava a conversa enquanto subia logo atrás dos companheiros. Todos os três tinham semelhanças: cabelos negros e curtos e olhos castanhos. Apenas Siward diferenciava-se de seus companheiros – seus olhos eram verdes. Enquanto subia, refletiu sobre o que Uhtred disse. Viu que ele tinha razão sobre seu senhor. Olhou para Gillius e disse:
- Senhor, Uhtred tem razão. Chenric não disse nada sobre trocas para você não perder a vontade de ir até ele. Trinta mil homens há de ter um preço.
Gillius decidiu não responder quando percebeu que Uhtred tinha razão. Começou a temer o que Chenric poderia pedir em troca dos homens, enquanto pensava nas palavras do companheiro. Desejou que fosse algo simples.
Faltavam poucos degraus para chegarem até o grande castelo coberto por neve, e um sorriso de alivio surgiu no rosto dos três. Não havia muralha cercando o edifício; a única proteção era a escadaria que todos tinham de subir. O portão já estava aberto, e Chenric os esperava lá, junto a dois guardas. Uma barba branca cobria parte de seu rosto, e descia até seu peito. Seus olhos eram azuis, muito claros, e por conta disso, algumas pessoas chegavam a achar que era cego. Seus lábios, quase invisíveis em meio aquela barba, formou um sorriso quando os três homens aproximaram-se.
- Gillius, Uhtred e Siward, sejam bem vindos ao Castelo Branco. Este pertenceu a Chenric Aeduin, meu pai, e também a outro Chenric, meu avô. Os Aeduin governam este castelo desde a Era do Renascimento. Há muita história por trás disso, não é?
Gillius o olhou nos olhos, impaciente.
- Pare de conversa, Chenric. Sabe por que estou aqui. Não subi esses degraus para conversar enquanto bebemos.
- Se assim deseja – disse Chenric, virando-se para o interior do castelo – o famoso Salão Frio. – Acompanhem-me – ele juntou sua capa com as duas mãos, para proteger-se do frio. Seguiram pelo tapete vermelho daquele grande e espaçoso salão. Vários pilares se estendiam por ele, e entre cada um deles, havia uma mesa. Algumas pessoas comiam e bebiam em algumas, enquanto conversavam. No final havia dois grandes tronos de pedra, forrados com pelagem de alguns animais. Ao lado deles, havia as escadarias que levavam para o segundo andar.
Quando chegaram até os tronos, Chenric sentou-se e respirou fundo. Gillius percebeu que o lorde não lhe daria uma resposta antes que começasse a falar, então disse:
- Irá dar-me os homens?
Chenric sorriu.
- Diga-me, Gillius, pensa que irá recebê-los sem antes dar algo em troca?
- Nós conversamos sobre isso. Você havia concordado.
O lorde gargalhou.
- Raciocine melhor. Eu lhe disse que daria os homens, e não que eu lhes daria sem pedir algo em troca.
- Então o que quer? – perguntou Gillius, já nervoso com a ideia de que não conseguiria o exército. Chenric o olhou bem nos olhos, e retirou seu sorriso do rosto.
- Satisfaça-me, você e seus companheiros, lutando e vencendo três de meus melhores guerreiros.
Gillius irritou-se.
- O que? Mas que tipo de vontade é essa? Você é louco, Chenric! Um duelo valendo trinta mil homens?
- Trinta mil homens se vencer – Chenric começou –, se você perder, não continuará a viver.
Gillius olhou para seus companheiros, e eles assentiram com um gesto de cabeça.
- Traga-nos esses guerreiros, Chenric, e lhe mostraremos como dançamos.
- Godart, Barton e Godun, seus oponentes estão prontos! – gritou Chenric, fazendo sua voz ecoar no salão.
Os três guerreiros apareceram vindos do portão do castelo, e trajavam roupas simples - cotas de malha sobre várias camadas de couro fervido, para esquentar o corpo. “Pelo menos dispensaram a armadura” pensou Gillius, aliviado. Quando os dois grupos finalmente encontraram-se cara a cara, Chenric disse:
- Que dancem!
E assim começou. Para o azar de Uhtred, ele pegara o maior de todos, e por sinal o mais forte. Mas isso não era diferente entre seus companheiros: ele sempre fora o mais forte e maior. Mas ele não se comparava com seu oponente. Enquanto sofria para suportar os ataques de seu oponente, Siward lutava com facilidade e calma: cortada lateral, cortada à direita, cortada por cima. E conseguia ferir seu oponente sem esforço ou desespero. Mas, além de Siward e Uhtred, Gillius era o melhor. Empunhava a espada com uma única mão, e realizava movimentos leves e rápidos, pouco dando brecha para seu inimigo lhe atacar. Em menos de um minuto, já havia cortado o pescoço de seu inimigo, e o sangue se espalhava pelo tapete vermelho. Deixou que o duelo de seus companheiros continuasse, e afastou-se deles.
O suor já escorria por todo o rosto de Uhtred, enquanto seu oponente ainda lhe atacava com força e resistência. Sua única chance de sobreviver era desviar-se do duelo e correr para bem longe dali. Mas se fizesse isso, iria morrer nas mãos de Gillius. Então decidiu permanecer ali e tentar. Sua respiração estava pesada, e sua força, esgotada. Estava exausto demais para continuar, mas não queria morrer. Não queria terminar ali. Mas só havia uma coisa que podia fazer para tentar acertar seu oponente, mas pouca chance teria de sair vivo. Abaixou rapidamente quando seu oponente lhe deu uma oportunidade, e tentou acertá-lo os pés. Mas não teve sucesso. A espada do guerreiro perfurou sua nuca, e agora os dois grupos estavam empatados. Ao ver a derrota do companheiro, Gillius sentiu um frio percorrer sua espinha. Estava com medo. Mas para despreocupar-se, Siward enfiava sua espada no peito do outro guerreiro, sobrando apenas Barton: o qual assassinou Uhtred. Eram os dois contra apenas um. Enquanto aproximavam-se dele, ele disse:
- Por favor, não me matem! Eu me rendo!
- Há de matá-lo, Gillius, ou não terá um exército – Chenric o provocava. Gillius e Siward correram até o guerreiro, que tentou fugir. Suas espadas atravessaram-lhe a barriga, derrubando-o ao chão bruscamente. “É meu, o exército é meu! Eldred é minha!” Gillius comemorava em sua mente, enquanto guardava sua espada na bainha e caminhava até Chenric.
- Meus parabéns, Gillius! Você é um guerreiro e tanto! Foi uma pena eu ter duvidado de você.
- O exército, Chenric. Agora ele é meu.
- Claro que sim. Não me esqueci da parte mais importante. Preciso que troque sua espada, agora que comanda o Exército Branco – disse Chenric, levantando-se do trono. Retirou sua bainha com a espada, e a entregou para Gillius. Ele atirou rudemente sua antiga bainha ao chão, enquanto a trocava pela a de Chenric. O cabo dela possuía o formato de uma torre, o qual representava o Castelo Branco. Qualquer um que possuísse a espada tornava-se o líder do Exército Branco.
- Mas não se esqueça que agora comando você e seus homens – Chenric o lembrou. – Mas não se preocupe. Odeio guerra, diferente de você. Não irei lhe atrapalhar em seus planos.
- É bom você ficar longe de meus assuntos, Chenric. Agora envie a mensagem do que me tornei para Goduine, para que os homens partam primeiro que eu para Eldred. Eu os encontrarei lá.
- Se assim deseja – disse Chenric, fazendo um gesto para que um dos guardas enviasse a carta.
- Que os Deuses estejam com você, Chenric – despediu-se Gillius, virando-se para a saída.
- Digo o mesmo a você, Gillius! – Chenric gritou, fazendo sua voz gerar ecos.
Quando começaram a descer os degraus, Gillius disse a Siward:
- Uhtred morreu aqui, mas sua vida nos valeu um exército.
- Claro, senhor – Siward concordou, sorrindo de alivio. Novamente seus passos eram as únicas coisas que lhes fazia lembrar de que não eram surdos, e no escuro céu as estrelas ainda se ausentavam.
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FilipeJF
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