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I'll Come Back For You (+18)

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I'll Come Back For You (+18)

Mensagem por ScorpioNoLuthien em Qua Maio 23, 2012 1:01 pm




Gemidos podiam ser ouvidos saindo do seu televisor. Era feriado e como tal, Leo não tinha aulas na faculdade. Estava num daqueles dias em que a frustração de nunca poder estar sozinho em casa o consumia. Tinha acabado de entrar para engenharia informática esse ano mas, com 18 anos, os pais ainda o tratavam como uma criança.

Olhou atentamente para a loira que se masturbava no ecrã à sua frente, a sua mão acompanhando o ritmo do que via. Estava quase no ápice quando a sua porta do quarto abriu de par em par.

–Ainda estás deitado filho? Tenho de arrumar esta roupa aqui...

Ele cobriu-se da melhor maneira possível mas não foi a tempo de desligar o televisor, então, o mal estava feito. A mãe deixou cair a roupa de espanto e ele ficou vermelho que nem um pimentão.

–Mãe eu... hum.. -atrapalhado tentou desligar o aparelho.

–Não podias esperar para fazer isso quando estivesse toda a gente a dormir?- saiu apressada do quarto sem nem apanhar a roupa que tinha caído.

Leo suspirou e levantou-se, apanhou toda a roupa do chão e voltou a dobrá-la. Já quase tinha acabado quando ouviu o pai bater à porta.

–Posso?-perguntou-lhe abrindo a mesma. Aproximou-se do filho e sentou-se na cama perto dele- Já ouvi o que se passou pela mãe. Queres conversar?

–Sinceramente? Não, não quero. A mãe fez uma tempestade num copo de água para variar. Não fiz nada que outro rapaz qualquer não faça.

O pai riu.- Tens razão, mas podias ter esperado para que ninguém estivesse em casa, ou que estivéssemos a dormir. Poupava-nos esta conversa. Afinal o que te passou pela cabeça? Sabes que ela entra aqui de qualquer maneira...

–Sei lá pai... apeteceu-me...

–A tua namorada não pode resolver esse assunto sozinha?- o pai perguntou de novo em tom de brincadeira.

–Não quero falar sobre isso... -disse o rapaz levantando-se da cama e enfiando-se na confusão que era o seu armário a tentar descobrir uma roupa para vestir.

–Porquê? Não tens nenhuma rapariga em vista?

–Não pai, não tenho. Estás contente? Podes deixar-me agora, ou nem sequer tenho direito a um pouco de privacidade?- sibilou irritado.

Virou-lhe costas e entrou no banheiro que tinha no quarto. Despiu o pijama e olhou o seu reflexo no espelho.

Tinha 1,72 cm, o seu corpo era trabalhado pelo Karaté que praticava desde pequeno, esguio mas com músculo nos sítios certos, os seus fios de cabelo eram lisos e quase pretos, os seus olhos castanhos escuros. Era tão... normal. Suspirou, não percebia porque ninguém olhava para ele. Era por ser assim, comum? Não virar cabeças na multidão?

Com a sua idade todos os seus amigos já tinham namorada e ele nunca tinha sequer beijado alguém. Entrou no banho e deixou a água quente relaxar os seus músculos, levando com ela as preocupações.

Vestiu os seus boxers pretos, as calças jeans de lavagem escura e uma camiseta verde escura. Sentou-se à cadeira do computador e logou-se ao jogo rpg que andava a jogar. A sua vida andava chata agora que toda a gente à sua volta andava aos casais.

O nome do jogo era Fallen Magic e contava a história de anjos caídos em batalha para a sua própria sobrevivência. Leo normalmente escolhia sempre a categoria de guerreiro mas desta vez decidiu mudar. Quis experimentar magia... Decidiu então que seria um personagem que lidasse com magia negra, algo relacionado com a resistência humana contra os caídos.

Andava a jogar a umas semanas e estava agora com um nível mais alto numa segunda cidade do jogo. Tinha uma missão de matar personagens nos arredores.

A certa altura recebeu uma mensagem privada de algum jogador que estaria perto de si. O seu personagem chamava-se DullaMiya e era uma guerreira de nível mais baixo. Pedia ajuda. Leo sorriu. Ele adorava ajudar, se bem que neste caso não seria de muita ajuda.

Tentou o seu melhor e, depois de bem sucedidos na missão, ela não lhe virou costas e o deixou, como todas as outras pessoas a quem tinha feito o mesmo. Em vez disso meteu conversa com ele. Ajudava muito jogarem num servidor onde só se falava a sua língua.

''Obrigado pela ajuda...''-escreveu ela.

''De nada, se precisares de mais alguma coisa...''

''Bem eu tenho andado a jogar com uns amigos mas eles não têm aparecido muito, isto de jogar sozinha não tem piada.''

''Eu ainda tenho umas missões por aqui, se quiseres podemos continuar juntos.''

''Sim, agradecia-te muito.''

Passaram-se horas em que o rapaz só jogava com ela. Quando a mãe o chamou para o jantar ela perguntou se podiam continuar a falar depois, fora do jogo. Leo deu-lhe o seu e-mail e saiu do jogo. Quando voltou lá estava ela online. Aceitou o seu pedido de amizade e cumprimentou-a.

Rapidamente a sua resposta apareceu no ecrã.

''Voltaste depressa... Com pressa de voltar para o jogo?''

O rapaz riu e digitou de volta ''Não, apenas a querer fazer umas coisas por aqui. E tu ainda no jogo?''

''Nahh!! Aquilo sem ti perdeu toda a piada...''

''Então o que andaste a fazer?''

''Antes de mais, o meu nome é Anne''

''O meu, como já deves ter percebido pelo endereço, é Leo''

''Então e Leo, és de onde?''

Hesitou. E se fosse alguém que conhecia? Não queria dizer muito sobre si para já.

''Ando por aqui e ali... E tu?''

''Bem sou de Londres... Se te perguntar a idade vais ser sincero comigo?''

Isso achava que poderia dizer-lhe...''18 anos e tu?''

''Bem...19, achas que já me podes dizer de onde és?

''Estou longe de ti''

''És estudante?''

''Sim, entrei este ano para a faculdade em Engenharia Informática. Tu?''

''Estou à procura de trabalho, o teu curso é bastante interessante...''

''Pelo menos para mim... Agora já me podes dizer o que andaste a fazer?''

''Andei a lêr...''

''O quê? Se é que posso perguntar...''

''Bem, fanfiction... Não sei se sabes o que é''

''Sim sei... Ás vezes também leio. De One Piece ou Naruto...'' -estava decidido ele era completamente nerd... O que está dito, está dito... Ela respondeu rapidamente- ''Gosto dos animes mas para fanfiction prefiro Harry Potter.''

As horas passaram-se com eles a conversar, algumas respostas dela deixavam-no com um sorriso nos lábios. A certa altura, quando ficaram sem tema para escrever, ela decidiu começar uma história em que ele também poderia ser participante.

Na história uma rapariga andava à deriva por uma noite chuvosa, a sua vida corria toda do avesso e ela só queria paz. Encontrar um escape a todos os problemas que tinha em casa, na escola...

Ele como homem achou que conseguiria entrar melhor no personagem se ele fosse masculino e assim criou o rapaz que a encontrou e que tomou o seu lado naquele passeio. As personagens iam-se conhecendo ao longo da sua jornada e deu por si a colocar a sua personalidade no personagem. Contou-lhe um pouco da sua vida através daquela história... Só esperava que ela não tivesse percebido...

Estava tão embrenhado no que escrevia que nem ouviu a sua irmã a entrar e a parar atrás dele. Olhou por cima do seu ombro e viu a janela de conversação.

–É bonita ela... Quem é?

–Céus Kath, quantas vezes eu já te pedi para bateres à porta antes de entrares?

–Eu bati, tu é que estavas aí todo entretido... Estão a escrever uma história juntos? Awww que queridos...

–Vá lá, pára de gozar comigo....

–Não estou a gozar, falo a sério. É tua colega da faculdade?

–Não... Conheci-a hoje num jogo...-disse baixando a cabeça.

–A sério? Ela parece simpática, e estás a deixá-la à espera da tua resposta... ''Caminhavam juntos sob o luar de mãos dadas, talvez fosse o destino que os tivesse cruzado ou só o puro acaso, ela não se importava com isso quando tudo estava tão perfeito.''-leu Katherine alto -Ela quer que a beijes...

–Hum? Onde estás a ver isso.- escrutinou toda a frase de novo com os olhos. Em lado nenhum conseguia ver o que a irmã dizia.

Katherine bateu-lhe ao de leve na cabeça. -Ela não escreveu... Tentou que passasse subentendido. É uma cena romântica, é suposto os personagens principais terminarem juntos.

''Bem, Anne amanhã terminamos. Tenho de me deitar, acordo cedo para as aulas...''- digitou rápido desligando o computador de seguida sem esperar a sua resposta.

–Ei! Porque raio fizeste isso? A rapariga ficou à espera do final da história, tudo dependia de ti...

–Não sei se quero que o meu personagem acabe com uma desconhecida... A vida é assim, não tem finais felizes... Agora sai daqui que quero dormir...

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–Então tu passaste o teu feriado à frente de um computador? A sério meu, precisas de arranjar uma vida... - Leo estava sentado com um amigo no bar da faculdade a conversar.

–Conheci uma rapariga...

–Numa sala de chat ou isso?

–Não, no jogo... Jogamos o dia todo e trocámos e-mails...

–Ela é gira?

O rapaz riu-se da ansiedade do amigo. -O que isso interessa? Ela nem é de perto...

–É de outro país?- o moreno negou com a cabeça -Entãoo??? Claro que interessa... O país não é assim tão grande, podem-se encontrar...

–Estás a sonhar certo? Sabes como são os meus pais... Ainda agora tirei a carta não posso ir já a pegar no carro para ir ao fim do Mundo. -deixou a bandeja no balcão e saiu sendo seguido pelo amigo.

O seu dia passou a correr de aula em aula sem que ele pensasse mais nesse assunto... Todos aqueles trabalhos davam-lhe que fazer. Estava a arrumar o seu material quando Phillip passou por ele e lhe disse: -Quem sabe ela é o amor da tua vida, talvez devesses fazer mesmo isso. Meter-te no carro e sair daqui, os teus pais estão a sufocar-te... Pensa nisso...

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Pousou a sua mala de mensageiro na cama e olhou à sua volta. O quarto estava um caos, teria de o arrumar. Não tinha tido tempo essa manhã mas tinha outra coisa a fazer primeiro.

Ligou o computador e esperou que ela aparecesse. Não estava lá... Do que estava à espera? De ela estar disposta a o receber de braços abertos? Suspirou, não tinha qualquer tipo de sorte.

Tratou do quarto, ajudou a mãe com o jantar e, mais uma vez voltou para a frente do ecrã. Desta vez viu o icon dela a brilhar...

''Desculpa por ontem ter saído tão abruptamente... não queria ser mal educado'' -quase roia as unhas à espera da resposta, queria saber se ainda podiam ser amigos.

''Não te preocupes, também já estava de saída...'' -mentiu ela.

''Queres acabar a tal história?''

''Nah, deixa estar. Passou o momento...''

Apartir dai a conversa seguiu amena, com muita ''nerdisse'' à mistura. Eles eram muito parecidos, gostavam do mesmo estilo de jogos, livros, anime... Ela mandou-lhe fotos dela com as amigas, todas com um sorriso na cara... Anne pediu-lhe uma foto dele e Leo hesitou. Se toda a gente o achava assim, normal, talvez ela também achasse o mesmo...

Tentou levar em tom de brincadeira e arranjou desculpas mas aquilo incomodava-o. Num rompante de coragem mandou-lhe a única que tinha de si. Uma foto em que estava na neve, completamente soterrado.

''Ainda te parto o visor... Se fosse a ti tinha cuidado ao abrir o documento.''

''Oh vá lá, pára de ser exagerado. Eu já te mandei tantas minhas. Tu sim, podias assustar-te.''

Ficou ansioso pela sua resposta que chegou passados segundos.

''Afinal porque tinhas tantas duvidas em me enviar a foto? A certa altura assustei-me, já te imaginava um gigante com quatro olhos e com pele cinzenta. A tarde pareceu divertida, a quem chateaste para te enterrarem na neve?''

Respirou fundo aliviado, e sorriu para a resposta.

Noite após noite voltava para casa rapidamente só para poder falar com ela, a conversa saía sempre tão fluída, tão natural...

Gostava de a poder ter mais perto de si, seria uma pessoa com quem gostaria de passar tempo.

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–Então não se vão ver? Nunca? Já passaram o quê? Cinco anos? Ela está farta de pedir que a visites, a sério Leo devias fazê-lo.

–Sabes que não tenho tempo Kath. Antes pela faculdade, agora pelo trabalho. Estou atolado nele.

–Sabes bem que isso é uma mentira. De que é que tens medo? De à um tempo para cá juro que não te entendo...

Ele suspirou enquanto a via sair a porta da casa que partilhavam. Ele próprio não se compreendia, agora com 23 anos, tinha-se embrenhado com tal fúria no trabalho que já nem se reconhecia. Não tinha tempo para os amigos nem para os jogos que tanto gostava, para Anne então muito menos. Talvez uma mensagem ocasionalmente ao fim de semana para saber se estava tudo bem. Se algo não estava bem com a sua vida ela seria a primeira a recorrer a ele, não tinha com que preocupar. Sabia que não era desculpa mas, simplesmente não tinha tempo. O que era difícil de compreender nisso?

Estavam em Dezembro e lá fora nevava. Ela adorava a neve...

Quando parara de tirar fotos para lhe enviar? Ela gostava que ele lhe retratasse os primeiros nevões que na sua cidade não existiam, também gostava de o poder ver na época festiva, com a família. Katherine sempre lhe tirava fotos a cantar karaoke, a jogar em família... Este ano nem sabia se estaria disponível para estar com eles.

A sua vida tinha-se tornado chata e monótona. E o amor? Já nem pensava nisso. Á quanto tempo não pensava sequer em uma mulher? Lembrou-se do dia em que ''conheceu'' Anne e sorriu, pensara mais nela nesses cinco minutos que nos últimos cinco anos...

Logo recebeu uma mensagem dela, ''Saudades de conversar contigo'' dizia. Também as sentia mas o que podia fazer? Deixar tudo e ir ter com ela?

''Sim, podias fazer exactamente isso''- disse uma vozinha dentro da sua cabeça. -''Sabes que queres fazê-lo, o que te está a aguentar aqui?''

Olhou para o relógio, já passava da meia noite. O que a fazia estar acordada aquela hora?Decidiu telefonar-lhe. Ao final do quarto toque Anne atendeu com uma voz sonolenta.

''Leo? Passou-se alguma coisa? Tu nunca telefonas...''

–Quero ver-te, agora...

Ouviu-a rir baixinho do outro lado da linha. ''Isso é um pouco difícil, estás a pelo menos três horas daqui.''

–Se eu disser que estou a caminho, esperas por mim acordada?

''Estás a brincar certo? Em cinco anos nunca aqui quiseste vir... Já é um pouco tarde para esse tipo de piada.''

–Não estou a brincar. Estou neste momento a pegar nas chaves do carro e a vestir o casaco. -disse ligando o alta voz para poder passar as mangas pelas suas mãos. -Sim... Devo estar aí daqui a mais ou menos três horas.

''Leo..''- já não ouviu a sua resposta, saiu de casa e entrou no carro desportivo. Era a primeira vez que fazia algo tão espontâneo na vida. Ligou o rádio para não adormecer na viagem e seguiu...

A cidade dela era bem diferente da sua, maior. Ele já lá havia estado uma ou outra vez com os pais quando mais novo. Sentiu imediatamente a diferença de temperatura, pediu indicações a um polícia para o único sitio que se lembrava o nome. Quando lá chegou desligou o motor e discou o numero de Anne.

''Onde estás?'' -perguntou-lhe sem nem o cumprimentar.

–Estavas com o telemóvel na mão? -sorriu -Estou ao pé do rio, existe aqui uma marina onde eu estacionei. Como deves deduzir, à tua espera...

''Dá-me vinte minutos.'' -esta foi a vez dela de nem esperar resposta. Saiu do carro e olhou para as águas calmas à sua frente. Não havia feito nenhuma paragem pelo caminho e sentia as pernas dormentes. Valeria a pena...

Sentia-se cada vez mais ansioso a cada minuto que passava e já andava de um lado para o outro quando um carro preto parou perto do seu. A porta abriu num rompante assim que o barulho morreu e ela saiu rapidamente.

Sorriu ao vê-la. A sua pequena, nome carinhoso que lhe tinha dado devido à sua altura. O seu cabelo preto preso em um coque baixo, o vestido preto que vestia, as botas de salto baixo que calçava, tudo perfeito. Não teve muito mais tempo para a vislumbrar pois foi abraçado num abraço apertado. Devolveu o mesmo apoiando o queixo no topo da sua cabeça.

–És louco, sabias?- ouviu as suas palavras abafadas por estar encostada no seu peito. Riu.

–Parece que não sou o único, estamos em pleno inverno e tu nem um casaco trazes vestido...

–Humm esqueci-me...-disse largando-o. -Alguém decidiu que as três da manhã era uma boa hora para uma visita...

–Tonta... Se achas que é uma má altura posso sempre voltar depois.-retirou o seu casaco oferecendo-lhe.

Ela bateu-lhe carinhosamente no braço ao aceitar. -Agora que já estou acordada? Nem que tentasses fugir... Queres ir dar uma volta? Eu até perguntava se querias beber algo mas já deve estar tudo a fechar...

–Só uma volta está bom...

Começaram a caminhar à beira rio. Tudo entre eles era tão natural, não parecia a primeira vez que se viam.

–Então e este Natal? Vão se reunir todos em vossa casa ou na dos pais?

–Hum? -Leo deu por si a contemplar os olhos avelã dela. Tinham um formato amendoado e estavam delineados por um simples traço negro. Sorriu, tinha-se esquecido do casaco mas lembrara de se maquilhar, mesmo que pouco...

–Ei! Fiz-te uma pergunta.-chamou-o à realidade.

–Bem... Ainda não sabemos, talvez não tenha tempo...

Ela parou de caminhar e olhou seriamente para ele. -O que te levou a fazer uma viagem de três horas, de madrugada, para vir aqui?

Passou nervosamente a mão pelos cabelos curtos.

–Foi o único tempo que tive disponível. Nunca sei quando terei tempo de novo.

–Só por isso?- virou-lhe costas um momento- Então talvez não devesses ter vindo.

–Oh, vá lá Anne, sabes que queria te ver... -pegou na sua mão e entrelaçou os seus dedos. O seu telemóvel tocou de novo essa noite, era Katherine. -Dá-me um segundo. -disse afastando-se um pouco.-Sim?

''Cheguei agora a casa e tu não estás... Passou-se alguma coisa?''

–Não, está tudo bem. Vim só dar uma volta.

''Vais demorar muito?''

–Provavelmente -Leo riu -Estou, digamos, em Londres.

''Hum? Estás a brincar?''

–Não. Estou com a Anne...

''Não pode! Deixa-me falar com ela..''

Ele passou o telefone e ficou a vê-las conversar durante uns bons dez minutos. Mulheres, não há quem as entenda. Falaram sobre trivialidades, maquilhagem, vestidos... e mais algo, a certa altura desligou-se. Porque tinha mesmo ido ali? Boa pergunta... nem ele sabia bem a resposta.

Ela passou-lhe de novo o aparelho, aparentemente depois de tanta conversa ela ainda queria falar com ele.

–Não tenho muito tempo. Diz...

''Vocês estão juntos?''

–Não acabaste de falar com ela? Então sim, estamos juntos.

''Não é esse tipo de juntos, mas já percebi que não. Tenta não deitar tudo a perder.''

–A sério que tenho que comprar um dicionário que traduza as mulheres. O que quiseste dizer com isso?

''Lembras-te do beijo que ficou por dar? Aí tens a tua oportunidade. Falamos depois.'' -ouviu o sinal de chamada cortada do outro lado. Agora ainda estava mais confuso... do que raios ela estava a falar?

–Achas que podemos continuar? Ou tensionas ficar ai o resto da noite?

Focou a cara dela e riu. -Desculpa é que a minha irmã tem com cada coisa... Cada vez me deixa mais confuso... Agora veio com uma conversa de um be... -ao olhá-la lembrou-se. A história... a que nunca tinham acabado... corou.

–Que se passa? Estás com frio? Podemos ir para minha casa. estás a começar a ficar com a cara queimada...

–Bem.. humm.. -que desculpa podia dar? Dizer que acabou de entender que a irmã queria que ele a beijasse? -Tudo bem. Está realmente frio aqui.

–Então segue o meu carro... eu levo-te até lá...

Demoraram cerca de dez minutos a chegar a casa dela. Morava numa rua tipica num prédio antigo com vista para o rio. Subiram um lance de escadas e ela abriu a porta, descalçando-se à entrada.

–Está à vontade. Vou só preparar algo para bebermos...- desapareceu no corredor que dava para as outras divisões.

O rapaz olhou à sua volta. A sala estava decorada de uma maneira simples mas sofisticada. A madeira clara do chão em contraste as cortinas pretas e prata, as paredes totalmente brancas, moveis pretos... era estranhamente acolhedor. Sentou-se no sofá e esperou por ela o que não demorou muito tempo. Anne entrou na divisória carregando uma bandeja com dois copos de balão e duas garrafas, uma de whisky e outra de Baileys, e um prato de ''algo que poderiam comer''. Levantou-se e foi ajudá-la.

–Obrigado cavalheiro... -o seu sorriso iluminou-se.

–De nada donzela... -recebeu um leve soco no braço -Ei... que foi? Só te tratei como tu a mim...

Sentaram-se ambos no sofá e a morena serviu-se do licor de café. -Preferes whisky certo? -perguntou como se já soubesse a resposta.

–Não... é amargo. Prefiro o licor... -disse-lhe vendo-a servir mais um copo e levantar-se em direcção à estante onde estava o aparelho de som. Um rock baixo pode ser ouvido, era a cara dela... aliás recordava-se da melodia de algum lugar.

–Então a que horas tens de voltar? -perguntou-lhe esmorecendo um pouco.

–Por volta das sete... E não fiques com essa cara, venho de tão longe para ficares triste?

–Eu não estou triste, apenas um pouco decepcionada... A primeira vez que me visitas e só podes estar três horas... é frustrante. Não penses nisso Anne... não penses -disse mais para si que para o rapaz -Então sobre o que queres falar nestas horas?

–Bem... não faço ideia... Porque não começas tu um tópico?

–Qual? Que o Vegeta continua, para mim, a ser o melhor personagem do Dragonball?

–Ei! Não é nada. -retorquiu ele muito sério -Ele não chega sequer a unha do dedo mindinho do pé do Goku. - olharam um para o outro e desataram-se a rir.

Conversaram mais um pouco sobre a sua adoração e perceberam que, embora a sua vida tivesse mudado, nada mudara entre eles. Uma hora depois, ao se tentar servir de um pouco mais de liquido, Anne deu conta que o tinham terminado. Ao se por de pé o chão fugiu-lhe e acabou por cair ao colo de Leo. Ficaram fixados um nos olhos do outro ao que parecia horas e, finalmente, a rapariga pôs fim ao espaço que existia entre os dois e beijou-o.

Os lábios dela eram suaves e o cheiro de seu cabelo tão perto... céus era inebriante... Com alguma hesitação levou a mão aos seus cabelos e desfez o nó que os amarrava, soltando-os. Segurou-a perto de si aprofundando o beijo, a sua língua brincando com a dela suavemente. Sentiu-a derreter nos seus braços entregando-se completamente ao momento.

Separaram-se, as suas testas encostadas uma na outra. Aquilo tinha sido... maravilhoso. Ele nunca tinha sentido nada assim, o seu coração batia tão descompassado que se tornava difícil sequer respirar. Abriu os olhos e ela observava-o atentamente esperando alguma reacção, deixando-o completamente embaraçado pela excitação que sentia. Anne beijou-o de novo e puxou-o consigo até ficarem ambos deitados no sofá, ele sobre si.

Os seus dedos delicados acariciavam os seus cabelos deixando-o totalmente arrepiado. Separou-se ligeiramente dizendo-lhe: -Não sei se devíamos...

A resposta não foi mais que um breve beijo no seu pescoço. Tinha de admitir, ele também a queria, muito... -Se tens a certeza ajuda-me ok? Eu nunca fiz isto... -disse corando. Ela sorriu e fez um pedido mudo para que ele beijasse o seu pescoço. Beijou-a levemente no pescoço e desapertou os botões do seu vestido, deixando visível a sua lingerie preta. Tocou um seio por cima do tecido fino sentindo-o. Um gemido baixo fê-lo encará-la, estava linda, a sua face corada completamente entregue. Anne aproveitou o momento de distração dele para lhe puxar a camiseta preta, deixando o seu torço branco descoberto. Acariciou as suas costas e encostou os lábios carnudos na sua orelha murmurando : -Faz amor comigo...

Foi a vez dele a beijar, desta vez com mais descontrolo, com paixão. Como ele se podia controlar com ela a sussurrar-lhe aquelas coisas. Ela desceu as suas mãos pelas suas laterais e desapertou-lhe a calça jeans que vestia, tocando-o levemente em seguida por cima dos boxers. Tudo nela o estava a deixar louco, o cheiro, o toque, o sabor... queria mais... queria senti-la a envolvê-lo por inteiro.

Ao sentir o seu desejo correspondido não conseguiu conter um gemido alto que foi acompanhado por um dela. A sensação era completamente prazerosa, as suas respirações misturadas, o calor, o som dos seus corpos a chocarem e novamente, aquela música no momento do apíce. No final ficaram abraçados a ouvi-la tocar até o cansaço lhes levar a melhor.

«««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Quando Anne acordou ele já lá não estava. Suspirou, aquilo tinha sido um erro, provavelmente nunca mais se veriam. Ao se levantar viu um cartão dobrado perto dos copos da noite anterior. Pegou-lhe e abriu-o. Nele estava escrito...

''I''ll come back for you''

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Re: I'll Come Back For You (+18)

Mensagem por Andy Girl em Sab Jun 16, 2012 12:17 am

Olá!
Eu li a história e até achei que ela tinha alguma piada. As cenas de encontros pela net têm sempre de se ter cuidado com isso. Mas eu gostei da história ficou fofinha e algo romântica e loucaXD
Beijinhos!
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Re: I'll Come Back For You (+18)

Mensagem por Fox* em Sab Jun 16, 2012 1:55 pm

Nunca pensei, quando comecei a ler, que fosse culminar neste ponto.
Ao início lembrou-me American Pie (só me consigo lembrar da tarte xD), depois uma conversa esquisita e só pensei que os encontros pela net raramente resultam mas aqui... Aqui conseguiste.
Gostei do clima que descreveste e de como, passados anos da primeira conversa, eles se mantiveram os mesmos e a sentir o mesmo.
Uma história romântica, sem dúvida :)

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Re: I'll Come Back For You (+18)

Mensagem por Anne Margareth em Sab Jun 16, 2012 11:50 pm

Li a tua One Shot e adorei. Apesar de ser uma conotação de encontros e Jogos, é sempre muito perigoso andar a trocar emails ou outros contactos pela net. Nunca sabemos quem está do outro lado. Pode estar com boa intenção, ou com má...

Continua a escrever, a ler e a comentar.
Beijinhos,
Graça.
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Re: I'll Come Back For You (+18)

Mensagem por Nitaa em Ter Jun 19, 2012 6:45 pm

Eu já tinha lido isto à umas semanas, mas a minha inspiração para comentar andava fugida (e ainda anda, mas isto merece umas palavrinhas).
Gostei imenso deste texto.
Utilizaste um tema do qual tantas advertências ouvimos e tornaste-o em algo belo.
Normalmente não há romances através da net... Na net, os que procuram "romance" ou são gajos à espera da primeira oportunidade para meter os cornos à mulher, ou são pedófilos, ou são gajos com falta...
Mas aqui não!
Gostei imenso desta perspectiva que deste a este tema. Além disso tornaste o romance belo e o final foi tocante.
Parabéns!
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Re: I'll Come Back For You (+18)

Mensagem por Haneul em Qui Jun 21, 2012 8:58 pm

Eu não vou falar sobre o quão perigoso são estes "encontros" pela net e essas coisas. Nem sei se sou a pessoa mais indicada para o fazer.
Portanto vou-me concentrar apenas na one-shot.

É bem diferente de todas as outras que já li até agora. Em parte por retratar este tema. Relações online. Não existem apenas relações amorosas online. Também há de amizade e isso. Mas já estou a fugir ao tema. xD
Adorei a tua one. Adorei a história. Adorei o desenrolar. Basicamente: Adorei tudo!

Parabéns e continua com estas histórias *-*
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