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Um Passado no Futuro

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Um Passado no Futuro

Mensagem por CatariinaG' em Sab Jun 02, 2012 10:36 pm

Olá pessoal.

Finalmente decidi-me a publicar um dos meus originais longos. Ainda não acabei esta história, mas ao fazer upload aqui comprometo-me a actualizá-la duas vezes por semana, se claro, gostarem dela.

- Como tem muitas personagens, mais tarde, se necessário, faço um compêndio.
- Isto tem diálogos português-Portugal/Português-brasil, pois o cenário é o Santos, S. Paulo, Brasil;


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― Acabamos tudo assim sem…
― Cata, é melhor… não tem como continuar…
― Mas eu… Eu achei que…
― Chega mesmo… Eu te avisei… mais vale ficar por aqui, eu não queria que você pensasse que nós podíamos ter alguma coisa mais séria… eu não quero. Não…
Desliguei o telemóvel, com o meu estômago a dar voltas e voltas e mais voltas, deixando-me completamente enjoada. As minhas lágrimas não existiam, não havia como existir, acima de tudo, embora nervosa, conseguia fingir que estava tudo bem.
Tínhamos acabado tudo!


I. Never Gone


Levantei-me…

Olhei em volta do meu quarto e vi a luz do sol a brilhar lá no fundo da janela, mesmo lá em cima, no cantinho onde o estore não tinha sido capaz de se fechar.
Dei meia volta à cama e abri a janela e logo a seguir as persianas. Puxei os cortinados para o lado e meti a cabeça do outro lado da janela e respirei fundo, bem fundo, tentando perceber se ia conseguir inalar todo aquele ar antes de me ir embora.
A minha mala estava feita nos pés da cama, mesmo à frente da minha secretária. O meu computador portátil estava ligado, tinha estado ligado durante todo o dia e toda a noite, consequentemente tinha mensagens de pessoas a tentarem falar comigo no MSN. Mesmo ouvindo o barulho insuportável de aviso que a caixa de correio cheia deixei-me estar com a cabeça fora da janela, com os braços apoiados no parapeito e com uma vontade absurda de sorrir até me doerem os músculos da cara.
Olhei uma última vez para o cenário que se alcançava à minha frente, deu-me uma nostalgia enorme: lembrar-me que durante 18 anos aquela tinha sido a vista com que eu acordava.
As lágrimas, as nossas indecentes inimigas, surgiram-me no canto do olho ao tirar a minha cabeça do lado de fora da janela e ao olhar em volta do meu quarto… a minha cama com a colcha vermelha e amarela que eu tanto gostava de ter, as almofadas cor de laranja que se presenteavam no cimo da colcha, os cortinados rosa e verde lima, as minhas paredes roxas e brancas e o meu roupeiro totalmente vazio. A minha cómoda castanha e a minha secretaria e o meu computador, o meu fiel amigo ia comigo, talvez o único amigo que eu podia levar para todo o lado, para todo o canto sem ter propriamente por que pagar por isso.
Voltei a dar meia volta e fui até à parede onde estava pendurado o meu quadro com as fotografias dos meus supostos amigos, dos meus verdadeiros amigos, poemas e aquele bilhete de uma visita de exposição ― Titanic… algo que tive o intuito maravilhoso de continuar a recordar:

«Abraçou-me enquanto eu ia tentando ouvir um áudio qualquer que a senhora da recepção me tinha alugado por 4 euros. A minha mente estava tão ocupada a ouvir aquilo que o senhor do áudio ia dizendo, que nem sequer tive coragem de levar aquele abraço como sendo mais que aquilo ― um abraço.
Assim que o áudio terminou, ele continuou abraçado a mim, beijando-me a testa e de certa maneira, fingindo o seu desinteresse. Eu pensei ter visto uma vontade nos seus olhos de me beijar, mas foi um puro pensamento, e para pensamentos já chegavam os dos dias em que ficava fechada em casa sem fazer nada de jeito, a não ser escrever…
Puxou-me a mão, deu-me um beijo e imitou a cena do Leonardo DiCaprio com a Kate Winslet no filme Titanic, aquilo não era mais que um sonho… estava ali com a pessoa por quem estava apaixonada, a viver um momento que induzi que nenhuma das namoradas dele tinha vivido ― éramos o casal naquela exposição.
Durante toda a tarde não nos beijámos nos lábios, mas sim lá perto: “Na trave” diria ele…»

Arrastei as minhas mãos até o quadro e comecei a tirar as fotografias que lá se presenteavam ― para quê estas ficarem por lá?! Eu ia-me embora.
A minha irmã correu até ao meu quarto, avisou-me para me começar a vestir, tinha-me de despachar, afinal de contas tinha de me ir embora e já estava atrasada.
Com alguns cortes no vocabulário respondi-lhe entre um grunhido estúpido, finalmente vesti-me rapidamente, arrastei a minha mala para o corredor, voltei ao quarto muito rapidamente, li por alto as mensagens que se mostravam online no meu computador, demonstrando o facto de não estar com paciência nenhuma para ler o que lá ia escrito e desliguei o portátil. Tirei-o da ficha, guardei-o no meu trolley e finalmente estava pronta para sair.
Antes de entrar no carro da minha irmã, fui dar uma volta por entre a minha casa. Entrei no quarto dos meus pais, inalei o ar da sala, percorri o corredor, lacrimejei no meu quarto, voltei para o escritório, retirei a minha escova de dentes da minha casa de banho, peguei no meu elástico que estava na prateleira do móvel na casa de banho do duche e levei a minha mala lá para fora a partir da porta da cozinha.
Saí tentando esquecer as memórias que se faziam lembrar na minha mente, tentando alcançar a verdade que mais tarde ou mais cedo acabaria por criar novas memórias, novos momentos, novas recordações…
A minha irmã abriu a porta do carro e eu entrei e coloquei os meus phones nos meus ouvidos e abstrai-me do mundo naquele momento. As minhas lágrimas teimavam em correr mais seriamente, enquanto ia olhando para fora do carro através da janela, e ia tentando alcançar aquilo que durante 18 anos tinha sido a minha casa, o meu refúgio.
Tremi de desejo, de dizer que não… mandar tudo ao ar, desistir e voltar para o meu canto. Voltar para a minha casa, para a minha cama, voltar a colocar as fotografias no quadro, e voltar a sonhar com o que podia ter acontecido se nada tivesse de facto sucedido.
Senti o motor do carro arrancar…
A viagem foi curtamente longa para mim. A minha mãe segurava-me na mão, a minha irmã ia conduzindo o carro e as minhas sobrinhas iam olhando para mim tentando descobrir se havia alguma coisa que pudessem dizer para minimizar a dor agridoce que eu naquele momento estava a sentir. Mas não falaram, não disseram nada.
Os pensamentos conquistaram-me sobre a ligeira vontade de me deixarem perdida no meio do nada, esperando poder voltar atrás no tempo, mas era lógico, mesmo existindo uma máquina do tempo eu jamais na minha vida voltaria atrás no tempo. Seguindo constantemente a filosofia que se aconteces é porque tem de acontecer, não que esteja predestinado, mas como consequência dos nossos actos ― é lógico ― tudo tem as suas consequências, tanto como os ditos erros como os ditos bons momentos. Mesmo não querendo mudar nada do meu passado, porque foi a partir dele que aprendi alguma coisa, quase desejei intimamente poder voltar atrás e mudar uma coisa ― mas se aconteceu foi por alguma razão…
Chegámos ao aeroporto em meia hora. Era cedo, não havia muito trânsito, o que era consideravelmente uma grande sorte.
Uma das minhas sobrinhas puxou um carrinho para eu guardar a minha bagagem, e assim que saímos todos do carro vi a minha irmã ir estacioná-lo…

Estava na hora da partida!

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Fox* em Dom Jun 03, 2012 9:54 am

Não odeias quando essa coisa da janela e do estore acontece? Passo-me com isso (ok, momento dramaqueen off!)
Quanto à viagem que a personagem vai fazer para, segundo percebei, começar de novo... Achei muito bonita a forma como descreveste os sentimentos dela pela própria partida, por começar de novo e abandonar as raízes que tinha já criadas. Acho que uma partida, apesar de simbolizar um novo começo, nunca é fácil e conseguiste transmitir isso perfeitamente :D

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 04, 2012 12:04 am

Olha, olha, a mim me gusta muito! Pelo principio julguei que fosse aquela história que me tinhas mostrado aqui há uns tempos, mas acho que não é a mesma, certo? É que se é, deste-lhe uma boa volta. Apesar de ter entendido que as personagens irão ser as mesmas. :p estou a gostar, quero ver o que vem mais daí! Beijinho

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Andy Girl em Sab Jun 09, 2012 5:36 pm

Olá!
A história começa com um inicio muito triste mas espero que melhore, quer dizer, a miúda não pode ter sempre uma vida tristeXD
Eu gostei e fico a aguardar por mim, para já não tenho muito mais a dizer.
Beijinhos!
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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por CatariinaG' em Sab Jun 09, 2012 11:00 pm

II. Can't hardly believe it, but I know you


O corredor da universidade estava cheio de raparigas de minissaia e de rapazes de bermudas.
Conversas e mais conversas preenchiam o espaço enorme do corredor que se apresentava à minha frente, enquanto os meus nervos faziam uma marca mental e física. Senti-me perdida no meio de tanta gente.
Lá no fundo, assim que entrei, consegui encontrar aquilo que percebi ser a secretária da universidade. Embora todo o mundo que passava ao meu lado olhasse constantemente para mim, consegui passar à frente e fingir que ninguém estava propriamente a vislumbrar a minha pequena figura.
― Bom dia… ― cumprimentei envergonhada.
― Bom dia! Precisa de ajuda?
― Sim. Chamo-me Catarina, venho do intercâmbio…
― Seu nome todo, por favor.
Pronunciei o meu nome, tão ou mais português que todos os daqueles.
Enquanto ia deixando a minha marca na parte da secretaria da escola, um rapaz tinha acabado de se chegar perto de mim. Tentando não dar a entender que tinha acabado de ter um vislumbre do rapaz ao meu lado, continuei a olhar para a mulher que me estava a atender e sorri desejosa que aquele momento passasse em dois segundos ― nunca fui muito segura com rapazes, e desde que eu e ele tínhamos acabado que eu me limitava a fugir a tudo o que tivesse uma maçã-de-adão saliente.
― Aqui está ― a senhora comentou olhando para o computador. ― Você não tem aula hoje… É só apresentação.
― Sim, pediram para vir visitar as instalações antes das aulas começarem…
― Hmm, certo. Primeiro de tudo… ― sorriu e olhou. ― Tem familiares vivendo cá?
Tenho primos aqui, mas nem os conheço.
Acenei negativamente.
― Então vai ficar no campus?
― Vou ficar no campus, sim… Dormir na rua não é o meu objectivo de vida.
A mulher deu uma gargalhada e o rapaz que estva ao meu lado quase cuspiu, não fosse a minha piada a melhor do ano.
― Ah, tá… ― acenou. ― Então, acho que… ― pousou os olhos no ecrã do computador e calou-se durante uns segundos.
O rapaz ao meu lado estava com as costas encostadas no balcão e ia olhando para a barulhenta reunião que ia surgindo perto de cada sala de aula. Olhei-o pelo canto do olho, tentando não dar nas vistas. Fingi que estava muito ocupada a tentar perceber a senhora da secretaria, enquanto sentia os olhos do rapaz andarem de volta do meu corpo.
― Acho que é tudo, ehm… Ah! ― exclamou. ― As aulas para Jornalismo do 1º ano começam quarta-feira ― informou.
― Hmm… Okay, então… Eu…
― Não quer ir dar uma volta nas instalações?
Porque não?
― Sim… Acho que sim…
― Olha, eu não vou poder ir mostrar para você, minha colega saiu para pausa, mas eu vou chamar um professor substituto que possa aju…
― Ah, Ceci, deixa de coisa, eu mostro a escola à menina…
― Oi, ‘cê não tem aula, não? ― indagou olhando para o rapaz.
Com aquele segundo de pausa tive tempo suficiente para olhar para o lado e medi-lo de cima a baixo:
‘Mas que homem lindo! Ahm?!’
Olhei-o de novo, de cima abaixo, como se lhe quisesse tirar as medidas, como se o quisesse inspeccionar exterior e interiormente.
Tentei recuperar do meu brilhante momento de deja vu, mas assim que abri os olhos não me pararam de surgir certezas de que já tinha visto aquele rapaz nalgum lado.
Os olhos verdes dele brilharam.
Além dos olhos verdes, representava um dos homens mais bonitos que eu já tinha visto em toda a minha santa vida. Olhos verdes, cabelo rapado, alto, músculos, bem vestido, grande e bonito rabo… Pedi que os meus pensamentos sobre a sua aparência parassem para voltar a perceber por que raio é que eu tinha a certeza absoluta quer já o tinha visto nalgum lado.
Num segundo estendeu a mão, como se me quisesse acordar do êxtase.
― Eu levo ela ― piscou o olho.
Subitamente acordei do transe e olhei de novo para a mulher que estava sentada do outro lado do balcão.
― Leandro, você…
― Deixa p’rá lá, eu mato aula hoje… O professor nem vem, acho…
― Você acha, mas não tem a certeza, né?!
Leandro?!
Gravei mentalmente o nome dele, mas mesmo assim não consegui descobrir de onde é que o conhecia. Sabia que o conhecia, já o tinha visto, tinha a certeza, mas onde?! No aeroporto?
― Não importa, eu levo ela…
Esticou de novo o braço e puxou-me a mão.
― Eu sou o Leandro! ― disse.
Com um sentido de educação enorme, recuperei a minha consciência e apertei-lhe a mão como se quisesse apertar a mão de um cliente de uma empresa.
Com um sorriso hilariante na sua cara, um sorriso que reconheci como sendo parecido ao de outro alguém, puxou a minha mão e deu-me um beijo na bochecha. Quando se afastou vi-o sorrir outra vez, e afastou-se, como se quisesse dar a entender que me queria dar espaço para respirar, não fosse eu desmaiar ali no meio daquela súbita vontade de descobrir onde é que o tinha visto, se é que alguma vez o tinha visto, mas eu reconheci-o, sabia que já o tinha visto.
― Aqui em Santos não cumprimentamos ninguém com a mão… ― comentou. — É logo beijo.
― Ahh, okay… ― sorri.
― Só por acaso, eu já vi você nalgum lado… ‘Cê não é daqui, não…
― Não!
― Mas eu já vi você…
Uahoo, eu também já te vi!
― Você esteve em casa da Thalita ontem na festa?
― Não… Cheguei ontem à tarde, ainda estou a sofrer de Jet-lag — comentei entre sorrisos e bocejos.
― Ahh, cara, você é tuga! Ahh…
A rapariga da secretaria sorriu e passou-me um papel para a mão enquanto Leandro se chegava mais perto de mim.
― Esse papel serve de identificação de estudante enquanto você não tiver o cartão.
Acenei e sorri tal como tinha aprendido back in the days.
― Você vai mostrar a uni a ela?
― Sim, Ceci, estou indo… ― disse.
Pegou na minha mão e acenou.
― Para começar, como você se chama?!
― Catarina… ― disse.
― Hmm… de Portugal. Tenho um mano lá…
― Ooh, okay ― comentei em desprezo.
― Quer dizer, não é meu mano, é meu amigo. Meu melhor amigo. Está vivendo lá há um ano já…
Saímos por uma porta enorme ― a porta Este ― classificava a placa que estava colada por cima da porta.
O hall da entrada Este da universidade era maior que a da entrada principal, era enorme, aliás. Depois de uma vista sobre uma enorme floresta de prédios que se fazia mostrar à nossa frente, pude ver aquilo que pareciam ser os dormitórios, ou por outra, o campus onde eu ia viver durante o meu primeiro ano de faculdade. Um prédio enorme junto de outro que dizia ser um ‘ginásio’. Parecia ser pequeno.
― A piscina é do outro lado do campus ― disse ao ver-me espantada a olhar.
― Ooh! Okay… ― sugeri. ― Obrigado.
― Todo o mundo fica assim quando vê o ginásio. É muito pequeno sim, mas tem muito boas condições, sério mesmo.
Acenei a cabeça e sorri.
― Bem, você sabe o número do seu quarto? ― indagou.
Tirei a minha mala de cima do meu ombro e abri-a rapidamente.
Enquanto ele ia olhando à volta, eu ia procurando o papel que tinha a designação do número do meu quarto. Finalmente, após uma volta enorme àquilo que os homens costumam dizer ― O mundo das mulheres ― retirei o papel branco que se mostrava lá dentro, e abri-o, li-o cuidadosamente, enquanto pelo canto do meu olho via o Leandro a sorrir enquanto me olhava de cima abaixo com um ar um pouco incrédulo.
― Se quiseres podes tirar uma fotografia… ― sugeri.
― Posso? ― indagou.
― Por mim… ― ri-me. ― Posso fazer uma pergunta? ― indaguei cuidadosamente.
― Força aí!
― Há quanto tempo estás nesta universidade a estudar?
― Eu estou tirando outro curso… E estou trabalhando ao mesmo tempo.
― Não estás feliz com o curso que tens?
― Não é isso. Eu tenho um curso e estou tirando outro.
Ambição, olhos lindos, corpo maravilhoso, face bela… Escolha de roupa completamente excelente… E mais um pouco estava eu deitada na cama com ele ao meu lado ― nossa! Que homem lindo.
Abanei a cabeça em sinal de desaprovação completa com aquilo que me estava a passar pela cabeça, não podia deixar que a minha libido, mais uma vez, conquistasse tudo aquilo que eu não queria que ela conquistasse ― despir um rapaz mentalmente que mal conhecia, era trabalho de uma gaja porca sem nada para fazer e que estava com o desespero demarcado em cada centímetro quadrado da pele.
Por segundos desejei tê-lo conhecido numa festa qualquer do campus, mas percebi que seria muito irritante se ele percebesse que eu estava literalmente interessada em despi-lo, pelo menos mentalmente falando.
Até há uns dias atrás, estava completamente apaixonada por ele, tinha feito tudo por um rapaz que apenas queria uma coisa de mim, ou por outra, que pura e simplesmente só queria duas coisas de mim, mas em situações separadas, um rapaz que nunca tinha querido uma relação muito séria, porque mesmo que quisesse tinha medo, e a vontade que eu tinha de continuar atrás dele só existia porque estava completamente apaixonada pela pessoa que pensava ter conhecido, mas que ele teimava em esconder.
Ao meu lado, Leandro parou e olhou para mim com uma expressão vaga na face, como se se perguntasse intimamente o que se passava comigo, porque é que de um momento para o outro eu tinha ficado tão branca e com uma vontade enorme de ficar calada.
― Está tudo bem com você? ― indagou.
― Eu… Sim, claro… ― disse. ― Sabes quando é que eu posso guardar as minhas coisas? É que tenho duas malas no meu quarto de hotel, e ainda preciso de…
― Onde é o seu hotel?
― Em Santos… Ao pé da praia, não me lembro do nome, mas é um de 4 estrelas, é mesmo à frente da praia, acho que fica perto do estádio Vila Belmiro, acho eu.
― Ahh, sei… Moro aí perto, mesmo perto… Eu busco suas coisas hoje, logo a seguir… olha, se você quiser, vamos logo lá.

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Fox* em Sab Jun 09, 2012 11:41 pm

Tenho de admitir que o que gosto mais nesta história é o diálogo em português brasileiro! Até consegui ler com pronúncia, o que tornou tudo muito mais divertido!
Cata, não tens uma foto desse rapaz, pois não? Sei lá, depois dessas explicações todas, eu também quero imaginá-lo... xD
Estou a gostar imenso, acho que vai sair daqui uma boa original!

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por CatariinaG' em Sab Jun 09, 2012 11:54 pm

Ola Fox... tenho, tanto de um como do outro...
Já pensei publicar, mas como as imagens são de homens que existem mesmo e que têm esses nomes... não vou publicar... posso enviar te por pm lol.
Os nomes são reais... E as fotos também Lol.

obrigado por estares a ler.
Beijinho

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Anne Margareth em Dom Jun 10, 2012 1:24 am

Olá Catariina G'
Tenho lido a tua fic. Sei que me porto mal, sempre, pois não venho cá nem comento nada quando venho. Hoje, passei por cá, e resolvi comentar a tua fic.
Adorei, esses teus pensamentos, malévolos, lol. Atão tu queres despir despir o Leandro? Andas saída da casca... "Ai a menina! Tenha lá juízo de uma vez..." (Antes que me batas, estou a brincar!)
Adoro a tua escrita. Catariina.
Continua. Continua, Continua. Quero, mais, é preciso fazer uma manifestação?
Beijinhos,
Graça
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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por PandoraTheVampire em Dom Jun 10, 2012 6:15 pm

Ui isto melhora a cada capítulo! Estou a gostar imenso Cata (para variar...) e vamos lá ver o que vai acontecer aqui... até acho que sei porque é que ela o conhece... xD mas vamos lá ver mais! Continua, claro!

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Andy Girl em Seg Jun 11, 2012 1:05 am

Lool!
Terá sido amor à primeira vista? Hum, de onde será que ela o conhece? XD
Mas gostei da personalidade dele pelo menos do que este capítulo deixou ver dele.
Agora, vamos ver como ele é mesmo quando for buscar as coisas ao quarto de hotel delaXD
Fico há espera de mais.
Bejinhos!
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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por CatariinaG' em Seg Jun 11, 2012 1:46 am

III. Tudo ao que o mar pertence ao mar volta


A brisa fazia-se mostrar perante todo o horizonte que se limitava a aparecer à minha frente, de facto, Santos era belo, belíssimo, fabulosa mistura entre a natureza e a catástrofe urbana que se fazia mostrar atrás de mim, mesmo à frente da praia. Olhei para trás, um daqueles apartamentos pertencia ao meu ex, lembrei-me de ele mo ter mostrado através do Google Earth.
O molho de apartamentos que se fazia notar era tão grande que era raro conseguir olhar para trás e ver as pequenas casas que se ergueram muito antes daqueles novos edifícios atrás de mim.
Por entre tanta imensidão marítima a única coisa de que não me conseguia esquecer era dos olhos verdes de Leandro e dos olhos verdes dele, do outro.
Eram excepcionais, incríveis…
Olhei de novo para a frente com uma lágrima a cair na minha bochecha e outra a espreitar pelo canto do olho, lembrar-me do outro não era o meu paraíso, não era o que os brasileiros dizem ‘a minha praia’.
Na minha procura incessante, consegui visualizar três ou quatro casais completamente sorridentes… e pelo que o meu ex, ex-qualquer coisa, porque namorado não era, me tinha ensinado, brasileiro que se preze tem de, no mínimo, beijar a sua mulher à frente de todo o mundo e, apalpá-la para que toda a gente veja que aquela é dele e de mais ninguém.
Pois, eu…
Eu pertenci ao rapaz que me partiu o coração, mas ele nunca me pertenceu a mim. Todos os dias ele fazia questão de mo lembrar. Sempre que chegávamos à parte do: ‘Há qualquer coisa que me faz querer estar sempre contigo, mas não posso…’, o rapaz lembrava-se de querer demonstrar o quão não namorados nós éramos.
Conversas atrás de conversas, factos atrás de factos, brincadeiras com fundo de verdade atrás de brincadeiras com fundo de verdade, a nossa relação foi ficando mais instável, e ele limitava-se a dizer que queria, e quando dava ele fugia, quebrando mais uma vez toda a confiança que eu sentia por ele.
Mesmo assim, não havia um dia em que eu não recebesse no telemóvel uma mensagem dele, mesmo sabendo que o desprezo já não existia, ele limitava-se a mandar mensagem quando podia, quando se lembrava de mim, quando saía do trabalho, quando chegava a casa.
Mas sempre constantemente me dizia:
— Não podemos estar juntos.
E eu…
Eu sentia que não lhe queria esconder nada.
Não tinha de esconder algo real, pelo menos limitava-me a não acreditar que devia esconder o que realmente sentia por ele.
Aquele homem fazia-me o melhor e o pior.
Fazia-me feliz todos os dias, mesmo sabendo que tudo se ia desmanchando aos poucos, fazia-me feliz.
Com o passar do tempo as verdades foram-se estabelecendo, ele não me queria perto dele, as nossas amigas nunca mais nos viram juntos, sempre que íamos as três ter com ele só o olhar dele me seguia, nem um beijo na cara, muito menos nos lábios.
Só estávamos juntos se, por coincidência, nos encontrássemos, ou se me fartasse de não o ver e aparecesse lá perto da hora de ele sair.
O tempo foi passando e eu fui deixando de querer andar atrás dele.
O ‘medo’ era o que ele dizia, tinha medo de me amar e ter de me perder, sofrer por me ver deixá-lo, ou vice-versa, e ele não sentia… ele dizia que não sentia, mas toda a gente dizia que ele sentia… até ao momento em que eu deixei de sentir!
Muitas vezes dei por mim sozinha no quarto a chorar, sozinha, embrulhada nos lençóis da primeira noite que eu e ele vivemos juntos..
Por raiva e discussões que eu própria simulava comecei a ganhar o ódio dele, e quando percebi já era tarde de mais, já ele queria paz e descanso, algo que eu nunca lhe tinha sido capaz de dar, ainda assim, houve dias a fio em que recebi mensagens dele, com as coisas que, para todo o mundo, eram desnecessárias, mas que para mim eram a mais constante e solta prova de que ele sentia qualquer coisa, de tal forma que, sempre que via qualquer coisa, lembrava-se de mim. E eu, sempre, de manhã, olhava para o telemóvel na procura e sempre ou quase sempre encontrava o que todos os dias sabia ser a SMS de bom dia ou de boa noite do meu ex.
Até um dia ele a conheceu, e eu fingi ser o que não era – falsa e mentirosa.
Durante dias simulei acidentes, menti e fiz trinta por uma linha para ele voltar a falar comigo. A obsessão tinha começado e eu já não conseguia viver sem adormecer a pensar nele…
E ele caiu mais uma vez na esparrela, até que eu me fartei de fingir uma vida que não a minha, um acidente que não o meu, uma mentira feia e horrível. Pensei bem e dignei-me e pedi a uma amiga para lhe mandar uma mensagem de despedida por mim.
Tinha fartado de mentir, tinha-me fartado de esperar.
Nem ele merecia uma mentira daquelas, nem eu merecia um olhar dele.
Fartei-me de esperar por ele.
Ter de ir à loja onde ele trabalhava para o ver dava-me a mais pequena sensação que ele só me queria demonstrar que eu sempre faria de tudo para estar sobre o seu olhar, sem que para isso ele tivesse de se esforçar.
Com míseros meses de uma relação bem frustrada em que ele teimava em afirmar o facto de ele nunca me ter percebido, terminámos na mais vaga das verdades.
Cada um seguiu o seu caminho.
Eu sofri, chorei, menti, disse a mais perversa mentira para o fazer falar comigo, mas tinha acabado!
E tive de sair de Lisboa.
No entanto, ele por lá ficou.

Voltei o meu olhar novamente para o mar, as ondas batiam agitadamente nas rochas, os namorados amassavam-se, as raparigas mostravam as suas pretas bundas, e os rapazes mostravam com o simples toque das mãos deles nas bundas delas.
À minha frente vi uma rapariga que me pareceu ser uma das amigas do rapaz de olhos verdes que me tinha ajudado na outra semana. Não me lembrei do nome dela e, uma vez mais, a sua face não me era nada estranha.
― Que ‘cê ‘tá escrevendo p’rái? ― ouvi.
Olhei para o meu lado esquerdo e vi o rapaz.
Arrumei o meu caderno e baixei o volume do iPod.
― Nada de jeito, sinceramente… — disse enquanto esfregava os olhos.
― Posso sentar? ― indagou.
― Força! ― sorri.
― Faz confusão ver uma garota tão linda sozinha e chorando.
― Quem? ― perguntei enquanto olhava para a minha frente. ― Podes crer, aquela tua amiga é bem bonita.
― Ahh! Boba! Minha amiga ali não está chorando. Você está!
Abanei a cabeça.
― Saudades de casa! — disse.
— Você é de onde?
— Cascais… Perto de Oeiras.
— Irado! Meu melhor amigo mora em Oeiras.
― É há muitos brasileiros aí… — respondi. — A praia costuma encher tanto à noite?
— O pessoal se junta todas as sextas à tarde na praia para se manter em contacto ― comentou. ― Às vezes é mesmo gente que nem falamos durante a semana toda.
― Então, se bem entendo, encontram-se aqui à sexta para não terem que levar com o pessoal durante a semana toda ― acenei.
Bem pensado, começo a achar que em Portugal deviam fazer a mesma coisa… Evitaria muitas confusões… ― pensei.
O rapaz olhou para mim e riu-se com vontade, talvez a única piada que não me saiu forçada.
Olhei para a sua face rosada. Tinha-a bastante bronzeada.
O seu cabelo era bem curto, rapado mesmo, e os lábios dele eram bem definidos.
Havia qualquer coisa na sua expressão que me fazia interrogar sobre o porquê de achar que o conhecia. Eu sabia que o conhecia…
Tinha a certeza.
Mas de onde? De onde, se eu só estava em Santos há uma semana?
Fui-me inquirindo até perceber que o meu silêncio começava a ser incomodativo.
Levantei-me, arrumei o meu caderno na minha mala preta e logo me preparei para abandonar a praia.
O rapaz olhou de frente para mim e inquiriu silenciosamente o porquê de eu estar a afastar-me.
Encolhi os ombros, pisquei os olhos.
Três segundos bastaram para sentir a mão dele puxar-me o braço.
― Hey! ― resmunguei.
― Desculpe… Mas, porque é que ‘cê se vai embora? Não tem jeito, fica!
― Preciso de ir estudar…
― Hey, ‘cê não ‘tá em medicina, não tem ainda matéria para estudar, bobagem. Fica!
Hesitar, fazer-me de difícil, armar-me em parva, achar-me boa demais, ou ridiculamente estúpida, achar que é errado, fingir que é certo, sentir desejo, ou achar que me queria enganar?
Tudo me passou na cabeça naquele segundo patético.
Por um lado gostava de dizer logo que sim. Por outro… porque ficaria eu?
Ia fazer figura de pateta! Não queria, não me apetecia… Mas porquê achar-me pateta? Não havia razão! Se ele me estava a convidar era porque de facto ele o queria fazer. Se ele não quisesse falar ele não diria nada. E a minha estupidez ainda durou mais um pouco, como era de prever.
É ridículo o quão indecisas e inseguras as raparigas são:
Se os rapazes não dizem nada ― é porque não dizem nada. São maus! Rudes, não querem saber de nós… São uns insensíveis. — Se falam ― é porque estão com segundas intenções, não podem ver um rabo de saias que se excitam logo, são uns chatos e isso enerva qualquer uma que tenha vida própria.
― Ainda não jantei ― comentei secamente.
― Não há problema. É para isso que a churrascada serve ― disse.
― Mas tenho de descansar.
― Amanhã é sábado ― sorriu.
― Mas preciso de ir cedo para o campus.
― Dorme na minha casa.
― Mas não quero que…
― Eu tenho quarto de hóspedes… Não há problema ― piscou.
― Leandro! ― alguém o chamou.
Razoável maneira de mudar a conversa!
Consegui ver a rapariga amiga dele a surgir perto de mim.
Olhei e comecei a analisá-la.
Tinha o cabelo escuro e comprido, e os olhos castanho-escuro tais como os meus, era magra, e mais alta que eu… Claro, todo o mundo é mais alto que eu.
Ela sorriu, o seu sorriso… Mais uma vez, ou loucura ou deja vu — já a tinha visto uma vez.
O dilema continuava.
Mesmo sabendo o que sabia, o dilema continuava e eu teimava em acreditar que tudo aquilo era uma santa e pura coincidência, mesmo sabendo que eu própria sabia melhor que isso.
― Esta é a Marcela ― Leandro apresentou-me. ― Marcela, esta é a… Catarina ― lembrou-se.
― Prazer! ― sorriu.
Incentivei um sorriso a aparecer na minha face.
E sem querer, outro flashback passou pelos meus olhos querendo avisar-me do que poderia acontecer a seguir:
Dei por mim com lágrimas nos olhos e o telemóvel na mão ― ‘Mãe, eu e ele acabámos de vez… Não quero falar ou ouvir falar dele nem um único segundo da minha vida. Quero esquecer que ele alguma vez existiu na minha vida.’ ― Foi a última vez que falei dele na minha vida, pelo menos até antes de ir para o Brasil.
E ali estava o Leandro a indagar um ‘porque raio’ é que estava eu tão calada.
Marcela mostrou-se super animada assim que deitou a sua face para eu lhe dar um beijo na bochecha.
Já que tinha de ficar, mais valia largar as minhas coisas, Pus um sorriso na minha cara e fingi felicidade extrema ― ia para a frente com aquilo nem que mais tarde eles descobrissem que tudo aquilo era falso, que eu não estava assim tão feliz quanto dava a parecer.
A rapariga sorriu e, enquanto vestia uma camisa, perguntou-se se eu já tinha jantado. ― ESTAVA A MORRER DE FOME!
Levou-me até um bar mesmo na praia e logo nos sentámos perto do balcão.
― ‘Cê é nova aqui no Brasil… — começou.
― Sou! ― sorri. ― Estreante completa.
― Sério?! Nunca tinha vindo cá passar férias?
Férias ― indaguei para mim própria. ― A minha família mal tinha dinheiro para me pagar a privada em Lisboa, quanto mais ter férias para oito pessoas no Brasil… Só se fosse muito rica…
Abanei a cabeça em sinal negativo.
A minha ida para o Brasil tinha sido por plena fuga…
Não por estudos, não por felicidade, não por querer, não por férias, não por um futuro bem próximo… mas por FUGA!
Era Inglaterra ou Brasil, como eu já tinha ido para Inglaterra sete vezes, e sabia que poderia sempre ir lá mesmo que estivéssemos perto da banca rota, o meu plano tinha sido fugir para o Brasil, do outro lado do mundo, do Atlântico ― BRASIL.
Fugir à minha paixão, fugir aos meus amigos, fugir à minha família…
Fugir a tudo fingindo que os estudos eram de facto a minha verdadeira desculpa para viajar para o outro lado do mundo.
A mesa onde nos sentámos, eu e a Mar, ficava de frente para o balcão de madeira e mármore, perto de uma outra mesa onde uma rapariga alta, loira, com uns traços relativamente estranhos estava sentada. Olhei de frente para ela, das duas uma, ou eu tinha sonhado que ia conhecer e ver aquela gente toda, ou de facto, eu já os tinha visto a todos…
Tinha a certeza de que já a tinha visto, tanto a ela como Marcela, como Leandro.
― Que se passa? ― perguntou.
― Nada, nada… ― ri-me. ― Estranho! ― confessei.
― O quê?
― Acho que já vi aquela rapariga nalgum lado ― murmurei. ― Os traços dela… Tenho a certeza que já a vi…
― Hmm… Aquela é a Yasmin ― disse olhando. ― Ex-namorada do meu melhor amigo ― murmurou baixinho.
Engoli em seco quando ouvi a última parte da frase que ela declarou.
“Não me meter com nenhuma delas!” ― memorizei.
― Então ― comecei, ― o Leandro falou que todas as sextas há encontro na praia…
― É… Há anos que isso acontece… Mesmo depois de termos saído da faculdade. É mania aqui em Santos. Está gostando disto?
― Estou… É um mundo totalmente diferente.
― De onde você é, lá de Portugal?
― Cascais.
― Hmm… Meu melhor amigo mora em Oeiras.
A forma como ela falou Oeiras fez-me despertar um sorriso enorme e não era de admirar que aquilo me fizesse rir, os brasileiros puxam as vogais e o s, o que se torna extremamente divertido de ouvir.
― Que foi? ― indagou.
― Desculpa! Eu… O meu melhor amigo… ― senti a minha face corar. ― Ele também fala assim Oeiras. Sempre que me lembro disso riu-me.
― Ele é brasileiro?
― É ― sorri.
― Nossa! Você ficou tão corada… tem certeza que é só seu melhor amigo
Acenei. Porque não dizer logo?
― Foi meu ficante.
― Não se preocupe, tem mais gente que vai de certeza querer ficar com você. Pelo jeito que vi o Leandro hoje, ‘cê vai arranjar já já um ficante novo ― piscou o olho.
― Não! ― disse rapidamente. ― Não, sério…
Fiquei pensativa e olhei de novo para ela.
― Achas? ― indaguei corada.
― Acho mesmo…
― Hmm… Não! Deixa p’rá lá. A sério… ― fingi um sorriso. ― Estou farta de homens.
― Ahh, nada! Se quiser eu posso apresentar menina p’rá você ― piscou o olho.
― Não! Não, nada disso ― ri-me.
― O seu nome é Catarina, né? Como é que seus amigos a tratam lá em Portugal?
― Cata…
Acenei e sorri.
A qualquer hora me tornaria na rapariga mais sorridente do ano, pelo menos perante as pessoas que falavam comigo
Gargalhei, a atitude dela era muito parecida à atitude do rapaz…
Daquele rapaz…
Pedi uma picanha no prato.
A Marcela comeu a mesma coisa que eu.
Quando a sobremesa veio ― vaca preta ― uma bebida ― gelado com Coca-Cola ― lembro-me de ter falado às minhas amigas portuguesas sobre isso e de elas mostrarem uma cara assustadoramente enjoada, ― levei a palhinha à boca e dei um sugo, sabia bem estar a beber aquilo ― era doce ― naquele calor louco em São Paulo.
A conversa estava animada. Enquanto bebíamos a nossa sobremesa, discutíamos os traços estranhos da rapariga que estava à minha frente na outra mesa. A Marcela instigou a conversa e eu fiquei a saber que o melhor amigo dela, ex-namorado da Yasmin, a rapariga que tinha os traços faciais estranhos, se chamava Tiago e tinha olhos verdes e morava em Santos. Ah! E tinha frequentado a mesma universidade que eu.
Num rápido relance vi a Yasmin levantar-se e chegar perto da nossa mesa, eu tremi…

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Fox* em Seg Jun 11, 2012 11:34 am

Gente, tanto conhecimento assim, só podem ser atores de novelas! Para ela os conhecer assim, não há outra explicação!
Gostei da linha de pensamentos da tua personagem (vou ser intrometida - desculpa :oops: - e dizer que deve ter sido um dos momentos em que a realidade e a ficção se juntaram) e da única forma que ela arranjou para conseguir viver a sua vida!
Ah, um ficante... Oba, vou gostar de ver isso! Talvez se torne mais que um ficante, talvez nem chegue a isso... Vou gostar, sim senhor! :D
Beijinhos, Cata, e trata de atualizar isto para eu saber o que quer a Yasmin...

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 11, 2012 1:59 pm

Olha eu até aposto que sei de onde é que ela conhece essa gente toda! xD mas cheira-me que vamos descobrir isso já no próximo capítulo, certo? Por isso mostra lá isso e a sonsa da Yasmin (okay, ainda não sei se ela é sonsa ou não, mas já me estou a adiantar! xD)

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Re: Um Passado no Futuro

Mensagem por Andy Girl em Qua Jun 13, 2012 1:16 am

Olá!
Ela é uma rapariga um bocado indecisa, não é?
Ora quer ora não quer, mas acho sinceramente que ela está melhor sozinha de que com o outro tipo.
Agora vamos ver o que mais vai acontecer para a frente.
Beijinhos!
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Re: Um Passado no Futuro

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