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Quem és tu?

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Quem és tu?

Mensagem por PandoraTheVampire em Qua Jun 13, 2012 11:18 pm

Este texto foi publicado num concurso que ocorreu no Falecido. O único em que eu participei, na verdade. Fiquei em terceiro lugar na altura, lembro-me! xD Espero que gostem!!





Uma figura escura na escuridão pálida da noite. Um restolhar esvoaçante de um casaco preto no alcatrão negro da rua deserta e suja. Um cheiro nauseabundo e quente no ar pesado e enevoado, levemente pintado com umas nuvens de nicotina que o rodeiam como moscas rodeiam as fezes. Um chapéu elegantemente inclinado por cima do olho direito e um sorriso desarmante e encantador.

"Quem és tu...?"

Uma gargalhada sinfónica que ressoa nos tímpanos enquanto ribomba no cérebro, acariciando, encantando, inebriando a alma e o pensamento racional. Um suspiro leve e um bafejar de uma nova nuvem de nicotina. Escura. Tão escura e pesada que confunde os sentidos e embriaga o olhar.

"Quem sou eu...?"

Uma voz pesada e carregada de malícia. Uma combinação suave de graves e agudos tão graves que nem parecem agudos, mas sim graves menos pesados. Uma leve rouquidão estonteante. Sedutora. Tão sedutora e sensual que embala os sentimentos e os emaranha uns nos outros criando confusão onde outrora não a houvera.

"Não vou dizer que sou o teu pior pesadelo."

Uma única frase coberta com o doce da ironia. Uma entoação frásica acentuada habilmente nos pontos mais importantes. Um gesto eloquente na direcção do cigarro pendurado descuidadamente na ponta do lábio.

"Também não vou dizer que não te vou fazer mal."

Uma carícia. Um toque na face, suave. Tão suave que chegou à alma. Uma distracção tão estonteante que não só distrai como embala. Uma mentira provocadora que roça o disparate. Uma mentira construída para enganar como só ele o sabe fazer.

"Porque vou."

Uma frase que é um suspiro. Ou será um suspiro que é uma frase? Um olhar encarnado e penetrante que queima e corrompe. Um sorriso de lado que não mostra nem esconde nada. Um sentido de humor perverso que ninguém entende e um piscar de olho matreiro que toda a gente compreende.

"Mas... mas quem és tu?"

Uma aproximação subtil e de rompante. Um caminhar leve. Tão leve que nem se ouve. Um circundar tão penetrante que lembra um caçador a rondar a presa. Um sorriso que lhe chega aos dentes felinos. Um silvo quase inaudível que poderá ter passado por uma leve gargalhada.

"Ainda não sabes?"

Uma voz ingénua numa personagem que é tudo menos cândida. Um tom infantil em alguém que já viveu milénios. Um sopro de leveza numa situação carregada de pesar.

"Como hei-de eu saber?"

Um passo para a esquerda sem ser sentido. Uma mão no pescoço sem ter sido convidada. Um beijo na pele pálida que arranhou e queimou. Uns dedos no cabelo que tanto prendem como acariciam.

"Tu podes sentir. Podes saber quem eu sou."

Uma língua húmida que se enrola na orelha. Uns dedos finos que quebram a alça do vestido e despem sem nunca tocarem. Uns lábios secos que arrepiam e quebram a pele branca. Um suspiro quente que sufoca os sentidos.

"Como?"

Um suave roçar de dentes na pele fina como o papel. Um grito de prazer abafado e mastigado com um morder de lábios. Um leve arfar de encanto quando o prazer não chega.

"Deixa que te mostre."

Uma voz que embala como nunca uma canção o fez. Um murmurar que encanta quando um olhar não basta. Um suspiro que inebria como o álcool mais forte não consegue.

"Sim..."

Um beijo que de beijo nada tem. Um rasgar de pele que não passa de um corte. Uma lambidela felina que se transforma num frenesim devorador. Um apertar que é tão forte que devia esmagar.

"Já me conheces?"

Um suspiro junto ao ouvido já que a vida se está a afastar. Uma carícia na fronte porque o cabelo teimou em se desalinhar. Um olhar feroz que examina o olhar baço que teima em desaparecer.

"Tens de falar mais alto, querida."

Um suspiro que nunca se ouviu. Um arfar que roubou a réstia de vida que ele deixou para desaparecer. Um esgar assustado que permaneceu para sempre cravado no seu rosto. Um soluço de dor que se fundiu com o bafejar de um cigarro.

"Vampiro..."

Um estrondo inaudível quando o corpo inerte bateu no chão. Um restolhar de gravilha quando os sapatos se arrastaram no pavimento. Um chiar ardente que desapareceu no ar quando o cigarro foi apagado pela chuva.

E uma gargalhada maléfica que ecoou na noite mais escura que o Inverno alguma vez presenciou.

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Re: Quem és tu?

Mensagem por Fox* em Qui Jun 14, 2012 2:59 pm

Não conhecia a música, mas gostei muito!
Eu acho que já tinha lido este no falecido, mas não posso ter a certeza, por isso deixo aqui a minha opinião:
Está fantástico, Pandora! Muito bons teriam de ser os outros para teres apenas ficado em terceiro lugar, porque este texto tem um ritmo espetacular! Adorei as comparações que foste fazendo e como encadeavas as palavras, o bafo do cigarro com os sussurros, as gargalhadas com os passos, adorei todo o texto! Está mesmo muito bom :D

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