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{Verdade na Mentira}

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por PandoraTheVampire em Sex Jun 08, 2012 11:49 am

Uau eu devo mesmo ter a memória curta. Não me lembro da pequena Ynes na história antiga... não me lembro MESMO! Já andei aqui a abanar o cérebro mas isto está completamente apagado... anyway, gostei da impressão inicial que ela teve sobre o bairro e de duas certas pessoas que apareceram mesmo no final. Agora quero que ela comece a escola, certo??? PandaAww Mais!!

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Sex Jun 08, 2012 5:50 pm

Fox* escreveu:Na verdade não acho que escrevas demasiado porque eu própria tenho medo de exagerar nas minhas descrições (os meus capítulos são sempre enormes e super descritivos) e não estás assim tão mal! São apenas pormenores que ajudam a dar uma nova visão do espaço e das personagens! :D
Bem, comparada ao que escrevia e ao que escrevo, definitivamente escrevo muito mais. Mas é bom saber que os pormenores não estão a mais. Eu acho piada a certos pormenores e, na minha mente, são indícios ou ironias (tipo o nome do urso) ou simplesmente para embelezar o lugar.
Obrigada por tudo Fox PandaAww


PandoraTheVampire escreveu:Uau eu devo mesmo ter a memória curta. Não me lembro da pequena Ynes na história antiga... não me lembro MESMO! Já andei aqui a abanar o cérebro mas isto está completamente apagado... anyway, gostei da impressão inicial que ela teve sobre o bairro e de duas certas pessoas que apareceram mesmo no final. Agora quero que ela comece a escola, certo??? PandaAww Mais!!
É normal que não te lembres xD Ela é uma personagem nova.
Mas também, se não te lembrares de tudo, não há problema... Eu relembro-te e assim não aborreces por ler algo que já leste (;
Ela em breve começará a escola... Mas, antes disso, temos o resto deste capitulo e outras coisinhas que não vou contar xP
Obrigada por comentares (:

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Sab Jun 09, 2012 9:39 am

Spoiler:
Sorry! Double Post necessário (:

Hello Darling's
Hoje trago a terceira e ultima parte do segundo capitulo.
Espero que gostem (;


- Parte III -

Levantei novamente o olhar, procurando por eles, mas um camião enorme meteu-se no meu campo de visão. Suspirei com tristeza, uma vez que a minha curiosidade não ia ser apagada. Mesmo assim caminhei graciosamente até ao passeio de minha casa, avaliando o veículo pesado.
- Residência Hale? – Inquiriu-me um homem que saía do camião com um papel na mão.
- Sim, é esta. – Informei ao baixo e barrigudo senhor.
A sua aparência suada indicava que, antes de trazer as nossas coisas aqui, já havia trabalhado antes. As suas botas de biqueira de aço eram de um cinzento desgastado e velho, com pequenas manchas pretas de óleo, algumas recentes e outras mais antigas. O seu fato de macaco azul cobria todo o seu corpo e pequenas letras amarelas, que diziam a empresa onde estava empregado, encontravam-se parcialmente cobertas por um casaco de couro roçado. A sua face cansada estava coberta com uma grande quantidade de barba grossa, que iam desde as suas suíças, até percorrer o contorno dos seus lábios finos e arroxeados pelo frio. O seu cabelo castanho foi cortado rente à cabeça, permitindo ver claramente os seus olhos castanhos-escuros que se confundiam com preto.
- Podemos começar a descarregar? – Perguntou apressado e impaciente.
- Sim, sim. Eu vou abrir a porta. – Declarei caminhando para a porta da frente e abrindo-a.
- Chegaram? – Ouvi a minha mãe perguntar, correndo para a porta.
- Estão ali! – Indaguei, apontando para o homem que anteriormente falara. Ou seria o outro? Fiquei na dúvida ao verificar que ambos os homens eram exactamente iguais, fotocopias um do outro. Que originalidade trabalhar juntos
- Obrigada, querida! – Agradeceu, saindo da casa e caminhando elegantemente até aos homens.
Vi um deles arregalar os olhos e apreciar as curvas da minha mãe discretamente, o que me fez rir. Aquela atitude não me espantava, era um facto. Afinal, eu tinha a quem sair. Hoje, a minha mãe estava mais “normal” e toda a sua aparência irradiava beleza. O seu cabelo doirado caía em largas ondas pelas suas costas, como as ondas do mar deslizam na areia, embelezando os seus pequenos olhos azuis como as profundezas do oceano. O seu corpo sensual e atractivo vestia um conjunto, tanto formal como casual, de calção/casaco castanho com grandes botões brancos. Nos seus pés, encontravam-se belos sapatos cobre a completar um vestuário chique, mas confortável.
Abanei a cabeça ao perceber o desperdício existente no estatuto de solteira da minha mãe, virando costas à bela mulher que dava indicações aos desarrumados e babados homens de trabalho. A minha mãe tinha um porte cuidado e que impunha respeito, mas quando abria a boca, todos ficavam maravilhados e hipnotizados. E quando cantava? Ela cantava e encantava!
Caminhei pelas divisões ainda vazias da minha casa, não lhes prestando grande atenção, indo directamente à parte traseira da casa. Ao chegar ao pequeno quadrado de jardim que tínhamos, apenas vi que este só tinha um enorme carvalho num canto do jardim. De resto, era apenas relva e ervas mal tratadas coberta por uma fina camada de neve, uma vez que muitos dos flocos que caíam eram capturados pelas folhas da enorme árvore. Caminhei devagar pelo escorregadio pavimento e fui-me encostar ao carvalho. Ele tinha uma grande saliência do lado que me encostei, fazendo-me encaixar ali perfeitamente como as peças de um puzzle. Um sitiozinho perfeito para eu me recostar.
- Sel? – Ouvi numa voz vinda de um sonho.
- Porque estás a chamá-la com essa vozinha? Já é a quarta ou quinta vez que a chamas e ela só sabe ronronar. – Censurou outra voz. – Aprende comigo! – Ouvi a mesma voz falar antes de um som agudo percorrer os meus tímpanos e quase os fazer sangrar.
Num salto, levantei-me assustada e abaixei-me como se fosse atacar alguém. Ao ver que era uma das aplicações do iphone branco da Eliane, ergui o meu corpo e fulminei-a com o olhar.
- Credo, Eli! – Berrei escandalizada. – Para que foi isso?
- São quase horas do almoço. E eu estou com fome! –
Explicou. – Nós tivemos ali a orientar os humanóides que não paravam de olhar para o meu rabo e as minhas Eliane’s e EU tive de me controlar porque precisávamos dos homenzinhos para montar toda a mobília. – Esclareceu com grande rapidez, fazendo-me perder a meio do seu discurso. – Enquanto a menina tinha mais outro sono de beleza! Estás uma dorminhoca miúda. – Continuou, a sua voz sempre a subir umas oitavas pelo histerismo.
- Já são horas de almoço? – Perguntei confusa. Tinha de concordar, hoje estava particularmente esgotada e sonolenta.
- Bem, são horas de almoço para nós. Já passam das duas horas da tarde. Estivemos até agora a pôr a mobília toda no sítio. Agora só falta acabar de ligar os aparelhos e arrumar as decorações – Informou, começando a arrastar-me para dentro de casa, pela porta traseira que dava acesso imediato à nossa cozinha.
- Vou ter trabalho, não vou? – Inquiri preguiçosamente.
- Bastante! – Confirmou com certezas. – E não te safas dele!


***
Que tal?
Gostaram de descobrir um pouco mais?
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Fox* em Sab Jun 09, 2012 2:20 pm

Hahahahah, já o disse uma vez mas posso repeti-lo, adoro a Eli! Não pensa, não reage segundo as regras, é completamente doida! Sério, adoro-a! Vou rir-me imenso com o que (espero!) tenhas preparado para nós, porque, só por aqui, Porque estás a chamá-la com essa vozinha? Já é a quarta ou quinta vez que a chamas e ela só sabe ronronar. – Censurou outra voz. – Aprende comigo! – Ouvi a mesma voz falar antes de um som agudo percorrer os meus tímpanos e quase os fazer sangrar., já espero loucuras!
Já li a próxima parte, mas adoro o quarto (little spoiler here!). Muito bem conseguido! :D

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Sab Jun 09, 2012 5:17 pm

Fox* escreveu:Hahahahah, já o disse uma vez mas posso repeti-lo, adoro a Eli! Não pensa, não reage segundo as regras, é completamente doida! Sério, adoro-a! Vou rir-me imenso com o que (espero!) tenhas preparado para nós, porque, só por aqui, Porque estás a chamá-la com essa vozinha? Já é a quarta ou quinta vez que a chamas e ela só sabe ronronar. – Censurou outra voz. – Aprende comigo! – Ouvi a mesma voz falar antes de um som agudo percorrer os meus tímpanos e quase os fazer sangrar., já espero loucuras!
Já li a próxima parte, mas adoro o quarto (little spoiler here!). Muito bem conseguido! :D
NADA DE SPOILERS!!! xD
Também me dá muito gozo fazer esta personagem doida que é a Eliane. Acho que ela trás mais cor à história.
Muito obrigada pelos elogios e por comentares (:
Xoxo :*
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Andy Girl em Seg Jun 11, 2012 12:49 am

Olá!
Está aprte está muito pequenina e com sabor de quem espera por mais!
Agora que as mudanças vão começar, sinto-me já curiosidade de ver mais o que esta nova casa lhe vai trazerXD
Beijinhos!
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 11, 2012 12:55 am

Ai mas isto é tão pequeno que nem dá graça! -.-' amuei! xD quero mais okay? Não estás a contar nada e eu estou super curiosa com o que tens guardado! xD

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Seg Jun 11, 2012 9:07 am

Andy Girl escreveu:Olá!
Está aprte está muito pequenina e com sabor de quem espera por mais!
Agora que as mudanças vão começar, sinto-me já curiosidade de ver mais o que esta nova casa lhe vai trazerXD
Beijinhos!
Heyyy Andy (:
O que será que esta casa lhe vai trazer? Epá não sei... Mas imagino xD
Obrigada por leres e comentares (:
Xoxo

PandoraTheVampire escreveu:Ai mas isto é tão pequeno que nem dá graça! -.-' amuei! xD quero mais okay? Não estás a contar nada e eu estou super curiosa com o que tens guardado! xD
Está pequeno?? Oh rapariga eu começo a postar os meus capítulos inteiros, sem dividir, e tu vês o que é pequeno... (É melhor não que senão assusta).
Ora bem, eu ainda tenho bastante guardado, por isso, se não for pedir muito, terás de esperar para ver xP
Logo começo o terceiro capitulo.
Obrigada por leres e comentares (:
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Seg Jun 11, 2012 7:02 pm

Spoiler:
Sorry! Double Post necessário (:

Hello Darling's
Hoje trago-vos a primeira parte do terceiro capitulo.
Aviso que este capitulo será maioritariamente descrição.
Espero que gostem (;


- Parte I -


Apesar de sonolenta, quando entrei na cozinha, os meus olhos arregalaram-se ao encarar o luxo que aquilo se tinha tornado ao longo da manhã. Eu já havia passado por ali antes, mas agora que ela estava parcialmente decorada, aquilo chamava-me mais à atenção.
Próximo da janela e da porta das traseiras por onde estava a ser empurrada, encontrava-se um conjunto que incluía: uma mesa redonda de madeira escura com um tampo em pedra branca e fria como a neve, e três cadeiras com almofadas num tom creme. No centro da divisão, havia um balcão com uma tonalidade de madeira semelhante à da mesa e um tampo de pedra com uma cor pastel semelhante ao linóleo do chão. Era neste balcão que se podia lavar a loiça, assim como era possível sentar-se em duas cadeiras altas. Diante desse pequeno espaço, encostado à parede contrária onde estava a porta para as outras divisões, havia outro balcão, sendo este no decorrer da parede. É neste que estão a maior parte dos utensílios guardados, sendo também onde se encontram o fogão e os electrodomésticos, como o forno, microondas, torradeira, e no final dos armários, o frigorífico.
Assim que me sentei no meu lugar à mesa, de forma a almoçar a refeição confeccionada pela cozinheira de serviço, ou seja, pela única pessoa cá em casa que sabe cozinhar, reparei em mais duas portas neste mesmo comodo. A primeira porta, podia constatar facilmente que daria acesso à despensa, uma vez que a Eli foi lá buscar alguns temperos. Já a segunda, para ser na cozinha, deveria ser a nossa lavandaria de serviço, apesar que mais tarde verificaria se a minha suposição estava correcta.
- Quem arrumou a cozinha? – Perguntei para fazer conversa, enquanto metia uma garfada de arroz à boca.
- Quem achas? Claro que fui eu! Só podia ter sido eu para ela ficar uma maravilha! – Respondeu Eliane, toda convencida. – Fi-lo enquanto preparava este maravilhoso almoço. – Gabou-se mais um pouco.
- Até me admira não teres dito isso antes de eu perguntar! – Comentei com um sorriso travesso.
- Porquê? – Inquiriu teatralmente escandalizada.
- Então, tu que és tão orgulhosa de ti própria… - Esclareci num tom poeticamente brincalhão. – Ou uma gabarolas. – Rematei rindo suavemente.
- Eu? Gabarolas? – Questionou falsamente ofendida. – Eu tenho é olhos na cara! Aquele idiota do minimercado lá da rua, em Londres, bem que ele me chamava de convencida. Mas eu sou é realista! A sorte dele é que viemos para cá, se não eu mostrava-lhe com quantas letras se soletrava Eliane! – Proferiu indignada, terminando o seu discurso com um risinho maquiavélico, relembrando os mil e um planos de tortura para o homem com quem ela tivera uma “curte”.
- Conta-me… - Comecei com um tom brincalhão, sendo interrompida pela campainha.
- Quem será? – Perguntou a minha mãe, olhando para a porta que dá acesso ao hall de entrada.
- “Pedra, papel, tesoura”? Quem ganhar levanta o traseiro e vai abrir! – Sugeriu Eli.
- Pode ser. – Anuiu Di.
Assim, esticamos as nossas mãos sobre a mesa, contamos até três e mostramos a nossa opção. Acabei por ganhar com uma tesoura contra dois papéis.
Lá me levantei, arrastando-me até à porta de entrada, pensando em como a minha mãe e a sua melhor amiga pareciam conectadas mentalmente. É que não era a primeira vez que tinham exactamente a mesma atitude, apesar de terem personalidades distintas.
- Boa tarde, minha querida! – Ouvi uma voz amável cumprimentar-me assim que abri a porta e dei de caras com uma mulher perto dos seus noventa anos.
- Boa tarde. – Correspondi tímida e desconfiadamente.
- Trouxe uma tarte. – Explicou com uma voz harmoniosa, erguendo o prato tapado que carregava. – É de boas-vindas. – Elucidou, abrindo os seus lábios num sorriso amigável.
Olhei aquela velha mulher com um ar confuso.
“Isso das boas-vindas ainda se fazia?” Questionei-me mentalmente, enquanto apreciava a mulher.
Apesar da sua idade demonstrada pela sua pele um pouco enrugada e pelos cabelos grisalhos que quase lhe tocam os ombros, ela possuía um aspecto fofo e querido. Na sua face redonda e amigável descobria-se uns belos olhos verde-alface e duas amorosas covinhas formadas pelo seu afável sorriso. Olhando-a com atenção, quase poderia ser apelidada como a personificação da natureza. Não só pelo verde dos seus olhos, como também pela forma florida com que se vestia.
- Obrigada?! – Agradeci, apesar das minhas palavras saírem quase como uma pergunta, uma vez que ainda me encontrava baralhada perante a atitude da anciã.
- Não tens de quê, minha jovem! – Exclamou, olhando-me com atenção, calando-se por um certo período de tempo. – Estou sempre à disposição para o que necessitares. – Informou por fim.
Avaliei a sua face novamente, procurando resposta para a estranha ambiguidade que percepcionei nas suas palavras. Tive a sensação que a ultima frase do seu discurso escondia uma mensagem secreta, recado que eu necessitava saber, mas que ainda me era incógnita.
- Terei isso em conta. – Disse, depois de a encarar por largos minutos sem saber como reagir.
- Espero que sim. Basta tocares na campainha daquela casa… - Explicou apontando para a casa que me havia cativado anteriormente. - … e perguntares pela Anthea. – Continuou amigavelmente. - A Anthea sou eu. – Esclareceu calmamente.
- Sel? Está tudo bem? – Inquiriu a minha mãe de longe, interrompendo qualquer coisa que me viesse à cabeça para responder à generosidade daquela mulher, enquanto surgia na porta que dava acesso da cozinha ao hall de entrada.
- Sim. Só a Dona Anthea, uma vizinha nossa, que nos veio trazer uma tarte. – Expliquei-lhe, abrindo mais a porta para elas se verem.
Um silêncio caiu na pequena divisão e uma tensão surgiu. Não sabia o porquê de sentir aquilo, mas quando o olhar de Di caiu sobre a mulher que trouxera a tarte, os olhos azuis da primeira estreitaram-se avaliativamente, enquanto os da idosa se abriram em espanto.
- Foi muito generoso da sua parte, Dona Anthea. – Agradeceu friamente num sorriso forçado.
- Foi um simples gesto acolhedor. – Justificou, encolhendo-se ligeiramente perante o tom frio da minha progenitora.
- Obrigada por ter vindo. – Disse-lhe, despachando o seu adeus.
- Foi um prazer. – Despediu-se.
Vi-a caminhar apressadamente até ao passeio e prosseguir mais calma e pensativamente até sua casa, murmurando para si alguma coisa.
Assim que se encontrava já longe, fechei a porta e encarei minha mãe.
- Que hostilidade foi essa? – Perguntei numa certa censura.
- Aquela mulher não me inspira confiança. – Respondeu, removendo a cheirosa tarte das minhas mãos. – Quero-te longe dela ou de alguém que se relacione com ela! – Imperou poderosa.
- Porquê? Ela era inofensiva! – Contestei espantada.
- Por vezes, os mais inocentes são os piores. Eu ordenei e quero que cumpras! – Falou com rispidez.
- Mas… - Comecei.
- Nada de mas! – Cortou-me.
Assim que a sua ordem se fizera ouvir e ela constatara que eu entendera a mensagem, virou-me costas e caminhou num passo firme até à cozinha, deixando-me sozinha e petrificada na entrada.
- Que aconteceu? – Escutei Eli interrogá-la, enquanto terminava de levantar a mesa e arrumar a loiça.
- Convidados indesejados. – Retorquiu com frieza.
Aproximei-me da porta da cozinha e vi-a deitar a tarte no lixo. Tantas crianças a passar fome e ela a desdenhar um simples presente de amabilidade.
- Tens até às cinco horas da tarde para arrumares todo o teu quarto. Depois vens-nos ajudar com o resto da casa. Estamos entendidas? – Ordenou, encarando-me.
Anui com a cabeça, dirigindo-me novamente ao hall-de-entrada, de forma a poder subir as escadas de madeira clara com corrimões de madeira e vidro duplo que permitiam o acesso ao andar superior.
Cabisbaixa e perdida num turbilhão de pensamentos, cheguei ao segundo andar. Além de uma suite (quarto com casa de banho privada), existem ainda mais dois quartos normais. Para além disso, ainda há uma outra casa de banho geral e umas escadas de madeira grossa que dariam acesso ao sótão.
Dirigi-me à divisão mais próxima das escadas, constatando que todos os pertences que a minha mãe trouxe, se encontravam ali. Bem, não me admirava que a minha mãe ficasse com aquele. Afinal, ela é a dona da casa, deve ficar com o melhor quarto, ou seja, o que tem casa de banho privada.
Segui junto à parede, espreitando noutra divisão que tinha uma secretária intocada e um monte de tralha de escritório.
Estranho! Será que eu e a Eliane íamos dormir juntas? Não me parecia.
Após espiar o ultimo comodo, averiguei que apenas as coisas da Eli se encontravam por ali espalhadas. As minhas coisas estavam onde? Como é que a minha mãe queria que eu arrumasse, se nem as minhas coisas ali estavam?
Girei em torno de mim, preparando-me para questionar a minha mãe, quando, acidentalmente, espetei-me contra a escada de madeira que dava acesso ao sótão. Eu não me lembro de ela estar tão próxima dela… Será que…?
- Se isto foi o destino a responder-me, a minha testa não achou piada! – Sussurrei, começando a subir as pequenas escadas.
Para meu espanto, assim que cheguei ao topo dos degraus de madeira, deparei-me com um ambiente que me deixou estática e, simultaneamente, extasiada. Apesar de aquilo estar uma barafunda, deu para perceber que seria o meu quarto, uma vez que dos caixotes que estavam ali tinham um “S”, como normalmente assino tudo.
Sorri perante tal paisagem, já que o quarto era tal e qual como eu sonhara. Quer dizer, eu não imaginava um quarto assim tão desarrumado, mas sempre desejei saber como seria dormir num sótão. Os quartos normais estavam tão passados de moda! E o melhor de tudo? Para além de ter um quarto completamente diferente do protótipo habitual, tinha uma casa de banho só para mim (que maravilha!). Assim como também via, na porta ao lado da casa de banho, uma porta que dava acesso a um closet, isto é, daquelas pequenas divisões que semelhantes a pequeninas lojas de roupa, cheias de prateleiras e cabides.
Entrei pelo sótão a dentro, caminhando com pezinhos de lã na alcatifa dourada, com medo de a sujar. Era desta que ia manter o meu quarto arrumadinho e a brilhar. Não que normalmente fizesse do meu quarto uma feira, mas tinha uma certa tendência para deixar uma certa desorganização, alegando que não passava de uma decoração moderna. Segundo a minha mãe, eram tretas e desculpas.
Vendo que me teria de despachar antes de a minha mãe berrar o meu nome, arregacei as mangas da camisola e comecei a trabalhar. Só parei quando finalmente ouvira a voz impaciente da minha mãe, vinda do rés-do-chão.
Suspirei pesadamente e olhei ao redor, procurando por algo que ainda me faltava fazer, notando que até tinha sido rápida e concisa, tendo deixado tudo praticamente no seu devido lugar.

***
Que tal?
Digam a vossa opinião, sff (:
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por PandoraTheVampire em Qua Jun 13, 2012 11:26 pm

- Se isto foi o destino a responder-me, a minha testa não achou piada! – Sussurrei, começando a subir as pequenas escadas.
LOL! Gargalhei.

Gostei da reacção ao ver a velha vizinha. Já sei mais ou menos o que se irá passar (as ideias gerais, pelo menos), por isso entendo a reacção da mãe dela. Esperemos pelo próximo para confirmar suspeitas XD

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Qui Jun 14, 2012 1:08 pm

PandoraTheVampire escreveu:
- Se isto foi o destino a responder-me, a minha testa não achou piada! – Sussurrei, começando a subir as pequenas escadas.
LOL! Gargalhei.

Gostei da reacção ao ver a velha vizinha. Já sei mais ou menos o que se irá passar (as ideias gerais, pelo menos), por isso entendo a reacção da mãe dela. Esperemos pelo próximo para confirmar suspeitas XD
Achaste piada? Eu até achei uma certa ironia a isso! (: Mas é bom que tenha momentos que dê mais cor à história (;
Sim, tens uma ideia base daquela vizinha... Ela só mudou de nome (;
Em breve actualizarei.
Obrigada por leres e comentares (:
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Fox* em Qui Jun 14, 2012 3:17 pm

Oh, doce vizinha...
Sou eu a única a achar super creepy quando isto acontece? Quando chega uma mulher à nossa casa com uma tarte, "Ah, é para dar as boas vindas...". Se fosse um homem, seria logo olhado com suspeita, uma idosa é super agradável! xD
E a melhor, "Vamos resolver isto como adultos... Pedra, papel, tesoura!" Eu faço isto!
Lol, é por isto que gosto da fic, consigo sempre rir-me um bocadinho :D

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Qui Jun 14, 2012 4:38 pm

Fox* escreveu:Oh, doce vizinha...
Sou eu a única a achar super creepy quando isto acontece? Quando chega uma mulher à nossa casa com uma tarte, "Ah, é para dar as boas vindas...". Se fosse um homem, seria logo olhado com suspeita, uma idosa é super agradável! xD
E a melhor, "Vamos resolver isto como adultos... Pedra, papel, tesoura!" Eu faço isto!
Lol, é por isto que gosto da fic, consigo sempre rir-me um bocadinho :D
Por acaso também acho que isso da tarte trás água no bico! Mas normalmente o estômago agradece doces! xD
Por acaso essa do pedra, papel, tesoura foi escrito num dos meus 10 segundos de parvalheira!
Obrigada pelos elogios Fox *--* É um prazer ouvir que gostam do que escrevemos!
Obrigada por leres e comentares (;
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Sex Jun 15, 2012 8:48 am

Spoiler:
Sorry! Double Post necessário (:

Hello Darling's
Hoje trago-vos a conclusão do capitulo 3.
Este termina todas as descrições da casa em que estas três viverão.
Espero que gostem (;


- Parte II -


O meu quarto só ficaria completo amanhã, depois de eu e a Eliane comprarmos todas as roupas e mais algumas que encontremos nas lojas nova-iorquinas, decorando o meu guarda-roupa praticamente vazio. Quando mudámos de casa, as roupas não são o essencial trazer, uma vez que podemos sempre comprar nova, já que não era assim muito caro e dinheiro nunca fora um problema. Porém, a mobília já era mais dispendiosa, por isso é que tentávamos manter quase toda. No entanto, como mudamos de continente, apenas mantivemos memórias gravadas em objectos e pouco mais. Assim, o que antes era de madeira escura e velha, agora era de um metal preto e brilhante.
Geralmente, os sótãos são escuros e sombrios, contudo, este era muito iluminado, possuindo duas enormes janelas no telhado, viradas mesmo para o céu, o que me permitirá adormecer iluminada pelas estrelas e pelo conforto da lua, e acordar com o aconchego das nuvens e a protecção do sol.
Por essa razão, arrastara a cama para junto da parede que a fazia ficar mesmo debaixo das janelas. Esta, de metal negro como a restante mobília, tinha uns pequenos detalhes na cabeceira, onde identificava uma meia-lua entre duas rosas. A colcha quente e macia é de um dourado brilhante com finos traços brancos pela sua área inferior, conferindo um belo desenho abstracto. Em cima desta, inúmeras almofadas enfeitavam e decoravam a mesma, sendo tão felpudas como o grande tapete dourado que cobria o centro do quarto. Por momentos, questionei-me se esta carpete seria tanto ou mais fofa e suave que a cama.
Perto da porta para a salinha da roupa, um toucador, do mesmo material que a cama, encontrava-se encostado à parede, com um macio banquinho debaixo deste. Ali, colocara as poucas maquilhagens e acessórios que tinha, preenchendo quase todo o espaço. No espelho deste móvel, prendi duas fotografias que me transmitiam sensações prazerosas. A primeira era de quando ganhei a minha guitarra e tentara a todo o custo criar uma melodia. Porém, carrancas surgiram nos rostos das minhas familiares quando um ruido apoderou-se do ar na pequena salinha de uma das casas em que vivera. Na segunda, podia-se ver as três mulheres cá da casa, eu, a minha mãe e a Eli, todas sorridentes quando visitamos o Louvre. Acho que foi dos sítios que mais gostei de visionar.
Ainda com um sorriso no rosto, verifiquei que, na secretária destinada ao meu estudo e que se opunha à penteadeira, poderia ver o meu portátil, arrumadinho debaixo de um candeeiro branco e preto.
Aproximando-me da minha porta improvisada, atirei os caixotes vazios para o hall do segundo andar, preparando-me para descer.
Numa última apreciação do espaço que seria o meu lugar de conforto, vi a minha viola encostada à parede oposto à minha cama, diante um puff preto que estava em cima da carpete peluda.
Realmente um sonho virado realidade.
- Vais demorar? – Ouvi uma voz chateada perguntar.
Encarei a minha mãe, que se encontrava no fundo das escadas, a olhar-me com censura e as mãos à cintura. Ela ainda estava aborrecida por causa da nossa convidada.
- Estava só a verificar se estava tudo em ordem. – Justifiquei, descendo as escadas rapidamente.
- Chamei-te há dez minutos. – Constatou.
- Podes ter calma? – Pedi, vendo-a respirar profundamente. – Eu não entendo que reacção é essa, mas eu não tenho culpa. – Expressei, pegando nos caixotes e começando a descer as escadas para dirigir-me ao rés-do-chão.
- Não gostei da cara da mulher. – Explicou. – Além disso, quem leva tartes de boas-vindas? – Perguntou, tentando justificar o seu comportamento.
- Pessoas simpáticas e generosas?! – Respondi incrédula com a atitude dela.
- Sério? – Contrapôs ímpia.
- Foste rude! – Exclamei virando-lhe as costas para atirar os caixotes para o exterior.
- Fui protectora! – Contestou. – E chega de conversa. – Travou-me antes que desse continuidade à discussão. - Temos muito que arrumar! – Relembrou, dirigindo-se para a sala de estar.
Cerca de três horas e meia depois, tudo que havia para arrumar parecia estar no seu lugar. A minha mãe aproveitara esta pequena pausa antes do jantar para ir levar tudo que era desnecessário para o lixo. Já a Eliane, sendo a única pessoa a cozinhar decentemente, estava a preparar o jantar enquanto cantarolava desafinadamente na cozinha qualquer coisa semelhante a “Finalmente o meu cabelo posso arranjar, enquanto estou a cozinhar. Neste chão brilhante, quem o sujar, sofrerá com o meu eu talhante!”. Só visto é que se acredita que ela cantaria aquilo!
Sozinha, exceptuando aquelas notas desafinadas, decidi apreciar todo o trabalho que tivemos. Podia dizer que ia quase morar no paraíso. Ou algo decente e moderno.
Em todas as casas que habitara em Londres, estas deveriam ter mais que a minha idade. O chão muitas vezes rangia e podia ver certos buracos nas pareces que ratinhos criavam para serem os nossos vizinhos. As janelas já não fechavam direito e ainda havia aquelas que nem abrir se conseguiam. E as portas, de madeira velha e gasta, custavam a fechar. Cheguei a um ponto de não conseguir fechar a do meu quarto, além de que ainda me lembro quando parti a mesma por ter deixado a janela aberta e o vento fazê-la fechar com força.
Vivíamos numas condições precárias apesar de dinheiro não nos faltar. Mas, para quê viver em luxo, se apenas seria por poucos meses? Esta pergunta levou-me a pensar: será que este luxo todo, a quantidade de dinheiro gasta para erguer esta casa significaria que iriamos finalmente estabilizar?
Encontrava-me no centro da entrada, apreciando o redor para buscar indícios que pudessem solucionar a questão que levantei. A casa, já arrumada, era o oposto do exterior desarranjado. Esta era confortável, moderna e com um toque elegante. O pequeno hall onde me encontrava devia ser o cómodo mais vazio da casa. O seu chão de madeira clara contrastava com um pequeno tapete negro onde se podia ler “WELCOME” a letras doiradas. Segundo a minha mãe, o tapete era negro para o cotão notar-se facilmente e não chegarmos ao ponto de tropeçarmos nele. Num canto desta divisão, do lado esquerdo da porta, via-se um cabide de alumínio preto e um cestinho castanho-claro para os guarda-chuvas do lado oposto. Ao lado das escadas que dariam acesso ao andar superior, do lado direito a estas está a porta que dá passagem para a cozinha e, do lado esquerdo, um móvel de madeira semelhante ao chão com um telefone pousado nele.
Preferindo seguir primeiramente pela porta do lado esquerdo, dei de caras com a sala-de-estar, a divisão que mais tempo se perdeu a arrumar. A maior divisão da casa fora decorada num contraste bege/castanho-escuro, coordenando esta oposição com um castanho faia. O chão claro estava coberto com uma carpete castanho chocolate, adocicando o ambiente. Forrado no interior com um pano bege, no cesto poder-se-ia ler na borda “Heat of Love”, lembrando-me em como sentia saudades de me sentar diante do calor e aconchegar-me no abraço maternal de minha mãe.
No canto mais à direita, perto da enorme vidraça onde se podia apreciar as traseiras da casa, um televisor plasma estava sobre um móvel baixo onde tínhamos guardado os poucos DVD’s que possuíamos. Diante deste, um grande sofá encontrava-se, conjugando com os sofás de solteiro posicionados ao lado, na diagonal, virados para a televisão. No centro deste espacinho de lazer, uma mesa de pernas de madeira e tampo oval de vidro guardava um vasinho de flores de plástico, duas velinhas laranja e o aquário do nosso peixinho dourado, Creepy. Perto da porta, na parede da direita, no canto oposto ao televisor, uma enorme estante fora encostada à parede. Aí, inúmeros livros organizados alfabeticamente, decorações e fotografias observavam-se dispostas para quem quisesse apreciar e ler. Por fim, sob a carpete, dois puff’s laranjas davam cor ao lugar, assim como alguns quadros com as nossas fotografias pregadas na parede.
Estava um ambiente calmo e acolhedor, como nós sempre desejamos.
Seguindo novamente pelo hall-de-entrada, dirigi-me à sala de jantar que se opunha ao local onde tinha estado. Esta, ao contrário da anterior, aparentava-se mais requintada e formal.
Num canto, depois da janela, podia visionar um bar de madeira escura, com dois bancos altos almofadados com travesseiros vermelhos sangue. Novamente aquela sensação estranha passara por mim, mas desviei o olhar para a estátua que decorava o outro canto. Clareando a mente, encarei a grande mesa de vidro localizada no centro da sala de refeições que possibilitava oito pessoas jantarem rodeadas de requinte e graciosidade.
Já sentadas na mesa da cozinha, saboreávamos o jantar que a minha tia havia preparado. Bem, a Eli não é minha tia, mas eu categorizei-a como tal. Afinal, ela era como uma irmã para a minha mãe, por isso, uma tia para mim.
- Sério! Se vocês não acham o mesmo, são parvas! – Começou cuspindo alguns arrozeiros à medida que falava. – A tua empresa é um amor! – Explicou as suas palavras. - Possibilitar-nos viver eternamente neste luxo! Que maravilha! Já estava farta de Inglaterra, farta da Europa… Precisava de novos ares antes que desse em doida! – Exclamou teatralmente.
- Primeiro: já és doida. –
Constatou a minha mãe, soltando uma gargalhada subtil. – Segundo: é o meu dinheiro que permite este luxo! Acho que mereço algum mérito. – Expôs sorrindo travessa.
- Obrigada pelo elogio! Ser doida é ser sexy! E nem contestes! Está cientificamente comprovado pela comunidade científica! – Falou orgulhosa de si.
- Se está comprovado cientificamente, significa que foi pela comunidade científica. – Lembrei rindo da sua espontaneidade.
- Não contestar! Nadinha! – Cortou, tentando impedir que derrubassem a sua ideia. – Pequenina, os rapazes Nova-Iorquinos são uns pães, miúda! É desta que vamos para o peso pesado combater o número de moços que vamos comer! – Exclamou extasiada. – É desta que vou encontrar o meu príncipe de fogo. – Concluiu descontraidamente.
Ouvi a minha mãe engasgar-se (novamente) e dei-lhe umas palmadinhas suaves para ver se ajudava. Não sabia que tinha de mal o príncipe do fogo, nem entendia muito bem o porquê daquela escolha de palavras, mas a minha mãe sempre ficava nervosa quando ouvia aquelas palavras vindas da Eliane.
- Se o olhar matasse… Não Di? – Perguntou receosa Eli ao ver o olhar negro que a minha mãe lhe lançou.
- Não gosto de ouvir certas tolices. – Ripostou minha mãe.
- Ondine, não é por mal! O fogo é quente e festivo… - Começou a apalpar o terreno para se justificar. - Sabes o que eu quero dizer quando digo sobre o meu príncipe do fogo… Eu refiro-me a alguém doido e completamente animado e sem parafusos! Sei lá! Talvez um barman ou uma rockstar. – Falou sonhadoramente animada, rindo das suas ilusões.
Ri-me da sua cara aparvalhada e ela riu-se comigo, assim como a minha mãe se juntou a nós, apesar de quase rir por obrigação.
E assim passamos o resto da nossa noite, convivendo e rindo, esquecendo-nos e apagando os rastos que os stresses do dia poderiam ter deixado, apesar de um ratinha ainda me mordiscar as veias, deixando marquinhas de incertezas.
Tantas dúvidas, tantas questões, tantos pensamentos, tantas pequenas coisinhas que me deixaram com a pulga atrás da orelha ao longo deste enorme dia.
Primeiramente, a minha aversão a vermelho sangue deixou-me desgastada. Algo no meu ser palpitava por aquele indício de algo que eu desconhecia. Depois, aquela reacção estranhamente rude por parte da Di para com a Anthea deixou-me inquietada. E, para finalizar, a desaprovação de minha mãe para com a sua melhor amiga quando esta expressa como deseja encontrar alguém que ame e que a ame.
A minha progenitora já demonstrara certos receios de longe a longe, mas, desde que aterramos neste novo mundo, ela parecia ainda mais apoquentada, mais esquisita, mais defensiva.
Que se estaria a passar?

***
Que tal?
Digam a vossa opinião, sff (:


Última edição por Nitaa em Seg Jun 18, 2012 4:12 pm, editado 1 vez(es)
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Fox* em Sex Jun 15, 2012 9:33 pm

"Não gostei da cara da mulher" Que engraçado, também não gosto das "trombas" (passo a expressão) de muita gente mas não as trato assim... Passa-se qualquer coisa! Hum...
Gosto das descrições da casa, dão mesmo para imaginar tudo!
Keep on, love :D

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Sex Jun 15, 2012 11:42 pm

Fox* escreveu:"Não gostei da cara da mulher" Que engraçado, também não gosto das "trombas" (passo a expressão) de muita gente mas não as trato assim... Passa-se qualquer coisa! Hum...
Gosto das descrições da casa, dão mesmo para imaginar tudo!
Keep on, love :D
Verdade! Apesar que há certos focinhos que apetece tratar pior! xD
O que se estará a passar?
Será isto tudo desconfianças de tartes deliciosas? (E eu ainda a pensar na tarte)
Obrigada pelos elogios, por leres e comentares, Fox *--*
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por PandoraTheVampire em Seg Jun 18, 2012 2:19 pm

Mas que casa linda para se viver, hein? E a Ondine precisa relaxar! Se ela não quer criar suspeitas acho que está a fazer um mau trabalho! Tanta desconfiança ainda suscita mais suspeitas, a meu ver! Vamos lá ver o que irá acontecer num novo dia. Vai para a escola? Espero que sim! Dylannnnnn! OnAdmire2 lol.

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Seg Jun 18, 2012 4:38 pm

Spoiler:
PandoraTheVampire escreveu:Mas que casa linda para se viver, hein? E a Ondine precisa relaxar! Se ela não quer criar suspeitas acho que está a fazer um mau trabalho! Tanta desconfiança ainda suscita mais suspeitas, a meu ver! Vamos lá ver o que irá acontecer num novo dia. Vai para a escola? Espero que sim! Dylannnnnn! OnAdmire2 lol.
Bem, a Ondine é uma pessoa que mente e esconde muito mal. Acho que tem muito a ver com o que ela é e a sua personalidade.
Estás mesmo a querer o Dylan.... Não esperas mais! Já vem ele agora xP

Hello Darling's
Hoje trago-vos o inicio do capitulo 4.
Este é narrado pela personagem principal masculina, o Dylan Montgomery.
Espero que gostem (;


- Parte I -


Dylan POV:
- Dylan? Levanta-te seu morcão! – Berrou Claire diante a porta do meu quarto.
Segundo a minha irmã gémea e a nossa avó, eu ainda dormia profundamente. Noutros dias, aquilo poderia ser verdade, mas não hoje.
Normalmente, a vida em Hidden Spring (como se lembraram de apelidar o bairro onde morávamos) despontava logo pela matina. Ainda os fracos raios de sol invernais mal iluminavam as ruas e já se viam os atenciosos pais a preparar o pequeno-almoço para as suas crianças, aprontando-as para às oito menos vinte estarem na paragem do autocarro, podendo conviver por míseros cinco minutos com as outras crianças do bairro. E, apesar de ter dezassete anos, a minha avó ainda achava que eu tinha sete anos e ia para a primária. E a minha irmã aprovava conviver naquele lugar carregado de bafos a leite quente com chocolate. Como se nós fossemos iguais aos outros pirralhos... Com a nossa pequena Ynes, ainda vá lá que não vá. Agora com putos chorões que não fazem ideia nenhuma que os monstros do armário são verdadeiros? É preciso ter paciência para conseguir aguentar berros ensurdecedores sem espetar um estalo a alguns. Embora eu já o tenha feito. Graças a isso, os pais têm receio que eu me encontre próximo dos seus bebés.
Idiotas! Coitados! Como se a distância me impedisse de fazer alguma coisa do que eu quisesse…
Mas bem… Voltando ao presente. Não vou permitir aos meus pensamentos divagar com as criancinhas irritantes e os seus progenitores imbecis.
Hoje, ao contrário dos restantes dias em que ficava na cama até às sete horas e meia, deixando a minha avó com receio de me atrasar novamente, levantei-me bastante cedo. Não que fosse por minha opção, mas porque os desgraçados não me deixaram fazer companhia à minha cama.
Os desgraçados são os elementos naturais que rodeiam este mundo. O vento, a água, o fogo, a terra e as almas que dão vida à Natureza. Chamo-os de desgraçados porque eu consigo senti-los.
Infelizmente!
A minha avó diz que tenho um enorme dom. Grande dádiva o tanas! Nunca pedi para ser um usuário do espirito. Nunca pedi por magia, por todas estas coisas que fazem parte de mim e da minha história. Para mim, ser um dos irritantes humanos até chegava.
O meu nome é Dylan Montgomery e vivo neste pacato lugar de Nova-Iorque com a minha avó, Anthea Montgomery, e com a minha incomodativa irmã gémea, Claire Montgomery. Vivo aqui desde que me lembro e os humanos consideram-me norte-americano, apesar de a minha nacionalidade pertencer a outro lugar. Um lugar de sonho, de amor, de compaixão, de magia… Um lugar que nunca deveria ter deixado. Um lugar que nem em sonhos os humanos o conhecerão. Eu sou Peveenciês e, ao contrário do que pensam, eu nasci em Peveencip. Porém, a minha avó queria ensinar-nos como o nosso mundo é melhor que o humano, que lá existe mais justiça e igualdade e, por isso, trouxe-nos para cá quando tínhamos poucos meses de vida. No início, a minha mãe e o meu pai vieram também, mas alegaram que o dever os chamou e tiveram de voltar para a nossa terra.
Tudo tretas!
Eles não foram capazes de ignorar a magia como a minha avó fez e, mais tarde, eu e a Claire. São uns fracos! Contudo eu não os culpo por isso. Culpo a magia. Ela é que nos torna vulneráveis aqui, porque, apesar de ainda termos magia aqui, ela é mais fraca. Aqui ninguém acredita nela. Isso leva àqueles que desejaram vir para cá a esquecer-se dela e a esquecer-se do mundo que se esconde nas nuvens. Ao início também pensei que esqueceríamos aquilo que tarde conhecemos, todavia nunca aconteceu.
A nossa avó fomentava a existência de magia. Ensinou-nos a história de Peveencip, mostrava-nos uns truques que ela sabia e, dentro destas paredes, tudo tinha mais brilho e cor. Além disso, todos os fins-de-semana, a minha avó obrigava-nos a matar saudades do desconhecido. E a Claire adora. Também não me admira. A superficialidade reina no mundo do vento. Para que conste, a minha doce irmã é uma usuária do ar e é tão ou mais irritante que ele. O vento é irritante quando assobia no inverno. Contudo, eu obrigo a Claire a mandá-lo calar. Eu também o podia fazer, mas ele não é muito conectado comigo. Eu sou conectado com a vida, com a alma e com o pensamento. Porém, tenho uma pequenina porção dos outros dons. Consequências de ser o único filho de Nyx. Pelo menos, o único conhecido.
Por volta das seis horas da manhã, já eu estava sentado na cadeira perto da janela da sala a encarar o exterior. Desde madrugada que a natureza cantava de alegria por algo que desconhecia. E acho que todos sentíamos. Talvez mais a minha avó, uma vez que a Claire roncara a noite toda.
Quando me cansara de ficar deitado sem dormir, levantei-me e vesti uma roupa que tinha escolhido antes de ir para a cama. Depois de vestido, arranjado e preparado para deixar as raparigas a suspirar, desci e lá fiquei, sentado e quieto a apreciar as novas habitantes do bairro.
Ontem, perto das cinco horas da tarde, quando estávamos a chegar da escola, uns homens vieram retirar a placa “VENDE-SE”. Quase toda a gente ficara curiosa sobre a identidade dos novos moradores e que cusquices se poderiam criar e descobrir através deles.
Humanos!
Todavia, quando as vi pela manhã, a curiosidade que não tinha surgiu. Tinha contado duas jovens adultas que vi de relance e uma adolescente que estava neste momento a apreciar, enquanto a Claire se vestia e arranjava toda envergonhada depois de se aperceber que eu estava acordado e ela fizera figura de parva. Como se fosse a primeira vez que ela não fazia aquela figura.
A rapariga de caracóis loiros encontrava-se adormecida sob o fino manto branco que cobria as ruas. A sua respiração leve levantava por breves milímetros uma mecha de cabelo que teima em escorrer pelas suas faces, conferindo-lhe um ar celestial.
Algo me dizia que, se ela andasse na minha escola, a Melissa não lhe iria achar piada nenhuma. O mais certo era arrancar-lhe os seus doces caracóis à dentada.
- Quem é a loirinha? – Perguntou-me Claire, apanhando-me de surpresa.
- Uma das novas vizinhas. – Respondi depois de me recuperar do susto.
- Sexy! Vai ser uma das tuas novas conquista? – Questionou, indo para a cozinha enquanto ria por me ter assustado. Raramente o fazia e isso frustrava-a.
- Até parece que sou um tarado sexual! – Censurei, ainda sem me mexer.
- Claro que não maninho! – Contrapôs carregada de ironia. – Só tiraste a virgindade a metade das raparigas da claque dos pompons! – Continuou.
- Espalha isso pela escola e conta receberes a visita da fada dos dentes. – Ameacei.
- Eu não espalharei, porque não sou mentirosa! – Exclamou, vindo para a minha beira enquanto mordiscava uma torrada.
- Que queres dizer com isso? – Inquiri olhando-a pela primeira vez hoje.
- Tu és virgem, idiota! Nunca cheirei sexo em ti! – Explicou casualmente.
- Viraste lobi para andar a cheirar? – Perguntei no gozo.
- Nhec! Que nojo! Sabes como detesto lobisomens! – Expressou enojada em relação à menção daquela espécie mítica.
- Tu não odeias! Tu tens medo deles! – Corrigi com um sorriso trapaceiro.
- E achas estranho? O idiota cuspiu-me em cima! Fiquei três semanas com o cabelo a cheirar a cão! E o meu cabelo negro ficou ainda mais tempo com cabelos laranja! – Relembrou indignada.
- A culpa foi tua! Tu sabes que eles detestam Wolfbane ! – Reavivei-lhe a memória.
- Esqueci-me que a avó tinha disso no quintal. – Defendeu-se.
- És sempre a mesma! – Critiquei, voltando o meu olhar novamente para a nova vizinha. – O quê que a Ynes faz ali com ela? – Perguntei levantando-me abruptamente da cadeira.
Vi o olhar da minha irmã se arregalar de espanto quando viu o nosso pequeno anjo a falar com a loira de olhos azuis cor de mar.
- Aquilo é estranho! Os anjos em transição normalmente não falam com humanos comuns. – Constatou. – Acho que é melhor despacharmo-nos antes que haja festa. – Disse-me, erguendo-se para ir buscar a sua mochila e avisar a minha avó que estávamos de saída.
Em pouco mais que dois minutos, já estávamos no passeio diante da nossa casa a apreciar a cena. Minha irmã pediu ao vento para trazer as suas falas até nós e, quando Ynes se preparava para revelar àquela humana o porque de a chamar de Deusa da Lua, Claire gritou por Ynes, num tom um pouco arrogante. Bem, agora estava feito. A miúda que nos achasse frios… Já achavam que nós eramos estranhos e já… Mais uma não faria diferença.

***
Que tal?
O que acharam desta personagem?
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Andy Girl em Ter Jun 19, 2012 4:10 am

Olá Nita!
Estes caps tornam-se cada vez mais surpreendentes e este Dylan deixa-me curiosa por ele! É diferenteXD E como já te disse gostei mais deste novo Dylan!
Agora falta saber o Mist´rio por detrás da "Nova Vizinha!"
Aguardo por mais!
Beijinhos!
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Ter Jun 19, 2012 9:11 am

Andy Girl escreveu:Olá Nita!
Estes caps tornam-se cada vez mais surpreendentes e este Dylan deixa-me curiosa por ele! É diferenteXD E como já te disse gostei mais deste novo Dylan!
Agora falta saber o Mist´rio por detrás da "Nova Vizinha!"
Aguardo por mais!
Beijinhos!
Heyyy Andy (:
Ainda bem que gostaste deste Dylan. Eu estou rendida a ele (mau era!)
Eu acho que é a partir deste capitulo que as coisas começam a aquecer. Por isso...
Obrigada por leres e comentares.
Espero não desiludir nos próximos.
Xoxo
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Fox* em Ter Jun 19, 2012 6:10 pm

Ah, já cá faltava o pensamento do Dylan e a maneira como ele vê a Selena! Eu acho piada ao rapaz, é ajuizado mesmo sendo um dos populares da escola! E tem tantos poderes mas consegue manter-se em controlo! Isso é ótimo!
Keep up! :D

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Ter Jun 19, 2012 6:38 pm

Fox* escreveu:Ah, já cá faltava o pensamento do Dylan e a maneira como ele vê a Selena! Eu acho piada ao rapaz, é ajuizado mesmo sendo um dos populares da escola! E tem tantos poderes mas consegue manter-se em controlo! Isso é ótimo!
Keep up! :D
Bem, tu tinhas dito que gostaste deste capitulo... Ainda mantens a mesma opinião? xD
O Dylan tinha de se expressar... A sua veia romântica tinha de se sobressair quando visse a sua loirinha de olhos azuis.
Dylan? Ajuizado? Bem, bem... veremos xD
Obrigada por leres e comentares (;
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por PandoraTheVampire em Qui Jun 21, 2012 12:45 am

Ohhh a Ynes é um anjo? Que awesome! E agora incluíste lobisomens! Oh mas isto vai ser para aqui uma festa! OnCheer2 Foi bom conhecer este lado do Dylan. O lado em que ele odeia pirralhos irritantes! Ahaha. Pois é, mataste-me as saudades do Dylan, mas não da interacção entre o Dylan e a Selena... ai ai... fico à espera de mais! :p

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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Qui Jun 21, 2012 10:22 am

PandoraTheVampire escreveu:Ohhh a Ynes é um anjo? Que awesome! E agora incluíste lobisomens! Oh mas isto vai ser para aqui uma festa! OnCheer2 Foi bom conhecer este lado do Dylan. O lado em que ele odeia pirralhos irritantes! Ahaha. Pois é, mataste-me as saudades do Dylan, mas não da interacção entre o Dylan e a Selena... ai ai... fico à espera de mais! :p
A Ynes... A Ynes... A Ynes... Opá a miúda ainda tem coisinhas para explicar nela... Se tu soubesses o que ela tem... ai ai xD (provavelmente estou a exagerar xP)
Ele ODEIA pirralhos! Ele será daqueles pais do género "Ou comes a sopa ou faço-te comer sopa, prato, colher e até a porcaria da mesa!" xD
Ainda não saciei nada sobre o Dylan e a Selena? Huuumm...
Veremos se em breve o faço. xP
Obrigada por leres e comentares (:
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Re: {Verdade na Mentira}

Mensagem por Nitaa em Seg Jun 25, 2012 3:54 pm

Hello Darling's
Hoje trago-vos a segunda e ultima parte do capitulo 4.
Espero que gostem (;


- Parte II -


Dylan POV:
Ynes correu até nós e descemos a rua até à paragem, onde esta se sentia meia perdida. A pequena rapariga de cabelo cor de bronze não era propriamente tagarela e chata como as outras crianças da sua idade, dizendo o que devia ser dito nos momentos certos e permanecendo em silêncio quando não era necessário ser ouvida. É uma jovem calma, tímida e pacífica. Porém, hoje, procurou a sua melhor amiga de cabelos castanho-chocolate e correra para lhe contar as novidades. Ao que parece, não seria apenas na escola que a nova família seria motivo principal de conversa.
Já a Claire juntou-se à Amber, uma rapariga cheiinha, porém bonitinha, que andava connosco no grupo coral da escola e começou com as habituais tagarelices matinais. Amber tinha uma voz fantástica e poderosa, contudo todos a deixavam de lado e tratavam-na mal não só por ser gorda, como também por pertencer aos “Vocal Dream”. Eu bem tentei proteger a minha irmã, entrando também para o grupo e até me tinha tornado a voz principal masculina, mas só bastou para que não a sujassem com os sumos com que normalmente eles eram atingidos. Era uma tristeza, porém não podia fazer mais nada para mudar aquilo.
Além disso, a minha mente hoje não estava para se preocupar com as futilidades humanas. A minha irmã sabia defender-se, e ela bem que deixava alguns idiotas da equipa de futebol americano desnorteados quando brincava com o ar ao redor deles. Ela sabia aguentar-se.
Hoje, os profundos e sinceros olhos azuis oceânicos cravaram-se na minha mente, não me permitindo esquecer o amável sorriso que se formara nos lábios rosados quando conversava com Ynes, enfeitiçando com a sua voz melodiosa e a sua aparência magnífica.
Um sorriso discreto surgira no meu rosto enquanto pensava nos seus rebeldes caracóis dourados, que teimavam a acariciar-lhe as faces ruborizadas pelo embaraço de ser encontrada adormecida na rua.
Pensando bem, nunca encontrara uma humana como aquela, tão pura e tão brilhante, mas ao mesmo tempo tímida, como a luz da lua. Realmente Ynes tinha razão, ela era a Deusa da Lua.
- Em que pensas? – Interpelou a minha irmã, sentando-se ao meu lado no autocarro escolar.
- Porquê? – Perguntei olhando-a de soslaio.
- Porque estás a fazer os idiotas lá do fundo falarem que deves estar apaixonado. O sorriso parvo estraga tudo. – Explicou num sussurro.
Olhei para os meus “amigos” e voltei a encarar o exterior do autocarro, vendo as árvores passarem com uma rapidez lenta.
- Como se me interessasse o que eles pensam. Até me admira eles pensarem. – Falei num tom monótono. A verdade era mesmo essa. Eles não tiram nada de dentro daquelas cabeças vazias.
- Que bicho te mordeu? – Questionou, voltando ao assunto inicial.
- A miúda! – Disse estranho.
- Quem? A loirinha? – Inquiriu confusa.
- Sim! Ela não me viu bem. Mas eu vi-a! – Expliquei num sussurro mudo.
- Dylan? – Chamou-me num tom estranho. – Por acaso não te estás a apaixonar?
- Não! –
Desdenhei com rapidez. – Primeiro, não posso apaixonar-me por uma humana. Segundo… - Comecei, mas sem saber bem o que lhe dizer.
- Não és tu que escolhes quem amas. É o coração. – Relembrou. – E o cúpido, mas esse é um caso à parte. – Acrescentou. – Se a amares…
- Não termines isso! –
Pedi agoniado. – Isto deve ser só coisas do meu dom.
- Fia-te nisso. Pode ser que tenhas sorte. –
Proferiu, levantando-se e deixando-me ali sozinho, enquanto saía do autocarro e dirigia-se para o interior da escola, com as poucas amigas que tinha.
Permaneci ali mais uns segundos, não só esperando que esta escumalha saísse toda, mas também para colocar um sorriso forçado na minha face. Eu até era bom a fingir que estava bem, ou os humanos é que são cegos e não conseguem ver o que os rodeia. Bem, acho que a segunda está mais correta.
- Bom dia, meu amor! – Cumprimentou Melissa quando me viu, desfilando até próximo a mim de mostrando-me os seus dentes brancos num sorriso maravilhado.
- Olá chata! – Retorqui, dando-lhe um sorriso amarelo.
- Porquê que és tão mau para mim? – Perguntou indignada, perseguindo-me enquanto ia até ao meu cacifo.
- Onde é que fui mau para ti? – Inquiri com uma inocência fingida.
- Chamaste-me chata e viraste-me as costas! – Constatou como se fosse algo que toda a gente via.
- Em relação ao “chata”, eu não disse mentira nenhuma. E até os gajos que comes te acham chata. A sorte é que tens atributos, apesar de serem de borracha! – Respondi, continuando a fazer as minhas coisas. – Em relação a ter-te virado as costas, andas a ver mal. Eu nem te olhei. Eu só prossegui o meu caminho e tu seguiste-me. Entende uma coisa: o mundo não gira à tua volta! – Lembrei-lhe, virando-lhe agora costas para ir para as aulas.
Só havia uma altura em que escolhia as aulas a fazer outras coisas e a altura era esta, em que a outra opção era aturar a praga.
- Porquê que és tão frio para mim? – Questionou-me escandalizada. – Eu amo-te! – Admitiu novamente.
- Querida… - Comecei encarando-a com frieza. – Amar não é estar numa esquina à espera que te enfiem dois dedos entre as pernas! Cresce! – Disse-lhe com um tom de voz cortante, deixando-a ali, com as lágrimas quase a borrar-lhe toda a maquilhagem.
As aulas, como de costume, estavam boas para dormir e, já que os alunos preenchiam o ar com os seus sussurros, aproveitei para repor o sono, uma vez que as suas vozes assemelhavam-se a canções de embalar.
- Mr. Montgomery, poderia vir resolver o cálculo ao quadro? – Ouvi a professora de matemática abordar-me.
Abri os olhos em pequenas fendas cansadas e encarei o exercício. Bolas! A mulher detestava-me.
- Seria um prazer! – Exclamei, levantando-me preguiçosamente.
Pelo caminho, fiz sinal à Claire que encarou o caderno com um sorriso trapaceiro.
-“Metes-te em trabalhos e quem te safa sou eu, né?” – Pensou ela.
Suspirei pesadamente e peguei na caneta do quadro muito lentamente.
- “Lembraste de trigonometria?” – Perguntou-me mentalmente.
- Se não visionas o exercício, juro que te dou uma sova lá fora! – Exclamei num sussurro inaudível, que só ela poderia ouvir através do ar.
Ela grunhiu mentalmente e, após um longo suspirou, pensou no exercício que resolveu no caderno. Ao vê-lo através da mente, ainda me sentia um pouco confuso, mas já me começava a familiarizar com isto. Até era simples visionar o que os outros pensavam. Acho que, a seguir à hipnose, ler pensamentos era tão simples como respirar.
Concentrei-me na mente da minha gémea e tentei ignorar todas as outras vozes que surgiram quando abri a minha mente. Aquilo dava umas dores de cabeça desgraçadas, contudo era suportável.
Em pouco mais de três minutos, a professora ficou de boca aberta por conseguir resolver um exercício sobre algo que nunca devia ter ouvido falar.
- Como resolveu o exercício? – Perguntou admirada.
- Nunca ouviu dizer que os gémeos são telepáticos? – Questionei com um sorriso trocista. – Eu li a mente da minha irmã e ela disse-me a resposta. Tipo abracadabra! – Gozei.
- Mr… - Começou, preparando-se para me expulsar, mas o toque interrompeu-a.
- Até segunda professora! – Despedi-me, saindo dali a rir-me.
- E um obrigado? – Expressou Claire rindo do momento.
Eu podia não gostar muito da magia, mas quando era para benefício próprio nem hesitava. Afinal, a magia tinha de se redimir por me ter tirado tudo.
- Vais embora? – Perguntei em vez de lhe agradecer.
- Vou. Não estou com espirito para cantorias. E tu?
- Vou contigo. Não me apetece ver o rabiosque da Melissa a abanar-se para mim.
- Que nojo! Dispensava pormenores! –
Expressou enojada.

***

- Já em casa? – Perguntou-nos Anthea, surgindo no hall de entrada da nossa casa.
- É sexta-feira! – Relembrou Claire.
- Eu sei, minha querida neta! Mas isso é tudo entusiasmo para ir… - Começou com um sorriso maravilhado.
- Este fim-de-semana não vou! – Interrompi a minha avó.
- Não?! – Inquiriram as minhas familiares em simultâneo.
- Não! É obrigatório? – Questionei, indo novamente para a cadeira onde me sentara de manhã e apreciando a casa amarelada.
- Claro que não, filho! – Respondeu a minha avó, estranhando o meu comportamento.
- À procura da loirinha? – Interrogou a minha irmã.
- Loirinha? – Interpelou a usuária da terra.
- A miúda da casa amarelada. – Explicou Claire, sentando-se ao meu lado.
- Eu fui lá hoje. – Contou a Anthea.
- Foi? – Perguntei, encarando a mulher que nos cuidou.
- Fui! – Repetiu. – Eu achei estranho a alegria da natureza perante a chegada das novas vizinhas e fui averiguar. – Explicou. – E não me espantou a sua alegria.
- Porquê? – Inquiriu Claire.
- Aquela casa exala poder. – Esclareceu. – Quem me abriu a porta foi a miúda. E ela… - Começou incerta que palavras deveria escolher. – Não sei que dizer. Contudo, apareceu uma mulher adulta com cara de poucos amigos. Pelas ondas do mar que preenchiam o seu sangue, deve ser uma usuária da água. Ela emitia beleza e charme.
- Feiticeira como as sereias. – Conclui.
- Mas não era uma. Não tinha cauda. – Constatou certa do que dizia. – O estranho é que ela fora arrogante. Normalmente as sereias tendem a ser um pouco convencidas, mas os usuários da água são calmos e amigáveis. – Expressou incerta. – Agora que penso… Era usuária da água. Tinha as três ondas tatuadas no pulso.
- O símbolo da água. – Disse Claire, passando a mão na sua própria tatuagem.
Todos os seres mitológicos com alma tinham a sua própria tatuagem, que ninguém tinha igual. Elas são como impressões digitais, únicas e que nos identificam. A da minha irmã é o símbolo do ar, com três espirais que lembram o vento. A da minha avó assemelha-se a uma rosa, indicando a afinidade com a terra, em especial com flores. Já eu observo no meu pulso um pentagrama, símbolo dos quatro elementos coordenados pelo espírito, o elemento com que me conecto.
- A loirinha tinha alguma tatuagem? – Inquiri curioso.
- Já que falas nisso… Sim tinha! Uma muito esquisita… Estranha, até… Não a consegui associar a nenhum elemento. – Exclamou minha avó.
- Como era? – Questionei.
- Parecia uma lua, mas também parecia um sol… Tinha uma bola prateada como uma lua cheia e, dentro dessa, tinha uma meia-lua, ou algo semelhante a uma meia-lua, preta. O que pareciam raios de um sol variavam entre prateados e pretos… Era muito peculiar. – Descreveu minha avó, enquanto estudava mentalmente o que tinha visto.
- Realmente ela é uma deusa da lua! – Conclui, encarando novamente a casa, vendo-a na porta.

***
Que tal?
O que acharam das novas revelações?
E da relação entre a Claire e o Dylan?
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