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Never Too Late

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Never Too Late

Mensagem por Soph em Sex Jun 08, 2012 12:06 am






Nunca me pediste nada.
Nunca te viste obrigada a fazer muito para me agradar, bastava seres tu mesma. Eu amava-te tal como tu eras.
Mas não o sabia. Só o compreendi agora.
Fizeste-me tão bem e eu só te fiz mal.
Eu só fiz mal.
Em toda a minha vida fui aldrabão, mentiroso, traidor, mau amante, mau amigo, mau filho, mau pai, mau irmão.
Fiz sofrer pessoas que eu amava mais que tudo na vida. Ou que julgava amar.
Fiz chorar, fiz sofrer.
Tu ajudaste-me, tentaste mudar-me, tentaste que olhasse para o mundo de uma maneira mais positiva apenas com o teu sorriso sincero. Tentaste pôr-me feliz mesmo quando eu estava na mais funda das depressões, quase à beira de cometer loucuras que te partiriam aos bocadinhos, pedaço por pedaço a embater no chão duro.
Eu nunca quis isso. Sei que já aconteceu. Sei que tu já estiveste mal, muito mal por causa de certas acções minhas.
Mas não desististe.
Eras querida e paciente comigo, mesmo quando eu era agressivo e maldoso.
Quando apareceste na minha vida, vieste ressuscitar emoções que eu não sabia ainda ter, não depois de tudo pelo que já passara.
Foste uma luz num dia escuro. Uma esperança, tal como a lua cheia o é para os viajantes da noite: uma presença, um sinal que não estão sozinhos.
Mas eu não me apercebi disso.
A morte perseguia-me e tu vieste descobrir um caminho para sair da minha prisão interior.
Eram as tuas gargalhadas que me punham alegre, mesmo quando chegava a casa desfeito, devido a mais uma rejeição. Rejeição essa que tu minimizavas quando envolvias o meu pescoço nos teus pequenos e delicados braços.
E eu retirava-os.
Retirava-os com tamanha brutidão. Retirava-os apesar de te amar. Apesar de amar ter os teus braços envoltos no meu pescoço.
Os teus braços finos caiam, junto ao corpo e eu, enfurecido, magoava-te a alma ao não te dar o carinho que necessitavas. O carinho que ansiavas por ter, imploravas, mesmo não verbalmente.
O desprezo…
Na época amava-te mas não o admitia. Acho mesmo que não sabia, não percebia o quanto eras necessária à minha sobrevivência.
As noites em que bebia mais do que o meu corpo podia tolerar eram um inferno para ti. Batia-te, eu sei. Mas tu, teimosa e bastante casmurra, insistias em não fugir, eu não pedir ajuda, em não teres medo de mim.
Os dias em que te deixava em casa sozinha ao abandono, eram solitários para ti, mas tu esperavas pacientemente para que chegasse a casa, para depois voltar a beber e para que tu me ajudasses a deitar. E no dia seguinte, recomeçava tudo outra vez.
E tu sempre lá.
Incansável.
Um ciclo vicioso do qual tu querias sair, mas não o fazias, por mim.
E eu sem merecer, sem reconhecer a tua dedicação a um homem que não te estimava.
Nas minhas gripes, eras tu quem me trazia o chá, quem me cobria com os cobertores, quem me dispensava a cama da pequena cabana só de um quarto com morada na floresta. Eras tu quem cuidava de mim.
E eu sem agradecer.
Que posso eu dizer?
Amava-te, mas não o sabia. Para mim eras um fardo que me deixaram.
Frio, mau, insensível, rancoroso. Não era um homem que devesse continuar a fazer parte da tua vida.
Foste a única que realmente me amou e eu nunca percebi o quão importante eras para mim.
Até ao dia em que desapareceste e eu compreendi que não era nada sem a minha menina pequenina, que aos oito anos deu a vida ao fogo quente e sufocante para salvar o corpo do pai das chamas que tentavam consumir o seu corpo alto mas franzino, ficando lá presa, dentro da cabana de madeira onde outrora cedera a sua cama ao homem que nunca percebeu o seu valor. Ficou presa a um passo da liberdade.
Ficou presa e o pai que sempre fingira não a amar, a vê-la arder, a cheirar o seu cabelo queimado, a ver os olhos focar o infinito, a ver o pequeno corpo a ficar negro, a vê-la cair de joelhos e tombar para o lado, misturando-se nas labaredas.
Por isso minha pequenina, o teu pai vai agora para junto de ti, dizer-te o que nunca te disse na vida: Que te amo mais que tudo. E que nunca é tarde de mais.
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Re: Never Too Late

Mensagem por Snoopy em Sab Jun 09, 2012 11:05 am

❤
Adorei! Adorei a maneira com descreveste!
Faz mais, sim?

____________________________
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Re: Never Too Late

Mensagem por Fox* em Sab Jun 09, 2012 2:21 pm

Já tinha lido este e gostei imenso, adorei as tuas explicações e os sentimentos! Acho que conseguiste passar uma ótima (ainda que trágica) cena familiar que revela muito mais amor e redenção do que seria de esperar!
Foi uma boa leitura porque, como já te disse, és fantástica a funcionar com textos pequenos mas sentidos :D

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Re: Never Too Late

Mensagem por Haneul em Dom Jun 10, 2012 1:29 am

Tu quase me fizes-te chorar aqui... A estas horas...
A sério. Está mais que perfeita. Adorei! ❤
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Re: Never Too Late

Mensagem por Andy Girl em Seg Jun 18, 2012 2:24 am

Olá!
Eu tenho de dizer que gostei bastante desta one-shot e que me tocou por vários motivos pelos quais não importa.
A músicca eu amo-a totalmente tal como todas dos Three Days Grace (My Second Favorite Band). Mas tenho de ser má e pensar que a música só se adapta mes,o pelo títuloXD
Beijinhos!
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Re: Never Too Late

Mensagem por Soph em Seg Jun 18, 2012 1:24 pm

Snoopy: Farei mais, concerteza :) Obrigada!

Fox: ainda que me apeteça insultar-te por matares animais, eu vou agradecer as criticas (mas não lhes vou ligar porque sou muito má, muahaha) Estou a brincar. Trágico é o meu nome do meio xD

Haneul: Se quase te fiz chorar, quer dizer que te choquei, certo? Objetivo comprido :D Obrigada :)

Andy Girl: Que má... :(
Hahah, estou a brincar. Fico contente que te tenha tocado, independentemente dos motivos. Obrigada por leres ^-^
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Re: Never Too Late

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 18, 2012 1:42 pm

Aww... só mesmo no final percebi que eram pai e filha, mas acho que era essa mesmo a tua intenção... Muito intenso e real. Adorei a forma como descreveste tudo. Lindo e triste Soph, para variar.

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Re: Never Too Late

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