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REQUIEM PARA AMANTES (+18)

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Sex Jun 08, 2012 3:10 pm

ahaha eu também não sou mto, mas algumas até se encaixam na história. Well, não posso garantir que não haja mais momentos destes, mas fico contentissima com o facto de terem gostado deste "pikena" amostra ^^

Nao te preocupes, as irmãs continuam em força e já está tudo encaminhado e tudo programado. Elas não vão falhar. xD

Beijinhos!!!
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Fox* em Sab Jun 09, 2012 2:40 pm

Quero lá saber se ele quer ou não, eu quero e pronto! Diz-me onde ele vive que eu vou lá convencê-lo!
(estou mesmo a ver que chego lá e sou trocada por um homem, tristeza de vida!)
Claro que volto Dee, estou sempre aqui batida! Adoro as tuas histórias e a imaginação/talento como as tratas!

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Mia Angel em Dom Jun 10, 2012 2:59 pm

ora bem, Olá, né?
Comecei a ler isto no outro dia e tenho vindo a ler (sim, porque já postas-te uns quantos capítulos e eu ainda não os li todos), mas estou a gostar da história, quero ver o que isto vai dar e quando terminar de ler todos os capítulos que tenho em atraso prometo fazer um comentário mais elaborado!
xoxo

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Dom Jun 10, 2012 3:25 pm

Olá, Mia! Bem-vinda a este cantinho! Espero que gostes!!!! :D Fico a espera do comentário :D

Beijnhos!
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Andy Girl em Dom Jun 10, 2012 5:30 pm

Ahahah!
Este capítulo está demais!
eu acho que me parti a rir com ele e as cenas nervosas do Simon! O Mike é demais a sério! Faz-me lembrar o Brian do Queer as Folk.
Fico a aguardar pelas próximas cenas Mike/Simon.
Beijinhos!
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Sex Jun 15, 2012 4:26 pm

Oláaaaa!!! Já não vinha aqui a algum tempo, mas cá estou e deixo um capitulo da Rosa. Uma especie de apresentação da maneira como ela é e pensa! :D

Eu sinto que podia ter feito mais, andei a raspar e raspar até isto conseguir sair. Não ando muita inspirada, mas consegui inventar isto! Espero que gostem!!

Beijinhosoooo



III – LA PEQUEÑA ROSA, ROSITA.


Desde que me recordo de ser pessoa, que lido com olhares intensos dos homens que me rodeiam. Por vezes até olhares femininos. No entanto, eu fui abençoada com a falta de vergonha e língua solta. E essa era plataforma para que mandasse as pessoas que me olham, para um belo lugar de vez em quando. Eu sei que sou bonita. Sei que o meu corpo chama atenção e sei perfeitamente que quando entro numa sala, mesmo que esteja vestida com um saco de plástico, haverá sempre alguém a querer comer-me. Literalmente. A minha mãe – que Deus a tenha – sempre disse que se tens e é bom, mostra-o e causa inveja. Não sou convencida apenas falo a verdade e quem o faz, não merece castigo, certo?
Vim de uma pequena aldeia no México, chamada Maritava, que ficava muito longe da capital! Vim para Brooklyn quando tinha 13 anos, para viver com a minha tia Esperanza e foi nessa altura que comecei a trabalhar. E antes que pensem coisas a mais, trabalhei em mais cadeias alimentares do que se imagina: Macdonalds, Burguer King, KFC…Digam-nos e eu já trabalhei lá.
Claro que, seria mais facil vender o corpo ou meter-me nas drogas, afinal alguns dos meus vizinhos agiam assim e os jovens tendem a pecar por imitação, não é? Sim, eu podia ter ido por ai mas apesar de ser como sou, a maneira como fui educada pesou sempre nas minhas decisões. Nem pensar que iria desapontar a minha mãe que me vê lá do alto e nem pensar que arrastar o meu nome pela lama metendo-me nas drogas ou na prostituição. Rosa não faz nada disso!
Nunca quis ser uma estrela de cinema ou cantora ou famosa, mas sim rica. Quem dera a mim ter nascido rica! Porém, como as coisas nunca são como queremos e a realidade não é um conto de fadas, limito-me a trabalhar para ter o meu sustento. Claro que se ganhasse a lotaria, seria a festa total. Nunca mais me viam! Mesmo assim, sou muito realista e muito terra-a-terra, as coisas são como são e até haver alguma mudança, continuarão assim.
Sou barulhenta, falo alto, sou convencida, mas sou boa pessoa. Qualquer um pode testemunhar! Não há pessoa no bairro que não me conheça, mas nem todas as pessoas gostam de mim. Não é facil gostar de mim. Não só pela minha atitude, pela maneira de pensar ou falar, mas também pelos meus amigos. Algumas pessoas ficam intimidadas com a gente que conheço e os meios que conheço, mas lá por andar com este ou aquele tipo de pessoa, não me faz da mesma laia…ou será que faz e eu não sei? Ou sei, mas ignoro? Bom, o Freud poderia responder.
Enfim, o meu dia começara as 10h, mas como toda a empregada protegida, apenas apareci no restaurante por volta das 11h. Isso ainda me deu tempo para sair de casa descansada e encontrar-me com o totó do Memphis.
Totó? Não, ele não é totó, ele é demasiado bonito para ser. Eu vi-o pela primeira vez na noite anterior e mesmo estando ao colo de Michael, eu bem reparei quando ele entrou. Alto, loiro e uns olhos de morrer. E hoje quando lhe falei e olhei mesmo de perto, reparei como era forte. Não, não ele não era exageradamente musculado, nem demasiado fininho…era simplesmente perfeito. Do tamanho e altura perfeita. Oh sim!
Agora sentada no autocarro, olho para o relógio e mordo o lábio. Sim, eu sou protegida do dono do restaurante, mas não dá muito jeito chegar atrasada três mil anos, não é? O Regis é muito querido e compreensivo. Deu-me o trabalho mais por insistência da minha falecida tia, por quem ele estava eternamente apaixonado, mesmo sendo casado. Trabalho aqui á 2 anos e vejo nele uma figura paterna que nunca tive. Cuidou de mim como uma filha e respeitou-me sempre. Nunca tentou impor a imagem “pai substituto”. É apenas um velhote que cuidou sempre bem de mim.
Desço do autocarro e dou de caras com uma pessoa que não está na minha lista de pessoas favoritas neste momento.
― Rapariga, que botas são essas!? ― Exclamou sorridente. Tirou os óculos mostrando umas lentes azuis que nada tinham a ver com o teu escuro de pele. ― Vais ter-me que mas emprestar!
― Eu não acho que a tua pata de elefante, entrem neste 37! ― Exclamei provocadora. Ele fez um ar extremamente chocado, mas passou o braço por cima dos meus ombros. ― Como te sentes, aniversariante?
O meu querido “amigo”, Kim suspirou dramaticamente. Não se enganem, ele era homem e segundo sei, bissexual mas quem o visse dar-lhe-ia um carimbo de gay. Trazia um penteado curto mas com uma franja cor-de-rosa choque a cair-lhe do lado direito da cara. Trazia um lenço vistoso ao pescoço, com uma camisa preta e calças justas.
― Velho. Simplesmente velho.
Andávamos ao mesmo tempo em direcção ao restaurante. Kim é o tipo de amigo que não se importa com ninguém sem ser ele mesmo e que adooooora dar nas vistas. Tão rapidamente é nosso amigo, como tira uma faca e espeta-nos nas costas.
― Vais fazer 30 anos, não é o fim do mundo!
― Diz ela com um sorriso e percebendo que só chegará lá dentro de cinco anos! ― Exclama Kim no seu tom dramático. Aproximamo-nos do restaurante e começo a estranhar. Eu conheço Kim desde do meu secundário. Ele sempre foi o mais óbvio no que toca a sua sexualidade. E desde que aqui trabalho, ele nunca, mas nunca colocou os pés no meu restaurante. Inicialmente, ele dizia que era porque se sentia mal por ter-me como empregada. Eu disse que passa-se lá noutro dia em que não estivesse a trabalhar, mas ficou sem aparecer. Nunca. Até que ouvi dizer, do meu grupo de “amigas” que Kim nunca colocaria os pés num restaurante tão “sem estilo, pobre e mau ambiente” como aquele. Quando o confrontei disse que era mentira, calunia e injuria. O seu ar dramático valia um óscar! Mesmo assim, nunca mais lá meteu os pés. ― Quero-te linda hoje, meu bem.
― Eu já sou linda, Kim.
― E leva o teu Michael. ― Disse-me sorridente. ― Quero matar saudades!
Senti uma ponta de ciúmes. Michael era atraente e ponto final. A sua beleza não era tão óbvia como o totó do Memphis, mas havia ali qualquer coisa e essa “coisa” atraia multidões. E depois de ter admitido que era “indeciso” apenas ficou mais concorrido. Sinto que tenho concorrência em todo o lado.
― Claro. ― Digo com o maior dos sorrisos.
― Eu tenho que ir. Ainda tenho muito que organizar muita coisa e chamar muita gente. ― Aproxima-se de mim e deixa-me dois beijos, que nem chegam a tocar-me a face. ― Quero-te linda!!
― Sim.
Deixa-me um aceno rápido e parte na outra direcção caminhando feliz. Porquê que sou amiga dele?
Assim que me aproximei do restaurante, pronta para trabalhar – ainda que atrasada – vi o diabo. Não, não a figura em si, mas sim a persononificação pelo nome de Janet. Uma velha loira, amargurada, que fumava mais do que uma chaminé e era tão descaida como um pacote de sumo vazio.
― Estás atrasada! ― Disse-me ainda estava eu a dez passos de distância. Levou o cigarro a boca pintada de vermelho. Eu senti vontade de esmurra-la logo ali.
― A questão não é o facto de estar atrasada, mas sim o que raio tens tu a ver com isso.
― Continua com essa atitude, Rosa. ― Disse-me soltando um bafo cinzento. ― Um dia cortam-te a lingua!
Mostrei-lhe o dedo do meio e entrei no restaurante. Ainda não estava cheio, mas iria estar dai a poucos minutos. Disse um “olá” breve aos clientes da manhã e as restantes empregadas.
Para além de ser “filha” de Regis, a razão de não ser despedida, era porque a maioria dos clientes que ali estavam eram meus conhecidos ou então conhecidos dos meus conhecidos. Era uma roda-viva.
Levantei parte do balcão que dava acesso a parte detrás do restaurante e vi Regis na caixa. Mal eu passei apenas abanou a cabeça ao meu comportamento.
― Desculpa…
― Desculpo sempre. ― Disse-me suspirando. ― Vai vestir-te que daqui a nada começa o movimento.
Dito e feito. Poucos minutos depois de eu ter vestido o meu uniforme, a enchente do costume deixou o restaurante apinhado.
Este era composto por quatro secções divididas entre as quatro empregadas. Havia de cada lado da porta seis mesas, a primeira e a segunda secção respectivamente. Janet estava encarregue da primeira e uma outra rapariga, chamada Alexis, tratava da segunda. A terceira e quarta secção ficavam do lado esquerdo e do lado direito do balcão. Ai já eram sete mesas, estando a terceira secção ao meu encargo e a quarta a uma miúda chama Yola. Os pratos andavam para a frente e para trás, os pedidos saiam a velocidade da luz, a cozinha andava depressa, as contas eram pagas…Oh! Uma maravilha quando o trabalho decorria sem qualquer sobressalto. Na minha secção já todos tinham os seus pratos principais e eu caminhava com uma coca-cola e um copo na mão, para colocar na terceira mesa.
O restaurante não era de 5 estrelas. Ficava em Brooklynn pelo amor da Santa! Mas não se podia dizer que era um restaurante reles, sem qualquer sentido de decoro. Era completa e total mentira.
Passei por uma mesa onde estavam uns conhecidos meus e ouvi um nome que me deixou arrepiada.
― Foi o que a Margarida disse…― Margarida. Meu Deus! Como eu odeio essa mulher e tudo o que possa alguma vez representar. Recuei uns passos, ainda com a coca-cola no tabuleiro
― O que foi que a Margarida disse?! ― Perguntei. Eu conhecia as pessoas que estavam na mesa, pelo menos conhecia-os de vista. Não era preciso conhecer-me muito bem, nem pertencer ao meu círculo próximo de amigos para saber o meu ódio por Margarida. Os clientes sentados a mesa – dois homens e duas mulheres trocaram olhares apreensivos. Eu ergui sobrancelha. ― A sério que não vão dizer?
Rosa, escucha, lo que oímos…― Começou uma das raparigas. Nunca a tinha visto na vida, mas depois de ver o tamanho daquele nariz vai ser impossível esquece-la. Nada me irrita mais do que gente que finge ser o que não é.
― Desculpa, eu conheço-te? ― Perguntei bruscamente. Ela engasgou-se nas palavras e abanou a cabeça. ― Alguma vez te vi na vida? Alguma vez fomos sair? ― Novamente ela disse que não. ― Então, pára de massacrar a minha língua!
Uma outra ao seu lado chegou-se para a frente, olhou-me de frente como se não se sentisse intimidada comigo.
― A Margarida anda a espalhar por ai que tem um caso com o Michael. ― Senti-me a ferver por dentro. Margarida tem uma paixoneta por Michael desde que eu a conheço. Ambas apaixonamo-nos e o que aconteceu foi que Michael escolheu-me a mim. Mas Margarida não é uma mulher normal. Ela não sabe desistir. Ela insiste e insiste.
― É mentira. ― Disse eu determinada. ― O Michael namora comigo.
No momento em que disse esta frase senti vontade de engolir a minha língua. Michael não namora com ninguém. Michael não tem trela. E os que estavam na mesa trocaram olhares duvidosos.
― Sempre ouvi dizer que o Michael não “namora” com ninguém. ― Disse um outro loiro. ― Ele é um espirito livre.
Olhei-o de lado. Apeteceu-me arrancar-lhe aquela peruca loira á força.
― E a Margarida afirmou que estavam juntos á seria. ― Disse um outro de cabelos compridos e de maquiagem carregada. ― Que tinham saído várias vezes.
Eu pousei o tabuleiro em cima da mesa e ignorei os olhares surpresos á minha volta.
Escucha, te lo digo…A idiota da Margarida não tem nada com o Michael. Ela é uma perseguidora louca! O Michael está comigo e se ela pensa que com rumores consegue afastar-me dele, ela vai ter que se esforçar muito mais! ― Voltei a levantar o tabuleiro. Ia seguir caminho, mas voltei atrás. ― E podem dizer-lhe á vontade!
Deixei aquela mesa e continuei a executar o meu trabalho. Duas mesas depois deixei a coca-cola o copo a um miúdo e fez o máximo para sorrir.
Voltei para o balcão para ir buscar sobremesas e encontrei Janet que olhou-me de lado e mostrou-me um sorriso torto. De certeza tinha ouvido tudo.
O resto da hora de almoço ocorre sem sobressaltos. A multidão que encheu o restaurante, já se tinha ido embora e entravamos agora no período de acalmia. Só por volta das 19h é que iria recomeçar o movimento. Entretanto sentei-me no balcão com uma Coca-Cola e um hambúrguer á frente. Depois de ouvir o boato que corria nas ruas acerca de Michael e Margarida sentia-me inquieta.
Há que perceber uma coisa no que tocava ao Michael: Ele. É. Inconsistente. Michael aborrece-se rapidamente e apaixona-se com uma facilidade avassaladora. Segundo ele mesmo afirmava, tinha “muito amor para dar” e isso fazia com que amasse tudo e todos. Não havia nada de contínuo na sua vida. Conheci-o quando tinha quinze e ele já estava bem adiantado nos seus vinte. Havia algo nele, soturno, sombrio, sensual, misterioso…Não sei! Todo ele era atraente. O sorriso, a voz grossa, os olhos verdes…Meu Deus.
Apaixonei-me instantaneamente, mas ele demorou a notar em mim. Só me viu quando já tinha vinte, já tinha peito e já podia usar mini-saias. Aliás, orgulho-me de dizer que a única coisa continua na sua vida era eu. Oh sim, Michael apaixonava-se por aqui e por ali, mas no fim do dia voltava sempre para mim. Michael, magoava-me como ninguém. Ele dizia que não conseguia amar apenas uma pessoa e eu amava-o demais para conseguir aguentar a distância. Certo, eu e Michael não estamos numa relação oficial. Aliás, a única que parece estar numa relação com Michael sou eu. Já que ele é um “espirito livre”. Eu amo-o! Ele sabe o que é o amor, mas ama muita gente ao mesmo tempo. Ele apaixona-se a cada cinco minutos! E essa é a minha cruz! Como é que é suposto eu amar alguém assim?
Olho para o meu prato que continuava praticamente intocável e deixei-o de lado. Passo para o outro lado do balcão, para que pudesse guardar a comida dentro do microondas. Talvez mais tarde tivesse fome.
Levanto os olhos a rua e vejo-o passar acenando-me. Eu aceno de volta sem muita vontade. Ele desaparece de vista e noto que o meu coração bate mais rápido. Cada vez que vejo Michael fico assim. Cheia de tremeliques, coração bate depressa e a minha cabeça demora a situar-se.
― Regis, 15 minutos para cigarro. ― Peço-lhe.
Ele está de volta da caixa a tirar o lucro da parte da manhã rodeado de talões, sacos de moedas e uma máquina calculadora.
― Cinco.
― Dez!
― Sete e a contar, Rosa.
Revirei os olhos. Passei para o lado do restaurante abri a porta e sai. Michael estava um pouco mais longe, sentando em cima de um carro abandonado naquele local a um par de anos. Todo vestido de preto, o cabelo da mesma cor a voar conforme a brisa da tarde e os olhos verdes escondidos por óculos quadrados.
Aproximei-me com as mãos dentro do avental. Talvez se as entrelaça-se elas não tremiam tanto como sempre.
― Como vai o trabalho? ― Perguntou acendendo o cigarro.
― Restaurante cheio, como sempre.
― Ainda bem.
― Sim. ― Encarei-o com atenção. Ele estendeu-me um cigarro e eu aceitei. Normalmente não fumo, mas com Michael fumo sempre. Levei o meu cigarro aos lábios e aguentei o fumo. ― Não tens calor?
― Não. ― Respondeu sorridente. ― Eu aguento-me bem.
― És estranho.
Ele abriu um sorriso perfeito e soprou fumo cinzento. Eu ri-me um pouco.
― Estás preocupada. O que se passa?
― Como é que sabes?
― Demoraste a vir ter comigo. Normalmente vens a correr. Hoje vieste devagar. ― Segurou o cigarro entre os lábios. ― O que foi?
― Margarida.
Ele ajeitou-se no seu lugar, tirou o cigarro dos lábios e passaram uns segundos até soltar o fumo cinzento.
― Fomos sair. ― Respondeu olhando para as botas. ― A semana passada. ― Olhou para mim novamente. ― Fomos para a cama. ― Eu respirei pesadamente. Larguei o cigarro para o lado. Olhei para os meus sapatos brancos. ― Queres que peça desculpa?
― A Margarida?! ― Perguntei ofendida. ― De todos os homens e mulheres, logo ela?
― Rosa, ela é bonita.
― Cala-te, por favor. ― Pedi. Esforcei-me ao máximo para não dar a parte fraca, nem para mostrar que estava de facto magoada. Inspirei fundo e expirei. Quando encarei Michael ele tinha um ar tranquilo e relaxado, como sempre. Como se eu já devia saber no que me estava a meter. ― Vais á festa do Kim, hoje?
Mike soltou uma nuvem cinzenta.
― Claro. Não íamos juntos?
― Náo sei. Na volta queres ir com a Margarida. Ele é bonita.
― Rosa, cenas de ciúmes não te ficam bem. ― Disse-me friamente. Saltou de cima do carro. Caminhou até mim e deu-me um beijo na testa. ― Vou buscar-te ás dez, okay?
Deixou-me assim, sem qualquer resposta decente. Deixei-me ficar enquanto via Michael ir-se embora por onde tinha vindo. Ele era bonito. E a sua beleza seria o meu fim quase de certeza.
Girei sobre mim mesma e voltei para o restaurante. Ainda tinha várias horas de trabalho pela frente.

NEXT - FESTANÇA!
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Fox* em Sex Jun 15, 2012 10:15 pm

Gostei logo da personalidade dela. Acho que fazem falta pessoas assim, de língua solta e honestidade e sinceridade na ponta da mesma. Subiu bastantes pontos na minha consideração por causa disso :D
Mas tenho pena que se prenda assim tanto ao Michael quando me parece que ele nunca irá mudar... Estou bastante curiosa com o que esta personagem irá lidar e como isso a afetará no futuro...

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Sab Jun 16, 2012 5:42 pm

É estranho o facto dela mostrar estes dois lados. Se por um lado é forte e independente, por outro nunca há-de deixar de ser a miuda que tem uma grande paixoneta pelo rapaz popular. LOL. Mas o futuro dela ainda vai mudar. ^^ Ainda bem que gostaste da minha Rosa!
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 18, 2012 2:12 pm

Gostei de ficar a conhecer a Rosa. E gostei de ficar a conhecer o Michael através da Rosa. Um espírito-livre... pois, pois... está visto que a Rosa vai ficar com o coração partido muitas vezes... e já não gosto dessa Margarida e ainda nem apareceu!

Já gostava da Rosa, mas a ferocidade dela é fantástica! E neste final só tive vontade de dar um murro no nariz sexy do Michael...

Estou a gostar imenso disto Dee, venha daí mais!

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Andy Girl em Qua Jun 20, 2012 12:38 am

Olá!
Eu gostei da personalidade dela, ela é mesmo fogo e mete imensa piada!
Agora tenho é pena dela por causa do Michael, ele é um espírito livre e não parece ter grande juízo!
Fico há espera de mais para ver como vai ser essa festa!
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Seg Jul 02, 2012 12:28 am

Hello! Hello! Eu não me esqueci desta fic, só não tenho tido muita inspiração para ela. Continuarei muito em breve *.* Até para a semana!!! Beijinhoooooos
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por miaDamphyr em Ter Ago 07, 2012 5:20 pm

E eu não fico de fora, também gostei bué disto, a começar do título. O teu personagem é diferente e com uma história muito interessante. As cidades, os travestis e tudo só servem para aliciar ainda mais a leitura. Gosto mesmo. bjs
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Sab Set 22, 2012 1:11 am

Hellur!! Eu sei que me esqueci desta fic *limpa camada de pó* mas amanhã vou deixar um novo capitulo e prometo voltar a estar mais presente! Obrigada a todas! Beijinhoooos
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Eli Green em Sab Set 22, 2012 3:33 pm

Olá!
Acho que foi a primeira vez que li a tua história.
Gosto das tuas personagens, criaste-lhes personalidades bastante distintas, o que dá uma vontade ainda maior de ler o que escreves.
Interrogo-me para onde é que esta narrativa vai caminhar, pois não mostraste, como em alguns casos, um propósito concreto que faça pensar num final - pelo menos não tenho ideia alguma quanto a continuação ou o final.
Reparei em duas coisas: Colocas os acentos ao contrário. Escreves "ás" em vez de "às" e "á" em vez de "à". Além disto, utilizas demasiadas vezes a locução "mas". Acredito que ficaria melhor se variasses.

Beijos, Elissa
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Sex Out 05, 2012 7:21 pm

Olá! Olá!

Muito obrigada pelos comments!
Eli, muito obrigada! :) Vou ter mais atenção ao que me disseste. Quanto ao rumo da história, eu sei o que vai acontecer. Não esperem um final feliz, muito pelo contrário. :)

Espero que continuem por aqui. Novo capitulo, já a seguir

Beijinhooos
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Sex Out 05, 2012 11:24 pm

Hello!!! Novo capitulo, saidinho do forno (não exactamente, já estava feito apenas necessitava de aparar as pontas ^^)

Desculpem a ausência, vou tentar manter-me mais activa e postar todos os fins-de-semana. *fingers crossed*

Aviso: Linguagem pode ferir susceptibilidades. Be warned.

Obrigada! :D


IV – Amável


O dia continuou atarefado como sempre. Mesmo depois da hora de almoço, ainda tivemos o restaurante activo, mas a meio gás. Hoje iria ficar até mais tarde e fechar o restaurante, por isso já sabia e nem valia a pena pedir com um sorriso a Regis. Provavelmente iria chegar atrasada a festa do Kim e não estava minimamente preocupada com isso.
Na minha cabeça ainda ouvia as palavras de Michael: “ela é bonita.”
Ela é bonita?! Eu sou bonita! Como pode ele ter o desplante de me dizer uma coisa destas! Ás vezes sinto que o Michael gosta de me magoar, sinto que ele adora meter o dedo na ferida e esfregar sal. Eu soube desde de sempre que o Michael nunca, nunca amaria uma só pessoa. Ele tem demasiado amor para dar, ele é amor…O problema, é que ele apenas distribui o amor a quem não merece. Aqui fico eu, de coração partido.
Estava atrás do balcão, a contar o dinheiro das gorjetas que eu tinha feito. O restaurante estava calmo, com apenas três grupos em mesas distintas e todos bem aviados com as suas refeições. Já fazia algum tempo que Mike se tinha ido embora, mas eu continuava a olhar para a porta à espera que aparecesse com um ramo de flores e um pedido de desculpas. Ah! Eu devia saber melhor…É o Michael! Mais rapidamente, conseguia transformar o homem mais gay á face da terra num heterossexual, do que transformar Michael num homem que pedisse desculpa.
Ainda não queria acreditar que tinha ido para a cama com Margarida. De todas as mulheres, logo ela…
Lá fora a tarde caia e a rua lá fora estava agitada. Carros passavam, pessoas caminhavam e a vida continuava. Acabei de contar o meu dinheiro, guardando-o dentro do meu avental. Tirei um pano e tratei de secar os copos que tinham acabado de sair da máquina de lavar. Distraidamente a minha mente vagueou para o que eu iria vestir hoje a noite. Conhecendo o Kim como conheço, ele iria ser o centro das atenções. De certeza aquela diva iria usar algo dourado, com penas e correntes, sem a mínima dúvida. Nunca vi uma criatura que dependesse tanto da luz de um holofote para sobreviver.
― Então…― Levantei os olhos e vi a minha querida colega de trabalho, Janet, com os seus dentes amarelos e cheiro a cigarro. Deixou um tabuleiro com pratos ao meu lado, tirou o bloco de notas e fez contas rápidas. ― Vais a festa do Kim hoje?
Tu vais?
― Claro que sim. Ele adora-me.
Eu ri-me.
― O Kim não adora ninguém a não ser a si mesmo. E não sabia que gostavas tipo de festa que o Kim dá. ― Disse eu com um sorriso. ― Não me digas que há uma lésbica encolhida e maltratada dentro de ti?
Janet arrancou a folha de papel e entregou-me.
― Regista, Rosa.
Tirei-lhe o papel dos dedos e sorri.
― Não há mal em ser lésbica. Fazia sentido até, visto que nunca te vi com nenhum homem. ― Janet rangeu os dentes e eu continuei a adorar. ― Espera! Se calhar não és lésbica, talvez os homens simplesmente te tenham nojo.
Janet arrancou-me o papel dos dedos.
― Um dia, Rosa…
Cheguei-me a frente olhando-a bem no fundo daqueles olhos amarelados, fazendo-lhe frente.
― Um dia o quê?
Janet mostrou-me um sorriso torto e amarelo. Continuou pela direita, caminhando para Regis dando-lhe o papel para que ele pudesse registar na máquina.
Eu voltei aos meus copos como se nada tivesse acontecido, mas tinha o meu coração a bater violentamente contra o peito. Janet voltou a passar novamente, mas não me olhou sequer, no entanto, eu não me esqueci daquele sorriso. Um sorriso de gozo. Subitamente, senti-me maldisposta e larguei a minha tarefa a meio, largando o pano. Janet estava a falar com os clientes, entregando o troco e levantando o resto da mesa.
Desviei os olhos para a rua. Foi mesmo sem querer, num gesto de total casualidade.
Ele vinha ai.
Assim que vi este rapaz pela primeira vez, notei como era jovem – não muito mais velho do que eu, mas com certeza mais novo que Michael. Tinha chegado na noite anterior com uma mochila enorme, calças velhas e um casaco sujo. Tinha um ar de viajante, inconsistente e nómada, hoje poderia estar aqui e amanhã poderia não estar.
Ele não sabe, talvez nunca lhe chegue a dizer, mas eu vi-o primeiro antes dele entrar no restaurante a noite passada. Fora num momento tal como este. Distraída, estava eu, quando os meus olhos passearam pela rua a tempo de vê-lo virar a esquina e caminhar para o restaurante. Ao colo de Michael, com as mãos no seu cabelo e a sua mão na minha cintura, dei por mim a apreciar o andar do belo rapaz. Ele era alto, mas não muito, de cabelo loiro cor de palha que parecia ruivo por debaixo das luzes da noite. As suas pernas tinham um ligeiro arquear e davam-lhe um balanço próprio, todo o corpo acompanhava o movimento. Sabem, como há pessoas que são desengonçadas a andar, têm os pés para fora ou os joelhos para dentro, ele não. O seu andar era perfeito.
Quando ele empurrou a porta do restaurante eu agarrei-me mais a Michael, mais para minha segurança do que outra coisa. Ele era estranho, bonito e misterioso. Fiz os possíveis para voltar a conversa, esquecer-me dele, mas…a tentação era demais. Servi-o como qualquer outro cliente, tentando ao máximo respeitar o meu “namorado” e ser apenas uma empregada, mas eu continuava a olhar para aquele canto. Agora, à luz do restaurante, os seus cabelos eram mais loiros, os seus olhos duas safiras e eu notei nos seus braços. Não era exageradamente musculado, mas por debaixo da roupa conseguia delinear a marcador cada traço de músculo.
Fiquei…bem, não direi feliz, mas contente quando soube que ia para um motel ali próximo, as probabilidades de voltar a vê-lo duplicaram numa noite. Para a minha sorte, o dia continuava do meu lado. Logo cedo, assim que saíra de casa e encontrei-o a porta do cinema. Observei-o de longe e de costas ainda era mais apetecível. Era impossível não notar nele. Era como uma flor num campo cinzento e morto. As mulheres, os homens, os travestis notavam nele e arrastavam-se á sua frente, mas o belo rapaz mal notava. Será que ele não percebia a sensualidade que transpirava dos seus poros sem ele querer? Era um homem. Um Homem. Quiçá, O Homem.
Vejo-o agora a entrar pelo restaurante a dentro e a sorrir-me novamente. Ele sorri e é belo, mas nota-se que esconde algo. Ele tem um segredo. Os seus olhos mostravam segredo. Aproxima-se do balcão com os dedos a tamborilar no tampo e senta-se à minha frente.
― Simon…― Digo-lhe sorridente. ― Como estás?
― Estou bem.
― De certeza?
― Bem…tenho quase a certeza de que estou bem.
― Como foi o teu primeiro dia?!
― Foi…interessante.
Cheguei-me para a frente e analisei-o.
― Foi assim tão mau?
― Há gente muito louca neste mundo, Rosa.
― Bom, isso não é novidade. ― Ele sorriu-me novamente. Notei que ficava com covinhas quando sorria. ― Vá, conta-me tudo e eu ofereço-te uma cerveja.
― Eu tentei, Rosa. Eu juro que tentei, mas eu não consigo! Eu não nasci para aquilo…
― Nunca ouvi falar de alguém ter vocação para ser trabalhador sexual.
― É que… ― Simon continuou a falar e eu continuei a ouvir. A ouvir mesmo. A maneira como se mexia, a maneira como mexia as sobrancelhas ou rolava os olhos. ― Houve um que queria que o chamasse de “papá”.
Eu ri-me.
― Isso é…
― Doentio! ― Exclamou. Bebeu um pouco da sua cerveja. ― Quer dizer, eu não sou gay, e sim eu sei não tenho de ser, mas ter a predisposição é uma bela ajudinha neste ramo. E para além do mais, o Michael…― Calou-se repentinamente e olhou para mim. Todo o brilho que tinha ainda a momentos desvaneceu. ― Esquece.
― O que foi? O Michael o quê?
― Nada.
― Podes contar-me.
Passou a mão pelos lábios.
― Esquece. ― Bebeu novamente e inspirou fundo. Levou a mão ao bolso e tirou um maço de notas. ― Tudo isto por 300 dólares.
― E é mau? ― Exclamei. ― Estás a reclamar de barriga cheia.
― Talvez.
Simon limitou-se a beber a sua cerveja em silêncio e eu observei-o com atenção. Ele era bonito. Muito bonito.
E, se Michael podia ir para a cama com quem quisesse, porque não podia eu? Não estávamos numa relação. Não estávamos juntos! Portanto, eu sou livre.
Não, não…tu amas o Michael, Rosa. Michael é dono do teu coração. Não vives sem ele, não respiras sem ele. Não és nada sem ele.
― Hey, tenho um convite para te fazer.
Simon olhou para mim confuso.
― Convite?
Um dos clientes levantou o braço, chamando-me.
― Volto já. ― O cliente queria uma sobremesa calórica, dois cafés e um pastel. Foi só o tempo de ir buscar uma fatia do bolo da casa à cozinha, tirar dois cafés e um pastel, levar a mesa. Quando me voltei para voltar ao balcão, Janet rondava junto a Simon. Voltei até ao balcão num passo calmo e confiante. ― Janet?
Ela olhou para mim enquanto mascava uma pastilha azul.
― Estava a só a tirar uma cerveja ao…― Voltou-se para Simon entregando-lhe a nova cerveja. ― Como te chamas, querido?
― Simon.
Simon. ― Janet olhou-me com um sorriso cínico. ― Bem, vou deixar-vos.
Ao passar por mim, deixou-me duas leves palmadas nas costas e eu tive de me controlar para não enxotar a sua mão. Simon olhava-me com um ar preocupado.
― Há algum problema?
― Não. ― Disse eu sorridente, mesmo quando Janet passou por detrás de Simon sem nunca deixar de sorrir. ― Onde íamos?
― Disseste que tinhas um convite para mim.
― E tenho! Tenho uma festa, acho que te fazia bem conheceres mais pessoal e integrares-te no bairro…Alinhas?
― Festa de quem?
― Um amigo. Não conheces.
― Exactamente. Vais-me levar para uma festa onde não conheço ninguém.
― Bom, não sei quanto tempo vais ficar, mas dá jeito conheceres os teus vizinhos, certo? ― Perguntei sorridente. ― Vá lá, nem que seja para beberes uma cerveja e ires logo embora.
Ele mostrou-me um sorriso sincero. Um belo sorriso.
― Okay. E onde é a festa?
― Nada disso! Estou mesmo a ver, eu digo-te onde é e tu não apareces. Não, não...― Peguei-lhe na mão, tirei uma caneta do meu bolso e escrevi a minha morada. ― Recordas-te do cinema onde nos encontramos hoje?
― Sim.
― Esquece isso. Duas ruas abaixo, prédio amarelo, segues em frente até passares por um…
― Eu apanho um táxi. ― Disse ele sorridente. Eu sorri também. ― Erm…O Mike também vai?
Eu encolhi os ombros. O Michael era a última coisa que eu queria pensar agora.
― Sim, parece que sim. ― Um outro cliente chamou a minha atenção. ― Às 22h em minha casa, okay? Nada de atrasos!
― Sim, chefe.
― E vai bonito, por favor. Quero exibir-te!
― Exibir-me? Porquê?
― Porque sim. ― Remexi-lhe no cabelo e voltei ao trabalho. Enquanto me dirigia para a mesa conseguia sentir os seus olhos na minha nuca. Quando me voltei ele ainda olhava, brindando-me com um sorriso.

Vermelho ou dourado? Qual deles? O vermelho era drapeado sem alças, enquanto o dourado era de mangas largas, mas também curto e brilhante. Eu gosto de coisas brilhantes, mas também gosto de arrasar. Tinha que pensar que a festa era de Kim, caso eu tentasse ofusca-lo, seria um problema. Uma vez, numa das festas de Kim, ele levou um fato verde cheio de brilhantes e uma gravata amarela mostarda, uma rapariga – que aparentemente, Kim odiava – resolveu usar um vestido verde do mesmo tom que Kim e com a mesma quantidade de brilhantes. Bem, escusado será dizer que a rapariga voltou para casa sem as extensões, de vestido rasgado e cara arranhada. Ninguém. Ofusca. O. Kim.
Sentei-me na cama entre os dois vestidos, olhando para um e olhando para outro. Queria mostrar a Michael que não sou mulher de ser trocada por uma “Margarida” e o vermelho seria perfeito. Queria impressionar Simon também, sem chocá-lo em demasia, portanto o dourado seria a melhor escolha. E não conseguia os dois propósitos, só com um vestido.
Ao mesmo tempo bateram a porta, corri no meu roupão cor-de-rosa para abrir e para meu choque – ou nem por isso – Michael esperava-me do outro lado. Vinha vestido de preto, como sempre, com o cabelo caído pelos ombros e de óculos escuros.
― Está um sol que não se pode. ― Disse eu abrindo a porta dando-lhe passagem. Michael entrou em minha casa com passos pesados, deixando um aroma para trás que eu reconheci imediatamente. Fechei a porta com um pouco mais de força. ― Estiveste com a Margarida?
― Como é que sabes? ― Michael caiu no meu sofá, pondo os pés em cima da mesa.
Aproximei-me, atirando os seus pés de cima da minha mesa.
― Cheiras a sexo. E nem do bom tipo de sexo. O tipo de sexo que só se tem com porcas como a Margarida.
― Olha para ti, com um faro apurado.
― Não é preciso ter faro apurado, tresandas.
― Não é sexo que cheiras em mim, pequeña. É desejo. Por ti.
Michael agarrou-me na mão. A sua mão estava quente, mas eu só conseguia pensar que momentos antes aquela mão tocara em Margarida. Larguei-me violentamente.
― Metes-me nojo, Mike. Eu não sei como te aturo.
― Porque me amas.
― A tua vaidade está à mostra.
― Não me amas, então? Quando é que me convidas a vir para tua casa?
― Infelizmente amo-te, sim. E, já cá estás!
― Eu também te amo. Quero viver contigo.
Eu ri-me. Ri-me mesmo. Gargalhei alto. Michael continuou a olhar-me seriamente por debaixo dos óculos escuros.
― Sabes, essa foi a melhor piada que ouvi hoje.
― Não é uma piada.
― Então, estás a confundir-me com outra pessoa.
― Eu quero viver contigo.
― Não, não queres.
― Como é que sabes o que eu quero?
― Porque se me quisesses mesmo já tínhamos feito isto à muito tempo atrás.
Voltei-me para a cozinha e do primeiro armário tirei uma garrafa de vinho e um copo. Tirei a rolha e enchi meio copo. Antes sequer de levar o copo aos lábios, Michael estava ao meu lado. Todo a sua presença era sufocante, inebriante, tal como estar demasiado perto do sol. Conseguia sentir o seu olhar perfurar-me a pele, mesmo que eu não levantasse os olhos para encara-lo.
― Estou a fazê-lo agora. Eu amo-te.
― Tu amas toda a gente e ninguém, Mike. Partes-me o coração e danças por cima dos pedaços…
― Meu Deus, a tua veia latina está a mostra. A vida não é uma telenovela.
― Vai a merda!
― Se não me queres, diz.
― Porquê que não pedes a Margarida para viver contigo?
Levo o copo aos meus lábios, mas a mão de Mike impede o movimento, tapando o bocal. Sinto os seus lábios no meu cabelo.
― A Margarida não se compara a ti.
― E cheiras a ela!
― Eu cheiro a mim mesmo.
A campainha toca e sinto-me livre do intenso poder de Michael. Corro até a porta, de copo na mão e abro a porta. Do outro lado, Simon espera-me com um sorriso simpático nos lábios. Traz uma camisa de flanela aos quadrados vermelhos e pretos, calças de ganga e algo na mão.
― Olá. ― Estende-me uma simples rosa branca. ― Não queria vir de mãos abanar.
Aceitei a rosa com um sorriso.
― Só uma?
― Tu és só uma.
― Que cavalheiro.
― Fui criado numa família à moda antiga. Dou flores, abro portas e puxo cadeiras.
― És perfeito, então.
O sorriso de Simon desvaneceu.
― Longe disso.
― Não faz mal. ― Dei-lhe passagem. ― Já estou habituada à imperfeição.
Quando me voltei, vi-o parado a poucos passos de mim como se tivesse chocado contra algo. Simon olhava para Michael, que se tinha sentado no balcão da minha cozinha.
― Não sabia que íamos ter uma terceira roda. Uma roda vinda do campo. ― Disse Michael tirando um cigarro do bolso. ― Simon, não é?
― Sim. ― Respondeu ele.
― Saí de cima do balcão! ― Ordenei pela milésima vez a Michael. Ele saltou agilmente, com uma vénia no fim. ― Vou vestir-me. Obrigada pela rosa, Simon.
Deixei-os para trás sem olhar e voltei para os dois vestidos em cima da cama.
Resolvi tirar à sorte. Tinha que ser! Peguei numa moeda; caras: seria o vermelho e coroa: seria o dourado.
Atirei ao ar.
Coroa.


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Última edição por DeeSousa em Ter Out 09, 2012 8:32 pm, editado 1 vez(es)
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Fox* em Ter Out 09, 2012 5:35 pm

Esta Rosa não existe mesmo! Tão solta, tão cheia de viva e língua solta mas igualmente presa a um romance que não existe... Criaste mesmo uma personagem diferente, Dee!
E as tuas descrições destes dois machos não latinos são divertidas! Diferentes mas engraçados, cada um há sua maneira!
E, cá para mim, o Michael gosta da Rosa. Não a ama, tu própria o disseste, mas tem por ela um sentimento especial.
E acho que não vai gostar de saber que ela tem o mesmo pelo Simon... Muahahaha xD

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Eli Green em Qui Nov 01, 2012 9:00 pm

O que eu mais gosto na Rosa, é o facto de me lembrar a mim mesma, quando estou bem disposta. A personalidade dela é notável, isto não se discute. E a sua forma de estar... É muito real.
O Michael sente uma atração pela Rosa, disso não duvido. Quando não se gostamos de alguém, afastamo-no dessa pessoa.
Ainda estou a perguntar-me como é que Simon vai entrar literalmente na história e fazer parte da vida da Rosa.

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Dom Dez 09, 2012 1:46 am

Hello! Obrigada pelos vossos comentários e criticas. Vou ter tudo em mente. A história ainda está bem no inicio, mas ainda vai correr muita tinta por aqui. :)
Desculpem a ausência, mas o estágio não me permite andar por aqui e atualizar tanto quanto gostaria. :(

Mesmo assim, vou postar um pequeno capitulo. Espero que gostem, que não seja demasiado, não sei, confusos talvez... e fico contente por estarem a adorar as personagens. Beijinhos :)




V – TRIÂNGULO


Deixei o hotel sem a mínima expectativa para festa alguma. Sentia-me no mínimo nervoso com tudo o que acontecera naquele dia. Sentara-me numa cadeira durante o dia inteiro, com chamadas no mínimo perturbadoras e um gosto a cigarro nos meus lábios. Não conseguia deixar de esquecer aquele beijo que Michael me deixara. Sem aviso. Um impulsivo beija que me deixou desarmado e desnorteado.
Rosa convidara-me para uma festa de aniversário e convenhamos, eu não conhecia ninguém. Eu cheguei ontem e já estava a ser convidado para festas num bairro onde reinava o pecado. Os meus pais morreriam, se soubessem o que ando a fazer deste lado.
Escolhi uma roupa simples e que já usei milhentas outras vezes. Tinha sido simpático de Rosa convidar-me para uma festa, mas convenhamos que não estou exactamente feliz acerca do assunto.
Principalmente agora. Estou numa sala com ele. Logo ele. Não posso dizer que odeio o sujeito, afinal conheci-o ontem, mas já não gostava dele. A última coisa que necessito, neste momento é criar uma espécie de romance homossexual infundado. Não procuro romances. Nem sou gay.
A sua presença deixa-me inquieto. Sinto-me observado de todos os lados, por uns holofotes assassinos capazes de me decepar em metade. Concentrei a minha atenção nas fotografias que Rosa tinha na sala, fotos com família, com amigos, de momentos da sua vida que só ela tinha acesso. Achava muito mais interessante ver fotografias de pessoas que não conhecia, do que olhar para trás e dar com aquele homem a olhar para mim de modo estranho.
Conseguia senti-lo a poucos passos de mim, sentado no balcão a fumar um cigarro de cheiro intenso.
― Se não é o Memphis. Chegou ontem e já vai à festa do bairro. ― Disse Mike. Eu não respondi. Não podia responder. ― Bem vestido, penteado, cabelo cheiroso…Esperas ter sorte hoje? ― Continuei em silêncio. Achavas as fotografias, os bibelots, a madeira muito mais interessante do que Mike. ― O tratamento do silêncio. O que aconteceu? Pensei que fossemos amigos.
Afastei-me da estante e passei pelo resto da sala, sempre tentando evitar o seu olhar. Sempre tentando evitar dar-lhe uma palavra se quer.
― Isto tudo por causa de um beijo? ― Olhei-o rapidamente, vi que sorria. ― Incomodou-te. ― Continuei sem dar uma palavra. Mike sorriu. ― Fui assim tão bom que te deixou sem fala?
― Não, não foi bom.
― Pelas almas, que ele fala! ― Exclamou Mike. ― Eu sei que beijo bem, Memphis…
― Simon.
― Não precisas de ficar acanhado. Não mordo, a não ser que peçam.
Voltei-me para ele. Continuava sentado em cima do balcão de cigarro na boca e mão na
garrafa pronto a despejar o seu líquido de bronze no copo. Mantive a minha distância e o silêncio o máximo que pude. Mike era qualquer coisa de extraordinário, esguio, esbelto, poderoso e um apenas um homem.
Como é que a energia da sala parecia convergir toda para ele? Como?
― Não sou gay. ― Disse prontamente, não se sabia para me assegurar ou para informa-lo, mas disse. Mike olhou-me de sobrolho franzido, pousando a garrafa.
― Bom para ti.
― Não, não estás a perceber…
― Não és gay, certo?
― Certo. Por isso, vamos esquecer o que aconteceu.
― Vamos?
― Sim, vamos. Foi um…”acidente.”
― Talvez não. ― Disse ele. ― Achas que te beijei porque sim?
― Não sei porquê, apenas preferia enterrar o assunto. Não sou desse tipo.
― “Desse tipo” diz ele com um ar muito cristão e conservador. Nem sabes as vezes que já ouvi dizer isso. ― Disse ele. De um golpe só bebeu o que tinha no copo e bufou no fim. ― Eu não entendo as pessoas. A sociedade. Gay, lésbica, bissexual, transexual, pansexual, assexual…Porquê que há que colocar rótulos em tudo?
― Porque é isso que nos separa dos animais. Nós damos nomes as coisas.
― Isso não nos separa de nada! Apenas serve para mascarar a nossa burrice. Somos animais matamos, comemos, fodemos! Dar nomes as coisas apenas serve para criar uma falsa sensação de segurança.
― Eu prefiro saber.
Mike levou o cigarro à boca, aguentando o fumo o máximo que conseguia.
― E isso faz-te sentir melhor? Seguro? Saber com o que lidas?
― Sim. Suponho que sim.
Mike voltou a encher o copo, enquanto o fumo cinzento lhe saia pelo nariz como chamas. Saltou do balcão com agilidade.
― Qual é o problema com o não rotular? Porquê que tens que saber o que é? Porquê que simplesmente não…”vais na onda”? Vive a vida.
― Porque nada de bom acontece quando não se sabe. Tens que saber com o que lidas ou saíras prejudicado.
― Sais prejudicado quer saibas com o que lidas quer não. Ou estou errado?
― Não, mas quando sabes pelo menos fazes os possíveis para evitar os erros. Se acontecerem, saberás que ficou fora do teu alcance.
Mike bebeu mais um pouco, nem tinha reparado que estava a menos de cinco metros de mim. Mesmo à distância conseguia sentir-lhe o cheiro. Inebriante. Inevitável.
― Muito filosófico. E pessoal. ― Disse ele. ― Por isso, preferes dizer em voz alta que não és gay e assim evitares qualquer tipo de constrangimento, certo? Em relação a mim?
― Sim. Não sou gay.
― E preferes que eu diga também que não sou e que o beijo foi apenas uma experiência ou que sim, sou gay e que queria apenas ver se tinha chances contigo. É assim?
― Sim.
― Porque…― Nem tinha reparado que, entretanto, Mike aproximara-se tanto que conseguia mergulhar nos seus olhos e ver cada ruga de expressão. Não tinha reparado que se aproximara tão suavemente como uma cobra, tão gentilmente que nem uma pena e que estava à minha frente. ― Se eu não disser nada, isso deixa-te em pânico. Não sabes o que hás-de sentir…Não, não até sabes o que podes vir a sentir, mas tens medo. É isso?
Eu recuei um passo, para minha segurança.
― Ouve, eu não sei qual é a tua…
― Nem eu sei.
― Mas, eu não sou gay.
― Eu ouvi da primeira vez.
― Não tenho nada contra, mas não jogo na tua equipa.
― Não tenho equipa.
― E tu estás com a Rosa.
― Sim. E? ― Novamente andámos num jogo de recua e avança, que eu estava literalmente encostado a parede. Mike não me tocava, o seu corpo estava a palmos de meu, mas a energia era tal que me deixava a tremer. ― Admite, o beijo deixou-te inquieto.
― Sim. ― Ele abriu um sorriso enorme. ― Mas não por ter gostado…
― Porque não gostaste.
― Não.
― E és do mais hétero que há.
― Exacto.
Mike estava tão perto de mim que os seus lábios estavam poucos centímetros dos meus, o seu nariz a milímetros do meu e o seu respirar com a minha pele. Sentia-me em fogo, a tremer por todos os lados, o meu coração batia depressa e o sangue voava nas minhas veias. Nunca me sentira assim em toda a minha vida. Nunca. O meu coração batia tão forte e tão alto que aposto que Mike conseguia ouvir.
Mostrou-me um sorriso torto numa fileira de dentes brancos e tocou com a ponta dos dedos no meu cabelo. O toque mais simples e mais suave que alguma vez me fizeram.
― Simon…― Disse ele, olhando no fundo da minha alma. ― Vais ser a minha perdição, Simon.
O som de uma porta abrir-se fez com que Mike volta-se ao balcão rapidamente e que eu pudesse respirar normalmente. Rosa vinha do quarto a passo rápido e muito alegre. Eu tentei compor-me, ajeitando as minhas roupas e fazendo com que a minha respiração volta-se ao normal.
― O que acham? ― Rosa apareceu a porta da sala com um vestido dourado, que lhe assentava que nem uma luva, mostrando todas as curvas. Mike levou os dedos à boca e lançou um assobio e rosnou.
― Meu Deus, que pedaço de mulher!
― Tão cavalheiro. ― Ironizou Rosa. Voltou-se para mim, de mãos na cintura e sorriso generoso. ― O que achas?
Rosa tinha metade do cabelo solto e a outra metade presa por uma rosa vermelha, o vestido dourado assentava-lhe perfeitamente em cada curva do seu corpo e os saltos faziam-na mais alta e sensual.
― Estás linda. Perfeita.
Rosa abriu um sorriso enorme. Mike bateu as palmas.
― Muito hétero, Memphis.
Rosa olhou-o com um ar reprovador.
― Não sejas idiota.
― Apenas constatei um facto.
― Vai buscar-me o casaco. Está em cima da cama.
― Torces-te o pé e perdeste as boas maneiras ao vir do quarto para a sala?
― Salta do meu balcão e vai buscar o meu casaco, por favor.
Mike saltou do balcão, passou por Rosa e deu-lhe uma palmada no rabo, desaparecendo em seguida. Fiquei só eu e Rosa na sala.
― Tens uma casa muito bonita.
― Obrigado. ― Disse ela. ― O Mike incomodou-te? ― A minha língua torceu-se na boca. ― É que eu sei como ele pode parecer intimidante, às vezes julga-se meu namorado e tem ataques de ciúme, mas ele não fez isso, pois não?
― Humm…não, de modo algum. Foi muito simpático. Então, vocês não namoram?
Rosa soprou um caracol castanho.
― É complicado. ― Explicou com um sorriso. ― Somos daquele tipo de casal que está junto, mas separado. Fiz-me entender?
― Não.
― Óptimo! ― Exclamou Mike voltando com o casaco e colocando aos ombros de Rosa. ― Quanto mais confuso, melhor! Vamos? ― Mike seguiu até a porta, abrindo-a dando passagem para Rosa e para mim.
― Espera…― Rose olhou para mim e agarrou-me na mão. ― Sinto que devo avisar-te acerca desta festa.
― Avisar?
― És bonito, novo na cidade e jovem. As bestas vão querer comer-te.
― As bestas?
― Ela quer dizer toda a gente. ― Explicou Mike encostando-se à ombreira da porta. ― Quer explicar-te o que te espera, para que não cometas erros e te sintas seguro, percebes? ― Mike piscou-me o olho. Rosa olhou por cima do ombro e fez-lhe uma careta qualquer, voltou-se para mim e sorriu.
― Quero que te divirtas, mas se te sentires mal…diz-me e vamos embora.
― Rosa, nem pensar. A festa é vossa.
― Tecnicamente, a festa é do…
― Mike! ― Exclamou Rosa. ― Não tens que ir buscar a Margarida a algum lado?
Mike levou um cigarro aos lábios e tirou o isqueiro do bolso.
― Olha os ciúmes, Rosa. Eu chego para toda a gente…― Guardou os isqueiro e sorriu-me. ― Homens e mulheres.
― Rosa…― disse eu tomando a sua atenção. ― Está tudo bem. Vamos divertir-nos. Estou a precisar de beber.
― Que bom. ― Rosa apertou a minha mão, mas não largou. ― Vamos à festa então!


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Última edição por DeeSousa em Ter Dez 18, 2012 12:51 pm, editado 1 vez(es)
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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por Fox* em Ter Dez 18, 2012 12:38 pm

Hahahah, não estava à espera de uma saída destas por parte do Mike e muito menos do Simon! Gostei da tensão que criaste entre eles, parecia um verdadeiro romance apesar do Simon estar tão reticente e do Mike não se virado para essas coisas! Ah, e a Rosa nem se apercebeu... Cada vez acho esta fic e estes romances mais divertidos e enérgicos!

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Re: REQUIEM PARA AMANTES (+18)

Mensagem por DeeSousa em Ter Dez 18, 2012 12:52 pm

Fox* escreveu:Hahahah, não estava à espera de uma saída destas por parte do Mike e muito menos do Simon! Gostei da tensão que criaste entre eles, parecia um verdadeiro romance apesar do Simon estar tão reticente e do Mike não se virado para essas coisas! Ah, e a Rosa nem se apercebeu... Cada vez acho esta fic e estes romances mais divertidos e enérgicos!

Obrigada, Fox! :D O Mike é muito cheio de sabedoria. O Simon e a Rosa vão sofrer tanto, coitados.

Glad you enjoyed it, love. Beijinhos! :D
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