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Last Chance

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Last Chance

Mensagem por Soph em Sab Jun 02, 2012 12:51 pm





Olho para trás e vejo as minhas pegadas na areia.

O único trilho que posso seguir para voltar para casa.

Quem me dera voltar à minha doce adolescência, onde todos os problemas pareciam impossíveis de resolver.

Mas não. Exagerava. Eles não eram difíceis. Eram os meus dramas adolescentes que os faziam difíceis. Era todo o melodrama de uma rapariga de 16 anos.
Agora os meus problemas não pareciam impossíveis. Eram de facto, impossíveis de resolver.

As ondas começam a apagar as minhas pegadas e eu perco a minha hipóteses de voltar para casa.

Já não sei o caminho.

Mas também não quero.

Para casa?
Não tenho nenhum local a que possa chamar de casa.

Não mais.

Essa designação foi substituída pela expressão “casa dos tremores”.

Não, não fui espancada pelo meu marido. Já não sou casada.

E não, não fui violada.

Antes fosse…

Quem passou por tal inferno foi a minha pequena e pobre filha.

Nataly.

A minha menina de cinco anos que nada sabe sobre sexo mas que já foi sujeira a tal invasão no seu pequeno corpo de criança, frágil e delicado.
Ai Deus!, se eu soubesse…

Se eu soubesse que já era assim há um ano. Se eu soubesse o que o meu – agora ex- namorado fazia à minha criança…

“Mamã, porque é que o Marc mete aquela coisa feia dentro de mim? Mamã, dói tanto…”

Não me consigo conter, as lágrimas caiem, competindo uma com a outra, tentando ver quem cai primeiro na areia, deixando a minha tristeza naquela praia linda e só.

A expressão da minha filha ao dizer-me aquelas palavras veio trazer-me pesadelos que ainda hoje, passados quatro meses, não cessaram.

Não me permito imaginar os seus cabelos loiros entrelaçados nas mãos do homem a quem me entreguei. A quem entreguei o meu corpo, o meu coração, a minha casa e vida.

Não consigo imaginar as cuequinhas da Nataly rasgadas com a pressa dele ao penetrá-la, aquele seu membro enorme e nojento dentro do frágil corpo da minha bebé.

A tirar-lhe a inocência. A infância. Tomando-a como algo que ela não é.

Nunca pude ter aquela conversa com a minha filha. Ele antecipou-se. Estragou um futuro certamente promissor.

Ela tem os ovários destruídos.

Não pode ter filhos

Não pode ter menstruação.

Não pode ter uma vida social normal.

Ela não come.

Ela não dorme.

Ela não fala.

Ela não brinca.

Ela não sorri.

Já não dá aquelas gargalhadas contagiantes.

Os seus olhos verdes não têm expressão. Eram vazios, sem alma. Sem emoção. A minha filha não é mais uma criança de cinco anos. Parece uma mulher de 60 anos da qual a vida sempre amargurou.
Eu sei que ela sofre.

Pergunto-me se a culpa não terá sido minha.

O sexo comigo não era suficientemente bom? Não lhe dava o que ele queria?
Ou violar meninas era só um passatempo?

Penetrar os dedos na minha filha era uma maneira de se animar? Beijar o inexistente o peito de Nataly fazia com levanta-se o membro que tanto gabava?

Marc está preso.
Para mim não chega. Gostaria de lhe fazer o mesmo. Gostaria de o ver traumatizado, sem alegria, vontade de viver. Tal como Nataly está.

Nunca me considerei boa mãe.
Era mãe. Amava a minha pequena e não lhe faltava nada, mas não era boa mãe.

Afinal, tudo aquilo aconteceu por mais de 1 ano, tudo por baixo do meu nariz, e eu sem saber de nada. Mas tenho a hipóteses de remediar isso. Tenho a hipótese de ser boa mãe, uma vez.

Lágrimas escorrem pela minha face enquanto levo Nataly pela mão até à água azul do mar.
Soluços sobem-me à garganta quando lhe pressiono a cabeça debaixo da água.

Tremeliques percorrem o meu corpo quando Nataly começa a esbracejar procurando por oxigénio.
Os joelhos cedem quando ela pára, já sem vida, um corpo a boiar nas ondas do mar.
De joelhos, com água pela cintura, encosto o ser rosto ao meu peito e embalo-a, chorando, desesperando, a morte dela.

Gritos, súplicas e soluços irrompem a minha garganta.

E em embalo Nataly, enquanto murmuro palavra de consolo para a menina que fora minha filha.

Lágrimas correm pela minha cara e eu peço desculpa por entre mais gritos agonizantes, por não ter sido mais sedo a mãe que deveria ter sido.





Hope you like it :)
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Re: Last Chance

Mensagem por Eli Green em Sab Jun 02, 2012 7:40 pm

Esperas que gostemos, pois bem, gostei.
A separação dos parágrafos tornou o texto mais pausado, o que deu a oportunidade de ler e pensar sobre o assunto. Ver o ponto de vista de uma mãe, que quer e, na minha opinião, merece a vingança que deseja. Muito bom. Beijos.
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Re: Last Chance

Mensagem por Fox* em Dom Jun 03, 2012 9:55 am

Não sei se comentei no falecido, mas sei que já o tinha lido e adorado! Gostei da depressão da mãe, da forma levemente doentia, levemente hercúlea que arranjou para salvar a sua criança, das tuas descrições do que aconteceu, dos remorsos...
Novidade do dia, gostei do que escreveste :D

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Re: Last Chance

Mensagem por Soph em Dom Jun 03, 2012 10:58 am

Eli Green: Finalmente alguém percebe porque faço tantos parágrafos! haha
Obrigada por leres e comentares ^-^


Fox: Já tinhas lido mas não comentado, é verdade. Aliás, eu tu leste antes de estar publicado. és uma triste pessoa :p
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Re: Last Chance

Mensagem por Snoopy em Seg Jun 04, 2012 2:37 pm

:heart:
Amei! Amei! Amei!
Adorei a história e a maneira como descreves. Os paragrafos, podem ser pequenos mas são perfeitos. Faz dar um pequena pausa da leitura e pensar no que lemos. :)

Como é que eu nunca tinha lido isto no outro fórum. Andei a perder muitas coisinhas no outro fórum. Acho que neste fórum já li mais do que os longos meses que andei no outro fórum. Enfim. Vou continuar a ler coisinhas e comontar. ^^
Tens que postar mais coisinhas destas!

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Re: Last Chance

Mensagem por Soph em Seg Jun 04, 2012 11:14 pm

Snoopy: obrigada :)

É verdade... no outro forum, isto andava tudo para lá espalhado, as minhas coisitas xD

Os parágrafos, como disso acima, têm mesmo essa intenção. Pelo menos para mim fazia sentido :$

Anyway, obrigada por leres e comentares. Very happy.

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Re: Last Chance

Mensagem por Andy Girl em Sab Jun 16, 2012 1:06 am

OMG!
De momento,, não sei quem foi mais louco!
Ela matou a prórpia filha!
Eu sei que uma violação é uma violação mas há sempre forma de ultrapassar e matar a filha para se sentir melhor?
A serio, chocante!
no entanto gostei bastante da história como de resto gosto do que aqui teu tenho lido!
Beijinhos!
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Re: Last Chance

Mensagem por Anne Margareth em Sab Jun 16, 2012 11:39 pm

Gostei do que escreveste, embora conteste a última parte, pois acho que a mãe não deveria matar a sua própria filha. Há sempre remédio. E a morte nunca é uma opção. Mas pronto, isto é um ponto de vista. Tu, Soph obviamente tens o teu, a one shot é tua.
Gosto, contudo da evolução das personagens e dos remorsos da mãe, ao confiar tanto no Marc.
Beijinhos.
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Re: Last Chance

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