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Em Busca do Eu e da Completude do Ser

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Em Busca do Eu e da Completude do Ser

Mensagem por Walk Up Proud em Sex Jun 22, 2012 3:37 am

Hoje sou eu, o que ontem fui sinto que o tempo passou rápido para mim e para ti, se pensarmos nascemos como bebes, crescemos amparados pelos pais e educadores, e quando somos adultos o que ganhamos com isso, a emergência de uma colectividade? O fomento, de diversos papeis no espaço social? O carácter de sermos homens e mulheres, a interna consciência de que não estamos sozinhos e que vivíamos na Alegoria da Caverna de Platão, cujo preso se libertou e veio de encontro à luz.

Há diversos Eus, o Eu societário, que se desenvolve através de uma colectividade cheia de normas sociais que regulam os meus comportamentos na cultura em que estou incerto.
O Eu societário é um Eu capitalista, em que numa colectividade terei que desempenhar uma tarefa, ou por outra, o que determinada cultura me propõe é que arranje um emprego, para fazer parte de uma colectividade, e dar lucro a ela, pois se serei mendigo ela tem despesa para comigo.

Hoje apetece-me ser Medico, escolho esta profissão, porque me é dada a escolha, e a certo momento fui excelente, entrei para a Faculdade de Medicina, vivo perto da Serra do Açor, no concelho do Piódão, não sei se já ouviram falar, este concelho fica perto de Coimbra.
Por vezes, nós os Médicos deparamo-nos com situações mais graves, do que outras, eu tenho a meu cargo um doente terminal, e de facto para o seu problema, ainda não há cura, ou melhor terei que pesquisar, coisa que me dá trabalho, mas por vezes é preferível tê-lo do que se ficar com problemas de consciência, para o resto da vida.
O telefone toca, que maçada ter que parar um trabalho de interessante pesquisa. Atendo, pode ser alguma coisa muito importante:
- Estou!
- Dr. Duarte! Como está? É só para lhe dizer que o meu avô não está melhor. Podia passar por cá!
- Maria, não há muito a fazer!
- Doutor não diga isso! Por amor de Deus!
Maria é só a mais bela mulher, das redondezas, todos os rapazes caiem a seus pés. Ah, e se caiem, tem 18 anos, mas não dessas mocetonas corpulentas, tem estatura mediana, de tez claro e lábios vermelhos, faces avermelhadas e roliças, era uma boa rapariga, delicada, muito prendada.
Maria habitava numa linda casinha de pedra, com uma varanda de madeira acastanhada, na companhia dos seus avós Noémia e Alfredo, este é o meu paciente, que está na fase terminal da sua vida, já pouco ou quase nada há a fazer para o salvar.
Mas a sua neta, não se cansa de fazer esforços para encontrar a cura para o seu avô, ela é um anjo, quando aos domingos vai à igreja não se esquece de pedir por todos da sua aldeia, de modo muito especial pelos seus avós que Deus os proteja contra as intempéries das estações. Maria era tão bela que quando chegava à igreja as pessoas diziam umas para as outras:
- Que bela é a nossa Maria!
Mas logo que, a Missa, acabasse Maria precipitava-se para sair da igreja a um passo aligeirado com presa para chegar a casa, pelo caminho encontrava as amigas e alguns pretendentes e Maria falava-lhes.
Ia assim, entretida até à sua casa, quando chegava anunciava sempre:
- Cheguei! - E rapidamente, colocava o avental pendurado atrás da porta.
Bato, há porta e a doce Maria atende:
- Dr. Duarte! Então descobriu alguma coisa?
- Penso que sim, posso ver o meu paciente?
- Pode! É por aqui! – Sempre educada esta Maria, ah se soubesse o bem que me faz ao vê-la a sorrir.
Chego ao quarto e vejo Alfredo a agonizar na cama Maria entra no quarto comigo, como de costume puxa uma cadeira para eu me sentar eu pego no braço do paciente e ato com uma legálea preparo uma seringa para tirar sangue ponho a agulha na pepita e vejo uma veia no braço espeto a agulha e tiro quinze milímetros de sangue.
- Posso trabalhar aqui? – Pergunto, e tu nem sabes por quê, eu quero ficar não, sabes que és a minha musa inspiradora, e respondes. Amargamente, como fosse para ti um encargo.
- Quer trabalhar aqui? Como assim? Acho que seria melhor trabalhar na sua casa!
- Não é, não senhor, qual num hospital os médicos também trabalham nos quartos dos pacientes… – respondo sem jeito.
- Faça como queira!
- Obrigado! – E dou um sonífero a Alfredo, este adormece, a Maria fica em choque.
- Calma! Está só a dormir! – Digo eu, tentando acalmar a dor de Maria
Maria, incrédula retira-se, eu sento – me ao fundo do quarto numa escrivaninha. E rio, por nunca suspeitares de mim, nem das minhas intenções para contigo.
Abro, agora, um livro e poiso o sangue em cima da mesa, a meu lado, vejo no livro uma planta, fantástica abro o meu Computador portátil e Eureka descobri a cura, saio do quarto e vou até à cozinha, onde estás tu a chorar, talvez pela arrogância que te respondi à bocado, bato à porta aberta e entro:
- O que foi? – Pergunto preocupado – Porquê estás assim?
- Pelo meu avô! – Compadeces-me com a tua resposta, sei que é o único “pai” que te criou. Sento-me perto de ti e abraço-te, tento limpar-te as lágrimas e tu agradeces-me.
- Já passou? – Perguntei eu preocupado contigo. Tu acenas a cabeça que sim. – Óptimo, é que uma mulher tão bonita não tem por quê ficar triste, ainda mais com o que eu acabei de descobrir… – sou interrompido.
- O que o Doutor acabou de descobrir?
- Estás preparada?
- Sim! Desembuche… Passa-se alguma coisa com o meu avô? Morreu?
- Não é nada disso! Há uma possibilidade de se curar é perigosa… mas acho que no caso, em analise vale a pena tentar-mos…
- Mas que possibilidade é essa, eu faço quase tudo que tiver a meu alcance? – Respondes tu em desespero…
- A semente do Cato Africano, tens que apanhar a semente do Cato Africano!
- E onde existe?
- No cume da Serra do Açor! Tem urgência… – Espero pela tua resposta. Combinamos de na manhã seguinte irmos os dois à procura da tal semente. E quase sem nenhum de nós esperar, beijamo-nos.
Hoje, ao olhar para esta fotografia ainda posso recordar toda a emoção que senti ao beijar, e assim fomos felizes para sempre.


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